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domingo, 10 de agosto de 2008

Receitas - Best Of

COM MÚSICA

Primeiro pensei escrever este post numa data “especial”, tipo os dois anos do site… depois dei-me conta de que era uma estupidez, “não deixes para amanhã o que podes fazer hoje”… lol
Como afirmei na minha introdução , a ideia deste blog é partilhar “receitas” de vida que contribuem para a minha felicidade.
Estou perfeitamente consciente de que sendo todos diferentes o que me ajuda a mim pode não valer nada para outros… não tento impingir nada a ninguém. Quem não gosta não coma... lololol
Queria então agora fazer um apanhado das receitas que considero mais saborosas e nutritivas... ; )
A mais importante, para se ser feliz é, claro está, acreditar na felicidade. lol
E acreditar como sendo uma realidade e não um objectivo…
Quando falo em “acreditar” não é por acaso, ter fé, seja no que for, é na minha opinião extremamente importante para nos ajudar nos momentos difíceis…
No entanto ter fé não chega, a nossa felicidade passa pelos nossos pensamentos, pelas nossas atitudes… por alguma razão nos chamam “animais racionais”. A cabeça não foi feita só para usar chapéu, se nos foi fornecida inteligência é para ser usada. Quando falo em inteligência quero dizer “inteligência emocional” a outra pergunto-me se ajuda ou empata… lol
Não sendo eremitas, o facto de termos presente que não estamos sós neste mundo é, na minha opinião, uma questão fundamental. E, believe it or not, acredito que uma boa dose de altruísmo contribua para a nossa felicidade, sim. A vida é como os boomerangs … o que vai volta.
As amizades têm um papel fundamental nas nossas vidas. Estas requerem empenho, manutenção … não vivem por si só porque sim. Da mesma forma que as devemos acarinhar e preservar, também nos devemos saber afastar dos relacionamentos que nos fazem mal.
Todos temos defeitos e qualidades (que se lixe o politicamente correcto, lol) e é bom que os identifiquemos quanto antes, para podermos separar o trigo do joio e desenvolver só o que interessa.
Há características nossas que não interessam nem ao menino Jesus (serão diferentes para cada um, sem dúvida) e seremos certamente muito mais felizes se as conseguirmos, se não erradicar, pelo menos controlar.
Da mesma maneira que nos preocupamos com a saúde do nosso corpo, também nos devemos preocupar com a da nossa “alma”.
Também ajuda percebermos que não somos o centro do Universo… Ah, pois é… As coisas “levadas a peito” doem muito mais. Se percebermos que nem tudo nos é dirigido embora nos possa afectar, a vida torna-se muito mais leve.
Se em vez de nos queixarmos das coisas más que nos acontecem ou das boas que não temos fizermos exactamente o oposto o sol parecerá muito mais brilhante. Always look at the bright side of life. ;)
Não podemos ter tudo na vida… vão-nos acontecendo coisas, vamos fazendo escolhas, vamos seguindo um certo caminho… e não podemos seguir dois ao mesmo tempo (pelo menos quem, como eu, não tenha o dom da ubiquidade… lol).
Não vale a pena ter medo "das coisas más” que nos possam vir a acontecer… o medo é paralisante… castrador. Há que seguir em frente, de cabeça erguida e lidar com o que nos aparecer quando e se aparecer de facto.
A felicidade requer treino diário, empenho e vontade de ser feliz mas sobretudo tem de ser uma cadeira prática … não serve para nada falar simplesmente sobre o assunto.
E, acima de tudo… na minha opinião… é HOJE !!! Porque pode não haver amanhã… ;)


sexta-feira, 7 de março de 2008

Tenho um feitio de merda

Sou uma gaja porreira, tenho as minhas qualidades, como toda a gente... senão ninguém me aturava... mas a realidade é que tenho de facto um feitio de merda!!!

Sou bruta, agressiva, não meço as palavras... se estou convencida de que estou com a razão, o que acontece montes de vezes (embora, em raríssimos casos, esteja enganada... LOL), sou ácida e desagradável. Quando contrariada reajo violentamente. Basicamente fervo em muito pouca água.

A terrível característica dos Rodos, o exagero, não ajuda nada. Se pode ser considerado cómico o comentário de que havia dez centímetros de pó em cima de um armário, o dizer que qualquer coisa está uma merda completa, que estou completamente f...ida com uma situação, ou que alguém é absolutamente execrável, não ajuda muito nas relações humanas. O mais estúpido é que acabamos por sentir as coisas como as descrevemos.

