sexta-feira, 2 de março de 2007

O umbigo mais valioso

Imaginem que entram numa sala onde estão todos com um ar bem disposto e a sorrir...

Agora imaginem que entram noutra sala, onde estão todos de trombas...

A primeira sensação é mais agradável, não?
Dá mais vontade, tendo de escolher, de ficar nessa sala...
Parece que os humores, tal como o bocejar, são contagiosos...

Quando entramos numa loja onde está uma empregada sentada ao balcão, que finge que não nos viu, se dissermos simpaticamente bom dia, há boas hipóteses que ela levante os olhos da Caras que está a ler e responda da mesma maneira.
Se pisarmos alguém na rua sem querer e pedirmos sinceramente desculpa temos menos hipóteses de levar com palavras desagradáveis.
Se agradecermos ao empregado que nos serviu no restaurante temos mais hipóteses de ser melhor servidos da próxima vez.
Ou seja, se tratarmos as pessoas com respeito, consideração, educação, temos mais hipóteses de ser pagos na mesma moeda...
A vida é feita de acções/reacções.

Mas isto não chega para viver bem com os outros e consequentemente consigo próprio...
No nosso dia a dia, nas pequenas coisas, é necessária uma certa dose de altruísmo, de entre-ajuda, de apoio ao próximo, sem os quais a nossa vida se torna muito pobre.

Há pessoas que levam a vida a pensar primeiro nelas e acredito que nem sequer se dêem conta disso.

Várias das pessoas mais egoístas que conheço são agradáveis ao convívio, simpáticas, interessantes, bem educadas...
Dizem os tais "se faz favor" e "muito obrigado".
Trazem boa disposição para os meios em que circulam.

Pensam no entanto, regra geral, muito pouco nos outros.
Por outros entenda-se os filhos, os pais, os irmãos, os amigos, não estou a falar em desconhecidos...
Arranjam sempre "razões" perfeitamente lógicas para justificar a sua vida egocêntrica.
Oh, pontualmente elas ajudam/apoiam/dão, não haja dúvidas.
Mas só se a isso se sentirem de alguma forma "obrigadas" ou, por outro lado, se não afectar os seus planos, o seu bem estar, o seu conforto, o seu divertimento...
São normalmente pessoas extremamente ocupadas, com os estudos, com o trabalho, com os hobbies, com o desporto, a cultura, etc, não têm tempo a perder... sobretudo com o próximo.

Se tiverem de escolher entre uma coisa que "faça bem" a terceiros ou a elas próprias geralmente escolherão a segunda hipótese.
Nas suas cabeças isso não tem importância, uma "ausência de acção" não é "fazer nada de mal".
Não percebem que "estar lá" para os outros pode aparentemente não fazer grande diferença mas "não estar" muitas vezes faz.

Como não dão, também não esperam nada.
Acham-se auto-suficientes, não precisam de ninguém, tudo o que vier é bónus...
Quem não sabe dar, não sabe receber.

Imaginem uma vala cheia de gente, uma vala funda de que não se consegue sair sem ajuda.
De repente chega alguém que estende a mão e puxa uma pessoa lá de dentro.
As pessoas de que tenho estado a falar agradecem imenso e vão felizes à sua vida.
As outras estendem por sua vez a mão para ajudar os que ainda lá estão em baixo.

A diferença entre estes dois tipos de pessoas, na minha opinião, é que as primeiras toda a vida se sentem de certa maneira sozinhas.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Nem tanto ao mar, nem tanto à terra...

Este fim de semana fui "acusada" de ser basicamente uma merdosa relativamente a este Blog...
"Acusaram-me" também de poder fazer melhor.
Quanto a esta última "acusação", não percebi sinceramente o que queria dizer especificamente, mas levando a coisa à letra, acreditem, não posso, estou a dar o que posso...
No que respeita à primeira julgo ter percebido, embora possa obviamente estar enganada. Penso que se referia ao facto de eu não criar polémicas, não manter um blog que gera "discussão", não apele à participação.
Sorry, não era essa a intenção.
A ideia sempre foi de simplesmente partilhar determinadas coisas que me ajudam a viver melhor, na esperança de que isso possa eventualmente de facto ajudar alguém. Se as pessoas acharem que têm alguma coisa a dizer sobre os assuntos, mesmo que discordem de mim, são bem vindos os comentários, mas não espero reacção ao que digo.
Aliás, as reacções que espero provocar não implicam comentários... o que digo tem mais relevância se for analisado, adaptado e aplicado do que se for discutido...

Vou então(e não, isto embora possa parecer, não é uma "reacção" aos comentários do fim de semana, já tinha previsto este post ...) entrar naquilo de que gostaria de falar hoje.

Todos temos as nossas características, as nossas crenças, as nossas convicções, as nossas opiniões, os nossos hábitos, etc...
Acontece que, resolvi assumir como "um problema" a imposição obsessiva de certas dessas características a terceiros.
Notem que quem diz características diz também pancas momentâneas...
Ou seja, não acho que os outros tenham de estar sempre a "levar connosco". Se abusarmos, torna-se incomodativo numa vivência "em sociedade".

