segunda-feira, 11 de junho de 2007

Amor de mãe

Há uns anos, andava eu desesperadamente a tentar engravidar, uma astróloga disse-me "esquece, não vais conseguir ter filhos... estás destinada a ser mãe de todos..."
Estava errada... mas não em tudo...
A realidade é que me sinto de facto um bocadinho mãe de muita gente... inclusivamente da minha própria mãe...(LOL)

Parece que os psicólogos chegaram à conclusão de que os pais não devem tentar ser amigos dos filhos... Calma! Não comecem já a pensar cretinices... O que estou a dizer é que devem assumir o seu papel de pais, com tudo o que isso implica, regras, educação, castigo, etc... e não tentarem ser compinchas, cúmplices, companheiros de farra, como esteve tanto na moda a certa altura. Notem que me parece um bocado uma verdade de Lapalisse... afinal de contas, como se costuma dizer "quem tem filhos que os eduque" e educação nem sempre conjuga com ser "amiguinho". Os gajos ás vezes devem mesmo odiar-nos, mas faz parte, é para o bem deles (pelo menos assim o pensamos...).

Ora bem, estou a chegar agora à conclusão de que o contrário também é válido. Também não devemos "ser pais" para os nossos amigos, irmãos, pais, maridos/mulheres, etc... Se com os filhos (os verdadeiros) as coisas se equilibram, o incondicional amor materno (vamo-nos deixar de merdas, sou gaija vou falar de mães e não de pais, senão fico para aqui a noite toda a tentar ser politicamente correcta com os dois sexos...) compensa "as maldades" que acham que lhes fazemos, com os outros já não é assim.

Passo a tentar explicar... nunca quis ser mãe de ninguém (a não ser do meu próprio filho e God knows que não foi fácil... LOL) mas fui assumindo parcialmente esse papel relativamente a uma série de gente em determinadas situações. Aparentemente ás vezes a figura materna cabe-me que nem uma luva. A chave da questão aqui é o "parcialmente", ou seja, ás vezes fui levada (ou deixei-me levar) a ter comportamentos maternais. Não sendo completamente idiota (apesar de anormal...) nunca levei obviamente esse papel ao ponto de me ver realmente como mãe de ninguém. Assim sendo acabo por ter atitudes de mãe e de "não mãe" o que baralha bestialmente as pessoas. O resultado é bera.

Antes de falar das partes más da coisa deixem-me dizer que me sinto muito amada pelas pessoas de quem estou a falar, apesar de tudo não é o papel da "madrasta" que assumo, LOL... Sinto da parte deles uma grande dose de ternura e respeito relativamente há minha pessoa o que é muito gratificante.

Mas se educar um filho é uma tarefa de 24 horas da qual estamos conscientes, que levamos a cabo pensadamente (eu pelo menos levo), em que nunca estamos de folga, temos de estar constantemente em alerta para as nossas atitudes, as nossas reacções, as consequências dos nossos actos, com os outros já não é assim visto que é um papel que só assumimos pontualmente.
Resultado, toda a gente se baralha, perde-se a noção das coisas.

O exemplo mais flagrante do que estou a tentar explicar é uma irmã minha. Não é caso único, como já perceberam, mas é aquela com quem já discuti este assunto várias vezes (não que tenha servido para alguma coisa...), muitas delas em público e relativamente à qual o que possa dizer não será portanto uma inconfidência.
Devido a circunstancias da nossa infância, que não interessa agora estar aqui a discutir, sempre fui muito protectora relativamente a ela. Não que quisesse, não que gostasse (dava-mo-nos aliás que nem cão e gato) mas porque gostava dela e, como irmã mais velha, sentia-me na obrigação. Desde muito cedo que tive de "vestir o manto da responsabilidade" visto que esta não abundava à minha volta. Nunca mais o consegui aliás despir, grudou-se-me à pele...Visto que basta uma pessoa com essas características para à partida as coisas correrem bem ela foi passeando pela vida saltando levemente de nenúfar em nenúfar, nunca tendo de se preocupar realmente com nada. Resultado? Eu era a chata de serviço, claro.
Hoje em dia, que já caminhamos as duas para velhotas, cada uma já com os seus próprios filhos, continua tudo na mesma. Já não nos damos que nem cão e gato... isso passou há uns anos, mas continuo sempre a ser a chata de serviço...
E o que é que isto quer dizer? Quem é "a chata de serviço"? A mãe claro...
Trata-me como se fosse a minha filha adolescente... Adora-me, sei que me adora como eu a adoro a ela... mas não consegue tratar-me de outra maneira, é ridículo. Está sempre a provocar-me, não perde ocasião de criticar/gozar com a minha roupa, a música de que gosto, com o que faço ou deixo de fazer com o meu tempo livre, a maneira como educo o meu filho, enfim... coisas que não a vejo fazer com mais ninguém (a não ser eventualmente com a "nossa mãe" LOL), sei portanto que não "é" assim... Se está em baixo, mesmo em baixo, aceita eventualmente a minha ajuda, mal levanta um bocadinho a cabeça já não me quer por perto. Tipicamente uma adolescente que não quer que a mamã se meta na vida dela. E notem que eu não tento, cruzes canhoto que nem me passaria pela cabeça despoletar a ira da besta... como se costuma dizer "cada um sabe de si e Deus de todos"...

Mas não é só ela... todos os "meus filhos" se acham no direito de me chatear, de me criticar, de se meterem comigo, mesmo quando não estou com disposição para isso, mesmo quando não o mereço, mesmo quando é injusto... só porque amor de mãe é incondicional, porque sabem que sairão completamente impunes do processo, que não me irei nunca chatear com eles por causa disso. Há dias de "embora chatear a Cristina"... começam numa ponta e acabam na outra, mesmo quando já não dou uma para a caixa, que nem putos desenfreados em dia de festa.

