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quinta-feira, 20 de abril de 2017

Nosferatu


   Por razões que não são de todo relevantes para aquilo sobre o que vou aqui divagar hoje, nos últimos dois meses e tal tenho estado em estreito contacto com uma pessoa cuja postura na vida é diametralmente oposta à minha. Não estou a falar de uma pessoa diferente, que diferentes todos somos, acho que é mesmo de outra espécie
   Em situação normal, mal disso me tivesse apercebido, teria rapidamente dado meia volta. Neste caso não era possível pois tinha assumido um espírito de missão, em parceria com uma série de gente.
   Assim, durante os últimos 66 dias, vi-me envolvida com alguém para quem o copo está sempre meio vazio (desculpa, Mouro, caso me estejas a ler, mas vai-te lixar que a metáfora é boa…lol), que só consegue ver o lado negro de toda a gente, de todas as situações e que, como tal, age em conforme. Não dá mostras da mais pequena gratidão (para com a vida, seja qual for a situação há sempre algo pelo qual podemos estar gratos), da mínima empatia para com o próximo, que exige tudo e não dá nada vá-se lá saber porquê isto levou-a à solidão.
   Este tipo de pessoas é completamente tóxico. Mantendo um contacto regular com elas, vamos sendo envenenados, aos poucos, sem darmos por isso. Vamo-nos sentindo mais fracos, menos positivos, vamos perdendo o ânimo sem saber bem porquê.
   Até que, na semana passada, fiquei muitíssimo mal com uma valentíssima intoxicação alimentar. Notem que ninguém me mandou alarvar uma paelha com quatro dias Estive para morrer durante dois ou três dias e comecei a melhorar ligeiramente. No entanto, durante oito dias, foi havendo uma alternância entre o melhorar e o piorar, e dei-me conta de que piorava sensivelmente quando tinha de lidar com alguma coisa que lhe dissesse respeito.
   Pensei; vais mulêli, se continuas por esse caminho, vais mulêli O meu corpo estava nitidamente a mandar-me um sinal, a querer dizer-me qualquer coisa. Confesso que não foi muito difícil perceber oquê.
   Ontem de manhã peguei no telefone e despedi-me, informei-a de que não queria ter mais nada a ver com ela. Logo a seguir ainda tive um valente ataque de caganeira mas, a partir daí, foi melhorar a olhos vistos.
   Hoje passei o dia todo a sentir-me leve que nem um passarinho. Parecia que me tinham tirado um elefante de cima. Voltei a comunicar descontraidamente com alguns amigos, dei atenção ao meu filho e ao respectivo pai, assistência sem má disposição e com muita paciência à minha mãe, fiz um que outro telefonema para saber de gente que sei estar menos bem, a passar por momentos complicados, para dar dois dedos de conversa, uns miminhos, um apoiozito, a outros propus ajudas para as quais, desde que tudo começou, não tinha qualquer disponibilidade, nem de tempo nem mental, combinei encontros e actividades. Olhei à minha volta e senti-me incrivelmente grata por todas as coisas boas que tenho na minha vida, apesar de também dela constarem bastantes problemas e preocupações. E então, senti-me a voltar à vida. Voltei a ser eu.
   Foi aí que me dei conta de duas coisas. Primeiro, que algumas pessoas são efectivamente vampiros, que nos sugam toda a energia, toda a força de viver. Depois que, se nos mantivermos muito tempo ao seu lado, nos iremos transformando nelas, que nem reles mortal a quem Drácula chupa o pescoço.
   Nestes últimos tempos, estou consciente de não ter estado lá” para ninguém, nem ter feito nada de produtivo. Simplesmente não estava disponível. Foquei toda a minha energia nesta missão, dediquei-me a ela de corpo e alma, e esqueci tudo o resto, passei tudo para segundo plano.
   Nos últimos meses, não estendi a mão a mais ninguém. Eram os outros que me ligavam para saber de mim, para propor ajuda, para dar apoio e toda esta energia que me ofereciam era canalizada para um mesmo ponto, onde era desperdiçada por alguém a quem tudo parece ser devido, nada chega e tudo o que tem na vida é mau, não presta.
   Cheguei assim, mais uma vez, à conclusão de que a vida é feita de dar e receber e de que não podemos fazer uma coisa sem a outra. De que tentar ajudar quem não se ajuda a si próprio é uma tarefa ingrata, inglória, que, na minha humilde opinião, não só não vale a pena como nos faz mal.
   Tenho pena de não ter acordado mais cedo e de ter sido necessária uma semana colada ao trono para me aperceber do que estava a fazer. De ter descuidado tanto as relações humanas à minha volta, aquelas em que vale a pena investir, aquelas nas quais o nosso tempo não é de todo desperdiçado. Mas enfim, mais vale tarde do que nunca. Estou de volta, cheia de boa onda e energia positiva, que bastou largar o lastro para recuperar.
   Im back! ;)