Eu particularmente, julgo eu mas posso estar enganada, enquadro-me melhor na categoria da "panca momentânea"...
Quando embico num sentido sou um verdadeiro bulldog. Se estou obcecada por alguma coisa, um acontecimento próximo, futuro ou passado, uma nova paixão (e não necessariamente no sentido carnal...) , uma nova aquisição (e não necessariamente no sentido material), um novo Blog sei lá (LOLOLOLOLOLOL) ... sou uma verdadeira CHATA!!!

Pronto, já assumi, levem lá a bicicleta...

Acontece que, como aliás acontece a maior parte das vezes, é muito mais fácil detectar "o problema" nos outros, simplesmente porque, em vez de sermos os chatos, nesse caso somos os chateados, o que é... muito mais chato.

Se eu estiver certa no meu julgamento sobre mim própria tenho no entanto sorte, é que só sou chata ás vezes, pontualmente, durante um certo período de tempo... quer dizer, no que diz respeito ao assunto de que estou a falar, claro.
E mesmo assim é lixado de controlar... muitas vezes nem me dou conta de que estou a ser chata. Para dizer a verdade, até há bem pouco tempo nem me dava conta de que isso poderia estar a acontecer.
Agora tento controlar-me, mas acreditem, por muito que não seja agradável de ouvir, ajuda imenso quando me chamam a atenção para o facto. Não há nada pior do que apanhar um revirar de olhos (mesmo que metaforicamente falando...) nas nossas costas.

No que diz respeito aos "chatos crónicos" posso dar alguns exemplos do que estou a falar, pedindo desde já desculpa a quem eventualmente se identifique, mas na minha humilde opinião, é um defeito sim...

Há, por exemplo, os que obcecam com a ecologia.
O dia a dia deles é uma angústia ecológica.
Passam o tempo a "poupar recursos", a tentar perceber como podem ser "bons cidadãos do mundo", salvadores do planeta...
Não aceitam que os outros possam não estar ainda "no mesmo nível"...
Olham por cima do nosso ombro para ver se não estamos a gastar demasiada água, apagam-nos as luzes, dão-nos "ralhetes verdes", conduzem constantemente as conversas "sociais" para a degradação do planeta, a poluição, a falta de recursos... indignam-se com o desperdício que são milhões, biliões, de leads acesos todos os dias nas televisões, nos telefones portáteis, ali a piscar ás vezes, a gastar energia...
Ok, eu compreendo que em macro-economia faça diferença, mas... para quê que serve ter um sobressalto de cada vez que se vê uma micro-luzinha vermelha num electrodoméstico? Podemos desliga-la? Vamos convencer o fabricante a tira-la o aparelho? Por mencionarmos o facto de cada vez que vemos uma vamos convencer o resto do mundo a fazer pressão para que isso acabe? Bah...

Também os há que não largam a política por um segundo. Que não falam de outra coisa. Que qualquer tema que se aborde vai sempre parar aos cabrões dos políticos, à máfia do governo, aos corruptos, aos idiotas dos verdes, dos vermelhos, dos azuis... Uma pessoa ás tantas até já tem medo de comentar que está um dia lindo.
Não vejo mal nenhum em ter opiniões sérias e convictas em termos políticos, mas... será que, mais uma vez, é absolutamente necessário estar sempre a mencionar como as coisas "estão mal"? Será que não gera um clima de ansiedade perfeitamente desnecessário?

Podia dar mais exemplos, religiosos, desportivos, etc... mas acho que já chega...

Resumindo, cada um de nós tem (definitiva ou pontualmente) a cabeça virada para algum lado, mas não precisamos de impor essa "obsessão" aos outros. Torna-mo-nos pesados. Não é grave, mas estraga ás vezes o que poderiam ser "ainda melhores momentos" juntos...

Bjs
C

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

O Rei vai nu...

Eu sei que este Blog é teoricamente sobre "receitas"... e o que vou escrever hoje não é receita nenhuma, mas a bola é minha e não consigo impedir-me de partilhar este pensamento que me assaltou ontem derrepentemente : )

Quando era pequena queria "ser escritora"...
Fartava-me de escrever "coisas".
Há uns anos escrevi um livro.
Escrevi-o com a intenção de tentar publica-lo, claro.
A primeira pessoa a quem o mostrei, uma pessoa por quem tenho grande consideração, com vasta experiência em "publicações", disse-me simpaticamente para ir em frente e mandou-me uma lista de editoras a quem enviar o dito livro para ver se alguma estaria interessada...
Acontece que não acreditei no que me disse, pareceu-me "supportive" mas não muito sincera...
Não me lembro se cheguei a envia-lo para alguma editora, acho que não, mas em todo o caso muito rapidamente me "deixei de ideias".
Várias pessoas já o leram, tenho duas ou três cópias que foram passando de mão em mão, entre amigos e família, ficando esquecidas em casas várias...
Quando esporadicamente releio partes dele acho que não tem qualidade nenhuma. Decididamente não tenho veia de escritora.
Aconteceu-me a mesma coisa com a fotografia. Fiz o curso, experimentei, mas não me dei bem, sou assumidamente uma fotografa medíocre. Como não gosto de fazer coisas em que não sou boa, desisti.

Gosto no entanto de falar... E acho que até tenho um certo jeito para me exprimir. Como devem ter reparado, aliás, escrevo exactamente como falo. Não procuro grandes figuras de estilo, utilizo construções de frase e palavras incorrectas, etc...

