quarta-feira, 25 de julho de 2007

Realidades alternativas

No passado fim de semana, estivemos com um casal que foi carinhosamente apelidado por nós de "casal alternativo"... ; )
São pessoas doces, calmas, com um ar sereno e pacífico.
Levaram o "carimbo" de alternativos devido a ideias várias que foram partilhando connosco.

Só para terem uma ideia do que estou a falar;
Tiveram a terceira filha em casa (assistidos por uma parteira e uma doula) e fazem a apologia do parto natural, em ambiente reservado, fora da confusão e desumanização dos hospitais.
Não vacinam os filhos, apostando nas imunidades naturais.
Têm um pediatra tradicional e um medico alternativo a seguir as crianças. Costumam consultar os dois e optar pelo conselho que lhes pareça fazer mais sentido.
Em tudo, aliás, confiam na intuição.
Não se assumindo como vegetarianos, macrobióticos, etc, têm um extremo cuidado com a alimentação, estudando sobre o assunto e pondo em pratica no dia a dia o que vão aprendendo.
Acreditam que se os pais estiverem bem as crianças estão bem, não parecem preocupar-se com as pequenas contrariedades do dia a dia.
Os miúdos andam "à solta", sem grande controle ou limitações da parte dos pais.
Enfim... não vou continuar a descreve-los ad eternum...

A certa altura, comentaram o facto de a Europa ser "a Disneylandia do Mundo". Diziam que a maior parte de "nós", com os nossos frigorificos, telemoveis, carros, supermercados, etc... não se dá conta de como a esmagadora maioria "do resto do mundo" vive, em que precárias condições.
E ficaram com um ar triste, angústiado, culpado quase de terem aquilo a que esses outros não têm acesso...

Lembrei-me logo de um livro que li há tempos, "A flor do deserto", de uma senhora chamada Waris Dirie. Nasceu na Somalia, numa família nómada e fugiu para a "Disneylandia do mundo" tornando-se manequim profissional.
Foi submetida a uma excisão quando tinha cinco anos e luta hoje activamente contra a mutilação sexual feminina.
A sua infância não teve, sem dúvida, rigorosamente nada a ver com a dos nossos filhos.
O seu presente deve ser bastante semelhante (talvez com uns euritos a mais na conta LOL) ao de qualquer um de nós.

Não tenho qualquer dúvida de que, se tivesse de voltar à vida que levava na Somália, seria profundamente infeliz. A questão é... será que o era enquanto lá estava?
Dir-me-ão "claro que sim, senão não se tinha pirado"... ou "estás-te a passar ou quê? Excisão??!!! Hello??!!"
Não, ainda não estou completamente estúpida e não era obviamente disso que estava a falar...
Ela fugiu porque não se queria casar com um velho que o pai lhe arranjou. E não há qualquer hipótese de eu defender que a excisão possa trazer qualquer tipo de felicidade...
Mas enquanto nada disto aconteceu?
Nasceu "em casa" (que é como quem diz na moita), não foi vacinada, não comia "porcarias ", vivia em liberdade, na natureza, no meio dos animais...
Enfim... suponho que estejam a ver onde quero chegar... ; )

Aquela criança não conhecia mais nada, não tinha termo de comparação. A vida dela era "aquilo", uma existência muito básica. Viveu uma vida dura (com três anos já ia pastar rebanhos, por exemplo), difícil, mas que não descreve como sendo "horrível", até lhe acontecer o que aconteceu e que despoletou a fuga...
Este tipo de realidade, em que vive grande parte do mundo, tem muito em comum com aquilo a que aspiram "os alternativos". Comunhão com a natureza, regresso a uma existência mais básica (no bom sentido), mais desprovida dos malefícios da sociedade moderna, dos corantes, dos conservantes, das microondas, da poluição, do stress...

Não estou de forma alguma a defender a miséria, a fome, as guerras ou as excisões... não estou a dizer que não haja pessoas a viver de forma sub-humana... só que há realidades alternativas sim, mas que não são obrigatoriamente tão más como possam parecer à primeira vista.

Quando andava no liceu, namoradeira como era, tinha uma "rival"... uma miúda giraça, com boa pinta, inteligente, muito cobiçada pelos meninos... Não me lembro se alguma vez lhe dirigi a palavra...
Há tempos "reencontrei" essa miúda, que já não é miúda nenhuma mas uma velha como eu (LOLOLOLOLOLOLOLOL) e tornámo-nos amigas.
Descobri então que, enquanto eu saltava alegremente de nenúfar em nenúfar, numa adolescência preocupada exclusivamente com coisas perfeitamente idiotas, ela tinha ficado sozinha em casa com uma mãe abandonada pelo marido, depressiva e alcoólica, que não conseguia tomar conta dela própria quanto mais de uma filha... Era esta que tomava conta da casa, que limpava, que cozinhava, que se preocupava com as contas por pagar...
A sua auto estima estava tão em baixo que nem se dava conta de que tinha direito ao título de rival, de que era apreciada, gabada, invejada... Pudera!
Esta rapariga andava, como já disse, no mesmo liceu que eu, tinha a minha idade, era do mesmo extracto social... e no entanto... que realidades tão diferentes!

