segunda-feira, 5 de novembro de 2007

O inquérito

Recentemente enviei por mail um "inquérito" sobre pessoas "resolvidas".
Muitos saberão do que estou a falar visto que enviei para pessoas que sei que vêm aqui...
De qualquer forma, para os que não sabem, basicamente pedi que me dissessem quais as três pessoas mais resolvidas que conheciam e porquê.
Não podiam ser figuras públicas, tinham de as conhecer pessoalmente.

Nem eu própria sei bem porque lancei o desafio...
Fiz-me a pergunta a mim própria e achei interessante.
Achei então que era giro fazer a mesma pergunta aos outros, talvez para tentar perceber o que queria dizer "resolvido" na cabeça de cada um.

Até agora ainda só tive quatro respostas, muita gente a dizer de uma forma ou de outra que não iria responder (ou que não conhecia ninguém resolvido) e mais "abstenções" ainda.
Mas de qualquer maneira não era sobre o inquérito propriamente dito que queria falar... era mais a propósito de uma das respostas que recebi, que me deixou absolutamente perplexa...
Rezava qualquer coisa do genero: "... o respeito pela privacidade alheia me leva a preferir não expor o nome delas para uso num grupo tão alargado..." (não fiz copy/paste nem nada... LOLOLOLOL)

Como disse, várias pessoas responderam ao mail, sem que por isso tenham respondido ao inquérito...
Já antes desta resposta tinha sentido um clima estranho no ar, um desconforto geral. Tinha ficado um bocado com a sensação de ter feito alguma pergunta indiscreta, despudorada...
Depois senti-me... como se tivesse a pedir que denunciassem alguém...


Hellooooooooo???!!!
Há que resguardar o facto de que alguém possa ser resolvido?!
Deve-se guardar segredo? É alguma doença venérea? LOL
Aposto que se tivesse pedido o nome das três pessoas com mais filhos ou com mais paciência... mos "forneciam" (LOL) sem qualquer tipo de problema...

Não sei o que pensaram relativamente à pergunta, mas independentemente das várias possíveis interpretações da palavra "resolvido", parece-me difícil atribuir-se-lhe um sentido pejorativo...
Logo, dizer que alguém é resolvido é no mínimo um elogio.
Se eu tivesse perguntado pelas três pessoas mais generosas ainda conseguia compreender, não fosse alguém aproveitar para ir crava-los ... LOLOLOLOLOLOLOLOLOLOL
Agora a sério... parece que é alguma vergonha, alguma falha de carácter...

Quando comecei este Blog, com a afirmação de que era feliz, várias pessoas me "deram os parabéns", com um sorriso amarelo, como se pensassem; "deves..."
Parece de facto haver um certo mal estar quando se fala destes temas... como se ser feliz, ser resolvido, viver em paz, etc, etc, etc... não fossem coisas atingíveis pelo comum dos humanos e só o facto de se mencionar que alguém o pudesse ser fosse já de si uma heresia.
Os que dizem não conhecer ninguém estão a ter a mesma atitude, no fundo não querem é "apontar o dedo".

Aquele ali... aquele é um tipo resolvido!!!
LOLOLOLOLOLOLOLOLOL

Notem que eu não perguntei por pessoas totalmente resolvidas, perguntei quais as pessoas MAIS resolvidas que conhecem... Se alguém só conhecesse três pessoas, essas serviam...
Aposto que se tivesse pedido directamente a definição da palavra para cada um teria sido mais fácil, não obrigava ninguém a tentar perceber porque lhe veio esta ou aquela pessoa à cabeça.













segunda-feira, 29 de outubro de 2007

O Clic

Neste post não vou defender qualquer teoria (idiota, como de costume... LOL) sobre a felicidade.
Vou simplesmente partilhar uma coisa que me passou pela cabeça no outro dia mas que não consigo explicar...

Os Clics...




He, He, He, He, He...
Brincadeirinha... ; )
Os "Clics" do Manara?!
Não queriam mais nada seus porcalhões... LOL

Ai cruzes canhoto que se uma das minhas tias cá vem ainda me acusa de manter um site pornô...


LOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOL



Bem, basta de parvoeira...
Aquilo de que me dei conta no outro dia é que por muito que pensemos nas coisas, por muito que analisemos e que cheguemos a conclusões... estas só acontecem quando se dá um Clic e esse clic é tudo menos racional.
Notem que isto não invalida de forma alguma aquilo que defendo, que é no fundo que usemos a nossa cabecinha de forma útil.
Não quer dizer que não valha a pena pensarmos visto que a decisão final não vai de qualquer maneira ser racional. Acho muito educativo (LOL) pensar-se nas coisas e acho que pesa muito na decisão emocional.
Mas o timing pelo menos (já sem falar da decisão própriamente dita, que só isso dava para um post) acho que é emocional... qualquer coisa acciona o mecanismo e pimba, tomamos as decisões.

O deixar de fumar, por exemplo... As pessoas sabem muito bem que fumar faz mal... que incomoda os outros... que sai caro... têm mil e uma razões para deixar de fumar. Muitas estão mesmo decididas a fazê-lo "um dia". Mas quando isso acontece de facto deve-se a um clic, um dia diz-se acabou e para-se. Pode-se andar a pensar no assunto há anos... qualquer coisa acontece e simplesmente decidi-mo-nos finalmente.

Ou o acabar de uma relação... quantos casos não conhecemos de pessoas que "aguentam" más relações durante anos e um dia mandam tudo para o galheiro sem que se perceba o que é que mudou.

Eu por exemplo andei anos a dizer que não havia de morrer sem me mudar para a zona de Cascais. As condições em que de facto o fiz (económicas, etc...) não eram diferentes das que vivia há muito tempo... então porquê nesse momento?
"O meu filho não entrou no Liceu Francês então vou-me mudar para Cascais, pronto..." e quatro meses depois cá estava eu??!! Há de convir que a "desculpa" é fraquinha... deu-se um Clic e pronto... é agora.

