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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Amores da loja do chinês

COM MÚSICA



É um erro comum partirmos do princípio de que amar tem o mesmo significado para toda a gente… nessa óptica, ou se ama ou não se ama.
Se alguém se enquadra nos nossos standards do que é o amor, gosta de nós, senão é certamente porque afinal não gosta.
Era bom que fosse assim tão simples, infelizmente a vida não é a preto e branco.

A nossa forma de amar tem a ver com muitos outros traços do nosso carácter. A demonstração desse afecto também.  Em suma, como tudo o resto, está relacionada com a nossa postura perante a vida.

O amor é um sentimento, como tal sujeito a intensidade.
O que fazemos com ele é uma questão de atitude.

Afirmar que se gosta de alguém é assumir que essa pessoa tem um papel especial na nossa vida, que está “mais perto do nosso coração” do que outras por quem não nutrimos qualquer tipo de sentimento, que nos são no fundo indiferentes.
Mesmo se inconscientemente, todos temos uma escala interior por comparação; gostamos muito, gostamos pouco, gostamos assim assim.
Isto refere-se à parte quantitativa.

Da forma como demonstramos o nosso amor depende a qualidade do mesmo.
A pessoa amada pode senti-lo mais ou menos intensamente, consoante as atitudes do outro para consigo. Tem a ver com o tratamento especial e preferencial e a atenção que lhe é dedicada.
O resultado prático é que, relativamente a certas pessoas, mesmo sabendo que gostam de nós, sentimos que se não gostassem ou gostassem menos a atitude seria a mesma.

As possíveis demonstrações passam por uma preocupação real com o bem estar alheio e pelo que podemos, da nossa parte, fazer para o proporcionar. Passam por, através da empatia, conseguirmos entender os sentimentos do outro e agirmos conforme gostaríamos que fizessem connosco se estivéssemos na mesma situação. Pedem sacrifícios  quando, postas as coisas numa balança, os interesses do outro falem mais alto. Requerem disponibilidade para apoiar e ajudar, dentro das nossas possibilidades, quer seja com palavras ou com acções. Implicam respeito e consideração pelo outro e que o tratemos como igual. Pressupõem dedicação e entrega.

Enfim… há várias formas de “provar” o nosso amor por alguém… há no entanto quem ache que não tem de o fazer, que senti-lo é mais do que suficiente.
Uma tripla da loja do chinês não tem direito ao nome de tripla?! Com certeza que tem.
Pela sua fraca qualidade e fiabilidade, arriscamo-nos é a que nos incendeie a casa…

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Expectativas

COM MÚSICA


“Esperava outra coisa de ti…”
Quem já não pensou, disse, ouviu, uma coisa semelhante?!
O sentimento associado é de desilusão, mágoa, ressentimento por vezes… a pessoa em questão não esteve à altura das expectativas.

Normalmente encaramos isso como uma falha do outro, como se a “culpa” fosse dele. Será?!
Não tenho dúvidas de que existam pessoas maliciosas, manipuladoras, que se nos apresentem da forma que mais lhes convier com o objectivo de levarem a água ao seu moinho.
Acredito no entanto que sejam uma minoria absoluta.
No geral, as expectativas somos nós próprios que as criamos.

Quando conhecemos alguém, havendo empatia, começamos por tirar-lhe as medidas.  Passamos depois geralmente por um test-drive, em que apalpamos terreno e, caso nos sintamos satisfeitos, avançamos para a “compra”.
Apesar de algumas pessoas serem definitivamente mais cautelosas do que outras no que diz respeito à entrega, ao grau de envolvimento inicial, embora a duração do período de “satisfeito ou reembolsado” possa variar, a certa altura do campeonato esta decisão acaba por ter de ser tomada.

Imaginemos que o leque das nossas relações é uma estante… em que, para as prateleiras inferiores, chutamos as pessoas que não temos em grande consideração, de quem não esperamos grande coisa… e nas superiores, nas que estão mais perto do coração, colocamos aquelas por quem sentimos maior admiração.

Quando sentimos apreço por alguém, tendemos a valorizar as suas facetas mais agradáveis e a subestimar as outras, ao ponto ás vezes de nem as querermos ver. Nessa perspectiva, criamos no nosso cérebro uma imagem lisonjeira da pessoa.
Quanto mais dela gostarmos, mais quereremos ver o seu lado positivo, mais alto a colocaremos na nossa estante e quanto mais alto, maior a queda.

A nossa análise do carácter e personalidade alheios não passa de uma visão pessoal e subjectiva daquilo que é efectivamente o outro.
O desenho que dele fazemos não passa de uma interpretação do que vemos, que não corresponde obrigatoriamente à realidade, ou pelo menos a toda a realidade.
Os seres humanos são criaturas complexas, ricas em características, que não conseguimos nunca apreender por completo.

Não seria inédito, ao descrevermos alguém a si próprio, este não se reconhecer. Ao pintarmos o seu retrato, se sentir nitidamente favorecido. E quantas vezes, se no lo disser, o encararemos como derivado de modéstia, não concordando com as suas contraposições.

Por outro lado, todos temos as nossas limitações. Das nossas, estamos geralmente conscientes, as dos outros podem passar-nos durante muito tempo ao lado, até que se apresente a ocasião de virem ao de cima.

Não é igualmente de menosprezar o factor mudança… Aqueles que somos hoje, podemos já não ser amanhã, a experiência de vida muda-nos, as prioridades vão-se alterando e quem está à nossa volta não se dá obrigatoriamente conta disso.

Voltando a citar George Bernard Shaw:
“The only man I know who behaves sensibly is my tailor; he takes my measurements anew each time he sees me. The rest go on with their old measurements and expect me to fit them.”

Resumindo e concluindo, geralmente as pessoas não nos decepcionam, nós é que nos decepcionamos devido a expectativas goradas. Logo, ficar chateado com o outro é perfeitamente ridículo. Por muito que nos possa custar, assumir que pudéssemos estar enganados ajuda a ultrapassar a frustração.
Querer que os outros estejam sempre à altura daquilo que esperávamos deles é utópico, é preciso manter a elasticidade de rearranjar a nossa estante ao longo do tempo e consoante as experiências que formos tendo, sem dramas, como simples constatação de factos.

As boas notícias são que ás vezes também nos deparamos com a surpresa de passar alguém para uma prateleira superior. ;)

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Último post de 2010

COM MÚSICA




Tipicamente, nesta altura do ano, olhamos para trás e fazemos um balanço...
o meu deixou-me sem grande disposição ou inspiração para escrever.

Não querendo no entanto deixar-vos sem nada para ler esta semana, remeto-vos então para um dos primeiros posts deste blog.

Desejo a todos um excelente ano de 2011!







"[…] And you start to accept your loss with your head up and eyes straight ahead, with the grace of a grown-up, not the sadness of a child.[...]"

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Os Ogres são como as cebolas

COM MÚSICA



Burro – Cheiram mal?!
Shrek – Não! Têm camadas…

Assim são também as relações entre as pessoas, das mais superficiais às mais profundas …
Se o carácter e características dos indivíduos que se enquadram na primeira categoria não pesam grandemente na nossa vida, o mesmo já não se poderá dizer no que diz respeito aos da segunda.

Que o senhor do café,  goste de se vestir de mulher, que gaste tudo o que ganha no casino ou que tenha como hobbie coleccionar bigornas… para nós é perfeitamente igual ao litro. O mais provável, de qualquer forma, é que nem tenhamos conhecimento de nada disso.
Se estivermos no entanto a considerar casar com ele, talvez já não sejamos tão indiferentes a estes “pequenos detalhes” … ;)

Quanto mais as pessoas entram na nossa intimidade, mais importantes se tornam na nossa vida, mais peso têm. O que pensam, dizem e fazem as mais próximas de nós irá, frequentemente, de uma forma ou de outra, afectar-nos positiva ou negativamente.

O envolvimento, seja de que natureza for, começa por uma certa empatia. Volta não volta,  sentimo-nos tentados a “ir mais longe”, a deixar o outro entrar mais profundamente na nossa vida.
É no entanto extremamente importante que tenhamos a noção de “onde” o podemos efectivamente deixar entrar.
Inútil será dizer que isso nem sempre acontece e qualquer um de nós terá casos em que abriu a porta de uma divisão onde o outro não era suposto ir.

Onde isto é mais flagrante é nas relações amorosas.
Terá, até certo ponto, a ver com a paixão, com a irracionalidade e cegueira inerentes a este tipo de sentimento. Mas não só.
A realidade é que, muitas vezes, não temos noção de que uma pessoa que poderíamos apreciar  como amiga, dificilmente poderá partilhar a vida connosco.
Mas o que é válido para os amores é também válido para as amizades, and so on

Utilizando mais uma vez a analogia com os jogos, que neste caso ajuda bastante a exemplificar o que tento transmitir, é preciso saber o que conseguimos e nos dá prazer jogar.

Tanto eu como grande parte das pessoas com quem me dou, somos jogohólics. Jogamos jogos de tabuleiro (de dificuldade variada), jogos de sociedade, jogos de cartas, etc… Temos um armário cheio deles, de cima a baixo.

Ora cada um de nós tem jogos que se recusa a jogar, que não sabe nem quer aprender.
As razões podem ser variadas, podemos acha-los demasiado estúpidos, demasiado complicados, ou simplesmente não lhes achar graça por alguma razão pessoal e intransmissível.
Eu pessoalmente recuso-me a jogar Bridge, por exemplo. Vivi com uma pessoa que  jogava todas as semanas e todas as semanas havia discussões, pessoas que se zangavam forte e feio, por causa da porcaria do jogo. Acho que fiquei traumatizada… (LOL)

Por outro lado, há jogos que só jogamos no social, quando estão presentes grupos grandes, mas que não nos passaria pela cabeça jogar no nosso núcleo mais fechado. Digamos que há jogos que se adequam a cada camada  da cebola.

Dito isto, voltando à vida real, cada um de nós tem os seus jogos, sendo eles a sua maneira de ser, de pensar, de agir. Não fazendo julgamentos de valor, convém no entanto saber os que estamos dispostos a jogar com os outros. E quanto mais perto do núcleo os deixarmos aproximar, mais criteriosos deveremos ser.

