É um clássico, dos filmes de cowboys, a cena do desgraçado prestes a ser enforcado, sem direito a julgamento, por um crime que não cometeu...
Apesar de normalmente não se chegar a esse extremo, no nosso mundo é também infelizmente frequente a presunção de culpa “porque sim” e consequente acusação.
Acusa-se, directa ou indirectamente, o funcionário de preguiçar, a empregada de roubar, a criança de mentir, a cara metade de trair, o amigo de divulgar um segredo...
Para alguns, aparentemente, tudo o que parece é, sem se porem grandes questões.
Pode advir da ideia de que “onde há fumo há fogo”... mas, meus amigos, nem sempre, nem sempre.
Porque é que isto acontece?!
Porque o individuo tem perfil para cometer a infâmia, porque tem antecedentes, porque algo aconteceu que não se consegue explicar e a pessoa em questão aparenta ser o único suspeito, ás vezes simplesmente porque no seu lugar era o que faríamos.
Em qualquer dos casos, acusar sem fundamento, tá mali.
Na melhor das hipóteses gera um sentimento de injustiça, de revolta, pois ninguém gosta que lhe apontem o dedo sem razão.
Mas a coisa pode piorar, saindo o tiro pela culatra, se o outro adoptar uma atitude de “já que tenho a fama, vou ter o proveito”. Ah, pois...
Embora em alguns casos a questão não se ponha, noutros a pessoa em questão poderá na realidade ter efectivamente lutado contra a tentação de fazer exactamente aquilo de que acaba por ser acusada.
O auto-controle, resistir a certos impulsos, conseguir que a razão leve a melhor, não fazer aquilo que queremos mas o que achamos que devemos, nem sempre é tarefa fácil. Ser recompensado com calúnia não é propriamente motivante.
Por outro lado, se se vier a provar que a coisa não aconteceu, que o “criminoso” não cometeu o acto, o delator faz uma verdadeira figura de urso.
Mas não só, será ele próprio encarado como estando de má fé, ou pior.
Assim, antes de abrir a bocarra e começar a gritar mata/esfola, convém ter a certeza de que as pedras que atiramos não irão fazer ricochete. ;)
“Words are, in my not so humble opinion, our most inexhaustible source of magic, capable of both inflicting injury and remedying it.” - Albus Dumbledore
Fonte de magia, sem duvida...
Através delas conseguimos agredir, magoar, ofender, humilhar, ridicularizar, enganar, enraivecer... mas também apaziguar, confortar, enaltecer, acalmar, louvar, gabar, seduzir. Permitem-nos proporcionar bem estar ou causar dano, gerar empatia ou aversão, abrir e fechar portas.
É também através delas que nos damos a conhecer aos outros, ao partilharmos as nossas ideias, os nossos pontos de vista, os nossos princípios, como se de um cartão de visita se tratassem. Aquilo que afirmamos, os ideais que defendemos, a forma como o exprimimos, acaba de certa forma, numa primeira abordagem, por nos definir aos seus olhos.
Ás vezes encontramos as palavras certas, outras vezes baralhamo-nos, falamos com clareza ou metemos os pés pelas mãos. Nem sempre o que nos sai da boca é o que queríamos efectivamente transmitir. Acontece também que falemos sem pensar, sem medir as consequências do que mandamos cá para fora, todos dizendo coisas de que nos arrependemos mais tarde.
No entanto, no fundo, “palavras leva-as o vento”... boas ou más, não é por elas que somos julgados, que seremos recordados, mas pelas nossas acções. O que fazemos, muito mais do que o que dizemos, faz de nós aquilo que somos. Podemos apregoar o que quisermos, que o que conta, at the end of the day, é a forma como agimos.
Amor, amizade, rectidão, honestidade, competência, integridade, etc, são cadeiras praticas. Não basta conhecer a teoria, não basta expô-la, dissertar sobre ela, discuti-la. É na prática que a iremos demonstrar. O que pesa realmente no curriculum é o que fazemos ou deixamos de fazer. De boas intenções está o inferno cheio, de boas ideias também, é no arregaçar das mangas que está o mérito.
As declarações de intenções, as promessas, as garantias, valem o que valem... até ver. No momento da verdade é que se descobre quem é e quem parecia ser, quem está e quem não está, quem se chegou à frente e quem ficou a assistir de camarote a mandar bitates.
Para dizer coisas, basta ter língua e cordas vocais, papel e caneta, monitor e teclado... fala-se bem, fala-se mal, fala-se certo ou errado, alto ou baixo... mas tudo o que dizemos empalidece à sombra do que fazemos lá fora, no campo de batalha da vida.
Com o passar do tempo, a memoria emocional torna-se mais fiável do que a racional.
Quantas vezes, por exemplo, já não sabemos ao certo porque nos chateámos com alguém, nos esquecemos dos detalhes do que se passou, mas mantemos uma sensação de desconforto em relação ao indivíduo em questão?!
Da mesma forma, o que conta aos olhos dos outros não é tanto no que os fizemos pensar mas como os fizemos sentir, o efeito, grande ou pequeno, bom ou mau, que causámos nas suas vidas.
É por esta razão que a difamação não resulta com quem conhece realmente outra pessoa, o seu ser para além do parecer. Porque por muito que se diga, por muito que se tente denegrir, o que se sente, o que se observa, o que se prova, no dia a dia, não deixa margem para dúvidas. As teorias provam-se pelo exemplo, não pela conversa, o poder da palavra acaba então por ser muito relativo.
"Remember, people will judge you by your actions, not your intentions. You may have a heart of gold, but so does a hard-boiled egg."
Há já bastante tempo, não sei precisar quanto mas bastante mesmo, reencaminharam-me um mail que me impressionou bastante por duas razões.
Primeiro tocou-me o sentimento com que foi escrito. A paixão, a força, a clareza de ideias, a sinceridade, que dele emanavam. Depois apercebi-me da genialidade e simplicidade da ideia.
Inscrevi-me imediatamente na mailing list, para ir recebendo notícias do projecto.
Confesso no entanto, extremamente envergonhada, que não tinha grande fé de que fosse para a frente. Envergonhada, pelo simples facto de, ao não acreditar, ao não dar grande crédito, ter ido um bocado contra tudo aquilo em que acredito e passo a vida a apregoar aqui neste blog...
Eis senão quando, recebo um mail a avisar que o projecto está de pé e a funcionar.
Venho então agora tentar redimir-me, explicando-vos porque acredito, do fundo do coração, que vale a pena apostar neste projecto, aderir, divulgar, ajuda-lo a crescer mais e mais, para o infinito e mais além. ;)
Este nasceu na cabeça de um homem de 23 anos, que decidiu arregaçar as mangas e tentar efectivamente mudar o mundo.
Tenho muita pena de não poder transcrever aqui a sua mensagem inicial. Desde então troquei de computador e, como é habito nas mudanças, deitei muita coisa fora. Os primeiros mails foram-se assim, num qualquer “caixote”, onde os tinha arquivado
Ao lê-la, dei-me imediatamente conta da tarefa titânica que tinha pela frente. Razão pela qual não acreditei muito, shame on me, que uma pessoa tão nova tivesse perseverança e coragem para levar o barco a bom porto.
Não consigo sequer imaginar as portas com que levou na cara, os pesadelos burocráticos com que se deparou, a dificuldade em extruturar e pôr em prática o que não passava na altura de uma boa ideia.
E no entanto, cá está o “Movimento 1 euro”, a chamar por nós, vivinho da silva.
Só por isso, como forma de tirarmos o chapéu ao Bernardo pelas dificuldades que conseguiu ultrapassar, como recompensa pelo seu enorme esforço e trabalho, pela sua visão, já valia a pena aderirmos.
Muitos, se lhe juntaram, suponho que ao longo do caminho.
Se são leitores deste blog, suponho (e espero) que seja por estarem em sintonia com as ideias que aqui transmito.
Ora se se derem ao trabalho de ir ler os perfis dos colaboradores da AIDHUM (confesso que não acho o nome dos mais felizes...lol) verão que todos eles transmitem, de uma forma ou de outra, (alguns mais directamente, usando inclusivamente as mesmas palavras, as mesmas citações), o mesmo que eu ando praqui a dizer há mais de duzentos posts.
Os valores do movimento: “Honestidade, Transparência, Altruísmo e Respeito por todos e cada um...” ;)
O movimento transmite a ideia de que não é necessário um grande esforço, para fazer uma grande diferença, basta sermos muitos.
