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quarta-feira, 17 de junho de 2015

A tatuagem



As opiniões divergem enormemente no que respeita a tatuagens.
Há quem as abomine, as considere tremendamente ordinárias, não consiga sequer entender como é que alguém, voluntariamente, se marca assim para a vida. Há quem as adore, as considere uma forma de arte, faça umas atrás das outras até cobrir o corpo com elas. Entre uns e outros,  mais de cinquenta tons de cinza... ;)

Pessoalmente gosto muito e andei anos a considerar fazer uma.
A primeira coisa que tatuei foi a assinatura do meu pai, na nuca. Achei original e gostei da ideia de ser “uma obra assinada”. lol
Demorei tanto tempo a decidir-me que, apesar de ter chegado a falar disso com ele, só a fiz cinco anos depois da sua morte.
Tenho pena, ele teria achado graça…




A escolha do sítio não foi no entanto fantástica, dado que uso geralmente o cabelo relativamente comprido, ficando portanto tapada, e que pessoalmente só a consigo ver ao espelho e ainda assim com dificuldade.
Fiquei portanto, muito rapidamente, com vontade de fazer outra.

Fazem-se tatuagens de todos os géneros e em todos os sítios do corpo.
Há quem opte por desenhos humorísticos (o meu pai costumava dizer, na brincadeira, que se fizesse uma tatuagem seria uma mosca debaixo do dedo grande do pé…lol), quem faça escolhas mais "artísticas" e quem prefira citações ou dizeres… Há quem se tatue para disfarçar cicatrizes, para homenagear alguém ou para se lembrar de algo. Há quem escolha sítios bem visíveis e quem se tatue onde não chega o sol.
Todas as opções relativamente a uma tatuagem são “pessoais e intransmissíveis”…  

Aquilo que geralmente mais confusão faz às pessoas é o seu carácter permanente, nunca ouvi ninguém criticar a colocação de uma tatuagem provisória. E como são no entanto potencialmente perigosas
É uma ideia que não me intimida, tenho várias outras marcas indeléveis, mais conhecidas por cicatrizes, cuja localização e forma não tive sequer a liberdade de escolher e que não me incomodam minimamente.
O “para sempre” é, para além disso, hoje em dia relativo, dado já se apagam tatuagens com bastante sucesso. Se bem que apesar de ser reconfortante a noção de que no limite é possível, fazer uma considerando apaga-la é como casar-se já a pensar no divórcio. ;)

Não encaro no entanto o assunto de ânimo leve, o que não falta por aí é gente arrependida das tatuagens que fez, não me imagino a fazer uma tatuagem de impulso.

Assim, durante seis anos, pensei e repensei os seguintes factores.
Localização
Para mim, uma tatuagem tem de ser “escondível”, tenho de ter a possibilidade de não a mostrar se não quiser. Para além disso, tem de ser num sítio em que não fique horrenda com as inevitáveis transformações do corpo ao longo dos anos.
Estética
Uma tatuagem é para mim um “adereço fixo”, é suposta embelezar harmoniosamente a parte do corpo quem que é colocada, como se de uma peça de bijutaria se tratasse.
Significado
Fartei-me de rir, com um Calimero a […] à abelha Maia, que vi no portfolio da casa de tatuagens onde fiz as minhas. No entanto, por muito que aprecie o sentido de humor, era  incapaz de fazer algo do género, para mim é necessário que tenha um forte significado.

Tive grandes hesitações relativamente ao sítio, passei muito tempo na net à procura de inspiração, fiz esboços e mais esboços  com variadíssimas hipóteses, até que um dia acordei com a certeza do que queria. Desenhei toscamente a coisa, cravei a mana para fazer um desenho decente e marquei para logo que possível.

Eis o seu significado para mim:
Espirais – símbolos aquáticos, representando os ciclos de vida, o crescimento/desenvolvimento/evolução, a mudança permanente. A consciência de que a nossa vontade tem a força das ondas. Um lembrete de que muitas vezes temos de persistir, de insistir, de repetir vezes sem conta até chegarmos ao resultado pretendido. O caminho da consciência exterior para o nosso eu interior, a essência do que somos.
Simbolo do infinito – de novo o ciclo da vida. A ausência de limites, uma infinidade de possibilidades, escolhas e decisões. “What goes around, comes around”, na vida recebemos o que damos. A consciência da nossa pequenez e total falta de importância no “grande cenário”. A noção de que existem “universos paralelos”, de que há pessoas que vivem realidades completamente diferentes da nossa.

Adoro a minha nova tatuagem… :)









COM MÚSICA

segunda-feira, 2 de junho de 2014

O corte



Hoje vou escrever sobre cortes de cabelo, para a semana sobre unhas de gel e na seguinte discutirei vários métodos de depilação.
Nááá...
lol
Mas o tema de hoje mantém-se. ;)
A vida é feita de pequenas coisas, pelo que preciosas lições se podem retirar de questões aparentemente triviais. Vou portanto aproveitar a minha recente saga capilar para partilhar convosco algumas reflecções. 

Todos temos em casa espelhos deformantes, raramente conseguimos um olhar realmente isento sobre nós próprios. Quando o ego está em alta achamo-nos o máximo, se sofremos de falta de auto-estima começamos a comparar-nos com o Smeagol
A realidade é que as aparências são como os interruptores, umas vezes para baixo, outras vezes para cima. Até as mediáticas beldades têm momentos de fugir, nós é que geralmente não os vemos. 
Dizia Schopenhauer que "a mulher é um animal de cabelos compridos e ideias curtas" o que no meu caso foi uma realidade desde que me lembro de ser gente. 
Bem, pelo menos no que diz respeito aos cabelos. 
Assim, ne me prenant pas pour de la merde (pardon my french) era grosso modo esta a imagem que geralmente o meu espelho reflectia. 



As desgraçadas das maquinas fotográficas começaram no entanto, cada vez mais, a apresentar-me uma realidade bem diferente e bastante menos lisonjeira…


Parece-me fundamental irmos mantendo, ao longo da vida, uma boa noção daquilo que somos, dos nossos atributos, das nossas características, tanto físicas como intelectuais. Essa consciência é essencial para que possamos ir sempre melhorando o que for possível trabalhar. 
Uma das coisas relativamente às quais tendemos a fazer-nos desentendidos é a idade, ninguém gosta de se sentir a envelhecer. Arriscamo-nos no entanto a enfrentar o ridículo se nos recusarmos a assumi-la. 
Uma mulher madura mascarada de Pipi-das-meias-altas é patético. Assim o são aos meus olhos aquelas "Barbies enrugadas" (esta paga direitos de autor) que aparentam ter assaltado o roupeiro das filhas. 
Do mesmo modo, o look Lady Godiva não me parece de forma alguma adequado a aspirantes a velhas. Aliando essa conclusão a uma necessidade de mudança, de perder peso, em sentido próprio e figurado, decidi-me a fazer um corte de cabelo radical. Ou pelo menos julgava eu na altura mas tanta água iria ainda correr... lol
Foi assim com este visual que celebrei o meu quadragésimo nono aniversário. 


Fiquei bastante satisfeita, confesso. O peso que me saiu das costas contribuiu  para me levantar o moral e ajudar a recuperar forças para enfrentar esta vida, que não anda nada fácil. 
Gostei tanto que, pouco tempo depois, toda afoita voltei a cortar...
Foi o primeiro erro. 
Depois de passada a magia do cabeleireiro, o comprimento demasiado curto passou a devolver-me a seguinte imagem, assombrando o meu espírito com visões da tia-bisavó Mariquinhas num dia mau.


