quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

É pi barce day...

Faz um anito que aqui venho cagar sentenças...

Quando comecei não fazia a mínima ideia de quanto tempo iria "aguentar"...
Confesso que nunca pensei ter tantas coisas para dizer, a realidade é que quanto mais escrevo mais me surgem.
O facto de algumas das pessoas que cá vieram no início continuarem a vir leva-me a pensar que o que digo possa de facto ter alguma espécie de interesse.
Tive imensas inseguranças no início, imensas dúvidas sobre se deveria continuar, ou para quê continuar.

A realidade é que a certo ponto do campeonato me dei conta de que se calhar não estava a escrever só para vocês...
O facto de dizer/escrever as coisas faz-me tomar consciência de que as penso/sinto... sempre foi assim.
Quantas vezes durante uma conversa me dei conta de que tinha opiniões que desconhecia... É um pouco como se as coisas não existissem antes de as verbalizar.
Este Blog tem-me servido um pouco de terapia, uma forma como outra qualquer de auto-conhecimento.

Têm-me gabado a coragem de me "expor desta maneira"...
A realidade é que não é uma questão de coragem visto que não me custa, não me assusta, não me afecta minimamente, como já referi sou uma stripper emocional... LOL

Também não estou nada preocupada em me contradizer. Devo mesmo dizer que ficaria muito triste se daqui a uns tempos relesse o que escrevi e estivesse de acordo com tudo. Era muito mau sinal, sinal de que não tinha evoluido...
Não tenho a prepotência de me julgar detentora da verdade absoluta ou sequer de achar que as minhas ideias valham mais do que outras e estou sempre aberta a ser criticada, prooved wrong...
Já dizia o sábio Churchill: "In the course of my life, I have often had to eat my words, and I must confess that I have always found it a wholesome diet. " ;)
Claro que como também dizia o mesmo: "I am always ready to learn although I do not always like being taught. " LOLOLOLOLOLOL

Dito isto, penso continuar a vir partilhar as minhas pequenas receitas, os meus sucessos e os meus fracassos, na esperança de que possam fazer bom proveito a alguém.
Lamento não ser um grande "chef"... são receitas caseirinhas, a maior parte autodidactas, com bases apanhadas aqui e ali.
Volta não volta até falho os pratos que descrevo, mas what the hell, nem todos os dias correm bem na cozinha...

Estou muito longe da perfeição (seja lá o que isso for... LOL), mas no caminho é que está o gozo e acreditem que tiro um verdadeiro gozo da limagem de arestas, do combate ás características defeituosas, da constante metamorfose da minha personalidade.
Como qualquer pessoa tenho os meus momentos de desânimo, de falta de fé.
Mas sempre recupero porque sei que ser feliz depende exclusivamente de mim... ninguém nem nada me vai fazer feliz, a felicidade vem de dentro para fora.

Quero agradecer a todos os que têm participado activamente neste Blog, a demonstração do seu interesse é o que o tem mantido vivo.
Gostava muito que, não só esses como também os que costumam ficar na sombra (que sei serem bastantes mais), deixassem uma palavrinha a dizer o que acham de toda esta conversa de chacha. Não é preciso identificarem-se, podem deixar comentários anónimos, só gostaria sinceramente de saber a vossa opinião sobre este Blog.
Curiosity killed the cat... LOL


Happy Birthday Mr. President - Marilyn Monroe

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Triste aceitação

Neste ano que acabou cheguei a uma triste aceitação...
Digo "triste" simplesmente porque gostaria que assim não fosse, mas aceitar a realidade é sempre uma boa coisa.
Neste ano de 2007 consegui finalmente aceitar que não somos amigos das pessoas só porque queremos muito sê-lo.
Quem me conhece, e quem me tem lido, sabe a importância que atribuo à amizade e logo porque é que isto me custa. Mas o facto de o perceber e sobretudo aceitar trouxe-me sem dúvida muita paz de espírito.
Isto vem ao encontro do que tenho "apregoado", de que ás vezes algum sofrimento é saudável e ajuda-nos a evoluir.