COM MÚSICA

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

O peso dos segredos




       Todos temos os nossos “jardins secretos”, coisas que ninguém precisa de saber porque são só nossas, não têm qualquer implicação na vida dos outros, ninguém tendo assim nada a ver com isso. Podemos, eventualmente, decidir partilha-los, sendo perfeitamente legítimo pedir discrição. Para além destes, tal como os crimes, os segredos, podem ser públicos, semi-públicos ou particulares, assumindo cinquenta sombras de cinzento… 
       Pessoalmente, embora consiga evidentemente considerar questões relativamente ás quais o sigilo seja aconselhável ou até mesmo necessário, sou grande apologista da transparência, cada vez gostando menos de segredos. Estes não passam, a meu ver, na sua grande maioria, de uma recusa de enfrentar, reconhecer, assumir, certos factos da vida. Há quem viva refém dos segredos, gente para quem muito tem de ser dissimulado, escondido, calado, encoberto. Essas pessoas carregam às costas um peso imenso. Dizem os alcoólicos anónimos que “o tamanho do teu segredo é o tamanho da tua dor” …  
       Acredito, tal como defendi neste post, que a nossa qualidade de vida passe enormemente pela coragem com a qual enfrentamos o dia a dia. A maior parte dos segredos revela, a meu ver, cobardia. Servem para tentar tapar o sol com a peneira, como se pelo facto de não se falar sobre determinadas coisas elas não existissem.  São também uma forma de fugir de confrontos, atritos, explicações, justificações. Todos eles fazendo parte integrante da vida, mais vale, a meu ver, enfrentar o touro pelos cornos. 
       Quem não conheceu já o poder libertador de uma confissão?! Quantas vezes o que guardamos dentro de nós não nos consome, nos corrói. Aquilo que calamos pesa-nos frequentemente muito mais  e durante muito mais tempo do que as consequências de o pormos cá para fora. Por outro lado, adiar enfrentar o que muitas vezes é inevitável, olhar de frente certas realidades, acaba por só acentuar o sofrimento. Como se costuma dizer, não mata, mas mói.
       Os segredos criam barreiras entre as pessoas, levam ao isolamento. Se não pudermos falar abertamente sobre as coisas da vida, partilha-las com os outros, esta acaba, inevitavelmente, por se tornar muito solitária. Para além disso, guardar determinados segredos, frequentemente implica mentir, o que talvez não a toda a gente, mas provavelmente à maior parte, provoca incómodo, desconforto. Pior ainda, quando sabemos que alguém é uma  “caixinha de segredos” acabamos por pôr constantemente em questão a sua franqueza, a autenticidade do que nos diz, instalando-se a desconfiança e a insegurança nas relações.
       Mas o pior de tudo são os segredos que nos são impostos, segredos que, por lealdade para com quem connosco os partilhou, nos sentimos compelidos a guardar, quantas vezes sem sequer conseguir compreender porquê. Segredos esses que ás vezes só nos apresentam como tais depois de no los terem já contado. Que nos forçam a ser dissimulados ou até mesmo a mentir, impedindo-nos de ser verdadeiros com outras pessoas por quem temos o mesmo respeito e consideração. Que, inclusivamente, nos chegam a obrigar a ir contra os nossos próprios princípios. Que nos fazem fazer figura de ursos, mantendo conversas absurdas com outros que também eles guardam o mesmo segredo sem que o saibamos. Que, quantas vezes, quando vêm a lume, geram revolta ou ressentimento contra nós, fiéis depositários involuntários dos mesmos.
       A maioria dos segredos, cedo ou tarde chega ao domínio público, seria assim perfeitamente escusado terem essa qualidade. Pedir simplesmente para que não fossem apregoados aos sete ventos, confiando na descrição e sensatez do recipiente, deveria ser mais do que suficiente. 
       Uma coisa vos digo, a mim não me venham contar mais segredos, não quero saber, prefiro viver na ignorância.



COM MÚSICA

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Eu nem sequer gosto de futebol…





Não consigo entender a importância que assume o futebol na vida de algumas pessoas, confesso, o fanatismo clubista mexe-me um bocadinho com os nervos.
Não gosto de futebol mas AMO o meu país, o meu povo, de corpo e alma, do fundo do coração, com todos os seus defeitos e qualidades!!!
Como tal, não perco um jogo da nossa selecção. ;)

Este Euro despertou o melhor e o pior que há em mim…
Comecei por lhe assistir de uma forma cool, sentadinha no sofá a fazer tricô, levantando os olhos quando começava a haver agitação à minha volta.
A postura dégueulasse dos franceses em relação a nós, durante todo o campeonato, arrancou-me ao meu torpor e pôs-me a torcer fervorosamente, não só para ganharmos, como sobretudo para eles perderem. Desejei que nos encontrássemos na final, para lhes enfiarmos a arrogância num sítio que eu cá sei, de preferência sem vaselina.

A França fez parte da minha vida desde muito cedo. Vivi lá, fiz os meus estudos no Charles Lepierre, estive “casada” com um francês…
Sei a marselhesa de ponta a ponta (o que não é nitidamente o caso dos jogadores deles…), que considero um dos hinos mais bonitos do mundo e não consigo deixar de me emocionar de cada vez que a oiço cantada no bar do Casablanca. Os meus cantores preferidos são franceses (ou pelo menos francófonos); o Georges Brassens, o Jacques Brel, o Serge Gainsbourg, entre outros. A minha BD favorita é a franco-belga. Adoro os seus queijos, as suas saladas, a sua culinária em geral. Paris é uma cidade magnífica de que gosto muito.
Enfim, era perfeitamente menina para também ficar contente com uma vitória deles; “que ganhe o melhor”…

Demonstraram no entanto de tal arrogância, imodéstia, ordinarice, má fé, mau perder, que não sei sequer como é possível alguém estar do seu lado.
Já tinham um autocarro todo preparadinho para a vitória?! Ohhhh, que penaaa… lá vai ele com o tubinho de escape entre as rodas, tadinho...

Nós por cá festejamos, felizes e unidos.
Foi um jogo bonito, emocionante, até para quem não gosta de futebol.
Cometemos uma que outra infracção e tivemos alguns golpes de sorte?! Pois naturalmente que sim, apontem-me um jogo sem eles.
Ganhámos no entanto sem jogo sujo (contrariamente ao de alguns), sem o nosso menino de ouro e sabemos fazê-lo com humanidade e elegância.



Ganda galo, hein, ó francius?! :)



Obrigada «irredutiveis gauleses» (hahaha) por unirem desta forma a nossa nação valente, uma victória contra a Alemanha não teria garantidamente o mesmo sabor!!!



COM MUSICA

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Cá se fazem, lá se pagam...


Qualquer um se sente pontualmente ao rubro com alguma situação. Nessas alturas, a emoção tende a sobrepor-se à razão e frequentemente dizemos e/ou fazemos coisas de que nos arrependemos mais tarde.

Quando nos sentimos agredidos, atraiçoados, injustiçados, o primeiro impulso é ripostar tentando infligir a mesma dor  ao outro.
É comummente aceite, tolerado, que nos “portemos mal” nestes casos, que tenhamos atitudes meio disparatadas, que não teríamos em situações normais. À nossa volta, uns instigam-nas, outros compreendem-nas, a maioria desculpa-no-las. 

Enquanto o sangue nos ferve nas veias, partimos a loiça toda, agimos por impulso, sem pensar que mais tarde, quando arrefecerem os ânimos, teremos de viver com as respectivas consequências.
Qualquer situação acaba por se resolver, de uma maneira ou de outra, quanto mais não seja com o tempo. Tal como as tempestades, todas as crises passam. Os momentos difíceis dão, cedo ou tarde, lugar a outros mais calmos, mais pacíficos, mais serenos.

