sexta-feira, 4 de maio de 2007

Terapia da fala

A minha mãe ultimamente gosta muito de dizer que chegou à conclusão de que "a falar é que a gente não se entende" o que, devo confessar, muito me irrita...
Repete-o tanto que me pôs a pensar.
Será que ela tem razão?

Quanto mais penso sobre o assunto menos de acordo estou com ela.
Sempre resolvi os assuntos na minha vida conversando.
E quando não conversei, não os resolvi.

"Falar" por escrito é um pau de dois bicos.
Tem a vantagem de não se ser interrompido, de se poder expor o nosso ponto de vista do princípio ao fim sem que haja divagações pelo meio, é mais fácil seguir um raciocínio.
O facto de não se estar cara a cara também pode eventualmente ajudar a deixar sair assuntos mais "delicados".
Tem também a seu favor o facto de se poder dizer coisas que eventualmente irão despoletar emoções sem que a outra pessoa esteja presente, dando-lhe assim o tempo de reagir perante essas emoções em privado e de pensar nelas antes de responder, se for caso disso.
É no entanto perigoso porque se corre o risco de ser mal interpretado.
Nem sempre conseguimos ser claros nas nossas exposições.
Se a outra pessoa estiver à nossa frente reage ao que dizemos e mais facilmente podemos perceber se estamos a conseguir transmitir realmente o que queríamos.
Quando não é o caso podemos estar a seguir uma linha de pensamento que está a ser levada para "sítios" que nem imaginamos.
Por outro lado, havendo reacção, ás vezes podíamos poupar muito tempo em exposições/explicações ás vezes inúteis. Podemos por exemplo estar nós próprios a reagir a uma coisa que na realidade não aconteceu (um acontecimento, um pensamento/reacção da parte do outro ou mesmo um mal entendido inicial...) se fossemos informados desse facto no início poderíamos poupar o nosso latim...
Para além de tudo isto corre-se o risco da nossa "conversa" ser "apanhada" por alguém a quem não era dirigida o que pode gerar ainda mais confusão.

Mas enfim, isto era só uma divagação sobre a conversa escrita, o assunto era mesmo a conversa em geral...
Perguntei-me porque seria que a minha mãe teria esta ideia, quanto a mim absurda...
Cheguei à conclusão de que se calhar não é tão absurda assim... há talvez algumas pessoas (ás vezes circunstancias) com quem não vale a pena falar. Agora isto não quer dizer que "a gente" se entenda não falando. O que provavelmente quer dizer é que, com essas pessoas (ou nessas circunstancias) não há de facto qualquer entendimento possível.
São uma espécie de papagaios das relações humanas.
Dizemos-lhe "bom dia".
Respondem "bom dia".
Continuamos "estás bom?"
Respondem "bom dia"
Tentamos "como é que te chamas?"
Respondem "bom dia, cruáááá"
Estou na brincadeira mas é de facto como me sinto ás vezes...

Há gente que simplesmente não reage à nossa conversa.
Acho que na realidade não a ouve... vai repetindo as mesmas coisas over and over again sem nunca ouvir o que temos para dizer, sem nunca pensar nisso.
Tive um bocadinho essa sensação em algumas das minhas separações (neste caso é circunstancial, não tem a ver com as pessoas em questão) tentei falar, dialogar, explicar e dei de caras com paredes. Acho que simplesmente nunca ouviram o que eu estava a dizer... A prova é que, depois de dezenas de horas de explicações, continuavam a perguntar "porquê?".
Mas ás vezes é mais grave, há pessoas que são mesmo assim.
Tenho neste momento um assunto de trabalho "pendente" porque o interlocutor é "desses". Tem sempre razão e raramente se engana, é das pessoas mais prepotentes que alguma vez conheci e pura e simplesmente não ouve...
De facto, nestes casos, "a gente a falar é que não se entende", quanto muito desentende-se ainda mais... o que não quer dizer que se entenda se não falar.
O melhor mesmo é desistir, proteger-se e "seja o que Deus quiser"...

Agora que não haja dúvidas de que não falar pode ter consequências sérias...
Muitas pessoas se acham grandes juízes do que se passa na cabeça alheia.
Isto pode dar tanto azo a mal entendidos como a tal "conversa escrita".
Por muita intuição que se tenha esta nunca é infalível e se não se puserem as coisas em pratos limpos vai-se andando, mas anda-se muitas vezes coxo.
Eu acredito no falar para resolver situações.
Sempre que não falei saiu-me o tiro pela culatra.
Ainda tenho cicatrizes de situações provocadas por coisas que "não disse", pelo menos na altura em que devia ter dito e que mais tarde são irrecuperáveis.