Todos sabemos como os miúdos são "ingratos", digo isto sem qualquer maldade, mas um puto está-se nas tintas para o sacrifício que fizemos para lhe comprar uma prenda ou para o pouco ou nada que dormimos para ficar à cabeceira deles quando estão doentes. Isso doí-nos mas compreendemos, sabemos que é assim. Quando tratamos "maternalmente" a pessoa com quem vivemos, como tenho feito tantas e tantas vezes, temos o mesmo tratamento, a mesma falta de reconhecimento, de agradecimento, de consideração, tudo lhes é devido. Não há palmadinhas nas costas, não há obrigados, não há louvores... só que desta vez não compreendemos.

Ou seja, tenho de facto "sido mãe" de muita gente e se calhar não devia. Nunca o fiz por mal mas pergunto-me se de facto isso alguma vez ajudou alguém.

Mais um assunto para pensar...
E para virem agora todos aqui aos comentários chamar-me mamã e gozar mais uma vez com a minha cara seus ##!!&#$
LOL






segunda-feira, 28 de maio de 2007

Nem tanto ao mar, nem tanto à terra...

Ultimamente, em meios e situações diversas, tenho tido várias conversas que gostava de confrontar neste post.
Um dos temas era o "criticar os outros" o outro o agir conforme as nossas convicções "no matter what"...

Talvez seja mais fácil, para me explicar melhor, começar pela segunda questão.

Não é só relativamente à questão do Euromilhões que eu sou uma perfeita anormal, há muitas mais.
Por "perfeita anormal" leia-se "fora da normalidade"... Ou seja, há muitas coisas relativamente ás quais não me enquadro nos padrões da nossa sociedade...
Mas atenção, não estou sozinha, há mais como eu, em diversos campos...
Be afraid, be very afraid, eles andem aí! LOL

Dando um exemplo concreto:
Não sei o que é pudor... quero dizer pudor físico. Para mim estar nua ou vestida é perfeitamente igual nesse sentido e a nudez não tem nada "de mal", nem conotações obrigatoriamente sexuais, ás vezes tem e ás vezes não tem...
Para além disso adoro estar nua (quando as condições climatéricas o permitem porque sou muito friorenta... LOL) em certas situações. Gosto de nadar nua, de estar nua ao sol , de dormir nua, de andar nua pela casa...
Há situações em que para mim faz sentido a nudez e outras em que não faz. Isto é pessoal e intransmissível mas estou perfeitamente consciente de que várias das situações em que para mim faria sentido, para a maioria das pessoas não faz.
Como resultado, tirando no banho raramente estou nua, como gostaria.
Porquê? Simplesmente porque vivo em sociedade e acho que não faz sentido "chocar" o próximo. Se as pessoas se "incomodam" com a nudez alheia (já sem falar da sua própria) não vejo razão para a impor.
Não considerando a nudez como uma coisa "condenável" como resolvo então a situação?
Ao sabor da maré...
Se estou acompanhada tento ter a sensibilidade de perceber se quem está comigo se incomoda ou não. Vivi com uma pessoa que até de eu passar em pelota da casa de banho para o quarto se incomodava...
Dentro de limites que considere razoáveis tento adaptar-me ás diversas situações.

Outro exemplo, tenho ideias relativamente a vários assuntos, tipo a vida o amor e as vacas, que sei que não serão partilhadas pela maioria das pessoas. Aliás, não só não serão partilhadas como serão "condenadas" pela maior parte delas...
O que faço então? A mesma coisa... falei da nudez porque era mais fácil de explicar, mas relativamente ás ideias, dentro de certos limites, só as "mostro" a quem acho que posso, para não agredir ninguém...

Dito isto chegamos então ao primeiro ponto... o criticar os outros...
Eu critico os outros, julgo que todos o façamos, se alguém age de uma forma que não vá ao encontro daquilo que penso, daquilo que sou, sou perfeitamente capaz de "cascar" e faço-o regularmente. Aliás, no nosso grupo de amigos o cascar é mesmo considerado um "desporto nacional"... LOL
Agora, quem sou eu, quem somos nós, para crucificar o próximo?
Uma coisa é falar, discutir o assunto, "cascar" no sentido em que se está a afirmar não estar de acordo com "certas e determinadas" coisas. Outra coisa é "zangar-se" directa ou indirectamente com essas pessoas, po-las à margem, atiçar-lhes os cães.
Para começar, "quem nunca pecou que atire a primeira pedra"... é muito perigoso atirar pedras pois podem muito bem um dia vir de volta. Ás vezes criticamos certas atitudes a terceiros que mais tarde, sabe-se lá, por qualquer razão, podemos vir nós próprios a ter,
Depois, quem somos nós para julgar? É muito fácil ter "nobres" princípios e ideias muito definidas sobre os assuntos, mas às vezes não é evidente po-los em pratica.
Notem que não estou a falar de coisas que nos afectem directamente. Se alguém "se portar mal" comigo, sinto-me no perfeito direito de "me zangar", estou a falar de atitudes, maneiras de ser, maneiras de viver, de actos que só dizem respeito a quem os pratica...