A forma como os iremos viver dependerá de como nos comportarmos durante a tormenta. Aquilo que formos, aquilo que fizermos, irá definir-nos, marcar-nos, ditar a postura dos outros no futuro.
Não interessa se a situação era obviamente complicada, difícil, se tínhamos “razão” para estarmos transtornados ou se muitos no nosso lugar fariam o mesmo; os actos ficam com quem os pratica.

As pessoas gostam de apurar responsabilidades, de atribuir culpas, de encarnar papeis... aos olhos de cada um há geralmente o bom e o mau da fita.
A vida real não é no entanto um filme de índios e cowboys, de polícias e ladrões, as coisas não funcionam assim, não são a preto e branco, ninguém é completamente culpado ou inocente, todos temos alguma culpa no cartório, alguma coisa a apontar.

As más acções dos outros não justificam as nossas. Como dizia o Gandhi; “olho  por olho e o mundo ficará cego”.  Portarem-se mal connosco não valida fazermos o mesmo.
A meu ver, a melhor forma de conseguirmos ultrapassar as situações de forma positiva, saudável, efectiva, é com consciência e integridade. Agindo relativamente aos outros como gostaríamos e esperamos que o façam connosco. Tentando sempre compreender e ter em consideração o outro lado.

O nosso primeiro grande crítico sendo nós próprios, não há nada que traga mais paz do que uma consciência tranquila.
A noção de que “apesar de” fomos correctos, não nos descontrolámos, não fizemos nenhuma baixaria, é muito reconfortante mais tarde, mesmo que no momento nos saia do pelo, nos obrigue a fazer das tripas coração.
Por muito que consigamos encontrar justificações e atenuantes para a merda que fazemos, não há como não a fazermos de todo. ;)

Por outro lado, deixar que o facto de estarmos de cabeça perdida dite as nossas acções, tantas vezes com “colateral damage” para quem nos rodeia, para aqueles que afirmamos amar é, no mínimo, extremamente egoísta.
Manter as atitudes correctas e assumir uma postura sensata e inteligente, não é muitas vezes fácil e menos ainda o que nos apetece fazer. No entanto, quem partilha a nossa vida merece pelo menos o esforço e o nosso eu de amanhã irá garantidamente agradecê-lo. 

Se se derem ao luxo 
de agir como animais irracionais, 
acreditem, provavelmente:


COM MÚSICA

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Cheques sem cobertura

WTF?!

As palavras, tal como os cheques, têm de ter provisão.
Depois de lhe dar um valente enxerto de porrada o marido agarra-se à mulher, pedindo desculpa, dizendo que a ama, que não tornará a fazer… pelo menos até à próxima. Mmmm... pois.

Deparo-me recorrentemente, no Facebook e no Pinterest , com a frase que coloquei em cabeçalho deste post. Deixa-me sempre a reflectir  sobre como certas pessoas encaram a vida e as relações com os outros de uma forma, para mim, totalmente absurda.

“Pedir desculpa nem sempre quer dizer que estejamos errados e a outra pessoa certa. Quer dizer que valorizamos mais a nossa amizade do que o nosso ego.”

Hein? Desculpe?!
Estarei a ver mal as coisas ou os pedidos de desculpa são esperados quando, de alguma forma, lesamos ou magoamos alguém?!
Estar certo ou errado? Como assim, certo e errado?!

Na minha opinião, quem divulga a frase acima, valoriza garantidamente mais o seu ego do que qualquer outra coisa.
Considera que desculpar-se é dar o braço a torcer, humilhar-se, atirar a toalha ao chão, como se de um combate se tratasse… pronto, leva lá a bicicleta.
Pede desculpas não por sentir genuinamente que deve mas por achar que tem que, para por uma pedra sobre o assunto, para o mandar para trás das costas. Como se assim pudesse apagar o sucedido, fazer “reset” e seguir em frente como se nada fosse. Julga que ao fazê-lo toda a dor desaparece, como por milagre.

Um pedido de desculpas que não seja sentido, que não venha do fundo do coração, não só não serve absolutamente para nada, como nem sequer deveria, quanto a mim, ser feito.
Até podemos achar que tínhamos a tal “razão”, podemos inclusivamente continuar a defendê-la, as desculpas que pedimos podem ser por não termos tido outra opção senão magoar. Mas ou lamentamos realmente, se não os nossos actos, pelo menos as suas consequências, ou mais vale estar calado, pois pedir desculpa nestes casos só piora a situação.

Só devemos “pagar” aquilo que consideramos que devemos mas se passarmos um cheque a descoberto estamos a ser desonestos.
“Fogo, desculpa lá, pronto…”
“Já passou tanto tempo e ainda não desculpaste isso…”?!
Pagar com uma nota falsa só reforça o dano e o tempo não apaga estas “dívidas”, neste caso a situação não prescreve, o não pagamento mantém as feridas abertas ad aeternum.

Pedir desculpa, mesmo quando sinceramente, não é uma fórmula mágica que resolva tudo de um momento para o outro. Pedirmos desculpa não apaga o que aconteceu, não o torna ok aos olhos do outro. Simplesmente permite que comece a sarar e, com tempo, deixe de doer. É o que lhe abre o coração para a aceitação das nossas fraquezas, o que lhe permite ter consciência do facto que todos somos humanos e como tal todos erramos. É o que inspira a confiança de que tudo faremos para que não se repita.

Neste post coloquei uma imagem com uma frase com a qual não concordo de forma alguma e uma música que diz o contrário daquilo que penso... nunca é tarde demais para se pedir desculpa pois fazê-lo, cedo ou tarde, não implica de forma alguma que as coisas voltem ao que eram.
Pedir desculpa é um acto independente, pedir genuinamente desculpa é um acto libertador, para quem pede e para quem recebe o pedido. Pedir desculpa é afirmar a nossa humanidade e empatia para com outro ser humano.


Muitos não têm infelizmente noção do poder que têm as palavras, as que dizemos e as que calamos.


COM MÚSICA

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Abre a pestana, as drogas não te lixam só a ti!!!