É desgastante ás vezes falar, esclarecer as coisas...
Confrontamos situações em que era mais fácil ás vezes "esconder o sol com a peneira", fazer de conta que não existem.
Ou achamos que vamos estragar "a magia" de alguma coisa.
Ou então que podemos "estragar tudo" levantando certas questões.
Ás vezes ouvimos coisas de que não gostamos... mas quem sabe se não era necessário ouvi-las?
Obriga a por em questão as nossas ideias, os nossos sentimentos...
Nem sempre é fácil falar, ás vezes temos a sensação de estar a falar com a(s) outra(s) pessoa(s) numa língua diferente...
Ou há agressividade, ressentimento, dor, insegurança à mistura o que não é fácil de enfrentar.
Mas se se conseguir falar, sobretudo se se conseguir escolher o momento mais certo (ou ás vezes "menos errado") para o fazer, resolve-se de facto a maior parte das questões.
Evita-nos ás vezes de desistir de coisas que são importantes para nós ou pelo contrário de insistir em coisas de que na realidade deveríamos desistir.
Ajuda-nos a ganhar "SABEDORIA PARA PERCEBER A DIFERENÇA"...
Eu continuo a acreditar que, sendo possível, é bom falar de tudo e mais alguma coisa...


quarta-feira, 25 de abril de 2007

"The Net"

Costumo dizer que vivo com uma rede de segurança...
Acabou de se provar que tenho razão.
Neste post não vou expor teorias nem ideias, só quero agradecer...
Se acredito que é importante, queixar-se, reclamar, impor-se, "dar murros na mesa", quando é caso disso, mais ainda acredito que é importante agradecer.
Costumam dizer-me que "não é preciso", mas eu acho que é.
É tão importante que as pessoas tenham noção do bem que fazem como do mal...

Como dizem os bifes "when it rains, it poors"...
Foi o que começou a acontecer no passado fim de semana.
Não aconteceu nada de muito grave, mas ouve uma sucessão de pequenas coisas que no conjunto me fizeram perder completamente a compostura.
Mais uma vez, como dizem os bifes "I lost it"...
Então a minha rede entrou em acção.
Como já tinha acontecido noutras ocasiões, senti-me completamente apoiada, acompanhada, mimada... é bom.
É muito bom sentir que as pessoas que estão à nossa volta "care".
A essas pessoas, ás que têm estado "comigo" nestes momentos mais complicados, mas também ás que já estiveram noutros, quero então agradecer.
Mais uma vez se prova que não é em vão que dou tanta importância ás amizades.

Queria fazer aqui uma observação, nas amizades de que falo estão alguns membros da família. Lá porque somos familiares não temos de ser amigos e uns são outros não...

A realidade é que nestes últimos dias fui abraçada por quem nunca me tinha abraçado, "and god knows that I needed it..." Aguentaram as pontas, que nem uns heróis, de situações com que eu não pude ou não soube lidar. Abdicaram do seu sono, do seu descanso, do seu trabalho, das suas comemorações, para me apoiar. Tomaram conta do meu filho quando eu não estava em estado de o fazer. Pouco ou nada estive sozinha quando era de facto a última coisa que queria estar. Apaparicaram-me com comidinhas boas. Nas questões financeiras uns deram-me ajuda outros esperança (e ajuda também). Vieram quando os chamei e quando não chamei, só porque sentiram que era importante. Até as mijas da cadela se dispuseram a limpar para me dar abertura para poder resolver os meus problemas.
Isto são amigos...
Muito obrigada, do fundo do coração...

les copains dabord - George Brassens

sexta-feira, 13 de abril de 2007

O efeito CocaCola Light + Mentos

A todos nós salta a tampa de vez em quando...
A questão é... a quem é que isso serve, a quem é que faz bem?
Será que nos alivia?

Vou-vos contar uma coisa que se passou hoje de manhã.
O Pedro acordou muito cedo, como tem vindo a acontecer há uns meses.
Eu tinha-me deitado tarde ontem...
Levantei-me e perguntei-lhe se me podia deitar um bocadinho na cama com ele.
Ficou todo contente.
Ficámos ali os dois na ronha durante cerca de cinco minutos.
Deu-me beijinhos, abraçou-se a mim, deu-me festinhas... claro que não consegui dormir, mas foi muito querido.
Então disse que tinha fome.
Levantei-me ainda meio estremunhada e disse que ia buscar a papa.
(ele de manhã bebe um biberon de Cerelac , normalmente ainda na cama... mas chut, não comentem que ele não gosta que se saiba, acha que é coisa de bebé... a mim, como devem supor, dá-me muito jeito...)
Ele disse que também queria vir, não é costume.
Eu estava aflita para fazer xixi e disse que ia só à casa de banho primeiro.
Ele disse que também queria fazer xixi.
"Ok, querido, então vamos cada um à sua e encontramo-nos aqui no corredor, está bem?"
Quando saí da casa de banho não o vi...
Vi no entanto a Bit (a nossa recém adquirida cadelinha de dois meses) a subir a escada.
"Pedro, onde é que estás? Porquê que soltaste a Bit?"
(visto que "soltar a Bit" implica começar o meu dia a limpar mijas pela casa, só costumo fazê-lo quando já estou mais acordada, depois do Pedro tomar o pequeno almoço...)
"Estava à tua procura, julgava que estavas com ela na casa de banho..."
Ao descer as escadas, ainda com os olhos meio fechados, deparei logo com uma mija no patamar.
Comecei logo a ficar irritada...
"Ó Pedro, não podes fazer isso querido... não podes soltar a Bit sem me pedir... porca Bit, aqui não se faz xixi!!! ... Agora vou ter de limpar isto antes de te aquecer a papa..."
Fui à cozinha, peguei na esfregona, subi as escadas, limpei a mija, voltei para a cozinha.
A Bit veio atrás de mim.
Quando cheguei à cozinha o Pedro gritou: "Mãe, cocó!!!"
Voltei para trás, a cadela veio ter comigo...
Ao vir ter comigo pisou o referido cocó, ficou com as patas todas sujas.
Depois preparava-se para saltar ás calças de pijama do Pedro.
Tive de me "atirar a ela" para o evitar.
De repente, ás oito da manhã, já tinha limpo uma mija, tinha a entrada cheia de merda e uma cadela com as patas sujas a contorcer-se na ponta do meu braço...
Passei-me!
"Pedro, bolas, que chatice, não podes fazer isto... mas o quê que te deu? Por que raio é que lhe foste abrir a porta? Merda! Agora como é que eu limpo isto? Vai já lá para cima para não pisares nada... "
E ia avançando para o armário onde tenho as "dodots de cão", com muito cuidado para não deixar cair a cadela ao chão, para ela não me sujar e para não pisar merda...
Com a gritaria o Zé acordou...
O Pedro foi amuado para o quarto, quase a chorar...
Eu fiquei a "clean the mess"...
Desagradável, não?