Ora perguntam vocês; onde é que estas duas "conversas" se tocam?
Acho que há pessoas que insistem em impor a sua maneira de ser nos dois casos...
O "sou assim, sou assim..." ou como dizem os franceses (olá Carlinhos... ; ) "qui m'aime me suit", para mim não faz sentido nenhum, acho que não devemos impor as nossas ideias a quem não é capaz de lidar com elas, é como uma violação...
Por outro lado acho que não temos direito de crucificar as atitudes dos outros, o que pensam, como agem, cada um sabe de si...
Um bocado paradoxal, não?
Pois... é para pensar...




sexta-feira, 25 de maio de 2007

Querida Maria, sou assumidamente anormal...

Queridos comentadores, não sei se me fiz bem entender no último post...
Tinha prometido novo capítulo relativamente ao tema e devo dizer que o escrevi.
Mandei no entanto tudo para o caraças (horas, dias, semanas, meses, de escrita...LOL) porque acho que não vale a pena.

Conversas várias despertaram-me interesse por outros temas, que pessoalmente considero bastante mais estimulantes, e vou antes "publicar" sobre o assunto.

Relativamente ao post anterior tenho só a dizer que não era uma apologia da pobreza, que não afirmei que gostava de não ter dinheiro e que estou perfeitamente consciente de que o dinheiro pode de facto comprar muitas das coisas que contribuem para a nossa felicidade.

Continuo no entanto a achar que não gostava de ganhar o Euromilhões, mas gostava sinceramente que algum de vocês o ganhasse para observar, ao vivo e a cores, se um ou dois anos depois estavam de facto muito mais felizes...


Mambo No. 5 - Lou Bega






quarta-feira, 16 de maio de 2007

Querida Maria, serei anormal?

Na sequência da minha desastrosa actual situação financeira, um amigo enviou-me um PDF com o intuito de me ajudar a resolver a situação...
O livro chama-se "The science of getting rich" , publicado em 1910 por um certo Wallace D. Wattles.
A "coisa" tem oitenta paginas das quais ainda só li 15, não sei portanto como vai ser o resto, mas logo nas primeiras frases fiquei chocada!
Diz coisas como "Whatever may be said in praise of poverty, the fact remains that it is not possible to live a really complete or successful live unless one is Rich" ou "The person who does not desire to live more abundantly is abnormal, and so the person who does not desire to have enough money to buy all he wants is abnormal"...

Quer dizer... ou não temos a mesma noção do que significa "riqueza" ou eu sou de facto uma perfeita anormal...

Para mim ser "rico" é ter muito mais dinheiro do que aquele de que precisamos para viver.
Claro que é uma noção altamente discutível.
Para o sem abrigo que vive "debaixo da ponte" a minha empregada poderá ser considerada "rica" e para esta eu sou provavelmente "rica", and so on...
Acho no entanto que todos temos uma ideia geral do que é "ser rico", tipo o Bill Gates é definitivamente rico e quem ganha o Euromilhões fica rico.
O que me chocou na introdução do tal livro foi a afirmação de que ninguém pode basicamente ser feliz se não for rico.
Não podia discordar mais...

É sabido que nunca temos tudo o que queremos.
Há sempre qualquer coisa a que aspiramos.
Eu neste momento, por exemplo, já me contentava com não ter dívidas.
De futuro aspiro a ter uma vida melhor, mais confortável, sem dúvida.
Mas porra, sou uma pelintra mas sou extremamente feliz, não preciso para isso de ser rica!!!

Não queria encher o meu filho de prendas, de bonecada, de playstations e computadores, queria só não ter de lhe responder de cada vez que me pede alguma coisa, coisinhas de merda ás vezes, que não pode ser porque a mãe não tem dinheiro.
Não queria um carro novo, os meus carros velhinhos servem-me muito bem, queria só não ter uma crise de choro quando me anunciassem que vou ter de mudar de pneus.
Não queria dar grandes festas ou banquetes, gostava só de poder ir almoçar ou jantar fora sem ter de ser convidada por alguém.
Não queria poder passar um ano a viajar gostava só de fazer uma viagenzita de vez em quando.
Isto é ser rico?
Lá está, para algumas pessoas se calhar até é...

Mas... não gostava por exemplo de ganhar o Euromilhões caraças!
Pronto, neste momento já estão todos a achar que sou mesmo uma anormal, mas eu explico.
Jogo todas as semanas (2 Euritos) na esperança de que me saia um prémio pequenino só para poder limpar dívidas.
Se me saísse o primeiro prémio ia-me sentir completamente à rasca.
Acho que as pessoas estão completamente iludidas relativamente ao que deve de facto ser ganhar uma exorbitância de massa dessas do dia para a noite.
Para começar o assédio (eu não sei quem são os portugueses que têm ganho, mas deve haver muita gente que sabe)... entre bancos, malta a propor negócios, a pedir caridade, que é o que me ocorre assim de imediato, deve ser de loucos.
Depois deve gerar uma insegurança filha da mãe, acho que ia passar o tempo todo preocupada com assaltos, raptos, etc.
Deve-se ficar completamente perdido, oquê que se faz quando se pode fazer tudo (ou quase) o que o dinheiro pode comprar?
Onde é que vão parar os princípios, a noção do que é verdadeiramente importante na vida?
Se por acaso isso me acontecesse, não tenho qualquer tipo de dúvida de que tiraria qualquer preocupação financeira (do género das que tenho neste momento) a todos os que me estão próximos.
Mas até isto é complicado... qual é o critério?
Falando em família por exemplo, não tenho qualquer dúvida de que ajudaria os meus irmãos. Gostaria também de ajudar alguns dos meus primos, mas há outros para os quais me estou francamente a cagar... Não ajudava esses, ou ajudava "menos", criando graves "incidentes diplomáticos"? Ajudava-os a contragosto só porque tinha ajudado os outros? De repente ia ter primos muito amiguinhos só porque lhes tinha passado guito para a mão? Onde é que vai parar a verdade das relações entre as pessoas num caso destes?
Claro que estou a falar em família mas aplica-se a toda a gente. De repente, em muitos casos, deve-se deixar de perceber bem quem é quem, porquê que as pessoas se dão connosco.
Ajudar instituições de caridade por exemplo... ya, mas quais? Dá-se dinheiro e ele vai para quem precisa ou para encher os bolsos de quem organiza? Ouvimos falar em tanta aldrabice...
Comprar coisas... confesso que até gramava ter uns trapitos que não deformassem ou perdessem a cor nas lavagens... mas onde é que está a fronteira? O que me garante que ás tantas, podendo, não estivesse a comprar farpelas de duzentos contos? E para quê?
Ou de facto a dar ao meu filho tudo o que ele me pedisse? Será que isso o iria fazer mais feliz? Duvido muitíssimo... Acho bastante mais importante enchê-lo de beijos do que de prendas... e quando há a possibilidade de vir uma prenda "na ponta" do beijo será que ele sabe ao mesmo?
Ás tantas devem ser só preocupações, como gerir o dinheiro, a quem dar, o que dar, quanto dar, o que comprar, o que não comprar... Ia sentir o peso do mundo nas costas.
Se calhar sou mesmo uma anormal, mas não quero "ser rica" não...



