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quinta-feira, 9 de junho de 2016

De cavalo para burro



Não vivemos tempos nada fáceis, raios os partam…

Pessoalmente não me lembro de nenhum período em que tanta gente, de todas as camadas sociais, tivesse de fazer downgrade ao seu estilo de vida.
Passar de cavalo para burro, como se costuma dizer, é terrivelmente penoso.

Há tempos falavam-me de alguém que, coitadinho, tinha descido de tal forma na vida, que hoje em dia já só tinha X€ por mês para viver.
Afluíram-me imediatamente à cabeça palavras começadas por F… bips de censura e ###s... pois com essa “miséria” nós cá em casa aguentávamo-nos mais de seis meses!!!

No entanto, depois de recuperada do meu ataquezinho de inveja polvilhado de self-pitty, conhecendo a pessoa em questão e aquilo a que estava habituada, dei-me conta que deve de facto ser lixado.
De onde partimos, neste caso, não altera em nada a situação, é o sentimento de perda que custa. A morte de um filho tanto dói a quem tenha dez, como a quem tenha um…

O que nos agrada, nos atrai, e não temos; encanta-nos, faz-nos sonhar, motiva-nos até. Aquilo que apreciamos e sem o qual ficamos; dói.
Estou absolutamente convencida que seja muito mais duro perder a visão do que nascer cego, perder um grande amor do que nunca o ter vivido, viver debaixo da ponte quando já se teve uma casa… o termo de comparação é que dá cabo de nós.

Dito isto, a vida são dois dias, pelo que é bom que os aproveitemos (ambos…lol) da melhor forma possível. Para além disso, não há dúvida que estas situações são excelentes oportunidades de crescimento interior.
Não sendo de forma alguma fáceis, não precisam também, a menos de casos extremos, de se transformar em dramas. O sofrimento não vai melhorar a nossa situação, antes pelo contrário, há portanto que tentar atenua-lo na medida do que nos for possível.
Para além disso, realidade é que se consegue viver, e bem, com muito menos do que aquilo que julgamos.

O truque começa por nos habituarmos a olhar tendencialmente para baixo e não para cima. Se é verdade que há quem tenha muito mais do que nós, há também quem tenha francamente menos e é preciso ter essa noção para conseguirmos pôr as coisas em perspectiva.
Matutar sobre o que nos faz falta, provoca sentimentos de frustração, de revolta, azeda-nos a alma. Dar valor às coisas boas que  temos, gera uma sensação de reconfortante gratidão.
Se para além disso interiorizarmos que há coisas muito mais graves do que as questões materiais, que há quem se debata com problemas de saúde, quem tenha de lidar com a morte de entes queridos, etc… ver o copo meio cheio tornar-se-há mais fácil ainda.

Assumir a nossa situação, a meu ver, também ajuda bastante. Não estou a sugerir que ponhamos um anúncio no jornal mas passar por dificuldades, ainda para mais numa altura em que isso é o pão nosso de cada dia para tanta gente, não é vergonha nenhuma.
Parece-me importante sobretudo para que não esperem de nós aquilo que não podemos dar.

Estou a rever o Friends com o meu filhote. Nem a propósito, o episódio de ontem era justamente sobre o tema das dificuldades financeiras.  Três deles ganham bem, enquanto que os outros três contam tostões, não conseguindo acompanhar o estilo de vida dos primeiros, criando-se assim um fosso que divide o grupo.
Inútil será dizer, spoilerrr, que tudo acaba por se resolver.

Nesse sentido, estas alturas até são fixes para separar o trigo do joio; um verdadeiro amigo não se chateia por não conseguirmos acompanha-lo ao restaurante da berra, aparece-nos em casa e traz o jantar… ;)
Meter o orgulho no saco (para não dizer noutro sítio) e aprender a aceitar a ajuda alheia e a apreciar genuinamente os miminhos que nos queiram fazer, ajuda muito a aguentar o barco.
Tudo custa sempre mais quando nos sentimos sozinhos, desamparados. Se nos isolarmos sentiremos muito mais o peso da nossa condição.

Mudam-se os tempos, há que  mudar de vida.
Tentar manter os padrões aos quais estávamos habituados só nos levará ainda mais ao buraco.
Há que encarar o facto que quando não há guito, não há palhaço mas, se nos deixarmos de vergonhas, podemos perfeitamente manter uma vida socialmente activa e gratificante.
Não podemos ir ao restaurante? Jantemos em casa, cada um traz qualquer coisa.
Não dá para ir ao cinema? Combinemos uma noite de jogo.
Não temos dinheiro para oferecer uma prenda decente? Organizemos uma vaquinha.
Há sempre soluções alternativas.

Se vos dissesse que estou satisfeitíssima com a minha condição actual, estaria a mentir, custa-me, custa-me para caramba, sobretudo porque já conheci outro tipo de vida, lá está.
Agora não posso negar que, a necessidade fazendo o engenho, muitas coisas positivas nasceram deste apertar de cinto.

Organizo regularmente aquilo a que chamamos “Chás das trocas”, simpáticos convívios em que cada um trás coisas que já não quer e leva para casa o que lhe apetecer. Fazemo-los temáticos; de roupas e acessórios, de livros, de coisas para a casa. São sempre muito concorridos e animados, com a enorme vantagem de o que sobra ser entregue a causas de solidariedade.

Passei a fazer eu montes de coisas em vez de as comprar; roupas, bijutaria, sacos, malas, almofadas, candeeiros, objectos vários, prendas para os amigos… na maior parte dos casos reutilizando materiais que já tinha em casa ou que me dão. Não imaginam o gozo supremo que me proporcionam estas manualidades.

Desenvolvi jeito e gosto pela jardinagem. Trago pés e rebentos de casa dos amigos, apanho-os na rua, no “lixo” da jardinagem da zona e planto-os em casa. Reproduzo as plantas, seco folhas e flores, aproveito-as para decoração, ofereço-as.

Isto só para dar os exemplos mais flagrantes do lado positivo da coisa.


Não consigo olhar com rancor ou azedume para belos corcéis, sinto-me feliz por eu própria já ter montado uma pileca e dou graças pelo meu burrito, que há quem ande toda a vida a pé. ;)



COM MÚSICA


segunda-feira, 4 de abril de 2016

Botão de Onofre

Pouquíssimas são as coisas que suscitam em mim sentimentos de inveja, uma delas sendo a natureza completamente cool de certas pessoas.
O meu filhote, por exemplo, é assim. Leva a vida saltando levemente de nenúfar em nenúfar, calmamente, descontraidamente, nada parecendo afecta-lo de sobremaneira.

Já eu, sou um caso completamente diferente. Não faço ideia se estas características já virão com o ADN ou se serão fruto das experiências de cada um mas a realidade é que sempre vivi em sobressalto.
Ansiedade is my midle name.

Tenho naturalmente oscilações de intensidade mas, desde que me lembro, que vivo em constante luta contra a desgraçada.
Exceptuando ali à roda dos meus vinte anos, em que passei por um período de ataques de pânico (experiência que não desejo ao pior inimigo), nunca me impediu de levar uma vida  normal.
Viver regularmente com um nó no estômago não é no entanto propriamente agradável.