Neste momento os leitores que me conhecem pior estão a pensar "não é nada... que exagero!"... Ah, ah!!! Estão a ver?! Não, não, acreditem, por detrás da gaija boazinha que conhecem está um verdadeiro monstro...
Estão a ver outra vez?!
Aaaaaaarrrrrrggggg!!!
Não consigo impedir-me de fazer isto...

Agora a sério, se algumas pessoas não conhecem esta minha faceta é porque não ando propriamente para aí ao estalo na rua... também não é preciso exagerar... LOLOLOLOL
Sorry! LOL

Bem... a realidade é que quanto mais próxima está a pessoa menos eu me controlo.
Nesta parte acho que sou "normal"... Todos nos libertamos mais com as pessoas com quem temos mais confiança.
Pois está mali!!!
Se mandarmos o taxista que se atirou para cima de nós na rotunda para a piiiiiii que o papiiiiiiiiiii, não perdemos nada com isso, quanto muito uns pontitos de karma... LOL
Se o fazemos com os que estão próximos minamos as nossas relações.

Ora se sempre estive consciente desta minha característica (sou estúpida, mas não sou burra...) a realidade é que só muito recentemente me dei conta de a que ponto muitas vezes me tem lixado a vida. Desta vez, não só não estou a exagerar, como estou a falar muito a sério.
As pessoas aturam-na porque lá hei de ter uma que outra qualidade que compense, mas a grande verdade é que todos saímos a perder.

Decidi então declarar-lhe guerra!
Não é fácil... um feitio de merda, impregnado há mais de quarenta anos, é difícil de sair...
É como o risco do cabelo... por muito que o tente usar de lado não há nada a fazer, quando dou por isso lá está ele ao meio outra vez, são muitos anos.
A diferença é que eu gosto do meu risco ao meio... no que diz respeito ao feitio há de ficar de lado nem que tenha de lhe pôr cola! LOL

Uso então pequenos truques...
Por exemplo, como dizia o meu pai "a tua mãe é munto chaaata..." (notem que ele a adorava, é portanto mesmo verdade... LOLOLOL). Bem, se calhar não é mais chata do que a mãe do próximo... É no entanto garantidamente mais speedada... é um verdadeiro Speedy Gonzalez diria eu...
Ora eu tenho toques personalizados no telemóvel e o dela sempre foram músicas que tinham a ver com o feitio dela. Primeiro a do Indiana Jones, mais recentemente a da Missão Impossível... A realidade é que, só de ouvir aqueles toques já começava a ficar enervada...
É verdade que ás vezes me liga para me chagar o juizo... mas quantas vezes me ligou porque estava numa loja, a perguntar se eu precisava de alguma coisa, por exemplo, e levou logo com um atendimento de "não tenho pachorra para te aturar", coitadinha...
Agora, o toque dela é o Bright Side of Life, dos Monty Python, quando o oiço fico logo de sorriso no cérebro, atendo-a portanto muito mais simpáticamente.

Quando o meu filho me dá cabo do juizo (sou uma vítima, todos me chateiam... a minha mãe, o meu filho, o meu marido... pobre de mim...LOL), como todos os filhos fazem ás mães, tento sempre imaginar que estou a lidar com um dos meus sobrinhos. Nunca "ataquei violentamente" (LOL) nenhum dos meus sobrinhos, isso ajuda-me portanto a controlar-me.

Quando o desatino é com o paizinho dele, ensaio sempre o meu discurso antes de o mandar cá para fora, para ver como é que soa. Se necessário, troco as palavras arrasadoras por outras mais soft. Penso dez vezes antes de falar e só falo de facto se continuar a achar que o assunto é relevante para a nossa vida.

And so on... para cada situação vou encontrando pequenos truques.
Ainda vou ter de encontrar muitos mais.
Nem sempre resultam, um homem não é de pau, ás vezes lá deixo saír a fera outra vez... mas no geral acho que estou bastante melhor. Ainda é cedo para dizer porque comecei há pouco tempo, mas a ideia é ir atacando uma situação de cada vez, grão a grão enche a galinha o papo.
A realidade é que acredito que a vida seja muito mais fácil se fôr levada com delicadeza, com suavidade, do que com brutalidade e agressividade, mesmo que "as vítimas" não reajam.