Tomei então a segunda decisão idiota do ano, decidindo alisar o cabelo. 
Alisar implicava corte, corte quer dizer encurtar, cabelo curto, como já expliquei, nunca foi a minha praia. Estava assim digamos que um pouco nervosa. 
Fiz então a terceira asneira (vou deixar de as contar porque foram umas atrás das outras) que foi confiar no cabeleireiro e deixar-lhe, até certo ponto, a liberdade do corte.
Tenho duas características que frequentemente não jogam nada a meu favor. A primeira é uma enorme vontade de agradar, a segunda uma dificuldade irracional em resistir a desafios. 
O cabeleireiro em questão sendo meu amigo, mais razões ainda tinha para querer agradar. Por outro lado, desafiou-me a confiar na sua tesoura, com o argumento (perfeitamente válido, convenhamos) de que o cabelo cresce.
Saí assim de lá com este visual. 


Céus, o tamanho do meu nariz, credo. Dizem que nariz, orelhas e pés não param de crescer ao longo da vida, se assim fôr não tarda mudo o nome para Cyrano. Passons...
Não ficou mal, convenhamos que não ficou mal de todo. 
Não tem nada a ver comigo, com a minha personalidade, não sou uma pessoa certinha, arrumadinha, compostinha... sou esgrouviada, selvagem, rebelde, irreverente... mas não ficou mal, acho que conseguia viver uns tempos dentro daquela cabeça. 
Isto, claro está, se fosse gaja...
Fazia a depilação, pintava as unhas, pegava na escova e no secador e montava aquela bolinha impecável à volta do crânio. Acontece que me dá a volta à tripa perder o meu precioso tempo neste tipo de actividades. 
Assim, sem mais trabalho do que lavar o cabelo e deixar secar ao ar, fiquei então com este aspecto. 


Lindaaa... parece que fui lambida por uma vaca!
As coisas não me estavam nitidamente a correr de feição e, para quem tencionava elevar o moral, digamos que o tiro saiu pela culatra. Comecei a ver a minha vida a andar para trás. 
Decidi voltar ao local do crime e pedir-lhe para dar um jeito à coisa. Passei largas horas na net, a estudar cortes, e muni-me de fotografias exemplificativas, tendo o cuidado de lhes apagar as carinhas para não baralhar, pois um coirão como eu nunca poderia ficar com a pinta daquelas brasas. 


Não, não era nada disto em que estava a pensar, não. Ele próprio não ficou satisfeito. Saí de lá em choque, frustrada, revoltada, a considerar como iria fazer para encarar aquela cara de cu de cada vez que lavasse os dentes. 
Estava atordoada, baralhada, as várias senhoras que passaram pelo salão enquanto lá estive saíram com cortes que lhes ficavam a matar. Entrei numa de "porquê eu?!"...
Cheguei então à conclusão que cortar cabelos é como fazer sexo com alguém. Pessoalmente acredito que não há bons nem maus amantes, há química, entendimento, pessoas que se encaixam, que compreendem o que o outro quer, do que gosta... É pessoal e intransmissível e é ridículo zangarmo-nos quando não funciona.
Assim, consciente que daqui para a frente não poderemos ser mais do que amigos (lol) e aproveitando o facto de ter ido para fora, pus-lhe descaradamente os cornos e lá se foram mais uns quantos centímetros de cabelo. 


E pronto, é este o meu new look no fim de toda esta saga…
Sim, parece que acabei de ter alta do asilo, onde andei a levar electro-choques.
Perante os consecutivos ataques da tesoura foi o melhor que se arranjou e pelo menos agora o invólucro tem a ver com o que se passa lá dentro.
As reacções têm sido diversas, à maioria parece agradar, outros fazem um sorriso amarelo e dizem diplomaticamente "estás tão diferente".
"Opinions are like assholes, everyone has one." ;)
Mas o que realmente importa é que me sinta bem na minha pele.

Foi um longo caminho para aqui chegar. Algumas das pessoas que acompanharam este mini-drama não compreendiam porque continuava a insistir, sobretudo porque quem me conhece sabe que não ligo muito a estas coisas. A realidade é que senti nitidamente uma perda de identidade, não me identificava de todo com a imagem que reflectia. Estou agora fisicamente muitíssimo diferente do que sempre fui, mas sinto-me eu, e isso é o que realmente importa não se estou bonita ou feia pois qualquer um de nós vai alternando entre os dois, independentemente do corte de cabelo. 




COM MÚSICA

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Um pedacinho de paraíso.



Apesar de o nosso pai já ter morrido há muitos anos, só agora distribuímos a herança.
Palavra que desperta o nosso imaginário infantil, fazendo-nos pensar em Ferraris, mansões, diamantes e Picassos.
A maior parte delas não são no entanto tão exuberantes… ;)
Por muito que não tenha sido propriamente um euromilhões, a minha permitiu-me no entanto fazer uma coisa que não fazia há muitos anos: respirar.

Comecei por reabilitar uma casa a dar já nítidos sinais de decadência, concertando ou substituindo tudo o que estava a “rebentar pelas costuras”, num que outro caso em sentido próprio.
Decidimos fazer uma viagem para lavar a alma pois há anos que não saíamos deste nosso jardim à beira mar plantado.
O que sobrou, ditava a prudência que o pusesse de lado para poder continuar a dormir com alguma tranquilidade.

Acontece que estamos a falar da matéria que o meu pai nos deixou aqui na terra… esbanja-la toda em coisas tão efémeras e no fundo insignificantes, confesso que me estava a fazer alguma confusão.
Decidi então criar algo de mais duradoiro, de mais sólido, algo que de certa forma o trouxesse mim quando me lembrasse que era graças a ele que o tinha.

Quando saímos de casa por algum tempo costumamos deixar fechados os estores, mergulhando-a em escuridão. Deixamos as plantas numa “marquise” que é praticamente o único sítio que fica com luz.
No verão passado tínhamos mais do que é habitual e quando as lá fui depositar fiquei maravilhada com o ambiente naquele mar de verde.
Nesse momento, que nem Andie MacDowell no Green Card, decidi que um dia haveria de ter uma estufa, nem que para isso tivesse de me casar com um francês narigudo…
A herança permitiu-me assim escapar a esse terrível destino. ;)

Entre a ideia e a sua concretização surgiram evidentemente muitas dúvidas. Não é propriamente como se o dinheiro não nos fizesse falta. Não é no entanto também como se nos fosse salvar o coiro.
Soubera eu o que estava a gerar que não teria tido um único segundo de hesitação, o nosso Jardim de Inverno tendo aumentado em mil por cento a minha qualidade de vida.

A nossa zona é extremamente ventosa, poucos são os dias que dão para realmente curtir o espaço exterior. Assim, o nosso pequeno jardim acabava por servir mais de papel de parede (ao qual é necessário cortar a relva e apanhar as ervas daninhas, ainda por cima) do que de real espaço de lazer.
Ao fazer uma estrutura em vidro à frente da sala, ficámos com uma antecâmara para o mesmo, passando assim a poder goza-lo sempre que há um raio de sol, verão ou inverno.

Este pequeno espaço paradisíaco é uma verdadeira ode aos sentidos. O ambiente feérico que proporciona a luz filtrada pelo verde das plantas, o cheiro a terra húmida e a jasmim de madrugada, o burburinho da água  no minúsculo lago ou os pássaros a cantar, tudo leva a um estado de paz e profundo bem-estar.

Quer seja durante o dia a ler um livro na rede ou a tricotar na espreguiçadeira, ou de noite, a beber um copo á luz das velas tremelicantes e aromáticas, sinto-me sempre bem. Almoçamos lá, jantamos lá, tomamos lá o pequeno almoço. Sempre que posso refugio-me lá, aproveitando cada minuto, cada segundo, cada intervalo.
Sozinha ou acompanhada, em família ou entre amigos, o ambiente é sempre mágico. Parece que aquele Oasis, como lhe chamaram, transmite boas vibrações.
Cinco minutos lá dentro (ou será que deveria dizer lá fora?!) e fico outra, regenerada, carregada de energia positiva, de serenidade, de paz de espírito.

Férias de sonho, destinos paradisíacos?!
Sim… mas passa tão rápido e sentimo-nos tão de passagem…
Este meu capricho (?!) fez com que o sítio onde me apetece mais estar de férias é mesmo em casa. Este sitio idílico tem o que nenhum resort de luxo em Bora Bora alguma vez terá, tem um pedaço de mim.

