Alguns putos não querem os pais
como “amigos” no facebook.
Muita gente acha isso
normalíssimo… eu não, acho que é sinal que algo está errado.
Todos, na minha opinião, temos
direito aos nossos “jardins secretos”, acontece que o facebook é um “jardim
público”.
Já aqui falei várias vezes sobre
as redes sociais e afins, que continuo e continuarei a defender por considerar
que trazem, apesar de tudo, mais coisas positivas do que negativas.
Há entanto, sem dúvida, muita
gente completamente baralhada sobre o assunto.
A “barreira do computador” faz
com que muitos tenham online comportamentos idiotas, imprudentes, inadequados, etc,
esquecendo ou ignorando as regras básicas do convívio em sociedade.
Tendem, por outro lado, a esquecer-se
que estar online é mais ou menos como estar no meio da rua e que tudo o que “postarem”
pode, potencialmente, ser visto por qualquer um.
Dito isto, o que leva um filho a
não querer que os pais tenham acesso à sua página?! Das duas uma, ou o seu
comportamento ou o deles.
Ou seja, ou não querem que os
pais vejam o que lá põem, por terem noção que poderá, na sua opinião, ser
criticável, ou têm medo do que os próprios pais lá possam deixar.
No primeiro caso, ou têm pais particularmente
rígidos ou postam de facto coisas que não deveriam, com os pais “a ver” ou sem
eles.
Parece-me fundamental que tanto miúdos
como graúdos, compreendam que as regras comportamentais da vida virtual são exactamente
as mesmas que as da vida real e que não devemos fazer na nossa página nada que
não fizéssemos noutro lado qualquer.
É mais do que evidente que a
atitude de cada um muda consoante a pessoa que tem à frente ou o grupo onde
está inserido no momento. Não falamos da mesma forma com avós e amigos, com
professores e colegas, crianças e adultos, etc…
As redes sociais não são no
entanto equiparáveis ao nosso quarto ou ao canto do recreio da escola, são “via
pública”, é preciso ter noção disso.
Para uma audiência selecta
existem os chats, as mensagens privadas, os emails… ou inclusivamente as próprias ferramentas de selecção do Facebook, que a maior parte desconhece ou não domina.
Suspeito no entanto que a segunda
razão tenha em muitos casos tanto ou mais força do que a primeira. Há pais que não
têm noção de como pode ser embaraçante para os filhos o seu comportamento
online. Quem não foi já parar a uma página de exemplos disso?!
Teoricamente, se tem têm conta no
Facebook, estes já não serão propriamente crianças pequenas e, como todos
sabemos, não há quem se embarace com mais facilidade do que os adolescentes.
Se acharem que os pais possam vir
a ter uma presença invasiva, mais facilmente farão um pacto com o
diabo do que aceitarão a sua amizade.
Fazer like a tudo o que colocam
online ou encher-lhes a página de merdas não é ok, fá-los parecer meninos da
mamã (ou do papá). Dar-lhes descascas públicas relativamente a algum post, também
raramente é boa ideia, se temos alguma coisa a dizer, façamo-lo em privado sem
os humilhar. Ir cuscar quem são os seus amigos e tentar sacar nabos da púcara ou,
pior ainda, pedir-lhes amizade, é no mínimo controlador.
Enfim… não são só os filhos que se "portam mal”, há mil e uma coisas que os pais podem fazer que justificam que
eles nos queiram à distância.
Voltamos assim à mesma conversa
de sempre, a vida online não é diferente da vida real, as regras são as mesmas,
o bom senso deve imperar e cá estamos para aprender uns com os outros. É nisto
que se baseiam os relacionamentos saudáveis. ;)
Tivemos recentemente cá em casa um mini-drama, em que o meu filho me disse que não estava feliz.
Nunca, até á data, tinham desta forma soado os sinais de alarme a seu respeito...
Estou convencida que, consciente ou inconscientemente, ele tinha noção da bomba que iria ser a sua afirmação, dado que estou sempre com conversas sobre a felicidade.
Cá em casa, todos temos de ser felizes, incluindo a cadela, os gatos e a cobra... lol... é o nosso lema, o nosso credo, a nossa missão, a nossa razão de ser... abraçar a felicidade e distribui-la à nossa volta.
Se a de algum dos membros da família estiver por alguma razão vacilante, todos contribuímos para que regresse ao bom caminho.
Depois de pensar um bocadinho sobre o assunto e o discutir com a cara metade, chegámos à conclusão de que não havia na realidade razão para preocupações.
Uma pessoa que canta no duche, está sempre a dizer piadas e leva a vida com energia e boa disposição, não é uma pessoa infeliz.
Sabendo muito bem a mãe que tem, utilizou no entanto a palavrinha mágica, que sabia ir mexer comigo, para me alertar para uma situação que não lhe agradava.
Apesar de tudo o que para aqui debito e da minha "filosofia de vida" baseada na felicidade, eu não sou uma pessoa fácil, tenho perfeita consciência disso.
Tento repetida e persistentemente por em pratica tudo o que apregoo, perdoo-me quando falho, penso que para a próxima farei melhor e não desisto.
Isto não impede que tenha um feitio desgraçado, que volta não volta foge das catacumbas onde o tento manter prisioneiro, que nem dragão da Daenerys, criando um tornado à minha volta, que leva tudo à frente.
Todos temos características que não nos ajudam nada na vida, esta é uma das minhas, o que não implica que encolha os ombros e diga "eu sou assim".
Neste caso, a suposta infelicidade do meu rebento, tinha a ver com a forma leonina como tenho andado em cima dele, nos últimos tempos, relativamente à escola.
Nos primeiros anos do liceu eu era excelente aluna. Tenho dois dedos de testa, tive bons professores, a coisa corria muito bem. Até que foi preciso começar a estudar a sério, a empinar, a gerir e organizar o estudo e trabalhos das várias disciplinas.
Era tarde demais, não tinha o habito, não sabia como, não me senti capaz... e desisti por isso de abraçar uma que outra profissão que, estou hoje em dia convencida, me poderia ter assentado que nem uma luva.
Raios me partam se vou deixar que aconteça o mesmo ao meu filho!
Não lhe peço nunca mais do que aquilo que sei que pode dar, só o seu máximo em tudo.
Não espero que ganhe o corta mato da escola ou que venha a falar fluentemente francês (snif) pois são capacidades ou apetências que não tem.
Não há no entanto absolutamente nenhuma razão para que alguém que gosta de matemática, que tem facilidade em domina-la e que tem (pelo menos neste ponto do campeonato) intenções de seguir uma via em que esta é fundamental, tenha negativa nessa cadeira, por exemplo.
Dito isto, há formas e formas de fazer as coisas e calhando virar ogre não é de facto das melhores... ;)
A palavrinha mágica, a declaração de infelicidade foi, no fundo, uma forma de gritar "estás a fazer tudo mal, minha... por aí não vamos lá. A única coisa que estás de facto a conseguir è stressar-me pa caraças... "
Ele lá sabe, nem que seja intuitivamente, que ás vezes as pessoas precisam de levar um estaladão na cara para abrir os olhos.
Parar para pensar, por as coisas em questão, em perspectiva, dar a mão à palmatória, compreender que já é mais do que tempo de arrepiar caminho e optar por outro menos tortuoso, é pontualmente fundamental na vida.
Passei os últimos doze anos a validar os berros que damos aos putos, por ser o que a maior parte de nós faz. Olhamos para o lado, pensamos "não sou a única, é ok..."
Mas não é... não é porque os outros agem mal, que devemos fazer o mesmo.
E não é porque sempre agimos de determinada maneira que temos de continuar fazê-lo, se chegarmos à conclusão que está errada.
"Sê a diferença que queres ver no mundo"...