A realidade é que, tal como as relações amorosas, a amizade tem de ser bilateral. Tem também de ser constantemente trabalhada e está sujeita a um determinado número de regras sem as quais não pode ser considerada uma amizade.
O meu objectivo hoje não é discutir essas regras.
Embora algumas possam ser subjectivas e discutíveis, as noções principais são comuns a toda a gente.

As nossas relações na vida não se limitam aos amores e ás amizades... temos as relações familiares, as relações de trabalho, as pessoas com quem confraternizamos de vez em quando, estes podem ser ex-colegas de liceu, o grupo de jogo, da caça, da vela, da tropa, etc... pessoas de quem não nos podemos considerar propriamente amigas mas que apreciamos e com quem gostamos de conviver ocasionalmente. Enfim, não vou estar práqui a perder tempo a enumerar todo o tipo de relações que podemos ter com alguém...
Todas estas relações se podem entre cruzar. Há familiares com relações amorosas ou de amizade, colegas de trabalho que são amigos, ou amantes, ou familiares... And so on...

No meio desta confusão toda uma pessoa pode facilmente perder-se e confundir as coisas... Foi o que me aconteceu nos últimos quarenta e dois anos...
Simplesmente não conseguia aceitar que ás vezes não é possível ser-se amigo de quem se gostaria de ser...

A vantagem que as relações amorosas têm sobre as amizades é que, regra geral, as coisas são mais claras.
Talvez não logo no início, mas a partir de certa altura torna-se bastante óbvio que estamos perante uma relação amorosa.
Temos só uma (em princípio... LOL), sabemos qual é, sabemos em que estado está, sabemos a quantas andamos.
Se é unilateral chama-se "um ganda galo" e passa-se à frente com mais ou menos dificuldade, mas continua a ser obvio.
Percebe-se quando estas relações começam e percebe-se quando acabam...

E quanto à amizade? Onde começa uma amizade?

Era bom que fosse assim...


Quais são as provas da sua existência?
O que nos diz que acabou?
Na realidade ás vezes é difícil conseguirmos distinguir uma amizade de outro tipo de relação.
Não basta gostar muito de alguém para se ser seu amigo a amizade é uma coisa viva, uma coisa activa, que tem de se alimentar, para a qual se tem de trabalhar, de preencher os requisitos. Se assim não for não quer dizer que seja uma má relação, simplesmente que é "outro tipo" de relação...

O meu primeiro grande choque foi por volta dos dezanove, vinte anos...
Um ex-namorado meu, deveria mesmo dizer o meu primeiro namorado importante, com quem andei durante dois anos, o que nessas idades é uma eternidade, e de quem me tinha posteriormente tornado grande amiga, foi "proibido" de continuar a falar comigo...
Ele deixou de falar comigo...
Nunca mais "falou" comigo...
Até hoje...
Quer dizer, ele fala comigo (ainda o vejo volta não volta), diz-me bom dia, boa tarde, então qué feito... mas a nossa amizade, aquela que eu considerava uma grande amizade, acabou de um momento para o outro.
Ele não contestou a "ordem"... valores mais altos se impunham... era uma questão de prioridades... a nossa relação perdeu.
Eu pura e simplesmente não conseguia aceitar isso. Mas como é que era possível? Como é que tudo o que tínhamos em comum se podia desvanecer assim?
Primeiro fartei-me de insistir, depois desisti para fora mas continuei a achar para dentro que era só uma fase, que um amigo não desaparecia assim da nossa vida...
Vinte e tal anos depois percebo que desaparece mesmo.

Tive poucos anos depois outra machadada na amizade, de uma amiga daquelas amigas com A grande, daquelas com quem passamos metade do dia e a outra metade ao telefone, daquelas com quem partilhamos tudo. Mais uma vez valores mais altos se elevaram. A altura em que mais teria precisado dela coincidiu, por grande galo, com o início de uma relação...
A amizade morreu? Não sei, não sei o que lhe posso chamar hoje em dia... até porque já passaram mais de vinte anos e a relação dela já não está no início. Esmoreceu sem dúvida (a nossa relação, a deles não sei... LOLOLOLOLOLOLOL) ... nunca mais nos vimos diariamente e raramente passamos horas ao telefone...
Se calhar é a vida, se calhar tinha acabado por acontecer de qualquer maneira... mas não há dúvidas de que qualquer coisa quebrou naquele momento.