A dependência, de seja o que for, sendo uma ideia que sempre me assustou, nunca me deu para me virar para fármacos e afins.
A minha luta tem portanto sido essencialmente cerebral e, confesso, até à data bastante inglória.
Não é no entanto o facto de andar a perder batalhas há cinquenta anos que me esmorece os ânimos e não tenho intenções de baixar os braços e dar-me por vencida.

Recentemente e pela primeira vez, parece que estou a levar a melhor. É ainda cedo para o afirmar categoricamente mas julgo ter arranjado forma de calar a desgraçada, quanto mais não seja em grande parte dos casos.
Tenho esperanças de, com o tempo e a prática, conseguir finalmente ganhar esta malfadada guerra.

O meu cérebro é, simultaneamente, a minha melhor ferramenta e o meu maior handicap.
É ele que uso para manter as emoções à rédea curta, para aprender, para alinhavar estratégias, para controlar e dirigir a minha vida.
Só que o desgraçado parece ter vida própria e atazana-me mesmo quando não lhe peço nada, às vezes até durante o sono. É um bocado como um smartphone com montes de Apps a correr em background, permanentemente a gastar energia e recursos.

Pessoalmente, não são tanto as preocupações que me atormentam, embora pontualmente as tenha, como qualquer pessoa. Consigo já no entanto dar-lhes relativamente bem a volta com alguma facilidade.
O estar permanentemente a tentar “resolver” situações é que me provoca nitidamente essa tal sensação de ansiedade.

Resolvi assim, tal como o faço com o telefone, ir fechando as aplicações que não estou a usar. Ou seja, não me permito divagar, ocupar a minha mente com questões que não tenha efectivamente pela frente.
Quando é para lidar com alguma coisa, arregaço as mangas e vamos a isso. Situações hipotéticas ou relativamente às quais não há nada que possa fazer no momento, ponho-as de lado até eventualmente serem efectivamente uma realidade.

Se vos dissesse que é fácil ou que sempre o consigo fazer, estaria a mentir. São muitos anos de cérebro a funcionar em permanência, a varrer hipóteses, a jogar xadrez, a fazer filmes… a verdade é que cada vez vai custando menos.






COM MÚSICA

domingo, 8 de março de 2015

A mudança que queremos ver no mundo...

Tivemos recentemente cá em casa um mini-drama, em que o meu filho me disse que não estava feliz.
Nunca, até á data, tinham desta forma soado os sinais de alarme a seu respeito...
Estou convencida que, consciente ou inconscientemente, ele tinha noção da bomba que iria ser a sua afirmação, dado que estou sempre com conversas sobre a felicidade.

Cá em casa, todos temos de ser felizes, incluindo a cadela, os gatos e a cobra... lol... é o nosso lema, o nosso credo, a nossa missão, a nossa razão de ser... abraçar a felicidade e distribui-la à nossa volta.
Se a de algum dos membros da família estiver por alguma razão vacilante, todos contribuímos para que regresse ao bom caminho.

Depois de pensar um bocadinho sobre o assunto e o discutir com a cara metade, chegámos à conclusão de que não havia na realidade razão para preocupações.
Uma pessoa que canta no duche, está sempre a dizer piadas e leva a vida com energia e boa disposição, não é uma pessoa infeliz.
Sabendo muito bem a mãe que tem, utilizou no entanto a palavrinha mágica, que sabia ir mexer comigo, para me alertar para uma situação que não lhe agradava.

Apesar de tudo o que para aqui debito e da minha "filosofia de vida" baseada na felicidade, eu não sou uma pessoa fácil, tenho perfeita consciência disso.
Tento repetida e persistentemente por em pratica tudo o que apregoo, perdoo-me quando falho, penso que para a próxima farei melhor e não desisto.
Isto não impede que tenha um feitio desgraçado, que volta não volta foge das catacumbas onde o tento manter prisioneiro, que nem dragão da Daenerys, criando um tornado à minha volta, que leva tudo à frente.
Todos temos características que não nos ajudam nada na vida, esta é uma das minhas, o que não implica que encolha os ombros e diga "eu sou assim".

Neste caso, a suposta infelicidade do meu rebento, tinha a ver com a forma leonina como tenho andado em cima dele, nos últimos tempos, relativamente à escola.
Nos primeiros anos do liceu eu era excelente aluna. Tenho dois dedos de testa, tive bons professores, a coisa corria muito bem. Até que foi preciso começar a estudar a sério, a empinar, a gerir e organizar o estudo e trabalhos das várias disciplinas.
Era tarde demais, não tinha o habito, não sabia como, não me senti capaz... e desisti por isso de abraçar uma que outra profissão que, estou hoje em dia convencida, me poderia ter assentado que nem uma luva.

Raios me partam se vou deixar que aconteça o mesmo ao meu filho!
Não lhe peço nunca mais do que aquilo que sei que pode dar, só o seu máximo em tudo.
Não espero que ganhe o corta mato da escola ou que venha a falar fluentemente francês (snif) pois são capacidades ou apetências que não tem.
Não há no entanto absolutamente nenhuma razão para que alguém que gosta de matemática, que tem facilidade em domina-la e que tem (pelo menos neste ponto do campeonato) intenções de seguir uma via em que esta é fundamental, tenha negativa nessa cadeira, por exemplo.

Dito isto, há formas e formas de fazer as coisas e calhando virar ogre não é de facto das melhores... ;)
A palavrinha mágica, a declaração de infelicidade foi, no fundo, uma forma de gritar "estás a fazer tudo mal, minha... por aí não vamos lá. A única coisa que estás de facto a conseguir è stressar-me pa caraças... "
Ele lá sabe, nem que seja intuitivamente, que ás vezes as pessoas precisam de levar um estaladão na cara para abrir os olhos.

Parar para pensar, por as coisas em questão, em perspectiva, dar a mão à palmatória, compreender que já é mais do que tempo de arrepiar caminho e optar por outro menos tortuoso, é pontualmente fundamental na vida.
Passei os últimos doze anos a validar os berros que damos aos putos, por ser o que a maior parte de nós faz. Olhamos para o lado, pensamos "não sou a única, é ok..."
Mas não é... não é porque os outros agem mal, que devemos fazer o mesmo.
E não é porque sempre agimos de determinada maneira que temos de continuar fazê-lo, se chegarmos à conclusão que está errada.

"Sê a diferença que queres ver no mundo"...
Pessoalmente não quero de todo um mundo de filme neo-realista italiano, em que tudo berra, tudo grita.
As mensagens passam muito melhor pacificamente, num ambiente em que as pessoas não se sintam agredidas.

Apesar de tudo isto, sou uma mãe especialmente fixe em muitas outras coisas e dei-me conta, na longa conversa que tivemos, que ele me conseguia apontar umas quantas de que não gostava nada mas era incapaz de me dizer uma em que achasse que eu era boa, apesar de reconhecer que existiam várias.

Já se perguntava a Julia Roberts, no Pretty Woman "porquê que as coisas más a nosso respeito são sempre tão mais fáceis de acreditar!?"
Da mesma forma, mais facilmente recordamos os erros dos outros, aquilo em que nos magoaram, nos agrediram, nos lesaram, do que as coisas que fizeram connosco ou por nós, que tenham gerado sentimentos positivos.