Imaginemos que alguém tem tendências sexuais sadomasoquistas, por exemplo. Se fôr um amigo, dificilmente isso irá interferir com a nossa relação. A coisa pode mudar de figura se se tratar da nossa cara-metade.
Este é um exemplo extremo e caricatural, há no entanto muitos aspectos a ter em conta ao atribuirmos um papel na nossa vida a alguém. 
Se certas características se podem facilmente suportar em certo tipo de relações, em que eventualmente nem sequer daremos por elas, noutras já  nos poderão afectar seriamente.

Nem sempre o “tipo de jogo” de cada um é fácil de identificar à partida. Ás vezes  atiramo-nos de cabeça,  dando-nos posteriormente conta de que não o queremos ou conseguimos jogar.
Mas uma coisa parece-me óbvia; se já sabemos que o outro não ouve a mesma canção, não empenhemos a porcaria do anel de rubi… ;)

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Os bem intencionados

COM MÚSICA




Aqui à tempos veio cá jantar uma amiga em vias de mudar de casa.
Quando lhe perguntámos se precisava de ajuda, respondeu que  agradecia mas tinha tudo sob controlo e acrescentou que já várias pessoas lhe tinham perguntado o mesmo.
Ao que o namorado (ups… não sei se lhe devia ter chamado isso… lol) comentou que gostava de saber, se tivesse aceite, quantas delas se chegariam efectivamente à frente…

É um facto que aparentemente muita gente acredita que “a intenção é que conta”…
Não a querendo subestimar, pois sem dúvida que ás vezes as coisas não correm propriamente como desejaríamos, também não consigo concordar a afirmação.

Se alguém nos pede ajuda, ou espontaneamente lha oferecemos, supõe-se que seja porque dela precisa. A simples intenção de o fazer não vai, convenhamos, adiantar grande coisa.
Notem que quem diz ajudar, diz “estar lá” para os outros de alguma forma. Como se costuma dizer “os amigos são para as ocasiões”, expressão um bocado vaga mas que todos entendemos. ;)

É muito fácil ser-se “amigo” numa festa, numa ida ao cinema, num jantar… Os momentos de descontracção e lazer não geram normalmente conflitos de interesse.
Alancar numa mudança, fazer uma visita ao hospital,  dar uma ajuda com um projecto ou simplesmente ouvir um desabafo, não trazem à partida grande satisfação pessoal.

Estender a mão implica sempre algum sacrifício da nossa parte.
Pode obrigar-nos a reorganizar os nossos planos, a ter de arranjar soluções alternativas para a nossa própria vida, a arranjar um tempo que muitas vezes já escasseia ou simplesmente a abdicar de coisas que nos apetecia muito mais fazer.

A questão é que as pessoas tendem a falar da boca para fora, sem ter em conta este tipo de considerações. Querem ser simpáticas, fazer boa figura, portanto propõem/acedem e só mais tarde se deparam com os mas… e aí é que a porca torce o rabo.
Nessa altura põem, consciente ou inconscientemente, numa balança o transtorno que a “boa acção” lhes irá causar versus o seu retorno e optam por ficar quietinhas e seguir calmamente com a sua vida.

Aquilo de que provavelmente não se darão conta é que, ao gorar as expectativas que criaram, estão a causar dano.
A maior parte de nós já está conformada com o facto de que, infelizmente, a única pessoa com quem realmente pode contar é consigo própria. Quando não surge ninguém para dar uma “mãozinha”, já ninguém se admira.
No entanto, se nos puxarem o tapete debaixo dos pés, acaba por ser muito pior a decepção  e eventual alteração de planos para colmatar o buraco, do que a ausência de candidatos.

Assim, antes de acedermos a fazer alguma coisa pelo próximo, todos deveríamos estar perfeitamente conscientes do que isso implica e certos de que estamos dispostos a fazê-lo. Mas sobretudo, como em tantas outras coisas, deveríamos manter as nossas “promessas”.
A intenção, afinal, não conta para grande coisa…

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

"Diferenças irreconciliáveis"

COM MÚSICA


A vida sendo uma caixinha de surpresas, nem sempre as coisas correm como esperávamos… não devemos tomar nada como garantido.
As relações entre as pessoas são complexas e ás vezes, tal como o leite, azedam.

A vida é demasiado curta para que a desperdicemos em relações que de bom nada nos trazem. É então necessário ter coragem para mudar aquilo que podemos mudar e serenidade para aceitar o que não podemos.
E se há algo que não podemos mudar, são os outros.

A maior parte dos nossos relacionamentos sendo voluntários, apesar de tudo o que isso possa implicar, somos livres de sair deles.
Abre-se talvez uma excepção para os laços de sangue, ou deveria talvez dizer “algemas de sangue”, pois esses não escolhemos, saem-nos na rifa.

A relação com os outros, quer queiramos quer não, tem uma enorme influência nas nossas vidas. As que são harmoniosas trazem-nos paz e bem estar e as difíceis, angústia e desconforto. Qualquer uma nos afecta na medida do tempo a que a ela estamos expostos.
Assim sendo, deixando de parte a família que não é para aqui chamada, as que mais nos tocam são as relações amorosas e de amizade.

Quando deixamos alguém entrar na nossa vida, devemos aceita-lo como um todo. Não podemos “comprar” só as partes que nos agradam. Ninguém sendo perfeito, cabe-nos perceber se o podemos e queremos fazer.
E aqui entramos em terreno pantanoso.

Para começar, antes de realmente conhecermos alguém… não o conhecemos. Lapalissade, sem dúvida, mas muito relevante.
As pessoas encetam relacionamentos devido à empatia, a algo que as atrai umas para as outras, no entanto só o tempo e a experiência partilhada as dão efectivamente a conhecer umas ás outras.
Por outro lado, as pessoas mudam e ninguém nos garante que a que conhecemos hoje vá manter-se a mesma amanhã.

Um relacionamento pode começar por ser empolgante, gratificante, agradável e algures ao longo do caminho definhar. É triste mas não inédito.
Não estou a falar em problemas que possam surgir ao longo do percurso, nada mais natural do que um atrito aqui ou ali, um desentendimento, uma falha de parte a parte, esses acabam por se resolver de uma forma ou de outra.

Há uns anos escrevi um post que me voltou agora á memoria, sobre os sintomas que nos podem levar a abandonar um barco… é a isso que me refiro agora. Àquela sensação de que “algo está podre no reino da Dinamarca”.
Um dia dá-se um clic, cai uma gota de água, e torna-se claro para nós, mesmo que não o seja para o outro, que a relação já nada tem de positivo.

E quando isso acontece sou apologista do ponto final.
Todos conhecemos casos em que as coisas se arrastam, doentes, moribundas, durante o que parecem séculos. Não é, sem dúvida, fácil dar o passo.
Representa normalmente tanta mudança nas nossas vidas que se torna assustador, altera rotinas, implica terceiros, obriga-nos a pôr muita coisa em perspectiva.

Quando o fazemos sentimos um misto de alívio com profunda tristeza, pois por alguma razão nos envolvemos, por alguma razão deixámos crescer a relação.

Um erro comum é querer encontrar maus da fita, na vida real há poucos heróis ou vilões.
Cada um é como é e não nos cabe apontar o dedo, da mesma forma que não somos obrigados a apreciar ou aprovar.
Outro típico tiro ao lado é tentar induzir terceiros a tomar partidos. Cada relação é única, pessoal e intransmissível. O que é válido para nós pode não o ser para os outros, deixa-los de fora das nossas questões é não só uma questão de civilidade como de bom senso.

Até reencontrar-mos algum equilíbrio, até recuperarmos alguma paz de espírito, passamos por momentos difíceis, em que a situação acaba por estar sempre presente no nosso espírito, em que tudo nos parece lembrar a pessoa em questão.
Depois o tempo acaba por ter o seu efeito curativo, a dor vai-se atenuando, sendo inclusivamente possível voltar eventualmente um dia a conviver civilizadamente nos mesmos meios.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Quem tem medo, compra um cão…

COM MÚSICA

Em tempos que já lá vão, nos primórdios deste blog, falei sobre o medo ...
Nesse post misturei vários tipos de “medos” possíveis, hoje gostaria de desenvolver mais um específico, o medo de agir ou deveria talvez antes dizer de interagir. 

Quantas vezes não dizemos ou não fazemos algo, simplesmente por medo?
Quantas vezes a nossa cabeça e/ou o nosso feeling nos dizem para agir de determinada maneira e a avestruz que há em nós nos impede de o fazer?!


Ter medo de fazer algo, cujas consequências possam eventualmente vir a magoar-nos, é natural… No entanto, se deixarmos que este nos paralise, estaremos muitas vezes na realidade a desistir de lutar pela nossa felicidade, pelos nossos princípios, pelas nossas convicções.

Descobri uma citação do Mark Twain que ilustra bem esta ideia:
“Evitar a felicidade com medo que ela acabe é o melhor meio de ser infeliz. Coragem é resistência ao medo, domínio do medo, e não ausência do medo.”

O ser humano parece-me ser essencialmente pessimista…
Quando confrontada com uma situação hipotética, a nossa imaginação tende a encontrar muito mais desfechos dolorosos do que agradáveis.
Por exemplo, se alguém está anormalmente atrasado, uma das ideias que nos vem logo à cabeça é se lhe terá acontecido alguma coisa.
Apesar de, infelizmente, algumas vezes ser o caso, na esmagadora maioria das vezes há uma justificação muito menos dramática para tal.

Da mesma forma tendemos, ao analisar as potenciais consequências de determinadas atitudes, a considerar uma série de desfechos negativos.
Estamos a falar em situações hipotéticas, em passos que ainda não foram dados… mas quantas vezes só a ideia de que possa correr mal nos faz vacilar e nem sequer tentar que corra bem?

Quantas vezes não dizemos ou fazemos alguma coisa por medo da reacção do outro. Quantas vezes não partilhamos os nossos sentimentos, não fazemos valer as nossas convicções, não exigimos os nossos direitos, por medo do que possa acontecer se o fizermos.