Tive também algumas "amizades YoYo"... daquelas que vão e vêm... Daquelas em que durante um certo período vemos regularmente a pessoa, com quem partilhamos a nossa vida, e noutras alturas nem sabemos se está viva.
Nestas últimas chamar-lhe amizade será talvez um over statement...
A vida muda, os interesses mudam, os hábitos mudam, ás vezes até são as próprias pessoas que se mudam....
Umas vão sobrevivendo com ups & downs, como os interruptores, outras nem por isso.Vai-se criando um afastamento e quando damos por nós já não há amizade, desvaneceu-se no tempo e no espaço...

Há também as pessoas de quem queremos muito ser amigos... de quem gostamos muito... com quem temos um daqueles outros tipos de relação que mencionei acima e com quem gostaríamos de ter uma verdadeira amizade.
Mas nem sempre isso é possível... O outro pode não querer ser nosso amigo, ou pura e simplesmente não saber como. Não basta um dos lados "puxar" por uma amizade... não basta um esforço unilateral... simplesmente não nos é possível ser amigos dessa pessoa, por razões que muitas vezes nos ultrapassam.




Em todas estas situações eu resisti...
Em todos os sentidos...
Recusei-me sempre a perder essa amizade, ou a não chegar a tê-la...
Não me dava conta de que isso é tão patético e inútil como insistir num amor que não é para ser...
Que não é porque "queríamos muito" que vamos conseguir...
Sempre "me chorei toda" por causa deste assunto.
Sempre me lamentei, tentei arranjar forma para que não fosse assim... e a realidade é que nunca resultou. As pessoas só são de facto amigas se ambas quiserem e fizerem por isso.

Hoje vivo finalmente em paz com essa ideia, compreendo e aceito que para além dos amigos há "os outros", que não são melhores nem piores (como dizia a minha querida professora de História da Arte) são simplesmente diferentes...
Aceitei este facto, cá dentro, da mesma maneira que consegui aceitar, ao fim de muitos anos, que por muito que quisesse nunca seria "um casal" com o meu "lançador de santolas"... ;)




domingo, 30 de dezembro de 2007

Ter um filho fez de mim uma pessoa melhor

Dizem que os filhos vêem ao mundo para nos ensinar, no meu caso é uma grande verdade... e o que me saiu na rifa vem bem artilhado para o fazer ; )

Tenho-me sentido melhor comigo própria nos últimos anos e o convívio com os outros tem-se tornado cada vez mais fácil, mais agradável.
De repente dei-me conta de que ando a treinar há anos, a treinar com o meu filho, a descobrir receitas, a limar arestas, a chegar a conclusões...
No fundo, sem sequer me dar conta, tenho andado a frequentar um curso intensivo de "conheça-se a si própria e aprenda a viver consigo e com os outros".

O amor incomensurável que sinto por ele leva-me a fazer esforços que nunca me tinha dado ao trabalho de fazer por mais ninguém.
A consciência de estar perante um ser em formação, para quem o meu exemplo vai ser crucial, tem-me feito encarar as minhas atitudes e acções com mais seriedade.
O seu crescimento trouxe-me a consciência de que cada dia é um dia, com as suas características, limitações e vantagens.
A sua felicidade, sim porque o meu filho também é uma pessoa obviamente feliz (embora ainda não tenha votado no meu inquérito... LOL), levou-me a perceber que é uma coisa simples, nós é que complicamos...

Com ele tenho aprendido a tentar arranjar outras maneiras de explicar as coisas, quando a inicial não estava a resultar, em vez de me irritar com o interlocutor por não me estar a compreender.

Tenho aprendido a manter a calma, a não me enervar com ninharias, a não me saltar tanto a tampa, a não dar importância ao que "tem remédio".

Tenho aprendido que o sentimento que temos por uma pessoa é sempre igual, mesmo quando estamos "piúrços" com ela. Que apesar de ás vezes até apregoarmos o contrário os sentimentos não andam para cima e para baixo como os interruptores. Quando se gosta, gosta-se, apesar de podermos ter vontade de atirar o outro pela janela. Uma crise não põe tudo em questão...