06 Money Song.wma -

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Terapia da fala

A minha mãe ultimamente gosta muito de dizer que chegou à conclusão de que "a falar é que a gente não se entende" o que, devo confessar, muito me irrita...
Repete-o tanto que me pôs a pensar.
Será que ela tem razão?

Quanto mais penso sobre o assunto menos de acordo estou com ela.
Sempre resolvi os assuntos na minha vida conversando.
E quando não conversei, não os resolvi.

"Falar" por escrito é um pau de dois bicos.
Tem a vantagem de não se ser interrompido, de se poder expor o nosso ponto de vista do princípio ao fim sem que haja divagações pelo meio, é mais fácil seguir um raciocínio.
O facto de não se estar cara a cara também pode eventualmente ajudar a deixar sair assuntos mais "delicados".
Tem também a seu favor o facto de se poder dizer coisas que eventualmente irão despoletar emoções sem que a outra pessoa esteja presente, dando-lhe assim o tempo de reagir perante essas emoções em privado e de pensar nelas antes de responder, se for caso disso.
É no entanto perigoso porque se corre o risco de ser mal interpretado.
Nem sempre conseguimos ser claros nas nossas exposições.
Se a outra pessoa estiver à nossa frente reage ao que dizemos e mais facilmente podemos perceber se estamos a conseguir transmitir realmente o que queríamos.
Quando não é o caso podemos estar a seguir uma linha de pensamento que está a ser levada para "sítios" que nem imaginamos.
Por outro lado, havendo reacção, ás vezes podíamos poupar muito tempo em exposições/explicações ás vezes inúteis. Podemos por exemplo estar nós próprios a reagir a uma coisa que na realidade não aconteceu (um acontecimento, um pensamento/reacção da parte do outro ou mesmo um mal entendido inicial...) se fossemos informados desse facto no início poderíamos poupar o nosso latim...
Para além de tudo isto corre-se o risco da nossa "conversa" ser "apanhada" por alguém a quem não era dirigida o que pode gerar ainda mais confusão.

Mas enfim, isto era só uma divagação sobre a conversa escrita, o assunto era mesmo a conversa em geral...
Perguntei-me porque seria que a minha mãe teria esta ideia, quanto a mim absurda...
Cheguei à conclusão de que se calhar não é tão absurda assim... há talvez algumas pessoas (ás vezes circunstancias) com quem não vale a pena falar. Agora isto não quer dizer que "a gente" se entenda não falando. O que provavelmente quer dizer é que, com essas pessoas (ou nessas circunstancias) não há de facto qualquer entendimento possível.
São uma espécie de papagaios das relações humanas.
Dizemos-lhe "bom dia".
Respondem "bom dia".
Continuamos "estás bom?"
Respondem "bom dia"
Tentamos "como é que te chamas?"
Respondem "bom dia, cruáááá"
Estou na brincadeira mas é de facto como me sinto ás vezes...

Há gente que simplesmente não reage à nossa conversa.
Acho que na realidade não a ouve... vai repetindo as mesmas coisas over and over again sem nunca ouvir o que temos para dizer, sem nunca pensar nisso.
Tive um bocadinho essa sensação em algumas das minhas separações (neste caso é circunstancial, não tem a ver com as pessoas em questão) tentei falar, dialogar, explicar e dei de caras com paredes. Acho que simplesmente nunca ouviram o que eu estava a dizer... A prova é que, depois de dezenas de horas de explicações, continuavam a perguntar "porquê?".
Mas ás vezes é mais grave, há pessoas que são mesmo assim.
Tenho neste momento um assunto de trabalho "pendente" porque o interlocutor é "desses". Tem sempre razão e raramente se engana, é das pessoas mais prepotentes que alguma vez conheci e pura e simplesmente não ouve...
De facto, nestes casos, "a gente a falar é que não se entende", quanto muito desentende-se ainda mais... o que não quer dizer que se entenda se não falar.
O melhor mesmo é desistir, proteger-se e "seja o que Deus quiser"...