Pessoalmente não quero de todo um mundo de filme neo-realista italiano, em que tudo berra, tudo grita.
As mensagens passam muito melhor pacificamente, num ambiente em que as pessoas não se sintam agredidas.
Apesar de tudo isto, sou uma mãe especialmente fixe em muitas outras coisas e dei-me conta, na longa conversa que tivemos, que ele me conseguia apontar umas quantas de que não gostava nada mas era incapaz de me dizer uma em que achasse que eu era boa, apesar de reconhecer que existiam várias.
Já se perguntava a Julia Roberts, no Pretty Woman "porquê que as coisas más a nosso respeito são sempre tão mais fáceis de acreditar!?"
Da mesma forma, mais facilmente recordamos os erros dos outros, aquilo em que nos magoaram, nos agrediram, nos lesaram, do que as coisas que fizeram connosco ou por nós, que tenham gerado sentimentos positivos.
Propus-lhe assim que tomasse nota num livrinho, de tudo o que eu fizesse nos próximos temos, que o chateasse ou lhe agradasse, e que o discutíssemos regularmente, para em conjunto analisarmos a esperada evolução da metamorfose da minha pessoa, de Gollum para Smigel... lol
Qual não é o meu espanto quando, ao fazê-lo ao fim de uns tempos, verificamos que só lá tem coisas agradáveis escritas...
Nos últimos tempos o tema tem sido uma constante à minha volta e, assombrada pelas histórias de terror de amigos e conhecidos, como qualquer mãe, cruzo os dedos para que tal flagelo nunca me venha bater à porta.
Decidi assim, mais uma vez, escrever um post dirigido aos mais novos, pois se conseguir abrir a pestana a um que seja, já terá valido a pena.
Se não nos dermos ao trabalho de reflectir sobre o assunto, todos tendemos a pensar que o que fazemos a nós próprios é cá connosco e ninguém tem nada a ver com isso.
Não podia ser mais falso!!!
Pensem em alguém de quem realmente gostem, muito, do fundo do coração, uma daquelas pessoas por quem fariam qualquer coisa, sem a qual vos custaria terrivelmente viver… digam o nome dessa pessoa para dentro, fechem os olhos e imaginem-na, pensem nas coisas que apreciam nela, lembrem-se dos bons momentos que passaram juntos…
Agora imaginem que, por alguma razão, desistia de viver, se suicidava.
Como é que acham que isso vos faria sentir?!
Traídos, abandonados, desconsiderados, desprezados… uma coisa é certa, bem não seria com toda a certeza.
Contrariamente ao que julgamos, não somos donos de nós próprios, não podemos, ou não devemos, fazer o que nos dá na real gana, sem consideração pelos outros.
Só pode pôr e dispor da sua vida, sem pensar em mais ninguém, quem não tenha desenvolvido laços afectivos. Quem os tem fica a eles vinculado e tem a obrigação moral de os respeitar.
Só quem nunca tenha visto o terror da perda nos olhos de quem ama pode duvidar disto.
Tal como relativamente a qualquer outro tema, as opiniões divergem no que diz respeito ao consumo de substâncias potencialmente viciantes. A fronteira do aceitável, do que é ou não preocupante, varia de indivíduo para indivíduo.
Uma coisa é no entanto certa, a adolescência é uma fase perigosíssima no sentido em que todos somos muitíssimo influenciáveis e simultaneamente sujeitos a enormes picos emocionais.
Logo, consumir seja o que for, é mesmo estar a brincar com o fogo.
Todos conhecemos os “moedinhas” das zonas de estacionamento e sabemos a razão porque a maioria lá foi parar. Todos sabemos ao que se atribui grande parte da criminalidade. Mesmo quem tenha a sorte de não ter casos próximos de si, já assistiu à horrível degradação de uma que outra celebridade devido às drogas, à morte de tantas delas.
Não acredito que ninguém experimente alguma coisa convicto de que é o que lhe vai acontecer, se for o caso, só tem o que merece.
Não, todos julgam que é só mais uma experiência, que largam quando quiserem. Perguntem a qualquer fumador...
Não tenho conhecimento das estatísticas e não gosto de afirmar o que não sei, suspeito no entanto seriamente que sejam mais os que, de alguma forma, se ficam pelo caminho, do que aqueles que conseguem recuperar uma vida “normal”.
Costuma dizer-se que cada um se deita na cama que faz. Infelizmente, nestes casos, toda a família lá vai parar, não há como escapar.
As drogas não dão só cabo da vossa vida, dão cabo de tudo o que estiver à vossa volta, sem dó nem piedade.
Dão cabo de pais e irmãos, de tios e avós, de qualquer um que tenha o azar de estar próximo e gostar de vocês. O amor deles será a sua perdição.
As drogas dão cabo das contas bancárias, das carreiras, da vida social, dos casamentos, da saúde física e mental… dos outros. Daqueles de quem vocês afirmam gostar. Daqueles que não têm culpa nenhuma da merda em que vocês se meteram…
E o pior é que vocês próprios dariam provavelmente tudo para não o ter feito, para nunca terem entrado nesse mundo…
Então, meus amigos, têm bom remédio, NÃO ENTREM!!!
Se estão à porta, dêm meia volta, JÁ.
Se têm um pé lá dentro, olhem bem, mas mesmo bem, para os olhos de quem vos ama e vão lá buscar força para fugir a sete pés.
Se ficarem, se forem em frente… assumam a enorme maldade que lhes estão a fazer!
O caminho da felicidade não passa nunca pelo alheamento da realidade, drugs don’t work, a vida é uma pega de caras, sejam homens, não ratos…
[...] Oferecer a alguém
o necessário
para que consiga desenvolver plenamente a sua personalidade. Propagar ou transmitir conhecimento (instrução) a; oferecer
ensino (educação)
a; instruir..[...]
De cada vez que vou a uma reunião de pais, pergunto-me
qual será o futuro da humanidade nas mãos das crianças de hoje.
Partindo do princípio que as escolas não
mencionam as coisas só porque sim mas porque chegaram à conclusão que não são
óbvias para toda a gente, bradam aos céus alguns dos conselhos que se ouvem.
Os filhos não vêm com manual de instruções,
cada caso é um caso e não tenho qualquer dúvida que vários caminhos levem a
Roma. Convém é que exista, para que não reine a lei
da selva, pois as crianças não se auto-educam.
Não sou sumidade na matéria, só uma mãe que
retira genuíno gozo do papel e se aplica na tarefa. Haverá quem não
concorde comigo, quem abrace outras teorias e práticas, o que compreendo e
respeito.
Na minha opinião, há duas coisas fundamentais
para o sucesso de uma educação; amor infinito e um pulso de ferro.
Não há formulas mágicas nem truques
infalíveis e por muito que se possa estudar sobre o assunto, para educar temos
de usar o bom senso e tocar de ouvido.
Se funcionarmos por experimentação e formos
rectificando os erros, a coisa deverá correr mais ou menos bem.
Convém no
entanto que tenhamos noção que, muitas vezes, educar custa-nos bastante mais a nós do que a eles e que, façamos o que fizermos, iremos inevitavelmente
falhar algures, não há pais perfeitos.
Nada me convence que as crianças não se
começam a educar desde o dia em que nascem e faz-me alguma confusão o precioso tempo
que perdem os pais que acham que só o podem fazer a partir de determinada
idade.
A partir do momento em que começa a haver
reciprocidade na comunicação verbal, então, passamos a ter mais uma preciosa ferramenta
ao nosso serviço.
Uma das coisas que considero importante
para que se gere uma sensação de estabilidade, são os horários e as rotinas. As
crianças precisam de comer com calma e sem stress, de estudar, de tempo para a brincadeira,
das suas horas de sono, etc. Se tudo isto não for devidamente organizado,
facilmente as coisas descambam e não acho que as crianças digiram bem o
caos.
