quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Para "o tio" não ficar triste : )

Só mais um pequeno truque, que pode de facto parecer uma verdade de LaPalisse, mas que garanto contribui muitíssimo para a minha felicidade...
As pessoas têm naturalmente tendência para se queixarem do que não têm ou do que lhes corre mal... Também o faço, como toda a gente... Mas...
Acreditem ou não, faço muito mais o contrário...

Quando olho para o meu filho, penso na sorte que tenho, para começar em o ter (o meu piqueno milagre : ), depois em que seja saudável, tão emocionalmente inteligente, tão bonito (não sei a quem sai), tão meigo... Babo-me todos os dias.
Depois de tantas relações que foram ao buraco, cada uma pela sua razão, encontrei o Zé. Que bom... Já lá vão mais de sete anos, record absoluto até á data. Encaixamos tão bem (como disse o amigo Carlos; "o importante é sentires Cristo dentro de ti". LOL), temos uma relação tão forte, tão amiga, tão serena...
A minha família tem algumas maçãs podres, como todas as famílias, mas bolas, as sãs são mesmo fantásticas... Como todos se entre-ajudam, como é forte o espírito de clã, para o melhor e para o pior, um por todos e todos por um, nem todas as famílias se podem gabar do mesmo.
Os meus amigos... como tenho amigos com A grande... como me apoiam, como me mimam, como me aturam... e não é fácil.
É raro o dia em que entre em casa e não pense em como é bonita, em como me sinto cá bem. Olho para as coisas, para os objectos, para a decoração, para as divisões, como se fosse a primeira vez e volto a aprovar a escolha.
Quando guio o meu Pagero velhinho ás vezes até dou festinhas no volante, "gosto tanto deste carrinho, é mesmo agradável de conduzir... e como se tem aguentado bem ao longo dos anos... boa compra que fiz... estou mesmo contente"... tenho o carro vai para dez anos.

Para que fique bem claro este post não é uma listagem das coisas boas da minha vida... Não me dêem os parabéns nem me digam outra vez como ficam contentes em saber que sou feliz... O que acabaram de ler são só EXEMPLOS de coisas que penso regularmente, diria quase que todos os dias, que me vêm constantemente à cabeça...
Ou seja, penso muito mais vezes nas coisas boas que tenho do que nas que não tenho.

Por exemplo, há já uns anos que andamos a viver com uma mão à frente e outra atrás. Como se costuma dizer "não temos dinheiro para mandar cantar um cego". Entre a crise e a nossa aparente incapacidade para gerar dinheiro que se veja, venha o diabo e escolha... Não é fácil. A nossa vida, o nosso dia a dia mudaram radicalmente por causa disso. Tudo o que se faz custa dinheiro, ir ao cinema, jantar fora, beber um café, ir de fim de semana, convidar pessoas para jantar... a sensação que temos é de que respirar custa dinheiro, dinheiro que não temos. Todos os fins de mês são uma angústia...
E no entanto...
Temos tantas coisas boas, pessoas que nos convidam para os mais variados programas, que nos dão prendas, que nos vêm visitar quando Maomé não pode ir à montanha. Adaptámos a nossa vida à falta de dinheiro (o que não quer dizer que não estejamos a lutar para que "a crise" acabe de vez...) e vivemos bem com isso.
Não vamos ao cinema... não faz mal, vemos os mesmos filmes em casa (ás vezes até antes de estrearem...) e não temos de gramar com as pipocas...

O meu pai morreu... faz-me tanta falta... tenho tantas saudades... mas... morreu "bem", estava ainda operacional, trabalhava, era independente, tinha qualidade de vida... morreu rápido, sem grande sofrimento, entre amigos, teve uma vida boa... todos temos de morrer um dia...