Tenho aprendido que não é justo tentarmos impor a nossa vontade só "porque sim", que deve haver uma razão para as coisas. Não é obrigatório que a partilhemos mas convém que exista e que esteja para além do nosso egoísmo natural. Se vamos exigir ou proibir alguma coisa a outra pessoa é bom que seja por uma razão válida.

Tenho aprendido que com força de vontade se consegue tudo. Que se uma criança consegue largar a chucha ou deixar de roer as unhas eu só posso mesmo deixar de fumar. Que o "não consigo" é na realidade uma desculpa para "não estou para me dar ao trabalho".

Tenho aprendido a perceber que cada versão de um mesmo acontecimento pode ser absolutamente verdadeira para cada um dos envolvidos. Que cada pessoa vê os eventos do seu ponto de vista e que este pode ser muito diferente de indivíduo para indivíduo. Que o que dizemos pode ser interpretado de mil e uma maneiras e que nem sempre conseguimos transmitir o que queríamos embora estejamos convencidos de que o fizemos.

Tenho aprendido que se aprende muito a observar os outros. Que não aprendemos só quando estamos a "ser ensinados". Que o exemplo dos outros é uma escola das mais evoluidas e que podemos ganhar muito tempo se aprendermos as coisas sem ter obrigatoriamente de passar por elas.

Tenho aprendido que não se deve passar a vida a correr, que se deve viver com calma, que tudo corre mal quando temos pressa. Que o stress só serve para que façamos tudo ao contrário, que digamos o que não queríamos, que nos enervemos com quem está mais próximo. Que mais vale acordar mais cedo e levantar-se com calma do que dormir mais uns minutos. Que quando as coisas são feitas a correr não são apreciadas. Que cada momento da nossa vida é único e não deve por isso ser menosprezado.

Tenho aprendido a não me "pré-ocupar"... a pegar nos assuntos em mãos se for caso disso, dar o meu melhor e depois logo se vê. Tenho ganho a noção de que ainda vou ter de passar por muitos sustos, muitas angústias, muitas situações complicadas, que é a ordem natural das coisas e que o facto de me preocupar com elas não vai evitar que aconteçam. Há portanto que lidar com os assuntos conforme vão acontecendo.

Tenho aprendido que ás vezes devemos pensar nos outros antes de pensarmos em nós próprios. Que sabe bem uma certa dose de "sacrifício", que compensa largamente "sermos pelos outros", que a devoção a outro ser humano nos aquece por dentro. Que é bom sentirmos que estamos a ajudar, a apoiar, a acarinhar alguém, mesmo que essa pessoa não dê o devido valor ao que estamos a fazer por ela.

Tenho aprendido que não devemos fazer as coisas de uma certa maneira só porque sempre foi assim. Que as tradições são importantes se fizerem sentido. Que a maneira que os nossos pais tiveram de nos educar deve ser seguida se acharmos que resultou. Que se o mundo muda nós também temos de mudar, de nos adaptar aos tempos que correm, em todos os sentidos.

Tenho aprendido que somos capazes de muito mais força, de muito mais proezas do que julgamos. Que estamos sempre em idade de aprender, de estudar, de praticar. Que tanto física, intelectual ou emocionalmente somos sempre muito mais fortes do que julgávamos e que para nos darmos conta disso basta tentarmos, termos a coragem de tentar.

Tenho aprendido que todos os dias são um desafio, que todos os dias aprendemos qualquer coisa, que todos os dias ficamos mais ricos com a experiência da vida. Que não interessa que tenhamos cinco anos ou quarenta e dois, estamos sempre em mutação, em constante evolução.

Tenho aprendido que amar alguém não é fazer-lhe as vontades todas. Que ás vezes a atitude certa a tomar nos vai fazer doer o coração. Que ás vezes os castigos que aplicamos aos outros acabam por nos doer mais a nós.

Tenho aprendido que com diálogo tudo se resolve e que é importante dar a entender aos outros o que pensamos e sentimos e tentar perceber o que pensam e sentem. Que ninguém consegue ler a mente alheia, por muita empatia que haja entre as pessoas, por muito bem que se conheçam. Que os mal entendidos podem ser duríssimos, difíceis de ultrapassar. Que é importante pedir desculpa quando achamos que errámos. Que é importante exigir respeito e consideração da parte dos outros e tê-los por eles.