Podia ter este dinheirinho no banco para aconchegar os fins de mês?! Podia sim senhores. Era mais feliz se o tivesse lá? Duvido… duvido muito.

Carpe Diem


Obrigada, pai!!! :)

COM MUSICA
Enya - Amarantine

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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Encruzilhadas

COM MÚSICA



Todos os dias fazemos escolhas, optamos por isto ou por aquilo… referem-se normalmente a pequenas coisas, o que vestir, o que fazer para o jantar, que caminho seguir para evitar o trânsito.
Volta não volta, no entanto, somos confrontados com decisões que poderão mudar radicalmente o curso da nossa vida.
São momentos tão cruciais como terríveis.

A dura tarefa é facilitada quando a decisão depende maioritariamente do raciocínio lógico, bastando assim uma análise cuidada da situação para se poder chegar a conclusões.
A coisa muda completamente de figura quando estão envolvidas emoções.
Nesses casos, encontrar o tal equilíbrio entre a razão e a emoção, fundamental para que possamos efectivamente ser felizes, não só se transforma numa tarefa titânica como gera normalmente muitíssimo sofrimento.

Nessas alturas desejamos que existissem bolas de cristal, que nos pudessem dar uma ante-visão dos resultados e consequências de cada uma das opções. Gostaríamos de poder de alguma forma tirar uma prova dos nove, de ter acesso a algum método de decisão infalível. 
Infelizmente, a não ser que ponhamos o nosso futuro nas mãos de cartomantes e videntes, nada disso será possível.

Opostamente ao nosso desejo e para mal dos nossos pecados, aquilo com que temos de lidar é com pontos de interrogação, dúvidas, incertezas, dilemas. Sentimo-nos em terreno pantanoso, a tentar andar por cima de areias movediças, com uma sensação de “loose, loose, situation”… para onde quer que olhemos só conseguimos visualizar a perda, aquilo de que iremos abdicar se optarmos pelo outro caminho.

Não há soluções fáceis, não há receitas milagrosas, não há truques que ajudem a ultrapassar as situações saltando levemente de nenúfar em nenúfar… estes momentos são sempre barra pesada e não há nada a fazer quanto a isso. A única coisa que poderemos tentar é não perder a cabeça, por forma a minimizar eventuais estragos.

A indecisão dilacera, e a dor às vezes é tão grande, parece-nos tão insuportável, que só queremos desesperadamente que passe, precipitando assim impetuosamente as decisões. Comparando com o lado físico, dói-nos tanto o dente, que só queremos tomar um analgésico, estando-nos nesse momento nas tintas para se este nos pode provocar uma úlcera no estômago.
A realidade é que o melhor conselheiro é geralmente o tempo.
Se tomarmos decisões simplesmente para tentar fugir ao sofrimento, à angústia, à ansiedade, que as situações não definidas provocam, o mais provável é que passemos algum tempo a andar para trás e para a frente.
Só conseguiremos viver em paz com o caminho escolhido quando se tiver dado um clic e os clics não obedecem a prazos.

Por outro lado, havendo emoção à mistura, esta tentará sempre falar mais alto. Quando o coração se põe a bater com força parece que o barulho nos impede de pensar.
Nessas alturas só conseguimos considerar o aqui e agora, não querendo sequer pensar na hipótese de nos poder sair o tiro pela culatra.

Há quem viva bem assim, navegando ao sabor das emoções. 
Acontece no entanto frequentemente que o que hoje nos parece tão bom se transforme amanhã num belo pesadelo. Os indícios normalmente até estão lá desde o início e tudo, nós é que preferimos não os ver. É impressionante como escolhemos calar as dicas da intuição quando estas não nos agradam.

Por outro lado, a partir de certa altura, damo-nos conta de que a nossa vida não é só nossa, parte dela pertence aos que partilham o nosso caminho. As nossas decisões, sejam elas quais forem, irão assim ter um impacto directo nas suas vidas.
O mundo é um grande emaranhado de relações inter-pessoais.
Viver em função dos outros, sejam eles quem forem, é na minha opinião um erro.
Não os ter em consideração, também.
Como tal, impõe-se uma noção de responsabilidade e o recurso a toda a sensatez que consigamos encontrar dentro de nós.  

Se formos completamente verdadeiros, com nós próprios e com os outros, por muito que isso nos possa custar, as coisas serão na realidade mais fáceis. Estas questões já são suficientemente difíceis de destrinçar, de encarar, sem que tenhamos de acrescentar factores externos que as venham complicar mais ainda. Se chamarmos os bois pelos nomes, se pegarmos o touro pelos cornos, se não taparmos o sol com a peneira, chegaremos muito mais facilmente a conclusões.

Costuma-se dizer que só nos arrependemos daquilo que não fazemos…  subscrevo… só me parece no entanto válido para as decisões tomadas com base na cobardia, no medo de enfrentar um futuro desconhecido que, por alguma razão, na altura nos assusta.
De resto, certezas nunca as teremos, e há que viver com as consequências das nossas escolhas. 
Se as tivermos feito em consciência, dando ouvidos tanto à razão como ao coração, abraçaremos em paz o caminho que escolhemos e conseguiremos olhar com serenidade e sem arrependimento ou azedume para o que não seguimos.


quarta-feira, 20 de outubro de 2010

"Diferenças irreconciliáveis"

COM MÚSICA


A vida sendo uma caixinha de surpresas, nem sempre as coisas correm como esperávamos… não devemos tomar nada como garantido.
As relações entre as pessoas são complexas e ás vezes, tal como o leite, azedam.

A vida é demasiado curta para que a desperdicemos em relações que de bom nada nos trazem. É então necessário ter coragem para mudar aquilo que podemos mudar e serenidade para aceitar o que não podemos.
E se há algo que não podemos mudar, são os outros.

A maior parte dos nossos relacionamentos sendo voluntários, apesar de tudo o que isso possa implicar, somos livres de sair deles.
Abre-se talvez uma excepção para os laços de sangue, ou deveria talvez dizer “algemas de sangue”, pois esses não escolhemos, saem-nos na rifa.

A relação com os outros, quer queiramos quer não, tem uma enorme influência nas nossas vidas. As que são harmoniosas trazem-nos paz e bem estar e as difíceis, angústia e desconforto. Qualquer uma nos afecta na medida do tempo a que a ela estamos expostos.
Assim sendo, deixando de parte a família que não é para aqui chamada, as que mais nos tocam são as relações amorosas e de amizade.

Quando deixamos alguém entrar na nossa vida, devemos aceita-lo como um todo. Não podemos “comprar” só as partes que nos agradam. Ninguém sendo perfeito, cabe-nos perceber se o podemos e queremos fazer.
E aqui entramos em terreno pantanoso.

Para começar, antes de realmente conhecermos alguém… não o conhecemos. Lapalissade, sem dúvida, mas muito relevante.
As pessoas encetam relacionamentos devido à empatia, a algo que as atrai umas para as outras, no entanto só o tempo e a experiência partilhada as dão efectivamente a conhecer umas ás outras.
Por outro lado, as pessoas mudam e ninguém nos garante que a que conhecemos hoje vá manter-se a mesma amanhã.

Um relacionamento pode começar por ser empolgante, gratificante, agradável e algures ao longo do caminho definhar. É triste mas não inédito.
Não estou a falar em problemas que possam surgir ao longo do percurso, nada mais natural do que um atrito aqui ou ali, um desentendimento, uma falha de parte a parte, esses acabam por se resolver de uma forma ou de outra.

Há uns anos escrevi um post que me voltou agora á memoria, sobre os sintomas que nos podem levar a abandonar um barco… é a isso que me refiro agora. Àquela sensação de que “algo está podre no reino da Dinamarca”.
Um dia dá-se um clic, cai uma gota de água, e torna-se claro para nós, mesmo que não o seja para o outro, que a relação já nada tem de positivo.