Pois acreditam que o resto da manhã me correu todo mal?
Atrasei-me para um encontro que tinha com um senhor da Vodafone.
Fui a uma oficina para pedir um orçamento para arranjar o meu carro e o senhor não estava lá.
Decidi então, já que estava perto, ir tomar um café com a minha irmã para descontrair e ela também não estava.
Voltei para casa e recebi a resposta do meu irmão a um mail meu, verificando que tinha percebido tudo ao contrario e que, provavelmente eu tinha "hurt his feelings"...
Grunf!!!

Karma?
Não sei...
O que sei é que enervar-me não serviu absolutamente a ninguém...
Fiquei cheia de problemas de consciência por ter gritado com o meu filho.
Apesar de tudo ele não fez nada por mal coitadinho.
Acordei o Zé que ainda poderia ter dormido mais um precioso quarto de hora.
Não me evitou ter de limpar tudo de qualquer maneira.
E sobretudo... tive um início de dia, de merda!

Acham que não podia ter feito de outra maneira?
Estão muito enganados...
Tudo isto se controla, é uma luta que venho a ter há muito tempo comigo própria e que, regra geral tenho ganho.
Aparentemente tinha todas as desculpas para que me saltasse a tampa.
A realidade é que era muito melhor que não tivesse acontecido.
Perdi esta batalha mas acho que posso vencer a guerra.
Desde que tomei consciência de que estas coisas são profundamente negativas já tenho ganho muitas batalhas.
I'll keep trying, e aconselho todos a fazer o mesmo.
E sobretudo a desculparem-se, como estou a fazer neste momento, por cada batalha perdida. Haverá sempre mais uma...

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Religiões, Gurus, Seitas & Santolas...

Não queria continuar a escrever neste Blog sem abordar este assunto, visto que tem tudo a ver com tudo o resto de que possa falar...

Não me considero uma pessoa religiosa tenho no entanto uma enorme em montes de coisas.
Investiguei um bocado antes de escrever este post, para não dizer demasiados disparates... (como me disse um Senhor Professor Doutor de Coimbra, que entrevistei para um trabalho: "Ó filha, tu dizes disparates com muita naturalidade..." LOL...) e sobretudo para conseguir explicar-me o melhor possível.

Cheguei à conclusão que, se tivesse de facto de me enquadrar em alguma coisa, aquilo com que mais me identifico é com o "Humanismo Secular". (nome pomposo, não?LOL)
O senão é a questão da Fé... eu acho que, apesar de tudo, uma certa dose de Fé é de facto importante...
De qualquer maneira, felizmente, não sinto necessidade de me "enquadrar" em lado nenhum.

Notem que não tenho nada contra as religiões, acho que biliões de pessoas não podem estar todas "erradas"... E acho francamente melhor acreditar em alguma coisa, seja ela qual for, do que não acreditar em nada.
É só que, como dizia um amigo meu; "quando vejo gajos de barba vestidos de branco, desconfio..." LOL
Este comentário, por acaso, não tinha nada a ver com religiões, era a propósito deste site que tinha muito para ser um bom destino de férias, não fora o tal do Guru das barbas e o espírito esotérico da coisa...

Eu pessoalmente não alinho em grupos... pelo menos não nesse tipo de grupos... LOLOLOLOL Just kidding...
Agora a sério, faz-me confusão a onda guru.
Se o "guru" for um padre católico ou o Dalai Lama, continua a fazer-me confusão...
O que não quer dizer que não possam transmitir ideais mais do que válidos e que façam imenso sentido para certas pessoas.
Só que eu gosto de tirar as minhas próprias conclusões, baseadas na minha cabeça e na minha experiência de vida...

Ou seja, vivo segundo certos princípios, relativamente aos quais não consigo obter qualquer tipo de "provas", mas nos quais acredito profundamente.
Alguns desses princípios existem em várias religiões...
Acredito por exemplo que não se deve matar.
Mas com um que outro senão, apesar de tudo.
Mato pulgas, carraças e melgas, por exemplo...
Acho muito bem que tenham abatido os Rotweillers que mataram aquela senhora em Sintra, eram um perigo, apesar de provavelmente não terem culpa de serem o que eram, de terem sido "educados" assim, para atacar...
Acredito também na "Declaração Universal dos Direitos do Homem"... se bem que "acreditar" neste caso não se aplica bem... digamos antes que subscrevo.
Mas tudo isto é bastante "universal"... julgo que no geral todos nós acreditemos nestas coisas.