Tenho aprendido que ás vezes não sabemos o que é melhor para nós. Que a "pica" do momento pode toldar a nossa razão. Que ás vezes em prol de um prazer imediato acabamos por abdicar de outro maior. Que ás vezes quem está de fora vê melhor o cenário do que nós, que é importante ganhar recuo em relação à vida.

Tenho aprendido que ás vezes basta um elemento estar desequilibrado para todo o grupo sofrer emocionalmente. Que o mau humor, o mau feitio podem lançar o mau estar à nossa volta. Que se não nos controlarmos, se dermos rédea solta aos nossos moods podemos criar uma reacção em cadeia em que toda a gente se sente mal e já ninguém sabe porquê.

Tenho aprendido que é bom tornar os outros felizes. Que é bom ter como objectivo na vida a felicidade alheia para além da nossa própria. Que esta não dependendo de nós, visto que cada um faz a sua, a realidade é que podemos contribuir largamente para ela.

Tenho aprendido a ver a vida de uma maneira simples. Que as coisas não são complicadas, nós é que temos tendência a complica-las. Que apesar de tudo continuamos a ser bichos, se estivermos em paz tudo corre sempre bem. Não vale a pena estar sempre à procura de sarna para nos coçarmos.

Mais importante que tudo, tenho aprendido a viver hoje, como se não houvesse amanhã, a não desperdiçar tempo para me transformar numa pessoa decente e não deixar para amanhã o que posso ser e tornar feliz hoje.

Ainda não tenho a escola toda, ainda tenho muito que estudar, praticar, fazer trabalhos de casa... mas pelo menos já me dei conta de que estou inscrita.





Obrigada Pedro... ;)



You Are My Sunshine.mp3 -

domingo, 23 de dezembro de 2007

Um dia de cada vez...

Quando me dispo perante vós amiguinhos, conhecidos e desconhecidos, não é de forma alguma por exibicionismo ou pela soberba de achar que o meu caminho é melhor do que os outros. Donde pensam que vêem as conclusões a que vou chegando, as decisões que vou tomando, a minha forma de ver a vida? Não nascem por geração espontânea na minha cabeça... São resultado de coisas que vou observando por aí, de conversas que vou tendo, de filmes que vou vendo, de merdas que vou lendo... Ora quem sabe se o ler esta merda não vos poderá dar ideias também? Quanto mais não seja de como não fazer alguma coisa... ;)

Ora sou já apelidada de doente por causa da minha organização. Vários indivíduos da nossa praça, que muito prezo, olham para mim, como se fosse um ser de outro planeta... Acontece que resulta sim. E se conseguirmos aliar bom senso, bom raciocínio e boa onda as coisas correm sempre quanto mais não seja mais calmamente, mais serenamente.

O truque é levar um dia de cada vez.
Mas antes do mais é preciso organizar... Buuuuuuuuuu!
Sorry, para mim tem de ser... para mim, para os castores, para as formigas, para as abelhas... LOL
Olhamos para o que temos pela frente. Fazemos um plano de ataque. Definimos objectivos, tarefas e timings, dentro do razoável e sem nos tornar-mos doentes... LOL e arregaçamos as mangas.

Por muito que queiramos o dia só tem 24h. Por muito que as tentemos esticar há um número limitado de coisas que conseguimos fazer num dia. Se não estivermos atentos, a nossa vida profissional invade a nossa vida pessoal de forma desastrosa, fazendo vacilar o nosso lado emocional.
Não vale a pena num mesmo dia querer levar as crianças à escola, ter uma reunião na outra banda, ir ao supermercado, fazer as compras de Natal e ir buscar uma coisa a casa daquela tia onde não se consegue entrar sem ficar pelo menos meia hora (LOL) antes de ir buscar as crianças à escola. Dá desastre... Stressamos os putos logo de manhã para se despacharem a sair de casa, ficamos em pulgas por causa do transito, tentamos despachar a reunião, não almoçamos para ainda ter tempo de ir ás compras, esquecemo-nos estupidamente de comprar o leite, que era o que fazia mais falta e já não estamos minimamente com cabeça para escolher prendas de Natal, acabando por comprar mesmo assim uma que outra para despachar a coisa, dando-nos conta mais tarde que na loja ao lado custava metade do preço. Como temos mesmo de ir buscar a tal coisa a casa da tia e dado o adiantado da hora, vamos buscar os putos primeiro e vamos lá com eles, onde ela lhes oferece lanche e acabamos por lá ficar uma hora, chegando a casa já completamente apertados para o banho e o jantar (que não querem comer porque lancharam ás sete da tarde) e a caminha porque amanhã á escola...
Uf! Esta vida é um inferno...