A tendência, quando se fala em sofrimento humano é "ir" para zonas de fome, de guerra, de tortura. Mas até na porta ao lado existem realidades alternativas. E estas não têm obrigatoriamente a ver com questões sociais...
Temos os nossos filhos em casa, saudáveis e felizes e há pais que "vivem" nos hospitais, com crianças doentes, deficientes, moribundas... não é preciso ir a um hospital em África para ver miséria humana.

Não digo que devamos apoiar os lobbys das farmacêuticas, a corrupção, a exploração humana, as injustiças sociais ou as guerras... Mas também não me parece muito sensata esta obsessão com "a miséria do terceiro mundo". Em todo o lado há pessoas a viver nas piores situações imagináveis, em todo o lado há sofrimento... sofrimento físico, sofrimento psicológico. Que tal começarmos por olhar para a casa ao lado?






segunda-feira, 2 de julho de 2007

Carpe Diem... the big picture

"Carpe Diem"... desde que vi o Clube dos Poetas Mortos (confesso que antes não conhecia) que sinto uma ligação muito forte com estas palavras...
Segundo pesquisei na Net: "Carpe Diem" quer dizer "colha o dia". Colha o dia como se fosse um fruto maduro que amanhã estará podre. A vida não pode ser economizada para amanhã. Acontece sempre no presente."
É um sábio conselho que para mim faz todo o sentido...

Desde há muito tempo que tenho intuitivamente uma clara noção da efemeridade da vida.
A realidade é que grande parte das vezes a morte não se faz anunciar... Num dia estamos por cá e no seguinte quem sabe onde estaremos. Bem diz "ele o povo" (LOL), "vive a tua vida como se não houvesse amanhã, um dia acertas".

Notem que falo em morte mas poderia falar em doença, enfermidade ou qualquer outra fatalidade daquelas que nos "revolucionam" a vida... para drasticamente pior, claro está.
E não só a nossa vida... também a dos que nos rodeiam nos afecta, dos nossos pais, dos nossos filhos, dos nossos irmãos, dos nossos amigos...
Quando nos despedimos de alguém não sabemos se o voltaremos a ver, ou em que estado. Mais vale aproveitar em pleno os momentos que passamos juntos.

Mesmo sem recorrer a ideias tão dramáticas, a realidade é que a vida não pára, não recuperamos o tempo que "perdemos". Se não aproveitar-mos o dia a dia para fazermos algo por nós, pela nossa vida, pela nossa qualidade de vida, pela nossa felicidade, um dia acordamos e a vida passou-nos ao lado. As inercias, as preguiças,
os medos de fazer aquilo que sabemos querer fazer, trazem-nos frustração no presente e desânimo conforme este se vai transformando em passado. "Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje..."
É do presente que se constrói um passado, não do futuro.

Não estou de forma alguma a fazer a apologia do "não olhes para a frente, sê inconsciente, não faças planos, não tenhas objectivos"... Tudo o que fazemos hoje terá sem dúvidas implicações amanhã e isso tem obviamente de ser ponderado. Isto tanto é válido para o comer um quilo de cerejas que nos vão provocar uma real caganeira como para o despedirmo-nos do emprego.

Agora se "colhermos o dia como se fosse um fruto maduro que amanhã estará podre", se tivermos noção de que o que de bom temos hoje pode já lá não estar amanhã, isto ajudar-nos-à a fazer as opções mais "correctas". E "o que de bom temos hoje" pode ser a nossa juventude, a nossa saúde, a nossa autonomia, a nossa própria vida. Não devemos "perder tempo" com caminhos que nos "fazem mal". Se não estivermos com pressa, porque havemos de escolher a autoestrada em vez de ir pela marginal a ver o mar?

Mas para além do "carpe diem", do "colher o dia", do aproveitar ao máximo o que de bom a vida tem para nos dar, há mais uma razão para vivermos HOJE...

Todos nós temos problemas, assuntos para resolver... dúzias deles, pequenos, grandes, médios...
Muitos deles não podem ser resolvidos "na hora", implicam tempo, trabalho, paciência... não se fazem, vão-se fazendo... Ora isto ás vezes é absolutamente desesperante...
Eu que o diga que ando há anos a lutar contra a minha pelintrice, por exemplo... LOL

O que quero dizer é que quando se olha para o "big picture" às vezes é realmente assustador... Vemos uma montanha à nossa frente, cheia de obstáculos a ultrapassar e falta-nos o folego...
O viver o hoje, um dia de cada vez (como os alcoólicos anónimos), um passo de cada vez, permite-nos manter as forças. Ou pelo menos não as desperdiçar.