Então onde é que está a diferença? Onde é que estou a querer chegar?
É que há duas coisas em que acredito, e pelas quais rejo a minha vida há muito tempo, que estou convencida de que sejam o "segredo" para a felicidade...
Curiosamente tinha empiricamente estas ideias, ou melhor aplicava-as ao meu dia a dia sem pensar muito sobre o assunto, e descobri recentemente que já se pensou/falou/escreveu muito sobre elas e que há inclusivamente muita gente a reger-se pelo mesmo...
Eles andem aí... Huuuuuuuu!!!!

Uma delas é aquilo a que pelos vistos chamam a "Lei da Atracção", e não, não tem nada a ver com a "Atracção Fatal" nem sequer com sexo... LOL
Eu costumava pensar "nela", antes de ler sobre o assunto, mais numa onda de "o melhor é nem pensar nisso, senão pode acontecer" para as coisas más, ou "se eu "pedir" com muita força acontece" para as boas...
A realidade é que funciona...
Não o posso, nem quero, provar.
Tenho-o intuído ao longo dos anos.
Tenho lido e falado sobre o assunto recentemente.
Para mim é simplesmente "um facto", tipo dois e dois são quatro...

Já diz o ditado popular "uma desgraça nunca vem só..."
Quem é que ainda não reparou que quando andamos down parece que tudo nos cai em cima?
Fala-se em "energia positiva", em "boa onda"... acho que tudo tem a ver com a mesma coisa... nós de facto temos o "poder" de atrair as coisas... as boas e as más...
Como?
Não faço a mais pequena ideia, e francamente também não preciso de grandes explicações.
Comprovei-o na pratica e basta-me...

A outra coisa é aquilo a que chamam "Karma" e a que eu também não chamava nada...
Também não posso nem quero provar, também não faço ideia de como "funciona", mas a realidade é que, pela minha observação da vida, funciona sim...
Com os anos fui observando que quanto "melhor me portava" melhor me corria a vida.
As coisas não parecem estar relacionadas, não parece haver relações directas pelo menos.
Ou seja, hoje posso ser bera para o meu filho e amanhã a minha cadela fica de caganeira...
A realidade é que, quanto mais porreira eu sou com os outros mais porreiros os outros parecem ser comigo. E não são obrigatoriamente os mesmos "outros".
Quanto mais faço pela vida, mais a vida faz por mim.

Tenho andado a ver uma série hilariante baseada nesse tema, no Karma, chama-se "My Name is Earl". De uma maneira absolutamente caricatural explica muito bem o que estou a tentar dizer...
É um gajo que nunca fez nada "de bom" na vida, rouba, engana, chateia, etc... Um dia tem uma raspadinha premiada, é atropelado, perde a raspadinha que tinha na mão e vai parar não sei quanto tempo ao hospital. Enquanto lá está, completamente drogado com analgésicos, vê um programa de televisão em que o entrevistado diz que a vida lhe corre bem porque ele a baseia no Karma. O Earl, chega à conclusão de que tudo lhe corre mal basicamente porque é um verdadeiro filho da puta... Faz então uma lista com todas as coisas "erradas" que fez e vai passar toda a série a tentar compensa-las. Quando consegue, a vida corre-lhe bem, quando não consegue, corre-lhe mal.
Claro que as situações são completamente caricaturais, não fosse isto uma série cómica, mas a ideia está lá.

Ou seja, se tivermos pensamentos positivos, a vida é positiva.
Se formos basicamente boas pessoas, a vida é boa.
Simples não?
Parece muito óbvio... mas para muita gente não é.
Quanto mais não seja porque as noções de "bom", "porreiro", "pensamento positivo", etc não são propriamente evidentes.
Muita gente julga estar a seguir este caminho e não se dá conta sequer de que espalha "o mal" à sua volta.
O mal pode ser egoísmo, stress, indiferença, conflito, intriga, you name it...

Mas, como já disse, nada disto se prova, nada se explica.
Ou se sente ou não se sente, infelizmente.
Conheço pessoas com verdadeiro potencial para serem felizes, que não o são, quanto a mim por não terem noção do que acabo de dizer.
E julgo não haver maneira de as fazer perceber, acho que só se chega lá mesmo sosinho...

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Micro/Macro e complementaridade

Não se deixem iludir pelo título que vão perceber o que quero dizer... isto não é o Mataspeak... LOLOLOLOLOL

Ontem vimos um filme (aliás, vimos meio filme, que é comprido como o caraças e à uma da manhã resolvemos deixar o resto para outras núpcias...) de que gostei bastante.
Para quem esteja interessado é o Beyond Borders, com a Angelina Jolie.
Bem, o filme trata basicamente de ajuda humanitária.
É um grupo de malta que anda pelo mundo a ajudar.
Até ao ponto onde vimos, já tinham estado em África e no Vietname (ou Cambodja, já não sei...).
Um era médico, os outros nem por isso, e andavam juntos nessa guerra contra a miséria humana, a vacinar, tratar, alimentar, toda aquela gente perfeitamente desprotegida...

Dei por mim a pensar que gostava de fazer qualquer coisa do género... não em zonas de conflito, como era o caso no filme, que não tenho vocação para "reporter de guerra", mas num sítio menos perigoso, pelo menos a esse nível.
Fui para a cama a pensar nisso, apesar do sono e do atraso a limpar mijas da cadela...
Cheguei à conclusão de que não iria.
Fiquei confusa...
Senti tanta empatia com aquela gente, então não ia porquê?
Não ia porque tenho um filho.
Porque acho que as duas coisas não são compatíveis...