Ok, chamem-me estúpida se quiserem mas, logo no inicio da minha descrição dava para ver que era um projecto extremamente ambicioso. Garanto-vos no entanto que conheço mais do que uma pessoa que funciona nestes moldes.
Porquê? Porque para começar estão-se nas tintas, são cool... vão deixando andar... Depois, não têm qualquer noção das horas, as cebolas que usam no pulso são só para enfeitar... Não têm também qualquer noção do tempo que cada coisa demora a fazer, nem pensam nisso. Resultado, quando apertam as dead lines ficam ó tio, ó tio, que já não tenho tempo para fazer tudo. Depois, como tentam fazer tudo de uma vez, acabam por fazer as coisas ás quatro pancadas ou deixar parte incompleta o que quer dizer que no dia seguinte vão ter outra vez parte das mesmas tarefas para tratar e outras que apareceram entretanto...
Pffffffff! Depois eu é que sou doente... Ah, Ah, Ah, Ah, Ah... you must be joking...

O meu truque vou-vos dizer qual é... (para além de ser uma ganda palhaça e vocês me darem o desconto das calinadas que vou dizendo à conta de uma que outra gargalhada...) Viver um dia de cada vez! Verdade de Lapalisse... mas que é MUITO mais fácil de apregoar do que de por de facto em pratica...
Viver um dia de cada vez implica estar muito consciente de que não é de facto possível, por muito que desse jeito, passar o elefante pelo buraco da agulha... Depois, na minha opinião (embora pontualmente possa não ser possível) o dia deve ser dividido entre vida profissional e vida pessoal de uma maneira equilibrada. De preferência nenhuma deve interferir com a outra. Não se consegue trabalhar e dar atenção a uma criança ao mesmo tempo, por exemplo... E finalmente, tendo como horizonte os objectivos que nos propusemos e como guias as tarefas que organizámos, mas sem olhar para o big picture a não ser pelo canto do olho, ir em frente and do what you have to do, que amanhã é um novo dia.

Falei e disse... e "doente" ou não resulta munta bem... Grunf!

domingo, 16 de dezembro de 2007

As várias fases de uma tomada de decisão importante...

Dei-me conta recentemente, por causa da tal proposta de negócio, que em cada tomada de decisão importante passo pelos mesmos estados.

1) Fico contente, orgulhosa, inchada, por ter sido posta perante a escolha. O meu ego dispara, fico bem disposta, cheia de energia positiva.

2) Começo a pensar seriamente no assunto, nos detalhes da coisa. A perguntar-me se estou à altura do recado. Começa uma fase de insegurança. Sinto-me em geral totalmente confortável relativamente a alguns pontos da questão mas totalmente incerta em relação a outros. Estes outros são normalmente zonas cinzentas, aquilo que não controlo (I'm a control freak LOL), aquilo que não conheço, aquilo que não domino. Começa a instalar-se uma certa ansiedade.

3) Começo a pedir opiniões. A fazer uma análise conjunta. Vou tendo opiniões muito diferentes e a tomar consciência de que há várias abordagens à questão. O nó no estômago começa a desfazer-se devagarinho.

4) Vou mantendo os eventuais interessados ao corrente do que me vai passando pela cabeça sem qualquer tipo de censura, dispo-me completamente sem pudor, digo tudo o que sinto, tudo o que me entusiasma, tudo o que me preocupa, tudo o que me atormenta, todas as minhas questões e dúvidas. Sou completamente transparente, incapaz de fazer joguinhos. Isto permite que me sinta honesta, integra, justa. Cartas na mesa, é com esta situação que estamos a lidar. Faço-o normalmente por escrito pois ajuda-me a estruturar as ideias, a ter uma noção do que penso e sinto realmente quanto ao assunto. Este período é mais de tensão do que qualquer outra coisa.