Nos últimos tempos o tema tem sido uma constante à minha volta e, assombrada pelas histórias de terror de amigos e conhecidos, como qualquer mãe, cruzo os dedos para que tal flagelo nunca me venha bater à porta.
Decidi assim, mais uma vez, escrever um post dirigido aos mais novos, pois se conseguir abrir a pestana a um que seja, já terá valido a pena.

Se não nos dermos ao trabalho de reflectir sobre o assunto, todos tendemos a pensar que o que fazemos a nós próprios é cá connosco e ninguém tem nada a ver com isso.
Não podia ser mais falso!!!

Pensem em alguém de quem realmente gostem, muito, do fundo do coração, uma daquelas pessoas por quem fariam qualquer coisa, sem a qual vos custaria terrivelmente viver… digam o nome dessa pessoa para dentro, fechem os olhos e imaginem-na, pensem nas coisas que apreciam nela, lembrem-se dos bons momentos que passaram juntos…
Agora imaginem que, por alguma razão, desistia de viver, se suicidava.
Como é que acham que isso vos faria sentir?!
Traídos, abandonados, desconsiderados, desprezados… uma coisa é certa, bem não seria com toda a certeza.

Contrariamente ao que julgamos, não somos donos de nós próprios, não podemos, ou não devemos, fazer o que nos dá na real gana, sem consideração pelos outros.
Só pode pôr e dispor da sua vida, sem pensar em mais ninguém, quem não tenha desenvolvido laços afectivos. Quem os tem fica a eles vinculado e tem a obrigação moral de os respeitar.
Só quem nunca tenha visto o terror da perda nos olhos de quem ama pode duvidar disto.

Tal como relativamente a qualquer outro tema, as opiniões divergem no que diz respeito ao consumo de substâncias potencialmente viciantes. A fronteira do aceitável, do que é ou não preocupante, varia de indivíduo para indivíduo.
Uma coisa é no entanto certa, a adolescência é uma fase perigosíssima no sentido em que todos somos muitíssimo influenciáveis e simultaneamente sujeitos a enormes picos emocionais.
Logo, consumir seja o que for, é mesmo estar a brincar com o fogo.

Todos conhecemos os “moedinhas” das zonas de estacionamento e sabemos a razão porque a maioria lá foi parar. Todos sabemos ao que se atribui grande parte da criminalidade. Mesmo quem tenha a sorte de não ter casos próximos de si, já assistiu à horrível degradação de uma que outra celebridade devido às drogas, à morte de tantas delas.

Não acredito que ninguém experimente alguma coisa convicto de que é o que lhe vai acontecer, se for o caso, só tem o que merece.
Não, todos julgam que é só mais uma experiência, que largam quando quiserem. Perguntem a qualquer fumador...
Não tenho conhecimento das estatísticas e não gosto de afirmar o que não sei,   suspeito no entanto seriamente que sejam mais os que, de alguma forma, se ficam pelo caminho, do que aqueles que conseguem recuperar uma vida “normal”.

Costuma dizer-se que cada um se deita na cama que faz. Infelizmente, nestes casos, toda a família lá vai parar, não há como escapar.
As drogas não dão só cabo da vossa vida, dão cabo de tudo o que estiver à vossa volta, sem dó nem piedade.
Dão cabo de pais e irmãos, de tios e avós, de qualquer um que tenha o azar de estar próximo e gostar de vocês. O amor deles será a sua perdição.
As drogas dão cabo das contas bancárias, das carreiras, da vida social, dos casamentos, da saúde física e mental… dos outros. Daqueles de quem vocês afirmam gostar. Daqueles que não têm culpa nenhuma da merda em que vocês se meteram…
E o pior é que vocês próprios dariam provavelmente tudo para não o ter feito, para nunca terem entrado nesse mundo…

Então, meus amigos, têm bom remédio, NÃO ENTREM!!!
Se estão à porta, dêm meia volta, JÁ.
Se têm um pé lá dentro, olhem bem, mas mesmo bem, para os olhos de quem vos ama e vão lá buscar força para fugir a sete pés.
Se ficarem, se forem em frente… assumam a enorme maldade que lhes estão a fazer!

O caminho da felicidade não passa nunca pelo alheamento da realidade, drugs don’t work, a vida é uma pega de caras, sejam homens, não ratos…

COM MÚSICA

sábado, 4 de outubro de 2014

Sapos




 
Pessoalmente sou acérrima defensora da sinceridade, frontalidade, transparência. Acho a vida muito mais fácil quando percebemos exactamente o que temos à frente, com o que estamos a lidar, sem necessidade de interpretação ou, nalguns casos, de capacidades divinatórias mesmo.
Sou no entanto também grande apologista da utilização do cérebro e consequente controlo dos impulsos.

Todos passamos pontualmente  por situações em que nos sentimos compelidos a "espingardar" quando na realidade, por uma razão ou por outra, o melhor que  temos a fazer é mesmo meter a viola no saco e ficar caladinhos. Passo a exemplificar...

Trato dos pedidos de informação e reservas de uma casa de férias da família, que tem vindo a ser pontualmente arrendada para ajudar a suportar os custos.
Frequentemente as pessoas pedem "favores", que se abram excepções às regras, que se facilite isto ou aquilo. Vai do clássico pedido de desconto, à flexibilidade nos horários de entrada e saída ou à autorização para levarem o cãozinho. 
De cada vez, oiço os seu argumentos, tento pôr-me no seu lugar, compreender as suas razões e, sempre que possível e dentro dos limites do razoável, acedo aos seus pedidos.
Já mais do que uma vez, devido a algum problema ou imprevisto, teria sido agradável ter a mesma simpatia do outro lado. Aquilo com que me tenho deparado nessas alturas é no entanto bem diferente. A compreensão e as cedências parecem ser vias de sentido único.
Sobretudo relativamente àqueles para quem tive alguma atenção especial, esta postura provoca-me um enorme sentimento de revolta.
De que me adiantaria no entanto puxar a brasa à nossa sardinha?! A empatia, ou se sente ou não se sente e a triste realidade è que a maioria  das pessoas só tem em consideração o seu próprio umbigo. 