O largar um emprego... é a mesma coisa...
Escrevi um post sobre esse tipo de questões que nos pomos, acabei de ler que já nele falava em clics... Falo em red alerts, em sinais de que as coisas não estão bem. Podemos fazer este exercício mental, esta observação da situação, esta análise e chegar há conclusão de que estamos numa situação de ruptura. Mas só iremos de facto falar com "o chefe" quando se der o tal de Clic.

Nem sempre a razão do Clic é identificável, e sobretudo, mesmo quando identificada, não é obrigatoriamente mais "válida" do que outras que se calhar já tivemos antes.
Aparentemente é simplesmente assim... o nosso "biological clock" parece preparado para a mudança e então mudamos... Estranho não?!






PS: Aposto que tinham preferido outro Manarazinho para rematar...









quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Teacher leave us kids alone!

I had a dream...
Sempre quis dizer isto... LOL
Hoje descobri que não é "had" é "have"... mas enfim, tb não interessa nada porque era só uma chalaça... LOL na realidade I had a conversation...

Volta não volta pergunto-me porque escrevo aqui, porque "me meto" na vida das pessoas, porque tenho conversas como a que tive ontem... acho que é porque tenho jeito para "ensinar"...

Quando falamos em jogos é simples... os jogos têm regras que explico de uma maneira clara e as pessoas têm tendência para perceber...
Quando se fala "da vida" já parece mais pretensioso... e é... ou não é... porque não tento impingir nada a ninguém... não apresento as minhas ideias como "verdades absolutas", não afirmo que as coisas são ou deveriam ser como as vejo... mas o que digo digo-o com convicção, com entusiasmo, e chego à conclusão de que com clareza...
Comecei a dar aulas de computador, não porque saiba mais do que outros mas simplesmente porque tenho mais jeito para explicar e sobretudo mais paciência do que a maior parte.

Ás vezes sinto-me como uma professora primária... claro está que posso ser uma professora de há centenas de anos, convencida de que a terra é plana e partilhando esse conhecimento com a maior das convicções...
Alguém que ensina a "plantar" feijões no algodão... se calhar ao lado alguém sabe produzir milho transgénico (gostava tanto de ter umas daquelas calcinhas "friques" de ir queimar milho transgénico, de algodão ás riscas, ... alguém sabe onde se arranjam?... 'suspiro'...)...
Ou a professorinha de trabalhos manuais que ensina a dobrar inúteis origamis...
Estão a perceber o que quero dizer?! Basicamente que não tenho qualquer pretensão a partilhar informação vital, não tenho certezas absolutas nem julgo saber mais do que os outros, ponho aliás constantemente em questão as minhas ideias... Simplesmente tenho mais facilidade e sobretudo vontade de partilhar isto com os outros.

Para que possam entender porque penso nisso agora, tenho de explicar mais ou menos de que raio tratou a tal "conversa" de ontem...
Basicamente, mais uma vez, me meti onde não era chamada. (agora queria poder introduzir aqui um daqueles smileys envergonhados do MSN...)
Todos nos demos conta desde há uns tempos para cá de um certo... chamemos-lhe "desconforto", relativamente à nossa relação com um casal amigo. Falámos entre nós. Falamos sempre, esqueçam, já sabem como é, mal alguém vira costas passa logo para a berlinda... LOLOLOLOLOLOLOLOL
Mas, que eu saiba, ninguém falou com eles...
A questão é que o referido desconforto resulta directamente da relação deles um com o outro. É uma coisa relativamente recente, são ambos bastante inexperientes nesta salada das relações a dois, logo muito inseguros também. E isso começou a afectar a relação deles com o resto do mundo... (não Zé, não se começa uma frase por "E"... mas eu começo!!! LOL)
A política geral foi obviamente de "não interferência", nestas coisas os meus amiguinhos são perfeitamente "Suiços"... LOL Afinal de contas, directamente, não era nada connosco...

Eu cá não consigo... mais tarde ou mais cedo começo a achar que tenho de fazer alguma coisa... que não posso assistir calada a um afastamento (neste caso) que ainda por cima não tem nada a ver comigo...
E (again... LOL) partilho da opinião do sábio velho Churchill: "Criticism may not be agreeable, but it is necessary. It fulfils the same function as pain in the human body. It calls attention to an unhealthy state of things. "

Claro que ás vezes não é fácil... como,
mais uma vez, o próprio o mestre acima dizia: "I am always ready to learn although I do not always like being taught"
Pois é perfeitamente compreensível... eu própria sou assim... LOL
Já não é a primeira vez que se chateiam comigo... ainda recentemente, um certo post meu provocou que certa e determinada pessoa ainda não tenha voltado a falar comigo a não ser telegraficamente e o menos possível... é justo... estou preparada para isso e não levo a mal. Afinal de contas ninguém me pediu opinião não posso portanto ofender-me se for rejeitada...

Mas ontem foi diferente... ontem foi daquelas ocasiões em que valeu a pena... foi uma conversa que me fez perceber porque continuo a escrever... e porque continuo a meter-me onde não sou chamada... e acreditem ou não, estas estão em maioria. Mais vezes fico contente de ter aberto a boca do que de me ter calado...

Basicamente falámos de coisas que não me diziam respeito, a não ser na medida em que afectam o meu relacionamento com eles. Partilhei as minhas ideias, as minhas experiências, as minhas conclusões. Fiz isto porque gosto deles, porque achei que podia ajudar, que (como me disse no outro dia um amigo meu) a cabeça das pessoas anda toda fodida (pardon my french) e que uma ajudinha a desfazer os nós do novelo não faz mal a ninguém.
Não é fácil... como é que entramos na vida alheia, sem ter sido convidados, e nos pomos a cagar sentenças? Ás vezes enxotam-nos como se fossemos Testemunhas de Jeová... mas quando nos convidam a entrar, como foi o caso, é bom... temos eventualmente a oportunidade de contribuir um bocadinho para a felicidade alheia o que é muito gratificante...