Quantas vezes receamos envolver-nos numa relação por medo de nos magoarmos, por medo de que não funcione. Quem não arrisca, não petisca… quantos petiscos não ficaram por saborear por medo de que nos pudessem “cair mal”…

Quantas vezes não agimos conforme nos dita a nossa consciência, por temermos que nos possa sair o tiro pela culatra. Acreditamos numa forma de acção, sentimos que seria a atitude correcta, mas conscientes de que comporta risco, preferimos abster-nos.

E no entanto, quantas vezes, se arranjarmos a coragem de o fazer, nos damos conta de que afinal valeu a pena, que a nossa vida melhorou por não termos tido medo de lutar por ela…

Claro que as nossas acções podem ter consequências nefastas… 
Mas não são só elas que nos magoam na vida. Muita coisa desagradável, dolorosa, nos pode acontecer que não depende minimamente de nós.
Ao menos que tenhamos a coragem de correr riscos em prol da nossa felicidade. Que as coisas que não fazemos sejam porque decidimos não as fazer… e não por termos sido caguinchas… ;)

Como dizia não sei quem "prefiro arrepender-me do que fiz do que daquilo que não fiz"...

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Falar como gente…

COM MÚSICA

Não é espectável que, no relacionamento entre duas pessoas, não surja de quando em quando um atrito, um mal entendido, um conflito de interesses, etc… Da forma como ambos lidarem com eles dependerá a saúde da relação.

Há quem simplesmente não aborde as questões.
Como se costuma dizer, “a quem dói o dente é que vai ao dentista”. Assuntos mal resolvidos, ou não resolvidos de todo, podem gerar mágoas que poderiam perfeitamente ser evitadas se as pessoas se dignassem a falar umas com as outras.
Para isso é no entanto fundamental que haja, de ambos os lados, abertura de espírito, discernimento, permeabilidade à crítica, capacidade de auto-análise.
Infelizmente cada vez mais me convenço de que estas características não abundam por aí e, no caso da sua ausência, ás vezes é pior a emenda do que o soneto. Mais vale de facto ficar calado para não piorar ainda mais a situação.
Não considero no entanto minimamente gratificantes as relações que se enquadram nesse cenário.

Uma vez que se chegue à fala, parece-me tão importante saber falar como saber ouvir.
Se consideramos que nos pisaram de alguma forma os calos é natural que daí advenha algum ressentimento. No entanto, partir para a acusação, para a agressão, só vai servir para deixar o outro de pé atrás, na defesa, inibindo-lhe a capacidade de realmente apreender o que estamos a tentar transmitir. Assim, a diplomacia parece-me fundamental na apresentação que “queixas”.

A reacção natural ao sentirmo-nos “acusados” de alguma coisa, sobretudo se não tiver sido intencional ou ás vezes mesmo consciente, é a negação. Ninguém gosta que lhe apontem o dedo.  Muitos adoptam então a teoria de que a melhor defesa é o ataque, apontando imediatamente o dedo de volta.
Fazer um esforço para realmente ouvir e compreender o que o outro tem a dizer, fazer perguntas, esclarecer dúvidas, é provavelmente o primeiro passo para o entendimento.

Raramente alguém está totalmente certo ou totalmente errado.
Há no entanto pessoas que parecem incapazes de dar o braço a torcer. Até podem intimamente reconhecer que o outro tem alguma razão, mas são incapazes de o assumir e verbalizar. Continuam a puxar a brasa à sua sardinha, insistindo na(s) parte(s) em que consideram ter razão, ignorando aquela(s) em que possam de facto ter falhado.

Ignoram assim um factor que me parece extremamente importante. Se de facto na vida fizermos questão em limar as nossas arestas, o feed-back de terceiros é fundamental. É ele que nos serve de barómetro e nos permite avaliar os nossos eventuais progressos.
Em tempos tive uma loja. Vendia, entre outras coisas, colchas indianas. Um dia fui a casa de um amigo que me tinha comprado uma, que utilizava para cobrir o sofá e vi que este estava todo tingido, tendo assim descoberto que largavam tinta. Acreditam que não tivemos uma única reclamação?! Não acho normal…

Este fim de semana fui para fora com amigos. Regressei com a sensação de que a estadia tinha corrido muito bem. Sobretudo considerando a assustadora (pelo menos para mim) proporção de quase um para um entre adultos e crianças numa casa a abarrotar de cheia.
Qual não foi o meu espanto, ao descobrir que afinal não era bem assim…

No caso concreto estiveram em questão duas características minhas…

Primeira: Não sou menina de educar filhos alheios, posso não concordar com a metodologia adoptada mas costumo abster-me de intervir. Considero no entanto que, sobretudo no que diz respeito a crianças, se não há regras é o caos. Estas variando de família para família, estando várias reunidas, adoptar as do anfitrião parece-me uma solução tão válida como outra qualquer. Como se costuma dizer “em Roma faz como os Romanos”…

Segunda: Tenho uma tendência natural para a gritaria tipo tropa, quando se trata de pôr crianças na ordem… Ando “a tratar-me” (não profissionalmente …lol), já consigo ás vezes controlar-me e concretizar a tarefa de outras formas mas, volta não volta, lá salta o sargento que há em mim…

O conjunto destas duas características faz com que seja considerada um verdadeiro Ogre por algumas criancinhas. Estas estavam em maioria absoluta no nosso fim de semana.
Ando muito activamente a tentar alterar esta imagem e aparentemente com algum sucesso.
Já não encolhem instintivamente a cabeça quando levanto a mão, por exemplo… (just kidding!!! lol) até sorriram simpaticamente para mim, julgo que pela primeira vez…

Conclusão, aparentemente acabei por utilizar como exemplo, para os necessários ralhetes pontuais, os dois com quem me sinto mais à vontade, sendo um deles o meu próprio filho.
Tá mali!
A questão é que o outro é relativamente “novo” nestas lides, não tem termo de comparação. Por outro lado está a passar por uma fase complicada, relativamente à qual eu tive a sensibilidade de um paquiderme numa loja de porcelanas…

A mãe teve então uma conversa comigo, atitude que acho louvável, a falar é que a gente se entende e eu estava a leste desta questão.
Sobretudo neste tipo de situações, em que a “parte lesada” é a nossa cria, o instinto é pormos as garras de fora e virarmos leoninas.


Não o fez. Usou diplomacia, bom senso, inteligência. Não fez acusações, limitou-se a expor a questão e a explicar o que não lhe tinha agradado.
Esta atitude permitiu-me ver as coisas de um ponto de vista que talvez não tivesse sido possível se me tivesse sentido “atacada” e chegar à conclusão de que o meu caminho para a redenção ainda vai ser longo, ainda há muito que trabalhar… lol
I’ll keep trying… prometo!!!

Este é um bom exemplo de situação em que, se não se fizer uso de inteligência emocional, as coisas podem dar muito para o torto, as pessoas podem ficar francamente chateadas.
Nós não somos bichos, pessoal. Não devemos carregar sobre tudo o que possa remotamente parecer uma ameaça ás nossas ideias, aos nossos princípios, ao nosso modo de vida... Se dermos o benefício da dúvida ás ideias que nos são apresentadas, talvez encontremos algumas boas para adoptar… ;)





















segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Friends will be friends...

COM MÚSICA


Dois acontecimentos muito recentes despoletaram em mim as seguintes reflexões, que achei interessante partilhar convosco…

O primeiro foi a afirmação de uma cunhada minha, uma das justificações para “renegar” o Facebook (lol) de que, se não tinha uma relação ao vivo e a cores com as pessoas, não fazia sentido tê-la online e que se tinha, então também não fazia sentido tê-las online.
Afirmou igualmente que se uma amizade esmorece, se as pessoas se afastam, por alguma razão é, não fazendo portanto qualquer sentido a possibilidade de reencontro.

O outro foi o relativamente longo (já trocámos maiores…) email, que enviei a um amigo. Dei por mim a pensar… “que tristeza, como a vida muda… tempos houve em que trocávamos mails destes quase numa base diária e agora não nos “falávamos” há tanto tempo… “a minha vida é um inferno” (que me desculpem os que desconhecem a “private joke” mas não resisti…lol)… já não tenho tempo para nada… “

Bem… começando pelo fim…
Sim, o dia só tem 24h e a semana 7 dias, logo geralmente não conseguimos arranjar tempo para fazer tudo o que gostaríamos.
Mas pensem numa questão… se não temos tempo para fazer alguma coisa é porque estamos a fazer outra, certo?!
Alturas há em que o que fazemos não é propriamente gratificante, estou consciente disso. Mas a realidade é que, se em detrimento de outras, estamos a fazer uma coisa, por alguma razão é. Porque escolhemos fazê-la, para nosso interesse, seja em que campo for.

O nosso tempo divide-se entre funções como comer, beber e dormir, trabalhar, confraternizar, dedicar-se à família, a um hobbie, etc…
Geralmente estas actividades estão separadas em termos espácio-temporais, embora de vez em quanto conciliemos algumas delas. Podemos, por exemplo, trabalhar com o marido/mulher, jantar com amigos, fazer desporto profissionalmente, etc.
Uma coisa é certa, enquanto estamos a fazer algumas coisas não estamos a fazer outras.
Partindo do princípio que todos nós consigamos arranjar algum tempinho para fazer algumas de que gostamos e dado que esse “tempinho” não é infinito, temos de fazer opções.

O que me leva ao ponto da “tristeza” de já não me corresponder com a mesma frequência com o meu amigo…
Os amigos, pelo menos na minha opinião, não têm de estar sempre ao nosso lado. Não precisamos de comunicar regularmente, seja de que forma for, com eles.
As circunstâncias da vida levam a que, em certas fases, o façamos mais com uns do que com os outros.
Quantas vezes, por força das circunstâncias, não nos damos regularmente com pessoas por quem não temos grande apreço, enquanto que estão muito mais afastadas outras que nos são realmente caras.