Peace and love men!










sábado, 9 de fevereiro de 2008

As time goes by...



Ah, pois... o tempo passa!!!
LOLOLOLOLOLOLOLOLOL

À primeira vista aquilo em que reparamos nestas fotos é que a criatura acima (o respeito pela privacidade leva-me a preferir não expor o nome dela para uso num grupo tão alargado... LOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOL) vai ficando mais velha... mas se olharmos com mais atenção da-mo-nos conta de que vai também passando por fases muito diferentes...

Se numas fotos está gordinha e com um ar saudável, noutras tem um ar cadavérico e doentio, se numas até está giraça (confessem...) noutras descreve-la-ia como uma verdadeira "cara de cu", e não vou continuar a enumerar diferenças, se vos divertir façam-no vocês...
Agora, se olharem bem para os olhos, para a expressão, para o que nos transmitem as fotos, vão ver que "lá dentro", na alma, as diferenças também parecem ser bastante grandes. Se numas está com um ar feliz e satisfeito, noutras parece estar à beira das lágrimas, and so on...

É mais evidente dar-se pelas alterações exteriores do que pelas interiores.
Não há fotografias para o que se passa na nossa cabeça, no nosso coração...
A realidade é que também nesse campo estamos em permanente mudança.

Pessoalmente devo dizer que sinto que se o meu físico está a envelhecer, a perder elasticidade, a ficar flácido, a ganhar rugas, o cabelo a ficar branco ... o meu espírito vai contrariamente de vento em poupa, sinto-me cada vez mais sábia, satisfeita, realizada, feliz... Quando chegar ao Nirvana morro... ganda galo... LOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOL
Como já dizia não sei quem, a vida devia ser vivida ao contrário. Nascíamos num asilo de velhinhos, íamos regredindo até voltarmos à barriga da mãe e morríamos num grande orgasmo... LOL

As coisas por que vamos passando na vida vão deixando marcas...
Fisicamente, para além de envelhecermos, podemos ter cicatrizes, tatuagens, tirar sinais, pôr mamas ... tudo coisas que alteram a forma como nos sentimos e como os outros nos vêem...
Psicologicamente isso também acontece mas é menos visível, menos evidente, até para nós próprios...
Para a maior parte de nós não existe registo daquilo que já pensámos e ousaria até dizer daquilo que já sentimos.
A dor e o prazer emocionais são tão efémeros como os físicos. Quando já não estão presentes já não nos conseguimos lembrar bem de como eram.
Até com as ideias acontece o mesmo. Quantos de nós não renegaram já ideias que tinham anteriormente defendido?

Onde estou a querer chegar com este post é a que se calhar, deviamos esforçar-nos por manter um registo psicológico das coisas, como o fazemos com o físico através da fotografia. Guardar um espacinho no cérebro onde poder revisitar aquilo que já fomos. Nós e os outros...
Toda a gente olha para uma determinada foto e diz: "Olha, o não sei quantos com cabelo!!!"
Mas geralmente ninguém comenta: "O não sei quantos está muito menos egoísta!" e a realidade é que ás vezes está mesmo... mas ninguém reparou...
Talvez assim tivéssemos uma melhor noção do que tem sido a nossa evolução e a dos que nos rodeiam. Talvez assim nos felicitássemos mais relativamente ás nossas conquistas, e ás dos outros, aprendessemos melhor com os nossos erros... Era bom para nos lembrarmos de nunca mais voltar a fazer "aquele corte de cabelo".


domingo, 23 de dezembro de 2007

Um dia de cada vez...

Quando me dispo perante vós amiguinhos, conhecidos e desconhecidos, não é de forma alguma por exibicionismo ou pela soberba de achar que o meu caminho é melhor do que os outros. Donde pensam que vêem as conclusões a que vou chegando, as decisões que vou tomando, a minha forma de ver a vida? Não nascem por geração espontânea na minha cabeça... São resultado de coisas que vou observando por aí, de conversas que vou tendo, de filmes que vou vendo, de merdas que vou lendo... Ora quem sabe se o ler esta merda não vos poderá dar ideias também? Quanto mais não seja de como não fazer alguma coisa... ;)

Ora sou já apelidada de doente por causa da minha organização. Vários indivíduos da nossa praça, que muito prezo, olham para mim, como se fosse um ser de outro planeta... Acontece que resulta sim. E se conseguirmos aliar bom senso, bom raciocínio e boa onda as coisas correm sempre quanto mais não seja mais calmamente, mais serenamente.