Enfim... onde estou a querer chegar é a que passo muito mais tempo a pensar nas coisas boas que tenho na vida, nas coisas boas que me acontecem, do que nas más.
As más vou-as deixando uma a uma para trás das costas e se possível não volto a pensar nelas a não ser que seja útil para alguma coisa.
Perdi dinheiro num negócio? Azarete, para a próxima há que ter mais cuidado.
Não pude alinhar em algum programa porque não temos guito? Paciência, melhores dias virão...
O Zé lixou o joelho, esteve o que pareceu uma eternidade de perna ao peito , tendo de ser operado, fazer fisioterapia? Foi uma fase difícil pra caraças... Soma e segue, já passou...
As coisas boas não... passo literalmente a vida a "olhar" para elas... que lindo que é o meu menino, que simpática que é a minha casinha, que fantásticos que são os meus amigos, que momentos bons passei eu com o meu pai, que sorte que eu tenho...

E, a realidade é que, cá dentro, isto acaba por se traduzir em "que boa que é a vida"...
Perceberam alguma coisa do que queria dizer? : (
Hope so...

Good Vibrations - Beach Boys

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Presunção e água benta... ou Adeus Blog

Pois...
A intenção era boa, mas não me parece...
Ainda não consegui perceber se sou eu que não me consigo explicar ou se são as pessoas que não me conseguem entender...
De qualquer maneira vai dar exactamente ao mesmo, a realidade é que eu acho que estou a escrever "alhos" e a maioria lê "bogalhos"...

Relativamente à minha Introdução tive vários comentários (não foram por escrito) sobre as ditas "receitas"... mais do que uma pessoa pensou que estava a criar um Blog de culinária...

O meu segundo Post era sobre como, ao limar arestas para viver melhor, a perseverança, o auto-perdão, etc, eram importantes... respondem-me com comentários sobre como é de facto difícil deixar de fumar (que era só um, de dois exemplos, para explicar o que queria dizer...) ou sobre como é bom ter alguns "pequenos defeitos"...

Definitivamente não tenho jeito nenhum para isto... foi uma grande presunção achar que conseguia de facto transmitir algo de eventualmente útil para terceiros. A ideia à partida era altruísta (e não "umbilical", como sugerido no primeiro comentário que recebi), era partilhar, com quem me quisesse ler, uma série de pequenos truques que me têm ajudado a viver melhor.
Mas se calhar, para o fazer por escrito, é preciso escrever como naqueles livros de "auto-ajuda" americanos (que por acaso me irritam solenemente exactamente por causa disso) em que explicam a mesma coisa de vinte maneiras diferentes para garantir que percebemos bem a ideia...
A realidade, também, é que quase ninguém cá vem de qualquer maneira... ou pelo menos é a sensação que tenho, visto que não tenho maneira de controlar.

Vou portanto deixar este Blog a moribundar durante mais uns dias, tipo até ao fim do mês, por uma questão de educação não vá alguém decidir "passar por cá" e bater com o nariz na porta, e depois vou apaga-lo.

Não me levem a mal, os que de facto lerem isto...
Não estou de forma alguma a "amuar" ou a "desistir".
É só que me ia dar um trabalhão do caraças, escrever regularmente, e muito sinceramente acho que não vale o esforço...

Bêjos e Lambidelas
Cristina

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Os inconvenientes do "tudo ou nada"...

Confesso que não sei durante quanto tempo vou manter este blog...
A insistência de algumas pessoas levou-me a cria-lo mas, como alguns devem ter reparado, a assiduidade na escrita não tem sido muita.
Isto deve-se claro à falta de tempo, mas não só...
Eu tenho de facto "coisas para dizer", ou se preferirem para "partilhar", a questão é que, de cada vez que penso em fazê-lo, acho que é um bocado pretensioso da minha parte.
Acho que, como disse o Pedro no primeiro comentário à minha introdução, é um bocado "umbilical", e no fundo... quem sou eu?

Mas enfim, let's give it a try...