As pessoas que estão à nossa volta, em determinados momentos, não dependem unicamente de uma escolha. Tal como os veleiros as amizades também dependem do vento. A perícia de não as deixar naufragar é que poderá depender dos marinheiros.
Há pessoas relativamente ás quais a frase “longe da vista, longe do coração” se aplica. Mas com outras isso dificilmente irá acontecer. Podemos falar-nos ou ver-nos quando o rei faz anos, mas a ligação continua lá. De vez em quando lá se faz o gostinho ao dente ou, quem sabe, vira o vento…

O que nos traz ás teorias sobre o facebook e afins, não podia estar mais em desacordo.
Há muitos tipos de relações entre as pessoas e algumas não são ao vivo e a cores, não senhores.
Quem não se lembra dos nossos pais desesperados por não desligarmos a porcaria do telefone?
Hoje em dia há muito mais ferramentas de comunicação ao nosso dispor, apareceram os SMSs, os mails, os chats, as social networks… qualquer delas perfeitamente válida para confraternizar quando, por qualquer razão, nos vemos impedidos de o fazer presencialmente.
São talvez mais inibidores, para quem se intimida com as “novas tecnologias”, mas vão todos, de certa maneira dar ao mesmo, o contacto humano.
“Não renegue à partida uma ciência que desconhece!” lol

Se não nos damos ao vivo e a cores não vale a pena ter uma relação “virtual”? Discordo.
Estou de acordo que as relações frente a frente, olho no olho, têm muito mais calor humano, sem dúvida. Para lá tenderá de qualquer maneira a apontar qualquer amizade.
Mas, seja com amigos antigos, amigos recentes ou potenciais amigos, é muito mais fácil alimentar a relação se houver um contacto virtual.
Já várias vezes pude comprovar, inclusivamente, que relações que começaram “virtualmente” se podem transformar em fortes amizades de carne e osso.
Algum de vocês tem vida para se encontrar regularmente frente a frente com todos aqueles com quem gostaria de o fazer? Então… no virtual vai-se matando saudades, partilhando o dia a dia.

E quanto ao “se nos afastamos por alguma razão foi…” é certo. Por alguma razão foi. Até pode ter sido por escolha, de um lado ou de outro.
Mas embora, por razões várias, as pessoas se possam afastar (ás vezes por muitos e longos anos), embora possam seguir caminhos totalmente separados, ás vezes quando se reencontram parece que o tempo não passou. E acreditem que se há coisa que nos trás um quentinho bom ao coração, se tivermos a sorte de nos reencontrar no mesmo comprimento de onda, é o reatar com alguém do nosso passado, porque nos sentimos em casa.

Alguns ainda não viram a luz (lol), ainda não perceberam nada… mas as relações humanas são das coisas que mais nos ajudam a ser felizes…

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

HELP!

COM MÚSICA


Esta vida não é nada fácil… também ninguém nos prometeu que seria… no entanto, se nos apoiássemos uns nos outros nos momentos de crise, as coisas tornar-se-iam garantidamente muito mais suportáveis.
Descubro no entanto, com uma certa tristeza confesso, que não só não há muita gente disposta a “servir de apoio”, como muita gente simplesmente não aceita “apoiar-se”.
Assim as coisas tornam-se mesmo muito complicadas, não é fácil enfrentar o mundo sozinho.

Começando pelos primeiros…
Grande parte das pessoas que conheço dará uma moedinha ao arrumador ou fará uma contribuição para um peditório de rua. São coisas imediatas, que não requerem qualquer esforço da sua parte. No primeiro caso será inclusivamente talvez ás vezes uma atitude egoísta por não quererem arriscar-se a voltar e descobrir um risco na biatura…
Mas quando se trata de realmente estender a mão ao próximo, existe uma inércia por vezes desesperante.

Tomemos mais uma vez como exemplo o site do Liceu Francês…
Os encontros e reencontros de pessoas que frequentaram uma mesma escola são o seu objectivo principal. Mas as Social Networks são ferramentas potentíssimas, podendo servir variadíssimos propósitos.
Achei que um deles poderia ser a solidariedade, porque não?
Já proporcionámos um natal aconchegadinho a uma senhora que vendia castanhas à porta, ajudámos uma ex-aluna a ganhar um telhado, divulgámos a causa da Marta, votámos num arquitecto com projecto a concurso em Nova Iorque…
Apesar de muitos estarem para aí virados, não o estaremos garantidamente todos e, não sendo o objectivo principal da rede, sempre me recusei a enviar este tipo de apelos como comunicação para todos os membros, ferramenta que tenho ao meu dispor.
Decidi então criar um grupo, “Os Anjos da Guarda”, por forma a poder contactar com o núcleo interessado sem incomodar os outros. Enviei um único mail a avisar da existência e propósito do mesmo.

Recebi uma série de respostas “simpáticas”, como uma que rezava assim: “Para uma acção isolada desculpará que me escuse mas se pensar em algo que combata o subdesenvolvimento endémico, conte comigo.”
Yá... quando descobrir a solução para a fome no mundo eu apito, tá?!
Destes nem vale a pena falar…
A realidade é que somos 3.569 membros e estão neste momento 206 inscritos… não chega a 6% !!!

Será que se está tudo a cagar para o próximo? Duvido…
Alguns não terão recebido o mail, outros não o terão lido, uns não devem ter percebido do que se tratava dado que lêem tudo na diagonal e outros estarão para se inscrever logo que “tenham tempo”… e mais desculpas haverá. Desculpas, justificações, razões… o que lhe queiram chamar.
Sei no entanto que entre eles há muito boa gente. Sei-o, quanto mais não seja porque alguns são meus amigos, conheço-os bem, sei do que são capazes… mas não estão inscritos.

Acredito que a tal inércia de que falei de início seja a razão… A não ser que o umbigo alheio lhes entre pela vista a dentro, como se de uma lap-dance se tratasse, simplesmente não se mexem.
Descuram, a meu ver, o potencial deste tipo de atitudes para nos fazer sentir bem. Ajudar altruisticamente não traz benefícios só aos outros, gera um quentinho cá dentro.

Outros sentem-se demasiado miseráveis e eles próprios carentes de ajuda, para poder ajudar terceiros. Consideram que uma ajuda ou é “de peso” ou não vale a pena, esquecendo-se talvez de que a intenção também conta muito, de que “quem dá o que tem, a mais não é obrigado”.
A ajuda não é obrigatoriamente financeira, podemos ajudar de variadíssimas maneiras… ouvindo, confortando, doando o nosso tempo, bens que possamos dispensar… há tantas formas de ajudar. Mas mesmo no que diz respeito a guito, carcanhol, ponhé, “grão a grão enche a galinha o papo” e se muitos contribuírem com pouco rende mais do que se poucos contribuírem com muito.
Imaginem que cada membro do nosso sitezinho contribuísse com um euro… impressionante não é?!




Passando agora aos segundos…
Muitos sentem vergonha, embaraço, pelo facto de aceitar ajuda, preferem ir orgulhosamente para o buraco, “de cabeça erguida”, do que agarrar uma mão amiga. Como se dela ter necessidade fosse sinal de fraqueza. Ou talvez por não conseguirem suportar a ideia de ter uma “dívida” de gratidão.

Mais uma vez, se for uma coisa obvia, uma aflição imediata, se calhar fazem-no… durante o naufrágio o Titanic fartou-se de mandar SOS… e quem não ouviu já na rua um grito de “agarra que é ladrão…”?
Mas se se tratar de uma situação prolongada, de uma questão social, vêm ao de cima uma série de questões castradoras. As pessoas simplesmente não gostam de assumir que sozinhas será muito difícil safarem-se.

Usando mais uma vez o exemplo do nosso sitezinho, propus este ano o “Projecto Pai Natal 2009”. A ideia era ajudar alguém do site que que estivesse numa situação complicada.
Durante semanas não apareceu nenhuma causa.
Finalmente uma rapariga (uma pessoa mais ou menos da minha idade ainda é rapariga, não é?...lol) “chegou-se à frente” e apresentou-me a sua situação.
Este verão a casa dela ardeu completamente. É viúva, tem quatro filhos e ficaram todos com a roupa que tinham no corpo. Ganha cerca de mil euros por mês e não há qualquer garantia de que o seguro vá pagar seja o que for.

Mas estava com vergonha de falar, não queria dar a cara, segundo as suas próprias palavras não queria ser “a pobre desgraçada”…
Mas será que o que lhe aconteceu não foi efectivamente uma desgraça? Será que não é digna de compaixão? Alguém se julgará imune a acidentes ? É alguma vergonha?
“Pecado” seria, na minha opinião, ter uma série de gente a estender a mão e não a agarrar, virar costas ao pouco de bom que lhe apareceu pela frente nos últimos tempos. Isso sim seria uma vergonha.

Quem faz pela vida não tem de ter complexos desses. Muita gente se vê aflita devido a circunstâncias que não são da sua responsabilidade. Aceitar ou mesmo pedir ajuda é um acto de sobrevivência, demonstra força e não fraqueza. Mostra que estamos dispostos a lutar pela nossa felicidade em vez de enfiarmos a cabeça na areia como a avestruz e ficarmos a remoer com pena de nós próprios. Possibilita-nos de futuro virmos a fazer o mesmo por outros, com dignidade e conhecimento de causa.

terça-feira, 7 de julho de 2009

E vão dois desafios...

COM MÚSICA

Fui, mais uma vez, “desafiada” a escrever um post…
Desta vez teve mais graça, porque não faço ideia quem seja a pessoa que me desafiou.
Não sei se a conheço, não sei como se chama… a única coisa que sei é que lê este blog e me enviou um email (anónimo) a desafiar-me a escrever sobre este tema.