Hoje passei o dia, entre outras coisas, a pensar no assunto.
E cheguei a uma conclusão: hà gente para tudo.
Tenho estado a falar em voluntariado e ajuda, mas aplica-se na realidade a muito mais coisas...
Cada vez mais me dou conta de que existem vários mundos por aí.

Lembro-me uma vez, ainda eu namorava com o meu futuro-ex-marido, de estar a ir para Coimbra de comboio...
Tinha um teste de História da Arte na semana seguinte e estava a estudar.
Ás tantas levantei os olhos do livro, virei-me para um amigo que ia comigo e comentei qualquer coisa do género "que giro, sabias que o Picasso, blá, blá, blá...?"
Ficámos um bocado a falar sobre o assunto e voltámos a mergulhar cada um no seu livro.
O amigo em questão também estava a estudar... física.
Ele ás tantas voltou a levantar os olhos do livro e disse "sabes, tenho imensa inveja tua... eu também gostava de poder falar sobre o que estou a ler, mas tu não ias perceber nada..."
E era um facto.
Não teria percebido na altura, nem agora, nem nunca...
Nem isso nem uma data de outras coisas...

Ou seja, há uma data de malta que trabalha em campos cujo conceito eu nem consigo perceber quanto mais o detalhe...
O que que faz exactamente um físico de partículas?
Ou um engenheiro genético?
Como é a vida de um atleta profissional?
De um militar?
De um Astronauta?
De uma dona de casa com dez filhos?

Eu trato das finanças de minha casa, há quem trate do orçamento geral de estado...
Eu ponho betadine nas feridas do meu filho, há quem faça cirurgia cerebral...
Eu dou ordens à minha cadela, há quem dê ordens a um exercito...
(o micro e o macro tinham a ver com esta parte, caso não tenham percebido)
Ou seja, por este mundo fora há gente para tudo.
Há gente com tarefas em grande escala e gente com tarefas em pequena escala.
Há gente com vocação para coisas tão diferentes que parecem de facto mundos diferentes, ao ponto de, como no meu exemplo do comboio, ás vezes até ser impossível o diálogo...

Dando outro exemplo relativo a voluntariado, uma coisa que, como já devem ter percebido me atrai bastante.
Neste momento não tenho vida para fazer nenhum, mas há anos que ando a considerar a ideia.
Não era capaz, por exemplo, de trabalhar numa União Zoofila, por muito que goste de animais... Tenho o maior respeito e admiração por quem o faz, mas eu não era capaz. Ia ficar doente a pensar nas condições em que viviam os bichos...
Sinto-me no entanto capaz de trabalhar no IPO. Estranho não? Mas acho que tenho estômago para tentar alegrar alguém doente. Para deixar cravar as unhas de alguém com dores na minha mão porque sei que alivia. Para acompanhar alguém para que não morresse sozinho.
Uma coisa é mais válida do que outra? Não me parece...
A dona de casa com dez filhos tem menos valor do que o astronauta?
Não me parece também.

Cada um deve fazer o que sabe, o que pode, aquilo para o que sente vocação.
Eu sentir que, se fosse fazer voluntariado para Africa, ajudar aqueles meninos que não têm ninguém, que não têm nada, me ia impedir, a mim, de fazer um bom trabalho relativamente ao meu próprio filho é condenável?
Também não me parece.
Cada um sabe de si.
Há de haver quem consiga conciliar as duas coisas, eu sei que não conseguiria, não tenho coragem, energia, força para tal.
Se fizesse uma coisa ia garantidamente descurar a outra...

Mas será que não estou a criar um voluntário para ir para Africa? Ou um cirurgião? Ou um astronauta? (espero que não "uma"mãe de família, mas mais uma vez cada um sabe de si... LOL)
Ou seja, o que é importante é que haja de facto gente para tudo.
Que uns descubram a cura para as doenças e outros as apliquem.
Que uns investiguem a maneira de ir ao espaço e outros lá vão.
Que cada um dê o máximo de si, perceba o que gosta de fazer, o que é capaz de fazer e depois o faça bem...

Desta vez, mal ou bem, estava inspirada.
Ainda hei de voltar, nesta onda, ao tema daquele meu outro post que foi um flop total... LOL

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Falta de inspiração

Pois...
Como já devem ter reparado, ando com falta de inspiração...
Demasiadas coisas em mãos ao mesmo tempo, não tenho conseguido sentar-me para escrever com calma.
Mas, como me foi sugerido a seguir ao meu último post, mais vale fazer o que estou a fazer neste momento, que é basicamente anunciar que não tenho nada para dizer, do que escrever a merda que escrevi da última vez.
Claro que quem mo sugeriu não falou desta maneira, que é uma pessoa muito diplomática e educada... ; )
Estou no entanto consciente de que, apesar do tema ser bom não consegui fazer nada de jeito com ele.
Como vejo que têm cá vindo, peço portanto as minhas desculpas e espero em breve voltar ao meu "old self".
Bjs
C

terça-feira, 27 de março de 2007

Quem boa cama fizer, nela dorme...

Queriam!!!
Não, não vou falar de cama...
LOL

A minha ideia era mais uma questão de investimento no futuro.
Tanta gente põe o hoje à frente do amanhã, não compreendendo que o trabalho/coragem/sacrifício/pachorra que possam ter agora lhes vai simplificar a vida mais tarde.