Felizmente, apesar das dificuldades do mundo actual, há muito pouca gente a quem um euro a menos por mês faça grande diferença. Mas esse euro a mais... a multiplicar por uns milhares, uns milhões, de pessoas... fazem toda a diferença para muita gente.
O “Movimento 1 euro”, simplificando a explicação, funciona da seguinte maneira:
- Quem quizer aderir inscreve-se no site e faz logo o pagamento de um ano (12€) dado que, acrescida dos custos, uma transferência bancária de 1€ seria ridícula.
- Consoante o número de associados no momento, a AIDHUM anuncia a soma disponível para a causa do mês
- As associações enviam candidaturas com causas
- Estas são colocadas online para votação
- Quando acaba a votação é anunciada a causa vencedora
- No site são apresentados os registos do apoio dado
A sua página do Facebook tem neste momento 1.201 Likes. No entanto, num post de hoje, o movimento anuncia com entusiasmo que já atingiu os 771 Associados.
Nada vos parece estranho nestes números?!
Do que estão à espera os 430 que perfazem a diferença?!
Ah, pois... é que dá muito menos trabalho clicar no botãozinho do Like do que ir ao homebanking fazer um pagamentozito de serviços, não é?!
Áqueles para quem toda esta conversa faz sentido, lanço então aqui um desafio...
Sejam egoístas, dêem.
Não há maior prazer do que o de dar, sem esperar nada em troca.
Divirtam-se a divulgar esta ideia, ajudar não tem de ser uma seca...
Sejam creativos, empenhem-se.
Transmitam-na, espalhem-na, expliquem-na, aos vossos amigos, aos vossos filhos, aos vossos pais.
Potenciem a rede de ajuda.
Parece que uma resposta de 6/7% numa campanha de marketing já é considerado muito bom. Pensem então que, para conseguirem que uma pessoa adira efectivamente, têm de chegar pelo menos a cerca de 15...
Aqui ficam algumas ideias para o fazerem, sem perderem mais do que alguns minutos das vossas vidas:
- Adiram à página do movimento no Facebook ( https://www.facebook.com/movimento1euro )
- Façam Share da página/site deles e sugiram aos vossos amigos que adiram
- Enviem o link do site ( http://www.aidhum.com ), com uma pequena explicação do que se trata (podem fazer copy/paste da apresentação que está no site) por mail
- Se têm um blog escrevam sobre o assunto ou pelo menos ponham um apontamentozito / link algures
- Quando vier a calhar em conversa, falem sobre o movimento ás pessoas
- Enfim... a vossa imaginação é o limite.
- Mas sobretudo, não se esqueçam de se inscreverem vocês ;)
Depois, se acharem graça, vão cuscando a página do facebook e vendo os números a aumentar rapidamente.
Se 6% dos que lerem isto fizerem uma qualquer campanhasinha, por mais humilde que seja, aposto que é o que vai acontecer. É como a fofoca, dispara vertiginosamente... lol
Os meninos do nosso sitezinho, bem sabem que assim é... já tiveram esse gozo... esse gostinho a vitória...
Ganhámos um telhado para a Nina, aquecemos o Natal da Miss das Castanhas, conseguimos uma cozinha do Ikea para a Paula, aconchegámos a família da Alexandra.
Se formos muitos, conseguimos fazer quase tudo, com quase nada!
Algumas pessoas são nítidamente fracas, têm dificuldade em lutar contra as adversidades, vão-se abaixo à mínima contrariedade, perdem o ânimo com facilidade...
Outras, pelo contrário, parecem julgar-se verdadeiros super-herois.
Mas sabem o que acontece aos super-herois, sabem?!
Mais tarde ou mais cedo, acabam por cair num caldeirão de Kyptonite e aí é que está o caldo entornado...
De onde nos vêm então os super-poderes necessários para enfrentar algumas crises?!
Na minha opinião, da união, da entre-ajuda...
O orgulho impede-nos muitas vezes de assumir que sozinhos eventualmente não chegaremos lá, que não somos auto-suficientes.
Saber pedir/aceitar/dar ajuda parece-me, no entanto, fundamental.
Acontece que, como tudo na vida, esta tem de ser bem gerida, inteligentemente, sob pena de ser pior a emenda do que o soneto. Como se costuma dizer, de boas intenções está o inferno cheio.
Todos os que têm espírito de “caregivers”, se sentem impelidos a dar uma mãozinha ao próximo, se disso tiverem oportunidade e mais ainda se se tratar de alguém de quem gostem.
Há no entanto vários cuidados a ter.
Para começar, se propusermos ajuda a alguém, é bom que tenhamos intenções e possibilidade de a levar a cabo. Há pessoas que passam a vida a oferecer-se e que, quando a ocasião se proporciona, nunca se chegam efectivamente à frente, não se dão talvez conta do dano que causam as espectativas goradas.
Outras, dispõem-se a ajudar, sem se perguntarem se o estarão a fazer da melhor maneira. Impôem as suas ideias, os seus métodos, as suas soluções, num espírito de “my way, or the highway”, recusando-se a tentar realmente compreender o outro e os seus problemas.
Há também os que entram em pânico com a aflição alheia, parecendo baratas tontas. Agem antes de pensar, disparam em todos os sentidos, não ponderam a potencial eficiência da sua ajuda. Na sua ânsia, sufocam-nos com a sua preocupação, fazem com que as questões pareçam ainda mais graves, mais complicadas, mais difíceis de resolver.
Acontece também que proponham ajuda, na maior das boas vontades, não compreendendo que o que sugerem, não só não é solução, como só vai atrapalhar. Na sua tentativa, acabam por criar um cenário ainda mais complicado do que o original, acrescentando peso à coisa em vez de a simplificar.
Alguns iludidos insistem em tentar ajudar quem não se quer ajudar a si próprio. Luta inglória e perdida à partida.
O saber pedir/aceitar ajuda, tem também muito que se lhe diga.
É natural que, ao fazê-lo, nos sintamos de certa forma fragilizados. Nesse momento, assumimos que precisamos de alguém, quando gostariamos de ser auto-suficientes.
Alguns adquirem um desagradável sentimento de “dívida” que, a meu ver, não deveria existir se a atitude do outro fôr genuina e desinteressada, se sentirmos que o faz de boa vontade, se, na situação contrária, estivessemos dispostos a fazer o mesmo por ele.
Ás vezes, alguém se apercebe da nossa situação e oferece espontaneamente ajuda. Infelizmente nem sempre temos essa sorte e temos mesmo de a pedir. Não é vergonha nenhuma, não nos torna menos “machos”, não nos rouba dignidade.
Convém, no entanto, escolher bem a quem pedimos ajuda.
Os principais candidatos sendo, obviamente, aqueles com quem partilhamos a nossa vida e mais concretamente a questão que nos atormenta.
Assim, a nossa cara metade, os filhos, os pais, os irmãos, a família em geral, os amigos, serão aqueles para quem nos tenderemos a voltar.
Precisaremos depois de ter uma noção muito nítida do que podemos pedir e a quem, daquilo com que podemos contar.
O amor, os laços de sangue, a amizade, são tudo coisas muito bonitas mas não transformam os outros naquilo que gostariamos (ou precisariamos) que fossem.
Cada um de nós tem os seus “super-poderes”, que poderão ser extremamente úteis em determinadas situações mas não servir para nada noutras.
Uns têm o dom de acalmar, outros de consolar, de racionalizar, de planear, etc... Uns têm uma imensa destreza para dar a volta a problemas financeiros, outros parecem talhados para dar assistência a doentes e acidentados. Alguns têm uma paciência infinita para nos ouvir e outros a coragem de nos dizer aquilo que não queremos mas deveriamos ouvir nós.
Cada um tem também as suas “kryptonites” e, relativamente a determinados assuntos, o melhor mesmo é não contar com eles.
Mas, super-poderes à parte, o que me parece mesmo importante é a empatia. Ajudar-nos-ão muito melhor se tiverem efectivamente vontade de o fazer, motivação, empenho. Não podemos pedir a ninguém algo que não nos quer dar, porque se o fizer, será de má fé. E ajuda de má fé, ainda nos sai o tiro pela culatra.