Vou transcrever algumas partes do mail em questão (não o mail na integra, claro está, para não violar a privacidade do meu correspondente anónimo…) para que possam entender qual foi o desafio.
Devo dizer que veio mesmo a calhar, visto que estava praqui feita ursa, a olhar para o monitor e a pensar “sobre que raio vou eu escrever esta semana?!”… lol

Então cá vai:
“/…/ diz que a conforta saber que quem consigo está não é egoista ao ponto de exigir a exclusividade dos seus afectos. /…/, no limite dos afectos, será mesmo assim? /.../ É que, nesta onda pode entrar tudo. Conhecidos, Amigos, Amores, Paixões, affaires etc. /…/ Esta sua emoção pode ser entendida como a morte do Ciúme? A união entre dois mijas s + p, que querem estar juntos, no limite, pode ser apenas o conforto de chegar a casa e de ter alguém com quem compartilhar as rotas e rotinas ? Para sí não existe sentimento de posse num casamento, união?/…/ “

Hum… acho que vou começar pelo fim… ;)
Para mim não existe sentimento de posse nem sequer em relação aos “meus” cães e gatos… lol
Relativamente ás pessoas, só consigo ter respeito e consideração por elas se as sentir livres, o que é um bocado contraditório com esse tipo de sentimentos.
Pessoalmente há muito tempo que não sinto que “precise” de alguém e não gosto nada da ideia de que possam precisar de mim.
Acho que uma relação a dois, deve existir por vontade e não por necessidade.
Para mim, a segurança vem do sentimento de que o outro está bem comigo. É também a única segurança que “forneço”… Não faço juras, não dou provas nem garantias… se a nossa relação estiver bem, a outra pessoa terá de o sentir.

O que nos trás ao ciúme…
Sinceramente, considero-me uma sortuda, não tenho a certeza de saber o que isso é… Se alguma vez senti ciúmes, há muito muito tempo que isso não me acontece.
O ciúme parece-me advir do tal sentimento de posse.
Por outro lado, parece-me uma reacção infantil, irracional e sobretudo contraproducente.
Se o meu querido leitor anónimo já tiver lido o suficiente do meu blog, saberá que a irracionalidade não é característica que aplauda… lol
Acho que a cabeça não foi feita para usar chapéu e que, se a usarmos, seremos garantidamente muito mais felizes… é o meu peixe, não tento vendê-lo a ninguém, come quem quiser.
O ciúme parece-me complicar as relações mais do que mantê-las e muitas vezes até aguçar apetites que não estavam lá anteriormente.

Há quem sinta ciúmes não só dos “mijas” do sexo oposto, como dos amigos, dos familiares, até dos animais de companhia (kid you not!)…
A isso, chamo simplesmente insegurança.
Ora se as pessoas gostarem genuinamente uma da outra, se a relação for saudável, equilibrada, se tudo estiver bem… que caraças de razões é que poderá haver para inseguranças?!

Dir-me-ão que as coisas não estão permanentemente “bem”, que há ups & downs…
Sem dúvida. E esses são os momentos perigosos, em que se abrem brechas nas relações, permitindo eventualmente a entrada de “intrusos”… Mas esses eventuais intrusos pertencem potencialmente a duas espécies; os que não têm qualquer hipótese e os que podem fazer perigar a nossa posição.

Os que não têm qualquer hipótese cheiram-se à distância… por muito em baixo que esteja uma relação, as antenas que captam o risco continuam sempre de pé, é uma questão de lhes dar crédito. Há simplesmente pessoas que sabemos totalmente incapazes de nos substituírem, haja um pouco de auto-confiança minha gente…. Qualquer das partes se pode até iludir quanto a esse facto, mas nós sentimos, nós sabemos que não há risco real.
Nesses casos o ciúme só servirá para acenar com a banana, para dar vontade de provar o fruto proibido.
Na minha opinião, se quiserem, é deixa-los(as) ir que voltam, ainda melhores do que foram porque agora com termo de comparação… hehe

Os outros, são de facto perigosos, têm potencial…
E o que podemos nós fazer?
Na minha opinião, manter-nos fieis a nós próprios, agarrarmo-nos aos nossos pontos fortes e tentar que o outro não os esqueça, e cruzar os dedos…
Se se abriu de facto uma brecha que, por ironias do destino, permitiu que alguém pusesse um pé dentro, seja a que nível for, o mais que podemos fazer é esperar ser “o escolhido” quando as coisas chegarem a esse ponto.

E se for na nossa brecha que entrou, se formos nós os “infractores”, que a cabeça nos consiga guiar no bom caminho e que, para além das emoções, para além da adrenalina da novidade, consigamos de facto destrinçar o que é de facto importante para nós.
Para mim, a antiguidade, o conhecimento e a consciência das coisas boas que temos na vida vale ouro, não ponho isso em risco por dá cá aquela palha.

O que nos leva à última parte da questão… então, no limite, vale tudo?!
Não, não, não… e eu nunca defendi isso.
Não acredito em poligamias… (mais uma vez é só o meu peixe… ;)
Não penso que uma pessoa se possa dividir, dividir os seus afectos, dividir a sua entrega, uma só já pede demasiado de nós.
Acho que uma relação a dois é uma coisa muito séria, composta de várias faces todas elas importantes. Não acho que haja lugar para relações a vários, isto em termos amorosos, claro está.

O que não quer dizer que não possa “acidentalmente” acontecer.
Mas aí, logo que possível, é preciso lidar com o facto, separar o trigo do joio, perceber onde param as modas, o que aquilo é na realidade.
Mas sabem que mais… quando chega a esse ponto já os dados estão lançados… quando nos perguntamos o que aquilo é, normalmente já o sentimos antes e sabemos, quanto mais não seja a nível inconsciente, onde é que as coisas vão parar.
Quando surgem as perguntas é mais uma questão de assumirmos se vamos voltar de cabeça baixa ou virar outra página da nossa vida.

Quando menciono a isenção de exclusividade de afectos não falo em termos românticos ou amorosos. Acho que o nosso coração é compartimentado e que há lugar para todos. Há um cantinho para o amor, um para as amizades, outro para a família e ainda sobra espaço para vários outros tipos de relações humanas ou animais…

Espero ter estado à altura do desafio. ;)


segunda-feira, 1 de junho de 2009

Carneirada… mééééé

É tendência natural, mesmo sabendo não ser possível, a de querer agradar a Gregos e a Troianos. Ou pelo menos a minha é… lol
Por exemplo, estou agora a organizar o segundo “Grande Jantar” do nosso sitezinho. Fixámos a data mediante votação, era evidentemente impossível encontrar uma que conviesse a três mil e tal pessoas, ganhou portanto a maioria.
Acreditam que fico genuinamente triste de cada vez que alguém me anuncia com pena que não poderá estar presente?!

Ora o tempo não é elástico, o espaço também não e, para além disso, nem sempre faz sentido misturar pessoas.
Como me escreveu recentemente um amigo meu: “ Tu é que achas sempre que os cocktails sociais têm imensa piada”.
Ok… isto agora vai doer… argh… prontes, cá vai… leva lá a bicicleta, dou o braço a torcer, ás vezes não é de facto muito boa ideia e pode lixar o ambiente… Uf, pronto, já disse… ;)

Acontece que eu detesto ter de escolher e vejo-me portanto ás vezes perante situações em que tendo, de facto, a misturar alhos com bugalhos ou a tentar meter o Rossio na Rua da Betesga.
Mas, estando apesar de tudo consciente de não conseguir fazer milagres, vezes há em que tenho mesmo de deixar alguém(s) pendurado.
E aqui é que a porca torce o rabo… fico cheia de problemas de consciência por deixar de fora alguém que, sabendo do evento, provavelmente estaria à espera de ser convidado.

Como já devem ter percebido eu gosto de gente, sou o anti-bicho-do-mato.
Logo vejo-me frequentemente confrontada com situações em que simplesmente não posso convidar “toda a gente”.
Não interessa se é uma festa, um jantar, um fim de semana… ás vezes há que “seleccionar”.
Já cheguei a desistir de organizar coisas por não o conseguir fazer…

Por receio de vexar alguém, já cheguei até a considerar fazer panelinha, por forma a que não viessem a saber de determinada combinação… naquela teoria de que o que os olhos não vêem o coração não sente...
Felizmente tenho conseguido evitar fazer esse tipo de figuras tristes e acabei sempre por desistir da ideia. Como se costuma dizer, mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo…

Os grupos, o “Síndroma de carneirada”, são a maior causa desta problemática.
Todos temos “grupos” na nossa vida… o grupo de amigos, o grupo do jogo, o grupo do trabalho, o grupo do desporto, o grupo da escola, o grupo do diabo a sete…
Quando se fazem actividades “de grupo” geralmente convida-se “o grupo” todo… a gaita é quando se quer/pode simplesmente convidar alguns elementos!!!

Como comentei num post anterior as relações não são, nem podem ser, todas iguais…
Logo, temos sempre mais empatia com uns membros “do grupo” do que com outros e consequentemente mais desejo de estar com estes em situações “extra-grupo”.
Chegamos inclusivamente a pensar em diferentes indivíduos consoante o evento.
Por outro lado não se pode evidentemente convidar o mesmo número de pessoas para uma festa, para um jantar sentado ou para um fim de semana, por exemplo. O espaço torna-se portanto uma limitação.

Se tivermos em conta que, hoje em dia, a maior parte da malta está “casée” e com rebentos… a coisa torna-se mais complicada ainda, rapidamente se esgota qualquer lotação.
Longe vão os tempos em que quando se convidava a Maria Albertina, se contava com a Maria Albertina… Agora são a Maria Albertina e o Evaristo, com a Vanessinha, a Carla Sofia e o Igor Filipe…
Ou seja, quando fazemos a nossa listinha, pensamos em A, B e C… mas na pratica muitas vezes temos depois de multiplicar por… vários… o número de participantes.

Isto faz-me pensar no “problema” que tenho com os animais…
Sou uma bichoólica confessa, por mim tinha um verdadeiro jardim Zoológico em casa.
Calem-se… uma cobra, um cão e gato e meio não qualificam para jardim Zoológico!!! Haviam de ver o que isto era se eu me autorizasse a trazer para casa tudo o que me apetece…
A realidade é que, com uma que outra excepção rapidamente rectificada, tenho conseguido gerir muito bem este assunto.
Agora estou a aprender a fazer a mesma coisa com os humanos… lol

A questão é que os bichos não ficam chateados comigo por não os trazer para casa. É evidente que a coisa piora sensivelmente quando as pessoas reagem “mal”…
Mas confesso que cada vez tenho menos paciência para “criancices” de adultos, devo estar a ficar velha. ;) Por criancices entendam-se amuos, birras, melindres, ciúmes e afins.
Se não percebem que não podemos todos ir a todas… batatas.