Nesta história das relações humanas não consigo deixar de ser "militante"... sorry ;)



Another Brick In The Wall part 1 - Pink Floyd



domingo, 14 de outubro de 2007

Onde entra o beber, sai o saber.

Em questionários, à pergunta "bebe?" costuma haver como alternativas de resposta "sim/não/socialmente"...
Talvez se devesse acrescentar: "costumo engrossar-me socialmente"... talvez ao serem confrontadas com esta hipótese de resposta as pessoas se enxergassem...

Na minha pesquisa sobre o assunto encontrei um artigo que entre outras coisas diz o seguinte:
"A publicidade não se cansa de nos mostrar a imagem sempre jovem e bonita de quem bebe, reforçando a magia desta substância como símbolo de poder e de sucesso. Esta fascinação entra no dia-a-dia do cidadão comum, como facilitador de relações interpessoais e de integração grupal, porque o vinho faz parte das festas e está sempre presente nos momentos agradáveis de convívio social. Ele é tido como um bom lubrificante social, desinibe e é socialmente bem-aceite. Bebe-se porque se está contente e fica-se «contente» porque se bebeu."

I rest my case...

Mas no mesmo artigo diz também o seguinte:
"Porém, o processo gradual da degeneração do uso socialmente sancionado e controlado do álcool para o abuso descontrolado ocorre por motivos vários. Definir o limite individual entre o consumo social moderado e o consumo problemático é uma tarefa difícil. A capacidade de uns e a incapacidade de outros em controlar o seu modo de beber continua a ser um enigma."

A maior parte das pessoas já apanhou "uma piela" na vida, grande parte delas já apanhou várias, algumas apanham-nas com uma certa regularidade... onde está a fronteira para o alcoolismo?
A realidade é que acho que tendemos a ser demasiado tolerantes, demasiado complacentes, relativamente a este assunto.
Notem que a minha adega tem telhados de vidro... já apanhei pifos descomunais...

A maior parte de nós conhece alguém que o faz regularmente.
Malta que transforma os eventos sociais em ego-trips, impondo-se aos demais. Que fala mais e mais alto, que acha que tem "mais razão", que se está basicamente a cagar para o prazer, ou falta dele, que os outros possam tirar da ocasião. Parece que para eles quem não esteja no mesmo estado alcoolizado não se sabe na sua opinião divertir...
Quem não assistiu já ás chamadas figuras tristes, aos espectáculos patéticos proporcionados por uma falta momentânea de auto-censura? Quantas vezes os risos de uma noite não se transformam em embaraço na manhã seguinte?
Quem não viu já pessoas supostamente pacíficas tornar-se agressivas, pessoas tímidas tornar-se lascivas, etc...?
Quantas vezes não vimos pessoas, supostamente adultas e responsáveis, sentar-se ao volante de um carro neste estado?

Se lhes tentarmos chamar a atenção para o facto de que no casamento do João apanharam um pifo, no baptizado da Mariazinha também, na formatura do Joaquim grossos estavam e na despedida de solteiro do Artur já não davam uma para a caixa... zangam-se connosco! Pois claro então, momentos festivos são para celebrar... e reuniões de família também... e jantares com os amigos... e almoços de fim de semana... e qualquer ocasião em que haja álcool nas imediações... e quanto mais melhor que isso de beber um copito é para meninas... eu cá aguento o álcool como ninguém.

E o que fazemos nós?
Metemos o rabinho entre as pernas e ri-mo-nos, relevamos, brincamos com o assunto, fazemos graças e arranjamos alcunhas que lhes atribuimos com ternura...
Comemos com eles, deixamos que nos lixem as ocasiões com as suas exuberâncias, com os seus disparates, ou vamos atrás para não ficar mal vistos pelo bobo da corte, para não dar parte fraca.
Afinal de contas eles são fantásticos, são alegres, divertidos, inteligentes...

E se ninguém os tentar parar, um dia podemos encontra-los caídos no passeio com um tetrapack de Quinta da Eira na mão ou espetados contra uma arvore.

Aqui jaz António dos Anzois Carapuça, carinhosamente denominado "A esponja", era um gajo porreiro e divertido, deixou dois filhos pequeninos mas, what the hell, alguém os há de criar...

Violento este meu post?!
Talvez, não podem ser todos divertidos...
"Tudo o que é demais cheira mal", prefiro ser considerada a chata de serviço, a careta, a empata fodas (assim como assim já estou habituada) do que ser testemunha calada de uma triste degradação humana...


Je Bois - Boris Vian

terça-feira, 9 de outubro de 2007

O ovo no cu da galinha...

Se é verdade que sinto grande admiração pela inteligência em geral, não o posso negar (confesso aliás uma certa dificuldade em lidar com gente "burra"), a realidade é que aquilo que considero de facto importante para a felicidade é a "inteligência emocional".
Não sei a que ponto andarão taco a taco... Conheci várias pessoas brilhantes sem ponta de inteligência emocional, não sei se o inverso será possível.

Anyway... num post recente falava em "dominar as emoções", estava a referir-me ás emoções "más", aquelas que não servem para nada a não ser fazer sofrer. Neste vou tentar explicar porque acho que a tal inteligência emocional é tão importante para manter relações...

É importante que compreendam que não defendo de maneira alguma que nos livremos das emoções... Acho mesmo que são fundamentais, desde que mantidas à rédea curta... LOLOLOLOLOL
Agora a sério... acho complicado viver sem qualquer uma das duas coisas.