E quando isso acontece sou apologista do ponto final.
Todos conhecemos casos em que as coisas se arrastam, doentes, moribundas, durante o que parecem séculos. Não é, sem dúvida, fácil dar o passo.
Representa normalmente tanta mudança nas nossas vidas que se torna assustador, altera rotinas, implica terceiros, obriga-nos a pôr muita coisa em perspectiva.

Quando o fazemos sentimos um misto de alívio com profunda tristeza, pois por alguma razão nos envolvemos, por alguma razão deixámos crescer a relação.

Um erro comum é querer encontrar maus da fita, na vida real há poucos heróis ou vilões.
Cada um é como é e não nos cabe apontar o dedo, da mesma forma que não somos obrigados a apreciar ou aprovar.
Outro típico tiro ao lado é tentar induzir terceiros a tomar partidos. Cada relação é única, pessoal e intransmissível. O que é válido para nós pode não o ser para os outros, deixa-los de fora das nossas questões é não só uma questão de civilidade como de bom senso.

Até reencontrar-mos algum equilíbrio, até recuperarmos alguma paz de espírito, passamos por momentos difíceis, em que a situação acaba por estar sempre presente no nosso espírito, em que tudo nos parece lembrar a pessoa em questão.
Depois o tempo acaba por ter o seu efeito curativo, a dor vai-se atenuando, sendo inclusivamente possível voltar eventualmente um dia a conviver civilizadamente nos mesmos meios.

domingo, 23 de maio de 2010

E viveram felizes para sempre...

COM MÚSICA

Para sempre?!
Bem… o amor é eterno, enquanto dura… ;)

Eu pessoalmente não acredito muito em sempres nem nuncas.
Na vida nada é garantido, ao longo do percurso muita coisa pode acontecer.

Durante a adolescência, não se pensa muito nestas questões. Vive-se o momento, a maior parte das vezes ardentemente, tanto física como emocionalmente. A vida é geralmente simples, sem grandes compromissos ou responsabilidades. Por muita importância que possam ter, os namoros são uma coisa acessória, não fazem parte integrante do nosso dia a dia. A nossa casa é a casa dos pais, são eles que mandam, as grandes decisões são eles que as tomam, nós limitamo-nos a contesta-las volta não volta. Ficamos felizes se pudermos passar uma noite com o ser amado, achamos normalíssima a raridade com que isso acontece.

Conforme vamos ficando crescidinhos o caso muda de figura, mais tarde ou mais cedo surge a questão do juntar trapinhos



Nos primeiros tempos das nossas vidas de adultos, isso tende a traduzir-se em casamento, com ou sem papel passado, mas na versão clássica da coisa.
Se há alguns sortudos que se ficam por aí, a maior parte irá passar por um que outro flop.
E com os insucessos vem a insegurança, o receio de arriscar, gato escaldado, como se costuma dizer…
O resultado é que se passa a utilizar mais a cabeça, o que não é obrigatoriamente mau. ;)

No início de um envolvimento amoroso, tal como na adolescência, simplesmente não se pensa.
No entanto, a partir de certa altura, começa a tornar-se evidente se a coisa está destinada ao sucesso ou ao fracasso.
No segundo caso, mais cedo ou mais tarde, irá morrer naturalmente.
No primeiro é então preciso definir o que queremos exactamente da relação e as opções são muitas.

Todos conhecemos variadíssimos casos de aparente sucesso.
Desde casamentos tradicionais a casais que vivem em países diferentes. Pessoas que optam simplesmente por ter cada um a sua casa e encontrar-se de vez em quando. Até casos em que os membros de um casal mantêm uma condição de semi-celibato continuando a ter relações extra-conjugais assumidas.
Cada um sabe de si…
A realidade é que o conceito de casal já não é o que era.

Livres do estigma social, as pessoas decidem da sua vida conforme as suas necessidades e o que faz mais sentido para elas. Basicamente, hoje em dia, juntar ou não trapinhos tem mais a ver com o lado pratico da coisa do que com o que sentem um pelo outro.

Depois do se põe-se a questão do quando… e aqui muitos vacilam, esperam por um sinal divino de que seja a decisão acertada, procuram certezas que nunca irão ter.
Se largar tudo e partir cegamente para uma vida a dois ao primeiro batimento cardíaco acelerado é, na minha opinião, uma atitude um bocado kamikaze, o esperar demasiado é uma perca de tempo. Se a coisa parece ter pernas para andar é fazer-se ao caminho.

Ai, mas e se a coisa dá para o torto?!
A coisa pode sempre dar para o torto… a coisa pode dar para o torto ao fim de muitos anos.
É uma questão de nos protegermos, de não nos iludirmos com contos de fadas e mantermos os pés na terra. Quem não arrisca não petisca, cada um terá de ter em conta o que está a por na mesa e se está realmente disposto a fazê-lo. Cada um aposta naquilo em que acredita, no que o seu instinto lhe sugere. Cada um se envolve e se entrega na medida do que é capaz.
E a mais não é obrigado… ;)


quinta-feira, 13 de maio de 2010

O mostrengo

COM MÚSICA

O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
A roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar


A minha recente experiência de navegação, ao leme de uma casquita de noz com cerca de três mil e setecentas pessoas, leva-me á interrogação de como que raio será possível governar um país… deve ser um verdadeiro pesadelo. lol

Há quem lhe chame “o teu site”… confesso que se me eriçam os pelos dos braços, mais depressa seria eu dele do que o contrário.
Tenho-me sem dúvida dedicado a ele de corpo e alma mas sem qualquer sentimento de posse.
Acredito que seja a chave do seu sucesso, é de todos e não é de ninguém.

Nesta óptica tenho tentado ser democrática na sua gestão.
Sempre que surgem questões polémicas, relativas a decisões a tomar, abro votações e fóruns de discussão…
Temos uma abstenção que ronda os 95%. lol
A maior parte dos membros não o frequenta regularmente e suspeito que nem sequer tenha activada a funcionalidade de receber as mensagens que envio para todos.
Alguns simplesmente não querem saber.
Os outros dão-me água pela barba… ;)

A amostragem que temos é já suficiente para que haja um pouco de tudo.
Por entre os que se interessam em partilhar o seu ponto de vista, temos gente com posições tão díspares como o dia e a noite. A realidade é que há mesmo muitas opiniões possíveis relativamente a um mesmo assunto e nem todos sabem discuti-las pacificamente.

A primeira coisa que observo é que frequentemente lêem o que escrevo na diagonal…
Tento sintetizar o mais possível, apresentar as coisas com clareza, passo horas a escrever e reler cada comunicação, mas há sempre quem leia alhos nos bugalhos que transmito.

Como referi, costumo abrir fóruns de discussão sobre os temas… pois no entanto há sempre imensa gente que prefere comunicar-me a sua opinião em privado, facto que ainda não consegui compreender tratando-se de assuntos “públicos” e relativamente aos quais quanto mais se partilhar melhor para se tentar chegar a consenso.

A maior parte dos que se manifestam têm geralmente opiniões formadas sobre os assuntos.
Dou-me no entanto conta de que alguns não fazem a mínima ideia do que estão a falar, demonstrando uma total ignorância sobre o funcionamento e funcionalidades do site e sugerindo consequentemente soluções de bradar aos céus.

Tipicamente há sempre uma mão cheia de pessoas que toma as coisas a peito interagindo frequente e activamente nas discussões. Tipicamente são essas mesmas pessoas que acabam por me “acusar” de excesso de democracia. lol

A realidade é que, não sendo possível submeter a votação todos os detalhes de uma questão, há sempre coisas que terei de decidir por mim. Não é fácil. Tento ser ponderada, sensata, usar de inteligência… mas não deixo de ser humana estando portanto sujeita a erro. E uma vez as decisões tomadas, há sempre quem ache que cometi algum, não se pode agradar a Gregos e a Troianos.