Neste último ano, por causa do monstro, acho que conheci mais gente do que em todo o resto da minha vida… a questão que tenho estado a comentar não é nova, sempre existiu, mas este fenómeno recente obrigou-me a enfrenta-la.
Dantes acontecia de vez em quando, agora vejo-me constantemente perante o dilema… e raios me partam se vou continuar a sofrer com isso…
Se alguém não compreender e ficar f… que meta uma rolha. lol



segunda-feira, 2 de março de 2009

Cada macaco no seu galho

COM MÚSICA

Recentemente afirmaram não compreender como podia eu dar-me com certas e determinadas pessoas…
Também recentemente, fui “acusada” de andar sempre “á procura” de amigos novos… (du calme, Joe, du calme… não vou cascar em ti… lol).

Ora bem, malta… já repararam por acaso que vivemos num mundo cheio de gente?!
E já se deram conta de que, a menos que nos tornemos eremitas, temos obrigatóriamente de nos relacionar com terceiros de uma forma ou de outra?
Pois é… quer queiras, quer não, hás de ser bombeiro voluntário… lol
Para além disso acontece que eu gosto de gente!
Os relacionamentos dão-me gozo, divertem-me, enriquecem-me…

Gosto de novos, de velhos, de altos, de baixos, de gordos, de magros… acho que cada um tem potencialmente qualquer coisa positiva a trazer à minha vida.
Agora, meus amigos… há que separar o trigo do joio… as relações não são, nem podem ser, todas iguais.
Como se costuma dizer… cada macaco no seu galho.




Os relacionamentos entre seres humanos baseiam-se em vários factores… empatia, partilha de gostos, de ideias, de crenças, de formas de ver a vida… yada, yada, yada.
As amizades não se procuram… acontecem.
Só que não acontecem obrigatoriamente, não é pelo facto de nos darmos com alguém que nos vamos tornar seu amigo.
Existem vários tipos, vários graus de relacionamento e não é por isso que uns são menos válidos do que os outros.

Claro que os mais importantes, os mais gratificantes, são as amizades, sem dúvida.
O que não quer dizer que devamos menosprezar todos os outros…
Até porque as amizades não “nascem” amizades… as amizades vão crescendo, constroem-se, alimentam-se, mantêm-se. O tempo é um factor importante para nos afirmarmos amigo de alguém…
Os amigos, antes de serem amigos, são “conhecidos”, nem todos os “marcassins” viram javali, eventualmente um dia dá-se um clic.
Não há espaço, para se ter muitos amigos… espaço físico, espaço temporal, espaço emocional.

Mas nem só de pão vive o homem… e todos os relacionamentos acabam por ter a sua importância, só é preciso saber com o que contar. É uma questão de espectativas…
Não é necessário ser-se amigo do peito para se passar bons momentos com alguém.
Acho no entanto que as pessoas tendem ás vezes a baralhar um bocado as coisas…
Há características, que serão diferentes para cada um de nós, que nos impedem de desenvolver uma verdadeira amizade. Consciente ou inconscientemente todos temos os nossos “standarts”.
Isto não quer dizer que não seja possível o cãobibio, e muitas vezes um cãobibio agradável, com malta relativamente à qual sabemos de antemão que muito provavelmente não irá nunca passar disso mesmo.

Não me vejo a ir jantar em tête a tête com certas pessoas, não sei o que teria para lhes dizer, mas a sua presença num “evento” de grupo pode ser agradável, divertida, whatever…
Noutros casos até será possível o tal jantar, sem que isso implique um relacionamento mais profundo.
Há também aquelas pessoas de quem podemos até gostar muito, com as quais sentimos uma verdadeira empatia, mas com as quais, por circunstâncias da vida, nunca iremos desenvolver uma verdadeira amizade.
Ou aquelas por quem não dávamos nada e que se vêm a revelar verdadeiros amigos.
Enfim… estão a ver a ideia…

Ou seja, já que vivemos em sociedade, numa sociedade onde coabita todo o tipo de gente, desde que não nos sejam francamente desagradáveis porque não usar de um bocadinho de tolerância para com aqueles que consideramos “menos perfeitos” (agora estou a soar como o meu tótó “a minha Aninha não te adora”…lol)…
Até pode ser que nos sirva de treino para nos tornarmos menos exigentes para com os outros, aquelas unhas da nossa carne, para com quem de vez em quando somos tão implacáveis.

Ás vezes, onde menos se espera, encontram-se verdadeiros tesouros… tesouros de experiência, de maus exemplos (lol) a não seguir, de bondade, de sentido de humor, do que vocês quiserem… e se nos mantivermos fechados na nossa conchinha nunca os iremos descobrir. Por outro lado, quanto mais fecharmos o nosso leque, mais exigentes e intolerantes nos iremos tornar e talvez um dia acabemos por já nem ter opção de escolha, acabaremos por afastar toda a gente da nossa vida.

Não, não tenho qualquer “medo de ficar sozinha”, porque ficar sozinho ou não está nas nossas mãos, é uma opção nossa, depende da nossa atitude perante a vida, da nossa atitude perante os outros. E por que raio é que eu escolheria ficar sozinha com tanta gente interessante, enriquecedora, divertida aí ao virar da esquina?!
Ó messa… ;)

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

2008

COM MÚSICA

Tudo se queixa, minha gente, de que 2008 foi um ano muito mau.
Foi sem dúvida duro em muitos aspectos… trouxe dificuldades, angústias, tristezas até… mas no que me diz respeito, em termos humanos, não podia ter sido mais enriquecedor.

Em 2008 nasceu “o Monstro”…

Este tem provocado em mim uma cascata de emoções fortes, quentes e boas (assim cumás castanhas, sei lá) … que mais se pode pedir num só ano?!

Reencontrei pessoas de quem nada sabia há muitos anos.
Conheci gente que veio, sem qualquer sombra de dúvida, trazer um valor acrescentado à minha vida.
Confirmei que “a união faz a força” e que juntos podemos mover montanhas.
Mas sobretudo descobri que anda muito boa gente “por aí”…
Este ano acabou por ser para mim uma ode à amizade!!!

Em 2008 “ganhei” um grande amigo… (saiu-me numa rifa… lol)
Sim, eu sei que as amizades vão crescendo com o tempo, que não é em poucos meses que nos podemos considerar “amigos” de alguém… mas neste caso estou disposta a correr o risco da afirmação.
A empatia que sentimos não pode ser uma ilusão, seria demasiado triste e recuso-me sequer a considerar a hipótese.
Em pouco tempo criámos laços que não tenho com pessoas que conheço de toda a vida.
Apesar de só ainda termos estado juntos três vezes, desde a primeira que ambos nos sentimos como se tivessemos reencontrado um velho amigo. Noutras vidas?! Talvez…
Há uma entrega de parte a parte, um partilhar de ideias, de emoções, de histórias de vida, que muitas vezes só se consegue atingir ao fim de muitos e longos anos.
Estou certa de que muitos teremos juntos pela frente…

Em 2008 posso ter recuperado um amigo… (este fui buscar aos reciclados… ;)
De repente, de dentro da pança do monstro, saiu uma pessoa de quem não sabia nada há cerca de vinte e sete anos.
Tivemos uma relação forte e intensa na adolescência, durante cerca de um ano, e depois perdemos totalmente o contacto.
Na altura em que nos dávamos tivemos sem qualquer sombra de dúvida uma relação priveligiada em que tudo partilhávamos, tudo discutiamos, tudo descobriamos juntos…
Vá-se lá saber o que aconteceu para provocar o afastamento, pois não me lembro de nunca nos termos zangado, mas a realidade é que foi um corte radical.
Então não é que ao fim de tanto tempo nos reencontramos e parece que o tempo estagnou?!
Não só sentimos o mesmo à vontade que tinhamos, como descobrimos novos pontos de interesse em comum, uma maneira de ser perante a vida muito semelhante, agora com marido/mulher/filhos…
Eu diria que há aqui potencial.

Em 2008 consolidei uma nova amizade com um “conhecimento” antigo… (esta esteve sempre escondida no sótão…)
De repente dei por mim a apreciar uma companhia feminina (vá, não sejam assim… mentes depravadas…lol), a ter uma amiga, coisa que não me acontecia há muito tempo.
Não chegou através de ninguém, não começou por ser namorada de um amigo, veio sozinha e instalou-se.
Confesso que gajas nunca foi o meu forte… sou mais dada a malta que mija de pé… mas está-me a saber tão bem…
Há cumplicidade, apoio mútuo, convergência de ideias.
O passado que temos em comum, embora em separado visto que nunca nos demos, juntou-nos e some how mantém-nos unidas.
Estamos lá uma para a outra como se fossemos as amigas de infância que nunca fomos.
Em pitas éramos quase “rivais”, cada vez mais somos unha com carne.

Em 2008 entusiasmei-me com outras pessoas… envolvi-me… entreguei-me…
Pessoas mais velhas, pessoas mais novas, mijas em pé e mijas sentadas.
Divertem-me, emocionam-me, enternecem-me, fascinam-me.
Só constam desta pequena vala comum, versus os destaques acima, por serem relações menos definidas, não são por tanto menos intensas ou menos verdadeiras…
É malta que anda mais em bando (“parecem bandos de pardais à solta…”) o tempo nos dirá onde irão parar as relações de um para um.
Mas várias sementes foram plantadas, sementes estranhas visto que têm pernas para andar.

Em 2008 uni-me com outros para ajudar o próximo… e conseguimos.
Conseguimos estender a mão e abraçar várias causas.
Juntos fizemos a diferença, juntos levámos a água aos nossos moínhos.
Descobri que há muito boa gente, gente empenhada em minimizar o sofrimento alheio, em distribuir alegria por quem mais dela carece.
E o rio continua a correr e mais causas há de haver, e cá estaremos nós para acorrer…

Em 2008 descobri que um coração dá para muita gente… e que quem é de facto amigo compreende que há lugar para todos.
Descobri que consigo ser mãe, mulher, amiga… sem que ninguém fique lesado.
Descobri que os que me rodeiam aceitam essa partilha, não disputam egoísticamente o meu amor e isso traz-me paz, serenidade.