Se dependesse só da cabeça, provavelmente há muitos anos que estaria "casada" com um certo "Lançador de Santolas" das minhas relações. Acontece que sentimentos há muitos mas nenhum incita a uma relação a dois... Já vai para trinta anos que me pergunto por que raio é que nunca consegui ter um único sentimento "amoroso" por esta criatura. Somos almas gémeas, temos mais em comum do que grande parte dos casais e no entanto romantismo, amor, paixão, sexo... nesse capítulo somos os dois "impotentes". E por muito que tenha desejado que fosse de outra maneira, a realidade é esta, não fomos feitos para ser um casal...

Se dependesse só do coração, provavelmente há muitos anos que estaria casada com o meu marido. Nunca senti tanta paixão na vida... Tive relações antes, relações depois e nunca gostei de ninguém daquela maneira. Éramos loucos um pelo outro, tínhamos mais amor do que grande parte dos casais, e no entanto romantismo, amor, paixão, sexo... não compensam a falta de inteligência emocional. Por muito que tenha desejado que fosse de outra maneira, a realidade é esta, não fomos feitos para ser um casal...

Só fui buscar estes dois exemplos para demonstrar que não defendo mais o lado cerebral do que o emocional ou vice-versa.

Neste momento vivo uma excelente relação com o pai do meu filho. É uma relação equilibrada, serena, com as devidas doses de pica/entendimento. Temos os nossos desentendimentos, como toda a gente, mas até à data resolve-mo-los sempre da melhor maneira. Já estamos juntos vai para oito anos, um recorde absoluto para ambos (os dois... LOL). Temos um excelente equilíbrio entre o que gostamos um do outro e o que queremos continuar juntos.
Ora era aqui que estava a querer chegar, ao "querer" continuar juntos... sim, porque para continuarmos juntos temos primeiro de querer e depois de fazer por isso.

Tenho até agora estado a dar exemplos de relações amorosas (ou de "wana be" relações amorosas LOL) mas o que se segue aplica-se a todo o tipo de relações...
Ou seja, não é só por gostarmos de outra pessoa e essa pessoa gostar de nós que isto vai ser verdade "para todo o sempre". As relações, como tudo na vida evoluem, têm de ser geridas, cuidadas, alimentadas e tudo isto com o devido equilíbrio entre o sentimento e a razão, senão ás vezes quebram e as pessoas acabam por se afastar.

Se o amor fosse realmente suficiente muitas pessoas nunca se separariam, é preciso mais para conseguir manter uma relação no tempo.
As relações nem sempre são postas à prova por razões "más". Ás vezes damos por nós perante opções complicadas, que parecem empurrar-nos para longe das pessoas de quem gostamos e se não lutarmos inteligentemente por elas acabamos por perde-las. Ninguém é obrigado a estar com ninguém. Como se costuma dizer "quem está mal que se mude". A realidade é que ás vezes não queremos "mudar-nos" e, se não estivermos atentos, acabamos por faze-lo sem sequer perceber porquê. Por outro lado uma relação, como o nome indica, é uma coisa bilateral... Por muito que um dos lados lute pela sobrevivência desta não o irá conseguir se não for ajudado pelo outro.

As circunstâncias da vida ás vezes separam-nos em termos geográficos, em termos de disponibilidade de tempo, em termos de interesses do momento...
Se tivermos as relações como dados adquiridos, se contarmos com o ovo no cu da galinha, temos grande probabilidade de as perder.
A cabeça das pessoas muda, o dia a dia das pessoas muda, os interesses das pessoas mudam, a questão é perceber se essas pessoas continuam importantes para nós ou não e se chegarmos à conclusão que sim, lutar por elas, adaptar-se de ambos os lados ás novas circunstancias.
Não é espectável que a vida fique igual para sempre, nem espectável nem desejável. Ás vezes a adaptação não é fácil, não é evidente, demora tempo mas garantidamente não se dá sem um esforço consciente e sem inteligência emocional de parte a parte.


quarta-feira, 3 de outubro de 2007

A lei da atracção

Não sei se estão familiarizados com a teoria da lei da atracção?!

Que me desculpem aqueles que amaram o filme, mas este a mim deu-me "comichões"... é mais forte do que eu... a forma sebosa, de "vendedor de automóveis" (que me desculpem os ditos cujos, que isto é só uma forma de expressão), que têm de nos apresentar as ideias, por muito boas que sejam, põe -me logo do contra.
Neste momento estou a gerar inimigos... LOL

Fiquei no entanto de queixo caído!!!
Não porque tivesse sido uma grande revelação, mas mais porque sem sequer ter noção disso há muitos anos que acredito em tudo aquilo...
Ver "a coisa" explicada, assim preto no branco (devo mesmo dizer que demasiado a preto e branco, na minha opinião...) com argumentos pseudo-científicos e tudo, foi um baque. A realidade é que nunca tinha racionalizado nada disto.

Para quem não conheça, a referida teoria diz basicamente o seguinte:
Que as pessoas vivem manifestações físicas e mentais que correspondem aos seus pensamentos predominantes, sentimentos, palavras e acções ou seja que as pessoas têm controle directo sobre a realidade. Os pensamentos (conscientes ou inconscientes), emoções, crenças e acções são supostos atrair correspondentes experiências tanto positivas como negativas. A lei da atracção afirma que nós "levamos com aquilo que pensamos; que os nossos pensamentos determinam a nossa vivência".
(quem tenha seguido o meu primeiro link verificará que acabei de fazer uma tradução macarrónica e resumida do artigo da Wikipédia... LOL)

Qual de vocês, relativamente a alguma coisa "má", não teve já a reacção de "nem quero pensar nisso"?! Como se só o facto de pensar pudesse atrair a "desgraça"?! ("lagarto, lagarto", "cruzes, canhoto" ... LOL)
Por outro lado, quantas vezes, mecanicamente, como se de uma verdade de Lapalisse se tratasse, em momentos de crise nos aconselharam a ter "pensamento positivo"?!
Acho que a maior parte das pessoas acredita na lei da atracção sim... só que não sabe... ;)