Outro exemplo, fiz uma vez um trabalho para um amigo, digamos que de feitio um pouco intempestivo... 
Desde o início que não foram propriamente fáceis o diálogo e a comunicação mas houve uma reunião que ultrapassou todos os limites do razoável. A virulência e agressividade foram escalando de tal forma que, de cada vez que precisava de falar, tinha antes de contar até dez, para garantir que não dizia nada de que me fosse arrepender mais tarde. 
Quando se foi embora, chorei de raiva e de seguida mudei de registo e obriguei-me a pensar noutra coisa. Era isso ou partir a loiça toda da nossa relação, o que não estava disposta a fazer, pois na minha forma de estar na vida não se trata ninguém daquela forma.

Finalmente, há tempos, fui injustamente acusada de ter tido uma atitude que, não só não tive, como antes pelo contrário. Fui por isso apelidada de ingénua, de totó, e ainda hoje sou gozada e achincalhada. 
O sentimento de injustiça é, sem dúvida, dos que mais me afectam, pelo que me senti obviamente impelida a repor a verdade dos factos. 
Ao preparar a resposta dei-me no entanto conta de que este era mais um sapo que teria de engolir. Para poder "limpar" o meu nome teria de apontar o dedo a terceiros, "gabar-me" de atitudes louváveis que tinha tido e apontar umas "verdades" inconvenientes... e tudo isto com a convicção de que não iam acreditar de qualquer das formas. 
Mais valeu estar calada. 

Muitas são as situações em que é mesmo a melhor coisa a fazer, calar e engolir em seco.
Temos enraizadas em nós noções de honra, de justiça, de reposição de verdades mas, no fundo, o que realmente interessa é o resultado final das nossas atitudes, das nossas reacções. 
Quando penso em tudo isto vêm-me sempre à cabeça os, na minha opinião ridículos, duelos, a quantidade de gente que limpou a honra perdendo a vida, e pergunto-me como é que alguém pode achar que vale a pena.


COM MÚSICA

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Os maus da fita

COM MÚSICA





Os contos infantis, os filmes, os desenhos animados, as BDs, apresentam-nos geralmente um mundo que se divide entre bons e maus. Depois, conforme vamos crescendo, vamos descobrindo tons de cinzento e abandonando esta noção tão radical das coisas.
Pergunto-me no entanto seriamente hoje em dia se não será mesmo essa a visão correcta…

É sabido que infelizmente existem seres humanos (?!) que mais parecem ser a própria maldade encarnada, pedófilos, torturadores, serial killers… não é evidentemente desses que trata este post mas de gente com quem potencialmente todos convivemos no dia-a-dia.

A verdade é que há realmente pessoas relativamente às quais a avaliação é quase sempre negativa. Que, ao longo das suas vidas, pouco ou nada contribuem para que haja paz e harmonia entre seres humanos, antes pelo contrário. Que vivem em função dos seus próprios umbigos, sem qualquer noção de empatia ou compaixão. Para quem há sempre duas bitolas, uma para si e outra para os outros. Que magoam, humilham, agridem, espezinham, sem hesitar, sem pensar duas vezes, sem se questionarem, sem se arrependerem.

No entanto, contrariamente à ficção, em que se topam à légua, na vida real não costumam ter feições diabólicas nem pontuar os seus actos com um“muhahaha” maléfico, tornando-se assim mais difíceis de identificar.

O contacto continuado com estes indivíduos comporta dois grandes perigos; o risco latente de a qualquer momento nos podermos transformar em alvo e o de, por mimetismo, nos virmos a portar da mesma forma que eles.
Quanto ao primeiro ponto, não há grande coisa a dizer, relativamente ao segundo precisamos de ter muito cuidado.

Como me disse certa vez uma pessoa, no seguimento de uma separação: “Ele fazia vir ao de cima o que de pior há em mim”.
O ditado popular afirma que quem anda com um coxo, fica coxo. E notem que o “andar” não implica uma relação amorosa, bastando qualquer tipo de proximidade.
Nem todos tendo os genes da madre Teresa, portarmo-nos “bem” não sai naturalmente, requer trabalho, esforço, empenho e como toda a gente (sobretudo os que são pais) sabe, os maus hábitos adquirem-se com muito mais facilidade. A questão é que estas pessoas adoptam más atitudes com tanta naturalidade que estas às tantas já quase que nos parecem “ok”.

Não acredito que consigam ser realmente felizes, pois a felicidade passa, na minha opinião e entre outras coisas, por uma boa integração social. Concebo que tenham momentos, picos de felicidade, mas não que consigam atingi-la de forma estável e duradoira.
Problema deles, não fora minarem também a nossa.

Assim, uma vez identificados, o afastamento, tão rápido e tão grande quanto possível, destas criaturas das trevas e tudo o que lhes diga respeito, contribui enormemente para o nosso bem-estar. Uma “dieta” livre destes seres que nos fazem mal à alma sendo tão importante como deixar de consumir alimentos aos quais sejamos alérgicos.





quarta-feira, 21 de março de 2012

Querer e poder…



A generalidade das pessoas tem uma noção bastante clara do que pode ou não, legalmente, fazer. A maioria delas tenderá a cumprir a lei.
Muitas das coisas consideradas ilegais estão ao alcance de qualquer um, só não as fazemos porque, apesar de na prática podermos, sabemos que não devemos fazê-las…

No que diz respeito às questões morais, o caso muda completamente de figura, muitas pessoas se dando ao luxo de ter atitudes de bradar aos céus.
Passo a exemplificar.

No painel de controlo da rede do LF, há um assustador botãozinho que diz “delete network”. Só eu tenho acesso ao mesmo, fui eu que criei o site, sou eu que o giro.
Posso então, se me der na real gana, clicar-lhe em cima, certo?!
Posso, a Ning  diz que sim…
Ou será que não é bem assim?
Criei aquele site na brincadeira, sem a mínima noção daquilo em que se viria a transformar. Fui ultrapassada pelos acontecimentos, a coisa tendo tomado proporções completamente desmesuradas.
Poderia ter (descansem amiguinhos, que não tenho…lol) mil e duas razões, perfeitamente válidas, para querer vê-lo pelas costas, livrar-me dele.
No entanto, apaga-lo é a última coisa que me sinto no direito de fazer.
Apesar de o ter “gerado” ele não é meu, ganhou vida própria, é de todos e de cada um dos seus membros. Cada um lá depositou, pouco ou muito de si, ninguém podendo deitar isso para o lixo, como se não tivesse qualquer importância.