Em 2008 confirmei que as amizades são dos bens mais valiosos que podemos ter… ; )



"A friend is a gift you give yourself..."

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

As camaleoas

COM MÚSICA

As camaleoas… as camaleoas têm a rara capacidade de trocar de personalidade quando mudam de homem. Transformam-se em pessoas totalmente diferentes.
Conforme o tempo vai passando vão adquirindo as características do seu macho, transformando-se pouco a pouco num espelho do mesmo.
Estas mudanças são absolutamente espantosas, tudo se altera.
A sua forma de expressão, os seus hábitos, os seus gostos, os seus hobbies, as suas crenças e convicções.


Curiosamente até a sua memória parece ser genuinamente afectada renegando aquilo que eram anteriormente, como se de facto já não tivessem lembrança de quem era essa pessoa.
Todos nós mudamos ao longo da vida, evoluimos, mudamos de gostos, de estilo, de opiniões.
A diferença, relativamente ás camaleoas, é que nelas isto parece acontecer em todos os campos ao mesmo tempo. Dá-se efectivamente uma metamorphose do seu ser.

As camaleoas colocam as suas relações acima de qualquer outra coisa. São de uma devoção, de uma capacidade de entrega, de uma fidelidade dignas do “melhor amigo do homem”… Quando se comprometem dão o seu melhor, entregam-se de corpo e alma, fazem tudo o que estiver ao seu alcance para fazer o outro feliz.

No que diz respeito a hobbies, desportos, etc, são geralmente companheiras de mão cheia, acompanhando-os em tudo. As camaleoas não são de ficar em casa, ou de praticar actividades paralelas.
Se ele faz ela também faz. Se não praticava, passa a praticar. Se não sabia, aprende. Se não gostava passa a gostar.
Movem montanhas. Ultrapassam todas as espectativas. Tornam-se as melhores e não os deixam ficar mal. As paixões deles entram-lhes na pele e tornam-se suas. Ultrapassam-se a si próprias.
Passam de jogadoras de poker a caçadoras de ursos num revirar de olhos e fazem ambas as coisas com a mesma tenacidade e empenho.

O mesmo se passa com crenças e opiniões. Se hoje são católicas de direita, amanhã podem ser budistas de esquerda. Vão se embebendo das ideias deles e tudo parece fazer sentido. Ao fim de uns tempos nem conseguem já lembrar-se de que outrora tenha sido de outra maneira. Se um diz mata o outro diz esfola e pregam as suas convicções em unisono. Coisas que em tempos lhes pareciam importantes deixam de fazer sentido. Coisas antes irrelevantes transformam-se em cavalos de batalha. Tudo sempre muito sentido, vindo do fundo da alma e argumentado, se caso disso, com toda a convicção.

Os amigos tambem mudam. As camaleoas não costumam ter grandes “amigos próprios”… Geralmente os amigos delas são os amigos deles. E se não são propriamente os amigos dele, são pelo menos amigos com quem ele também se possa identificar, de quem possa gostar. Os susceptíveis de criar atrito ou tédio, que não partilhem gostos e opiniões são pouco a pouco abandonados, postos de lado. Deixa de haver interesse em confraternizar mesmo que a título pessoal.

Até o aspecto físico muda… e se hoje podem ter um ar desleixado, de quem não se preocupa muito com coqueteries, ninguém diz que amanhã não passem parte do seu tempo no cabeleireiro e no ginásio. Tão fácilmente podem ter um ar de maria rapaz, de jeans rotos, ténis e rabo de cavalo, como andar de salto alto, unhas pintadas e madeixas. Em qualquer dos casos parecem sentir-se bem na sua pele e usar “o porte” com naturalidade.

Em suma, as camaleoas transformam-se com a maior facilidade naquilo que acham que eles gostariam que fossem, o que aliás normalmente não estará longe da verdade, adaptando os seus hábitos, as suas ideias e o seu aspecto ao que agrada e se encaixa bem com o seu macho, transformando-se assim na companheira ideal.
Julgo que o façam inconscientemente, não parece ser uma coisa planeada, programada, voluntária. Elas simplesmente se adaptam tal como o faz o camaleão ao mudar de cenário.

Neste momento devem estar a achar que toda esta conversa era a cascar nas bichinhas, a mandar abaixo, a criticar. Estão muito enganados…
Quem sou eu para decretar o que está certo e o que está errado.
Cães e gatos são totalmente diferentes… quem somos nós para julgar se uns são “melhores” que os outros…
Ás vezes até gostava de ter esse “poder” de metamorfose, facilitava-me bastante a vida.
As razões das mudanças são tão válidas umas como as outras.

O grande senão que vejo relativamente a tudo isto são “os outros”, os que estão fora do casal, e que de vez em quando se vêm a braços com uma pessoa totalmente nova, que julgavam conhecer mas relativamente à qual têm de reaprender tudo. Isto, claro está, se conseguirem manter-se nas redondezas.
Esta parte, sendo grande apologista das amizades, faz-me pena e acho de facto que ambos os lados ficam a perder.

domingo, 28 de setembro de 2008

ViváNet

COM MÚSICA

Muitos têm acusado os computadores em geral e a internet em particular de estar a gerar pessoas solitárias e anti-sociais, de dar cabo das relações “ao vivo e a cores”, do calor humano.

Hoje em dia não podia discordar mais…
Acho que a Net tem sido um vehículo de aproximações e reaproximações fenomenal que contribui e muito para as relações humanas. Ousaria mesmo dizer mais do que o correio ou o telefone…


Perdi completamente o contacto com uma pessoa de quem gosto muito e de quem fui em tempos extremamente próxima. Correspondemo-nos por carta durante muitos anos e um dia… puf, simplesmente desapareceu.
Escrevi para todos os endereços que tinha, perguntei a todas as pessoas que conheciamos em comum se sabiam alguma coisa dele… Nada. Nunca mais tive notícias.
Um dia lembrei-me de fazer uma pesquisa na Net e encontrei uma referência ao seu nome na página de um grupo de teatro. Resolvi atirar o barro à parede e mandar-lhes um mail. No mesmo dia estava de novo em contacto. Desde então temos falado, já me veio visitar, temos mantido mais ou menos a conversa em dia.

A minha irmã fez uma grande festa de anos… convidou as pessoas por mail, como vem a ser hábito, e durante a semana que a antecedeu houve muita troca de mensagens, brincadeiras, bocas, o costume, em reply to all…
Quando nos encontrámos lá, pessoas que não se conheciam de lado nenhum tinham a sensação de, de certa maneira, já se conhecerem.
Em situação normal não teria sequer havido troca de números de telefone, não havia razão para isso. As pessoas teriam simplesmente perdido contacto.
Neste caso tendo todos os mails uns dos outros, no pós festa iniciou-se uma nova troca de mensagens, agora já mais personalisada, entre pessoas que “foram à bola” umas com as outras.
Dessa troca de emails sairam, no que me diz respeito, uns embriões de amizade que muito prezo.

O Site do Liceu Francês… oh o Site do Liceu Francês… (lol) tanta gente a reatar amizades há muito perdidas, a conhecer gente nova, a criar laços…
Como é que se conseguia pôr tanta gente em contacto se não fosse a internet?
Todos os dias lá se reunem centenas de pessoas…
Diáriamente no chat há conversas, troca de ideias, brincadeiras… acaba um pouco por cumprir a função do “ir ao café”. Estamos ás vezes mais actualizados sobre a vida, os estados de espírito, os problemas e as alegrias destas pessoas do que sobre a dos nosso amigos ou familiares “mais próximos”.
Trocam-se comentários, enviam-se mensagens privadas, convida-se para eventos e combinam-se encontros, tanto com pessoas que já conhecíamos como com pessoas que passámos a conhecer.
O Site acaba por ser o veiculo mas o contacto torna-se muitas vezes de carne e osso. Sem esta ferramenta muitos de nós voltariamos certamente a perder contacto.


Até aquelas trocas de mails com anedotas, fotos, filminhos, pps… acaba de certa maneira por aproximar as pessoas. Continuo desta forma em contacto com ex-alunos, amigos que não vejo com frequência, familiares, pessoas que não fazem parte do meu dia a dia… E graças a isso muitas vezes acaba por se dar uma palavrinha pessoal, que sem isso talvez não se desse. Lembramo-nos das pessoas porque nos “entram pelo computador a dentro”.

É mais fácil ás vezes escrever as coisas do que dize-las cara a cara… Tenho tido com algumas pessoas trocas de e-mails com conversas que nunca tive “ao vivo”. As pessoas abrem-se com mais facilidade, expressam melhor os seus sentimentos. Há coisas que simplesmente não é fácil dizer-se de viva voz mas que com a “burka” da internet saem espontaneamente.

Finalmente, há uma série de… de… vocês, a ler as parvoeiras que eu vou dizendo… as sentenças que vou c…ando… lol o que muito provavelmente não aconteceria se não existisse este blog, com o qual vou chegando, mal ou bem, a uma data de gente que me vai conhecendo melhor do que outros com quem "me dou" à muito mais tempo... ; )

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Eu falo, tu não falas, ele não fala...

COM MÚSICA

"A Cristina acha que consegue mudar as pessoas…”
Esta é uma afirmação recorrente com a qual o meu Tótó gosta de me taquiner … Costuma utiliza-la como introdução a pessoas que não me conhecem, em dias em que está com ganas de armar em arenque. O atestado de atrasada mental irrita-me de sobre maneira dado que estou perfeitamente consciente, e ele sabe disso, de que qualquer mudança tem de vir de dentro para fora. Apesar de obviamente receberem influências externas, as pessoas não são propriamente moldáveis como a plasticina e sem que se dê o já tão falado CLIC nada muda.