Outra, são as regras. As sociedades em que
vivemos, sejam elas quais forem, estão sempre repletas de regras. É bom que os
miúdos percebam desde cedo o que isso quer dizer e aprendam a cumpri-las, a respeita-las,
ou até mesmo eventualmente a quebra-las, desde que com a noção de que o estão a
fazer.
Só assim se conseguirão integrar.
Haverá alguém melhor do que nós, que temos
por eles um amor incondicional, com quem testarem tudo isto?!
Acredito numa educação cuidadosa e firme
mas não austera e rígida.
Pessoalmente sou uma mãe brincalhona e
informal e considero a cumplicidade e o companheirismo muito importantes e
valiosos. Não tolero no entanto qualquer tipo de abusos, sendo bastante implacável
relativamente a respostas tortas, insultos ou faltas de respeito. Quanto a este
último, não só pelos mais velhos mas por qualquer ser vivo.
Se formos déspotas e prepotentes, só
estaremos a mandar, não a educar. Se formos manipuláveis e permissivos,
perderemos a autoridade necessária para o fazer. Como em tudo o resto, no meio
é que está a virtude.
Não sou assim apologista de porque sins e porque nãos.
Na minha opinião, as nossas decisões podem ser
contestadas e postas em causa, sim, desde que civilizadamente e não através de
birra.
Caso seja possível devem-lhes ser explicadas e, no caso de
contra-argumentarem convincentemente, revistas e eventualmente alteradas. Não
tenhamos a presunção de achar que estamos sempre certos.
Da mesma forma, somos humanos, falhamos,
metemos a pata na poça, somos injustos, etc… nesses casos não há nada como
pedir desculpa, sinceras e humildes desculpas.
Não acredito em tabus e, as crianças tendo uma
enorme curiosidade natural, acho óptimo que se sintam à vontade para nos
perguntarem tudo que quiserem e que lhes respondamos sem embaraço ou
preconceito.
Nem sempre é fácil adaptar as respostas à
sua idade e às vezes nem sequer conseguimos arranjar uma que possam efectivamente
compreender. Não vejo qualquer inconveniente em explicar-lhes isso mesmo, que
são novas demais, que voltaremos eventualmente a falar sobre o assunto mais
tarde.
Da mesma forma, acontece nós próprios não
as sabermos, em cujo caso reconhecê-lo me parece a melhor solução, ninguém é
suposto saber tudo. Todos conhecemos pessoas que, quando não sabem, inventam.
Se for alguém em quem confiamos, acreditaremos, assumiremos o embuste como
conhecimento. Caso o tema nos interesse e esteja ao alcance da nossa
própria compreensão, é até uma excelente oportunidade para aprendermos e de
seguida o transmitirmos.
Quando são bebés temos de fazer
absolutamente tudo por eles. Conforme vão crescendo, à medida das suas
capacidades e respeitando o seu tempo de ser criança, acho que lhes devemos ir
exigindo cada vez mais independência e colaboração.
É bom que se vão habituando lenta e
suavemente a que a vida não é um mar de rosas e que nos sai do pelo. Sair tudo
do nosso quando já podem participar com a sua quota-parte não me parece, nem
justo, nem formativo.
Acho muito importante que estejamos
disponíveis, para os ajudar sempre que possível. Ás vezes era sem dúvida mais
fácil fazermos nós as coisas por eles, dava-nos menos trabalho, mexia-nos menos
com os nervos. No entanto, quem precisa de aprender, de praticar, não somos nós, não
devemos assim dar-lhes o peixe mas ensina-los a pescar.
Transmitir-lhes a noção de que, apesar de
serem a coisa mais importante da nossa vida, não são a única, também me parece
essencial. O ser humano è naturalmente egoísta e, se o deixarmos, tende a
ver-se como o centro do universo. Convém cortar esse mal pela raiz desde cedo.
Sacrifícios sim senhor, mas os que fazem sentido, os que cumprem algum
propósito para além do “querer” da criancinha.
O que nos leva à questão das “liberdades
individuais” de que tanto se fala hoje em dia. Sempre ouvi dizer que a nossa
liberdade acaba onde começa a dos outros. Seres humanos em fase de formação,
que ainda vêem a vida a preto e branco devem, na minha opinião, ter as escolhas
reguladas pelo bom senso paternal. Quando forem adultos e independentes, logo
poderão fazer o que bem entenderem, até lá, no que me diz respeito, estarão sempre em “liberdade
condicional”. lol
Em tudo o que fazem acho que lhes devemos sempre
exigir o máximo, não que sejam os melhores mas que dêem o seu melhor. Pouco ou
nada se faz sem esforço, sem empenho, sem força de vontade. Na minha opinião todos
devemos ser tão bons, em tudo o que fazemos, quanto aquilo que conseguimos ser,
nem mais, nem menos.
Acho perfeitamente possível passar-lhes
noções que nós próprios só descobrimos tarde na vida e tanto jeito nos teria
dado interiorizar precocemente. Não são necessárias palestras, não fazem
sentido grandes dissertações, eles compreendem bem melhor os exemplos práticos,
as demonstrações com base em exemplos concretos do dia a dia.
Finalmente, como não podia deixar de ser,
dar o exemplo é essencial. Haja coerência, se não praticarmos o que apregoamos,
como iremos convence-los que lhes possa trazer algum benefício na vida?!
Céus, como a vida está diferente de há uns anos atrás… mais dura, mais pesada, mais difícil em tantos sentidos…
Enquanto saltávamos alegremente de nenúfar em nenúfar, as coisas foram-se transformando, lenta mas seguramente.
O mundo actual é inóspito e assustador. Tudo parece estar em crise, a economia, a política, o meio ambiente, a sociedade, os valores…
Já não há segurança, certezas, garantias, tudo pode mudar de um momento para o outro, a vida é hoje como um trapézio sem rede. Mais do que nunca, o que tínhamos como certo pode desaparecer de repente, sem pré-aviso.
Já não parece haver grandes regras, grandes princípios, grandes guias, movemo-nos em terreno escorregadio, já não sabemos como agir, com que linhas nos cosermos, com o que contar da parte dos outros.
Não se vêm luzes ao fundo do túnel, reina uma sensação de impotência perante o estado das coisas…
Que raio de tempos estes!!!
A questão no entanto é que, gostemos ou não, são os “nossos tempos” e bitching about it não só não resolve absolutamente nada, como nos distrai da nossa própria vida, que é aqui e agora.
As pessoas lamentam-se, queixam-se, indignam-se, revoltam-se, de forma tão envolvente que se esquecem que, enquanto o fazem, os relógios não param. As horas, os dias, as semanas, vão passando, esteja em que estado estiver o mundo à nossa volta.
“…SERENIDADE PARA ACEITAR AS COISAS QUE NÃO POSSO MUDAR, CORAGEM PARA MUDAR AS QUE POSSO E SABEDORIA PARA PERCEBER A DIFERENÇA...”
Não precisamos de gostar, de apoiar ou aplaudir, o mundo em que vivemos.
Podemos tentar fazer o que estiver ao nosso alcance, esforçar-nos por dar o nosso contributo, seja lá ele qual for, para colaborar na sua melhoria.
Não devemos, sem dúvida, fechar os olhos ou compactuar com que consideramos errado.
Podemos seguir o lema “quem não está bem, muda-se” e procurar pastos mais verdes.
O que não serve garantidamente de nada é desgastarmo-nos, deixarmo-nos consumir pelo o que não podemos mudar.
São as pequenas coisas da vida, os pequenos prazeres, as pequenas alegrias, que nos vão dando força e ânimo para enfrentar as agruras e provações do dia-a-dia.