Se formos reler os meus posts (não se assustem que não é preciso, eu cito...) recentemente, escrevi "tudo quanto é merda começa a acontecer-me" era no tal contexto de tudo correr mal porque o estamos a atrair com a nossa negatividade... No último, falo em dominar os sentimentos "negativos", sugerindo que, se só deixarmos desenvolver-se os positivos, a vida nos corra melhor... Num em que falo sobre a felicidade digo "...se apreciarmos aquilo de bom que temos na vida em vez de nos lamentarmos do que não temos..." mais uma vez a ideia de que não vale a pena "agarrar-mo-nos" áquilo que não interessa... And so on... (era só o que mais faltava estar praqui a reler a conversa de chacha toda que tenho escrito... ; )
Resumindo, tenho estado a apregoar, de uma forma muito mais atabalhoada é certo, grande parte da teoria da lei da atracção... E isto sem saber ler nem escrever...
Sou ou não sou genial?!
LOLOLOLOLOLOLOLOLOL

Agora a sério... não percebo nada de física quantica, nem de imans ou de forças mentais... A realidade é que a minha experiência me diz que, de uma forma ou de outra, e vá-se lá saber porquê, esta coisa funciona mesmo. Tã, nã, nã, nã... Tã, nã, nã, nã... (isto era suposto ser a música do Twiligh Zone... LOL)

Try it!




terça-feira, 25 de setembro de 2007

Somos todos animais, mas uns são mais animais que os outros

Ás vezes pergunto-me porque nos chamam animais "racionais"...

Segundo a Wikipédia; "Razão é a faculdade de raciocinar, de apreender, de compreender, de ponderar, de julgar..."
Segundo Oscar Wilde; "O homem é um animal racional que perde sempre o controlo quando se lhe pede para que haja de acordo com os ditames da razão"
Pois...

Para que nos serve a inteligência se não a usarmos no dia a dia?
Se funcionarmos por acção/reacção o que nos distingue do macaco?

Há uma série de "sentimentos" que não são "úteis" para ninguém... inveja, ciúme, vingança, raiva, ressentimento...
Quando "under influence" destes tornamo-nos totalmente irracionais, perdemos completamente o controle (já dizia o outro ali em cima...).
Dizemos coisas que não pensamos (ou pelo menos que não queríamos dizer), fazemos coisas que consideramos erradas, agimos contra os nossos interesses e os dos outros, às vezes que não têm nada a ver com o assunto, enfim...
Será que não temos capacidade para controlar este "fenómeno"?
Claro que sim... a questão é acreditar nisso e po-lo em prática...

Não acredito que ninguém se sinta bem a fazer uma cena de ciúmes ou a ter um ataque de raiva. São reacções provavelmente instintivas/defensivas, como a de fugir de um perigo, mas que não nos "protegem" de nada, antes pelo contrário. Ao te-las fragiliza-mo-nos, torna-mo-nos vulneráveis. Se em vez de nos deixarmos levar por estes "instintos" aprendermos a controla-los, a racionaliza-los a transforma-los em algo de positivo, o resultado final será com certeza sensivelmente melhor.

Não estou de forma alguma a defender o "corno feliz" ou a "Madre Teresa de Calcutá"... não estou a dizer "ofereçam a outra face"... É natural defender "o que é seu", reagir perante agressões, sentir-se triste perante certas atitudes... Não me parece é normal que esses sentimentos tomem conta de nós, nos dominem e façam shut down ao nosso cérebro. Não me parece normal a quantidade de cretinices insignificantes com que algumas pessoas se ofendem. Ou o sentimento de revolta perante tudo e mais alguma coisa. Ou o sentimento de posse que leva ás desmesuradas cenas de ciúme. Não temos cabeça só para usar chapéu e se vamos deixar as emoções reinar no nosso dia a dia estamos bem feitos ao bife para nos integrarmos em sociedade...

Se investirmos nas emoções saudáveis...no amor, na amizade, na ternura, na compaixão (sim, também fui ver o Dalai Lama... LOLOLOLOLOL) e formos erradicando as doentias, no fim iremos sem dúvida ter um mundo muito mais pacífico. Os homens não são bons por natureza, não me venham cá com coisas... Basta observar os putos, como conseguem ser cruéis... mas isso trabalha-se, aprende-se e consegue-se, estou certa, se se investir nisso de coração e acreditando que seja melhor para todos.

No fundo o que estou a defender é que, se para além de arranjarmos maneira de ir à lua, de encontrar a cura para a Sida ou de criar transportes não poluentes, também evoluíssemos no sentido de dominar as nossas emoções, o mundo seria provavelmente um lugar muito mais agradável. A sensação que tenho é que o homem tem tido uma evolução essencialmente tecnológica, que agora se calhar não seria pior investirmos cada um mais em nos tornarmos mais humanos e menos animais.

A realidade é que a maior parte das pessoas nem tenta. Acho que nem tem a noção de que estas coisas possam ser mudadas. Assumem-se como "sou assim, sou assim" e "quem quiser que me ature" e vivem toda uma vida sem cortar as ervas daninhas do seu carácter.
Notem que é sem dúvida muito mais fácil de falar do que de agir... ainda este fim de semana tive uma que outra crise de mau feitio, que não serviram (como nunca servem) absolutamente para nada a não ser para criar desconforto, sem que tivesse conseguido corta-las pela raíz. A realidade é que pelo menos tento... estou a evoluir... cada vez tenho menos coisas destas. Talvez um dia consiga deixar de as ter de todo e aí garanto que vou ser ainda mais feliz.






quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Insisto ou desisto?

