Em questionários, à pergunta "bebe?" costuma haver como alternativas de resposta "sim/não/socialmente"...
Talvez se devesse acrescentar: "costumo engrossar-me socialmente"... talvez ao serem confrontadas com esta hipótese de resposta as pessoas se enxergassem...
Na minha pesquisa sobre o assunto encontrei um artigo que entre outras coisas diz o seguinte:
"A publicidade não se cansa de nos mostrar a imagem sempre jovem e bonita de quem bebe, reforçando a magia desta substância como símbolo de poder e de sucesso. Esta fascinação entra no dia-a-dia do cidadão comum, como facilitador de relações interpessoais e de integração grupal, porque o vinho faz parte das festas e está sempre presente nos momentos agradáveis de convívio social. Ele é tido como um bom lubrificante social, desinibe e é socialmente bem-aceite. Bebe-se porque se está contente e fica-se «contente» porque se bebeu."
I rest my case...
Mas no mesmo artigo diz também o seguinte:
"Porém, o processo gradual da degeneração do uso socialmente sancionado e controlado do álcool para o abuso descontrolado ocorre por motivos vários. Definir o limite individual entre o consumo social moderado e o consumo problemático é uma tarefa difícil. A capacidade de uns e a incapacidade de outros em controlar o seu modo de beber continua a ser um enigma."
A maior parte das pessoas já apanhou "uma piela" na vida, grande parte delas já apanhou várias, algumas apanham-nas com uma certa regularidade... onde está a fronteira para o alcoolismo?
A realidade é que acho que tendemos a ser demasiado tolerantes, demasiado complacentes, relativamente a este assunto.
Notem que a minha adega tem telhados de vidro... já apanhei pifos descomunais...
A maior parte de nós conhece alguém que o faz regularmente.
Malta que transforma os eventos sociais em ego-trips, impondo-se aos demais. Que fala mais e mais alto, que acha que tem "mais razão", que se está basicamente a cagar para o prazer, ou falta dele, que os outros possam tirar da ocasião. Parece que para eles quem não esteja no mesmo estado alcoolizado não se sabe na sua opinião divertir...
Quem não assistiu já ás chamadas figuras tristes, aos espectáculos patéticos proporcionados por uma falta momentânea de auto-censura? Quantas vezes os risos de uma noite não se transformam em embaraço na manhã seguinte?
Quem não viu já pessoas supostamente pacíficas tornar-se agressivas, pessoas tímidas tornar-se lascivas, etc...?
Quantas vezes não vimos pessoas, supostamente adultas e responsáveis, sentar-se ao volante de um carro neste estado?
Se lhes tentarmos chamar a atenção para o facto de que no casamento do João apanharam um pifo, no baptizado da Mariazinha também, na formatura do Joaquim grossos estavam e na despedida de solteiro do Artur já não davam uma para a caixa... zangam-se connosco! Pois claro então, momentos festivos são para celebrar... e reuniões de família também... e jantares com os amigos... e almoços de fim de semana... e qualquer ocasião em que haja álcool nas imediações... e quanto mais melhor que isso de beber um copito é para meninas... eu cá aguento o álcool como ninguém.
E o que fazemos nós?
Metemos o rabinho entre as pernas e ri-mo-nos, relevamos, brincamos com o assunto, fazemos graças e arranjamos alcunhas que lhes atribuimos com ternura...
Comemos com eles, deixamos que nos lixem as ocasiões com as suas exuberâncias, com os seus disparates, ou vamos atrás para não ficar mal vistos pelo bobo da corte, para não dar parte fraca.
Afinal de contas eles são fantásticos, são alegres, divertidos, inteligentes...
E se ninguém os tentar parar, um dia podemos encontra-los caídos no passeio com um tetrapack de Quinta da Eira na mão ou espetados contra uma arvore.
Aqui jaz António dos Anzois Carapuça, carinhosamente denominado "A esponja", era um gajo porreiro e divertido, deixou dois filhos pequeninos mas, what the hell, alguém os há de criar...
Violento este meu post?!
Talvez, não podem ser todos divertidos...
"Tudo o que é demais cheira mal", prefiro ser considerada a chata de serviço, a careta, a empata fodas (assim como assim já estou habituada) do que ser testemunha calada de uma triste degradação humana...