O quadro geral pinta no entanto de tal forma o nosso espírito de negro, que nos tolda a visão, fazendo com que não as consigamos ver, o que faz com que nos sintamos a sobreviver, mais do que a viver.
O actual negativismo generalizado mina as relações humanas, faz com que as pessoas não apreciem realmente os momentos que passam juntas. Transforma encontros potencialmente agradáveis em concertos de carpideiras. Em vez de partilhar sensações agradáveis as pessoas trocam queixas e lamurias.
A realidade minha gente é que, pelo menos nesta vida, não vamos voltar a ter oportunidade de reviver os momentos que perdemos hoje.
Tic Tac, Tic Tac, o relógio avança e o tempo escasseia.
Os sorrisos que não distribuímos, os pores do sol que não vemos, as musicas que não trauteamos, por estarmos macambúzios, já eram, já foram, já não voltam.
Se tudo é mau, se tudo é feio, se já nada presta, que razão temos para viver?
Ou redescobrimos as pequenas coisas que nos aquecem o coração, que nos fazem sentir que a vida vale a pena ou, se não tivermos desistido antes, um dia acordamos e damo-nos conta que esta acabou por se transformar num oprimente azedume, ao qual poderemos provavelmente agradecer o cancro, o avc, o enfarte, que nos levará desta espera-se que para melhor.
Farto-me de pensar na má sina das crianças de hoje, que desde cedo têm de enfrentar uma realidade tão mais pesada do que a que nós vivemos.
Este mundo está um caos!!!
Mais do que financeira ou política vivemos, na minha opinião, uma gravíssima crise humana, de princípios e valores.
Sinto actualmente, socialmente falando, um grande desconforto.
Por um lado, cada vez mais sinto que não domino as regras, se é que ainda existem algumas.
Por outro, sinto o calor humano a ficar cada vez mais ténue, que nem fogueira da qual já só restam brasas.
É uma questão de tal forma generalizada, abrangendo tantos indivíduos, de todas as áreas, que se torna impossível “fazer cortes” em nome da “boa onda”, que é como quem diz, para fugir a isto, teria de virar eremita.
O politicamente correcto, que não passa, na minha opinião, de um medo absurdo de chamar os bois pelos nomes, transforma os homens em seres sonsos e hipócritas.
Se dantes alguns não tinham o mínimo tento na língua, o mais pequeno respeito pelo próximo, dizendo tudo o que lhes passasse pela cabeça sem pensar duas vezes, temos hoje em dia de pensar vinte vezes antes de abrir a boca para não nos arriscarmos a ser apedrejados.
O mesmo se passa relativamente aos actos. Se antigamente era o vale tudo, vigora agora o não se pode nada. Noutros tempos os pais davam tareias de cinto ás crianças, hoje, nalguns países, arriscam-se a ficar sem elas se lhes derem uma palmada no rabo.
Passou-se no fundo do oito ao oitenta, de um extremo para o outro, sem passar pelo bom senso.
Os extremismos fazem-se aliás sentir em todos os campos, a moderação não estando nitidamente na ordem do dia. Religião, política, ecologia, sexualidade, são estandartes que se empunham cegamente. As pessoas vestem-lhes as camisolas, de cores de tal forma berrantes, que se torna impossível ver para além delas.
Reinam a intolerância, a intransigência, o fundamentalismo, a ideia de que quem não está connosco está contra nós. Comer um bife ou fumar um cigarro ao ar livre podendo hoje em dia ser considerados actos de agressão.
Os novos canais de comunicação ajudam enormemente este abraçar de causas, de ideias, de ideologias, está ali tudo à mão, à distância de um clic. Tornam muito fácil e acessível a qualquer um a divulgação de tudo e mais alguma coisa. Pena é que haja sempre tanta distância entre a teoria e a prática, que tenhamos entrado nesta era do falar muito e não fazer nada, que no fundo de tão pouco serve. Vivemos tempos de extremo individualismo em que as boas intenções raramente passam disso mesmo.
Assistimos a uma total desresponsabilização do indivíduo. Se fez algum “mal” a culpa é dos pais, da escola, do sistema, dos traumas, do tempo… dele não será certamente. Todos os comportamentos aberrantes são etiquetados de algum nome pomposo e ai de quem lhes aponte o dedo pois são “doença”.
Desapareceram as normas de conduta sólidas e fiáveis para distinção do bem e do mal, do justo e do injusto, as pessoas andam baralhadas, confundidas, perturbadas.
Os pais desresponsabilizam-se do papel de educadores, de guias, de exemplo. Não querem fazer o inevitável papel de “maus da fita”, não querem que o pouco tempo que passam com os filhos seja a implicar com eles. Mais assustador ainda, muitos deles nem saberão provavelmente sequer como fazer, o que dizer, como os dirigir e em que sentido, sentindo-se eles próprios completamente perdidos.
O resultado de tudo isto são homens e mulheres cada vez mais virados para o seu próprio umbigo, que se estão cada vez mais a cagar para o próximo, senão na teoria pelo menos na prática.
Pessoalmente ressinto-me de tal forma deste estado das coisas que frequentemente considero “go with the flow”, desistir de lutar por tudo aquilo que considero correcto e/ou desejável.
É tão difícil e cansativo remar contra a maré…
Felizmente, de cada vez que isso acontece alguém, directa ou indirectamente, me põe na ordem, relembrando que se há coisa que não podemos fazer é baixar os braços e encolher os ombros.
Aqueles que acreditam que, por baixo de toda esta fuligem negra que nos envolve, há ainda esperança para o género humano, para a “humanidade”, têm a obrigação de lutar com todos os meios à sua disposição para que esta vingue.
Se deixarmos de tentar “ser a mudança que queremos ver no mundo” não podemos esperar que ela aconteça.
Quando somos pequeninos julgamo-nos o centro do universo.
Bem, alguns continuam a julga-lo ao longo da vida, mas esses vá lá alguém desengana-los. ; )
Enfim… conforme vamos crescendo vamos levando umas porradas da vida, que é para nos por no nosso lugar. Lugar esse que ambicionamos no entanto que seja de relevo. Quem não gostaria de se poder gabar de ter acabado com a escravatura, inventado a vacina contra a raiva ou desenvolvido a teoria da relatividade?! Quem não gostaria de deixar a sua marca na história da humanidade? Aspiramos a fazer de alguma forma a diferença, para que a nossa vida tenha sentido.
Quando estamos em casa somos bairristas, conforme nos vamos afastando sentimos que pertencemos a uma cidade, um país, um continente, um planeta… ainda ninguém se afastou o suficiente para sentir que pertence a uma galáxia mas talvez se lá chegue um dia, quem sabe.
E conforme vamos fazendo zoom out, em sentido próprio ou figurado, vamo-nos reduzindo à nossa insignificância.
Por muito que isso possa custar ao nosso ego engolir, ninguém tem na realidade importância nenhuma, se olharmos para o “big picture”. As personagens da história vão-se sucedendo e o mundo continua. Vendo com o devido recuo, no espaço e no tempo, ninguém o mudou, ninguém o alterou significativamente, ninguém fez realmente a diferença.
Somos como pequenos grãos de areia numa praia, á distância todos iguais.
O primeiro contacto com esta ideia, com esta noção, é um bocado deprimente e desmoralizante.
Acontece que, da mesma forma que um grão de fina areia branca numa praia de calhaus não a vai tornar mais confortável, um calhau numa praia de fina areia branca não vai incomodar.
Ou seja, o que interessa é o conjunto e o que é realmente importante não é sobressair mas integrar-se.
E aqui entra uma das minhas máximas preferidas; “You must be the change you want to see in the world.”
Peço desde já desculpa pela assumida cagonice mas ainda não encontrei (nem consegui fazer) uma tradução que me soasse bem, se alguém tiver dificuldades em perceber pode sempre usar o Google Translate.