Agora que não haja dúvidas de que não falar pode ter consequências sérias...
Muitas pessoas se acham grandes juízes do que se passa na cabeça alheia.
Isto pode dar tanto azo a mal entendidos como a tal "conversa escrita".
Por muita intuição que se tenha esta nunca é infalível e se não se puserem as coisas em pratos limpos vai-se andando, mas anda-se muitas vezes coxo.
Eu acredito no falar para resolver situações.
Sempre que não falei saiu-me o tiro pela culatra.
Ainda tenho cicatrizes de situações provocadas por coisas que "não disse", pelo menos na altura em que devia ter dito e que mais tarde são irrecuperáveis.

É desgastante ás vezes falar, esclarecer as coisas...
Confrontamos situações em que era mais fácil ás vezes "esconder o sol com a peneira", fazer de conta que não existem.
Ou achamos que vamos estragar "a magia" de alguma coisa.
Ou então que podemos "estragar tudo" levantando certas questões.
Ás vezes ouvimos coisas de que não gostamos... mas quem sabe se não era necessário ouvi-las?
Obriga a por em questão as nossas ideias, os nossos sentimentos...
Nem sempre é fácil falar, ás vezes temos a sensação de estar a falar com a(s) outra(s) pessoa(s) numa língua diferente...
Ou há agressividade, ressentimento, dor, insegurança à mistura o que não é fácil de enfrentar.
Mas se se conseguir falar, sobretudo se se conseguir escolher o momento mais certo (ou ás vezes "menos errado") para o fazer, resolve-se de facto a maior parte das questões.
Evita-nos ás vezes de desistir de coisas que são importantes para nós ou pelo contrário de insistir em coisas de que na realidade deveríamos desistir.
Ajuda-nos a ganhar "SABEDORIA PARA PERCEBER A DIFERENÇA"...
Eu continuo a acreditar que, sendo possível, é bom falar de tudo e mais alguma coisa...


quarta-feira, 25 de abril de 2007

"The Net"

Costumo dizer que vivo com uma rede de segurança...
Acabou de se provar que tenho razão.
Neste post não vou expor teorias nem ideias, só quero agradecer...
Se acredito que é importante, queixar-se, reclamar, impor-se, "dar murros na mesa", quando é caso disso, mais ainda acredito que é importante agradecer.
Costumam dizer-me que "não é preciso", mas eu acho que é.
É tão importante que as pessoas tenham noção do bem que fazem como do mal...

Como dizem os bifes "when it rains, it poors"...
Foi o que começou a acontecer no passado fim de semana.
Não aconteceu nada de muito grave, mas ouve uma sucessão de pequenas coisas que no conjunto me fizeram perder completamente a compostura.
Mais uma vez, como dizem os bifes "I lost it"...
Então a minha rede entrou em acção.
Como já tinha acontecido noutras ocasiões, senti-me completamente apoiada, acompanhada, mimada... é bom.
É muito bom sentir que as pessoas que estão à nossa volta "care".
A essas pessoas, ás que têm estado "comigo" nestes momentos mais complicados, mas também ás que já estiveram noutros, quero então agradecer.
Mais uma vez se prova que não é em vão que dou tanta importância ás amizades.

Queria fazer aqui uma observação, nas amizades de que falo estão alguns membros da família. Lá porque somos familiares não temos de ser amigos e uns são outros não...

A realidade é que nestes últimos dias fui abraçada por quem nunca me tinha abraçado, "and god knows that I needed it..." Aguentaram as pontas, que nem uns heróis, de situações com que eu não pude ou não soube lidar. Abdicaram do seu sono, do seu descanso, do seu trabalho, das suas comemorações, para me apoiar. Tomaram conta do meu filho quando eu não estava em estado de o fazer. Pouco ou nada estive sozinha quando era de facto a última coisa que queria estar. Apaparicaram-me com comidinhas boas. Nas questões financeiras uns deram-me ajuda outros esperança (e ajuda também). Vieram quando os chamei e quando não chamei, só porque sentiram que era importante. Até as mijas da cadela se dispuseram a limpar para me dar abertura para poder resolver os meus problemas.
Isto são amigos...
Muito obrigada, do fundo do coração...

les copains dabord - George Brassens

sexta-feira, 13 de abril de 2007

O efeito CocaCola Light + Mentos

A todos nós salta a tampa de vez em quando...
A questão é... a quem é que isso serve, a quem é que faz bem?
Será que nos alivia?