Na frase que tenho em cabeçalho (que é para mim uma verdadeira "Bíblia") a parte mais importante, mas também a mais difícil, é sem dúvida a última...
"... sabedoria para perceber a diferença."

Conheço uma pessoa, que não nomearei (LOL), que na minha opinião "não é feliz" sobretudo porque é absolutamente incapaz de "perceber a diferença"... É exasperante... É impressionante a serenidade com que aceita coisas que poderia perfeitamente mudar, às vezes até sem grande esforço e a força sobre-humana que tem para lutar contra o que muito provavelmente é impossível de mudar. Se desse mais importância à terceira parte seria "invencível" ; )
Bem, mas não estou aqui para falar de "desperdícios"... LOL

Todos nós já estivemos algures durante a vida perante o dilema do "should I stay or should I go" (LOL) ... As situações que me ocorrem assim imediatamente são de relações amorosas ou de trabalho, mas de certeza que há mais...
Nessas alturas pomo-nos sempre a mesma questão, insistir ou desistir? Quando é que "já chega"? Quando é que passa a ser lícito abandonar o barco? Será que me estou a acobardar?
Lixadéx... pois.

Ultimamente tenho andado embrenhada em situações destas... não só pessoalmente como à minha volta tenho tido muita gente com o mesmo tipo de questões...
No meu caso, optei por "saltar fora". Estou muito, muito aliviada e com a nítida sensação de ter feito a coisa certa, em todos os sentidos.

Quando as coisas estão "bem", quando estamos felizes num certo contexto, estas questões não se põem. Estamos portanto a falar de situações em que nos sentimos tão mal, que nos começamos a perguntar se não seria melhor acabar com elas de uma vez por todas.

Acontece que essas situações não são "a preto e branco"... se só tivessem um lado "mau" não estaríamos nelas logo à partida. Acabar com elas tem em geral tantas implicações no resto das nossas vidas que muitas vezes é absolutamente assustador. Para além disso, na maioria das vezes, vamos afectar também a vida de terceiros o que é uma responsabilidade que não podemos assumir de ânimo leve...

Enfim... não é fácil...
Não acredito que se deva "aconselhar" ninguém a romper com uma situação. Cada um sabe de si e neste tipo de coisas os timings sendo importantíssimos, é necessário que se dê um "clic" que tem de ser interno...

O que vou então fazer é explicar-vos quais são, no meu caso específico, os sintomas de que o melhor é dar rapidamente corda aos sapatos antes que aconteça "alguma desgraça"... ; )

A ordem não é importante e o "red alert" dá-se quando estes começam a acumular-se:

- Perda de sentido de humor (esta é mesmo pessoal e intransmissível visto que há pessoas que já nasceram desprovidas dele), quando começo a perder o sentido de humor numa relação, seja ela pessoal, de trabalho, seja o que for, em geral é muito mau sinal... O meu estado "normal" é a mandar bocas e piadinhas, quando isso não acontece é porque algo está realmente errado (tipo perda de apetite...).

- Começo a desejar diariamente que a situação não se repita no dia seguinte... Se for trabalho começo a desejar estar de férias, ou que chegue o fim de semana ou até estar doente para não poder ir... Se for uma relação, que aconteça alguma coisa (muito trabalho, uma viagem, whatever, que nos separe) para não ter de lidar com a pessoa.
Acho que a melhor maneira de explicar esta sensação seria "uma espécie de saudades, mas ao contrário"...

- Uma relação, seja ela qual for é uma coisa que tem de ser alimentada, gerida, cuidada, trabalhada... quando as coisas começam a dar realmente para o torto perco a capacidade de dar "o meu melhor". Isto não quer dizer que "abandalhe" ou que me balde às minhas obrigações (que eu sou muito responsável, infelizmente... LOL) mas só que deixo de conseguir "dar" basicamente... Não consigo dar tempo extra, atenção extra, produção extra... só faço o estritamente necessário.

- Quando as coisas estão mal, tudo é posto em questão... até as nossas qualidades, as necessárias para a função que estamos a por em causa... Nessas alturas, eu própria começo a duvidar delas... características que assumia como trunfos meus começam a parecer-me cada vez menos certas. Tudo o que faço passo a fazer com insegurança e fraca auto-estima.

- Todas as situações na vida tem os seus prós e contras. A ideia é manter-mo-nos nelas enquanto o balanço se mantiver positivo. Quando a coisa está para acabar deixo de conseguir "sentir" as coisas boas... Consigo perfeitamente vê-las, racionaliza-las, disseca-las, comenta-las... (este emprego é excelente... ou este homem é fantástico... porque isto, aquilo e aqueloutro...) mas "na pele" só consigo sentir as partes más.

- Se não estou bem fico "nervosa", se fico nervosa começo a ter sintomas psico-somáticos... No meu caso começa geralmente pelo estômago, visto que tenho uma gastrite... entre dores e enjoos venha o diabo e escolha. Ataca-me também as orelhas pois tenho eczemas nervosos crónicos, começa com uma comichão e acaba com sangue... O sono, quando a coisa é "grave", também costuma ser afectado e começo a acordar várias vezes durante a noite, o que não ajuda propriamente a descansar.

- Finalmente, e algumas pessoas me dirão que não tem nada a ver... tudo quanto é merda começa a acontecer-me. Não vou tentar vender este peixe a ninguém porque não posso provar que os factos estejam relacionados... apenas acredito nisso, é uma questão de "fé"...
Parece que o universo pensa: Ai é? A gaija está numa má? Atão toma lá... E pimba, leva lá com gata morta... Agora desaparece a cadela, pa-pum... E que tal um sustito com o filhote? Também temos... Toma lá com um "eczema generalizado" para ver se gostas... Chega ou queres mais? Já estás satisfeita?!
Então despede-te lá e deixa-te de merdas que ninguém nasceu para sofrer...