Não é na realidade com grandes feitos, que entenda-se não estou de todo a menosprezar, que o mundo vai mudando mas sim com a soma de todos os actos e posturas individuais.
Cada um de nós é responsável pelo destino do mundo através do exemplo que dá, das atitudes que toma, dos princípios que transmite. Não são só aqueles que “ficam para a história” que são importantes, importantes somos todos nós, pequenos grãos de areia. Todos sem excepção contribuímos para o tipo de praia que formamos. Mais importante do que eventuais grandes feitos é esforçarmo-nos por ser aquilo que gostaríamos de ter à nossa volta.
Se vivermos com integridade e coerência, não fazendo aos outros o que não gostaríamos que nos fizessem a nós, agindo o mais possível da forma que consideramos correcta, mesmo que nem sempre seja a mais fácil ou agradável, se transmitirmos estas noções aos nossos filhos, aos nossos amigos, a todos aqueles com quem interagimos, iremos garantidamente mudar o mundo, mesmo não sendo ninguém.
Que me perdoem aqueles que me estão a ler e que neste momento, por alguma razão, estão em sofrimento.
Que me perdoem os que estão doentes ou têm alguém próximo que esteja, os que perderam um ente querido, por morte ou separação. Que me perdoem os que ficaram sem emprego, os que estão em extrema dificuldade financeira, os que tiveram de abandonar o seu pais e as suas pessoas para lutar pela vida. Que me perdoem aqueles que acham que como o país, o mundo, a espécie humana, estão em crise profunda, temos a obrigação de nos sentir infelizes.
Eu sou feliz e neste momento sinto-me muito bem! :)
Acabei de regressar de férias e volto de barriga cheia.
Passei nos últimos tempos por períodos muito difíceis, muito complicados e é espectável que volte a passar, num futuro mais ou menos próximo. Algumas das pedras do caminho consigo já antever daqui, outras me surpreenderão.
Amar a vida é no entanto exactamente como amar alguém, não podemos esperar que nos esteja sempre a sorrir.
As agruras espreitam a cada esquina, pelo que sou apologista do “enquanto o pau vai e vem, folgam as costas”.
Acabei de chegar, recauchutada por orgias de sol e amizade, em companhia dos meus mais que tudo. Tenho a pele dourada a expelir calor e os músculos agradavelmente doridos dos passeios na praia. Volto para o meu pequeno paraíso privado, onde tenho o barulho da água a correr e o cheiro a flores como pano de fundo enquanto vos escrevo. Trouxemos recuerdos das férias, pequenos pedaços da alma das falésias, que vieram ainda mais embelezar o lar que tanto apreciamos.
Começamos agora a combinar os próximos encontros e “brincadeiras” (mentes porcas abstenham-se de pensar), com a família e amigos que também, já ou ainda, por cá vagueiam. A vida, por ser verão, está neste momento a meio gás. O apoio e companhia ao filhote, que se impõem nestas alturas, fazem com que passe uma série de coisas para prioridade dois.
Sinto-me neste momento completamente apaixonada pela vida.
Quase que hesitei no entanto em escrever este post.
Ás vezes sinto uma espécie de “vergonha”, actualmente não é nada bem visto dizermos que nos sentimos bem, é como se entrássemos em pelota num baile de gala, fica tudo a olhar escandalizado.
“As coisas” estão mal, nós também temos de estar. Há outros a sofrer, nós também temos de nos agarrar, de unhas e dentes, a tudo aquilo que possa de alguma forma interferir com a nossa felicidade, para garantir que empatisamos.
Acredito, do fundo da minha alma, que seja necessário um equilíbrio para que o mundo possa continuar. Com toda a merda que anda por aí, se não houver muita energia positiva, acredito que estejamos perante um futuro muito triste, muito sem graça.
Assim, no aqui e agora, que amanhã é um novo dia, acredito em apreciar todos os sorrisos, todas as carícias, todos os abraços que a vida nos queira dar.
Que tristezas não pagam dívidas e a vida é demasiado curta... ;)
Este vai dedicado aos amigos de Porto Covo, que me enchem a vida de sol… ;)
Ao fim de cerca de um ano de luta, mais uma jovem perdeu a guerra contra o cancro…
É das tais notícias que não gostamos de receber.
Não a conhecia pessoalmente, só aos irmãos mais velhos, que quem me informou disse estarem destroçados, outra coisa não sendo de esperar.
Dirigi-me ao velório, como a tantos outros antes, com um grande aperto no coração, sobretudo tratando-se de uma família tão próxima do mesmo.
Preparei-me para enfrentar um ambiente pesado, angustiante.
Surpreendentemente não foi com o que me deparei.
Havia muita dor, muita tristeza, sim, mas acima de tudo senti no ar uma coisa de que não estava de todo à espera: paz.
Estamos a falar de uma mulher com menos de quarenta anos, casada, com dois filhos pequenos, ao que tudo indica realizada e feliz. Estamos a falar, referindo-me só a quem conheço, de dois irmãos mais velhos, protectores e amigos da mana caçulinha.
Dramático é um adjectivo que me vem imediatamente à cabeça.
Ao falar com eles percebi o que se tinha passado e voltei para casa com um imenso sentimento de admiração por aquela família .
Aparentemente ela mostrou-se corajosa e lutadora durante todo o percurso. Enfrentou as provações com optimismo e força, esperando pelo melhor e preparando-se para o pior. Foi-se sem aparente mágoa ou revolta.
Ao fazê-lo, ao demonstrar que aceitava serenamente o seu destino, transmitia o mesmo sentimento a quem estava à sua volta. Ajudando-os assim, ainda em vida, a encetar o caminho que os levará a superar a sua perda.
Parece-me no entanto aqui bastante evidente a questão “ovo ou galinha”…
Ninguém, julgo eu, consegue atingir esta paz de espírito se não tiver uma estrutura de ferro à sua volta. A doença debilita e a ideia do que possa vir a acontecer só pode assustar, não são propriamente fontes de força e segurança. Sem apoio, tanto físico em termos de infra-estrutura e logística, como psicológico e emocional, tenho as minhas dúvidas que alguém se aguente.
Tive assim uma lição de vida, uma demonstração do poder do amor e bom senso conjugados.
Aqueles dois irmãos não me pareceram destroçados, não. Pareceram-me serenos e com força para enfrentar a vida que os espera sem ela. Pareceram-me felizes de a ter visto partir assim, em vez de gesticular e bater com os pés. Senti neles, em ambos, a sensação de terem feito tudo o que esteve ao seu alcance para lhe minimizar o sofrimento e ajudar a enfrentar a situação em todos os passos do caminho.
Senti sobretudo, relativamente a todas estas pessoas, que tinham pacificamente aceite a morte como parte integrante da vida.
Desejo-lhes que logo que possível a dor abrande o seu jugo para poderem mais levemente continuar os seus caminhos.
Ser mãe (ou pai) é uma responsabilidade tremenda, uma tarefa que não deveria de forma alguma, na minha opinião (lol), ser encarada de ânimo leve.
Criar um filho, prepara-lo para a vida, requer muito mais do que alimenta-lo, mantê-lo saudável e manda-lo para a escola, educa-los é imprescindível.
Educar não é fácil e ser educado também não, é no entanto extremamente importante para que consigamos viver em sociedade, as regras aprendem-se. Infelizmente parece que muitos lhe atribuem cada vez menos importância descartando-se, por razões várias, dessa “obrigação” parental.
Li uma vez algures que, se não nos odiarem um pouco de vez em quando, não estaremos a fazer as coisas como deve de ser e parece-me bem verdade.
Muitos pais tentam ser amiguinhos dos filhos, buddy buddys, mas não é esse o nosso papel e, se for o que desempenhamos, outro faltará na vida deles.