Para começar, o dia só tem 24horas, quer queiramos quer não, e "Roma e Pavia não se fizeram num dia"... Não vale portanto a pena querer "meter o Rossio na Rua da Betesega". (esta foi só para os curiosos como eu, que não sabia onde era a porcaria da rua... LOL) E mais, "grão a grão enche a galinha o papo"... LOLOLOLOLOL
Falando sério... (juro que não bebi nada, é mesmo só estupidez natural...) temos tendência para ver os ditos problemas (ou coisas a resolver) como um todo, o que no fundo não está errado. A realidade é que a maior parte das vezes estes têm de ser resolvidos por etapas, um pé à frente do outro, um passo de cada vez. Não há teleportes infelizmente. Ora se continuarmos a olhar para a montanha desesperamos.

As coisas estão sujeitas a tempos de reacção, reacção nossa, reacção dos outros. Se estivermos sempre a "jogar xadrez", a antecipar mentalmente as situações, a tentar visualizar todas as hipóteses, a querer prever tudo o que possa acontecer e tudo o que poderemos fazer a esse respeito, damos em doidos.

A ideia é portanto escolher um rumo e ir seguindo a bússola... calmamente, lidando com o que se nos vai deparando pela frente, as tempestades, a bonança, os ventos contra ou a favor... e já agora ir apreciando a paisagem : )
Carpe Diem !





sexta-feira, 22 de junho de 2007

domingo, 17 de junho de 2007

O ser mais feliz do mundo...

O meu Guru Lançador de Santolas mandou-me um artigo sobre "O ser mais feliz do mundo"...
Começa com as seguintes afirmações:
"O que é a felicidade? Esta é uma das interrogações mais antigas do ser humano, que deu não poucas dores de cabeça a poetas e filósofos. A ciência moderna pensa estar apta a responder, pelo menos parcialmente, a esta questão."

Poetas? Filósofos? A ciência moderna???!
Oh, My God... para quê tanta complicação???
Muito gostam as pessoas de tentar explicar tudo...
Quem é feliz sabe que o é, quem não o é também o sabe. Não me parece que haja qualquer necessidade de definir a felicidade.
É um pouco como tentar explicar Deus...

A felicidade é aliás, na minha humilde opinião, tal como Deus, uma questão de fé.
Só poderá atingi-la quem acreditar nela...
Quando afirmei ser feliz, deram-me os parabéns, ficaram "felizes" por mim, mas não sei se acreditaram de facto que o sou profundamente...
Vêem-me tantas vezes em baixo, ca neura (LOL), angustiada, ansiosa, triste... que acho que devem ter pensado "Feliz... aham... pois sim..."

O meu post que, de longe, mais comentários teve, que mais polémica gerou, foi aquele sobre a riqueza... Confesso que fiquei um bocado triste...
Não vou voltar a falar sobre o tema, mas o grande debate que provocou, leva-me a crer que a maior parte das pessoas acredite que a felicidade depende de factores externos...
Eu não acredito!

Os estrangeiros, quando falam a nossa língua, tendem a confundir o "ser" com o "estar"... No capítulo felicidade acho que é um mal geral...
Uma pessoa não "está" sempre feliz...
Por exemplo, quando limpo as cagádas do "Cão nauseabundo" não "estou" definitivamente feliz... LOL
A realidade é que a felicidade vem de dentro para fora e não o contrário... Há obviamente coisas que influenciam o nosso estado de espírito, os nossos moods, os nossos sentimentos... mas se formos felizes não são as tropelias da vida que vão mudar isso.

O que é a felicidade?
Que tal uma pessoa sentir-se bem "na vida"?
Gostar de si próprio. Respeitar-se.
Viver com serenidade.
Sentir que vale a pena viver apesar dos contratempos.
Apreciar o que tem de bom.
Tirar ensinamentos do que corre mal.

A maior parte das pessoas é muito "António Variações", como costumo dizer no gozo ao meu filho. Só quer ir onde não vai, só está bem onde não está...
Se vivermos plenamente o hoje, conscientes de que pode não haver amanhã, se apreciarmos aquilo de bom que temos na vida em vez de nos lamentarmos do que não temos, se percebermos o que é importante para nós em vez de nos compararmos com os outros e trabalharmos para o obter, se tivermos a noção de que não se pode ter tudo na vida, que esta é feita de opções, se dermos o nosso melhor, em consciência, em todos os sentidos, todos os dias, porque não havemos de ser felizes?



Good Vibrations - Beach Boys

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Amor de mãe

Há uns anos, andava eu desesperadamente a tentar engravidar, uma astróloga disse-me "esquece, não vais conseguir ter filhos... estás destinada a ser mãe de todos..."
Estava errada... mas não em tudo...
A realidade é que me sinto de facto um bocadinho mãe de muita gente... inclusivamente da minha própria mãe...(LOL)

Parece que os psicólogos chegaram à conclusão de que os pais não devem tentar ser amigos dos filhos... Calma! Não comecem já a pensar cretinices... O que estou a dizer é que devem assumir o seu papel de pais, com tudo o que isso implica, regras, educação, castigo, etc... e não tentarem ser compinchas, cúmplices, companheiros de farra, como esteve tanto na moda a certa altura. Notem que me parece um bocado uma verdade de Lapalisse... afinal de contas, como se costuma dizer "quem tem filhos que os eduque" e educação nem sempre conjuga com ser "amiguinho". Os gajos ás vezes devem mesmo odiar-nos, mas faz parte, é para o bem deles (pelo menos assim o pensamos...).