Quem nos rodeia, não tem obrigatoriamente noção de que estamos necessitados de apoio. Pode-nos ás vezes parecer insensível da sua parte mas há que nos conformar que não somos o centro do universo e que os outros podem andar distraídos. E não porque não gostam de nós, porque não se importam connosco mas simplesmente porque não se deram conta. Não devemos levar isso a peito.
Acreditem no entanto que, na maior parte das vezes, se lhes chamarmos a atenção, sem crítica, sem ressentimento, sem mágoa, irão responder muito positivamente ao nosso apelo e “contribuir para a causa” com todo o prazer.
Resumindo e concluindo, arcar com o peso da vida sozinho, é um esforço desnecessário, um desperdício de energia e rouba-nos força, que poderia ser utilizada, pelo nosso lado, para ajudar os outros .
Se desenhássemos um gráfico das nossas vidas, este assemelhar-se-ia a um electrocardiograma.
Há alturas em que estamos “em cima”, as coisas correm-nos bem, sentimo-nos alegres, contentes, bem dispostos, eufóricos ás vezes.
Infelizmente os “downs” fazem também parte do filme e são inevitaveis, é utópico julgar que lhes podemos escapar. Pontualmente, todos passamos por crises sérias a vários níveis.
Momentos difíceis, são isso mesmo, difíceis.
Como tal, não é evidentemente fácil encara-los, enfrenta-los, atravessa-los, ultrapassa-los... para isso sendo necessária muita coragem, muita força, muita inteligência, muita fé.
Os momentos de que falo, são aqueles que mexem profundamente com aquilo que somos, que nos fazem pôr tudo em questão, que nos viram a vida do avesso, gerando o medo de um futuro pior.
Estes não só ameaçam a nossa felicidade como, pior ainda, a põem em questão.
Nos tempos complicados em que vivemos, todos conhecemos mais do que um caso de pessoas que estão, neste momento, ás portas do desespero.
Acontece que o desespero é extraordináriamente perigoso, é portanto imprescindível que não cedamos à tentação de entrar.
Como alguns de vocês saberão, pois já o mencionei anteriormente neste blog, aos quatorze anos fiz uma tentativa de suicídio.
Não foi uma chamada de atenção, não foi um aviso, não foi a fingir.
Não me atirei impulsivamente da janela, nem cortei os pulsos no sentido errado.
Estudei o assunto durante meses, pus detalhadamente um plano em prática e só não morri porque não estava escrito que assim seria.
Volto a falar do assunto agora, como quem saca do canudo para se candidatar a um emprego, para tentar merecer a vossa credibilidade.
Acreditem, sei muitíssimo bem o que é o desespero!
Quando se apodera de nós, só parece haver duas saídas possíveis, matarmo-nos ou deixarmo-nos morrer aos poucos. É demasiado poderoso, perdemos a capacidade de lutar, deixamos de ter o nosso destino nas mãos.
Deixem-me então partilhar convosco as conclusões a que, em trinta de dois anos de caminho, fui chegando.
Não há poços sem fundo, não há bem que nunca acabe, não há mal que sempre dure. Não há nada que não se ultrapasse, se tivermos os “cojones” de o fazer.
Aqui deixo umas quantas muletas mentais, que espero possam ajudar alguns.
Se em vez de nos encolhermos num canto, a carpir as nossas máguas, nos dermos ao trabalho de olhar para trás, conseguiremos, na maior parte das vezes, identificar várias ocasiões, em que nos sentimos tão mal ou pior e ás quais se sucederam períodos de agradável bem estar. Isto dá-nos uma noção de perspectiva sobre o assunto.
Se não o conseguirmos fazer, por esta “crise” ser pior, mais dura, mais difícil de ultrapassar do que qualquer outra por que tenhamos passado antes (há uma primeira vez para tudo), é então conveniente que façamos um esforço para nos lembrarmos dos casos semelhantes que conhecemos. Neles encontraremos certamente exemplos de pessoas que sairam victoriosas, que conseguiram salvaguardar a sua felicidade, recuperar a qualidade de vida, a paz de espirito, depois de uma experiência parecida com a nossa. É nesses que nos devemos focar.
Se, apesar de tudo, continuamos a conseguir fazer uma vida mínimamente “normal”, funcional, o caso não é tão grave assim, certo?!
Senão estaríamos a considerar atirarmo-nos da ponte...
Ora bem, isso parece provar que mantivemos algo de bom, não?! Desprezar ou mesmo repudiar os pequenos prazeres do dia a dia, entrar numa de mortificação, parece-me no mínimo masoquista.
Antes pelo contrário, acho imprescindível listarmos mentalmente tudo aquilo que ainda temos de bom nas nossas vidas. Valoriza-lo, acarinha-lo, procura-lo.
São as coisas agradáveis que nos dão ânimo para enfrentar as outras.
Se alguma coisa está mal, que não fique tudo mal... tenhamos então especial cuidado com os nossos actos, nesses momentos de fraqueza.
Não lixemos a relação com o nosso marido/mulher porque o nosso filho está no hospital. Não subvertamos a relação com os nossos filhos por causa de um divórcio complicado. Não nos atiremos para soluções totalmente impulsivas e irracionais devido a angústias financeiras. Não nos afastemos dos que são importantes para nós por causa de um desgosto de amor.
Se mantivermos intactos os nossos princípios, as nossas ideias, os nossos sentimentos, seremos muito mais coesos. Sentiremos que enfrentamos as adversidades de armadura, que estamos preparados para o que der e vier.
Se soubermos quem somos, o que somos, o que queremos, ao que estamos dispostos para o ter e aquilo de que não abdicamos de forma alguma, poderemos cair, mas muito mais fácilmente nos levantaremos.
Mesmo que não cedamos ao desespero, algumas alturas haverá em que nos sentimos efectivamente desesperados. Em que nos é difícil encontrar esperança. Em que não conseguimos descobrir qualquer solução. Em que achamos que já nada mais há que possamos fazer e tudo continua na mesma ou pior. Não conseguimos simplesmente aperceber a luzinha ao fundo do túnel.
É não ligar, não dar importância! Ignorar como quem ignora a birra de uma criança...
Há sempre momentos piores... à noite, de manhã ao acordar, quando algo ou alguém nos recorda aquilo que nos atormenta, quando as situações pioram.
É deixar passar... tudo o que sobe, desce... mas tudo o que desce também acaba eventualmente por voltar a subir.
Finalmente (esta última é só para aqueles que também acreditam, lá no amago, que assim seja), há a lei da atracção ou como lhe queiram chamar.
Imaginar o pior cenário, estar sempre a pensar nas coisas horríveis que podem acontecer, no que a situação pode ainda piorar, só serve para nos aterrorizar e atrair isso mesmo.
Pensamentos positivos, optimismo realista, boa disposição, parecem motivar “os anjos” a tomar conta de nós... ;)
Ao longo dos tempos os hábitos, a vida prática, as atitudes, as regras de convivência em sociedade, vão mudando. O homem vai-se moldando a novas realidades, vai-se, mal ou bem, adaptando ao mundo em que vive.
Para alguns estas mudanças são mais difíceis de encarar do que para outros. Algumas pessoas tendem a agarrar-se com unhas e dentes ás suas “tradições”, à forma como as coisas funcionavam nas gerações anteriores, que lhes foram transmitidas pela vivência, pela educação.
Lembro-me, aquando da morte do meu pai, de uma pessoa da minha família se ter sentido indignada por eu me recusar a enviar (pelo correio) as antigamente habituais cartas de agradecimento, pelas condolências que me tinham sido dirigidas.
Não fazia no entanto para mim qualquer sentido. A todos agradeci, no momento, do fundo do coração.
A ideia de passar umas horas a escrevinhar à mão palavras em série, pareceu-me uma verdadeira perca de tempo. Tentar imaginar a reacção dos potenciais visados, ao abrirem a caixa do correio e darem de caras com um envelopezinho de borda preta, ainda me valeu uma que outra gargalhada interior.
A realidade é que algumas coisas, por razões várias, pura e simplesmente deixam de fazer sentido.
Quem é que, hoje em dia, tem tempo para passar a ferro toalhas ou lençóis de linho bordado, arear pratas, ou lavar fraldas?! Neste último caso está inclusivamente provado que, as modernas fraldas descartáveis, apesar de menos ecológicas, são muito melhores para os bebés, que têm agora os rabinhos sempre secos.