Costuma-se referir às crianças como sendo “anjinhos” mas a realidade é que, na sua maioria, parecem antes estafermos cruéis e impiedosos que, se lhes for dada rédea solta, se transformarão rapidamente em monstrinhos insuportáveis.
Cabe-nos ensiná-los, desde pequeninos, a gerir e controlar as suas emoções, conhecer limites, enfrentar as contrariedades, lidar com a frustração, assumir responsabilidades, esforçarem-se pelo que desejam, adquirir noções de justiça, etc, etc, etc…
Assim, temos de ser porto seguro, pilares da sua segurança e estabilidade emocional mas também juízes e carrascos quando necessário. Têm de compreender que o amor pode ser incondicional mas os benefícios não o são. Têm de aprender a assumir as consequências dos seus actos e fazer por merecer o que de bom recebem da vida.
Amor é uma coisa, passividade e permissividade são outra, que garantidamente não os ajudam.
Muitas vezes somos tentados a deixar passar certas coisas em prol de um bem estar imediato mas iremos quase sempre paga-lo bem caro mais tarde e o pior é que eles também.
Não há receitas milagrosas, não há livros de instruções, educar não é de forma alguma uma ciência exacta e todos sem excepção cometem erros. Cada caso é um caso e cada criança é única, felizmente muitos caminhos vão dar a Roma… Grave não é meter a pata na poça de vez em quando, grave é ficar de braços cruzados.
Finalmente ter filhos é, sem sombra de dúvida, uma grande aventura.
No entanto, se compreendermos que não é possível ensinar sem dar o exemplo, acaba por ser também uma grande ajuda pessoal, obrigando-nos a rectificar aquilo que não nos agrada em nós próprios. ;)
No Sábado passado, empoleirei-me para cortar uns ramos altos da nossa árvore e, pela terceira vez na vida que me lembre, vi-me frente a frente com a morte, ou pior…
O escadote partiu-se e vim por ali abaixo, de tesoura de podar na mão, estatelando-me no chão com a cabeça a poucos centímetros de dois pedregulhos.
Aos doze anos, por altura das marés vivas, ignorei o sinal de “não passar” no pontão do Tamariz e fui arrastada para o mar por uma onda que o varreu. Engoli água e areia e respirei quando as ondas fizeram o favor de me trazer á tona e depois finalmente de me atirarem para a praia.
Já perto dos trinta estive num acidente de automóvel. Partiu-se subitamente a suspensão, fizemos uns quantos peões, capotámos por uma ribanceira abaixo e, quando o carro finalmente parou, percebemos que estávamos dentro de água a afundarmo-nos.
Qualquer uma destas situações poderia ter sido fatal. Consigo, com imensa facilidade, imaginar várias coisas que poderiam ter corrido muitíssimo mal em qualquer uma delas. Entre a morte e as eventuais terríveis consequências que qualquer um destes acidentes poderia ter tido, venha o diabo e escolha.
Mas nada aconteceu, safei-me incólume de todos eles, nitidamente não era a minha hora.
Estas coisas fazem-nos no entanto pensar, pensar naquilo de que nos safámos e nas pessoas que não tiveram a mesma sorte.
Pensar na efemeridade da vida e consequente importância de viver o aqui e agora.
Pensar, desta vez, no meu filho, que não existia ainda das anteriores…
No meio do chuto de adrenalina do cagaço á posteriori, dei por mim a perguntar-me o que gostaria de lhe transmitir, que mensagem gostaria de lhe deixar se de repente lhe faltasse, no que lhe poderia dizer que o pudesse ajudar na vida.
E o que me ocorreu de imediato foi “sê feliz, sê realmente e genuinamente feliz”…
Eu sei que parece uma lapalissade sem grande sentido, é evidente que todas as mães desejam a felicidade para os seus filhos. A realidade é que nem toda a gente tem a noção de que está nas suas mãos sê-lo e que, ao fazer por isso, tudo o que de resto é importante vem naturalmente.
Acredito, do fundo do coração, que não se consiga ser verdadeiramente feliz sozinho. Assim, a conquista da felicidade passa pelo domínio dos skills sociais.
Não conheço nenhum filho da mãe que pareça viver em paz consigo próprio e com os outros. Assim, ser boa pessoa parece-me ser condição sine qua non para se ser feliz.
A felicidade não cai do céu, tem de ser desejada, conquistada, conservada. Assim, aprende-se a fazer pela vida, a trabalhar pelo que é realmente importante.
Um grande desequilíbrio entre a emoção e a razão, a incoherência, não nos permite viver em paz de espírito. Assim, a harmonia entre as duas coisas torna-se essencial para podermos ter serenidade.
And so on…
Dei por mim a compreender que ao “mandar” alguém ser feliz, ao desejar que o consiga, está-se simultaneamente a desejar que consiga resolver todas as questões que o irão permitir. Que o “objectivo” de ser feliz resolve todas as outras coisas que irão surgir pelo caminho. Que não é possível atingir a felicidade sem que uma série de condições sejam cumpridas e que aqueles que lá chegam as compreendam e resolvam.
Logo, desejar que alguém seja feliz, pedir-lhe, aconselha-lo a sê-lo, é dar-lhe ao mesmo tempo todos os conselhos realmente importantes que se podem dar na vida, mesmo que essa pessoa tenha de lá chegar sozinha.
Se conseguir ser feliz é porque, mal ou bem, conseguiu tudo o resto.
No outro dia, quando estava a tratar do micro-laguinho que construí para poder ter nenúfares, peixes e barulhinho de água corrente, dei por mim a pensar que passo a vida a arranjar sarna para me coçar.
A partir do momento em que tive a minha própria casa, “vinguei-me” do facto da minha mãe não ser grande apreciadora de bichos, povoando-a dos mesmos de tal forma que, ao fim de uns tempos, demorava mais de uma hora por dia a tratar deles. Ia dando em doida… lol
Com a experiência fui aprendendo a gerir melhor o equilíbrio entre trabalheira e gozo e a evitar as relações de alta manutenção e retorno dúbio.
Quando se fala em animais, plantas, ás vezes até em crianças, muita gente refere que “dão muito trabalho”. É verdade que dão…
Cada vez mais me convenço no entanto que esse “trabalho” é não só o que nos liga intimamente a eles, como um requisito essencial para os conseguirmos verdadeiramente apreciar.
Quem cuida envolve-se.
Há quem não goste de se envolver, quem seja desprendido, independente, quem não tolere amarras, preferindo a liberdade de movimentos, a leveza de não ter responsabilidades deste tipo.
É verdade que o hábito, o gosto de cuidar, nos sujeita frequentemente a uma que outra dor de cabeça ou preocupação. É verdade que às vezes nos prende, pesa e limita. Para além disso nem sempre implica tarefas fáceis ou especialmente agradáveis.
Cuidar é no entanto oferecer parte de nós, partilhar o nosso ser e como tal usufruir do que nos rodeia de uma forma muito mais completa, mais rica, mais intensa. Cuidar é estar atento, criar laços, alimentar relações, envolver-se profundamente com o mundo à nossa volta. Cuidar é preocupar-se, no bom sentido da palavra, com aquilo ou aqueles que nos rodeiam e fazer o que estiver ao nosso alcance pelo seu bem-estar.
Julgo que dificilmente uma mãe conseguirá ter uma relação muito forte ou próxima com o filho se este for criado por uma ama, sendo com esta que ele tenderá a criar a sua relação afectiva privilegiada. Para gerar afecto, amor, envolvimento emocional, é preciso que haja partilha, contacto, entrega, não bastam laços de sangue e tomadas de decisão.