Ora bem, estou a chegar agora à conclusão de que o contrário também é válido. Também não devemos "ser pais" para os nossos amigos, irmãos, pais, maridos/mulheres, etc... Se com os filhos (os verdadeiros) as coisas se equilibram, o incondicional amor materno (vamo-nos deixar de merdas, sou gaija vou falar de mães e não de pais, senão fico para aqui a noite toda a tentar ser politicamente correcta com os dois sexos...) compensa "as maldades" que acham que lhes fazemos, com os outros já não é assim.

Passo a tentar explicar... nunca quis ser mãe de ninguém (a não ser do meu próprio filho e God knows que não foi fácil... LOL) mas fui assumindo parcialmente esse papel relativamente a uma série de gente em determinadas situações. Aparentemente ás vezes a figura materna cabe-me que nem uma luva. A chave da questão aqui é o "parcialmente", ou seja, ás vezes fui levada (ou deixei-me levar) a ter comportamentos maternais. Não sendo completamente idiota (apesar de anormal...) nunca levei obviamente esse papel ao ponto de me ver realmente como mãe de ninguém. Assim sendo acabo por ter atitudes de mãe e de "não mãe" o que baralha bestialmente as pessoas. O resultado é bera.

Antes de falar das partes más da coisa deixem-me dizer que me sinto muito amada pelas pessoas de quem estou a falar, apesar de tudo não é o papel da "madrasta" que assumo, LOL... Sinto da parte deles uma grande dose de ternura e respeito relativamente há minha pessoa o que é muito gratificante.

Mas se educar um filho é uma tarefa de 24 horas da qual estamos conscientes, que levamos a cabo pensadamente (eu pelo menos levo), em que nunca estamos de folga, temos de estar constantemente em alerta para as nossas atitudes, as nossas reacções, as consequências dos nossos actos, com os outros já não é assim visto que é um papel que só assumimos pontualmente.
Resultado, toda a gente se baralha, perde-se a noção das coisas.

O exemplo mais flagrante do que estou a tentar explicar é uma irmã minha. Não é caso único, como já perceberam, mas é aquela com quem já discuti este assunto várias vezes (não que tenha servido para alguma coisa...), muitas delas em público e relativamente à qual o que possa dizer não será portanto uma inconfidência.
Devido a circunstancias da nossa infância, que não interessa agora estar aqui a discutir, sempre fui muito protectora relativamente a ela. Não que quisesse, não que gostasse (dava-mo-nos aliás que nem cão e gato) mas porque gostava dela e, como irmã mais velha, sentia-me na obrigação. Desde muito cedo que tive de "vestir o manto da responsabilidade" visto que esta não abundava à minha volta. Nunca mais o consegui aliás despir, grudou-se-me à pele...Visto que basta uma pessoa com essas características para à partida as coisas correrem bem ela foi passeando pela vida saltando levemente de nenúfar em nenúfar, nunca tendo de se preocupar realmente com nada. Resultado? Eu era a chata de serviço, claro.
Hoje em dia, que já caminhamos as duas para velhotas, cada uma já com os seus próprios filhos, continua tudo na mesma. Já não nos damos que nem cão e gato... isso passou há uns anos, mas continuo sempre a ser a chata de serviço...
E o que é que isto quer dizer? Quem é "a chata de serviço"? A mãe claro...
Trata-me como se fosse a minha filha adolescente... Adora-me, sei que me adora como eu a adoro a ela... mas não consegue tratar-me de outra maneira, é ridículo. Está sempre a provocar-me, não perde ocasião de criticar/gozar com a minha roupa, a música de que gosto, com o que faço ou deixo de fazer com o meu tempo livre, a maneira como educo o meu filho, enfim... coisas que não a vejo fazer com mais ninguém (a não ser eventualmente com a "nossa mãe" LOL), sei portanto que não "é" assim... Se está em baixo, mesmo em baixo, aceita eventualmente a minha ajuda, mal levanta um bocadinho a cabeça já não me quer por perto. Tipicamente uma adolescente que não quer que a mamã se meta na vida dela. E notem que eu não tento, cruzes canhoto que nem me passaria pela cabeça despoletar a ira da besta... como se costuma dizer "cada um sabe de si e Deus de todos"...

Mas não é só ela... todos os "meus filhos" se acham no direito de me chatear, de me criticar, de se meterem comigo, mesmo quando não estou com disposição para isso, mesmo quando não o mereço, mesmo quando é injusto... só porque amor de mãe é incondicional, porque sabem que sairão completamente impunes do processo, que não me irei nunca chatear com eles por causa disso. Há dias de "embora chatear a Cristina"... começam numa ponta e acabam na outra, mesmo quando já não dou uma para a caixa, que nem putos desenfreados em dia de festa.