Quando comecei a escrever este Blog, achava que estava a escrever para a "malta do costume" de repente dei-me conta de que não faço ideia de "com quem estou a falar". Na realidade isto acaba mesmo por ser mais um monólogo. Por muito que alguns se esforcem por participar, o facto é que a maior parte da malta, não deixa comentários.
Exponho os meus pensamentos, as minhas ideias, dando exemplos pessoais, mas não sei a quem...
Senti-me completamente "o Rei vai nu"...

Eu explico... Nós vesti mo-nos consoante a ocasião, certo? Eu pelo menos não vou para o ginásio vestida da mesma maneira do que para um casamento...
Ora quando falamos com alguém é a mesma coisa, não se fala com o avô da mesma maneira do que com o coleguinha de curso... Não utilizamos as mesmas expressões, as mesmas palavras, não abordamos os mesmos temas...
De repente senti-me como alguém que está a ser levada para qualquer lado mas não sabe para onde... Não faz ideia se a sua roupa está adequada...

E aqui é que está o busilis da questão... O que é "a roupa adequada"? Pois... Não há roupa adequada porque não sabemos com quem nos vamos encontrar... em que circunstâncias...
De repente senti-me em plena praça pública... Sem qualquer controle do meu discurso...
Quando falamos com alguém, ao vivo, que era o que eu fazia até começar este Blog, estamos-lhe a topar as expressões, as reacções, sabemos como encaminhar a conversa, percebemos se estamos a divertir, a agredir, a ofender, a envergonhar, a dar seca...
O tipo de "conversa" que tenho tido neste Blog é exactamente o mesmo que temos cá em casa, entre amigos, ou ao almoço com a família... Só que agora eu não "vejo" o interlocutor, não sei como é que está a reagir ao meu diálogo. Se alguém "ler mal" o que digo provavelmente não vou saber....

E de repente dei-me conta do que era "publicar um livro", não em termos de sucesso, não em termos de qualidade, mas em termos de deixarmos de ter controlo sobre as nossas ideias... Manda-se partes do que pensamos cá para fora, porque é impossível mandar tudo, e vamos ser "julgados" (no bom sentido) por isso.
Não há hipótese de refutar, de corrigir, de explicar melhor...

Desde que comecei tenho tido uma média de 5 visitas por dia. Tenho 54% de "returnings" Vs 46% "new" o que quer dizer que este Blog está a crescer...
Não faço ideia de quanto tempo vai durar. Não sei durante quanto tempo vou ter coisas para dizer, paciência para o fazer, pessoas para me ler ...
Mas enquanto "estiver no ar" qualquer pessoa me pode estar de facto a "interpretar", incluindo pessoas que não me conhecem de lado nenhum...

Talk about scaryyyyyy....

Bjs
C

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

O Altruismo do reporter de guerra

Quando era menina... (LOL) tinha recorrentemente a mesma discussão, com outro menino da minha idade... : )
Estou-me a rir porque me faz feliz a ideia de que, vinte e cinco anos depois, continuo a receber semanalmente em casa esse mesmo "menino"... Houve intervalos, houve anos em que nem sequer nos falámos... Mas reencontrá- mo-nos e hoje continuamos a ter o mesmo tipo de "discussões" que tínhamos aos dezassete anos... Mas enfim, estou a divagar, isto é assunto para outro post...

Como estava a dizer, tínhamos recorrentemente a mesma discussão.
Se bem me lembro, ele defendia que os reporters de guerra eram pessoas completamente altruístas, que arriscavam a vida para que o público pudesse saber as notícias. Eu, afincadamente defendia o contrário. O meu argumento era o de que no fundo, tudo o que fazíamos na vida era por egoísmo. Que podíamos de facto estar a fazer bem aos outros, mas que no fundo era porque gostávamos de o fazer. Defendia que ninguém, a não ser um louco, se iria meter no meio dos tiros só para que o mundo pudesse saber as notícias. Que para uma pessoa se meter nisso tinha que lhe dar um qualquer tipo de pica, adrenalina, paixão. Que para uma pessoa se ir enfiar, voluntariamente, de maquina fotográfica em punho, no meio das balas, não basta a vontade de fazer bem aos outros...

E de repente hoje, estava mais uma vez no carro nas bichas, que como já devem ter percebido é onde penso mais, quando me dei conta de que vinte e cinco anos depois, estou convencida de que ambos tínhamos razão... É engraçado como se vê a vida a preto e branco na adolescência...

Hoje em dia acredito piamente em que ser altruísta nos faz bem. É bom preocupar-se (no bom sentido e não no doentio) com os outros, é bom apoiar os outros, é bom ajudar os outros, acarinhar, mimar...
Não me sinto ainda com capacidade para conseguir explicar como cheguei a esta conclusão, mas para mim é uma realidade. Eu tento sempre "ser boa" (não vou sequer começar a definir o que quero dizer com isto... o banal "ser boa" popular serve) para os outros e a realidade é que em geral os outros "são bons" para mim. Os outros, tanto pode ser a menina do café como o meu tio. Trato-os com um sorriso e a realidade é que o sorriso vem de volta... regra geral... mas não se preocupem HÁ excepções, por muito estranho que pareça (LOLOLOLOLOLOLOL) há malta que não me grama!
Ou seja, tratar os outros bem faz com que sejamos bem tratados. Porreiro. Por outro lado, se fizermos coisas pelos outros, os outros fazem coisas por nós, e não necessariamente os mesmos "outros". Mas isto, mais uma vez, é assunto para outro post. Mas ainda não quero falar sobre o assunto senão vão achar que eu sou doida e vão deixar de cá vir ler-me... Fique mo-nos no "eu acredito que", sem mais explicações, se formos pessoas decentes, que se preocupam (no sentido inglês de "care") com o próximo, seja o próximo o nosso filho ou um desconhecido com que nos cruzámos no metro, somos tratados em geral da mesma maneira. E isso sabe muito bem. É agradável, sentimo-nos acarinhados pela vida.