Propus-lhe assim que tomasse nota num livrinho, de tudo o que eu fizesse nos próximos temos, que o chateasse ou lhe agradasse, e que o discutíssemos regularmente, para em conjunto analisarmos a esperada evolução da metamorfose da minha pessoa, de Gollum  para Smigel... lol

Qual não é o meu espanto quando, ao  fazê-lo ao fim de uns tempos,  verificamos que só lá tem coisas agradáveis escritas...

Ele há dias bons... :)))

COM MÚSICA











quinta-feira, 13 de novembro de 2014

A diabólica menopausa.


Nos últimos tempos dei por mim a ter crises de angústia absolutamente terríveis, ao ponto de acabarem por despertar a minha Úrsula Adormecida.
Não as conseguia atribuir a nada de concreto. Se vos dissesse que tudo está fantástico para estes lados, estaria a mentir. A verdade, no entanto, é que já esteve bem pior. Não, a minha vida actual não parecia de forma alguma justificar este descontrolo.
Assim, tendo perfeita consciência do poder da mente sobre o corpo e vice-versa, antes que a coisa descambasse, tentei perceber o que se poderia estar a passar.

Não foi muito difícil, bastou parar para pensar um bocadinho, aperceber-me de todos os outros sintomas; a filha do demo estava de volta!
A menopausa não vem logo para ficar. Não, começa a rondar discretamente, afasta-se, volta subitamente, dá umas dentadinhas, torna a soltar… parece um gato a brincar com a presa.

Há cerca de um ano estive no fundo do poço, há muito tempo que não me sentia tão mal. Enfim, como dizia o outro, estive à beira do abismo mas dei um passo em frente… ;)
Estou hoje em dia profundamente convencida que foi a cadela que me pôs naquele estado e determinadíssima a não a deixar repetir a proeza.

Entrei na pré-menopausa há sensivelmente ano e meio e logo comecei a investigar o assunto, pois gosto sempre de saber com o que contar.
Cada uma de nós tem direito às suas maleitas, embora haja algumas mais comuns, que nos afligem com maior ou menor intensidade. Descobri no entanto que há uma série de sintomas potencialmente associados que nunca me passaria pela cabeça relacionar.

Se não controlarmos a coisa de alguma maneira, sentimo-nos literalmente a enlouquecer.
Pelo que consegui averiguar, parece ser hoje bastante consensual que as compensações hormonais sejam de evitar, devido ao risco de cancro. Pessoalmente não estou minimamente inclinada para assumir esse risco.

Os pais e/ou a escola preparam-nos para as primeiras fases da nossa vida, ninguém o faz para as últimas, temos portanto de aprender sozinhos ou deixar-nos ir com a maré.
Pessoalmente prefiro sempre tomar os assuntos em mãos.

Uma coisa que reparei foi que, não havendo propriamente um tabu, há pelo menos um certo pudor em falar sobre o tema. Confesso que me faz alguma confusão, dado que a troca de informações e de experiências sempre ajuda a que consigamos compreender o que se passa.
Não sei se terão visto um filme canadiano, de 86, chamado “O declínio do império americano”?!
Trata, grosso modo, de um grupo de amigos que, ao longo de um fim-de-semana, vai discutindo abertamente a sua sexualidade. Na altura gostei imenso do filme que me marcou bastante. Teria então cerca de vinte e poucos anos e lembro-me de ter citado, mais do que uma vez, em concordância claro está, a seguinte afirmação de um dos personagens masculinos:
[...] A única certeza que nos resta é a capacidade de agir dos nossos corpos. Se gosto, tenho ponta. Se não tenho, não gosto. Esta é a única maneira de testar. Como as mulheres que nos dizem "Amo-te como no primeiro dia" e que estão secas como lixa, quando dantes ficavam completamente molhadas só com um beijo no pescoço. [...]
Pois, a falta de informação é no que dá… leiam lá a listinha de sintomas, vá.

Outra coisa, é a convicção de que a menopausa é um assunto nosso, das mulheres…
Meus amigos, se vivem connosco aguentem-se, também é problema vosso, sim, exactamente da mesma forma que são problema nosso todas as vossas indisposições e doenças, estamos juntos neste barco, não sacudam a água do capote.
A maioria dos homens fica às portas da morte à mínima constipação mas espera que enfrentemos as nossas maleitas como se fossemos tanques de combate…
Pois esta merda não é pêra doce meninos e não é coisa para durar dois dias, é bom que se façam à ideia. Sem a vossa compreensão, a vossa ajuda, o vosso apoio, não vai ser nada fácil de ultrapassar e se correr mal vai sobrar para todos, garanto-vos.

Já ouvi falar de menopausas que decorrem “sem espinhas”, tal como de partos feitos com uma perna às costas (não sei se em sentido próprio…lol), são no entanto excepções.
São coisas por que temos de passar, façamo-lo portanto da melhor forma possível, começando por usar o cérebro, não faz sentido transforma-las em bichos de sete cabeças.

Há sintomas físicos e sintomas psicológicos mas estão de tal forma interligados que mais parecem uma pescadinha de rabo na boca.
Se, logo para começar, encararmos a menopausa como o princípio do fim, se começarmos a achar que, por causa dela, estamos velhas, é meio caminho andado para termos o caldo entornado no que diz respeito à parte psicológica.
Para além disso, convém evitar os macaquinhos no sótão pois, sendo o cérebro o maior órgão sexual feminino, estes vão garantidamente acabar por dar cabo dessa parte da nossa vida, o que convenhamos era uma pena. ;)

Na minha opinião a primeira coisa a fazer é encarar o facto que estamos a passar por um mau bocado e termos isso em consideração no nosso dia a dia.
Se é verdade que a ela associamos imediatamente alguns sintomas, como sejam os malfadados “calores”, outros há que são menos óbvios. Convém assim que saibamos o que esperar desta travessia do deserto, termos a noção que não vamos ter só os dois ou três incómodos de que sempre ouvimos falar mas potencialmente muitíssimos mais. Estarmos preparadas para lidar com cada um deles da forma mais eficiente.

Tudo aquilo por que passamos deita abaixo, não mata mas moí terrivelmente. Temos assim de poupar forças para o conseguir suportar, não armar em super-mulheres, pedir apoio, aceitar ajuda, exigir a compreensão de quem nos rodeia.
Se estivermos derreadas, a porta estará aberta para todos os males psicológicos. Mesmo tendo todos os cuidados eles estão sempre à espreita, as #”$%&## das hormonas encarregam-se de os invocar. O melhor é não lhes darmos muita importância, não alimentarmos a coisa.

Dito isto, não há fórmulas mágicas, cada uma terá de encontrar a melhor forma de viver com os seus sintomas. Há pequenos truques que podem ajudar, o artigo para o qual pus o link é dos melhores que encontrei na net e dá-nos dicas para cada “aflição”.
Para além disso é uma fase em que precisamos de muitas muletas… pois então usemo-las.
Temos falta de memória?! É para isso que servem agendas e lembretes… A porcaria da angústia não nos larga o osso?! Xanax pá carola… Tá seco?! Passáí o KY Jelly…

E sobretudo não esquecer que nisto, como aliás em tudo na vida, o nosso melhor amigo é sempre o sentido de humor… ;)


COM MÚSICA

terça-feira, 20 de maio de 2014

Todos os males sejam estes…



Todos passamos por fases mais complicadas de vez em quando, períodos mais ou menos longos em que parece que tudo está contra nós, momentos em que desmoralizamos, perdemos o fôlego, tendemos a ver o copo meio vazio…
Nessas alturas, mais do que em qualquer outra, é fundamental relativizar.