5) Depois de muita análise racional desligo o cérebro. Recuso-me a pensar no assunto, distraio-me, vejo um filme, jogo com o pessoal, não interessa. Depois de uma noite dormida sobre o assunto acordo com uma decisão. Sinto-me bem e aliviada. A parte da tomada de decisão é a mais difícil. Uma vez feita a escolha é uma questão de arregaçar as mangas. Ou de não pensar mais no assunto se se tiver decidido cair fora.

6) Sinto-me confiante, optimista, cheia de força. Começo a interiorizar a nova situação. Se for caso disso, começo a organizar a casa, em termos de horários, de mudança de hábitos. Implico toda a gente na engrenagem, novas regras. Vou entrando devagarinho na nova vida, passo a passo, um degrau de cada vez.

Ok, isto é a reação típica que tenho quando estou perante uma tomada de decisão importante.
Agora é o seguinte, como me disseram em resposta ao meu polémico questionário; "quase todos nós poderíamos escrever um blog".
Isto não é de todo verdade por uma razão muito simples, é que o comum dos mortais não tem cu para vir aqui todas as semanas cagar sentença sobre algum assunto, mais nada. É preciso um empenho, uma vontade de dizer coisas, uma cagança, que muito pouca gente tem. Basicamente é preciso ser full of shit... ;)
Não deixa no entanto de ser verdade que qualquer pessoa tem coisas a dizer, opiniões sobre os assuntos, tão válidas como outras quaisquer, e que, se tivesse pachorra, o poderia fazer.
Dito isto, onde estou a querer chegar é a que não me vejo de todo como detentora da verdade absoluta e que estou ainda muito verde em relação a certos aspectos da vida. O que não quer dizer que não tenha consciência de pelo menos parte da merda que faço. Faço-a à mesma, vez após vez, mas pelo menos ao ter consciência disso vou conseguindo gradualmente melhorar algumas coisas.

A minha intenção com este Blog é tentar ajudar a malta, partilhando as conclusões a que vou chegando e dando as tais "pequenas receitas" para nos tornar mais felizes. Umas resultam para uns, outras não, mas a intenção é que conta ; )
Vou então brevemente comentar o que acho que está bem e o que acho que pode ser controlado/melhorado na minha atitude.

1) Isto é bom. Deixa assim.

2) Erro! Faço demasiados filmes...
Faz-me lembrar o tipo da anedota, não sei se conhecem? Tem um furo à noite, no meio do nada, e vê lá ao longe uma luz acesa numa casa. Decide ir até lá pedir um macaco emprestado. Pelo caminho começa a pensar. Porra, não me apetece nada ir incomodar as pessoas a esta hora. Bem, eles têm a luz acesa... Se calhar esqueceram-se e estão a dormir. Vou acorda-los. Se os acordo é uma chatice, ainda são capazes de acordar mal dispostos. Ainda desatinam comigo por estar a tocar à porta. Mas porra, estou no meio de nenhures e não tenho macaco, o que é que eles queriam que eu fizesse? Também não é caso para ser desagradável, temos de ser uns para os outros... e vai andando nestes pensamentos, até que chega finalmente à casa, toca à campainha, atende uma velhinha amorosa e ele diz-lhe: sabe que mais? Meta o macaco no cu!
(eu sou obviamente o tipo do macaco e não a velhinha amorosa... LOL)

3) Bom, bom, do best. Muito gratificante. Não há como ouvir. De preferência à esquerda e à direita...

4) Não! Não, não... definitivamente não. Sem jogos tudo bem, honestidade tudo bem, mas pôr tudo assim em cima da mesa tá mali. Gera insegurança do outro lado. Podem não compreender que é um processo para chegar a conclusões, não um medo derrotista. Ainda por cima por escrito, o que é um erro ainda maior visto que dá azo a más interpretações por não estarmos frente a frente com o interlocutor estudando-lhe assim as reacções. A evitar. Escrever tudo bem, but keep it for yourself. Farto-me de tentar mas ainda não consegui fazer nada relativamente a este ponto. Cometo CONSTANTEMENTE o mesmo erro.
Mas como já devem ter reparado eu sou uma stripper emocional inveterada... Pedem-me, ou nem sequer pedem, garantidamente não me pagam nada por isso (LOL), e eu dispo-me toda...
É mau, é mau, haja decência... sabe-se lá quem é que me está a ler... posso estar a passar ideias subversivas a teen-agers inconscientes...