Finalmente, como se tem verificado em várias ocasiões, apesar de se comprometerem, muitos não irão cumprir. Tal como a tia do Solnado, os nossos membros gostam muito de dizer coisas… mas entre o dizer e o fazer vai uma grande distância. As sondagens, votações e inscrições valem o que valem, ou seja, não valem grande coisa. lol

Tudo isto se resume numa valiosíssima lição de vida e num treino sem igual.
Graças a este meu “cargo” tenho aperfeiçoado competências na área da gestão e organização mas também da diplomacia, da tolerância, do controle de emoções.
Mas tenho-me sobretudo dado conta de que, desde que as coisas sejam feitas com o coração, com firmeza mas sem prepotência, com empenho, honestidade, frontalidade e transparência, apesar das diferenças, tudo acaba por se resolver.

Como alguém tão bem disse:
“… este site é literalmente uma CASA. Podemos ter idades diferentes, recordações diferentes, amigos diferentes, há quem cá venha mais, quem venha menos, mas para grande espanto do resto do mundo, somos membros da mesma "família". /…/ Não venho cá muito, mas gosto de saber que este canto existe e não há outras paredes onde estes retratos todos fiquem tão bem...”

;)

terça-feira, 9 de março de 2010

Que fazes tu?




Aqui à tempos recebi um mail, de um membro do nosso sitezinho, a informar que tinha começado a dedicar-se à pintura de casas e execução de diversos trabalhos de bricolage…
Achei giro, reencaminhei-o e guardei-o para se um dia precisar dos seus serviços.
Qual não foi o meu espanto, ao  receber um que outro comentário,  em que a ideia de fundo era “isto anda mesmo a saque, até os ex-LF (uma verdadeira elite, como todos sabem…lol)  já andam a pintar paredes…”

Não conheço bem a pessoa em questão, vi-o duas ou três vezes ao vivo e a cores e trocámos algumas palavras no site. Posso evidentemente estar enganada mas, aparenta ser uma pessoa alegre, bem disposta, positiva, em paz com a vida.
Também não sei qual será a sua situação financeira mas, longe de me parecer uma atitude desesperada (a “aviltante” decisão de pintar paredes… credo) senti um verdadeiro gozo pela actividade, mais uma vez posso estar enganada…

A maior parte de nós precisa de trabalhar para viver…
Em termos de “mercado de trabalho” existem dois extremos; os que, por variadíssimas razões, não têm outra hipótese senão agarrar-se ao que vier à rede e aqueles que, tendo-se apaixonado por uma profissão, abraçam uma carreira.
Pelo meio temos variadíssimos tons de cinzento…

Se tivermos em conta que o trabalho ocupa a maior parte do nosso precioso tempo, parece bastante evidente que quanto mais satisfação dele conseguirmos retirar melhor.
Se o nosso “ganha pão” requer esforço constante, se a maior parte dos dias metemos mãos à obra contrariados, sem entusiasmo, se não nos der gozo, não nos desafiar/realizar de alguma forma … então algo está profundamente errado.

A minha empregada saiu recentemente de um casamento desastroso. Necessitando ganhar o seu dinheirinho, foi por opção que decidiu fazer o que faz.  Simplesmente gosta das tarefas domesticas e fá-las com prazer e brio. Anda de cabeça erguida, está-se nas tintas para quem a aponta do dedo e parece bem disposta e satisfeita com a vida.

Todos seremos competentes em algum campo de utilidade profissional. “Diagnosticar” essas competências e apetências e aplica-las a um projecto real, nem sempre é no entanto obvio ou fácil. A realidade é que todos ficarão muito melhor servidos se cada um se conseguir integrar numa área onde se sinta capaz e feliz.
A questão é que, aparentemente, nem toda a gente tem noção disto…

Há uns anos trabalhei numa agência de comunicação. Estava encarregue de toda a parte logística da empresa, assim como da contabilidade corrente, pagamentos e recebimentos, mapas de tesouraria, etc e dava também apoio a alguns projectos.
Basicamente, fazia aquilo que melhor sei fazer; organizar… Para mim é quase uma actividade lúdica, o meu cérebro parece talhado para esse tipo de tarefa. Mesmo sem querer, quando dou por mim já estou a organizar tudo à minha volta. Ou seja, durante uns tempos senti-me bem naquela empresa.
As minhas patroas também pareciam bastante satisfeitas comigo. Na realidade, tão satisfeitas, que acharam que deveria aspirar a um “cargo” de maior relevância, que deveria tornar-me gestora de projecto. Começaram a pressionar-me por não compreenderem a minha falta de “ambição”.  O ambiente tornou-se tão pesado que acabei por me despedir.
Ora se fazia bem o meu trabalho e gostava de o fazer… se elas precisavam de alguém que o fizesse… isto parece-vos fazer algum sentido? Pois…

Há tempos, propuseram-me um negócio de venda de roupas. Pareceu-me uma ideia brilhante, coisas muito giras, muito baratas, atirei-me a ela.
Erro! Oh que grande erro… a realidade é que, se há quem consiga vender areia no deserto, eu  acho que nem água conseguiria vender. Se as pessoas se queixam de falta de dinheiro, ponho-me no lugar delas e não consigo insistir. Se não acedem a vir ver à primeira ou à segunda, sou incapaz de insistir, sinto-me uma chata. Se não se mostram naturalmente inclinadas a comprar, não consigo dar-lhes a volta. Não tenho espírito de vendedora, tudo o que implica vai contra as minhas tendências naturais.

Há coisas que gostamos de fazer ou que fazemos bem, com facilidade, mesmo que não nos dêem um especial  prazer, e outras para as quais simplesmente não fomos talhados. Coisas que a uns saem com naturalidade, para outros são verdadeiras provações mas, como se costuma dizer, há gente para tudo.
As aflições financeiras tendem a toldar-nos o raciocínio e a fazer com que, em desespero, nos abalancemos a actividades condenadas ao fracasso desde o início. Se conseguirmos no entanto ter uma noção dos nossos pontos fortes e fracos, mais facilmente nos iremos encaixar nalguma, seja ela qual for, que nos encha as medidas, que nos faça sentir que aquelas horas do dia não são desperdiçadas.


COM MÚSICA

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

HELP!

COM MÚSICA


Esta vida não é nada fácil… também ninguém nos prometeu que seria… no entanto, se nos apoiássemos uns nos outros nos momentos de crise, as coisas tornar-se-iam garantidamente muito mais suportáveis.
Descubro no entanto, com uma certa tristeza confesso, que não só não há muita gente disposta a “servir de apoio”, como muita gente simplesmente não aceita “apoiar-se”.
Assim as coisas tornam-se mesmo muito complicadas, não é fácil enfrentar o mundo sozinho.

Começando pelos primeiros…
Grande parte das pessoas que conheço dará uma moedinha ao arrumador ou fará uma contribuição para um peditório de rua. São coisas imediatas, que não requerem qualquer esforço da sua parte. No primeiro caso será inclusivamente talvez ás vezes uma atitude egoísta por não quererem arriscar-se a voltar e descobrir um risco na biatura…
Mas quando se trata de realmente estender a mão ao próximo, existe uma inércia por vezes desesperante.

Tomemos mais uma vez como exemplo o site do Liceu Francês…
Os encontros e reencontros de pessoas que frequentaram uma mesma escola são o seu objectivo principal. Mas as Social Networks são ferramentas potentíssimas, podendo servir variadíssimos propósitos.
Achei que um deles poderia ser a solidariedade, porque não?
Já proporcionámos um natal aconchegadinho a uma senhora que vendia castanhas à porta, ajudámos uma ex-aluna a ganhar um telhado, divulgámos a causa da Marta, votámos num arquitecto com projecto a concurso em Nova Iorque…
Apesar de muitos estarem para aí virados, não o estaremos garantidamente todos e, não sendo o objectivo principal da rede, sempre me recusei a enviar este tipo de apelos como comunicação para todos os membros, ferramenta que tenho ao meu dispor.
Decidi então criar um grupo, “Os Anjos da Guarda”, por forma a poder contactar com o núcleo interessado sem incomodar os outros. Enviei um único mail a avisar da existência e propósito do mesmo.

