Já muitas vezes pensei em escrever sobre este tema e sempre
me reprimi, achando que não tinha conhecimentos suficientes sobre o assunto
para o poder fazer. Comprei livros, investiguei na net, sem nunca me sentir
habilitada.
Cheguei no entanto à conclusão de que não preciso de ser uma
expert para transmitir o que sinto, o que penso, o que observo, que valem o que valem.
De qualquer forma, como me disse uma vez um Sr. Doutor de
Coimbra: “Ó filha, tu dizes estupidezes com muita naturalidade...”
Vou portanto desta vez ter a audácia de o fazer. lol
Conheço cada vez mais gente, uns mais próximos do que
outros, que se tem vindo a tornar Budista... e... não me parecem ser pessoas lá
muito felizes ou satisfeitas com a vida.
:(
Posso, estar profundamente enganada, mas é sem dúvida o que
a minha percepção me transmite.
São geralmente pessoas extremamente correctas, gentis, bem
educadas. São aparentemente calmas, falam pausadamente e sem levantar a voz, não
utilizam “expressões fortes” nem “dizem mal” do próximo. Aplicam-se em ter hábitos
saudáveis, uma alimentação equilibrada, muitos são vegetarianos, não fumam, não
bebem, fazem yoga, meditam, vão a retiros. Preocupam-se e dedicam-se aos outros,
à natureza, ao ambiente, frequentemente abraçando causas.
Têm no entanto, a meu ver, um ar profundamente triste.
Recentemente, numa noite de jogo em que, por razões que não
são para aqui chamadas, acabámos por não poder jogar, dedicámo-nos
enfaticamente a outra actividade, também ela muito do meu agrado; a conversa. Esta
acabou por recair sobre o tema em questão.
O meu “mais que tudo” (em termos de amizade), é um dos que
abraçou esta filosofia de vida e, mais uma vez, lhe disse que não compreendia.
Declarou então que ele é que não compreendia como é que, 99%
das pessoas, conseguiam viver sem se questionarem, sem procurarem respostas.
Quando perguntei se achava que EU não procurava respostas,
respondeu-me que, dos 99%, eu era sem dúvida das que mais procurava... à
superfície... que era a melhor “apanhadora de ameijoa” que conhecia... mas que
não passava disso, não ia mais fundo.
Sinto-me perfeitamente incapaz de reproduzir a longa conversa
(de qualquer forma, o respeito pela privacidade alheia leva-me a preferir não a expôr para uso num grupo tão alargado... lolololol )
dado que estes meninos tendem a falar de forma absolutamente críptica para mim.
Pão pão, queijo queijo, não é definitivamente o seu forte e não há cá
afirmações claras, é preciso descodificar tudo o que dizem.
Em todo o caso, o sumo que consegui toscamente extrair, é
que o “aqui e agora”, não serve para eles. Não chega, não satisfaz, precisam de
perceber alguma coisa que eu não consegui perceber o que era. Isto à mistura
com o “vir cá muitas vezes” e eventualmente a felicidade não estar sempre
presente.
Acabámos por concordar em discordar, pois eu também não
consegui demonstrar que, se era feliz agora, nada mais importava.
Como já aqui disse várias vezes, a minha felicidade é uma
coisa bastante recente. Tempos houve em que acreditava que se tratava de um “estar”
e não de um “ser”. Até que descobri que esta depende exclusivamente de nós, de
decidirmos ser felizes “apesar de”.
E se tenho tido “apesares de” desde que me assumi como feliz...
Acredito que se possa perder. Acredito que possam ocorrer
mudanças em nós que nos roubem a força de continuar a ser felizes. Mas enquanto
o pau vai e vem...
O estado do mundo, a miséria humana, o sofrimento em geral, foram
mencionados algures na conversa. Não consegui perceber em quê que o facto de me sentir infeliz pudesse aliviar a situação. Não sou feliz ás custas de nada, nem de ninguém e faço o que
posso para contribuir para um mundo melhor.
Esse sofrimento, que
aparentemente tanto os atormenta, que tentam evitar, erradicar é, aos meus
olhos e dentro de certa medida, extremamente útil. É ele que nos permite
crescer, aprender, evoluir. Não estou de todo a sugerir que o procuremos ou provoquemos
nos outros. Só não me parece que seja o fim do mundo.
Acima de tudo acredito que, se perdermos a capacidade de
sofrer, perderemos também a de realmente apreciar o outro lado da moeda.
Como dizem os franceses:
“pourquoi
faire simple, quand on peut faire compliqué?!”
ou
"Happiness
in intelligent people is the rarest thing I know."
Ernest Hemingway
Se calhar é mais por aí... não conheço Budistas burros. ;)
"Há uma esfera que não é certa, nem água, nem fogo, nem ar:
a esfera do nada, é só aí o fim do sofrimento"
Buda
I rest my case...
Ameijoas à Bulhão Pato, anyone?! ;)


3 comments:
não utilizam "expressões fortes" nem "dizem mal" do próximo
ROTFL LMAO!!!!!
lol
Quando a felicidade é entendida como um sinónimo (um sinal) de inconsciencia... nada a fazer.
One thing I'll say for them:
O Dalai Lama parece-me uma pessoa feliz, com todos os seus "apesar de"
Creio que o maior problema não estará no budismo em si mas na maneira que os tais budistas tem de se levar tão, tão a sério. Para quê?
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