A realidade é esta... se identifico que uma situação me faz perder o sentido de humor que me caracteriza, que fico literalmente doente só de pensar em manter-me nela, que não consigo dar-lhe o meu melhor, que o que faço é com insegurança e que só consigo sentir tudo o que de mau ela me trás... Então expliquem-me como é que posso querer ser feliz?

É um fracasso na nossa vida?!
"Success is not final, failure is not fatal: it is the courage to continue that counts." Winston Churchill

I'm back!!!
; )

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Realidades alternativas

No passado fim de semana, estivemos com um casal que foi carinhosamente apelidado por nós de "casal alternativo"... ; )
São pessoas doces, calmas, com um ar sereno e pacífico.
Levaram o "carimbo" de alternativos devido a ideias várias que foram partilhando connosco.

Só para terem uma ideia do que estou a falar;
Tiveram a terceira filha em casa (assistidos por uma parteira e uma doula) e fazem a apologia do parto natural, em ambiente reservado, fora da confusão e desumanização dos hospitais.
Não vacinam os filhos, apostando nas imunidades naturais.
Têm um pediatra tradicional e um medico alternativo a seguir as crianças. Costumam consultar os dois e optar pelo conselho que lhes pareça fazer mais sentido.
Em tudo, aliás, confiam na intuição.
Não se assumindo como vegetarianos, macrobióticos, etc, têm um extremo cuidado com a alimentação, estudando sobre o assunto e pondo em pratica no dia a dia o que vão aprendendo.
Acreditam que se os pais estiverem bem as crianças estão bem, não parecem preocupar-se com as pequenas contrariedades do dia a dia.
Os miúdos andam "à solta", sem grande controle ou limitações da parte dos pais.
Enfim... não vou continuar a descreve-los ad eternum...

A certa altura, comentaram o facto de a Europa ser "a Disneylandia do Mundo". Diziam que a maior parte de "nós", com os nossos frigorificos, telemoveis, carros, supermercados, etc... não se dá conta de como a esmagadora maioria "do resto do mundo" vive, em que precárias condições.
E ficaram com um ar triste, angústiado, culpado quase de terem aquilo a que esses outros não têm acesso...

Lembrei-me logo de um livro que li há tempos, "A flor do deserto", de uma senhora chamada Waris Dirie. Nasceu na Somalia, numa família nómada e fugiu para a "Disneylandia do mundo" tornando-se manequim profissional.
Foi submetida a uma excisão quando tinha cinco anos e luta hoje activamente contra a mutilação sexual feminina.
A sua infância não teve, sem dúvida, rigorosamente nada a ver com a dos nossos filhos.
O seu presente deve ser bastante semelhante (talvez com uns euritos a mais na conta LOL) ao de qualquer um de nós.

Não tenho qualquer dúvida de que, se tivesse de voltar à vida que levava na Somália, seria profundamente infeliz. A questão é... será que o era enquanto lá estava?
Dir-me-ão "claro que sim, senão não se tinha pirado"... ou "estás-te a passar ou quê? Excisão??!!! Hello??!!"
Não, ainda não estou completamente estúpida e não era obviamente disso que estava a falar...
Ela fugiu porque não se queria casar com um velho que o pai lhe arranjou. E não há qualquer hipótese de eu defender que a excisão possa trazer qualquer tipo de felicidade...
Mas enquanto nada disto aconteceu?
Nasceu "em casa" (que é como quem diz na moita), não foi vacinada, não comia "porcarias ", vivia em liberdade, na natureza, no meio dos animais...
Enfim... suponho que estejam a ver onde quero chegar... ; )

Aquela criança não conhecia mais nada, não tinha termo de comparação. A vida dela era "aquilo", uma existência muito básica. Viveu uma vida dura (com três anos já ia pastar rebanhos, por exemplo), difícil, mas que não descreve como sendo "horrível", até lhe acontecer o que aconteceu e que despoletou a fuga...
Este tipo de realidade, em que vive grande parte do mundo, tem muito em comum com aquilo a que aspiram "os alternativos". Comunhão com a natureza, regresso a uma existência mais básica (no bom sentido), mais desprovida dos malefícios da sociedade moderna, dos corantes, dos conservantes, das microondas, da poluição, do stress...

Não estou de forma alguma a defender a miséria, a fome, as guerras ou as excisões... não estou a dizer que não haja pessoas a viver de forma sub-humana... só que há realidades alternativas sim, mas que não são obrigatoriamente tão más como possam parecer à primeira vista.

Quando andava no liceu, namoradeira como era, tinha uma "rival"... uma miúda giraça, com boa pinta, inteligente, muito cobiçada pelos meninos... Não me lembro se alguma vez lhe dirigi a palavra...
Há tempos "reencontrei" essa miúda, que já não é miúda nenhuma mas uma velha como eu (LOLOLOLOLOLOLOLOL) e tornámo-nos amigas.
Descobri então que, enquanto eu saltava alegremente de nenúfar em nenúfar, numa adolescência preocupada exclusivamente com coisas perfeitamente idiotas, ela tinha ficado sozinha em casa com uma mãe abandonada pelo marido, depressiva e alcoólica, que não conseguia tomar conta dela própria quanto mais de uma filha... Era esta que tomava conta da casa, que limpava, que cozinhava, que se preocupava com as contas por pagar...
A sua auto estima estava tão em baixo que nem se dava conta de que tinha direito ao título de rival, de que era apreciada, gabada, invejada... Pudera!
Esta rapariga andava, como já disse, no mesmo liceu que eu, tinha a minha idade, era do mesmo extracto social... e no entanto... que realidades tão diferentes!