Voltando então à velha história do reporter de guerra... Continuo a achar que é preciso uma certa dose de loucura e gostar muito do que se faz, para ir disparar fotos para o meio dos tiros. Mas hoje acredito que ninguém o faça se não tiver também uma grande dose de altruísmo. Nunca ouvi falar em nenhum fotografo, no meio dos tiros, a dizer "continuem pessoal, continuem, estou só aqui a tirar umas fotos para o concurso da Magnum... "

Carlinhos... ao fim de 25 anos, cedo-te um empate técnico ; )

Bjs a todos
C

sábado, 10 de fevereiro de 2007

Controlar o medo

Cheguei à conclusão de que temos muito mais "medos" do que julgamos.
Estes são, na minha opinião, uma das grandes causas das nossas angústias, ansiedades, inseguranças, etc...

Viver é um bocado como andar na selva... Sabemos que há perigo à espreita, sabemos que corremos riscos, mas há que ir andando...
Não vou defender aquele que corre descalço selva a dentro, gritando, yéééééééééééééé... com as mãos no ar, porque acho que é doido...
Conheço alguns assim que se têm safo, mas acredito que tenham um Anjo da Guarda digno do maior super-herói...
Na minha opinião é pura inconsciência e não subscrevo.
Um pouco de medo é talvez um pouco de respeito por nós próprios e pelos outros.
Imaginem que o idiota ao vosso lado atraí um bando de leões com os seus gritinhos histéricos, não tem graça...
Há que se proteger, sem dúvida, levar umas botas altas, ir vestido em conformidade, pôr um repelente de insectos, levar chapéu, não atrair a atenção dos predadores... enfim, não tentar o destino.
A realidade é que, grande parte de nós e em relação a vários campos das nossas vidas, temos tendência para nem sequer sair da cubata. O medo é tanto que paralisamos. Alguns conseguem viver com isso. Não acredito que bem, porque assim a vida lhes vai passando ao lado. Tanto medo, tanto medo, que quando (ou se) finalmente se arriscarem a pôr a cabeça de fora já é noite, já não vêm nada...
Os outros vão andando, mas muitas vezes todos borradinhos... não é nada agradável...

Deixando-me agora de metáforas (mana, odeio-te por me teres contado aquela história...), vou passar a dar alguns exemplos concretos.
Os medos de que falo são medos do dia a dia. Medos muitas vezes perfeitamente justificados (apesar de tudo andar na selva É perigoso) mas que, se os deixarmos controlar-nos dão no que costumamos denominar por MERDA.

Exemplo nº1:
Quando viemos para Sintra trouxemos connosco os nossos dois gatos. Ao fim de mês e meio já não tinhamos nenhum, piraram-se os dois, nunca mais lhes pusemos a vista em cima. Pus anúncios, colei papeis por todo o lado, perguntei nas redondezas, nada...
Uns tempos depois arranjei duas outras gatas.
E então o que senti? Hum??? Medo! Pois claro, um medo do caraças de ficar sem estas também... E um medo perfeitamente justificado. As janelas e as portas dão para a rua, se elas quiserem dão de frosques... Então o que fazer?
Fecha-las em casa, não as deixar ir para o jardim, pôr-lhes uma trela... não me parece.
Deixar de ter medo.
Passar a ver a hipótese de um dia destes uma delas não voltar para casa, como uma possibilidade. Tomar medidas para atenuar as hipóteses de isso acontecer, torcer os dedos e seguir em frente.

Exemplo nº2:
Nas nossas relações ás vezes temos tendência para ter um bocado de medo da reacção do outro. E não estou só a pensar em relações amorosas, isto é valido também para amizades, família, patrão/empregado, etc...
Ás vezes coibimo-nos de dizer ou fazer aquilo que na nossa opinião seria a coisa certa, por medo de um conflito, de uma ruptura, de um desgosto... Deixamos as coisas azedar por medo de pôr pontos nos iis.
A verdade é que, se não agirmos de acordo com aquilo em que acreditamos, o não fazer/dizer alguma coisa por medo da reacção do outro, muitas vezes só contribui para uma morte lenta da relação.