Costuma dizer-se “partiste uma perna, ainda bem que não partiste as duas…” Apesar de inegável que partir um osso seja menos mau do que partir dois, três ou quatro, a expressão imprime um cunho quantitativo à ideia que não me parece ser realmente o que potencialmente alivia. Aponta no entanto sem dúvida na direcção certa, no sentido de minimizar e relativizar as coisas.

Há tempos fui ao osteopata por andar aflita do braço direito, incomodo que tinha aparentemente origem nas cervicais. Disse-me que tinha também dado um jeito às lombares, que não estavam nada famosas. Quando comentei que não sentia nada a esse nível, respondeu que era devido ao estado lastimável das primeiras, que a dor sendo mais forte, eclipsava a outra mas que se não as tivesse tratado iria começar a senti-la.
Lembrei-me então que quando era miúda e uivava de dores do período, o que me proporcionava algum alívio era pôr uma botija de água a escaldar na barriga, pois as queimaduras tomavam a vez das cãibras. Saltava assim da panela para o lume mas enfim, na altura parecia fazer sentido.

Seja como for, é uma realidade que uma dor mais forte tende a fazer desaparecer ou pelo menos atenuar sensivelmente outra mais fraca.
Assim, empatizar com situações piores do que aquelas que vivemos, ter a noção do que poderia ser para além do que é, pode ajudar-nos enormemente.
Quem apregoa “com o mal dos outros posso eu bem”, nitidamente nunca fez efectivamente esse exercício. Se conseguirmos colocar-nos, nem que seja por breves instantes, na pele de quem sofre intensamente à nossa volta, sentiremos um real alívio relativamente aos nossos males.

Mais do que uma pessoa, no meu círculo de conhecimentos, anda há já algum tempo à luta com gravíssimos problemas de drogas com os filhos.
Só neste último mês morreram quatro pessoas com idades que rondavam a minha. Deixaram mulheres, maridos, filhos e um mar de dor à sua volta.
Um amigo nosso está desaparecido desde o fim do ano passado, foi presumidamente assassinado. A irmã dele foi encontrada morta em casa, esfaqueada, uns meses mais tarde. Ficaram assim os seus pais sem os dois filhos e três crianças órfãs.
Isto para só citar alguns exemplos.

Agora pergunto eu, o que são os meus “problemas” comparados com qualquer uma das coisas que acabei de descrever?!
Não se trata de fazer concursos de sofrimento. É evidente que o facto de termos alguém ao lado com uma perna amputada não impede que sintamos a dor de uma unha encravada.
A noção, no entanto, não só de escala e intensidade como de que daqui a dias estaremos como novos, enquanto que o outro continuará estropiado, não eliminando a dor, gera sem dúvida uma enorme sensação de alívio.

Uma das pessoas a quem contei uma das histórias acima comentou “que horror, prefiro nem saber essas coisas”. A questão é que só conseguimos ter uma noção de escala através da comparação. Certos “males” que nos poderão à partida parecer terríveis, empalidecem à luz de outros. Há que estar conscientes de que existem, de que “andem aí”, para podermos fazer a tal relativização.

Todos tendemos a carpir sobre as nossas aflições, os nossos problemas, as nossas dores. A auto comiseração parece ser uma tendência natural do bicho homem. Esta alimenta-se da observação dos nossos  próprios umbigos, da falta de empatia para com o próximo.
As coisas podem sempre ser bem piores do que são. Se tivermos essa noção bem presente, se olharmos essa eventualidade nos olhos, conseguiremos lidar com o que nos atormenta com muito mais serenidade, muito mais paz. Não quer dizer que não custe, que não doa, somente que deixaremos de o encarar como se fosse o fim do mundo.

Se nos habituarmos a pensar constantemente assim, tudo se torna efectivamente mais fácil.
Se o cancro tinha mesmo de me bater à porta, mil vezes antes na minha cadela do que no meu filho. Por muito que me tenha custado vê-la a sofrer, antes ela a fazer uma mastectomia do que eu. Quando penso nos meus amigos que perderam a irmã, vai agora fazer um ano, vitimada pelo mesmo mal, compreendo que isto não passou de um pequeno incidente na minha vida, que não se lhe pode de forma alguma atribuir mais importância do que isso.

Por todo o planeta, neste preciso momento, pelas razões mais diversas, há quem viva situações de dor atrozes, inimagináveis. Basta que tenhamos consciência de que existem para que a nossa pareça logo muitíssimo mais suportável, é bom olhar para o umbigo do vizinho, a empatia é uma coisa benéfica.
Como disse uma amiga no outro dia, é como acordarmos de um pesadelo e ficarmos aliviados por  não ser real… ;)



COM MÚSICA

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Xô, bajaaa!

COM MÚSICA




("Xô, bajaaa!" era o que o meu filho nos ouvia dizer aos gatos e passou assim a adoptar quando o chateavam…)

Há algum tempo acusaram-me de ser intolerante, o que muito me inquietou na altura…
Para mim, a intolerância, a intolerância do dicionário, é uma coisa muito negativa e que eu não queria de forma alguma ser.
Descobri no entanto que sou intolerante sim… mas mais no sentido alimentar da coisa… sou intolerante à má onda!!!

As alergias são uma coisa diferente…
Sou alérgica por exemplo a gente cretina, provoca-me reacções imediatas e viscerais. Sou alérgica a variadíssimos comportamentos aos quais reajo imediatamente, por vezes de forma violenta, talvez até violentamente demais, confesso.
Eu e o meu mau feitio

As intolerâncias são “[...]desenvolvidas por um organismo saturado pelo consumo frequente e excessivo de determinados alimentos [...]”, que é como quem diz, vão-nos envenenando devagarinho sem sequer darmos por ela.
Assim, tal como algumas pessoas cortam determinados alimentos da sua dieta, por chegarem à conclusão que lhes fazem mal, eu tenho cortado pessoas.

Ai que radical e coiso e tal e que ainda acabas sozinha e não sei que mais…
Pois que não me parece que acabe.
A questão aqui tem mais uma vez a ver com o tempo… com o tempo útil de cada um de nós… com a gestão de qualidade desse tempo.
Ora expliquem-me lá, se este já escasseia, se já me vejo aflita para lá encaixar tudo o que quero e gosto de fazer, para estar com as pessoas que me são queridas, com quem quero partilha-lo, por que raio é que haveria de o fazer com malta que só me deixa mal disposta, hein?!

Claro que antes de chegar à conclusão de que esta postura era, para mim, absolutamente ok, pensei muito sobre o assunto e analisei os casos de solidão que conheço, percorrendo mentalmente o percurso humano que fizeram.
E sabem a que conclusão cheguei?!
Que a maior parte dessas pessoas talvez seja efectivamente intolerante, sim, mas no primeiro sentido que mencionei. Cada vez foram tendo menos pachorra para mais coisas. Não têm skills sociais, indo reduzindo aos poucos o seu leque de relações.
Eu não faço nada disso, não me isolo, simplesmente discrimino... lol
Continuo a adorar conhecer gente, introduzi-la na minha vida, acarinhar aqueles que me tratam bem, com quem me sinto bem.