Todos sabemos como os miúdos são "ingratos", digo isto sem qualquer maldade, mas um puto está-se nas tintas para o sacrifício que fizemos para lhe comprar uma prenda ou para o pouco ou nada que dormimos para ficar à cabeceira deles quando estão doentes. Isso doí-nos mas compreendemos, sabemos que é assim. Quando tratamos "maternalmente" a pessoa com quem vivemos, como tenho feito tantas e tantas vezes, temos o mesmo tratamento, a mesma falta de reconhecimento, de agradecimento, de consideração, tudo lhes é devido. Não há palmadinhas nas costas, não há obrigados, não há louvores... só que desta vez não compreendemos.

Ou seja, tenho de facto "sido mãe" de muita gente e se calhar não devia. Nunca o fiz por mal mas pergunto-me se de facto isso alguma vez ajudou alguém.

Mais um assunto para pensar...
E para virem agora todos aqui aos comentários chamar-me mamã e gozar mais uma vez com a minha cara seus ##!!&#$
LOL






segunda-feira, 28 de maio de 2007

Nem tanto ao mar, nem tanto à terra...

Ultimamente, em meios e situações diversas, tenho tido várias conversas que gostava de confrontar neste post.
Um dos temas era o "criticar os outros" o outro o agir conforme as nossas convicções "no matter what"...

Talvez seja mais fácil, para me explicar melhor, começar pela segunda questão.

Não é só relativamente à questão do Euromilhões que eu sou uma perfeita anormal, há muitas mais.
Por "perfeita anormal" leia-se "fora da normalidade"... Ou seja, há muitas coisas relativamente ás quais não me enquadro nos padrões da nossa sociedade...
Mas atenção, não estou sozinha, há mais como eu, em diversos campos...
Be afraid, be very afraid, eles andem aí! LOL

Dando um exemplo concreto:
Não sei o que é pudor... quero dizer pudor físico. Para mim estar nua ou vestida é perfeitamente igual nesse sentido e a nudez não tem nada "de mal", nem conotações obrigatoriamente sexuais, ás vezes tem e ás vezes não tem...
Para além disso adoro estar nua (quando as condições climatéricas o permitem porque sou muito friorenta... LOL) em certas situações. Gosto de nadar nua, de estar nua ao sol , de dormir nua, de andar nua pela casa...
Há situações em que para mim faz sentido a nudez e outras em que não faz. Isto é pessoal e intransmissível mas estou perfeitamente consciente de que várias das situações em que para mim faria sentido, para a maioria das pessoas não faz.
Como resultado, tirando no banho raramente estou nua, como gostaria.
Porquê? Simplesmente porque vivo em sociedade e acho que não faz sentido "chocar" o próximo. Se as pessoas se "incomodam" com a nudez alheia (já sem falar da sua própria) não vejo razão para a impor.
Não considerando a nudez como uma coisa "condenável" como resolvo então a situação?
Ao sabor da maré...
Se estou acompanhada tento ter a sensibilidade de perceber se quem está comigo se incomoda ou não. Vivi com uma pessoa que até de eu passar em pelota da casa de banho para o quarto se incomodava...
Dentro de limites que considere razoáveis tento adaptar-me ás diversas situações.

Outro exemplo, tenho ideias relativamente a vários assuntos, tipo a vida o amor e as vacas, que sei que não serão partilhadas pela maioria das pessoas. Aliás, não só não serão partilhadas como serão "condenadas" pela maior parte delas...
O que faço então? A mesma coisa... falei da nudez porque era mais fácil de explicar, mas relativamente ás ideias, dentro de certos limites, só as "mostro" a quem acho que posso, para não agredir ninguém...

Dito isto chegamos então ao primeiro ponto... o criticar os outros...
Eu critico os outros, julgo que todos o façamos, se alguém age de uma forma que não vá ao encontro daquilo que penso, daquilo que sou, sou perfeitamente capaz de "cascar" e faço-o regularmente. Aliás, no nosso grupo de amigos o cascar é mesmo considerado um "desporto nacional"... LOL
Agora, quem sou eu, quem somos nós, para crucificar o próximo?
Uma coisa é falar, discutir o assunto, "cascar" no sentido em que se está a afirmar não estar de acordo com "certas e determinadas" coisas. Outra coisa é "zangar-se" directa ou indirectamente com essas pessoas, po-las à margem, atiçar-lhes os cães.
Para começar, "quem nunca pecou que atire a primeira pedra"... é muito perigoso atirar pedras pois podem muito bem um dia vir de volta. Ás vezes criticamos certas atitudes a terceiros que mais tarde, sabe-se lá, por qualquer razão, podemos vir nós próprios a ter,
Depois, quem somos nós para julgar? É muito fácil ter "nobres" princípios e ideias muito definidas sobre os assuntos, mas às vezes não é evidente po-los em pratica.
Notem que não estou a falar de coisas que nos afectem directamente. Se alguém "se portar mal" comigo, sinto-me no perfeito direito de "me zangar", estou a falar de atitudes, maneiras de ser, maneiras de viver, de actos que só dizem respeito a quem os pratica...