Da mesma forma, apesar de não haver retorno activo da parte das plantas (lol) não acredito, por exemplo, que quem tem jardineiro consiga dar tanto valor ao seu jardim como quem trate dele com as suas próprias mãos. Quem rega, aduba, corta, poda, planta, acaba por senti-lo, tanto quanto o vê, é uma relação que ultrapassa de longe o aspecto estético.
Passo, gasto, sem dúvida, muito do meu tempo a cuidar de pessoas, animais e plantas… acredito no entanto que sem isso não seria garantidamente a mesma, nem apreciaria a vida de forma tão profunda e intensa.
Or so they say…pessoalmente, acho que muitas vezes simplesmente não quer ver.
Pomos aqueles que amamos num pedestal, desviando instintivamente o olhar dos seus defeitos e imperfeições, como se tivéssemos medo que o facto de os encararmos como tal fosse de alguma maneira afectar o nosso amor.
Com eles tendemos a ser permissivos, tolerantes, pacientes, indulgentes, condescendentes, aceitando comportamentos que não toleraríamos de mais ninguém, arranjando geralmente forma de os justificar.
Perdoamos ao ente querido actos que provavelmente criticaríamos implacavelmente a terceiros, tornando-nos, parciais, tendenciosos e por vezes até injustos.
Ás vezes fazemo-lo por empatia, por nos reconhecermos neles, não tendo assim que os assumir como indesejáveis. Outras, pelo contrário, vão de tal forma contra tudo aquilo que somos, que preferimos renega-los completamente.
É muitas vezes difícil convencer uma mãe de que o seu filho cometeu efectivamente um acto danoso ou levar um amante a condenar uma atitude do outro, por exemplo. Esta negação, esta falta de visão, podem no entanto levar a amargos dissabores. Quem não conhece o caso clássico do casal que se separa, passando “o outro” de bestial a besta, do dia para a noite… do pai que "renega" o filho que comete alguma "atrocidade", perfeitamente previsível se o tivesse encarado com olhos de ver.
As pessoas não precisam de ser perfeitas para serem dignas do nosso amor, nada é perfeito, ninguém é perfeito, nem eles, nem nós. Parece-me portanto fundamental que as aceitemos tal como são, com todos os seus prós e contras bem definidos nas nossas mentes.
Um amigo nosso costumava dizer que “homem que é homem, papa miúdas feias… as giras qualquer um papa”. lol
Gostar de alguém apesar dos seus “senões”, parece-me muito mais positivo do que tapar o sol com a peneira e fazer de conta que não os tem.
Por outro lado, ingénua, iludida ou simplesmente parva, a verdade é que acredito que nos seja possível ajudarmo-nos mutuamente a ter uma postura mais positiva na vida.
Se não identificarmos aquilo que consideramos pontos fracos no outro, não poderemos tentar abrir-lhe os olhos no sentido de tentar melhorar, não poderemos agir por forma a ajuda-lo a “trabalha-los”, o que iria possivelmente não só melhorar a sua qualidade de vida, como também a nossa.
Depois há as coisas que não se podem mudar e quanto a essas batatas, como se costuma dizer, “não há bela sem senão”.
O que me parece, no fundo, realmente importante é que se ame aquilo que o outro é efectivamente e não uma ilusão criada por nós. ;)
Em termos emocionais, certas pessoas parecem estar na vida como se de um concurso se tratasse, encarando o próximo como potencial concorrente. Concurso de afectos, concurso de popularidade, consciente ou inconscientemente, alguns comparam-se constantemente com terceiros, controlando a sua própria posição numa escala imaginária.
Batalham pelo coração alheio, como se este não fosse um gigantesco órgão, de capacidade quase infinita. Não se parecem dar conta de que é possível gostar simultaneamente de muita gente, de muitas formas. Querem à força lugar num pódio que na realidade não existe.
Estes sentimentos seriam inócuos se não passassem de macaquinhos no sótão de quem deles padece. A questão é que este espírito de rivalidade acaba invariavelmente por levar a antagonismos e animosidades. Como irracional que é, acaba frequentemente por gerar atitudes impensadas, que não trazem proveito a ninguém, inclusive aos “seres amados”.
Assim, é comum que, de uma forma mais ou menos consciente, tentem manipular estes últimos, denegrir os outros aos seus olhos, que exerçam chantagens emocionais, assumam um papel de vítimas, distorçam factos por forma a ficarem melhor na fotografia, etc... Tudo com vista a, de alguma forma, os forçar a escolher, a tomar partidos.
Que bem de tudo isto poderá advir, é o que muitas vezes me pergunto. Que prova de amor daí se retira é outra questão. Só me faz pensar na história do Rei Salomão, propondo cortar a criança ao meio. As nossas inseguranças não deveriam lesar terceiros, muito menos os que são importantes para nós.
A afectividade tem várias vertentes... amorosa, de amizade, familiar, etc. Estas não são exclusivas, não “tiram bocado” umas ás outras. Em muitos casos, até pertencendo à mesma categoria, podem coexistir pacificamente. Uma mãe pode gostar igualmente de todos os filhos, mesmo que eventualmente o demonstre de formas diferentes.
Assistimos no entanto a pais que se degladiam pelo amor dos filhos. A filhos que fazem o mesmo pelo dos pais. A namorados(as) que não descansam enquanto não afastam o outro dos(as) amigos(as) ou até ás vezes vice-versa. A relações amorosas que não admitem o relacionamento com alguém que tenha estado no seu papel no passado. Etc, etc, etc... A realidade é que só ganhariam se vivessem em harmonia, se compreendessem que há lugar para todos.
Quem já assistiu ao jogo infame de dois pais em luta pelo amor de uma criança, terá noção do efeito devastador que pode ter, das sequelas que pode deixar. Os adultos são mais resilientes, têm mais capacidade de encaixe, mais noção de que na vida nem tudo corre como gostaríamos. Não deixam por isso de ser afectados, de sofrer com estas guerras, de ver o seu mundo virar-se de pernas para o ar, de se sentir entre a espada e a parede.
Cada um de nós tem o seu papel na vida alheia. O seu papel presente, a sua função, a sua importância e estes não anulam os dos outros, reforçam-nos. As pessoas providas de inteligência emocional conseguem interiorizar isto e aliam-se em prol do bem comum, as outras fazem-se frente e dividem-se. São as que não conseguem compreender que é a união que faz a força, não o conflito.
Disclaimer: este saiu um cadinho longo… se não estão com tempo, façam inversão de marcha e voltem noutra altura. ;)
Criar um filho… tarefa hercúlea… grande responsabilidade…
Mas o que quer isso dizer, afinal?
A meu ver, significa zelar para que cresça forte e saudável e educa-lo. Por educar entenda-se dar-lhe todas as bases possíveis para que possa ser feliz, tanto na infância como na idade adulta.
Acho que esta parte anda a ser descurada por muita gente, cada vez mais me apercebo de que as crianças não andam a ser educadas, é um bocadinho assustador.
Assustador, não pela irritação que estas nos possam causar, mas porque o que vejo, quando observo as crianças birrentas, egoístas, malcriadas, etc que por aí andam, é uma grande infelicidade…
Se não forem felizes, como poderão fazer outros felizes? E assim se gera um círculo vicioso. Onde irá parar este mundo?
Não me considero, de todo, perita no assunto. Para além disso, acredito que vários caminhos vão dar a Roma, que vários métodos educativos possam conseguir o mesmo objectivo final.
Decidi no entanto partilhar a minha experiência convosco, pois parece-me estar a dar bons resultados. É só mais uma receita…
Estou consciente de algumas falhas que cometi e certa de que mais estarão por vir. Não existindo manual de instruções, só podemos contar com o nosso bom senso, associado à experimentação. Nem sempre funciona. ;)
Uma das coisas que, noto, falta aos pais actuais, é tempo. Quer-se dizer… tempo têm o mesmo que toda a gente, 24h por dia, dedicam é pouco aos filhos. Alguns não terão escolha, outros talvez façam uma distribuição desequilibrada do mesmo.