Recebi uma série de respostas “simpáticas”, como uma que rezava assim: “Para uma acção isolada desculpará que me escuse mas se pensar em algo que combata o subdesenvolvimento endémico, conte comigo.”
Yá... quando descobrir a solução para a fome no mundo eu apito, tá?!
Destes nem vale a pena falar…
A realidade é que somos 3.569 membros e estão neste momento 206 inscritos… não chega a 6% !!!

Será que se está tudo a cagar para o próximo? Duvido…
Alguns não terão recebido o mail, outros não o terão lido, uns não devem ter percebido do que se tratava dado que lêem tudo na diagonal e outros estarão para se inscrever logo que “tenham tempo”… e mais desculpas haverá. Desculpas, justificações, razões… o que lhe queiram chamar.
Sei no entanto que entre eles há muito boa gente. Sei-o, quanto mais não seja porque alguns são meus amigos, conheço-os bem, sei do que são capazes… mas não estão inscritos.

Acredito que a tal inércia de que falei de início seja a razão… A não ser que o umbigo alheio lhes entre pela vista a dentro, como se de uma lap-dance se tratasse, simplesmente não se mexem.
Descuram, a meu ver, o potencial deste tipo de atitudes para nos fazer sentir bem. Ajudar altruisticamente não traz benefícios só aos outros, gera um quentinho cá dentro.

Outros sentem-se demasiado miseráveis e eles próprios carentes de ajuda, para poder ajudar terceiros. Consideram que uma ajuda ou é “de peso” ou não vale a pena, esquecendo-se talvez de que a intenção também conta muito, de que “quem dá o que tem, a mais não é obrigado”.
A ajuda não é obrigatoriamente financeira, podemos ajudar de variadíssimas maneiras… ouvindo, confortando, doando o nosso tempo, bens que possamos dispensar… há tantas formas de ajudar. Mas mesmo no que diz respeito a guito, carcanhol, ponhé, “grão a grão enche a galinha o papo” e se muitos contribuírem com pouco rende mais do que se poucos contribuírem com muito.
Imaginem que cada membro do nosso sitezinho contribuísse com um euro… impressionante não é?!




Passando agora aos segundos…
Muitos sentem vergonha, embaraço, pelo facto de aceitar ajuda, preferem ir orgulhosamente para o buraco, “de cabeça erguida”, do que agarrar uma mão amiga. Como se dela ter necessidade fosse sinal de fraqueza. Ou talvez por não conseguirem suportar a ideia de ter uma “dívida” de gratidão.

Mais uma vez, se for uma coisa obvia, uma aflição imediata, se calhar fazem-no… durante o naufrágio o Titanic fartou-se de mandar SOS… e quem não ouviu já na rua um grito de “agarra que é ladrão…”?
Mas se se tratar de uma situação prolongada, de uma questão social, vêm ao de cima uma série de questões castradoras. As pessoas simplesmente não gostam de assumir que sozinhas será muito difícil safarem-se.

Usando mais uma vez o exemplo do nosso sitezinho, propus este ano o “Projecto Pai Natal 2009”. A ideia era ajudar alguém do site que que estivesse numa situação complicada.
Durante semanas não apareceu nenhuma causa.
Finalmente uma rapariga (uma pessoa mais ou menos da minha idade ainda é rapariga, não é?...lol) “chegou-se à frente” e apresentou-me a sua situação.
Este verão a casa dela ardeu completamente. É viúva, tem quatro filhos e ficaram todos com a roupa que tinham no corpo. Ganha cerca de mil euros por mês e não há qualquer garantia de que o seguro vá pagar seja o que for.

Mas estava com vergonha de falar, não queria dar a cara, segundo as suas próprias palavras não queria ser “a pobre desgraçada”…
Mas será que o que lhe aconteceu não foi efectivamente uma desgraça? Será que não é digna de compaixão? Alguém se julgará imune a acidentes ? É alguma vergonha?
“Pecado” seria, na minha opinião, ter uma série de gente a estender a mão e não a agarrar, virar costas ao pouco de bom que lhe apareceu pela frente nos últimos tempos. Isso sim seria uma vergonha.

Quem faz pela vida não tem de ter complexos desses. Muita gente se vê aflita devido a circunstâncias que não são da sua responsabilidade. Aceitar ou mesmo pedir ajuda é um acto de sobrevivência, demonstra força e não fraqueza. Mostra que estamos dispostos a lutar pela nossa felicidade em vez de enfiarmos a cabeça na areia como a avestruz e ficarmos a remoer com pena de nós próprios. Possibilita-nos de futuro virmos a fazer o mesmo por outros, com dignidade e conhecimento de causa.

domingo, 27 de setembro de 2009

O voto

COM MÚSICA


Acho que é desta que vou ser linchada… lol
Ora bem, deixem-me respirar fundo e baixar a cabeça para enfrentar as bastonadas, antes de começar a escrever este post… cá vai vai então…

Está a fazer-me muita confusão a verdadeira onda de violência verbal que tenho presenciado nestes últimos tempos relativamente à abstenção nas eleições…
Eu hoje fui votar… tenho quarenta e quatro anos e deve ser a quarta ou quinta vez que voto…
Fui votar e ofereci o meu voto a um amigo… não a um político, a um cidadão como eu e você… lol
Porque não? Se posso oferecer prendas… se posso oferecer tempo… porque não haveria de poder oferecer o meu voto?
Votando, seria provavelmente onde votaria de qualquer maneira, mas a realidade é que só me desloquei por causa dele, porque sabia que para ele era importante.

Não costumo votar porque vivo no mundo da lua, vivo completamente a leste de todas as politiquices nacionais e internacionais, não leio jornais, não vejo televisão.
Se esta é uma atitude positiva ou não, seria tema para outro post, mas estou aberta a todo o tipo de críticas construtivas a este respeito.
Eu sou simplesmente assim, não consigo ir a todas e a minha vida é uma coisa assim mais “caseirinha”. Ás vezes pergunto-me se não serei intrinsecamente loira mas a realidade é que I don’t give a damn. Não me tenho dado mal e, até alguém me convencer de que estou profundamente errada, não vejo razões para mudar.

Dir-me-ão que sou uma completa idiota, que o resultado das votações tem tudo a ver comigo, que a política, que tão levianamente renego, irá entrar pelo meu dia a dia adentro e afectar-me directamente.
Pois que estou consciente de que têm toda a razão… só que isso não afecta em nada a minha posição.
Já alguém me ouviu queixar da “merda de país em que vivemos”, reclamar contra o governo ou cascar no Sócrates? Já alguém, alguma vez, me ouviu falar em política, passada, presente ou futura ? Pois… é que nem penso nisso.
Para mim as coisas são mais imediatas, não consigo ver a causa e efeito das medidas tomadas por um governo a não ser que mas abanem à frente dos olhos e expliquem como se tivesse dois anos.

“Um direito, um dever cívico”, pois permitam-me que discorde.
Um direito, sim senhor e um direito muitíssimo importante.
Um dever?! Não consigo concordar com isso…
E sabem porquê?
Porque eu levo qualquer votação a sério, não acho que seja coisa para se andar a “brincar”. Acho que quem vota deve fazê-lo porque acredita que a sua “palavra a dizer” é importante mas, mais importante ainda, porque é conhecedor das opções que tem em aberto e, em consciência, escolheu uma.