Vou-vos contar uma coisa que se passou hoje de manhã.
O Pedro acordou muito cedo, como tem vindo a acontecer há uns meses.
Eu tinha-me deitado tarde ontem...
Levantei-me e perguntei-lhe se me podia deitar um bocadinho na cama com ele.
Ficou todo contente.
Ficámos ali os dois na ronha durante cerca de cinco minutos.
Deu-me beijinhos, abraçou-se a mim, deu-me festinhas... claro que não consegui dormir, mas foi muito querido.
Então disse que tinha fome.
Levantei-me ainda meio estremunhada e disse que ia buscar a papa.
(ele de manhã bebe um biberon de Cerelac , normalmente ainda na cama... mas chut, não comentem que ele não gosta que se saiba, acha que é coisa de bebé... a mim, como devem supor, dá-me muito jeito...)
Ele disse que também queria vir, não é costume.
Eu estava aflita para fazer xixi e disse que ia só à casa de banho primeiro.
Ele disse que também queria fazer xixi.
"Ok, querido, então vamos cada um à sua e encontramo-nos aqui no corredor, está bem?"
Quando saí da casa de banho não o vi...
Vi no entanto a Bit (a nossa recém adquirida cadelinha de dois meses) a subir a escada.
"Pedro, onde é que estás? Porquê que soltaste a Bit?"
(visto que "soltar a Bit" implica começar o meu dia a limpar mijas pela casa, só costumo fazê-lo quando já estou mais acordada, depois do Pedro tomar o pequeno almoço...)
"Estava à tua procura, julgava que estavas com ela na casa de banho..."
Ao descer as escadas, ainda com os olhos meio fechados, deparei logo com uma mija no patamar.
Comecei logo a ficar irritada...
"Ó Pedro, não podes fazer isso querido... não podes soltar a Bit sem me pedir... porca Bit, aqui não se faz xixi!!! ... Agora vou ter de limpar isto antes de te aquecer a papa..."
Fui à cozinha, peguei na esfregona, subi as escadas, limpei a mija, voltei para a cozinha.
A Bit veio atrás de mim.
Quando cheguei à cozinha o Pedro gritou: "Mãe, cocó!!!"
Voltei para trás, a cadela veio ter comigo...
Ao vir ter comigo pisou o referido cocó, ficou com as patas todas sujas.
Depois preparava-se para saltar ás calças de pijama do Pedro.
Tive de me "atirar a ela" para o evitar.
De repente, ás oito da manhã, já tinha limpo uma mija, tinha a entrada cheia de merda e uma cadela com as patas sujas a contorcer-se na ponta do meu braço...
Passei-me!
"Pedro, bolas, que chatice, não podes fazer isto... mas o quê que te deu? Por que raio é que lhe foste abrir a porta? Merda! Agora como é que eu limpo isto? Vai já lá para cima para não pisares nada... "
E ia avançando para o armário onde tenho as "dodots de cão", com muito cuidado para não deixar cair a cadela ao chão, para ela não me sujar e para não pisar merda...
Com a gritaria o Zé acordou...
O Pedro foi amuado para o quarto, quase a chorar...
Eu fiquei a "clean the mess"...
Desagradável, não?

Pois acreditam que o resto da manhã me correu todo mal?
Atrasei-me para um encontro que tinha com um senhor da Vodafone.
Fui a uma oficina para pedir um orçamento para arranjar o meu carro e o senhor não estava lá.
Decidi então, já que estava perto, ir tomar um café com a minha irmã para descontrair e ela também não estava.
Voltei para casa e recebi a resposta do meu irmão a um mail meu, verificando que tinha percebido tudo ao contrario e que, provavelmente eu tinha "hurt his feelings"...
Grunf!!!

Karma?
Não sei...
O que sei é que enervar-me não serviu absolutamente a ninguém...
Fiquei cheia de problemas de consciência por ter gritado com o meu filho.
Apesar de tudo ele não fez nada por mal coitadinho.
Acordei o Zé que ainda poderia ter dormido mais um precioso quarto de hora.
Não me evitou ter de limpar tudo de qualquer maneira.
E sobretudo... tive um início de dia, de merda!

Acham que não podia ter feito de outra maneira?
Estão muito enganados...
Tudo isto se controla, é uma luta que venho a ter há muito tempo comigo própria e que, regra geral tenho ganho.
Aparentemente tinha todas as desculpas para que me saltasse a tampa.
A realidade é que era muito melhor que não tivesse acontecido.
Perdi esta batalha mas acho que posso vencer a guerra.
Desde que tomei consciência de que estas coisas são profundamente negativas já tenho ganho muitas batalhas.
I'll keep trying, e aconselho todos a fazer o mesmo.
E sobretudo a desculparem-se, como estou a fazer neste momento, por cada batalha perdida. Haverá sempre mais uma...

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Religiões, Gurus, Seitas & Santolas...

Não queria continuar a escrever neste Blog sem abordar este assunto, visto que tem tudo a ver com tudo o resto de que possa falar...

Não me considero uma pessoa religiosa tenho no entanto uma enorme em montes de coisas.
Investiguei um bocado antes de escrever este post, para não dizer demasiados disparates... (como me disse um Senhor Professor Doutor de Coimbra, que entrevistei para um trabalho: "Ó filha, tu dizes disparates com muita naturalidade..." LOL...) e sobretudo para conseguir explicar-me o melhor possível.

Cheguei à conclusão que, se tivesse de facto de me enquadrar em alguma coisa, aquilo com que mais me identifico é com o "Humanismo Secular". (nome pomposo, não?LOL)
O senão é a questão da Fé... eu acho que, apesar de tudo, uma certa dose de Fé é de facto importante...
De qualquer maneira, felizmente, não sinto necessidade de me "enquadrar" em lado nenhum.

Notem que não tenho nada contra as religiões, acho que biliões de pessoas não podem estar todas "erradas"... E acho francamente melhor acreditar em alguma coisa, seja ela qual for, do que não acreditar em nada.
É só que, como dizia um amigo meu; "quando vejo gajos de barba vestidos de branco, desconfio..." LOL
Este comentário, por acaso, não tinha nada a ver com religiões, era a propósito deste site que tinha muito para ser um bom destino de férias, não fora o tal do Guru das barbas e o espírito esotérico da coisa...

Eu pessoalmente não alinho em grupos... pelo menos não nesse tipo de grupos... LOLOLOLOL Just kidding...
Agora a sério, faz-me confusão a onda guru.
Se o "guru" for um padre católico ou o Dalai Lama, continua a fazer-me confusão...
O que não quer dizer que não possam transmitir ideais mais do que válidos e que façam imenso sentido para certas pessoas.
Só que eu gosto de tirar as minhas próprias conclusões, baseadas na minha cabeça e na minha experiência de vida...