O truque é levar um dia de cada vez.
Mas antes do mais é preciso organizar... Buuuuuuuuuu!
Sorry, para mim tem de ser... para mim, para os castores, para as formigas, para as abelhas... LOL
Olhamos para o que temos pela frente. Fazemos um plano de ataque. Definimos objectivos, tarefas e timings, dentro do razoável e sem nos tornar-mos doentes... LOL e arregaçamos as mangas.

Por muito que queiramos o dia só tem 24h. Por muito que as tentemos esticar há um número limitado de coisas que conseguimos fazer num dia. Se não estivermos atentos, a nossa vida profissional invade a nossa vida pessoal de forma desastrosa, fazendo vacilar o nosso lado emocional.
Não vale a pena num mesmo dia querer levar as crianças à escola, ter uma reunião na outra banda, ir ao supermercado, fazer as compras de Natal e ir buscar uma coisa a casa daquela tia onde não se consegue entrar sem ficar pelo menos meia hora (LOL) antes de ir buscar as crianças à escola. Dá desastre... Stressamos os putos logo de manhã para se despacharem a sair de casa, ficamos em pulgas por causa do transito, tentamos despachar a reunião, não almoçamos para ainda ter tempo de ir ás compras, esquecemo-nos estupidamente de comprar o leite, que era o que fazia mais falta e já não estamos minimamente com cabeça para escolher prendas de Natal, acabando por comprar mesmo assim uma que outra para despachar a coisa, dando-nos conta mais tarde que na loja ao lado custava metade do preço. Como temos mesmo de ir buscar a tal coisa a casa da tia e dado o adiantado da hora, vamos buscar os putos primeiro e vamos lá com eles, onde ela lhes oferece lanche e acabamos por lá ficar uma hora, chegando a casa já completamente apertados para o banho e o jantar (que não querem comer porque lancharam ás sete da tarde) e a caminha porque amanhã á escola...
Uf! Esta vida é um inferno...

Ok, chamem-me estúpida se quiserem mas, logo no inicio da minha descrição dava para ver que era um projecto extremamente ambicioso. Garanto-vos no entanto que conheço mais do que uma pessoa que funciona nestes moldes.
Porquê? Porque para começar estão-se nas tintas, são cool... vão deixando andar... Depois, não têm qualquer noção das horas, as cebolas que usam no pulso são só para enfeitar... Não têm também qualquer noção do tempo que cada coisa demora a fazer, nem pensam nisso. Resultado, quando apertam as dead lines ficam ó tio, ó tio, que já não tenho tempo para fazer tudo. Depois, como tentam fazer tudo de uma vez, acabam por fazer as coisas ás quatro pancadas ou deixar parte incompleta o que quer dizer que no dia seguinte vão ter outra vez parte das mesmas tarefas para tratar e outras que apareceram entretanto...
Pffffffff! Depois eu é que sou doente... Ah, Ah, Ah, Ah, Ah... you must be joking...

O meu truque vou-vos dizer qual é... (para além de ser uma ganda palhaça e vocês me darem o desconto das calinadas que vou dizendo à conta de uma que outra gargalhada...) Viver um dia de cada vez! Verdade de Lapalisse... mas que é MUITO mais fácil de apregoar do que de por de facto em pratica...
Viver um dia de cada vez implica estar muito consciente de que não é de facto possível, por muito que desse jeito, passar o elefante pelo buraco da agulha... Depois, na minha opinião (embora pontualmente possa não ser possível) o dia deve ser dividido entre vida profissional e vida pessoal de uma maneira equilibrada. De preferência nenhuma deve interferir com a outra. Não se consegue trabalhar e dar atenção a uma criança ao mesmo tempo, por exemplo... E finalmente, tendo como horizonte os objectivos que nos propusemos e como guias as tarefas que organizámos, mas sem olhar para o big picture a não ser pelo canto do olho, ir em frente and do what you have to do, que amanhã é um novo dia.

Falei e disse... e "doente" ou não resulta munta bem... Grunf!