Dir-me-ão que nem tudo são rosas, senhor
Pois com certeza que não.
Com quem mantemos por perto, temos pegas, temos zangas, amuos, mal entendidos.
Algumas das pessoas que me rodeiam têm características que muito me irritam ou vão contra os meus princípios, assim como será certamente o caso em sentido contrário.
A questão, como sempre, é o equilíbrio…

Os confrontos, os problemas, não me assustam, não me afastam…
A forma como se lida com eles já o poderá fazer.
Há  pessoas que parecem só viver bem em conflito, arranjando questões e casos. Alguns esperam tudo dos outros mas não estão nem aí para dar. Há malta que quando lhes damos a mão para tentar puxa-la para cima fazem rabo pesado e puxam-nos para baixo.
Enfim, podia estar aqui a noite toda a tentar descrever aquilo que pessoalmente considero má onda mas não me parece valer a pena, todos compreenderão certamente o conceito.
Basicamente são pessoas com quem os relacionamentos trazem muita dor de cabeça e terrivelmente pouco, quando nenhum, prazer.

Com esses, neste momento, não me interessa se são família ou amigos,  não alimento qualquer tipo de relacionamento voluntário.
Atenção, também não assumo posturas de “é ele/a ou eu”, não acho correcto colocar os outros nesse tipo de situação. Cada um atura o que bem entender.
Como sou uma pessoa educada, cumprimento-os, serei até capaz de manter uma eventual conversa trivial.
Mas não contem comigo para fazer qualquer tipo de esforço, antes pelo contrário, no sentido de manter um convívio minimamente regular.

Acredito, cada vez mais, do fundo do meu ser, que o fel de certos indivíduos é venenoso e nos pode fazer muito mal. A felicidade dá muito trabalhinho, não é coisa fácil de gerir, não é preciso arranjarmos sarna para nos coçarmos.

Assim, neste momento, já só invisto mesmo naqueles a quem de vez em quando me apetece dizer “gosto mesmo de ti, que bem que me sinto contigo”. ;)









terça-feira, 6 de novembro de 2012

Vai-se andando…

COM MÚSICA





- Como estás?!
- Vai-se andando…
Um clássico.

“Vai-se andando”, é assim uma espécie de “nem bem, nem mal, antes pelo contrário”… é o cinzento neutro, a sopa sem sal, o chá morno…
Faz-me sempre pensar no deserto… andando… sem rumo, sem destino, sem objectivo… até encontrar um oásis, um camelo, a morte por desidratação.
Esta resposta transmite um espírito derrotista, conformado, apático, dificilmente a ouvirão da boca de um “lutador”.

Como todos sabemos, a vida é como os interruptores, umas vezes para cima, outras vezes para baixo. Tentem lá mantê-los numa posição intermédia para verem… lol
Assim, consoante o momento em que a pergunta for feita, estaremos bem ou mal, em diversos graus de intensidade.
Se pensarmos na dor física, por exemplo, ou a temos ou não temos. Esta pode ser mais forte ou mais fraca, mas dificilmente alguém responderá que está “mais ou menos” a sofrer.

“Algumas pessoas julgam que ser forte é nunca sentir dor. Na realidade, os mais fortes são aqueles que a sentem, compreendem e aceitam.”

O sofrimento, tal como o prazer, faz parte da vida, assumi-lo não é fraqueza, não é vergonha.
Não é necessário que desbobinemos toda a nossa vida a qualquer pessoa que pergunte, a alguns basta transmitir de alguma forma a noção de que possamos não estar nos nossos melhores dias.
A maior parte das pessoas, perante esta revelação de fragilidade, mesmo que não possa ou queira fazer nada por nós, terá pelo menos algum cuidado para não piorar a situação o que, convenhamos, é bastante providencial nessas alturas.

Este assumir dos nossos sentimentos, dos nossos estados de espírito, o chamar os bois pelo nome, tem ainda outra grande vantagem.
Não é fácil “mostrar a barriga”, assumir uma posição de vulnerabilidade… é portanto bom que nos sintamos efectivamente assim se o formos transmitir a terceiros.

Ora a realidade é que, mesmo no meio de uma fase difícil, se nos dermos ao trabalho de lhes prestar atenção, passamos por momentos em que a dor ou a aflição abrandam e nos deixam respirar.
Esses são definitivamente momentos bons, chamemo-los assim, não assumamos uma postura calimérica.
O mais engraçado é que, este tipo de atitude, acaba por efectivamente nos ajudar a dar valor ao que de bom a vida nos vai dando, desdramatizando as questões e reduzindo drasticamente os momentos em que nos sentimos realmente no fundo do poço.


terça-feira, 9 de outubro de 2012

O que tem de ser, tem de ser e o que tem de ser, tem muita força

COM MÚSICA



A vida não é um mar de rosas
Nem sei quantos posts terei eu começado com esta frase mas parece-me sempre bem insistir, talvez para aqueles que continuam a achar que, se não é, deveria ser.

Volta não volta, somos confrontados com situações que doem, que doem pra caramba…
Fazem parte, vêm com o pacote, não há como evita-las, resistance is futile.
Da forma como lhes dermos a volta, dependerão a duração e intensidade do sofrimento.
Seja qual for a questão, há sempre decisões a tomar e uma postura a adoptar.

Esta última tende, no primeiro impacto, a ser de “coitadinhos” cheios de autocomiseração.
Depois do choque inicial parece-me no entanto mais do que natural carpirmos as nossas mágoas, sendo inclusivamente, na minha opinião, extremamente saudável que o façamos.
Aquela ideia de “homem não chora” (aplicada neste caso figurativamente e relativamente a ambos os sexos) parece-me completamente idiota se considerarmos o alívio que pode proporcionar.

Ainda me estou a ver, há tanto tempo que quase parece noutra vida, frente a frente com o homem com quem vivia, literalmente a chorar baba e ranho.
“Mas és tu que te queres separar…” dizia-me ele com ar perplexo.
“Pois sou, eu sei… mas isso não quer dizer que não me custe!”
O facto de estarmos convencidos de que tomámos a decisão certa, em pouco ou nada muitas vezes atenua a dor nos primeiros tempos.

Para quem está de fora e, azar dos azares, seja apanhado no enredo nesta fase, menosprezar essa dor será garantidamente a pior maneira de ajudar. É como, quando caímos e nos aleijamos, tentarem levantar-nos logo. As pessoas precisam de um tempinho para recuperar, para conseguir reagir, não é espectável que levem uma porrada valente e sigam caminho como se nada fosse.
Carinho, compreensão e empatia são assim os primeiros socorros aconselhados.

Se esta primeira reacção é perfeitamente natural é também, por outro lado, absolutamente indispensável que não desliguemos o cérebro e que nos comecemos, o mais rapidamente possível, a fazer à ideia.
Fazer-se à ideia como o avião se “faz à pista”, para poder fazer uma boa aterragem.

Tipicamente, as primeiras coisas que nos vêm ao espírito em momentos críticos são as “más”, as dificuldades, cabe-nos a nós encontrar as boas, que TODAS as situações têm.
Perguntaram à Elle Macpherson: “Como encara a ideia de envelhecer?” Pergunta muito pertinente, a meu ver… como enfrentará efectivamente “The body” a questão das rugas e das peles flácidas? A sua resposta foi surpreendente: “Acho fantástico… já pensou na alternativa?!” Always look at the bright side of life, já diziam os Monthy Python.