Quem é que tem casa para aqueles roupeiros fantásticos, em madeira maciça, com dois metros e meio de altura, para mesas de sala de jantar para dezoito pessoas, para lustres gigantescos?
Parece-me perfeitamente lógico que a tendência seja deixarmos cada vez mais de ter objectos físicos, a vida tende a tornar-se mais “digital”... Podemos ter toda a nossa música dentro de um iPod e os filmes num disco rígido. As coisas já não precisam de ocupar o nosso tão precioso espaço. Podem ser substituídas por formas de organização mais lógicas, mais fáceis de consultar, mais diminutas.
Por muito que pense, não consigo encontrar uma única vantagem em ter uma discoteca sob a forma de CDs, já para não falar dos vinis. Não são propriamente bonitos, ocupam espaço, têm caixas de plástico, uma pessoa vê-se grega para encontrar a musica que quer.
No que respeita aos livros, já o caso é muito diferente... São, pelo menos alguns, objectos lindíssimos, decorativos, têm um cheiro insubstituível, um manuseamento agradável, têm alma.
Há portanto que ter cuidado para não cair em extremos e não começar a descartar em excesso.
Da mesma forma, há comportamentos que também têm real valor, de que seria uma pena abrirmos mão. E no entanto, parece ser o que está a acontecer...
Tenho vindo a sentir-me cada vez mais “demodée”, para não utilizar a expressão “velha” que o meu filho não deixa, relativamente aos comportamentos humanos. Não consigo simplesmente compreende-los e, pior ainda, acho que são extremamente nocivos para a sociedade.
Não acho normal chegar-se com uma hora, hora e meia, de atraso a qualquer lado, na maior das descontrações. Não acho normal só se responder a convites se se estiver potencialmente interessado nos mesmos. Não acho normal aceita-los e baldarmo-nos á última da hora, porque afinal não nos apeteceu ir, ou porque surgiu entretanto um programa mais interessante. Não acho normal não se responder alguém que nos contacte, só porque ainda não temos uma resposta concreta a dar.
Na minha opinião, qualquer uma destas atitudes, ou outra do mesmo género, denota de uma incrível falta de consideração e respeito pelo próximo. Infelizmente, hoje em dia, parecem ser comummente aceites, como se não tivessem qualquer importância.
Quem as pratica aceita-as com a mesma ligeireza, quem contra elas se insurge fica rotulada de “careta”.
Acontece que não consigo acreditar que esta postura possa contribuir para o bem estar geral.
Qualquer uma das situações que descrevi acima, implica que alguém saia eventualmente lesado com a história... os jantares arrefecem, as pessoas não conseguem fazer planos por falta de informação, deixam-nos na dúvida sobre a recepção do “recado”, custam dinheiro umas vezes, outras simplesmente esforço.
Este esbanjamento, ou desperdiçar se preferirem, de energia, o não considerar minimamente o outro lado, não sentir empatia pelo próximo... arrefecem terrivelmente as relações humanas. Assume-se o “estou-me nas tintas para o próximo e aceito na boa que ele se esteja nas tintas para mim”. É triste, é muito triste.
Alguns dirão, ah, que não é bem assim e tal e coiso, e que se as pessoas não se chateiam porque que não se há de fazer, e que os dias de hoje são muito preenchidos e stressantes, que não temos tempo nem para respirar, quanto mais para dar atenção a terceiros...
Pois, meus amigos, acreditem que, um dia, esta vos irá fazer falta!
Conforme me fui dando conta de que me estava a tornar um animal em vias de extinção, fui gesticulando menos, reclamando menos, com menos ímpeto.
Não posso impôr a ninguém a minha visão sobre a questão, por muito que a considere “a certa”.
Posso no entanto lutar por ela e, do alto da minha presunção, tentar “fazer ver a luz”.
As reacções são das mais variadas... desde aqueles que reconhecem uma atitude pouco simpática e se mostram genuinamente incomodados com a sua “falha”, àqueles que não conseguem sequer compreender a importância da coisa, passando pelos que dizem que sim mas que também, arranjam mil e duas justificações validíssimas, para a sua conduta e amanhã se for preciso voltam a fazer o mesmo.
Mas sabem que mais?!... Fiquem atentos e observem que, os primeiros, são aqueles com quem desenvolvemos verdadeiras relações de amizade!
Há relativamente poucos anos atrás, deitava os papeis dos rebuçados e as cascas das castanhas para o chão, sem sequer pensar duas vezes e tomava duches de meia hora (se a minha mãe não estivesse em casa...lol) com o maior dos prazeres.
Hoje em dia sou incapaz de deixar torneira aberta enquanto lavo os dentes ou de deitar uma garrafa para o lixo.
O homem deu-se conta da merda que andava a fazer à milénios, pôs travões a fundo e tenta agora salvaguardar o que resta do nosso belo planeta azul.
Para isso foi necessário que se apercebesse das consequências dos seus actos, que as interiorizasse e que começasse uma auto-educação, no sentido de preservar o seu habitat.
Da mesma forma que, ao longo da história, foi atentando contra a natureza e o meio envolvente, foi fazendo o mesmo com os seus iguais. As atrocidades que se cometeram nos tempos da escravatura, da inquisição, das conquistas, não têm qualificação possível em termos humanos.
Vivemos tempos difíceis, confusos, angustiantes, nota-se que a humanidade anda meio à toa. Não é no entanto de hoje nem de ontem que o homem se “porta mal”. Sem chegar aos extremos que mencionei acima, a realidade é que não tem sido propriamente exímio na arte das relações interpessoais.
Perante esta evidência, em 1948 foi proclamada a Declaração Universal dos Direitos do Homem. Hoje, em pleno século XXI, grande parte dos artigos continuam diáriamente a ser ignorados.
Referindo só alguns pontos, os menos extremos:
“...devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade...”
“...sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação....”
“...Ninguém sofrerá intromissões arbitrárias na sua vida privada, na sua família, no seu domicílio ou na sua correspondência, nem ataques à sua honra e reputação...”
“...Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões...”
“.... A educação deve visar à plena expansão da personalidade humana e ao reforço dos direitos do homem e das liberdades fundamentais e deve favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos raciais ou religiosos...”
Qualquer um de nós, olhando à sua volta, poderá facilmente apontar vários casos de violação a estas “regras”.
O pior é que somos frequentemente nós próprios a fazê-lo, sem sequer nos apercebermos. Reina a falta de respeito, de consideração, de compreensão, de compaixão, de empatia pelo próximo, que justificamos esfarrapadamente, para apaziguar as nossas consciências.
O comum dos mortais não comete crimes contra a humanidade, não deixa por isso de ser culpado de delitos menores, que em nada contribuem para a paz e harmonia entre seres humanos.
Também disso nos estamos finalmente a aperceber e a agir a respeito.
A questão é que frequentemente se cai nos extremos o que, na minha humilde opinião, é contraproducente.
Excandalizar-se com a água que gastam os leds dos telemóveis ou afirmar que as cenouras foram assassinada,s é perfeitamente ridículo.
Também o são muitas das medidas que o homem tem inventado na esperança de consertar o estado das coisas, como o "politicamente correcto", por exemplo.
As mudanças dão-se quando as pessoas interiorizam que certas atitudes não são saudáveis, não são benéficas. Quando percebem que, se fizerem um pequeno esforço, poderão melhorar em muito a sua relação com os outros. Quando decidem pôr em prática ideias tão básicas como “a minha liberdade acaba onde começa a dos outros” ou “não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti”. Quando conseguem começar ver para além do seu próprio umbigo e a funcionar em termos de comunidade, para o bem de todos.
Se cada um de nós se der ao trabalho de alterar a sua mente, de praticar a “mentologia” associada à “ecologia”, será garantidamente “um pequeno passo para o homem, um grande passo para a humanidade”... ;)
Como devem supor, o tipo de “conversa” que por aqui mantenho, em nada difere das que tenho ao vivo e a cores. A grande diferença está no feed-back, ganhando com o diálogo a percepção do que as pessoas pensam efectivamente de tudo isto.
Pois já não é nem a primeira nem a segunda vez que, relativamente à minha “frase estandarte” aqui em cima, comentam que é muito bonita mas não passa de teoria…
Meus amigos, este não é um blog de poesia, não o escrevo para ser bonito. Também não é um blog de ficção cientifica ou de histórias da carochinha.