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Carpe Diem... the big picture

"Carpe Diem"... desde que vi o Clube dos Poetas Mortos (confesso que antes não conhecia) que sinto uma ligação muito forte com estas palavras...
Segundo pesquisei na Net: "Carpe Diem" quer dizer "colha o dia". Colha o dia como se fosse um fruto maduro que amanhã estará podre. A vida não pode ser economizada para amanhã. Acontece sempre no presente."
É um sábio conselho que para mim faz todo o sentido...

Desde há muito tempo que tenho intuitivamente uma clara noção da efemeridade da vida.
A realidade é que grande parte das vezes a morte não se faz anunciar... Num dia estamos por cá e no seguinte quem sabe onde estaremos. Bem diz "ele o povo" (LOL), "vive a tua vida como se não houvesse amanhã, um dia acertas".

Notem que falo em morte mas poderia falar em doença, enfermidade ou qualquer outra fatalidade daquelas que nos "revolucionam" a vida... para drasticamente pior, claro está.
E não só a nossa vida... também a dos que nos rodeiam nos afecta, dos nossos pais, dos nossos filhos, dos nossos irmãos, dos nossos amigos...
Quando nos despedimos de alguém não sabemos se o voltaremos a ver, ou em que estado. Mais vale aproveitar em pleno os momentos que passamos juntos.

Mesmo sem recorrer a ideias tão dramáticas, a realidade é que a vida não pára, não recuperamos o tempo que "perdemos". Se não aproveitar-mos o dia a dia para fazermos algo por nós, pela nossa vida, pela nossa qualidade de vida, pela nossa felicidade, um dia acordamos e a vida passou-nos ao lado. As inercias, as preguiças,
os medos de fazer aquilo que sabemos querer fazer, trazem-nos frustração no presente e desânimo conforme este se vai transformando em passado. "Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje..."
É do presente que se constrói um passado, não do futuro.

Não estou de forma alguma a fazer a apologia do "não olhes para a frente, sê inconsciente, não faças planos, não tenhas objectivos"... Tudo o que fazemos hoje terá sem dúvidas implicações amanhã e isso tem obviamente de ser ponderado. Isto tanto é válido para o comer um quilo de cerejas que nos vão provocar uma real caganeira como para o despedirmo-nos do emprego.

Agora se "colhermos o dia como se fosse um fruto maduro que amanhã estará podre", se tivermos noção de que o que de bom temos hoje pode já lá não estar amanhã, isto ajudar-nos-à a fazer as opções mais "correctas". E "o que de bom temos hoje" pode ser a nossa juventude, a nossa saúde, a nossa autonomia, a nossa própria vida. Não devemos "perder tempo" com caminhos que nos "fazem mal". Se não estivermos com pressa, porque havemos de escolher a autoestrada em vez de ir pela marginal a ver o mar?

Mas para além do "carpe diem", do "colher o dia", do aproveitar ao máximo o que de bom a vida tem para nos dar, há mais uma razão para vivermos HOJE...

Todos nós temos problemas, assuntos para resolver... dúzias deles, pequenos, grandes, médios...
Muitos deles não podem ser resolvidos "na hora", implicam tempo, trabalho, paciência... não se fazem, vão-se fazendo... Ora isto ás vezes é absolutamente desesperante...
Eu que o diga que ando há anos a lutar contra a minha pelintrice, por exemplo... LOL

O que quero dizer é que quando se olha para o "big picture" às vezes é realmente assustador... Vemos uma montanha à nossa frente, cheia de obstáculos a ultrapassar e falta-nos o folego...
O viver o hoje, um dia de cada vez (como os alcoólicos anónimos), um passo de cada vez, permite-nos manter as forças. Ou pelo menos não as desperdiçar.

Para começar, o dia só tem 24horas, quer queiramos quer não, e "Roma e Pavia não se fizeram num dia"... Não vale portanto a pena querer "meter o Rossio na Rua da Betesega". (esta foi só para os curiosos como eu, que não sabia onde era a porcaria da rua... LOL) E mais, "grão a grão enche a galinha o papo"... LOLOLOLOLOL
Falando sério... (juro que não bebi nada, é mesmo só estupidez natural...) temos tendência para ver os ditos problemas (ou coisas a resolver) como um todo, o que no fundo não está errado. A realidade é que a maior parte das vezes estes têm de ser resolvidos por etapas, um pé à frente do outro, um passo de cada vez. Não há teleportes infelizmente. Ora se continuarmos a olhar para a montanha desesperamos.