Li hoje no facebook que “… quem não vota, não escolhe!”
Desculpem, mas isto não será uma Lapalissade nem nada?
O que está, na minha opinião, em questão é o porquê da coisa, não votou porquê?
O Guincho estava demasiado fantástico?
Havia eventos no autódromo? (ouvi roncar motores o dia todo…lol)
Não lhes apeteceu despir o pijama?
Enfim, estão a ver a ideia…
E depois vão acintosamente criticar o estado das coisas??!
Têm opiniões, muitas vezes convictas, mas acham que não as devem partilhar com o resto do país fazendo uma cruz num papelito?
Tá mali !! Pois claro que está mali…

Mas… agora imaginem a seguinte situação…
A mãe (porque é que tem de ser sempre a mãe?... ;) dá a escolher à família o que quer jantar.
Uns emitem a sua opinião, outros dizem que lhes é indiferente e em função disto define-se o menu.
Dos que afirmaram ser-lhes indiferente, alguns descobrem que afinal tinham uma séria vontade de alguma das coisas, tipicamente a que não têm no prato, outros comem e calam.
Os primeiros são sem dúvida os abstencionistas típicos. Não ouvem a pergunta ou no momento da escolha “têm mais que fazer” e depois refilam.
Concordo que isto seja muito irritante. Baldam-se à tomada de decisões e depois mandam vir com as que foram tomadas.
Mas e os outros? E aqueles que comem o que se lhes põe à frente e não chateiam?!
Notem que isto não quer dizer que comam qualquer merda, estragada, salgada, queimada mas, baseando-se no princípio de que a refeição venha para a mesa em estado de ser comida, apesar de poderem evidentemente ter preferências, tanto se lhes faz carne ou peixe…
Mas ainda bem que alguém toma a decisão do que cozinhar, senão não se comia.

No meu caso, simplesmente não sou “má boca”… será pecado?!
Será que numa democracia as pessoas não terão também o direito de não votar?
Eu voto no direito a poder eventualmente ficar calado… ;)


quarta-feira, 29 de julho de 2009

Facilitismos

COM MÚSICA

Na semana passada fui passar uns dias a casa de uns amigos ao Allgarve (lol)…
No dia em que chegámos, ele, o pai de família, voltou para Lisboa com o filho mais velho.
Fomo-nos todos despedir ao carro e qual não foi o meu espanto quando a criança se deitou no banco de trás, sem cinto, a jogar playstation…

Perguntei “mas o miúdo vai assim?!”
Responderam-me em estilo sacudidela “vai”

Hum… Eles são os pais… calei-me. Mais tarde não consegui no entanto conter-me… voltei a tocar no assunto. Perguntei se era costume o puto andar sem cinto no carro, a mãe respondeu-me que com ela não, com o pai sim. Hum… again. Há relativamente pouco tempo, completamente por acaso, ao navegar no nosso sitezinho, fui parar a um blog onde se descrevia a morte de uma criança nestas circunstâncias… infelizmente já não me lembro de todo de quem era, não consegui voltar a encontra-lo para aqui deixar o link. O pai foi buscar os filhos a casa da avó, era tarde, o filho mais novo estava cheio de sono, o trajecto era curto, o risco mínimo, o pai decidiu deixa-lo ir deitado no banco de trás, em vez de lhe por o cinto. Tiveram um acidente, o carro capotou, a criança foi cuspida e teve morte imediata. O pai ficou inconsciente, a irmã mais velha aflita, sozinha, à noite, no meio do nada, é que chamou ajuda. A família nunca mais se recompôs. O relato do acontecimento estava extremamente bem feito, sentido, contava não só o acidente como tudo o que se seguiu, a forma como uma vida se perdeu e várias outras foram devastadas. Mexeu comigo mais do que possam imaginar. Mencionei o facto à mãe. Senti que estava incomodada, que compreendia o que estava a tentar transmitir… Mas afirmou que já tinha discutido demasiadas vezes o assunto, que insistir seria gerar problemas com os quais não conseguia lidar. Que tinham concordado em discordar e que cada um, quando viajava com as crianças, fazia como bem entendia. Começou a subir-me a mostarda ao nariz… como sabem não tenho um feitio fácil… insisti que era a vida de uma criança que estava em jogo… que a decisão não era equivalente à de lhes dar gelados ou não, de vestir esta ou aquela roupa ou de os deixar ir para a cama mais tarde… quase, quase, que me exaltei… mas controlei-me e mais uma vez voltei a calar-me. Mas não consigo deixar de pensar nisso… Na sexta-feira passada morreu mais um membro do nosso site… um rapaz de 27 anos… ceifado assim de um momento para o outro. Mais uma vez tive de anunciar a triste notícia. Mais uma vez fui transmitir os meus sentimentos à família. Desta vez o pai também está inscrito no site e ao escrever-lhe o email revolveram-se-me as tripas. A dor… a dor que deve ser a perda de um filho… Não quero nunca ter de dizer a estes meus amigos “I told you so…” Não quero ter de assistir à sua dor, ao seu desespero… lamento, mas não consigo ficar calada… Acordem!!! Acordem eles, acordem todos aqueles que acham que a distância é curta, que estas coisas só acontecem aos outros, que quando éramos pequenos andávamos de carro sem cinto e ainda aqui estamos… Acreditem, não estamos todos… quando era miúda assisti a um acidente gravíssimo, morreram todos os que iam no carro… passei-lhes mesmo ao lado… quatro meninos … ainda me lembro dos seus corpinhos debruçados sobre os bancos da frente… das suas T-shirts ás riscas azuis e brancas… cobertas de sangue… mas nessa altura muitos carros não tinham cintos atrás.  

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Carneirada… mééééé

É tendência natural, mesmo sabendo não ser possível, a de querer agradar a Gregos e a Troianos. Ou pelo menos a minha é… lol
Por exemplo, estou agora a organizar o segundo “Grande Jantar” do nosso sitezinho. Fixámos a data mediante votação, era evidentemente impossível encontrar uma que conviesse a três mil e tal pessoas, ganhou portanto a maioria.
Acreditam que fico genuinamente triste de cada vez que alguém me anuncia com pena que não poderá estar presente?!

Ora o tempo não é elástico, o espaço também não e, para além disso, nem sempre faz sentido misturar pessoas.
Como me escreveu recentemente um amigo meu: “ Tu é que achas sempre que os cocktails sociais têm imensa piada”.
Ok… isto agora vai doer… argh… prontes, cá vai… leva lá a bicicleta, dou o braço a torcer, ás vezes não é de facto muito boa ideia e pode lixar o ambiente… Uf, pronto, já disse… ;)

Acontece que eu detesto ter de escolher e vejo-me portanto ás vezes perante situações em que tendo, de facto, a misturar alhos com bugalhos ou a tentar meter o Rossio na Rua da Betesga.
Mas, estando apesar de tudo consciente de não conseguir fazer milagres, vezes há em que tenho mesmo de deixar alguém(s) pendurado.
E aqui é que a porca torce o rabo… fico cheia de problemas de consciência por deixar de fora alguém que, sabendo do evento, provavelmente estaria à espera de ser convidado.

Como já devem ter percebido eu gosto de gente, sou o anti-bicho-do-mato.
Logo vejo-me frequentemente confrontada com situações em que simplesmente não posso convidar “toda a gente”.
Não interessa se é uma festa, um jantar, um fim de semana… ás vezes há que “seleccionar”.
Já cheguei a desistir de organizar coisas por não o conseguir fazer…

Por receio de vexar alguém, já cheguei até a considerar fazer panelinha, por forma a que não viessem a saber de determinada combinação… naquela teoria de que o que os olhos não vêem o coração não sente...
Felizmente tenho conseguido evitar fazer esse tipo de figuras tristes e acabei sempre por desistir da ideia. Como se costuma dizer, mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo…

Os grupos, o “Síndroma de carneirada”, são a maior causa desta problemática.
Todos temos “grupos” na nossa vida… o grupo de amigos, o grupo do jogo, o grupo do trabalho, o grupo do desporto, o grupo da escola, o grupo do diabo a sete…
Quando se fazem actividades “de grupo” geralmente convida-se “o grupo” todo… a gaita é quando se quer/pode simplesmente convidar alguns elementos!!!

Como comentei num post anterior as relações não são, nem podem ser, todas iguais…
Logo, temos sempre mais empatia com uns membros “do grupo” do que com outros e consequentemente mais desejo de estar com estes em situações “extra-grupo”.
Chegamos inclusivamente a pensar em diferentes indivíduos consoante o evento.
Por outro lado não se pode evidentemente convidar o mesmo número de pessoas para uma festa, para um jantar sentado ou para um fim de semana, por exemplo. O espaço torna-se portanto uma limitação.