Se escolhi a dita frase para o cabeçalho do blog é porque tem, de certa forma, sido a minha “bíblia” nos últimos anos. Por muito estranho que vos possa parecer, quando a descobri, interiorizei e passei a tentar pôr em prática, a minha vida mudou radicalmente.
Não, não é uma fórmula mágica que transforme a nossa passagem pela terra num mar de rosas. Não evita problemas ou desgostos, não é um escudo contra a dor, não faz milagres nem nos transforma em super homens… a sua compreensão, a interiorização do seu significado, proporciona-nos no entanto uma coisa que considero fundamental como base para que possamos ser felizes: paz de espírito.
Senão vejamos…
”… SERENIDADE PARA ACEITAR AS COISAS QUE NÃO POSSO MUDAR…”
Relativamente a esta parte até já afirmaram, inclusivamente, não estar de acordo.
Não estar de acordo?! Mas como é que se pode não estar de acordo?
Será que acreditam que tudo se possa mudar?!
Não podemos mudar o passado, o que aconteceu, o que dissemos, o que fizemos, por muito que gostássemos que tivesse sido diferente… Não podemos mudar os outros, está exclusivamente nas suas mãos fazê-lo… Não podemos evitar a morte, alterar a orbita da terra ou decidir que não descendemos do macaco…
Volta não volta, o que não podemos mudar revolta-nos, indigna-nos, agride-nos, magoa-nos… muitas vezes não o conseguimos sequer compreender, não faz qualquer sentido para nós.
Mas, se efectivamente chegámos à conclusão de que não o podemos mudar, não será então benéfico aceita-lo com serenidade?
Aceitar não quer dizer defender, apoiar, aprovar, louvar… aceitar é simplesmente concluir que não possa ser de outra forma, que não haja nada que possamos fazer para alterar a ordem das coisas. É encolher os ombros, respirar fundo e continuar com a nossa vida. Lutar, espernear, recusarmo-nos a encarar a realidade, não irá servir de nada. Se assumirmos que não está nas nossas mãos fazer seja o que for, pelo menos não gastamos forças desnecessárias a lutar contra moinhos de vento.
”… CORAGEM PARA MUDAR AS QUE POSSO…”
A vida, no geral, requer coragem, nunca ninguém nos prometeu que iria ser fácil.
Mudar certas coisas parece-nos ás vezes uma tarefa hercúlea. Sentimo-nos frequentemente tentados a desistir, perdemos as forças, o ânimo, a motivação.
Mas como se costuma dizer, “a sorte protege os audazes” e há poucas coisas tão gratificantes como a satisfação de concluir que mudámos alguma coisa para melhor… sim, que para pior não vale a pena. ;)
Podemos mudar muito mais do que julgamos. Coisas que tomamos como dados adquiridos, podem ser alteradas. Situações estabelecidas, hábitos enraizados, traços de personalidade, tudo se pode mudar se a isso nos propusermos. Podemos transformar-nos em pessoas diferentes, o rumo das nossas vidas está muito mais nas nossas mãos do que estamos habituados a pensar.
Isto não quer dizer que seja fácil… requer esforço, perseverança, paciência, fé, tolerância para com os falhanços, insistência e, claro, coragem.
“…SABEDORIA PARA PERCEBER A DIFERENÇA…”
É aqui que costuma dar ares de sua graça o D. Quixote que habita em cada um de nós…
Pessoalmente considero esta a parte, de longe, a mais difícil de levar a cabo. A vida tem muitos tons de cinzento e nem sempre é óbvio compreender o que podemos efectivamente fazer por ela.
As coisas parecem muito mais claras se forem vistas de fora, pela observação de terceiros.
Através desta damo-nos conta do esforço inglório que certas pessoas fazem para tentar alterar coisas relativamente ás quais nada podem na realidade fazer. Assistimos a batalhas titânicas contra inimigos invencíveis. Ao cansaço de nadar contra a corrente. À frustração de não conseguir levar água ao seu moinho. Quando uma situação nos contraria de sobremaneira, a tendência, o impulso, é fazer-lhe frente, tentar dar-lhe a volta, ir à luta. Infelizmente nem sempre isso é efectivamente possível.
Observamos também, pelo contrário, quem assista de camarote, impávido e sereno, ao total descambar do seu universo. De braços cruzados, aceitando uma sorte que poderia não ser a sua, se se desse ao trabalho de reagir, de arregaçar as mangas e fazer-se à vida. Estes, tendem a achar que pouco ou nada se pode mudar, que o destino está traçado, que temos de viver com as características com que nascemos, de arcar estoicamente com tudo o que nos aparece pela frente.
Quando se trata de nós, no entanto, as coisas são sempre muito mais confusas. Perceber onde e como é possível agir para obter resultados, não é de todo evidente.
Se formos de natureza combativa, iremos frequentemente abraçar causas perdidas. Se formos brandos e resignados, iremos ver passar muitos navios.
Não duvidem no entanto da preciosidade da sabedoria que adquirimos ao conseguir destrinçar as situações ou da paz de espírito que estas três coisas nos proporcionam. ;)
O país está em crise, o mundo está em crise, o bicho homem está-se a passar… de repente é a lei da selva.
Não me lembro, do alto dos meus quarenta e seis aninhos, de nenhum período tão difícil como o que agora atravessamos e suspeito seriamente que, antes de melhorar, ainda piore. O mundo está a saque, as pessoas foram atiradas para fora de pé, perderam a margem de manobra, desapareceram as zonas de conforto.
Tal como as catástrofes naturais, a crise não poupa ninguém, levando tudo à sua frente. Se é verdade que uns são mais gravemente atingidos do que outros, a realidade é que poucos escapam ilesos. Os clientes não pagam ás empresas, as empresas não pagam aos fornecedores, os fornecedores não pagam aos empregados, os empregados não pagam aos senhorios… gerando-se um círculo vicioso. Coisas que até há pouco tempo tomávamos por garantidas, deixaram de o ser.
Assiste-se à falência de empresas que por cá andavam há muitos anos, marcos da nossa sociedade (já sem falar das outras), a pessoas que perdem as casas, os empregos, os meios de subsistência.
Os “pés de meia” são delapidados, os bens vendidos ao desbarato, trabalha-se por meia dúzia de tostões, sob pena de não se trabalhar de todo.
Muita gente não faz ideia se amanhã vai conseguir pagar o empréstimo da casa, a escola dos filhos, a conta do supermercado.
Os naturais imprevistos facilmente se transformam em dramas que em muitos casos ficam sem seguimento pois não há meios de o fazer.
Tudo isto provoca angústia, ansiedade, preocupação, medo, desespero… sentimentos que geram mau viver e trazem ao de cima o pior que há em cada um de nós.
Nestas alturas muitos entram em pânico, tornando-se totalmente irracionais, chegando a agir contra os seus próprios interesses. Perdem os escrúpulos, fazendo aos outros o que não gostavam que lhes fizessem a si. Tornam-se pessimistas, derrotistas, não conseguindo sequer conceber melhores dias.
O facto de ser um problema geral não melhora de todo os ânimos, antes pelo contrário. Não se vê luz em lado nenhum e no meio da escuridão dificilmente se encontra esperança.
A situação está sem dúvida alguma muito negra.
É no entanto preciso não esquecer que “depois da tempestade vem a bonança” e que, enquanto isso não acontecer, quer demore muito ou pouco tempo, está nas nossas mãos garantir alguma qualidade de vida.
Se, perante as adversidades, respirarmos fundo e pusermos o cérebro a funcionar, já é meio caminho andado. Entrar em pânico, julgo eu que nunca tenha resolvido nenhum problema. Convém tentar manter a cabeça fria a cada problema que surja, analisa-lo e tentar descobrir a melhor forma de o resolver. Só a morte não tem solução.
Nestas alturas o longo prazo deixa de fazer grande sentido, ninguém sabe o que será o amanhã. Assim, ir vivendo o dia a dia, um pé à frente do outro, lidando o que se nos depara no imediato e ir resolvendo as questões uma a uma, conforme se nos vão apresentando, permite-nos manter o fôlego. Se olharmos para o todo desmoralizamos, a montanha vai-nos parecer demasiado alta, possivelmente não nos sentiremos com energia para a enfrentar.
Passar os dias a devorar e transmitir tudo quanto é notícia sobre o estado das coisas, também não me parece de todo saudável. Nestas alturas as pessoas tendem a obcecar, não conseguindo ver mais nada à frente e não tendo assim um minuto de descanso.