A tendência, quando se fala em sofrimento humano é "ir" para zonas de fome, de guerra, de tortura. Mas até na porta ao lado existem realidades alternativas. E estas não têm obrigatoriamente a ver com questões sociais...
Temos os nossos filhos em casa, saudáveis e felizes e há pais que "vivem" nos hospitais, com crianças doentes, deficientes, moribundas... não é preciso ir a um hospital em África para ver miséria humana.

Não digo que devamos apoiar os lobbys das farmacêuticas, a corrupção, a exploração humana, as injustiças sociais ou as guerras... Mas também não me parece muito sensata esta obsessão com "a miséria do terceiro mundo". Em todo o lado há pessoas a viver nas piores situações imagináveis, em todo o lado há sofrimento... sofrimento físico, sofrimento psicológico. Que tal começarmos por olhar para a casa ao lado?






segunda-feira, 2 de julho de 2007

Carpe Diem... the big picture

"Carpe Diem"... desde que vi o Clube dos Poetas Mortos (confesso que antes não conhecia) que sinto uma ligação muito forte com estas palavras...
Segundo pesquisei na Net: "Carpe Diem" quer dizer "colha o dia". Colha o dia como se fosse um fruto maduro que amanhã estará podre. A vida não pode ser economizada para amanhã. Acontece sempre no presente."
É um sábio conselho que para mim faz todo o sentido...

Desde há muito tempo que tenho intuitivamente uma clara noção da efemeridade da vida.
A realidade é que grande parte das vezes a morte não se faz anunciar... Num dia estamos por cá e no seguinte quem sabe onde estaremos. Bem diz "ele o povo" (LOL), "vive a tua vida como se não houvesse amanhã, um dia acertas".

Notem que falo em morte mas poderia falar em doença, enfermidade ou qualquer outra fatalidade daquelas que nos "revolucionam" a vida... para drasticamente pior, claro está.
E não só a nossa vida... também a dos que nos rodeiam nos afecta, dos nossos pais, dos nossos filhos, dos nossos irmãos, dos nossos amigos...
Quando nos despedimos de alguém não sabemos se o voltaremos a ver, ou em que estado. Mais vale aproveitar em pleno os momentos que passamos juntos.

Mesmo sem recorrer a ideias tão dramáticas, a realidade é que a vida não pára, não recuperamos o tempo que "perdemos". Se não aproveitar-mos o dia a dia para fazermos algo por nós, pela nossa vida, pela nossa qualidade de vida, pela nossa felicidade, um dia acordamos e a vida passou-nos ao lado. As inercias, as preguiças,
os medos de fazer aquilo que sabemos querer fazer, trazem-nos frustração no presente e desânimo conforme este se vai transformando em passado. "Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje..."
É do presente que se constrói um passado, não do futuro.

Não estou de forma alguma a fazer a apologia do "não olhes para a frente, sê inconsciente, não faças planos, não tenhas objectivos"... Tudo o que fazemos hoje terá sem dúvidas implicações amanhã e isso tem obviamente de ser ponderado. Isto tanto é válido para o comer um quilo de cerejas que nos vão provocar uma real caganeira como para o despedirmo-nos do emprego.

Agora se "colhermos o dia como se fosse um fruto maduro que amanhã estará podre", se tivermos noção de que o que de bom temos hoje pode já lá não estar amanhã, isto ajudar-nos-à a fazer as opções mais "correctas". E "o que de bom temos hoje" pode ser a nossa juventude, a nossa saúde, a nossa autonomia, a nossa própria vida. Não devemos "perder tempo" com caminhos que nos "fazem mal". Se não estivermos com pressa, porque havemos de escolher a autoestrada em vez de ir pela marginal a ver o mar?

Mas para além do "carpe diem", do "colher o dia", do aproveitar ao máximo o que de bom a vida tem para nos dar, há mais uma razão para vivermos HOJE...

Todos nós temos problemas, assuntos para resolver... dúzias deles, pequenos, grandes, médios...
Muitos deles não podem ser resolvidos "na hora", implicam tempo, trabalho, paciência... não se fazem, vão-se fazendo... Ora isto ás vezes é absolutamente desesperante...
Eu que o diga que ando há anos a lutar contra a minha pelintrice, por exemplo... LOL

O que quero dizer é que quando se olha para o "big picture" às vezes é realmente assustador... Vemos uma montanha à nossa frente, cheia de obstáculos a ultrapassar e falta-nos o folego...
O viver o hoje, um dia de cada vez (como os alcoólicos anónimos), um passo de cada vez, permite-nos manter as forças. Ou pelo menos não as desperdiçar.

Para começar, o dia só tem 24horas, quer queiramos quer não, e "Roma e Pavia não se fizeram num dia"... Não vale portanto a pena querer "meter o Rossio na Rua da Betesega". (esta foi só para os curiosos como eu, que não sabia onde era a porcaria da rua... LOL) E mais, "grão a grão enche a galinha o papo"... LOLOLOLOLOL
Falando sério... (juro que não bebi nada, é mesmo só estupidez natural...) temos tendência para ver os ditos problemas (ou coisas a resolver) como um todo, o que no fundo não está errado. A realidade é que a maior parte das vezes estes têm de ser resolvidos por etapas, um pé à frente do outro, um passo de cada vez. Não há teleportes infelizmente. Ora se continuarmos a olhar para a montanha desesperamos.

As coisas estão sujeitas a tempos de reacção, reacção nossa, reacção dos outros. Se estivermos sempre a "jogar xadrez", a antecipar mentalmente as situações, a tentar visualizar todas as hipóteses, a querer prever tudo o que possa acontecer e tudo o que poderemos fazer a esse respeito, damos em doidos.

A ideia é portanto escolher um rumo e ir seguindo a bússola... calmamente, lidando com o que se nos vai deparando pela frente, as tempestades, a bonança, os ventos contra ou a favor... e já agora ir apreciando a paisagem : )
Carpe Diem !