Uma das minhas amigas de infância morreu há pouco tempo de cancro. Apesar de altamente recomendada pelos médicos, recusou-se terminantemente a fazer uma mastectomia.  Ainda por cá andaria se a tivesse feito? Quem sabe… O que se sabe efectivamente é que a sua postura perante a doença foi negativa do princípio ao fim, nunca tendo efectivamente ultrapassado aquela fase inicial de que falava à pouco.

Dito isto, o que fazer então para encarar de forma positiva e saudável, situações difíceis e dolorosas?

O primeiro instinto é tentar fugir da dor. Na maior parte das vezes, não só não o vamos conseguir, como estaremos na realidade com isso a prolonga-la. Se temos de perder um braço, que seja de um golpe rápido e limpo, não o arranquemos devagarinho.
Tapar o sol com a peneira não nos ajuda em nada, enfrentemos o touro pelos cornos.

Como em tudo na vida, sendo que nestes casos mais importante ainda é, encaremos um dia de cada vez. Se olharmos para o todo, para o topo da montanha, desmoralizaremos. Lidemos com as situações conforme se forem apresentando, sem fazer filmes, sem sofrer por antecipação.

Ganhar a noção de que, por muito má que possa ser a situação, podia ser muito pior ainda, também ajuda enormemente. Desdramatizar, relativizar, as situações, é o primeiro passo para as ultrapassar.
Se vez de chorarmos no ombro de quem parece estar em melhor situação, oferecermos o nosso a quem esteja pior, poderá ser uma excelente terapia.

Fazer por dar valor a todo e qualquer pequeno detalhe positivo que a situação nos possa trazer. Ignorar o facto que se temos isto foi porque perdemos aquilo e apreciar e aproveitar plenamente a parte que nos agrada.

Não tentar enfrentar tudo sozinhos, aceitando a ajuda e apoio que nos oferecerem. Compreender que ao longo do percurso iremos ter altos e baixos e que isso é perfeitamente natural. Não encarar momentos pontuais de fraqueza como “recaídas”.

Finalmente, usar sempre a cabeça para raciocinar e o coração para nos guiar.

Como se costuma dizer, o que não nos mata torna-nos mais fortes. ;)




terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O meu popó

COM MÚSICA



Quando vivíamos em Lisboa, tínhamos um só carro, que passava a maior parte do tempo estacionado à porta.
A mudança para cá fez com que tivéssemos de comprar outro, sendo impossível (que é como quem diz “muito chato”) viver por estas bandas sem locomoção própria.

Assim, estando já nessa altura as vacas muito magrinhaaas, comprámos uma biatura em segunda mão, num estado absolutamente miserável, pelo que nos fizeram um desconto considerável.
A aquisição transformou-nos em alegres proprietários de dois chaços velhos, mas perfeitamente funcionais. Que mais se pode querer?!

Os anos foram passando… as vacas continuaram a tender para o anoréctico… e os carritos foram atingindo as provectas idades de 14 e 19 anos.
O mais velhote, um Pagero, consideramos que tem a obrigação de durar “uma vida”. Assim vamoziu tratando com muito amor e carinho e continua aí para as curvas (e contra curvas e lombas e calhaus e praias de Porto Covo… hehe).

A Zafira, tadinha, vinha muntooo maltratada da antiga dona. Parecia um daqueles cãezinhos que se vão buscar ao canil para não serem abatidos… Nem vale a pena mencionar o que gastámos em veterinário desde que a acolhemos.
A realidade é que estava com um pé para a cova. Mais do que uma vez nos deixou a meio de uma viagem, recusando-se a prosseguir caminho. Nunca sabíamos se efectivamente chegaríamos ao destino, pelo menos na sua garupa.

Conclusão, comprámos um carro novoooooooo!!! :)))

Quando anunciamos isto, regra geral as pessoas comentam “estão ricos… a vida corre-vos bem…”
Pois que não e foi esta a razão que me levou a escrever um post sobre o assunto.  
Passo a explicar…

A primeira parte é “técnica” e talvez possa ajudar alguém com este raciocínio:
Basicamente, fiz uma pesquisa e cheguei à conclusão de que, a maioria dos carros de hoje em dia, consome metade do que gastava a negra besta.  
Depois de me informar sobre preços e ofertas de mercado, sentei-me a fazer continhas e cheguei à conclusão de que a diferença do que vamos gastar em gasolina é suficiente para pagar uma prestação a 96 meses.
Demos o chaço de entrada mas reservámos parte do dinheiro para pagar a primeira prestação, que é sempre mais cara por causa das despesas de processo.
Fizemos um seguro contra todos, a pagar mensalmente em vez de anualmente, diluindo assim a dolorosa.
E eis-nos felizes proprietários de um magnifico “Ferrari” C1 vermelhinho, lindo, lindo… :)))

Ok, passámos de cavalo velho para burro novo, é um facto.
Tínhamos um carro de sete lugares, com um porta bagagens onde dava para dançar o tango, computador de bordo e todo o tipo de mariquices, que substituímos por quatro míseros assentos (apertados), um porta-luvas traseiro e indicador de velocidade.
Mas, digo eu, mais vale burro a trotar do que cavalo morto. ;)

Sobretudo, é impressionante (apesar de estupidamente material) a lufada de ar fresco que veio trazer ás nossas vidas… A ilusão de prosperidade que proporciona. A sensação de que as coisas afinal não estão assim tão mal. Já sem falar da confiança no veiculo que nos irá transportar.

Não comprava um carro novo há 25 anos!
Já não me lembrava do cheirinho, dos tapetes imaculados, da carroçaria a brilhar… quando o fui buscar estava tapado com um feltro para não lhe porem dedadas… lol
O nosso filhote tinha imensa vergonha do nosso antigo “amolgado”. Sobretudo quando o estacionava na escola ao lado de outro igualzinho mas que não está colado com cuspo…
Hoje, quando o fui deitar, disse-me: “que bom, amanhã vou para a escola”. Quando estranhei a afirmação, explicou: “… no carro novo.”

Hoje é Natal cá em casa! :)))














terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Trocas e baldrocas…

COM MÚSICA



Parece reinar a ideia de que sem o vil metal nada se faz neste mundo…
Tenho no entanto vindo a descobrir, com muito agrado devo dizer, que não é bem assim.
A noção de comércio começou com trocas.
Pois bem, ás trocas podemos (e estamos a) voltar, fazendo um belo de um manguito à maldita da crise… Tomaaa!!!  ;)

De há uns anos para cá que tenho vindo a organizar, com uma certa regularidade, “Cházinhos das Trocas”.
Começaram com o site do Liceu Francês e a coisa foi-se alargando ao povo em geral.
Hoje em dia são já eventos extremamente concorridos, aos quais comparece todo o tipo de gente.
Para além de se “trocar”, ainda se bebem os tais chazinhos e se comem uns bolos, enquanto se vai convivendo alegremente.