As coisas estão sujeitas a tempos de reacção, reacção nossa, reacção dos outros. Se estivermos sempre a "jogar xadrez", a antecipar mentalmente as situações, a tentar visualizar todas as hipóteses, a querer prever tudo o que possa acontecer e tudo o que poderemos fazer a esse respeito, damos em doidos.

A ideia é portanto escolher um rumo e ir seguindo a bússola... calmamente, lidando com o que se nos vai deparando pela frente, as tempestades, a bonança, os ventos contra ou a favor... e já agora ir apreciando a paisagem : )
Carpe Diem !





sábado, 10 de fevereiro de 2007

Controlar o medo

Cheguei à conclusão de que temos muito mais "medos" do que julgamos.
Estes são, na minha opinião, uma das grandes causas das nossas angústias, ansiedades, inseguranças, etc...

Viver é um bocado como andar na selva... Sabemos que há perigo à espreita, sabemos que corremos riscos, mas há que ir andando...
Não vou defender aquele que corre descalço selva a dentro, gritando, yéééééééééééééé... com as mãos no ar, porque acho que é doido...
Conheço alguns assim que se têm safo, mas acredito que tenham um Anjo da Guarda digno do maior super-herói...
Na minha opinião é pura inconsciência e não subscrevo.
Um pouco de medo é talvez um pouco de respeito por nós próprios e pelos outros.
Imaginem que o idiota ao vosso lado atraí um bando de leões com os seus gritinhos histéricos, não tem graça...
Há que se proteger, sem dúvida, levar umas botas altas, ir vestido em conformidade, pôr um repelente de insectos, levar chapéu, não atrair a atenção dos predadores... enfim, não tentar o destino.
A realidade é que, grande parte de nós e em relação a vários campos das nossas vidas, temos tendência para nem sequer sair da cubata. O medo é tanto que paralisamos. Alguns conseguem viver com isso. Não acredito que bem, porque assim a vida lhes vai passando ao lado. Tanto medo, tanto medo, que quando (ou se) finalmente se arriscarem a pôr a cabeça de fora já é noite, já não vêm nada...
Os outros vão andando, mas muitas vezes todos borradinhos... não é nada agradável...

Deixando-me agora de metáforas (mana, odeio-te por me teres contado aquela história...), vou passar a dar alguns exemplos concretos.
Os medos de que falo são medos do dia a dia. Medos muitas vezes perfeitamente justificados (apesar de tudo andar na selva É perigoso) mas que, se os deixarmos controlar-nos dão no que costumamos denominar por MERDA.

Exemplo nº1:
Quando viemos para Sintra trouxemos connosco os nossos dois gatos. Ao fim de mês e meio já não tinhamos nenhum, piraram-se os dois, nunca mais lhes pusemos a vista em cima. Pus anúncios, colei papeis por todo o lado, perguntei nas redondezas, nada...
Uns tempos depois arranjei duas outras gatas.
E então o que senti? Hum??? Medo! Pois claro, um medo do caraças de ficar sem estas também... E um medo perfeitamente justificado. As janelas e as portas dão para a rua, se elas quiserem dão de frosques... Então o que fazer?
Fecha-las em casa, não as deixar ir para o jardim, pôr-lhes uma trela... não me parece.
Deixar de ter medo.
Passar a ver a hipótese de um dia destes uma delas não voltar para casa, como uma possibilidade. Tomar medidas para atenuar as hipóteses de isso acontecer, torcer os dedos e seguir em frente.

Exemplo nº2:
Nas nossas relações ás vezes temos tendência para ter um bocado de medo da reacção do outro. E não estou só a pensar em relações amorosas, isto é valido também para amizades, família, patrão/empregado, etc...
Ás vezes coibimo-nos de dizer ou fazer aquilo que na nossa opinião seria a coisa certa, por medo de um conflito, de uma ruptura, de um desgosto... Deixamos as coisas azedar por medo de pôr pontos nos iis.
A verdade é que, se não agirmos de acordo com aquilo em que acreditamos, o não fazer/dizer alguma coisa por medo da reacção do outro, muitas vezes só contribui para uma morte lenta da relação.