O exemplo mais flagrante para mim é com as crianças.
O dormir, por exemplo... quem tem filhos sabe como é complicado dar-lhes bons hábitos de sono.
O sono educa-se, mas não é fácil... Tem de se começar muito cedo...
Quantos pais não dormem com os bebés, no quarto, ou mesmo na própria cama, por uma questão de comodidade, nos primeiros tempos e depois se vêm aflitos para os trocar para o seu próprio quarto?
Ou o ajudar a estudar, a fazer os trabalhos, estimular a aprendizagem... um bocadinho de "pachorra" no início pode fazer com que mais tarde não haja problemas.
Isto são só exemplos, em termos de educação/"criação" de filhos, podia estar aqui a noite toda a falar...

Mas isto é válido para tudo.

Quantas vezes não temos coragem de "pôr os pontos nos iis" no início de uma relação, seja ela amorosa, de trabalho, o que for, e mais tarde dá merda...
De início não nos queremos chatear, não queremos causar ondas, não levantamos questões que obrigatoriamente mais tarde virão a lume por serem importantes e depois... dá merda.

Também acontece em relação a dinheiro, por exemplo. Há quem não resista a comprar, gastar, sem pensar se depois o que sobra chega para as necessidades básicas.

Enfim...
Muitas vezes temos de trocar o nosso bem estar imediato pela promessa de um bem estar duradoiro... Muitas vezes temos de abdicar do hoje em prol do amanhã...
Isto não quer dizer que se viva no futuro, que se faça tudo em função do que há de vir, mas já diz o outro ditado popular "quem semeia ventos, colhe tempestades" e os nossos actos, ou muitas vezes a falta deles, infelizmente não são sem consequências.
Ser muito livre, muito solto, muito inconsequente, muito irresponsável, nem sempre dá bons resultados.
E o que é pior é que as consequências disso nem sempre são óbvias.
Nem sempre se consegue fazer a relação entre o mau resultado e a falta de "investimento" inicial.

domingo, 18 de março de 2007

United colors of Benetton

“Todos diferentes, todos iguais...”

Com o passar dos anos vamo-nos apercebendo cada vez mais das diferenças abismais que há entre as pessoas...
Começamos por perceber que os esquimós e os africanos são completamente diferentes, mais tarde damo-nos conta de que não temos nada a ver com o nosso vizinho do lado.
Ora isto, estupidamente, muitas vezes causa problemas.

As pessoas têm uma certa tendência para julgar os outros pela sua bitola, não compreendendo que se pode ser feliz de muitas maneiras.
O que resulta para uns pode não funcionar para outros.
Cada um tem as suas características, o seu passado, a sua educação, os seus gostos, e tem de jogar com isso para viver uma vida harmoniosa.

Não pomos em questão o modo de vida dos tais esquimós ou africanos porque são radicalmente diferentes dos nossos e sobretudo porque estão longe, não interagem connosco.
Os problemas aparecem em geral nos tons de cinzento ou se preferirem, “em casa”, no mundo em que nos movemos.
Muitas vezes criticamos, desprezamos, certos modos de vida, na realidade tão válidos como o nosso, simplesmente porque não nos conseguimos identificar com eles.
Como se o nosso caminho fosse único, como se todos se devessem reger pelo mesmo molde.

É evidente que todos observamos diferenças nos outros.
Há os arrumados e os desarrumados. Há os organizados e os desorganizados. Os caseiros e os que não param no mesmo sítio. Os madrugadores e os noctívagos. Os que gostam de animais e os que não os suportam. Os vegetarianos, os “carnívoros”, os desportistas, os sedentários, os intelectuais, os manuais... enfim...
Se tomarmos em consideração que “a nossa liberdade acaba onde começa a liberdade dos outros”, se houver respeito mutuo, porquê incomodar-se com as ditas diferenças?
Ou seja, onde estou a querer chegar é a que há uma tendência para nos “metermos onde não somos chamados”, para criticar aquilo que não nos diz respeito.

Não estou evidentemente a falar dos casos em que as diferenças chocam, em que alguém é “agredido” pelas características de outrem.
Eu pessoalmente sou extremamente arrumada. É óbvio que se alguém vier gerar o caos em minha casa, não gramo, fico chateada, claro que fico chateada...
Agora que me importa a mim o que essa pessoa faz em casa dela?
Que tenho eu a ver com isso?
É neste sentido que tenho estado a falar e que tenho notado que reina uma grande intolerância por aí.

Se eu ajo da forma A, então os que ajem da forma B são umas bestas, uns idiotas, mesmo que na pratica não “choquem” comigo em nada.
São umas bestas simplesmente porque são diferentes, porque não subscrevo a sua maneira de ser. Porque não concordo com a sua maneira de agir.
Matou? Roubou? Fez mal a alguém?
Não, mas é diferente e isso irrita-me...

Este tipo de atitude faz, infelizmente, com que certas relações que até poderiam ser boas para ambas as partes, azedem e ás vezes até apodreçam...

terça-feira, 13 de março de 2007

You can't always get what you want...

COM MÚSICA

Já diziam os Pedras Rolantes.

Costumo pensar que se me dissessem que podia construir a casa que quisesse, como quisesse, onde quisesse, gastando o que quisesse... me ia ver absolutamente à rasca...
A realidade é que gosto de muitas coisas diferentes, muitos sítios, muitos estilos, muitos tipos de casa e construir uma que fosse coerente e onde me sentisse bem no fim, não ia ser nada fácil.