Ora perguntam vocês; onde é que estas duas "conversas" se tocam?
Acho que há pessoas que insistem em impor a sua maneira de ser nos dois casos...
O "sou assim, sou assim..." ou como dizem os franceses (olá Carlinhos... ; ) "qui m'aime me suit", para mim não faz sentido nenhum, acho que não devemos impor as nossas ideias a quem não é capaz de lidar com elas, é como uma violação...
Por outro lado acho que não temos direito de crucificar as atitudes dos outros, o que pensam, como agem, cada um sabe de si...
Um bocado paradoxal, não?
Pois... é para pensar...




sexta-feira, 25 de maio de 2007

Querida Maria, sou assumidamente anormal...

Queridos comentadores, não sei se me fiz bem entender no último post...
Tinha prometido novo capítulo relativamente ao tema e devo dizer que o escrevi.
Mandei no entanto tudo para o caraças (horas, dias, semanas, meses, de escrita...LOL) porque acho que não vale a pena.

Conversas várias despertaram-me interesse por outros temas, que pessoalmente considero bastante mais estimulantes, e vou antes "publicar" sobre o assunto.

Relativamente ao post anterior tenho só a dizer que não era uma apologia da pobreza, que não afirmei que gostava de não ter dinheiro e que estou perfeitamente consciente de que o dinheiro pode de facto comprar muitas das coisas que contribuem para a nossa felicidade.

Continuo no entanto a achar que não gostava de ganhar o Euromilhões, mas gostava sinceramente que algum de vocês o ganhasse para observar, ao vivo e a cores, se um ou dois anos depois estavam de facto muito mais felizes...


Mambo No. 5 - Lou Bega






quarta-feira, 16 de maio de 2007

Querida Maria, serei anormal?

Na sequência da minha desastrosa actual situação financeira, um amigo enviou-me um PDF com o intuito de me ajudar a resolver a situação...
O livro chama-se "The science of getting rich" , publicado em 1910 por um certo Wallace D. Wattles.
A "coisa" tem oitenta paginas das quais ainda só li 15, não sei portanto como vai ser o resto, mas logo nas primeiras frases fiquei chocada!
Diz coisas como "Whatever may be said in praise of poverty, the fact remains that it is not possible to live a really complete or successful live unless one is Rich" ou "The person who does not desire to live more abundantly is abnormal, and so the person who does not desire to have enough money to buy all he wants is abnormal"...

Quer dizer... ou não temos a mesma noção do que significa "riqueza" ou eu sou de facto uma perfeita anormal...

Para mim ser "rico" é ter muito mais dinheiro do que aquele de que precisamos para viver.
Claro que é uma noção altamente discutível.
Para o sem abrigo que vive "debaixo da ponte" a minha empregada poderá ser considerada "rica" e para esta eu sou provavelmente "rica", and so on...
Acho no entanto que todos temos uma ideia geral do que é "ser rico", tipo o Bill Gates é definitivamente rico e quem ganha o Euromilhões fica rico.
O que me chocou na introdução do tal livro foi a afirmação de que ninguém pode basicamente ser feliz se não for rico.
Não podia discordar mais...

É sabido que nunca temos tudo o que queremos.
Há sempre qualquer coisa a que aspiramos.
Eu neste momento, por exemplo, já me contentava com não ter dívidas.
De futuro aspiro a ter uma vida melhor, mais confortável, sem dúvida.
Mas porra, sou uma pelintra mas sou extremamente feliz, não preciso para isso de ser rica!!!

Não queria encher o meu filho de prendas, de bonecada, de playstations e computadores, queria só não ter de lhe responder de cada vez que me pede alguma coisa, coisinhas de merda ás vezes, que não pode ser porque a mãe não tem dinheiro.
Não queria um carro novo, os meus carros velhinhos servem-me muito bem, queria só não ter uma crise de choro quando me anunciassem que vou ter de mudar de pneus.
Não queria dar grandes festas ou banquetes, gostava só de poder ir almoçar ou jantar fora sem ter de ser convidada por alguém.
Não queria poder passar um ano a viajar gostava só de fazer uma viagenzita de vez em quando.
Isto é ser rico?
Lá está, para algumas pessoas se calhar até é...