Começámos com trocas de roupa, toda a gente tem em casa roupa em bom estado que não usa.
Acreditem ou não, há quem tenha nos armários roupa que nunca chega a vestir… ou porque não a provou e, descobrindo posteriormente que não servia, teve preguiça de ir trocar… ou porque chegou á conclusão de que afinal não gostava… ou porque lhe ofereceram mas não é do seu agrado...
Da mesma forma e por variadíssimas razões, há quem guarde roupa usada mas em perfeito estado, para a qual olha ano após ano, sem nunca saltar lá para dentro.
A coisa foi-se alargando e hoje em dia já inclui calçado, malas, acessórios, bijutaria, maquilhagem, cremes, perfumes, roupa de casa, objectos de decoração, brinquedos, livros, etc…
Têm tido um sucesso tal que já estamos a começar a especializar e o próximo vai ser só de livros.

Os nossos “chazinhos” funcionam nos seguintes moldes:
Alguém fornece a casa e o chá e organiza a coisa (ou “manda” a escrava de serviço tratar do assunto… lol). Os outros levam os bolinhos. Para além disso, cada um leva aquilo de que se quer desfazer.
Todos vasculham (tipo feira de Carcavelos), experimentam, comentam, botam no saco. 
Alguns levam mas não trazem nada de volta, outros levam pouco e voltam com muito, não interessa.
Em qualquer dos casos sobram sempre montanhas de coisas, que são no fim empacotadas e entregues a uma qualquer causa de solidariedade.
É tudo bom!!!
Calor humano, compras à borla, ajuda a quem precisa, reciclagem… ;)

Mas a coisa não se ficou por aí, uma vez descoberto este maravilhoso conceito, comecei também a trocar serviços…
Há sempre coisas que gostávamos/precisávamos de ter/fazer, sem que tenhamos meios de as pagar…
Porque não trocar a criação de um site por uma consulta de astrologia, aulas por massagens, babysitting por explicações, costura por cozinhados, etc, etc, etc…?
Porque não utilizar aquela riqueza, muito maior do que qualquer euromilhões, que é o nosso precioso tempo?!
Não é imperativa a troca de moeda… troca-se simplesmente uma coisa que podemos fornecer por outra que queremos.
Elementar, meu caro Watson… ;)
Não tendo eu, evidentemente, inventado a pólvora, o Facebook e restante Internet também já se aperceberam deste ovo de Colombo, pululando páginas e sites com base no mesmo princípio.

Se tiverem uma casa de férias, uma casa devoluta que estejam a tentar vender, a vossa própria casa, se tiverem estômago para isso… podem trocar.
Uns amigos meus fizeram isso recentemente, trocaram um apartamento que têm em regime de arrendamento temporário, com outro em Veneza.
Eles fizeram a troca directamente mas, boas notícias, já há sites que tratam exactamente disso. Pessoalmente conheço este, mas deve haver muitos mais…

Minha gente, o céu é o limite, tudo se pode trocar…
Se pensam que, lá porque o mundo está a atravessar uma fase difícil, têm de a passar a pão e água, pensem outra vez!
As trocas são a saída obvia, uma postura contra a merda da sociedade de consumo (pardon my french…), uma reciclagem de bens, uma ajuda a quem precisa e, se bem organizadas, uma ocasião de encontrar pessoas que nos são agradáveis. ;)












segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Cinco anos a mexer a sopa…

COM MÚSICA



Cinco anos, 60 meses, 260 semanas, 233 posts, cerca de 450 páginas… insiste, insiste, flecte, flecte… chiçaaa! lol

Penso frequentemente em desistir…
Por vezes devido a ataques de insegurança, perguntando-me quem sou eu para andar a cagar sentenças no ciberespaço. Outras por falta de inspiração, não sendo fácil escrever todas as semanas, arranjar tema, expor ideias de forma coerente, ordenada e minimamente agradável de ler. Acontece-me também, de vez em quando, interrogar-me se valerá a pena tanto esforço, para tão poucochinhos leitores, shame on me. As piores alturas (nessas chegando mesmo a interromper a “publicação”) são aquelas em que me sinto mesmo down, tornando-se difícil transmitir energia positiva. Felizmente, como se pode confirmar pelas “faltas”, que incluem também períodos de férias, não são muitas.
Tentei então hoje analisar porque ainda não o fiz, porque continuo praqui, feita parva, a “dizer coisas” há tanto tempo…

Quando uma vez perguntei ao meu filho se era feliz, respondeu-me imediatamente que sim, sem qualquer dúvida ou hesitação… Pergunto-me o que teria eu respondido com a mesma idade (ou até muitos anos mais tarde) e suspeito que me tivesse simplesmente engasgado, sem saber o que dizer.
Não é que fosse propriamente infeliz, mas a realidade é que não faz muito tempo desde que me dei conta de que era exactamente o contrário disso. Embora não consiga identificar o momento exacto em que fui “iluminada” por esta descoberta, terá provavelmente sido pouco antes de começar a escrever neste blog. Um dia deu-se um Clic  e fez-se luz. ;)

Ser feliz não quer dizer que seja perfeita (nobody is perfect, but who wants to be nobody?!) ou que leve uma vida perfeita. Quer simplesmente dizer que lido bem com as imperfeições, tentando identifica-las e procurando sempre melhorar.
Quer dizer me sinto bem comigo própria, com os outros e com a vida. O que não significa que me sinta sempre bem, que esteja sempre bem disposta e alegre, saltando levemente de nenúfar em nenúfar ou que não meta a pata na poça de vez em quando, como toda a gente.

Esta vida não está fácil para ninguém, em mais do que um sentido e o mundo anda meio virado do avesso.
Não podemos no entanto, infelizmente, pará-lo para sair. Não há pausas, não há coito (no sentido das brincadeiras de criança, não sejam assim…), não temos outro remédio senão ir vivendo, mal ou bem.
Pessoalmente prefiro bem. ;)

É por isso que aqui escrevo… porque tenho vindo a descobrir um que outro “truque” que me tem ajudado a fazê-lo, porque tenho chegado a umas quantas conclusões que me permitem manobrar melhor o barco.
Não consigo então deixar de partilhar pois, se alguma das palavras que escrevo puder provocar um só clic que seja, se puder ajudar uma única pessoa,  já tudo terá valido a pena.















terça-feira, 8 de novembro de 2011

Falar para dentro

COM MÚSICA





A tendência natural (pelo menos de alguns...lol),  quando sentimos alguém aflito, é de tentar ajudar. Pomos água na fervura, tentamos desdramatizar as situações, racionalizar os problemas e arranjar soluções.

Tudo isto se faz geralmente através de conversa. 
Se o outro está alterado fazemos primeiro por acalma-lo. Depois, tentamos compreender o que o aflige. Analisamos interiormente a situação e transmitimos, da forma mais clara que conseguimos, as conclusões a que chegámos. Então, com base no diálogo, vamos tentando em conjunto arranjar soluções.

Todos teremos certamente experiência de momentos em que a nossa mente fica transtornada, tornando-se difícil pensar com clareza.
A ansiedade, o medo, a angústia, as preocupações... alteram negativamente a nossa visão e percepção das coisas, tornando-as ainda mais negras aos nossos olhos, fazendo-nos sentir pessimistas, derrotistas.

Nem sempre temos, no entanto, à mão alguém com quem possamos/queiramos falar...
Falamos então, muitas vezes, sozinhos.