Se tivermos em conta que, hoje em dia, a maior parte da malta está “casée” e com rebentos… a coisa torna-se mais complicada ainda, rapidamente se esgota qualquer lotação.
Longe vão os tempos em que quando se convidava a Maria Albertina, se contava com a Maria Albertina… Agora são a Maria Albertina e o Evaristo, com a Vanessinha, a Carla Sofia e o Igor Filipe…
Ou seja, quando fazemos a nossa listinha, pensamos em A, B e C… mas na pratica muitas vezes temos depois de multiplicar por… vários… o número de participantes.

Isto faz-me pensar no “problema” que tenho com os animais…
Sou uma bichoólica confessa, por mim tinha um verdadeiro jardim Zoológico em casa.
Calem-se… uma cobra, um cão e gato e meio não qualificam para jardim Zoológico!!! Haviam de ver o que isto era se eu me autorizasse a trazer para casa tudo o que me apetece…
A realidade é que, com uma que outra excepção rapidamente rectificada, tenho conseguido gerir muito bem este assunto.
Agora estou a aprender a fazer a mesma coisa com os humanos… lol

A questão é que os bichos não ficam chateados comigo por não os trazer para casa. É evidente que a coisa piora sensivelmente quando as pessoas reagem “mal”…
Mas confesso que cada vez tenho menos paciência para “criancices” de adultos, devo estar a ficar velha. ;) Por criancices entendam-se amuos, birras, melindres, ciúmes e afins.
Se não percebem que não podemos todos ir a todas… batatas.

Neste último ano, por causa do monstro, acho que conheci mais gente do que em todo o resto da minha vida… a questão que tenho estado a comentar não é nova, sempre existiu, mas este fenómeno recente obrigou-me a enfrenta-la.
Dantes acontecia de vez em quando, agora vejo-me constantemente perante o dilema… e raios me partam se vou continuar a sofrer com isso…
Se alguém não compreender e ficar f… que meta uma rolha. lol



terça-feira, 1 de abril de 2008

An other world...

Tenho um amigo que acho que é gay...
Pum!!! Tchang!!! Poing!!! Trong... Hiiiiiiiiiiiiiiiii!
Tema polémico para chuchu, não?! Pois...

Posso evidentemente estar enganada...
Mas há muitos anos que venho a conviver de perto com a homossexualidade... conheço-lhe alguns dos sintomas, algumas das características, algumas das dificuldades...
Não só estou convencida do que digo, como acho que a pessoa em questão, se já lhe passou pela cabeça a ideia, foge dela como o diabo da cruz...

Da última vez que sugeri a alguém que poderia ter tendências "para o outro lado", caiu o Carmo e a Trindade. Não estou com vontade de repetir.
Como amiga, não consigo no entanto ficar calada...

Ando com umas dores nas articulações e disseram-me "vai ver isso, pode ser reumático...". Claro que também pode não ser, mas é das tais coisas que convém investigar...
Relativamente ao individuo em questão, eu pessoalmente vejo sintomas nítidos de homossexualidade... Pode não ser... Mas acho que, como amiga, lhe deveria dizer "para ir ver..."

Como é que se faz uma coisa destas?
Não é fácil, nunca sabemos o que as pessoas estão preparadas para ouvir... e nestes casos a tendência é para se porem à defesa e se virarem contra nós...
Escrevo então este post, na esperança de que "a carapuça caiba a alguém" e lhe faça bom proveito, na esperança de poder ajudar quem esteja nesta situação...

Não é fácil ser-se homossexual...
A sociedade em que vivemos ainda é muito pouco tolerante.
Está a mudar, mas as mudanças não são ainda significativas.
Se o meu filho um dia me anunciasse que era gay, ficava triste. Não por qualquer tipo de preconceito mas porque certamente iria ter dificuldades acrescidas numa vida já de si tão complicada.
Os gays são ainda muito apontados do dedo, muito rotulados, o que não facilita a sua integração na sociedade.

Qual de nós nunca fez piadinhas de gays?
Quem nunca lhes chamou paneleiros, lilas, maricões, e outros nomes menos simpáticos?
Quem nunca usou uma destas palavras para insultar alguém?
Uma pessoa que conheci intimamente, num jantar em que um rapaz "menos macho" afirmou que a sua cor preferida era o lilás, segredou-me ao ouvido "eu cá para mim é mas é o lilas..."
Poucos anos depois esta mesma pessoa, que com tanta graça me segredou aquilo ao ouvido (confesso que me fartei de rir...), estava a viver com outro homem.
Assumidamente "lilás"... LOL

A sociedade faz pouco dos homossexuais, como faz pouco dos políticos, dos pretos, das loiras, dos deficientes e de tantos outros grupos. Ao fazermos o mesmo sentimo-nos integrados. Não quer dizer que, na maior parte dos casos, haja qualquer tipo de maldade e qualquer pessoa com um mínimo de bom senso não o fará na presença dos mesmos, pelo menos dos que se importam.
Devo dizer que as anedotas racistas mais engraçadas que ouvi até hoje as ouvi da boca de um preto fantástico, cheio de boa onda e sentido de humor...

Por outro lado, ao gozarmos, achamos que estamos a criticar...
Mas será que estamos mesmo?
Eu sei que eu gozo... conto anedotas, uso as tais palavras "menos simpáticas", não hesito em chamar alguma delas a alguém que se acobarde nas vozes de um jogo de Tarot, por exemplo... ;)
Mas será que critico de facto?! Please...
Não me podia estar mais nas tintas para as preferências sexuais alheias.
A realidade é que acho que, tirando raras e quanto a mim desonrosas excepções, todos nós somos assim, gozamos, gozamos, mas na realidade estamo-nos bem nas tintas.

O problema nestas coisas são os extremismos...
Existem de facto "bichas doidas"... Mas também quem é que gosta de ver uma mulher histérica, por exemplo? Daí a achar que todas as mulheres são umas histéricas...
As pessoas tendem a atribuir certas atitudes ás características de certos grupos, não tendo em conta que se calhar são coisas colaterais.

Por exemplo, os chamados "machistas" têm a mania de que a Sida é "doença de paneleiros"...
Mas não será em parte por se ter propagado mais rapidamente, dado que não tinham de proteger-se de eventuais gravidezes? Não sei, é possível não? Está provado que o preservativo é das maiores protecções que se pode ter contra a doença...
Ou será de facto um castigo divino? LOL

Nem todos os gays são bichas doidas, nem todos gostam de se vestir de mulher, nem todos sonham com uma operação de mudança de sexo... não que qualquer uma destas coisas tenha a meu ver grande importância, mas isto já sou eu a falar, que sou uma mente muito aberta... LOLOLOLOLOL ... mas são extremismos que a sociedade não grama...

Agora o que é que os outros têm a ver com os nossos gostos pessoais? Alguém nos pergunta, a nós heteros, se por acaso gostamos de levar na bilha?
...
...
...

Ok, perguntam... insistentemente, ás vezes... mas eu acho que ela estava a planear uma nova versão do Relatório Kinsey, era um estudo estatístico...
LOLOLOLOLOLOLOLOLOL

Dito isto, não me parece que sejam as praticas sexuais as condenadas, mas mais as atitudes patetas que alguns indivíduos adoptam.

Acho que a homossexualidade não deve ser uma coisa fácil de auto-diagnosticar e muito menos de assumir. Há demasiados tabus em jogo...
Para além disso não deve ser evidente saber "por onde começar", como tirar a coisa a limpo...
Alguns têm a sorte de lhes cair uma aventura homossexual na sopa, os que têm de ir à procura suam mais.

Acho no entanto que todos devemos pelo menos tentar ser felizes...
Se a nossa felicidade passar por ter de eventualmente engolir uns sapos, ultrapassar uns preconceitos, uma que outra dificuldade inicial e uma sociedade na sua grande maioria muito hipócrita ... so be it (digo eu, sei lá...).
E isto tem sem dúvida de se fazer para se conseguir ter uma relação com um individuo de outra raça, religião ou... do mesmo sexo.


Any Other World - Mika