Exemplo nº3:
Desde que me lembro de ser gente, e não faço ideia do porquê disto, que vivi em pânico de que os meus pais morressem. Foi uma ideia que sempre me atormentou terrivelmente. Piorou muito sensivelmente depois do primeiro enfarte do meu pai... Depois disso, de cada vez que o telefone tocava fora de horas, de cada vez que alguma pessoa, das potencialmente portadoras das más notícias, me ligava com uma voz "mais esquisita", o meu coração disparava, tinha verdadeiros ataques de taquicardia.
Entretanto ele teve o segundo enfarte e eu pensei que era mesmo o fim... Fiz uma viagem para o Algarve para o trazer para Santa Marta, devido ao seu estado grave, a pensar que ia morrer ao meu lado no regresso. Resignei-me.
Mas ele safou-se... e entretanto alguma coisa tinha mudado dentro de mim. Sabia que era inevitável, que ele ia mesmo morrer um dia e deixei de ter medo.
Passei os anos que se seguiram, dando graças por cada dia que passava com ele, até ao dia em que recebi mesmo o tal telefonema, sem medo. E estes foram muito mais serenos do que os anteriores.
Não foi a minha falta de medo que o matou, com certeza, da mesma maneira que não foi o meu medo que o salvou das primeiras vezes...
Simplesmente é assim e o medo não serve para nada...

Exemplo nº4:
Quando era miúda tinha um medo/nojo/repugnância o que lhe queiram chamar, de osgas terrível. Uma noite, nas Açoteias, entrámos no quarto e estava uma na parede. Quem estava comigo, que já nem me lembro de quem era (sorte a deles/as), viu o pânico nos meus olhos e não achou nada mais divertido que sair e trancar-me lá dentro. Ia-me passando... Gritei, dei murros na porta, ameacei, pedi, implorei, não me lembro se chorei... até que me abriram a porta...
Nesse dia decidi que ninguém voltaria a ter o poder de me pôr nesse estado por causa de um bicho. Controlei-me. Tomei as minhas reacções em mãos. Tive um que outro encontro imediato com esses seres. Hoje em dia durmo num quarto com eles se for preciso...

Exemplo nº5:
Vamos para o aeroporto, já em cima da hora e está uma bicha (he, he) terrível na segunda circular... Fico em pulgas, cheia de medo de perder o avião... Será que se eu tiver medo o avião espera por mim?
I rest my case...

Podia estar aqui a noite toda a dar exemplos, mas acho que já chega.
Onde queria chegar é a que, se formos conseguindo (o que, na minha experiência, se faz muito lentamente, passo a passo...) controlar os nossos medos, sobretudo os que não são úteis, que não nos protegem de nada, nem a nós nem aos outros, vivemos com muito mais serenidade.

Falei e disse... : )
Bjs
C

PS: Dedico este post a alguém que se vai identificar e que eu gostava muito que perdesse o medo e se atirasse a ser o homem fantástico e feliz que eu sei que pode ser...

Um pedido...

Pois... (muito gosto eu de citar a tia do Solnado... LOL)
Então é assim...
Como disse em post anterior tinha intenções de acabar com este Blog no fim do mês.
Não por "desistência", não por amuo, mas por achar que não valia o trabalho.

Muito surpreendentemente, descobri que pelo menos duas pessoas não estão de acordo comigo...
Bem, a realidade é que ainda tenho de facto uma que outra coisa para dizer...
Vou portanto mantê-lo mais uns tempos a ver no que dá.

A minha intenção, insisto, é simplesmente a de partilhar com quem me queira ler, algumas coisas que fui descobrindo ao longo da vida que contribuem nitidamente para a MINHA felicidade, qualidade de vida, paz de espírito, etc...
Não estou a tentar vender peixe a ninguém... Alguns ão de ter chegado também ás mesmas conclusões que eu, outros não ão de estar de acordo ou de acreditar no que digo, é mesmo assim...
Não são "verdades absolutas", não se baseiam em nenhuma religião ou filosofia, sou muito auto-didacta nesta coisa da vida... e é inclusivamente possível que amanhã venha a dizer o contrário do que disse hoje...

É difícil, muito mais do que pensava, transmiti-las por escrito.
Quando li "Os homens são de Marte e as mulheres são de Vénus", que confesso nem sequer acabei apesar de ter gostado bastante do conceito, irritei-me imenso com a escrita dele... Aconteceu o mesmo com outros autores americanos do mesmo género. Têm capítulos inteiros em que repetem incansavelmente a mesma coisa, escrita de maneira diferente.
"Já percebi, porra!!! Ca seca... " pensava eu.
Hoje percebo melhor a ideia do "insiste, insiste, flecte, flecte"... ; )

Depois desta conversa toda lá vem então o tal do pedido...
Disse anteriormente que não tinha maneira de controlar as visitas a este site... agora já tenho.
Existe uma ferramenta divertidíssima chamada "Google Analytics" que dá uma série de informações sobre os acessos aos sites.

Nota: alguns de vocês receberam um mail com o seguinte link
http://theinternetspreadexperience.blogspot.com/
confesso, pronto... fui eu que criei o Blog, para (através do tal "Google Analytics") tentar topar como/ a que velocidade/ para onde/ etc, é que as coisas se espalham na net... É divertido...

Dito isto, tenho informação sobre os hits das minhas páginas mas não posso saber, por exemplo, se de facto as pessoas me lêem. Pode ser gente que "passa por cá" por acaso, que vai andando de blog em blog ou que faz um search qualquer e vem cá parar, vê que não interessa e rapidamente se vai embora outra vez...
Consigo ter informação sobre "New" Vs "Returning" visitors, o que já me dá uma ideia, mas gostava que, se de facto me lerem, me deixassem quanto mais não fosse "uma assinatura".
Não espero comentários, até porque sei que a maior parte de vocês não gosta de os fazer. Mas escrevam tipo "o Biriba esteve aqui" (LOL) ou coisa do género, só para tentar perceber se vale mesmo a pena continuar...