Exemplo nº3:
Desde que me lembro de ser gente, e não faço ideia do porquê disto, que vivi em pânico de que os meus pais morressem. Foi uma ideia que sempre me atormentou terrivelmente. Piorou muito sensivelmente depois do primeiro enfarte do meu pai... Depois disso, de cada vez que o telefone tocava fora de horas, de cada vez que alguma pessoa, das potencialmente portadoras das más notícias, me ligava com uma voz "mais esquisita", o meu coração disparava, tinha verdadeiros ataques de taquicardia.
Entretanto ele teve o segundo enfarte e eu pensei que era mesmo o fim... Fiz uma viagem para o Algarve para o trazer para Santa Marta, devido ao seu estado grave, a pensar que ia morrer ao meu lado no regresso. Resignei-me.
Mas ele safou-se... e entretanto alguma coisa tinha mudado dentro de mim. Sabia que era inevitável, que ele ia mesmo morrer um dia e deixei de ter medo.
Passei os anos que se seguiram, dando graças por cada dia que passava com ele, até ao dia em que recebi mesmo o tal telefonema, sem medo. E estes foram muito mais serenos do que os anteriores.
Não foi a minha falta de medo que o matou, com certeza, da mesma maneira que não foi o meu medo que o salvou das primeiras vezes...
Simplesmente é assim e o medo não serve para nada...

Exemplo nº4:
Quando era miúda tinha um medo/nojo/repugnância o que lhe queiram chamar, de osgas terrível. Uma noite, nas Açoteias, entrámos no quarto e estava uma na parede. Quem estava comigo, que já nem me lembro de quem era (sorte a deles/as), viu o pânico nos meus olhos e não achou nada mais divertido que sair e trancar-me lá dentro. Ia-me passando... Gritei, dei murros na porta, ameacei, pedi, implorei, não me lembro se chorei... até que me abriram a porta...
Nesse dia decidi que ninguém voltaria a ter o poder de me pôr nesse estado por causa de um bicho. Controlei-me. Tomei as minhas reacções em mãos. Tive um que outro encontro imediato com esses seres. Hoje em dia durmo num quarto com eles se for preciso...

Exemplo nº5:
Vamos para o aeroporto, já em cima da hora e está uma bicha (he, he) terrível na segunda circular... Fico em pulgas, cheia de medo de perder o avião... Será que se eu tiver medo o avião espera por mim?
I rest my case...

Podia estar aqui a noite toda a dar exemplos, mas acho que já chega.
Onde queria chegar é a que, se formos conseguindo (o que, na minha experiência, se faz muito lentamente, passo a passo...) controlar os nossos medos, sobretudo os que não são úteis, que não nos protegem de nada, nem a nós nem aos outros, vivemos com muito mais serenidade.

Falei e disse... : )
Bjs
C

PS: Dedico este post a alguém que se vai identificar e que eu gostava muito que perdesse o medo e se atirasse a ser o homem fantástico e feliz que eu sei que pode ser...

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Os inconvenientes do "tudo ou nada"...

Confesso que não sei durante quanto tempo vou manter este blog...
A insistência de algumas pessoas levou-me a cria-lo mas, como alguns devem ter reparado, a assiduidade na escrita não tem sido muita.
Isto deve-se claro à falta de tempo, mas não só...
Eu tenho de facto "coisas para dizer", ou se preferirem para "partilhar", a questão é que, de cada vez que penso em fazê-lo, acho que é um bocado pretensioso da minha parte.
Acho que, como disse o Pedro no primeiro comentário à minha introdução, é um bocado "umbilical", e no fundo... quem sou eu?

Mas enfim, let's give it a try...

Frases como "burro velho não aprende línguas" ou "eu sou assim, sou assim" e coisas do género, põem-me sempre um bocado triste.
Não existindo pessoas perfeitas, todos temos as nossas "arestas a limar" para vivermos melhor.
Há quem vá vivendo com as suas arestas vivas e se esteja nas tintas.
Eu acredito em tentar mudar tudo o que seja identificado por nós como sendo "um problema".
Por "problema" entenda-se qualquer característica do nosso carácter, dos nossos hábitos, etc, que não contribua propriamente para a nossa felicidade (e para a dos outros) antes pelo contrário.
Nem sempre é fácil identificarmos "um problema" como tal, mas uma vez que o façamos, na minha opinião devemos deitar mãos à obra.
A maior parte das vezes são coisas extremamente enraizadas desde há muito tempo, difíceis de mudar.