Confesso-me no entanto, sem qualquer dúvida, uma activista no que diz
respeito ás relações humanas e à procura da felicidade e do bem estar.
Este blog é a prova viva disso.
Na esmagadora maioria das vezes, eu acabo por dizer aquilo que os outros pensam. Pensam ou dizem… mas em geral não ás pessoas em questão.

Já dizia o Churchill: “Criticism may not be agreeable, but it is necessary. It fulfils the same function as pain in the human body. It calls attention to an unhealthy state of things.”

Hello, my name is Pain… Pain in the arse! lol

Acredito na interacção entre seres humanos, não sendo heremitas e já que temos de conviver, porque não tentar também entre ajudar-nos?
Acredito também na educação… tanto de crianças como de adultos… educação neste caso, no sentido de os levar a compreender que há regras básicas de convívio em sociedade que convém que se cumpram, para que possa haver harmonia, para que não se pisem calos. Afinal de contas muita gente se esquece frequentemente de que “a nossa liberdade acaba onde começa a dos outros”.

Há, na minha opinião, cada vez mais indivíduos sem qualquer tipo de respeito ou consideração pelo próximo.
Um exemplo flagrante disto são os convites… ou por outra, a falta de resposta aos mesmos.
É mato, hoje em dia, as pessoas só responderem quando têm intenções de aceitar. Se estão noutra nem sequer se dão ao trabalho… e lá ficamos nós indeterminadamente sem saber se vamos ser seis ou vinte para jantar ou quantos quartos vamos ter ocupados no fim de semana.

Tá mali!
E como tá mali, eu digo que tá mali… refilo, ralho, barafusto…
A maior parte das pessoas que conheço encolhe os ombros e desabafa com quem está por perto. Eu mando vir com a pessoa em questão.
Pode ser que para a proxima faça exactamente a mesma coisa… mas não há de ser por não ter percebido que incomoda.

O que acabei de referir é uma atitude de reacção a actos de terceiros, mas eu também abro a boca sem qualquer tipo de “provocação”… lol
Acredito que os próprios nem sempre consigam ter o recuo suficiente para ver as coisas com uma certa clareza. Se encostarmos o nariz ao papel, não conseguimos ler nada.
Por outro lado, o habito faz com que já nem nos dêmos conta de certas coisas. Há muita malta que já não se apercebe de que vive numa casa “olfáticamente decorada a mijo de gato” por exemplo… lol

Eu considero “de amigo”, alerta-las, tentar fazer-lhes ver o que toda a gente “comenta” mas não lhes diz na cara…


Não sou completamente idiota… não faço isto com qualquer um.
Não entro na escola do meu filho e digo “Ó dona Zulmira, com as suas trancas não devia usar mini saia, parece uma vaca… “ ou ao motorista do taxi “Olhe o senhor desculpe, mas se não passa a tomar banho mais frequentemente vai perder a clientela toda, está praqui um bedum que não se aguenta…”
Não… Por muito que possa ser verdade, apesar de tudo o meu dispositivo de auto censura ainda funciona.

Mas se gosto de alguém… If I really care… Sinto-me na obrigação de alertar as pessoas para situações que possam, na minha opinião, ser-lhes prejudiciais… E isto faz com que seja frequentemente o punching bag do povo… :(


Não é fácil ser-se eu… acreditem! lol

A realidade é que as pessoas não gostam de ouvir certas coisas, por muito que eventualmente até acabem por “dar razão”, directa ou indirectamente.
Daí o resto do povo ficar calado e preferir comentar “nas costas”, é sem dúvida muito mais fácil.
Chamam-lhe política de não interferência… eu chamo-lhe cobardia.
Não acho normal refilar-se com todos os nomes com os presentes por alguém estar atrasado e não lhe dizer nada quando chega, por exemplo.

O meu amigo que acho que é gay não se assumiu por eu ter falado sobre o assunto e é bem possível que tenham sido outros factores a levar “certa pessoa” a ter deixado de beber que nem uma esponja...
Não me teria no entanto sentido bem com a minha consciência se não lhes tivesse dado uma palavrinha sobre o assunto.

Em ambos os casos o resultado foi ter perdido um “leitor”… os dois ficaram nítidamente chateados comigo… Não gostaram que tivesse falado “publicamente” no assunto… A realidade é que considerei que eram casos que mereciam ser discutidos, que eram suficientemente importantes para se dissertar sobre eles.
“Mais valia teres escrito directamente o meu nome…” Disse-me um…
Pois… esquecem-se é de que quem os identificou já estava perfeitamente por dentro do assunto e quem não os conhece não tinha hipótese de saber quem eram…

Há quem ache que tem “um problema comigo” porque eu lhe digo umas quantas “verdades”… Tenho pena de não ter apoio… tenho pena que não haja mais malta como eu.
Se uma pessoa nos disser uma coisa que não nos agradada duvidamos. Se forem duas, se calhar já começamos a por em questão. Se forem três, é possível que se dê um clic…
Mas não… em geral acabo sempre por fazer o papel da má da fita.
Levo palmadinhas no ombro e oiço “apoiado” nos bastidores, mas quando chega o momento da verdade é a debandada geral, ninguém fica ao meu lado.

Que se lixe!
Enquanto achar que posso ajudar alguém com as minhas opiniões hei de continuar a distribui-las for free…
Crucifiquem-me!!! ;)


quinta-feira, 31 de julho de 2008

O meu amigo "o tótó"...

COM MÚSICA

Não há como exemplificar o que se quer dizer… decidi então dar-vos um exemplo concreto relativamente ao meu último post.
O meu amigo “o tótó” está entre as pessoas mais irritantes que conheço…
Comigo, dadas a longevidade e proximidade da nossa relação, é especialmente aplicado na arte da irritação. Digamos que parece um amante de longa data, toca nos pontos chave e eu entro em órbita… lol
Notem que nada disto é inocente… fa-lo consciente e voluntariamente, pelo simples gozo de irritar… deve ter tirado um curso com os Monty Python . E não se coíbe de o fazer com “first timers”, se for caso disso, o que o torna ás vezes muito difícil de gostar à primeira volta.
Senão vejamos… adora gerar discórdia. Se vir uma hipótese de pôr o pessoal todo a pegar-se sobre algum tema, não perde a oportunidade. Depois encosta-se e só volta a participar na “discussão” se vir que as coisas estão a amainar. A expressão “pôr achas na fogueira” diz-vos alguma coisa?
O “perseguir X” é também desporto favorito, (inútil será dizer que grande parte das vezes X é aqui o mexilhão…Grunf!), ai de quem tenha esqueletos no armário… Ele saca-os de lá, espeta-os num pauzinho e persegue-nos com eles o resto do dia. E mais uma vez, quando por milagre alguém consegue desviar do assunto, lá vem ele re-agitar a marioneta à frente dos nossos narizes. Digamos que é o campeão mundial do “hoje X está na berlinda”…
A jogar… ó céus, a jogar… não há mais irritante… Gaba-se, vangloria-se, faz a festa, manda os foguetes, apanha as caninhas, e faz caretas insuportáveis, quando ganha… Mas se perde a culpa nunca é dele. Foi a sorte, os dados, as cartas ou mais provavelmente o parceiro, que não tinha jogo ou pior ainda, não sabia jogar…
As criancices… para as criancices também não há cu, um matulão quase na terceira idade… as birrinhas… “já acabei o meu jogo, agora quero ir para casa… acabas de ver o filme noutro dia…”, os ataques de tótózice em certas e determinadas situações, regressos à infância em que fica mais imaturo do que o meu filho… parece que de repente lhe cai o QI.
Enfim… podia aqui estar o dia todo a descrever o ser encanitante que é… nada políticamente correcto… cheio de malícia, de maldizência encapuçada. lololololololololololololololol
A realidade é que ele é, também e sem qualquer sombra de dúvida, a “melhor pessoa” que alguma vez conheci… Este ser inominável é o ser humano mais “caring” que alguma vez encontrei ao vivo e a cores…
Esteve presente em todos os momentos chave da minha vida, activamente, para o melhor e para o pior. Esteve ao meu lado quando me casei e quando me separei. Foi o primeiro a chegar no dia em que nasceu o meu filho. Quando a minha empresa estava a caminhar lenta mas seguramente para o precipicio, assegurou-nos os custos fixos durante seis meses. Sem papeis, sem assinaturas, sem planos de pagamento. Só porque acreditou… Quando morreu o meu pai, esteve sempre “around”, transparente no meio da multidão… mas sempre atento a qualquer necessidade, sempre pronto a agir se fosse preciso. Deu-me de comer quando nem eu percebia que tinha fome… Organizou coisas que eu não tinha capacidade de organizar, nem tão pouco pedir… Está sempre lá quando preciso dele e sabe que preciso dele antes de eu própria saber…
Está sempre atento. Mal detecta sofrimento entra em acção. É o primeiro a candidatar-se a todas aquelas coisas que os outros evitam… ir ao supermercado, ir comprar qualquer coisa à farmácia, levar alguém ao hospital. Chega-se à frente por nós, pelos nossos pais, pelos nossos irmãos, pelos nossos amigos e, se for caso disso, por pessoas que nem sequer conhece, simplesmente porque se sentir que pode ajudar, amparar, ele fa-lo… Tão facilmente é capaz de passar uma noite em branco para apoiar alguém como de aplicar uns trocos nalguma acção de salvamento. Usa a cabeça, os conhecimentos, os músculos, o seu tempo ou a carteira com o mesmo desprendimento, se puder fazer a diferença para alguém… Não tem conta o número de pessoas que lhe vão pedir conselho, opinião, ajuda de alguma forma… E a todos “atende” com a mesma prontidão, simpatia e disponibilidade. Alguns discutem teorias sobre compaixão, generosidade, altruísmo… ele poe-nas em prática, chega-se à frente, arregaça as mangas e ajuda de facto o próximo… com palavras, com acções.
Se a alguém se pode aplicar o termo “bom coração” é ao meu tótó… e no entanto, como puderam verificar, é uma espécie de bola de “poil à gratter”… lololololololol
As iludências aparudem… ;)