Ou seja, vivo segundo certos princípios, relativamente aos quais não consigo obter qualquer tipo de "provas", mas nos quais acredito profundamente.
Alguns desses princípios existem em várias religiões...
Acredito por exemplo que não se deve matar.
Mas com um que outro senão, apesar de tudo.
Mato pulgas, carraças e melgas, por exemplo...
Acho muito bem que tenham abatido os Rotweillers que mataram aquela senhora em Sintra, eram um perigo, apesar de provavelmente não terem culpa de serem o que eram, de terem sido "educados" assim, para atacar...
Acredito também na "Declaração Universal dos Direitos do Homem"... se bem que "acreditar" neste caso não se aplica bem... digamos antes que subscrevo.
Mas tudo isto é bastante "universal"... julgo que no geral todos nós acreditemos nestas coisas.

Então onde é que está a diferença? Onde é que estou a querer chegar?
É que há duas coisas em que acredito, e pelas quais rejo a minha vida há muito tempo, que estou convencida de que sejam o "segredo" para a felicidade...
Curiosamente tinha empiricamente estas ideias, ou melhor aplicava-as ao meu dia a dia sem pensar muito sobre o assunto, e descobri recentemente que já se pensou/falou/escreveu muito sobre elas e que há inclusivamente muita gente a reger-se pelo mesmo...
Eles andem aí... Huuuuuuuu!!!!

Uma delas é aquilo a que pelos vistos chamam a "Lei da Atracção", e não, não tem nada a ver com a "Atracção Fatal" nem sequer com sexo... LOL
Eu costumava pensar "nela", antes de ler sobre o assunto, mais numa onda de "o melhor é nem pensar nisso, senão pode acontecer" para as coisas más, ou "se eu "pedir" com muita força acontece" para as boas...
A realidade é que funciona...
Não o posso, nem quero, provar.
Tenho-o intuído ao longo dos anos.
Tenho lido e falado sobre o assunto recentemente.
Para mim é simplesmente "um facto", tipo dois e dois são quatro...

Já diz o ditado popular "uma desgraça nunca vem só..."
Quem é que ainda não reparou que quando andamos down parece que tudo nos cai em cima?
Fala-se em "energia positiva", em "boa onda"... acho que tudo tem a ver com a mesma coisa... nós de facto temos o "poder" de atrair as coisas... as boas e as más...
Como?
Não faço a mais pequena ideia, e francamente também não preciso de grandes explicações.
Comprovei-o na pratica e basta-me...

A outra coisa é aquilo a que chamam "Karma" e a que eu também não chamava nada...
Também não posso nem quero provar, também não faço ideia de como "funciona", mas a realidade é que, pela minha observação da vida, funciona sim...
Com os anos fui observando que quanto "melhor me portava" melhor me corria a vida.
As coisas não parecem estar relacionadas, não parece haver relações directas pelo menos.
Ou seja, hoje posso ser bera para o meu filho e amanhã a minha cadela fica de caganeira...
A realidade é que, quanto mais porreira eu sou com os outros mais porreiros os outros parecem ser comigo. E não são obrigatoriamente os mesmos "outros".
Quanto mais faço pela vida, mais a vida faz por mim.

Tenho andado a ver uma série hilariante baseada nesse tema, no Karma, chama-se "My Name is Earl". De uma maneira absolutamente caricatural explica muito bem o que estou a tentar dizer...
É um gajo que nunca fez nada "de bom" na vida, rouba, engana, chateia, etc... Um dia tem uma raspadinha premiada, é atropelado, perde a raspadinha que tinha na mão e vai parar não sei quanto tempo ao hospital. Enquanto lá está, completamente drogado com analgésicos, vê um programa de televisão em que o entrevistado diz que a vida lhe corre bem porque ele a baseia no Karma. O Earl, chega à conclusão de que tudo lhe corre mal basicamente porque é um verdadeiro filho da puta... Faz então uma lista com todas as coisas "erradas" que fez e vai passar toda a série a tentar compensa-las. Quando consegue, a vida corre-lhe bem, quando não consegue, corre-lhe mal.
Claro que as situações são completamente caricaturais, não fosse isto uma série cómica, mas a ideia está lá.

Ou seja, se tivermos pensamentos positivos, a vida é positiva.
Se formos basicamente boas pessoas, a vida é boa.
Simples não?
Parece muito óbvio... mas para muita gente não é.
Quanto mais não seja porque as noções de "bom", "porreiro", "pensamento positivo", etc não são propriamente evidentes.
Muita gente julga estar a seguir este caminho e não se dá conta sequer de que espalha "o mal" à sua volta.
O mal pode ser egoísmo, stress, indiferença, conflito, intriga, you name it...

Mas, como já disse, nada disto se prova, nada se explica.
Ou se sente ou não se sente, infelizmente.
Conheço pessoas com verdadeiro potencial para serem felizes, que não o são, quanto a mim por não terem noção do que acabo de dizer.
E julgo não haver maneira de as fazer perceber, acho que só se chega lá mesmo sosinho...

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Micro/Macro e complementaridade

Não se deixem iludir pelo título que vão perceber o que quero dizer... isto não é o Mataspeak... LOLOLOLOLOL

Ontem vimos um filme (aliás, vimos meio filme, que é comprido como o caraças e à uma da manhã resolvemos deixar o resto para outras núpcias...) de que gostei bastante.
Para quem esteja interessado é o Beyond Borders, com a Angelina Jolie.
Bem, o filme trata basicamente de ajuda humanitária.
É um grupo de malta que anda pelo mundo a ajudar.
Até ao ponto onde vimos, já tinham estado em África e no Vietname (ou Cambodja, já não sei...).
Um era médico, os outros nem por isso, e andavam juntos nessa guerra contra a miséria humana, a vacinar, tratar, alimentar, toda aquela gente perfeitamente desprotegida...