Todos somos regularmente confrontados com casos de maus tratos ou abandono animal. Chegam ao nosso conhecimento actos atrozes, de revolver o estômago, que nos fazem duvidar da humanidade de certos indivíduos e perguntar quem será efectivamente o animal.
Podem fazer essas coisas?
Podem.
Têm pés para dar chutos, punhos para esmurrar, facas para cortar, fogo para queimar, carros para os ir largar bem longe de casa, para garantir que não voltem. Tanto quanto sei, nada disto é punível por lei.
Os bichos não têm defesa contra as monstruosidades das bestas humanas, a sua única safa é não cruzar o seu caminho. Nem todos têm essa sorte.

Recentemente, vi no Facebook, um apelo relativamente a uma pessoa desaparecida. O texto tocou-me e a fotografia também, fiz portanto share do post.
Recebi posteriormente um aviso para não continuar a partilhar, pois tinha sido encontrada… morta.
Era muito bonita, jovem e… tinha dois filhos pequeninos. Suicidou-se.
Não irei certamente atirar a primeira pedra, não só porque não tenho conhecimento do que se passava na vida e na cabeça daquela pessoa como porque, como os meus leitores mais assíduos sabem, não tenho autoridade moral para o fazer.
Mas, podia?
Dois filhos, dificilmente se tem dois filhos por acidente, foram provavelmente desejados, amados, queridos e tragicamente atirados para a orfandade. Dois filhos por criar e desiste-se, decide-se que não valem o esforço de lutar por eles, seja lá contra o que for? É preciso não ter qualquer noção da gigantesca cicatriz que se lhes deixa em herança, da devastadora sensação de abandono que os irá perseguir por toda a vida.

Julgo que estes três exemplos sejam suficientes to make my point
Em qualquer uma destas situações, como em tantas outras, as pessoas têm a faca e o queijo na mão, podem efectivamente fazer estas coisas.
Podem, se se dispensarem de auto-crítica, autocensura, auto-controle, auto-estima, às vezes. Podem se não tiverem os outros, humanos ou animais, em consideração, se não se puserem no seu lugar, se não tiverem princípios morais sólidos.
Infelizmente, muitos só se inibem se também for ilegal…


COM MÚSICA

quarta-feira, 14 de março de 2012

Dar a mão à palmatória

COM MÚSICA


Eu portei-me mal
Tu portaste-te mal
Ele portou-se mal
Quem nunca se portou mal, que atire a primeira pedra…

O que quero dizer com portar-se mal?!
Basicamente, agir contra os nossos próprios princípios.
Fazer (ou não fazer)  algo que normalmente criticaríamos nos outros.

Mais ou menos frequentemente, todos o fazemos e quem disser que não, mente com quantos dentes tem na boca.
Por muitos esforços que façamos para nos tornarmos pessoas melhores, por muito que tentemos viver segundo as nossas convicções, que estejamos alertas para que a teoria e a prática andem de mãos dadas… há sempre alturas em que metemos a pata na poça.

Porque estamos com o período, porque estamos doentes, porque sofremos de algum mal-estar, porque estamos chateados, porque estamos revoltados, porque estamos preocupados, porque estamos cansados, porque estamos stressados, porque temos a cabeça noutro lado, porque deixámos os nossos instintos levar a melhor, porque não pensámos antes de agir, porque acordámos com o pé esquerdo… porque, porque, porque… há sempre razões que explicam as más acções.
Explicam mas não justificam, nem desculpam.

Nem todos os seres humanos seguem o seu caminho no sentido de tentar melhorar a sua personalidade, o seu feitio, o seu relacionamento com os outros…
Não se iludam no entanto os que o fazem, a coisa nem é fácil, nem acontece de um dia para o outro. Não basta decidir mudar. Fazê-lo requer trabalho, perseverança, insistência.
Tal como para uma criança que aprende a andar, há muitos tombos à nossa espera.

Por outro lado, a demanda da perfeição (daquilo que na nossa cabeça é a perfeição), é uma perseguição inglória, uma utopia, é como tentar atingir o fim do arco-íris. Há sempre mais arestas a limar, mais campos a trabalhar.
Uma coisa é no entanto certa, sem a ajuda dos outros para nos abrirem os olhos e fazerem ver onde vamos errando, associada a uma boa dose de auto-crítica, não chegaremos a lado nenhum.

Um episódio recente inspirou este meu post…
Uma amiga pediu-me ajuda e lembrei-me de deixar um apelo no nosso sitezinho.
Quando me contactou no chat do FB, já era muito tarde e estava a tentar despachar uma série de coisas para me ir deitar. Tivemos uma conversa telegráfica, em que estupidamente não pedi detalhes, sendo consequentemente o meu apelo no dia seguinte bastante minimalista.

Qual não é no entanto o meu espanto quando, em vez das habituais mensagens positivas e solidárias, me deparo com uma pessoa que, ainda com menos conhecimento de causa do que eu, interpretou a coisa como lhe deu na real gana (com requintes de malvadez imaginativa, devo dizer) e julgou e condenou ali a minha amiga, sem dó nem piedade.

Mais estranha a ainda foi a reacção de outros que, perante esta atitude, foram a seguir pôr paninhos quentes, atribuindo a culpa desta crucificação aos computadores, à comunicação na net…

Um “filme” foi gerado na cabeça daquela pessoa, com base na informação deficiente que transmiti, as novas tecnologias não tendo qualquer responsabilidade no assunto. Retratou infelizmente uma pessoa que é exactamente o oposto da que conheço.
Não indagou, não quis saber detalhes, não deu o beneficio da dúvida antes de apontar acusadoramente o dedo…
Na minha humilde opinião, portou-se mal.