Felizmente isto é coisa que não acontece na vida.
Para começar não temos nunca todas as opções em aberto.
Não podemos escolher absolutamente o que quisermos.
Depois, construir uma vida é muito mais difícil do que construir uma casa.
Não nascemos e pensamos "quem é que eu quero ser?" e vamos em frente para construir esse "eu".

Não, na vida nós vamos sendo confrontados com as opções, uma a uma.
Vamos construindo a nossa casa sem ter uma noção do que irá ser o todo, o produto final.
Tiro um curso superior? Vou viajar pelo mundo? Tenho um filho?
E escolhemos um caminho...
E esse caminho não é necessariamente "o certo", porque não há caminho certo para começar, hà caminhos diferentes, uns melhores do que os outros.
Mas é o que escolhemos, e como é lógico não podemos tirar um curso superior e viajar à volta do mundo, pelo menos ao mesmo tempo. Ou seja, garantidamente se estivermos a fazer uma coisa nesse momento não podemos estar a fazer a outra.
Há casos em que a escolha a fazer é muito subtil. E é aí que as pessoas se confundem...
Não percebem ás vezes que não se pode ter dois tipos de vida completamente distintos ao mesmo tempo.

Vou dar um exemplo.
Quando o Pedro nasceu os meus amigos adoptaram o lema do "se Maomé não vai à montanha, vai a montanha a Maomé" (ainda mais do que já faziam ; ) e continuaram as noitadas de jogo pela noite fora.
Quando o Pedro chorava, com cólicas por exemplo, eu entrava em choque.
Tinha passado o dia todo a ser mãe.
Tinha deitado o Pedro e trocado para o modo "joga".
E de repente entravam os dois modos em conflito...
Ao princípio ia lá e estava ansiosa, tinha deixado a minha mão de Tarot em cima da mesa. Ás vezes estava a ser um jogo interessante, tinha três ou quatro pessoas à minha espera. O puto nunca mais se calava...
Depois percebi que não se podem juntar os dois modos. Não se pode consolar uma criança com cólicas a pensar no jogo de Tarot. Podem-se conjugar as duas coisas se for alternadamente...
Então, a partir daí, quando estava com o Pedro no quarto estava toda eu no quarto.
E... milagre... não é que ele acabava por se calar muito mais depressa?!

Onde estou a querer chegar é a que temos constantemente de fazer opções na vida. Não podemos querer ser duas coisas ao mesmo tempo porque não funciona.
Quando estamos num papel temos de o seguir.
Temos de escolher.
Não dá para uma no cravo e outra na ferradura...

Isto ás vezes leva-nos às chamadas "loose/loose situations"...
Temos a sensação de que, seja qual for o caminho que escolhamos estamos a perder qualquer coisa.

Para esta situação, o exemplo do Pedro não é bom porque seria impensável ficar a jogar Tarot e não ir ter com o meu filho. Mas há situações em que a escolha é válida para ambas as opções.
Os dois exemplos que costumo usar de "loose/loose situations" são o "Príncipe das marés"e "As pontes de Madison County". Ambos são exemplos "românticos" mas são perfeitos para o que quero dizer.
Pode-se transpor para todo o tipo de outras situações, de estudo, de trabalho, etc...
Em ambos os casos "o nosso heroi" (LOL), num caso masculino no outro feminino, é levado a escolher entre um grande amor, cheio de chama, de paixão, e o casamento e os filhos.
Em ambos os casos eles escolhem a família mas isso não é para aqui chamado.
The point is que eles têm de optar e em qualquer dos casos se sentem "lesados" de uma potencial felicidade...

Pois... You can't get all of what you want...
E... se há que optar, ao menos que seja sereno.
Não é bom ir pelo caminho A a pensar no caminho B...
"Loose/loose"?!
Por que não "win/win"?
Porque não pensar que em qualquer das opções se ganhava qualquer coisa e escolhemos o "ganho" que fazia mais sentido no momento?
Porque não viver com o calor de saber que tivemos a escolha?
Não é melhor sentir que tivemos escolha entre duas situações boas?
Que optámos por uma mas que o saber que a outra existiu não é nada mau?
Guarda-la num cantinho do nosso eu como uma coisa nossa...

Convidaram-nos para ir trabalhar para o estrangeiro.
Uma coisa que gostávamos de fazer.
Depois de muito considerar a oferta decidimos não aceitar.
É melhor nem pensarmos mais nela para não nos sentirmos mal com a nossa escolha?
Ou saber que pelo menos podíamos ter ido se tivéssemos querido não é reconfortante?

As opções podem ser a longo prazo, a médio prazo, a curto prazo.
Mas o que não fazemos faz tanto parte de nós como o que fazemos.
Quando fazemos qualquer coisa, qualquer coisa que escolhemos fazer, que não nos foi imposta, relativamente à qual tínhamos de facto opção, temos de o fazer com todo o nosso ser.

Bege, vou pintar o tecto de bege...
LOL

Bjs
C

segunda-feira, 5 de março de 2007

Diz-me com quem andas...

Os amigos... oh, os amigos!
; )

Falo tanto da importância que têm para mim os amigos, é talvez altura de falar um pouco deles...

Por que raio é que eu atribuo tanta importância à amizade?
É simples, porque acredito que as relações humanas sejam das coisas mais preciosas e gratificantes que podemos ter na vida.