E pronto, falei e disse...
Bjs
C

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Para "o tio" não ficar triste : )

Só mais um pequeno truque, que pode de facto parecer uma verdade de LaPalisse, mas que garanto contribui muitíssimo para a minha felicidade...
As pessoas têm naturalmente tendência para se queixarem do que não têm ou do que lhes corre mal... Também o faço, como toda a gente... Mas...
Acreditem ou não, faço muito mais o contrário...

Quando olho para o meu filho, penso na sorte que tenho, para começar em o ter (o meu piqueno milagre : ), depois em que seja saudável, tão emocionalmente inteligente, tão bonito (não sei a quem sai), tão meigo... Babo-me todos os dias.
Depois de tantas relações que foram ao buraco, cada uma pela sua razão, encontrei o Zé. Que bom... Já lá vão mais de sete anos, record absoluto até á data. Encaixamos tão bem (como disse o amigo Carlos; "o importante é sentires Cristo dentro de ti". LOL), temos uma relação tão forte, tão amiga, tão serena...
A minha família tem algumas maçãs podres, como todas as famílias, mas bolas, as sãs são mesmo fantásticas... Como todos se entre-ajudam, como é forte o espírito de clã, para o melhor e para o pior, um por todos e todos por um, nem todas as famílias se podem gabar do mesmo.
Os meus amigos... como tenho amigos com A grande... como me apoiam, como me mimam, como me aturam... e não é fácil.
É raro o dia em que entre em casa e não pense em como é bonita, em como me sinto cá bem. Olho para as coisas, para os objectos, para a decoração, para as divisões, como se fosse a primeira vez e volto a aprovar a escolha.
Quando guio o meu Pagero velhinho ás vezes até dou festinhas no volante, "gosto tanto deste carrinho, é mesmo agradável de conduzir... e como se tem aguentado bem ao longo dos anos... boa compra que fiz... estou mesmo contente"... tenho o carro vai para dez anos.

Para que fique bem claro este post não é uma listagem das coisas boas da minha vida... Não me dêem os parabéns nem me digam outra vez como ficam contentes em saber que sou feliz... O que acabaram de ler são só EXEMPLOS de coisas que penso regularmente, diria quase que todos os dias, que me vêm constantemente à cabeça...
Ou seja, penso muito mais vezes nas coisas boas que tenho do que nas que não tenho.

Por exemplo, há já uns anos que andamos a viver com uma mão à frente e outra atrás. Como se costuma dizer "não temos dinheiro para mandar cantar um cego". Entre a crise e a nossa aparente incapacidade para gerar dinheiro que se veja, venha o diabo e escolha... Não é fácil. A nossa vida, o nosso dia a dia mudaram radicalmente por causa disso. Tudo o que se faz custa dinheiro, ir ao cinema, jantar fora, beber um café, ir de fim de semana, convidar pessoas para jantar... a sensação que temos é de que respirar custa dinheiro, dinheiro que não temos. Todos os fins de mês são uma angústia...
E no entanto...
Temos tantas coisas boas, pessoas que nos convidam para os mais variados programas, que nos dão prendas, que nos vêm visitar quando Maomé não pode ir à montanha. Adaptámos a nossa vida à falta de dinheiro (o que não quer dizer que não estejamos a lutar para que "a crise" acabe de vez...) e vivemos bem com isso.
Não vamos ao cinema... não faz mal, vemos os mesmos filmes em casa (ás vezes até antes de estrearem...) e não temos de gramar com as pipocas...

O meu pai morreu... faz-me tanta falta... tenho tantas saudades... mas... morreu "bem", estava ainda operacional, trabalhava, era independente, tinha qualidade de vida... morreu rápido, sem grande sofrimento, entre amigos, teve uma vida boa... todos temos de morrer um dia...

Enfim... onde estou a querer chegar é a que passo muito mais tempo a pensar nas coisas boas que tenho na vida, nas coisas boas que me acontecem, do que nas más.
As más vou-as deixando uma a uma para trás das costas e se possível não volto a pensar nelas a não ser que seja útil para alguma coisa.
Perdi dinheiro num negócio? Azarete, para a próxima há que ter mais cuidado.
Não pude alinhar em algum programa porque não temos guito? Paciência, melhores dias virão...
O Zé lixou o joelho, esteve o que pareceu uma eternidade de perna ao peito , tendo de ser operado, fazer fisioterapia? Foi uma fase difícil pra caraças... Soma e segue, já passou...
As coisas boas não... passo literalmente a vida a "olhar" para elas... que lindo que é o meu menino, que simpática que é a minha casinha, que fantásticos que são os meus amigos, que momentos bons passei eu com o meu pai, que sorte que eu tenho...

E, a realidade é que, cá dentro, isto acaba por se traduzir em "que boa que é a vida"...
Perceberam alguma coisa do que queria dizer? : (
Hope so...

Good Vibrations - Beach Boys

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Presunção e água benta... ou Adeus Blog

Pois...
A intenção era boa, mas não me parece...
Ainda não consegui perceber se sou eu que não me consigo explicar ou se são as pessoas que não me conseguem entender...
De qualquer maneira vai dar exactamente ao mesmo, a realidade é que eu acho que estou a escrever "alhos" e a maioria lê "bogalhos"...