Hoje em dia passamos a vida a correr. Pois eu recuso-me a transmitir essa ansiedade constante ao meu filho. De manhã, levanto-me dez minutos mais cedo do que seria necessário, para os poder passar enfiada na cama com ele. Não o acordo a dizer “despacha-te”, dou-lhe festinhas, beijo-o, falamos, brincamos ou ficamos simplesmente na ronha enroscados um no outro.
Algures durante o dia arranjo mais um tempinho para ele, quer seja simplesmente a fazer-lhe companhia enquanto brinca, como a fazer alguma coisa em conjunto. Não é preciso muito tempo, embora ás vezes o seja, mas qualquer quarto de hora/meia hora já lhe enche as medidas.
A minha sobrinha veio cá passar um dia/noite a casa. No regresso disse orgulhosa à mãe; “Em casa da tia Cristina há montes de regras e eu fiz todas!!!”
Também as há, é um facto, lol, mas aquilo a que ela se estava a referir era ás rotinas.
Não sendo totalmente obcecada ou inflexível, acredito que estas tragam uma sensação de segurança ás crianças. A prova é que a piolhita não se queixou, “gabou-se”. Existem horários e tarefas a cumprir no dia a dia, se não for o caso é excepção e não regra.
Quanto a estas… ninguém vive exactamente como gostaria, é bom que se compenetrem cedo disso. “Eu queria…”, também eu queria muita coisa. Vivemos em sociedade e como tal temos de cumprir com as suas regras, temos de respeitar e ter consideração pelo próximo, temos de adquirir os skills necessários para viver em harmonia com nós próprios mas também com os outros, afinal de contas a nossa liberdade acaba onde começa a deles.
Só para dar um exemplo de regra, mas tantos haveria, nunca o deixei brincar com chaves, telecomandos, telemóveis e afins. Há brinquedos de criança e objectos de adulto, se estes puderem constituir perigo ou estragar-se nas mãos inexperientes de um pimpolho, a meu ver não são simplesmente para lá estar. Não tirei as coisas dos sítios, simplesmente o fiz compreender que não podia mexer-lhes.
A minha avó costumava dizer que não existe “mimo a mais”…
Como, então não existem criancinhas mimadas?!
A meu ver, as crianças não ficam “mimadas”, por excesso de “mimos”, ficam-no porque existem incongruências na sua educação, porque não lhes são óbvios os limites, porque se habituam a exigir e receber tudo, mesmo que não faça qualquer sentido…
Eu cá vou pela minha avó, dou mimo como se não houvesse amanhã. Só é preciso ter em mente a razoabilidade das coisas.
Encho-o constantemente de beijos, de abraços, de carícias, digo-lhe a toda a hora como o adoro… tenho inclusivamente o cuidado de o fazer sempre que me zango com ele ou o ponho de castigo. Parece-me importante que perceba que o facto de tomar uma atitude que não lhe é agradável não tem nada a ver com falta de amor.
Em termos materiais é igual, só não lhe proporciono o que não posso ou o que acho que não faz sentido ele ter.
Tento que se aperceba de que a vida é como os interruptores, umas vezes para cima, outras vezes para baixo e não há mal nenhum nisso. Cá em casa não há “dramas”, as coisas encaram-se tal como são. Chatices, dificuldades, preocupações, desgostos, são coisas por que todos temos de passar, quer queiramos quer não e ele não será excepção. Explico-lhe a diferença entre o ser e o estar e que o facto de nos sentirmos infelizes em determinados momentos não quer dizer que sejamos infelizes. Não tento evitar-lhe as agruras da vida mas sim que dê valor ás coisas boas que tem. Tento fazê-lo compreender que, o facto da balança tender mais para o lado positivo, depende muito mais de nós do que as pessoas gostam de reconhecer.
Explico-lhe tudo, respondo a todas as suas questões, dentro da medida da sua compreensão e do meu conhecimento. Desenvolvo os temas, utilizo exemplos e metáforas, ás vezes investigo, falamos muito. Adapto as respostas à sua idade e capacidade de entendimento e, quando isso não é possível, explico-lhe que ainda não tem bases suficientes para que consiga sequer tentar, que mais tarde falaremos sobre o assunto.
Respeito as suas tendências naturais. Não é uma pessoa física, não tento portanto empurra-lo ou força-lo, para além do que é saudável, nesse tipo de actividades. Não acredito que se ganhe gosto pelas coisas por se ser obrigado a fazê-las, antes pelo contrário.
Evidentemente que contrario um bocado as suas vontades pois, por si, passaria os dias dentro de casa, a brincar ou afundado no sofá em frente à televisão. Tento que não leve uma vida demasiado sedentária. Mas não o obrigo a praticar desporto ou sequer a andar de skate ou bicicleta se não estiver para aí virado. Se, no entanto, mostrar algum interesse, tento estimular e ajudar, no que estiver ao meu alcance.
Em contrapartida, sendo ele todo cerebral (o que, aqui entre nós e como poderão compreender, para mim é ouro sobre azul…lol) puxo por ele sem dó nem piedade. ;) Se é para o “meu desporto” que é dotado, tem aqui um treinador empenhado e exigente.
Jogo imenso com ele, por exemplo, todo o tipo de jogos, em todo o lado… no carro, na praia, em casa… jogos de palavras, de cartas, de tabuleiro… Encaro o jogo como uma ferramenta formativa sem igual, em termos de desenvolvimento cerebral, dele retiramos lições importantíssimas.
Cá em casa não há abébias, ninguém faz batota e os meninos não ganham só porque são pequeninos. Jogam-se jogos adaptados à sua idade, como tal que se façam á vida como os outros. Umas vezes ganham, outras perdem, é natural.
Isto permite-lhes aprender, através de uma actividade lúdica, a lidar com a frustração, a conseguir objectivos, a desenvolver estratégias, a perceber que existe um factor sorte e um factor raciocínio em tudo o que fazemos, a empenhar-se para ganhar… porque no fundo, ninguém gosta de perder.
Apesar de todo o esforço que dirijo no sentido de fazer do meu filho um ser humano intrinsecamente feliz, apesar de o considerar a pessoa mais importante da minha vida, sem qualquer sombra de dúvida, estou perfeitamente consciente de que também eu tenho vida. Não me anulo por ele, tento sempre coordenar interesses, fazer com que as coisas sejam equilibradas.
Várias razões me levam a crer que estou no bom caminho…
O Pedro é um menino que não tem pesadelos, por exemplo. Oh, como me lembro da angústia dos pesadelos da minha infância… Contam-se pelos dedos de uma mão os que ele me reportou desde que nasceu.
Não faz birras, essas contam-se pelos dedos da outra mão. Fica chateado, claro está, fica contrariado, um bocadinho “de trombas” ás vezes, mas “cenas” não há.
Aceita a autoridade sem revolta, questionando-a pontualmente, pedindo ás vezes justificação para as coisas, o que não me parece senão saudável.
Apesar de tímido, depois de ultrapassada a primeira barreira, é uma pessoa sociável e bem educada.
Tem capacidade de concentração, quando se interessa pelas coisas, não dispersa.
Aceita serenamente as diferenças, as suas e as dos outros.
É basicamente uma criança alegre e sorridente.
Estou consciente de que fases mais complicadas virão, de que a adolescência não é pêra doce.
Não acho que seja perfeito, ninguém é. Consigo inclusivamente identificar características que não o irão favorecer na vida, há que lhe fornecer as ferramentas para as trabalhar. Mas sinto nitidamente que, com a minha ajuda, tem muito mais hipóteses de sucesso. Educar não é treinar, como se faz aos cães, é ensinar a pescar… ;)