Talvez se devesse acrescentar: "costumo engrossar-me socialmente"... talvez ao serem confrontadas com esta hipótese de resposta as pessoas se enxergassem...
Na minha pesquisa sobre o assunto encontrei um artigo que entre outras coisas diz o seguinte:
"A publicidade não se cansa de nos mostrar a imagem sempre jovem e bonita de quem bebe, reforçando a magia desta substância como símbolo de poder e de sucesso. Esta fascinação entra no dia-a-dia do cidadão comum, como facilitador de relações interpessoais e de integração grupal, porque o vinho faz parte das festas e está sempre presente nos momentos agradáveis de convívio social. Ele é tido como um bom lubrificante social, desinibe e é socialmente bem-aceite. Bebe-se porque se está contente e fica-se «contente» porque se bebeu."
I rest my case...Mas no mesmo artigo diz também o seguinte:
"Porém, o processo gradual da degeneração do uso socialmente sancionado e controlado do álcool para o abuso descontrolado ocorre por motivos vários. Definir o limite individual entre o consumo social moderado e o consumo problemático é uma tarefa difícil. A capacidade de uns e a incapacidade de outros em controlar o seu modo de beber continua a ser um enigma."
A maior parte das pessoas já apanhou "uma piela" na vida, grande parte delas já apanhou várias, algumas apanham-nas com uma certa regularidade... onde está a fronteira para o alcoolismo?
A realidade é que acho que tendemos a ser demasiado tolerantes, demasiado complacentes, relativamente a este assunto.
Notem que a minha adega tem telhados de vidro... já apanhei pifos descomunais...
A maior parte de nós conhece alguém que o faz regularmente.
Malta que transforma os eventos sociais em ego-trips, impondo-se aos demais. Que fala mais e mais alto, que acha que tem "mais razão", que se está basicamente a cagar para o prazer, ou falta dele, que os outros possam tirar da ocasião. Parece que para eles quem não esteja no mesmo estado alcoolizado não se sabe na sua opinião divertir...
Quem não assistiu já ás chamadas figuras tristes, aos espectáculos patéticos proporcionados por uma falta momentânea de auto-censura? Quantas vezes os risos de uma noite não se transformam em embaraço na manhã seguinte?
Quem não viu já pessoas supostamente pacíficas tornar-se agressivas, pessoas tímidas tornar-se lascivas, etc...?
Quantas vezes não vimos pessoas, supostamente adultas e responsáveis, sentar-se ao volante de um carro neste estado?
Se lhes tentarmos chamar a atenção para o facto de que no casamento do João apanharam um pifo, no baptizado da Mariazinha também, na formatura do Joaquim grossos estavam e na despedida de solteiro do Artur já não davam uma para a caixa... zangam-se connosco! Pois claro então, momentos festivos são para celebrar... e reuniões de família também... e jantares com os amigos... e almoços de fim de semana... e qualquer ocasião em que haja álcool nas imediações... e quanto mais melhor que isso de beber um copito é para meninas... eu cá aguento o álcool como ninguém.
E o que fazemos nós?
Metemos o rabinho entre as pernas e ri-mo-nos, relevamos, brincamos com o assunto, fazemos graças e arranjamos alcunhas que lhes atribuimos com ternura...
Comemos com eles, deixamos que nos lixem as ocasiões com as suas exuberâncias, com os seus disparates, ou vamos atrás para não ficar mal vistos pelo bobo da corte, para não dar parte fraca.
Afinal de contas eles são fantásticos, são alegres, divertidos, inteligentes...
E se ninguém os tentar parar, um dia podemos encontra-los caídos no passeio com um tetrapack de Quinta da Eira na mão ou espetados contra uma arvore.
Aqui jaz António dos Anzois Carapuça, carinhosamente denominado "A esponja", era um gajo porreiro e divertido, deixou dois filhos pequeninos mas, what the hell, alguém os há de criar...Violento este meu post?!
Talvez, não podem ser todos divertidos...
"Tudo o que é demais cheira mal", prefiro ser considerada a chata de serviço, a careta, a empata fodas (assim como assim já estou habituada) do que ser testemunha calada de uma triste degradação humana...