Acredito que, no seu íntimo, também ache o mesmo. Acredito que não aprove este tipo de reacção  precipitada e infundada. Acredito que dela se tenha de alguma forma arrependido.
Não foi no entanto o que deixou transparecer. Quando mais tarde lá fui deixar uma explicação mais completa do que se estava a passar, deu uma desculpa totalmente esfarrapada para justificar a sua atitude

Se não reconhecermos os nossos erros, se não os assumirmos como tais, dificilmente os conseguiremos corrigir, será difícil escapar a recidivas, amanhã voltaremos garantidamente, de uma forma ou de outra, a repetir “a graça”.
E se os outros julgam que nos estão a fazer algum favor em nos aparar os golpes, desenganem-se. A sua reacção é a nossa bitola, o espelho das nossas faltas. Validar uma postura negativa é ajudar a perpetuar o erro. Ajudem o próximo com a vossa crítica, não com a vossa permissividade.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A tradição já não é o que era…

COM MÚSICA



Tendo recebido uma educação tradicional, sou uma menina prendada, que sabe fazer muitas coisas “como deve de ser”.
Sei, por exemplo, pôr a mesa com todo o tipo de talheres, para as mais variadas funções, sem qualquer hesitação quer na ordem quer na direcção, o mesmo se passando com os copos. Sei fazer a cama com “cantinhos de enfermeira” e a dobra da colcha a moldar as almofadas. Sei fazer bainhas “invisíveis”, engomar uma camisa, dobrar uma fralda de pano em forma de bacalhau, enfim, uma verdadeira fadinha do lar.

A realidade é que não pratico a maior parte dos ensinamentos que recebi.
Dobro as toalhas da casa de banho em três, por uma questão estética e as meias em envelope, para ser mais fácil de enfiar o pé, e posteriormente em bolinha para não se perderem umas das outras. Dou no entanto nós nos lençóis de baixo que não sejam de elástico, uso guardanapos de papel e não tenho qualquer problema em trazer uma panela para a mesa se estivermos em família (e com esta descarada e desonrosa confissão, acabei de me habilitar a ser deserdada).

Também em termos de relacionamentos sociais as coisas se vão alterando.
Em tempos, por pouco não fiz uma embaraçosa figura de ursa, aparecendo indevidamente num casamento, por ter recebido um idiota de um “faire part" que confundi com um convite. Quando o meu pai morreu, choquei um que outro membro da família, por me ter recusado a enviar os tétricos envelopezinhos de borda preta com os agradecimentos a quem nos acompanhou.

Enfim, mudam-se os tempos mudam-se os hábitos e pessoalmente mantenho os que me parecem fazer sentido, por razões práticas, de tempo, de dinheiro, de espaço. Não acredito em fazer as coisas “porque já os meus paizinhos faziam assim”… a não ser que continue a ver razão para tal.
Noto no entanto cada vez mais, um “descarte” da educação que nos foi dada, sem grande critério, devo dizer.

Acontece-me frequentemente ir buscar o meu filho à escola e ser bloqueada por carros em segunda fila, uma vez por mais de um quarto de hora, sendo quase insultada pelo paizinho/mãezinha ao ousar protestar no seu regresso.
Na passagem de ano, tendo os anfitriões do costume roído a corda quanto à mega festa dançante da praxe, decidi fazer um pequeno get together cá em casa. Enviei um mail a cerca de quinze pessoas, das quais UMA respondeu. Quando protestei, três responderam a gozar comigo, continuando a não dizer se sim ou sopas. Na véspera, outro perguntou a que horas era para aparecer. Não sei se algum deu com as fuças na porta porque não fiquei cá para ver.
No último jantar que fizemos, duas pessoas chegaram perto da hora combinada. Todos os outros chegaram com pelo menos uma hora de atraso, como se nada fosse. Quando comentei o facto, uma respondeu que achava ternurento que ainda tivesse ilusões de que alguma vez fossem chegar a horas.

Podia continuar por aí a fora, com muitíssimos mais casos, alguns dos quais já mencionei aqui, mas acho que já deu para perceber de que tipo de coisas estou a falar.
Adorava poder pensar que era uma cabala contra a minha pessoa, que só a mim estes filmes aconteciam, infelizmente não tenho tais ilusões, é um mal generalizado.
Os exemplos que mencionei denotam a meu ver, no mínimo, de falta de educação. Mas todos os males fossem esses… o que me parece realmente grave é a aceitação tácita pela maioria das pessoas, deste estado das coisas.

Chamem-me careta, chamem-me antiquada, chamem-me basicamente o que quiserem… mas não consigo de facto engolir posturas que demonstram nítida falta de respeito  e consideração pelos outros.

É-me perfeitamente indiferente o que cada um pratica em sua casa, no seu dia a dia, na sua intimidade, cada um sabe de si e ninguém tem nada a ver com isso. A coisa já muda completamente de figura quando entram terceiros em cena. O estar-se completamente a cagar para o próximo, não tendo minimamente em conta o incómodo que se possa causar é uma coisa que me ultrapassa.

Se calhar é o rumo que o bicho homem está a tomar. Eu própria já não mando vir como mandaria há uns anos, já não fico de trombas como ficaria, já não reajo de uma forma tão intempestiva como reagia dantes. Não deixo no entanto de me indignar, de me revoltar e de continuar a protestar.

“Não faças aos outros o que não gostarias que te fizessem a ti”, sempre foi para mim uma regra de ouro. Parece agora estar a ser subvertida pelo conceito de “aguenta dos outros para poderes fazer tu também…”
Não consigo papar esta.









terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

A insegurança mata

COM MÚSICA



O post da semana passada deixou-me um bocadinho tristonha, não pelo tema mas pelas memórias que remexeu. Fez-me pensar em como algumas coisas boas que temos na vida, que ingénuamente tomamos por garantidas, podem desaparecer de um momento para o outro, sem que nada possamos fazer.

Tive,  na minha adolescência, um amigo com quem partilhava uma empatia, um entendimento, um companheirismo, raros. Até que uma namorada o “proíbiu” de se dar comigo.
Sabendo, pela minha boca pois já nos conhecíamos antes, a importância que tinhamos um para o outro, o passado que partilhávamos, deve ter-se sentido ameaçada pela minha proximidade.
A realidade é que, para enorme pesar meu, deixámos de nos ver.

Muitos anos passaram, muita água correu e, por coincidências do destino, os nossos caminhos voltaram a cruzar-se. Mas o que quer que tenha existido entre nós já tinha morrido. Somos hoje amigos no facebook, daqueles que se mandam umas bocas de vez em quando, sem mais.