Dei por mim a pensar que gostava de fazer qualquer coisa do género... não em zonas de conflito, como era o caso no filme, que não tenho vocação para "reporter de guerra", mas num sítio menos perigoso, pelo menos a esse nível.
Fui para a cama a pensar nisso, apesar do sono e do atraso a limpar mijas da cadela...
Cheguei à conclusão de que não iria.
Fiquei confusa...
Senti tanta empatia com aquela gente, então não ia porquê?
Não ia porque tenho um filho.
Porque acho que as duas coisas não são compatíveis...

Hoje passei o dia, entre outras coisas, a pensar no assunto.
E cheguei a uma conclusão: hà gente para tudo.
Tenho estado a falar em voluntariado e ajuda, mas aplica-se na realidade a muito mais coisas...
Cada vez mais me dou conta de que existem vários mundos por aí.

Lembro-me uma vez, ainda eu namorava com o meu futuro-ex-marido, de estar a ir para Coimbra de comboio...
Tinha um teste de História da Arte na semana seguinte e estava a estudar.
Ás tantas levantei os olhos do livro, virei-me para um amigo que ia comigo e comentei qualquer coisa do género "que giro, sabias que o Picasso, blá, blá, blá...?"
Ficámos um bocado a falar sobre o assunto e voltámos a mergulhar cada um no seu livro.
O amigo em questão também estava a estudar... física.
Ele ás tantas voltou a levantar os olhos do livro e disse "sabes, tenho imensa inveja tua... eu também gostava de poder falar sobre o que estou a ler, mas tu não ias perceber nada..."
E era um facto.
Não teria percebido na altura, nem agora, nem nunca...
Nem isso nem uma data de outras coisas...

Ou seja, há uma data de malta que trabalha em campos cujo conceito eu nem consigo perceber quanto mais o detalhe...
O que que faz exactamente um físico de partículas?
Ou um engenheiro genético?
Como é a vida de um atleta profissional?
De um militar?
De um Astronauta?
De uma dona de casa com dez filhos?

Eu trato das finanças de minha casa, há quem trate do orçamento geral de estado...
Eu ponho betadine nas feridas do meu filho, há quem faça cirurgia cerebral...
Eu dou ordens à minha cadela, há quem dê ordens a um exercito...
(o micro e o macro tinham a ver com esta parte, caso não tenham percebido)
Ou seja, por este mundo fora há gente para tudo.
Há gente com tarefas em grande escala e gente com tarefas em pequena escala.
Há gente com vocação para coisas tão diferentes que parecem de facto mundos diferentes, ao ponto de, como no meu exemplo do comboio, ás vezes até ser impossível o diálogo...

Dando outro exemplo relativo a voluntariado, uma coisa que, como já devem ter percebido me atrai bastante.
Neste momento não tenho vida para fazer nenhum, mas há anos que ando a considerar a ideia.
Não era capaz, por exemplo, de trabalhar numa União Zoofila, por muito que goste de animais... Tenho o maior respeito e admiração por quem o faz, mas eu não era capaz. Ia ficar doente a pensar nas condições em que viviam os bichos...
Sinto-me no entanto capaz de trabalhar no IPO. Estranho não? Mas acho que tenho estômago para tentar alegrar alguém doente. Para deixar cravar as unhas de alguém com dores na minha mão porque sei que alivia. Para acompanhar alguém para que não morresse sozinho.
Uma coisa é mais válida do que outra? Não me parece...
A dona de casa com dez filhos tem menos valor do que o astronauta?
Não me parece também.

Cada um deve fazer o que sabe, o que pode, aquilo para o que sente vocação.
Eu sentir que, se fosse fazer voluntariado para Africa, ajudar aqueles meninos que não têm ninguém, que não têm nada, me ia impedir, a mim, de fazer um bom trabalho relativamente ao meu próprio filho é condenável?
Também não me parece.
Cada um sabe de si.
Há de haver quem consiga conciliar as duas coisas, eu sei que não conseguiria, não tenho coragem, energia, força para tal.
Se fizesse uma coisa ia garantidamente descurar a outra...

Mas será que não estou a criar um voluntário para ir para Africa? Ou um cirurgião? Ou um astronauta? (espero que não "uma"mãe de família, mas mais uma vez cada um sabe de si... LOL)
Ou seja, o que é importante é que haja de facto gente para tudo.
Que uns descubram a cura para as doenças e outros as apliquem.
Que uns investiguem a maneira de ir ao espaço e outros lá vão.
Que cada um dê o máximo de si, perceba o que gosta de fazer, o que é capaz de fazer e depois o faça bem...

Desta vez, mal ou bem, estava inspirada.
Ainda hei de voltar, nesta onda, ao tema daquele meu outro post que foi um flop total... LOL

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Falta de inspiração

Pois...
Como já devem ter reparado, ando com falta de inspiração...
Demasiadas coisas em mãos ao mesmo tempo, não tenho conseguido sentar-me para escrever com calma.
Mas, como me foi sugerido a seguir ao meu último post, mais vale fazer o que estou a fazer neste momento, que é basicamente anunciar que não tenho nada para dizer, do que escrever a merda que escrevi da última vez.
Claro que quem mo sugeriu não falou desta maneira, que é uma pessoa muito diplomática e educada... ; )
Estou no entanto consciente de que, apesar do tema ser bom não consegui fazer nada de jeito com ele.
Como vejo que têm cá vindo, peço portanto as minhas desculpas e espero em breve voltar ao meu "old self".
Bjs
C