Vou dar dois exemplos pessoais, completamente diferentes um do outro, para me tentar explicar melhor:

Problema nº 1:
Ás vezes passo-me completamente com o meu filho com coisas com as quais não vale MESMO a pena uma pessoa passar-se. Tem quatro anos. Faz coisas (tipo deixar cair pasta de dentes para o roupão porque não tem cuidado... qualquer mãe sabe que é lixado de limpar, a não ser que se lave o roupão todo, o que é chato visto que só tenho um...) típicas de meninos de quatro anos. É normal, vai continuar a acontecer, e o facto de eu lhe dar dois berros e um ralhete não vai mudar absolutamente NADA.
O ideal nesta situação seria portanto não criar qualquer tipo de stress absolutamente desnecessário ou de mau ambiente no ar. Pois...
Problema nº2:
Há muito tempo que fumo um maço de tabaco por dia. É mau...
É mau porque faz mal à saúde (minha e dos que me rodeiam), é mau porque fico a cheirar mal cumó (Nuno, escusas de corrigir, foi de propósito...) caraças, é mau porque cada vez é mais incomportável financeiramente... Resumindo; é mesmo muita mau...
O ideal era deixar completamente de fumar. Pois...

Ou seja, temos aqui dois problemas perfeitamente identificados e que, apesar de continuar a tentar, ainda não consegui resolver...
Identificamos um problema, decidimos "erradica-lo" e a coisa não corre como esperávamos...
Era mais ou menos aqui que eu queria chegar...
Até à bem pouco tempo eu "desistia"... tipo, tentava deixar de fumar, não fumava durante X tempo, voltava a pegar num cigarro, depois em dois, depois em três e finalmente decidia que iria "voltar a tentar" noutra altura, que nesse momento não conseguia mesmo.
O mesmo se passava com os meus acessos de mau feitio... Passava-me, sentia-me muita mal com isso, e da vez seguinte voltava-me a passar.
Ou seja, um falhanço levava-me a desistir, pelo menos durante uns tempos, de continuar a tentar melhorar. Punha "o projecto" em stand-by...
Agora uso outra técnica com a qual me dou muitíssimo melhor; perdoo-me as minhas falhas e continuo a tentar.
Em Novembro decidi outra vez deixar de fumar... parei completamente durante uns dias e depois comecei a fumar um cigarro a seguir ao almoço e outro a seguir ao jantar. Depois passei a fumar mais um que outro durante o dia. Neste momento estou a fumar cerca de metade (ou menos visto que faço "meios cigarros" de enrolar) do que fumava antes da minha decisão e ainda não desisti de parar completamente.
A realidade é que estou a fumar muito menos, a gastar menos dinheiro e a empestar menos vezes o ambiente. Já saio de casa sem tabaco, se não tenho não fumo e não me custa nada. Ok, uns amigos são cravados de vez em quando... LOL
Isto versus "caguei tento noutra altura" parece-me bastante mais saudável.
Em relação aos meus "ataques", continuo a tê-los volta não volta... não me consigo controlar de vez em quando.Mas a maior parte das vezes já não me passo. Não está perfeito ainda, mas diria que está muito melhor.

Isto não é nada fácil, até porque os outros normalmente não fazem a mesma coisa, não perdoam... De cada vez que temos um deslize lá vêm os dedos acusadores... "Não tinhas deixado de fumar?", "Achas mesmo que isso é razão para tanto alarido?" e lá vem a sensação de falhanço e a vontade de desistir...
Mas na minha opinião, mais vale "ir falhando" e persistir do que desistir.
Aceitar que nem tudo acontece do dia para a noite...
Perceber que a "educação" não só não é uma coisa imediata como é extremamente difícil sobretudo quando se trata de uma auto-educação e para mais "tardia"...
Quando estamos a educar uma criança compreendemos que temos de trabalhar certos pontos um milhão de vezes até as coisas passarem a correr bem.
Quando é connosco não costumamos ter a mesma paciência, tolerância, compreensão... damos normalmente o caso por perdido com muito mais facilidade.
Quando me dei conta disto consegui de facto acabar por limar uma que outra aresta...
Ainda não desisti de todas as que faltam.
Viver bem dá imenso trabalho : )