Neste caso, do nosso passado comum constava um namoro, há muito acabado, tendo até já havido outra entretanto, de quem me tinha inclusivamente tornado amiga.
Outros houve em que nem isso havia, somente amizade, pura e dura.

Nas minhas divagações, dei-me conta de que este tipo de afastamentos eram uma coisa comum. Pude identificar vários casos, não só relativos à minha pessoa como também aos que me rodeiam, de ambos os sexos.
Consciencializei-me então de que a insegurança mata. Mata relações, se o permitirmos.

As pessoas apaixonadas tornam-se muitas vezes ciumentas, possessivas, sentindo-se consequentemente inseguras. Tentam então afastar tudo o que considerem uma ameaça ao seu estado de graça.
Quer seja de forma directa e frontal ou recorrendo a manipulações subliminares, fazem o que estiver ao seu alcance para cortar pela raíz o que as incomoda.
Assisti a este fenomeno tantas vezes que já lhe perdi a conta.

Julgo que muitos não consigam entender a enorme capacidade do coração humano e a enorme diversidade  das suas relações. Que não compreendam que estas não roubam pedaços umas ás outras, cada indivíduo podendo ser importante à sua maneira, ter a sua função, ser complementar. 

Poucos são, infelizmente, os que conseguem resistir à pressão. O medo de perder o outro, se lhe fizerem frente, parece ser demasiado assustador. A maior parte acaba por vestir a camisola do abandono, da desistência, abdicando de algo que era efectivamente importante para si.
Tal como alguns pais cedem ás birras das crianças para não ter de as aturar, afastam-se, consciente ou inconscientemente, de forma mais ou menos óbvia, da origem do seu mal estar, daqueles que provocam ondas na sua relação.

É, na minha humilde opinião, uma postura muito cobardolas, muito “looser” e sem grande fundamento.
Nos casos que conheço em que isso não aconteceu, em que a pessoa em questão bateu o pé e não cedeu, e felizmente existem alguns, ninguém perdeu ninguém por causa disso.
Conheço inclusivamente um, em que dois amigos se viram meio ás escondidas durante algum tempo, de tal forma a cara metade de um deles lhes fazia a vida negra... Mas não desistiram, não se afastaram, não se perderam. Simplesmente abdicaram de um certo “conforto relacional”, em prol de uma relativa paz de espírito.

Na minha opinião, mas isto sou eu, ou as pessoas são de alguma forma importantes para nós ou não são mas, se forem, ninguém nos consegue fazer virar o bico ao prego. Ninguém nos consegue convencer de que não prestam, de que já não servem. Ninguém consegue ocupar o seu lugar no nosso coração, simplesmente porque sabemos que há espaço para todos.

Claro que também me poderão dizer que, as relações que perdemos, na realidade não valiam o que julgávamos... também pode ser por aí... :(








quinta-feira, 3 de novembro de 2011

As cuecas da rainha

COM MÚSICA




Ele há dias em que me pergunto seriamente se este mundo não terá enlouquecido de vez...

Esta manhã, ao levar o meu filhote à escola, ouvi dizer na rádio que umas cuecas da rainha Victoria (a quem os portugueses roubaram o c... lol) tinham sido vendidas em leilão, pela módica quantia de 8.700€...
Foi a gota de água, já andava há uns tempos com ideias de escrever sobre este tema, é hoje! ;)

Oito mil euros resolviam a vida de muita gente, dão para comprar muita comida, muita roupa, muitos medicamentos... há no entanto quem decida gasta-los numas cuecas velhas.
Estou consciente de que a receita deste tipo de leilões reverte frequentemente a favor de causas humanitárias, não sei se será o caso com este. O que me intriga no entanto realmente é que raio terá na cabeça alguém que larga uma soma astronómica de dinheiro por uma coisa tão absurda.

Outra coisa que me provoca violento prurido, são os anúncios do euromilhões.
“A criar excêntricos todas as semanas...” é o slogan deles, seguido de exemplos completamente cretinos de como torrar o guito.
Que é como quem diz, se ganhar, deite dinheiro à rua, queime-o, gaste-o estupidamente... pela mesma razão pela qual o cão lambe a pila, porque pode.

O nosso mundo é feito de desigualdade, todos sabemos isso.
Há pessoas feias e bonitas, doentes e saudáveis, bem constituídas e com deficiências, pobres e ricas.
Discutir a injustiça deste facto ou tentar arranjar soluções para equilibrar as coisas não é o propósito deste post.

Compreendo perfeitamente que, assim o podendo, as pessoas se rodeiem de coisas de boa qualidade. Um bom carro oferece muito mais conforto e segurança do que um chaço velho em terceira mão. Umas férias nas Maldivas são, sem sombra de dúvida, muito mais agradáveis do que na Costa da Caparica. Um sushizinho parece-me bastante mais atraente do que um MacDonalds. Uma casa com vidros duplos e aquecimento central é um bocado mais confortável do que uma barraca no bairro da lata.
Gostava muito era que alguém me explicasse o potencial da roupa interior da real senhora em termos de melhoria da qualidade de vida...

Uma sociedade que, não só aceita como promove, este tipo de atitudes, só pode estar muito doente.

Provavelmente já todos terão ouvido a música que escolhi para o post desta semana. Não sei se terão dado alguma atenção à letra, a mim tinha-me passado ao lado. Lembrei-me dela por causa do título, que associei à minha visceral embirração com os anúncios do euromilhões, e fui consequentemente investigar.

Qual não é o meu espanto ao dar-me conta de que apregoa exactamente o contrário.
Ele quer ser bilionário (quem não quer?! lol)... mas quer também “be the host of everyday Christmas”...
Fala em adoptar crianças que nunca tiveram nada na vida, oferecer Mercedes, satisfazer últimos desejos. Em dar uns cobres a todos aqueles de quem gosta e garantir que ninguém à sua volta saiba o que é fome.
Menciona a Oprah Winfrey, podre de rica, coração de ouro.

Engana-se no entanto, a meu ver, quando diz que:
“Eu sei que todos temos o mesmo sonho
Meter  a mão ao bolso e tirar a carteira
Atira-la ao ar e cantar”

Caramba, será que era assim tão difícil tentar passar este tipo de mensagem, em vez de incitar o povo à excentricidade idiota?!

Olhem... vou ali pôr umas meias no ebay e já volto... Grunf!