Frases como "burro velho não aprende línguas" ou "eu sou assim, sou assim" e coisas do género, põem-me sempre um bocado triste.
Não existindo pessoas perfeitas, todos temos as nossas "arestas a limar" para vivermos melhor.
Há quem vá vivendo com as suas arestas vivas e se esteja nas tintas.
Eu acredito em tentar mudar tudo o que seja identificado por nós como sendo "um problema".
Por "problema" entenda-se qualquer característica do nosso carácter, dos nossos hábitos, etc, que não contribua propriamente para a nossa felicidade (e para a dos outros) antes pelo contrário.
Nem sempre é fácil identificarmos "um problema" como tal, mas uma vez que o façamos, na minha opinião devemos deitar mãos à obra.
A maior parte das vezes são coisas extremamente enraizadas desde há muito tempo, difíceis de mudar.

Vou dar dois exemplos pessoais, completamente diferentes um do outro, para me tentar explicar melhor:

Problema nº 1:
Ás vezes passo-me completamente com o meu filho com coisas com as quais não vale MESMO a pena uma pessoa passar-se. Tem quatro anos. Faz coisas (tipo deixar cair pasta de dentes para o roupão porque não tem cuidado... qualquer mãe sabe que é lixado de limpar, a não ser que se lave o roupão todo, o que é chato visto que só tenho um...) típicas de meninos de quatro anos. É normal, vai continuar a acontecer, e o facto de eu lhe dar dois berros e um ralhete não vai mudar absolutamente NADA.
O ideal nesta situação seria portanto não criar qualquer tipo de stress absolutamente desnecessário ou de mau ambiente no ar. Pois...
Problema nº2:
Há muito tempo que fumo um maço de tabaco por dia. É mau...
É mau porque faz mal à saúde (minha e dos que me rodeiam), é mau porque fico a cheirar mal cumó (Nuno, escusas de corrigir, foi de propósito...) caraças, é mau porque cada vez é mais incomportável financeiramente... Resumindo; é mesmo muita mau...
O ideal era deixar completamente de fumar. Pois...

Ou seja, temos aqui dois problemas perfeitamente identificados e que, apesar de continuar a tentar, ainda não consegui resolver...
Identificamos um problema, decidimos "erradica-lo" e a coisa não corre como esperávamos...
Era mais ou menos aqui que eu queria chegar...
Até à bem pouco tempo eu "desistia"... tipo, tentava deixar de fumar, não fumava durante X tempo, voltava a pegar num cigarro, depois em dois, depois em três e finalmente decidia que iria "voltar a tentar" noutra altura, que nesse momento não conseguia mesmo.
O mesmo se passava com os meus acessos de mau feitio... Passava-me, sentia-me muita mal com isso, e da vez seguinte voltava-me a passar.
Ou seja, um falhanço levava-me a desistir, pelo menos durante uns tempos, de continuar a tentar melhorar. Punha "o projecto" em stand-by...
Agora uso outra técnica com a qual me dou muitíssimo melhor; perdoo-me as minhas falhas e continuo a tentar.
Em Novembro decidi outra vez deixar de fumar... parei completamente durante uns dias e depois comecei a fumar um cigarro a seguir ao almoço e outro a seguir ao jantar. Depois passei a fumar mais um que outro durante o dia. Neste momento estou a fumar cerca de metade (ou menos visto que faço "meios cigarros" de enrolar) do que fumava antes da minha decisão e ainda não desisti de parar completamente.
A realidade é que estou a fumar muito menos, a gastar menos dinheiro e a empestar menos vezes o ambiente. Já saio de casa sem tabaco, se não tenho não fumo e não me custa nada. Ok, uns amigos são cravados de vez em quando... LOL
Isto versus "caguei tento noutra altura" parece-me bastante mais saudável.
Em relação aos meus "ataques", continuo a tê-los volta não volta... não me consigo controlar de vez em quando.Mas a maior parte das vezes já não me passo. Não está perfeito ainda, mas diria que está muito melhor.