Um alheamento de quando em quando parece-me fundamental, gozar de momentos que não nos remetam para a situação negra que vivemos. Confraternizar com os amigos sem falar em chatices, ver um filme leve que estimule o nosso lado mais idealista, mais optimista, apreciar um dia bonito ou uma bela paisagem… enfim, continuar a gozar do que não é afectado pelo estado das coisas.
Por outro lado, se há momentos que apelam à compaixão são mesmo estes. “Ser uns para os outros” é muito mais benéfico do que “puxar a brasa á nossa sardinha”, muito mais gratificante, muito mais produtivo. Se nos ampararmos mutuamente, apoiando e ajudando no que for possível, todos ganharemos força e calor. Já dizia o povo, “unidos venceremos”. O salve-se quem poder, o cada um por si, parecem-me totalmente contraproducentes.
Ser-se positivo e optimista, o que não quer dizer alucinado e irrealista, parece-me igualmente imprescindível. Pessoalmente acredito piamente na teoria da “lei da atracção”. Acho que, estar sempre a imaginar o pior cenário possível, atrai isso mesmo. Com os pés bem assentes na terra e a noção daquilo com que estamos a lidar, acreditemos que, de uma forma ou de outra, tudo se há de resolver. Estou convicta de que essa postura ajude a que assim seja.
Finalmente, há que ter a noção de que as coisas mais importantes da vida não passam através do dinheiro e isso não mudou. O amor, a amizade, a saúde, são coisas que nada pode pagar. Aprecia-los, acarinha-los, valoriza-los, dar-lhes a devida importância, sem deixar que os problemas os ofusquem, soa-me absolutamente imprescindível para aguentar a borrasca, por um lado, e para relativizar as coisas por outro.
Let’s prepare for the worst and hope for the best. ;)
Algures durante a adolescência, perante o grande ponto de interrogação que era a minha vocação profissional, levaram-me a fazer um daqueles testes psicotécnicos, na esperança de uma luz sobre o que poderia ser o meu caminho.
Para além de me informarem que tinha um QI superior ao do chimpanzé, disseram que poderia “ser” basicamente o que quisesse, desde que para aí estivesse virada. Foi extremamente elucidativo.
A realidade é que não consegui escolher uma carreira…
Senti-me extraordinariamente atraída por algumas profissões mas, por razões que me ultrapassam, não encarreirei por nenhuma delas.
Fui seguindo a minha vida ao sabor do vento, fazendo um que outro curso, tendo um que outro trabalho, sem nunca me fixar em nada de concreto.
Todos nós conhecemos pessoas que não têm literalmente “tempo para nada”, que o passam a trabalhar para ganhar dinheiro e o pouco que lhes sobra a descansar do esforço.
Dizem que perguntaram uma vez ao Dalai Lama o que mais o surpreendia na humanidade, tendo ele respondido; “O homem, porque trabalha muito e perde muita saúde pra ganhar dinheiro, e quando o tem, perde muito para recuperar a saúde!!
Ora bem, cheguei à conclusão de que a afirmação de que tempo é dinheiro não podia estar mais certa… a maior parte das pessoas não tem é conta nesse banco para lá depositar os cheques…
Durante o meu percurso de vida tenho passado por épocas mais prósperas do que outras, não foram obrigatoriamente as mais felizes.
Não estou com isto a querer dizer que o dinheiro seja dispensável, estando bem ciente de que nos permite ter qualidade de vida, numa época em que quase tudo se paga.
Estou no entanto convencida de que é um daqueles venenos que tomados na dose certa podem salvar e usados descontroladamente matar.
Como toda a gente, faço sacrifícios em seu nome, pois há que ter com que pôr a sopa na mesa.
Nos nossos dias, no entanto, ganhar dinheiro facilmente se pode transformar em pescadinha de rabo na boca, e não estou a falar das que se fritam e comem com arroz de tomate.
A realidade é que quanto mais temos, mais queremos, e quanto mais queremos mais dinheiro temos de gerar para o obtermos.
Casas, carros, roupas, viagens, gadjets… tudo nos sai do pelo, a não ser que tenhamos ganho o euromilhões.
Por cada coisa que nos damos ao luxo de pagar, alguma outra perdemos certamente, entretidos que estávamos a tratar de a conseguir.
Cheguei recentemente à conclusão de que sempre fui extremamente ambiciosa, acreditando piamente na célebre afirmação de Benjamim Franklin.
O dinheiro não nos pode comprar tempo, mas o tempo equivale sem a mínima dúvida a muito dinheiro.
Acredito que as horas com o meu filho não tenham preço, o tempo que passo a ler-lhe histórias antes de dormir, a ajuda-lo a fazer os trabalhos de casa, os jogos que jogamos juntos, os passeios, as conversas. Não há dinheiro que pague o podermos dispor de umas horas para curtir um amigo ou simplesmente para o ajudar se disso precisar. Não é possível quantificar a qualidade do tempo passado sem stress, sem pressas, sem correrias, as horas passadas na companhia daqueles de quem gostamos, a fazer o que nos apeteça. E não podemos sem dúvida sempre fazer o que nos apetece mas podemos pelo menos tentar que aquilo que temos de fazer nos apeteça.
Ás vezes tenho a sensação de que a humanidade perdeu a noção das coisas. O homem anda tão ocupado a produzir riqueza, para conseguir atingir o que a sociedade moderna tem para lhe proporcionar, que se esquece de que muitas das melhores coisas da vida são à borla.
Trabalha tanto para lá chegar que não se dá conta de que está a gastar uma fortuna… em tempo. ;)
O nosso corpo, quer queiramos quer não, vai-se desgastando. Podemos poupa-lo, trata-lo e trabalha-lo em vários sentidos para retardar o envelhecimento, disfarçar alguns dos seus sintomas, no entanto, tarde ou cedo, iremos inevitavelmente sentir o peso da idade.
A mente, se não tivermos cuidado, tende também a degradar-se… parece-me no entanto bem mais susceptível de se manter firme, tonificada, flexível e saudável. ;)
Alguns alegam que a fonte da juventude é o Photoshop (lol), outros as operações plásticas e os avanços da medicina… a meu entender, uma das coisas que nos mantêm realmente jovens é a abertura de espírito aliada à capacidade de empatia com os vários estádios da vida humana.
Esta passa por várias fases, que vamos ultrapassando, uma após outra, metamorfoseando-nos em pessoas diferentes. Com o passar do tempo, temos ás vezes dificuldade em lembrar-nos daqueles que fomos.
Se conseguirmos, emocionalmente falando, manter viva a memória de outros tempos e acrescentar-lhe aquilo que fomos aprendendo pelo caminho, conseguiremos manter uma frescura acrescida de sabedoria.
Sentir-se jovem é conseguir efectivamente consolar uma criança, atormentada pelos terríveis dramas da meninice, compreendendo e atribuindo o devido peso aos seus desgostos ou receios, mesmo sabendo nós que não voltará a ter outra altura da vida em que se sinta tão mimada, tão protegida, tão segura, tão legitimamente irresponsável.
É, apesar de termos a noção de que quanto mais sabemos, mais sabemos que nada sabemos, conseguirmos fazer-nos ouvir por um adolescente que tudo sabe e ajuda-lo a questionar as suas certezas e a tirar as suas próprias conclusões.
É, sabendo que a vida é um arco-íris, com uma imensa variedade de cores e nuances, lembrarmo-nos de que em certas idades o bicho homem só consegue ver a preto e branco.
É, mesmo tendo descoberto que o amor só é mesmo eterno enquanto dura e que ao longo dos anos os romances irão enchendo as prateleiras, conseguirmos continuar a sorrir-lhe e a apoiar e respeitar as grandes paixões de juventude.
É valorizar e apoiar entusiasticamente aqueles grandes projectos que, sabemos nós, eventualmente não chegarão a ver a luz do dia, porque a vida nos reserva sempre um belo ramalhete de surpresas e as coisas nem sempre correm como queremos mas mais como calha.
É, no fundo, termos a capacidade de pontualmente regredir emocionalmente para podermos compreender, gerar empatia e, através dela, não só comunicar efectivamente, ultrapassando a eventual barreira das idades, como também continuar a aprender…
Com o passar dos anos e as pedras do caminho, há quem tenda a azedar, a tornar-se arrogante intolerante, prepotente. Quem perca a flexibilidade de raciocínio, se prenda a tradições ou preconceitos sem futuro, se recuse a adaptar ás novas realidades de um mundo em constante mudança.