Relativamente à minha Introdução tive vários comentários (não foram por escrito) sobre as ditas "receitas"... mais do que uma pessoa pensou que estava a criar um Blog de culinária...

O meu segundo Post era sobre como, ao limar arestas para viver melhor, a perseverança, o auto-perdão, etc, eram importantes... respondem-me com comentários sobre como é de facto difícil deixar de fumar (que era só um, de dois exemplos, para explicar o que queria dizer...) ou sobre como é bom ter alguns "pequenos defeitos"...

Definitivamente não tenho jeito nenhum para isto... foi uma grande presunção achar que conseguia de facto transmitir algo de eventualmente útil para terceiros. A ideia à partida era altruísta (e não "umbilical", como sugerido no primeiro comentário que recebi), era partilhar, com quem me quisesse ler, uma série de pequenos truques que me têm ajudado a viver melhor.
Mas se calhar, para o fazer por escrito, é preciso escrever como naqueles livros de "auto-ajuda" americanos (que por acaso me irritam solenemente exactamente por causa disso) em que explicam a mesma coisa de vinte maneiras diferentes para garantir que percebemos bem a ideia...
A realidade, também, é que quase ninguém cá vem de qualquer maneira... ou pelo menos é a sensação que tenho, visto que não tenho maneira de controlar.

Vou portanto deixar este Blog a moribundar durante mais uns dias, tipo até ao fim do mês, por uma questão de educação não vá alguém decidir "passar por cá" e bater com o nariz na porta, e depois vou apaga-lo.

Não me levem a mal, os que de facto lerem isto...
Não estou de forma alguma a "amuar" ou a "desistir".
É só que me ia dar um trabalhão do caraças, escrever regularmente, e muito sinceramente acho que não vale o esforço...

Bêjos e Lambidelas
Cristina

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Os inconvenientes do "tudo ou nada"...

Confesso que não sei durante quanto tempo vou manter este blog...
A insistência de algumas pessoas levou-me a cria-lo mas, como alguns devem ter reparado, a assiduidade na escrita não tem sido muita.
Isto deve-se claro à falta de tempo, mas não só...
Eu tenho de facto "coisas para dizer", ou se preferirem para "partilhar", a questão é que, de cada vez que penso em fazê-lo, acho que é um bocado pretensioso da minha parte.
Acho que, como disse o Pedro no primeiro comentário à minha introdução, é um bocado "umbilical", e no fundo... quem sou eu?

Mas enfim, let's give it a try...

Frases como "burro velho não aprende línguas" ou "eu sou assim, sou assim" e coisas do género, põem-me sempre um bocado triste.
Não existindo pessoas perfeitas, todos temos as nossas "arestas a limar" para vivermos melhor.
Há quem vá vivendo com as suas arestas vivas e se esteja nas tintas.
Eu acredito em tentar mudar tudo o que seja identificado por nós como sendo "um problema".
Por "problema" entenda-se qualquer característica do nosso carácter, dos nossos hábitos, etc, que não contribua propriamente para a nossa felicidade (e para a dos outros) antes pelo contrário.
Nem sempre é fácil identificarmos "um problema" como tal, mas uma vez que o façamos, na minha opinião devemos deitar mãos à obra.
A maior parte das vezes são coisas extremamente enraizadas desde há muito tempo, difíceis de mudar.

Vou dar dois exemplos pessoais, completamente diferentes um do outro, para me tentar explicar melhor:

Problema nº 1:
Ás vezes passo-me completamente com o meu filho com coisas com as quais não vale MESMO a pena uma pessoa passar-se. Tem quatro anos. Faz coisas (tipo deixar cair pasta de dentes para o roupão porque não tem cuidado... qualquer mãe sabe que é lixado de limpar, a não ser que se lave o roupão todo, o que é chato visto que só tenho um...) típicas de meninos de quatro anos. É normal, vai continuar a acontecer, e o facto de eu lhe dar dois berros e um ralhete não vai mudar absolutamente NADA.
O ideal nesta situação seria portanto não criar qualquer tipo de stress absolutamente desnecessário ou de mau ambiente no ar. Pois...
Problema nº2:
Há muito tempo que fumo um maço de tabaco por dia. É mau...
É mau porque faz mal à saúde (minha e dos que me rodeiam), é mau porque fico a cheirar mal cumó (Nuno, escusas de corrigir, foi de propósito...) caraças, é mau porque cada vez é mais incomportável financeiramente... Resumindo; é mesmo muita mau...
O ideal era deixar completamente de fumar. Pois...