Mas... não gostava por exemplo de ganhar o Euromilhões caraças!
Pronto, neste momento já estão todos a achar que sou mesmo uma anormal, mas eu explico.
Jogo todas as semanas (2 Euritos) na esperança de que me saia um prémio pequenino só para poder limpar dívidas.
Se me saísse o primeiro prémio ia-me sentir completamente à rasca.
Acho que as pessoas estão completamente iludidas relativamente ao que deve de facto ser ganhar uma exorbitância de massa dessas do dia para a noite.
Para começar o assédio (eu não sei quem são os portugueses que têm ganho, mas deve haver muita gente que sabe)... entre bancos, malta a propor negócios, a pedir caridade, que é o que me ocorre assim de imediato, deve ser de loucos.
Depois deve gerar uma insegurança filha da mãe, acho que ia passar o tempo todo preocupada com assaltos, raptos, etc.
Deve-se ficar completamente perdido, oquê que se faz quando se pode fazer tudo (ou quase) o que o dinheiro pode comprar?
Onde é que vão parar os princípios, a noção do que é verdadeiramente importante na vida?
Se por acaso isso me acontecesse, não tenho qualquer tipo de dúvida de que tiraria qualquer preocupação financeira (do género das que tenho neste momento) a todos os que me estão próximos.
Mas até isto é complicado... qual é o critério?
Falando em família por exemplo, não tenho qualquer dúvida de que ajudaria os meus irmãos. Gostaria também de ajudar alguns dos meus primos, mas há outros para os quais me estou francamente a cagar... Não ajudava esses, ou ajudava "menos", criando graves "incidentes diplomáticos"? Ajudava-os a contragosto só porque tinha ajudado os outros? De repente ia ter primos muito amiguinhos só porque lhes tinha passado guito para a mão? Onde é que vai parar a verdade das relações entre as pessoas num caso destes?
Claro que estou a falar em família mas aplica-se a toda a gente. De repente, em muitos casos, deve-se deixar de perceber bem quem é quem, porquê que as pessoas se dão connosco.
Ajudar instituições de caridade por exemplo... ya, mas quais? Dá-se dinheiro e ele vai para quem precisa ou para encher os bolsos de quem organiza? Ouvimos falar em tanta aldrabice...
Comprar coisas... confesso que até gramava ter uns trapitos que não deformassem ou perdessem a cor nas lavagens... mas onde é que está a fronteira? O que me garante que ás tantas, podendo, não estivesse a comprar farpelas de duzentos contos? E para quê?
Ou de facto a dar ao meu filho tudo o que ele me pedisse? Será que isso o iria fazer mais feliz? Duvido muitíssimo... Acho bastante mais importante enchê-lo de beijos do que de prendas... e quando há a possibilidade de vir uma prenda "na ponta" do beijo será que ele sabe ao mesmo?
Ás tantas devem ser só preocupações, como gerir o dinheiro, a quem dar, o que dar, quanto dar, o que comprar, o que não comprar... Ia sentir o peso do mundo nas costas.
Se calhar sou mesmo uma anormal, mas não quero "ser rica" não...



06 Money Song.wma -

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Terapia da fala

A minha mãe ultimamente gosta muito de dizer que chegou à conclusão de que "a falar é que a gente não se entende" o que, devo confessar, muito me irrita...
Repete-o tanto que me pôs a pensar.
Será que ela tem razão?

Quanto mais penso sobre o assunto menos de acordo estou com ela.
Sempre resolvi os assuntos na minha vida conversando.
E quando não conversei, não os resolvi.

"Falar" por escrito é um pau de dois bicos.
Tem a vantagem de não se ser interrompido, de se poder expor o nosso ponto de vista do princípio ao fim sem que haja divagações pelo meio, é mais fácil seguir um raciocínio.
O facto de não se estar cara a cara também pode eventualmente ajudar a deixar sair assuntos mais "delicados".
Tem também a seu favor o facto de se poder dizer coisas que eventualmente irão despoletar emoções sem que a outra pessoa esteja presente, dando-lhe assim o tempo de reagir perante essas emoções em privado e de pensar nelas antes de responder, se for caso disso.
É no entanto perigoso porque se corre o risco de ser mal interpretado.
Nem sempre conseguimos ser claros nas nossas exposições.
Se a outra pessoa estiver à nossa frente reage ao que dizemos e mais facilmente podemos perceber se estamos a conseguir transmitir realmente o que queríamos.
Quando não é o caso podemos estar a seguir uma linha de pensamento que está a ser levada para "sítios" que nem imaginamos.
Por outro lado, havendo reacção, ás vezes podíamos poupar muito tempo em exposições/explicações ás vezes inúteis. Podemos por exemplo estar nós próprios a reagir a uma coisa que na realidade não aconteceu (um acontecimento, um pensamento/reacção da parte do outro ou mesmo um mal entendido inicial...) se fossemos informados desse facto no início poderíamos poupar o nosso latim...
Para além de tudo isto corre-se o risco da nossa "conversa" ser "apanhada" por alguém a quem não era dirigida o que pode gerar ainda mais confusão.

Mas enfim, isto era só uma divagação sobre a conversa escrita, o assunto era mesmo a conversa em geral...
Perguntei-me porque seria que a minha mãe teria esta ideia, quanto a mim absurda...
Cheguei à conclusão de que se calhar não é tão absurda assim... há talvez algumas pessoas (ás vezes circunstancias) com quem não vale a pena falar. Agora isto não quer dizer que "a gente" se entenda não falando. O que provavelmente quer dizer é que, com essas pessoas (ou nessas circunstancias) não há de facto qualquer entendimento possível.
São uma espécie de papagaios das relações humanas.
Dizemos-lhe "bom dia".
Respondem "bom dia".
Continuamos "estás bom?"
Respondem "bom dia"
Tentamos "como é que te chamas?"
Respondem "bom dia, cruáááá"
Estou na brincadeira mas é de facto como me sinto ás vezes...