Cheguei no entanto recentemente à conclusão de que somos umas bestas... ou pelo menos eu era. lol
Falava comigo como se falasse com uma criança de dois anos. Como se eu (o outro “eu”, o eu aflito) não tivesse capacidade de entender um raciocínio mais elaborado, como se não fosse sensível a argumentos.
Por outro lado, tratava-me sem grande consideração. Dava-me ordens, assumia uma postura de “sê um homenzinho”, ordenando-me (que nem o arquitecto): “Aguenta!!!”

Dei-me conta de que nunca trataria outra pessoa, na mesma situação, como me tratava a mim própria. Que isso seria extremamente insensível e estúpido da minha parte. Que para ajudarmos efectivamente alguém, temos de lhe “demonstrar”, de alguma forma, que há efectivamente luz ao fundo do túnel. Que pedir-lhe simplesmente para ser forte, não chega, não alivia, não aconchega, não convence.

Passando-me para o outro lado, perguntei-me como me sentiria se outra pessoa (que não eu) me tentasse “consolar” dessa forma e acho que não me iria sentir muito confortada. Sobretudo, não seria grande ajuda... ajudar não é menosprezar as dificuldades do outro.

Comecei então a tentar mudar de atitude.
Em momentos de crise, divido-me imediatamente em duas.
A primeira está à brocha... não se está a conseguir controlar... não se sente capaz de analisar ou racionalizar as questões... não consegue já encontrar pensamentos positivos e menos ainda soluções.
Mas “a outra” não emigrou para o espaço...
A outra, aquela com quem os amigos falam quando disso sentem necessidade. Aquela que acredita, sem qualquer sombra de dúvida, que “acima das nuvens o céu está azul e o sol brilha”. A que consegue efectivamente, muitas vezes, acalmar os outros, descansá-los, ajudá-los a alcançar alguma paz de espírito e vislumbrar a tal luzinha ao fundo do túnel.

Ponho então uma a falar com a outra.
Funciona maravilhosamente bem, grande truque, garanto-vos. ;)

Todos temos dentro de nós esta duplicidade.
Todos temos dois lados, um mais fraco e outro mais forte.
Normalmente, quando o mais fraco vem ao de cima, o mais forte despreza-o. Retira-se, pura e simplesmente, até que o outro recupere a compostura. Só então volta a tomar rédeas à situação.

Erro!!! Não é virando costas que se resolve nada...
Se ficar e for à luta, se se empenhar em levantar-lhe o moral. Se falar com ele como falaria com qualquer outra pessoa. Se tiver consideração por ele em vez de vergonha...
Juntos conseguirão certamente manter o astral e arranjar soluções. ;)


PS: Acho que depois deste post me vão mandar internar... lol

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Abaixo da linha d'água...

COM MÚSICA


Os nossos bem estar, paz de espírito, serenidade, estão dependentes do estado em que se encontram os vários campos das nossas vidas... Grosso modo, a vida afectiva (relações amorosas, familiares, de amizade, etc...), a saúde (nossa e daqueles que são importantes para nós) e as finanças.

Poderíamos fazer a comparação com as linhas de um electrocardiograma. Ás vezes estamos nos píncaros, exultando de felicidade, outras vezes, como vulgarmente costumamos dizer, estamos na merda.
 Á linha horizontal da “média”, gosto de chamar “linha d' água”,   abaixo da qual não nos sentimos decididamente bem.

Normalmente os dias decorrem entre pequenas flutuações, não indo nem muito abaixo, nem muito acima. A frequência de grandes picos, quer num sentido quer noutro, já denotando de uma certa “anormalidade” nas nossas vidas. Se fôr nos dois sentidos podendo inclusivamente ser sintoma de bipolaridade.

Acontece no entanto que passemos por fases, mais ou menos prolongadas, podendo chegar a durar anos, em que o "normal", em determinado campo, é estarmos abaixo da linha d’água.
Dado que o homem não tem guelras, é chato. 
Gera uma sensação de opressão, de angústia, de falta de ar, com as quais é extremamente difícil de conviver.

Quem, em criança, teve um padrasto/madrasta menos simpático sabe bem do que estou a falar, quem já passou por um desgosto de amor, por uma doença prolongada, por uma situação financeira difícil...
Por muito que os outros campos das nossas vidas possam estar saudáveis e equilibrados, basta uma das linhas desregular, para afectar o nosso estado de espírito.
Quando a situação se prolonga, sentimos as forças a esvairem-se, falta-nos energia, todo o nosso ser enfraquece. Sendo nós “vasos comunicantes”,  tudo o resto acaba, mais tarde ou mais cedo, por ser afectado.

Não sendo muitas vezes possível escapar a este estado das coisas, há que enfrenta-las de forma a que não nos arrastem irremediavelmente para o fundo.

A primeira atitude a ter é tão óbvia que quase não precisaria de a mencionar: lutar. 
Lutar, com todas as nossas forças, por todos os meios ao nosso alcance, para tentar remediar a situação.
Mas ás vezes não é suficiente, não resolve, não trata, não cura, ou não há simplesmente nada que possamos efectivamente fazer. 
Há que aprender a lidar com a falta de ar até que passe.

Uma coisa extremamente importante é fazer um real esforço, não só para reconhecer, como para não contaminar o que ainda temos de bom. 
Sim, porque raramente TUDO está mal, certo?!
Citando um conhecido exemplo popular; “casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão...”
Se uma situação nos preocupa, nos atormenta, nos pesa... tratemos de não procurar mais lenha para nos queimarmos. Antes pelo contrário, acarinhemos as que nos são agradáveis, invistamos nelas em vez de as desleixar, atribuamos-lhes o valor que têm em vez de as desprezar.

Adoptar uma atitude de “coitadinhos” é terrivelmente desmoralizante. Enfrentemos a crise, seja ela qual fôr, de cabeça erguida, sem self-pitty. Assumamos que a vida é mesmo assim, como os interruptores, umas vezes para cima e outras vezes para baixo. Lá porque andamos rasteirinhos não quer dizer que não olhemos para o céu.  Ninguém gosta de “loosers”, ninguém os admira, ninguém os respeita. 
Na merda tudo bem, mas com dignidade.

Fraquejar, volta não volta, não é no entanto vergonha nenhuma, não somos super-herois. Chorar, gritar, ajudam ás vezes a aliviar a tensão. Desabafar, serve para pôr os pensamentos em ordem. Ouvir os outros pode trazer novos pontos de vista. Fechar-mo-nos numa concha, quando a vida nos corre mal, é na minha opinião um erro a evitar a todo o custo, a solidão mata.

Um pequeno truque que aprendi, foi a dar grandes golfadas de ar, a encher bem os pulmões, sempre que vimos à tona.
Mesmo nas situações mais complicadas, há sempre, volta não volta, uma luzinha que se acende na escuridão. Momentos em que a dôr, por alguma razão,  alivia o seu jugo, proporcionando algum alívio. É aproveita-los, goza-los, tirar a barriga de misérias, nem que seja por uns minutos, pois são a prova de que melhores tempos são possíveis.

Mas, para além de tudo isto, o que me parece realmente importante, é nunca duvidarmos de que acima das nuvens o céu está azul e o sol brilha e não desistirmos de os voltar a ver. ;)