Isto não é nada fácil, até porque os outros normalmente não fazem a mesma coisa, não perdoam... De cada vez que temos um deslize lá vêm os dedos acusadores... "Não tinhas deixado de fumar?", "Achas mesmo que isso é razão para tanto alarido?" e lá vem a sensação de falhanço e a vontade de desistir...
Mas na minha opinião, mais vale "ir falhando" e persistir do que desistir.
Aceitar que nem tudo acontece do dia para a noite...
Perceber que a "educação" não só não é uma coisa imediata como é extremamente difícil sobretudo quando se trata de uma auto-educação e para mais "tardia"...
Quando estamos a educar uma criança compreendemos que temos de trabalhar certos pontos um milhão de vezes até as coisas passarem a correr bem.
Quando é connosco não costumamos ter a mesma paciência, tolerância, compreensão... damos normalmente o caso por perdido com muito mais facilidade.
Quando me dei conta disto consegui de facto acabar por limar uma que outra aresta...
Ainda não desisti de todas as que faltam.
Viver bem dá imenso trabalho : )

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Introdução

Ultimamente várias pessoas comentaram que devia criar um blog...
Um blog... Pois... Como dizia a tia do Solnado que gostava muito de dizer coisas...

Até à semana passada, nem nunca tínha visitado um blog.
(Entretanto até já fiz a visita guiada desta coisa, para perceber melhor de que raio é que estavamos a falar)
A realidade é que eu de cada vez me perguntava que raio é que poderia ter para dizer que alguém pudesse estar interessado em ler...

Entretanto hoje, ia eu de manhã para Lisboa nas bichas (se estão á espera do politicamente correcto neste blog podem ir já para outro... eu cá digo bichas, quero lá saber e também digo palavrões, se me apetecer...) da Marginal, a ouvir uma musiquinha boa na rádio e a deliciar-me com o nevoeiro matinal, quando tive uma "epifania"... LOL
Tenho coisas para dizer sim senhor.

A realidade é que sou uma pessoa extremamente feliz, que vive muito bem consigo própria e com os outros. (se os outros vivem bem comigo já é outra historia ; )
O meu filho também parece ser uma criança feliz...
Alguma coisa devo estar a fazer "bem"...

Claro que há mil maneiras de se "fazer as coisas bem", quanto a mim "isto da vida" é como a culinária;
Há quem goste e quem não goste - uns fazem umas sandochas porque têm de comer outros tiram verdadeiro prazer da confecção dos pratos.
Há quem tenha jeito e quem não tenha - uns salgam, queimam, entornam, etc, tudo aquilo em que põem a mão, por muito boa vontade que tenham, outros produzem verdadeiras maravilhas culinárias sem saber bem como.
Há quem siga receitas á letra e quem invente - uns não dispensam os livros de cozinha, outros modificam as receitas a seu gosto ou nem sequer as usam.
Para além disso cada um de nós prefere certo tipo de alimentos, de sabores, de texturas, de formas de cozinhar, etc...
Enfim, podia ficar aqui a noite toda a fazer comparações, mas não o vou fazer.

Ou seja, quais são as minhas intenções relativamente a este blog?
Simplesmente partilhar, com quem estiver interessado, as pequenas receitas que conheço, as que fôr descobrindo, as que me souberem bem...
Talvez também assim consiga receitas novas, que é sempre bom... Ou que me dêm novas ideias relativamente ás antigas, quem sabe?
Depois, cada um fará com elas o que bem entender...
Pode nunca mais olhar para elas ou tentar cozinha-las a ver no que dá, a ver se gosta, se dá para servir aos outros.
Pode segui-las á letra ou adapta-la aos seus gostos pessoais; mais sal, menos sal, mais picante menos picante, substítui-se a carne por soja, faz-se no forno em vez da panela de pressão...
Não quero tentar convencer ninguém de que bacalhau com natas é melhor do que bife com ovo a cavalo...

E pronto, quem estiver á procura de outras maneiras de comer bem (eu sinto-me bastante satisfeita) que cá venha de vez em quando. O mais que pode acontecer é provar e não gostar...

PS: Escrevo com resmas de erros ortográficos, eu sei, são os ossos do ofício, vou tentar ter cuidado para ferir o menos possível as susceptibilidades linguísticas.