Há gente que simplesmente não reage à nossa conversa.
Acho que na realidade não a ouve... vai repetindo as mesmas coisas over and over again sem nunca ouvir o que temos para dizer, sem nunca pensar nisso.
Tive um bocadinho essa sensação em algumas das minhas separações (neste caso é circunstancial, não tem a ver com as pessoas em questão) tentei falar, dialogar, explicar e dei de caras com paredes. Acho que simplesmente nunca ouviram o que eu estava a dizer... A prova é que, depois de dezenas de horas de explicações, continuavam a perguntar "porquê?".
Mas ás vezes é mais grave, há pessoas que são mesmo assim.
Tenho neste momento um assunto de trabalho "pendente" porque o interlocutor é "desses". Tem sempre razão e raramente se engana, é das pessoas mais prepotentes que alguma vez conheci e pura e simplesmente não ouve...
De facto, nestes casos, "a gente a falar é que não se entende", quanto muito desentende-se ainda mais... o que não quer dizer que se entenda se não falar.
O melhor mesmo é desistir, proteger-se e "seja o que Deus quiser"...

Agora que não haja dúvidas de que não falar pode ter consequências sérias...
Muitas pessoas se acham grandes juízes do que se passa na cabeça alheia.
Isto pode dar tanto azo a mal entendidos como a tal "conversa escrita".
Por muita intuição que se tenha esta nunca é infalível e se não se puserem as coisas em pratos limpos vai-se andando, mas anda-se muitas vezes coxo.
Eu acredito no falar para resolver situações.
Sempre que não falei saiu-me o tiro pela culatra.
Ainda tenho cicatrizes de situações provocadas por coisas que "não disse", pelo menos na altura em que devia ter dito e que mais tarde são irrecuperáveis.

É desgastante ás vezes falar, esclarecer as coisas...
Confrontamos situações em que era mais fácil ás vezes "esconder o sol com a peneira", fazer de conta que não existem.
Ou achamos que vamos estragar "a magia" de alguma coisa.
Ou então que podemos "estragar tudo" levantando certas questões.
Ás vezes ouvimos coisas de que não gostamos... mas quem sabe se não era necessário ouvi-las?
Obriga a por em questão as nossas ideias, os nossos sentimentos...
Nem sempre é fácil falar, ás vezes temos a sensação de estar a falar com a(s) outra(s) pessoa(s) numa língua diferente...
Ou há agressividade, ressentimento, dor, insegurança à mistura o que não é fácil de enfrentar.
Mas se se conseguir falar, sobretudo se se conseguir escolher o momento mais certo (ou ás vezes "menos errado") para o fazer, resolve-se de facto a maior parte das questões.
Evita-nos ás vezes de desistir de coisas que são importantes para nós ou pelo contrário de insistir em coisas de que na realidade deveríamos desistir.
Ajuda-nos a ganhar "SABEDORIA PARA PERCEBER A DIFERENÇA"...
Eu continuo a acreditar que, sendo possível, é bom falar de tudo e mais alguma coisa...


quarta-feira, 25 de abril de 2007

"The Net"

Costumo dizer que vivo com uma rede de segurança...
Acabou de se provar que tenho razão.
Neste post não vou expor teorias nem ideias, só quero agradecer...
Se acredito que é importante, queixar-se, reclamar, impor-se, "dar murros na mesa", quando é caso disso, mais ainda acredito que é importante agradecer.
Costumam dizer-me que "não é preciso", mas eu acho que é.
É tão importante que as pessoas tenham noção do bem que fazem como do mal...

Como dizem os bifes "when it rains, it poors"...
Foi o que começou a acontecer no passado fim de semana.
Não aconteceu nada de muito grave, mas ouve uma sucessão de pequenas coisas que no conjunto me fizeram perder completamente a compostura.
Mais uma vez, como dizem os bifes "I lost it"...
Então a minha rede entrou em acção.
Como já tinha acontecido noutras ocasiões, senti-me completamente apoiada, acompanhada, mimada... é bom.
É muito bom sentir que as pessoas que estão à nossa volta "care".
A essas pessoas, ás que têm estado "comigo" nestes momentos mais complicados, mas também ás que já estiveram noutros, quero então agradecer.
Mais uma vez se prova que não é em vão que dou tanta importância ás amizades.

Queria fazer aqui uma observação, nas amizades de que falo estão alguns membros da família. Lá porque somos familiares não temos de ser amigos e uns são outros não...

A realidade é que nestes últimos dias fui abraçada por quem nunca me tinha abraçado, "and god knows that I needed it..." Aguentaram as pontas, que nem uns heróis, de situações com que eu não pude ou não soube lidar. Abdicaram do seu sono, do seu descanso, do seu trabalho, das suas comemorações, para me apoiar. Tomaram conta do meu filho quando eu não estava em estado de o fazer. Pouco ou nada estive sozinha quando era de facto a última coisa que queria estar. Apaparicaram-me com comidinhas boas. Nas questões financeiras uns deram-me ajuda outros esperança (e ajuda também). Vieram quando os chamei e quando não chamei, só porque sentiram que era importante. Até as mijas da cadela se dispuseram a limpar para me dar abertura para poder resolver os meus problemas.
Isto são amigos...
Muito obrigada, do fundo do coração...

les copains dabord - George Brassens