Tal como acontece com os músculos, a sua gana de viver parece definhar.
Tal como acontece com a pele as suas ideias parecem ganhar rugas e flacidez.
Tal como acontece com os órgãos, os seus raciocínios parecem começar a falhar.
Esses são os que se tornam velhos.
Basicamente, só não nos podemos deixar esquecer do que é a juventude.
Hoje fui deixar a cria à escola e no regresso fiquei sentada no carro, feita estúpida, agarrada que estava aos disparates dos meninos da Comercial.
A quem nunca os ouviu aconselho vivamente que o faça…
Pessoalmente, sempre que me locomovo de cu tremido, é na sua companhia.
Nunca deixa de me impressionar a boa disposição com que aqueles 4 começam o dia, ás 7 já estando a debitar parvoíces por entre musiquinha boa.
Chego a perguntar-me se serão humanos ou seres virtuais.
Como será possível manter aquele ambiente dia após dia, manhã após manhã? Será que nunca estão mal dispostos, carrancudos, ca neura?! Mistério…
A realidade é que, por isso mesmo, funcionam às mil maravilhas como anti-depressivo.
Quantas vezes não saí de casa meia nhónhó, acabrunhada pelo peso das chatices, sem grande ânimo para enfrentar um novo dia, e dei por mim a rir sozinha, feita parva, no meio do transito, com outros condutores a encarar-me como de tivesse ensandecido. Fico logo com outro espírito.
Noutras biaturas, em que não tenho poder sobre o bitão do rádio ouço, volta não volta, outros canais e garanto que não tem o mesmo efeito começar o dia com conversas sérias sobre temas sisudos.
A equipa da manhã goza de uma cumplicidade incrível, fazem pandã como poucos. Tudo lhes serve de desculpa para gozar um bocadinho, quer seja uns com os outros ou com o mundo em geral. Usam e abusam de jogos de palavras, fazem piadinhas tão depressa infantis como marotas, nada escapando ao seu espírito crítico e jocoso.
São sempre o máximo?! Não, claro que não, ás vezes têm menos graça, menos pujança. Têm dias melhores e dias piores, como toda a gente, mas são sem dúvida uma boa aposta no que diz respeito a boa disposição e sentido de humor.
E perguntam-me vocês porque estou eu praqui a fazer a apologia de um programa de rádio…
É simples, porque acho que é o tipo de coisas que nos fazem felizes.
Tudo verdade, as Manhãs da Comercial contribuem para a minha felicidade e acredito que para a de mais uns milhares de pessoas, a julgar pela sua página no Facebook. ;)
Aqueles anormais (isto dito com todo o carinho e respeito) transmitem (em sentido próprio…lol) diariamente uma positividade, uma boa onda, uma alegria tão contagiosas como a gripe das aves.
Costuma dizer-se que quem anda com um coxo, fica coxo… não tenho grandes dúvidas relativamente à influência do que nos rodeia, dos que nos rodeiam. Se estes forem má onda, pessimistas, carrancudos, dificilmente conseguiremos escapar ilesos ao clima de negatividade. O oposto é igualmente válido.
Obrigada, Vanda Miranda, Pedro Ribeiro, Nuno Markl e Vasco Palmeirim, por porem um sorriso na cara de tantos portugueses. Que haja muitos mais como vocês… ;)
Considero-me uma pessoa essencialmente racional.
Como não me canso de dizer, isto não tem nada a ver com as emoções, que continuo a sentir, mas com a forma como encaro a vida.
Basicamente, quer dizer que baseio as minhas acções, as minhas decisões, no raciocínio, numa análise das situações. Que sou sensível a argumentos lógicos, estatísticos, probabilísticos. Que tenho em conta os possíveis resultados da acção/reacção, causa/consequência, etc…
No entanto, e de certo modo contraditoriamente, tenho imensos feelings.
Quantas vezes estes não me dizem uma coisa, quando a razão me diz outra…
Por feelings entendam-se coisas que não consigo explicar, provar, ou sequer analisar.
Acontece, curiosamente, que acredito que estes sejam tão importantes nas nossas vidas como a utilização do cérebro, que tanto defendo.
Acho que tem a ver com aquilo a que chamamos fé.
Apesar de ter sido baptizada, dado que ninguém me perguntou a opinião sobre o assunto, não pratico qualquer religião. Tenho alguma noção dos princípios básicos de algumas delas e a sensação de que, no fundo, vão todas dar ao mesmo.
Também não sou imensamente dada a esoterismos, mantendo sempre um certo cepticismo.
Vivendo num país essencialmente católico estou evidentemente embebida, em muitos aspectos, da sua cultura. É bem capaz de me sair uma expressão do género “por amor de Deus…”, simplesmente porque as ouço desde que nasci e estão de certa forma alojadas no meu subconsciente.
Paradoxalmente então, a minha vida rege-se em grande parte por esses tais feelings que mencionei, aos quais costumo dar bastante crédito.
Numa conferência no TED, sobre expectativas, o orador afirma que, probabilisticamente, é uma estupidez monumental apostar em lotarias e afins.
Embora compreenda perfeitamente os seus argumentos e esteja de acordo com eles, continuo, semanalmente, a apostar no Euromilhões. Porquê?
Acho que, como costumava dizer-me uma pessoa, “é a hipótese do Anjo”…
Apesar de consciente de que a hipótese de ganhar alguma coisa que se veja é ridiculamente baixa, é uma realidade que acontece todas as semanas a várias pessoas.
Não jogo portanto com qualquer expectativa, não aposto o meu futuro nisso, não tenho ilusões de que seja por essa via que vá resolver os meus problemas financeiros.
Faço-o porque acredito que qualquer pessoa possa ganhar. Excepto se não apostar.
Da mesma forma, se qualquer outra coisa fizer intuitivamente sentido para mim, pratico-a. Abraço a ideia de que, se não parecer haver inconveniente, porque não experimentar.
Assim, do alto do meu “agnosticismo”, entrego-me a práticas teoricamente reservadas aos “crentes”.
Em momentos de grande aflição, costumo acender velas, por exemplo…
Porque o faço?! Não tenho a mais pequena ideia.
Acho que acredito que estas funcionem como um lembrete para o universo, de que estamos a transmitir energia positiva, ou talvez que sejam antes um veículo dessa mesma energia…
De cada vez que uma criança está gravemente doente, alguma pessoa em sérias dificuldades, etc, lá estou eu a acender velinhas.
No outro dia, vendo-me a acender mais uma, a minha cara metade perguntou-me se essa era para que um projecto fosse aprovado.
Não acendo velas a “pedir” resultados específicos, faço-o acreditando estar a contribuir para um desfecho favorável das questões que nos apoquentam, seja lá ele qual for.
Tenho também aquilo a que costumamos chamar “pressentimentos”. Sensações que me perseguem, coisas que se me apresentam como quase certezas, não tendo ainda acontecido.
A partir do momento em que me dei conta de que gostaria de viver nesta zona, por exemplo, não duvidei por um segundo de que isso fosse efectivamente acontecer, apesar de só me ter mudado muitos e longos anos mais tarde.
Tal como esta, há muitas coisas que tenho a sensação de “saber”, sem que isso seja efectivamente possível.
O mesmo acontece com pessoas… o meu âmago “sabe” coisas que ás vezes o meu cérebro é incapaz de processar. Excepto raríssimas excepções, venho geralmente mais tarde a compreender a minha primeira reacção ás mesmas. Tantas vezes, devido ao tal carácter racional e analítico, as contrario, para mais tarde dar a mão à palmatória.
Acredito do fundo do coração que, se tivermos boa onda, uma visão positiva do mundo, formos “boas pessoas”, atrairemos coisas agradáveis para a nossa vida. Que, apesar das pedras do caminho, o balanço será positivo.
Nem tudo é explicável, nem tudo faz sentido, nem tudo se pode provar.
Pessoalmente, acho que tudo acontece por uma razão mas não sinto necessidade de obrigatoriamente saber qual. Não preciso de justificar, perante mim própria ou terceiros porque acredito no que acredito, entrego-me, simplesmente.
Mas acreditar, acreditar com todo o nosso ser, seja lá no que for, é o que nos mantém coesos quando tudo o resto falha.