Ou seja, temos aqui dois problemas perfeitamente identificados e que, apesar de continuar a tentar, ainda não consegui resolver...
Identificamos um problema, decidimos "erradica-lo" e a coisa não corre como esperávamos...
Era mais ou menos aqui que eu queria chegar...
Até à bem pouco tempo eu "desistia"... tipo, tentava deixar de fumar, não fumava durante X tempo, voltava a pegar num cigarro, depois em dois, depois em três e finalmente decidia que iria "voltar a tentar" noutra altura, que nesse momento não conseguia mesmo.
O mesmo se passava com os meus acessos de mau feitio... Passava-me, sentia-me muita mal com isso, e da vez seguinte voltava-me a passar.
Ou seja, um falhanço levava-me a desistir, pelo menos durante uns tempos, de continuar a tentar melhorar. Punha "o projecto" em stand-by...
Agora uso outra técnica com a qual me dou muitíssimo melhor; perdoo-me as minhas falhas e continuo a tentar.
Em Novembro decidi outra vez deixar de fumar... parei completamente durante uns dias e depois comecei a fumar um cigarro a seguir ao almoço e outro a seguir ao jantar. Depois passei a fumar mais um que outro durante o dia. Neste momento estou a fumar cerca de metade (ou menos visto que faço "meios cigarros" de enrolar) do que fumava antes da minha decisão e ainda não desisti de parar completamente.
A realidade é que estou a fumar muito menos, a gastar menos dinheiro e a empestar menos vezes o ambiente. Já saio de casa sem tabaco, se não tenho não fumo e não me custa nada. Ok, uns amigos são cravados de vez em quando... LOL
Isto versus "caguei tento noutra altura" parece-me bastante mais saudável.
Em relação aos meus "ataques", continuo a tê-los volta não volta... não me consigo controlar de vez em quando.Mas a maior parte das vezes já não me passo. Não está perfeito ainda, mas diria que está muito melhor.

Isto não é nada fácil, até porque os outros normalmente não fazem a mesma coisa, não perdoam... De cada vez que temos um deslize lá vêm os dedos acusadores... "Não tinhas deixado de fumar?", "Achas mesmo que isso é razão para tanto alarido?" e lá vem a sensação de falhanço e a vontade de desistir...
Mas na minha opinião, mais vale "ir falhando" e persistir do que desistir.
Aceitar que nem tudo acontece do dia para a noite...
Perceber que a "educação" não só não é uma coisa imediata como é extremamente difícil sobretudo quando se trata de uma auto-educação e para mais "tardia"...
Quando estamos a educar uma criança compreendemos que temos de trabalhar certos pontos um milhão de vezes até as coisas passarem a correr bem.
Quando é connosco não costumamos ter a mesma paciência, tolerância, compreensão... damos normalmente o caso por perdido com muito mais facilidade.
Quando me dei conta disto consegui de facto acabar por limar uma que outra aresta...
Ainda não desisti de todas as que faltam.
Viver bem dá imenso trabalho : )

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Introdução

Ultimamente várias pessoas comentaram que devia criar um blog...
Um blog... Pois... Como dizia a tia do Solnado que gostava muito de dizer coisas...

Até à semana passada, nem nunca tínha visitado um blog.
(Entretanto até já fiz a visita guiada desta coisa, para perceber melhor de que raio é que estavamos a falar)
A realidade é que eu de cada vez me perguntava que raio é que poderia ter para dizer que alguém pudesse estar interessado em ler...

Entretanto hoje, ia eu de manhã para Lisboa nas bichas (se estão á espera do politicamente correcto neste blog podem ir já para outro... eu cá digo bichas, quero lá saber e também digo palavrões, se me apetecer...) da Marginal, a ouvir uma musiquinha boa na rádio e a deliciar-me com o nevoeiro matinal, quando tive uma "epifania"... LOL
Tenho coisas para dizer sim senhor.

A realidade é que sou uma pessoa extremamente feliz, que vive muito bem consigo própria e com os outros. (se os outros vivem bem comigo já é outra historia ; )
O meu filho também parece ser uma criança feliz...
Alguma coisa devo estar a fazer "bem"...

Claro que há mil maneiras de se "fazer as coisas bem", quanto a mim "isto da vida" é como a culinária;
Há quem goste e quem não goste - uns fazem umas sandochas porque têm de comer outros tiram verdadeiro prazer da confecção dos pratos.
Há quem tenha jeito e quem não tenha - uns salgam, queimam, entornam, etc, tudo aquilo em que põem a mão, por muito boa vontade que tenham, outros produzem verdadeiras maravilhas culinárias sem saber bem como.
Há quem siga receitas á letra e quem invente - uns não dispensam os livros de cozinha, outros modificam as receitas a seu gosto ou nem sequer as usam.
Para além disso cada um de nós prefere certo tipo de alimentos, de sabores, de texturas, de formas de cozinhar, etc...
Enfim, podia ficar aqui a noite toda a fazer comparações, mas não o vou fazer.

Ou seja, quais são as minhas intenções relativamente a este blog?
Simplesmente partilhar, com quem estiver interessado, as pequenas receitas que conheço, as que fôr descobrindo, as que me souberem bem...
Talvez também assim consiga receitas novas, que é sempre bom... Ou que me dêm novas ideias relativamente ás antigas, quem sabe?
Depois, cada um fará com elas o que bem entender...
Pode nunca mais olhar para elas ou tentar cozinha-las a ver no que dá, a ver se gosta, se dá para servir aos outros.
Pode segui-las á letra ou adapta-la aos seus gostos pessoais; mais sal, menos sal, mais picante menos picante, substítui-se a carne por soja, faz-se no forno em vez da panela de pressão...
Não quero tentar convencer ninguém de que bacalhau com natas é melhor do que bife com ovo a cavalo...

E pronto, quem estiver á procura de outras maneiras de comer bem (eu sinto-me bastante satisfeita) que cá venha de vez em quando. O mais que pode acontecer é provar e não gostar...

PS: Escrevo com resmas de erros ortográficos, eu sei, são os ossos do ofício, vou tentar ter cuidado para ferir o menos possível as susceptibilidades linguísticas.