A família, por exemplo, também é muito importante... também poderei falar sobre ela noutra altura... acontece que não a escolhemos, não nos escolhe... é assim.
Todos temos familiares com quem nos damos simplesmente porque "são família". Com quem não temos nada a ver, em relação aos quais não sentimos qualquer tipo de empatia, por vezes nem sequer simpatia, passávamos bem sem os ver... se não fossem "família".
A família, mal ou bem, aceita-nos como somos, atura-nos, só por sermos família...

Com os amigos já a coisa pia mais fino...
As amizades esmorecem, morrem até, ás vezes...
Os amigos não se podem ter como certos.
Se quisermos manter uma amizade há que fazer por isso e muitas vezes não é fácil.
As pessoas zangam-se, chateiam-se, enredam-se em mal entendidos...
Mudam de rua, de cidade, de país...
Casam-se, juntam-se, nem sempre com alguém que goste de nós...
Mudam de interesses, de passatempos...
Tanta coisa pode acontecer para desfazer uma amizade...

Conhecidos todos temos, mas amigos, Amigos... ter amigos é uma arte...
E daí também o ênfase que dou à longevidade das amizades...
O ser humano é um bicho complicado, complexo, em constante mudança.
A mudança nem sempre é fácil de acompanhar.

Quando fiz quarenta anos reuni (ou pelo menos tentei reunir) todos os meus amigos.
Poucos faltaram ao apelo.
Tinha amigos de três décadas presentes...
Foi bom, foi muito bom.
Alguns já não via há muito tempo, mas vieram...

Um amigo é no fundo uma pessoa que nos conhece e que gosta de nós e vice-versa.
É uma pessoa que aprecia a nossa companhia.
É uma pessoa em quem confiamos e que confia em nós.
Partilhamos segredos, pensamentos, opiniões, experiências, tristezas e alegrias.
Está cá para o melhor e para o pior, como nos casamentos...
E fá-lo sem ter jurado fazê-lo no altar, fá-lo porque quer, fá-lo porque... é amigo.

E os amigos escolhem-se. Isto é muito importante...
E não só no início das amizades.
Uma pessoa que não se comporte como amiga, não é amiga, ponto final.
As amizades, felizmente, permitem pausas... ; )
É curioso, mas é verdade... tenho a experiência...

Vou contar-vos uma história...
Tinha um amigo, um GRANDE amigo, que arranjou uma namorada...
Como tal afastou-se.
É a coisa mais natural do mundo...
Pombinhos, uma vida totalmente nova, a descoberta do outro, do mundo do outro... enfim...
Se um amigo não compreendesse esse afastamento não era amigo...
Só que se afastou de uma maneira totalmente inaceitável.
Não passou a aparecer menos, desapareceu...
Não telefonava menos, não telefonava...
A certa altura já não respondia pouco aos apelos, não respondia nada...
Durante esses anos engravidei.
Embora isso seja outra história a verdade é que eu não era suposta consegui-lo...
Os meus amigos seguiram o meu atordoamento ao descobrir que ia ser mãe, a minha angústia na altura a amniosintese, o meu aumento de peso, a minha mudança de andar, a ansiedade de saber se ia ser menino ou menina, a escolha do nome, a felicidade de o ver finalmente...
Este... passou-lhe tudo ao lado...
A dita namorada?
Nunca ma apresentou...
E um dia recebi um convite para o seu casamento...
É verdade que somos para além de amigos, família, o convite não me chocou portanto...
O que me chocou foi não ter percebido que não fazia sentido nenhum eu ir a esse casamento.
Eu vou a casamentos por "conveniência", para marcar presença, se a pessoa em questão não me disser nada, me for indiferente.
Não vou a casamentos de amigos que" já não me dizem nada"...
E a coisa ficou por aí.

Anos mais tarde ele voltou...
E hoje somos outra vez Amigos.
Não nos vemos tanto como dantes, a vida não o permite, mas os nossos coraçõezinhos batem outra vez em uníssono, e isso é que é de facto importante.
Não é a proximidade física.
Não é a quantidade de vezes que nos vemos.
É sabermos ambos que estamos lá outra vez um para o outro.

E isto sabe-se, depois de tudo o que se passou, porque já lá vão muitos anos, porque nos conhecemos muito bem, e porque voltámos a estar em sintonia.
Aconteceu-me isto, não pelas mesmas razões, com várias pessoas.
A realidade é que temos amigos recentes, amigos antigos e amigos que voltaram e todos eles nos fazem sentir que tudo vale a pena, que é importante investir na amizade e tê-las autênticas, porque nos sentimos profundamente amados.
O amor de um amigo, se verdadeiro, não fica de todo aquém do amor "amoroso"...

Os companheiros de copos, de desporto, de trabalho, sei lá... só por serem presenças frequentes não quer dizer que sejam obrigatoriamente amigos... Estão lá muitas vezes... não quer dizer que estejam lá "para nós"... e muitas vezes só o descobrimos nos piores momentos, nos momentos em que precisaríamos deles e eles "não estão lá".
Muitas pessoas tendem a confundir amigos com conhecidos e é preciso diferenciar.
Por outro lado, um conhecido é sempre um potencial amigo, há portanto que investir, sabendo no entanto quando desistir.

Esqueçam os cães... o homem continua a ser o melhor amigo do homem...
Aceitem o meu conselho, querem um bom marido/mulher? Casem-se com um amigo!
Já vos estou a dar seca...
Bjs
C


les copains dabord - George Brassens