Há dias… semanas… meses… anos… que não nos correm nada bem.
Todos, volta não volta, passamos por períodos mais negros.
Problemas financeiros, de saúde, relacionais, etc, ás vezes ensombram-nos o horizonte, deixando-nos de rastos, sem fôlego.
Devemos questionar-nos sobre se estamos a fazer tudo o que está ao nosso alcance para resolver as coisas. Uma resposta positiva não nos trará no entanto, só por si, grande consolo. A nuvem continuará a pairar por cima das nossas cabeças.
Nessas alturas a tendência é encolhermo-nos num sentimento de autocomiseração. Quem não está bem, sente-se vulnerável e logo tende a fechar-se sobre si próprio, numa postura defensiva.
Se se derem ao trabalho de observar as pessoas à vossa volta na rua, facilmente identificarão algumas nesse estado de espírito.
Acredito no entanto que, para além das acções, a nossa postura perante na vida seja crucial. Quem se sente derrotado, mais facilmente o será efectivamente pelas contrariedades do caminho. Como se costuma dizer “a sorte favorece os audazes”… ;)
Sem querer ir tão longe, assumirmos uma atitude de “coitadinhos” é que não serve efectivamente para nada.
Fui descobrindo um que outro truque, que ajudam a ultrapassar o dano emocional que estas coisas nos causam:
Tentarmos esvaziar a mente de preocupações, em todos os momentos em que não podemos agir relativamente a elas.
As pausas são fundamentais, não só para poupar o fôlego necessário para enfrentar as provações, como para ganhar recuo e clareza de espírito.
Quem alguma vez, ao nadar, já se viu aflito para chegar a terra, terá certamente compreendido que parar para descansar pode ser a melhor forma de se aguentar à tona.
Estarmos constantemente a remoer as questões, não resolve nada e só nos irá desgastar.
Como dizia a Scarlet Ohara: “I can't think about that right now. If I do, I'll go crazy. I'll think about that tomorrow.”
Assumirmos baby steps. “Roma e Pavia não se fizeram num dia”…
Por muito que nos aflija e a quiséssemos ver para trás das costas de uma vez por todas, se a questão é complicada, não se irá provavelmente resolver de um momento para o outro, como por milagre.
Não convém olharmos para o topo da montanha, para não desmoralizarmos, mas para o que está imediatamente em frente ao nosso nariz, um passo de cada vez.
É preciso ter paciência, reconhecer pequenas vitórias, regozijarmo-nos com elas, encara-las como o princípio do fim da crise.
Compararmo-nos com pessoas com problemas semelhantes e tentarmos pôr-nos no seu lugar.
Mas olhando “para baixo”, nunca para cima, há sempre quem esteja numa situação mais complicada do que a nossa.
Believe it or not, a óptica do “partiste uma perna, ainda bem que não partiste as duas”, ajuda bastante. Não há nenhuma situação suficientemente grave que não pudesse ser mais grave ainda.
Se nos mantivermos atentos, em vez de nos fecharmos numa conchinha de self-pitty, facilmente nos daremos conta de que há quem esteja muito pior do que nós.
Talvez não sirva de consolo, mas serve garantidamente de bitola.
Dar valor ás coisas boas que ainda temos na vida, apreciá-las, realçar o seu papel.
Raramente tudo é efectivamente negro, as pessoas é que ás vezes se recusam a abrir os olhos para se dar conta disso.
Por muito mal que alguns campos possam estar, há de haver outros que nos podem de certa forma compensar, se lhes dermos a devida importância.
Quando estamos na fossa tendemos a desprezar, numa atitude quase masoquista, coisas que nos poderiam no fundo ajudar a ultrapassar essas fases mais difíceis.
“Não há mal que sempre dure, nem há bem que nunca acabe”
Ás vezes não vemos a luzinha ao fundo do túnel, mas devemos fazer por acreditar que daqui a uns tempos tudo não passará de uma dolorosa recordação.
Mesmo que não estejamos a ver qual seja, não há problemas sem solução, tudo se resolve.
Como?! Já dizia o dono do teatro do Shakespeare in Love: “I don't know. It's a mystery.”
Finalmente dei-me conta de que a postura física, propriamente dita, tem imensa influência.
Ás vezes, nestas alturas, damos por nós a andar quase que a arrastar os pés, curvados, de olhos postos no chão, com uma respiração curta e intermitente.
Endireitar as costas, encolher a barriga, levantar a cabeça, respirar profundamente… provocam uma sensação de confiança, de optimismo.
Mesmo que na prática possa não ser o caso, ficamos com a sensação de já estar a caminho da vitória.
“If you are going through hell, keep going! “
Winston Churchill
Disse que eu era má para os animais, por causa dos brinquedos que lhes tinha arranjado recentemente. Quando soube a razão da minha maldade fiquei muito mais descansada… ;)
Comprei para a nossa cadela, que destrói tudo quanto é bola que apanhe, uma bola de ténis gigante, que ela simplesmente não consegue morder. Fica doida a tentar abocanha-la sem qualquer sucesso e perante a impossibilidade acaba por brincar como o fazem os gatos, à patada. É hilariante.
Para os bichanos construi um brinquedo, uma caixa de madeira com tampa de acrílico, onde fiz dois buracos. Lá dentro meti umas bolas. É vê-los doidos a tentar tira-las de lá.
É verdade, sou um bocado traquinas, mas o pior que faço é dar-lhes uns piparotes na dignidade, nada de realmente grave… entre a traquinice e a maldade vai uma grande distancia.
Acontece que acredito que o riso seja profiláctico… já diziam as Selecções do Reader’s Digest, que “rir é o melhor remédio”.
Desde que me lembro de ser gente que sempre vivi rodeada de humor, há famílias assim, não sei viver de outra forma, está-me no sangue. Bocas, piadas, partidas e brincadeiras sempre fizeram parte do meu dia a dia, tanto nos momentos bons como até ás vezes nos maus. Sempre que penso no meu pai, vejo-o com um sorriso malandro nos lábios, com ar de quem "já a fez ou está para a fazer", era assim que ele era. ;)
O simples esboçar de um sorriso tem o mesmo efeito que a válvula de escape de uma panela de pressão. Há situações em que nos perguntam “ e tu ris-te?!”… mais vale rir do que chorar, o que ás vezes é a alternativa. Se é verdade que acredito que o choro também possa ser libertador, tendo escolha, prefiro sempre a primeira opção.
Rir a bandeiras despregadas, rir até temer fazer xixi nas calças, pode ter efeitos semelhantes aos de um orgasmo. Partilhar o riso com alguém, partilhar boa disposição, é um acto de empatia, de cumplicidade, que deixa um calorzinho bom.
Considero o sentido de humor uma das características mais importantes do ser humano, sem o qual a vida seria muito enfadonha. A sua perda é para mim um muito grave sinal de alarme.
Podemos utiliza-lo em qualquer situação, em qualquer modalidade, tanto com amigos como com perfeitos desconhecidos. O humor, para quem o partilha, faz baixar a guarda, relaxar, sentir-nos em sintonia.
Tal como tantas outras coisas, tem evidentemente de ser acompanhado de bom senso e sentido da oportunidade. Há sem dúvida anedotas sem graça, piadas despropositadas, brincadeiras de mau gosto.
É também um bocado como usar chapéu, há quem saiba e quem não saiba (que é o meu caso… lol) e quem não sabe sente-se, e fica efectivamente, mal com eles enfiados na cabeça. Não há dúvida que só devemos praticar aquilo com que nos sentimos confortáveis.
Há uma cena que adoro, no “Casamento do meu melhor amigo”, em que a Júlia Roberts, muito bitch, “obriga” a Cameron Diaz, que disso tem pavor, a cantar um Karaoke.
A desgraçada fica para morrer, mas vejam como acaba a cena, quando se dá conta de que afinal o embaraço não é fatal. ;)
Há infelizmente (para eles) muita gente que padece da sua falta, pessoas que se levam demasiado a sério, que têm um terrível medo do ridículo, que não sabem rir de si próprias. Tal como disse um tal de George Saintsbury, ilustre escritor de que nunca tinha ouvido falar (lol); “Nothing is more curious than the almost savage hostility that humor excites in those who lack it. “
Rir só me parece trazer benefícios, não conheço ninguém que se tenha prejudicado por ser bem disposto. Se a vida for levada demasiado a sério torna-se pesada, difícil de suportar.