5) Bom, muito bom. O cérebro precisa de ser desligado antes do veredicto final. A decisão final é sempre emocional. Depois de muito pensar à de deitar tudo fora e SENTIR. Uma noite de sono depois de um período em que nos desligámos do assunto é milagrosa. Tomam-se garantidamente as decisões certas.

6) Eventualmente demasiado cauteloso, ou maricas se preferirem, tipo a malta que entra na água em cinco minutos em vez de mergulhar de cabeça. Preciso no entanto de um período de transição, em que ainda não estou bem nem dentro nem fora. (Agora ia ser muiiito ordinária! Mas não vou ser... LOL) Por outro lado se me deixo enredar logo pelo novo projecto as coisas pessoais vão sempre ficando para trás e a minha vida de control freak torna-se caótica. Tenho portanto de ter as coisas organizadas desde o início. That's just me...

Pronto, caguei sentença, despi-me, gozei convosco, estou satisfeita... "todos vós" se sintam à vontade para rebater (no ceguinho... seca, muito seca...), estou aqui para as curvas. ; )

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

My way...

Há tempos escrevi um post sobre "insistir ou desistir", sobre como saber quando se deve largar mão de alguma coisa... encontro-me agora perante a situação contrária... Tenho de decidir se vou participar num negócio ou não. Tenho de decidir se vou comprometer-me com um modo de vida ou não. Tenho de decidir se estou à altura da situação. Tenho de avaliar a dita situação e a mim própria para decidir se me vou casar com ela.

Não sei o que vou decidir, sinto no entanto o seguinte:
Que da mesma maneira que a felicidade é hoje, a vida também. Que não sei onde vou estar amanhã, se é que vou estar em algum lado. Que a vida é feita de compromissos e que temos de fazer opções. Que temos de ter muito cuidado, nas situações em que nos metemos para não comprometer demasiado o presente em prol do futuro.
O meu filho só é pequenino uma vez (como a minha avó me ensinou a dizer à minha mãe para a chantagear... LOL), quero "estar lá" para ele. É importante para mim fazer ginástica, faz-me sentir saudável, hoje. Não abdico (excepto pontualmente e a título de excepção) dos meus fins de semana, trazem-me equilíbrio. Enfim uma série de outras coisas que colaboram para que num núcleo familiar se possa considerar que se tem qualidade de vida.

Acontece que, quer queiramos quer não, e não vamos voltar à conversa do euromilhões, a realidade é que a nossa qualidade de vida passa obviamente também pelos bens materiais. Ora tirando os casos em que de facto alguém ganha o dito euromilhões ou opcionalmente se casa com um multimilionário nonagenário com um cancro de estado quatro, o dinheiro não cai do céu, é preciso lutar por ele. O empréstimo da casa não se paga sozinho e o supermercado não vende fiado.

Aqui é que a porca torce o rabo... pelo menos para mim, que sei que há malta para quem estas decisões são o menor dos males. Cada um lida melhor com um certo tipo de decisões. Eu por exemplo não tenho problema nenhum em me comprometer emocionalmente com as pessoas. A coisa agrada-me, sinto-me bem, pareço feliz, o outro parece feliz, então vamos em frente. Dá resultado, não dá resultado, depois logo se lida com o isso. Sem experimentar é que nunca iremos saber e não se desperdiça uma potencial oportunidade para ser feliz ao lado de alguém. Neste momento há meia dúzia de idiotas a rir-se de mim e a dizer que com os negócios é exactamente igual. Para mim não é. (como é que se faz um smiley a deitar a língua de fora?)
E já agora só uma nota para quem não me conhece (que segundo o meu inquérito é só uma pessoa) o "idiotas" era carinhoso, até porque a maior parte desses idiotas são os meus melhores amigos...

A realidade é que é preciso escolher muito bem os compromissos que se faz na vida. A diferença entre o meu poder de decisão no que diz respeito a relações versus o mesmo relativamente a trabalho é que com as pessoas eu acredito imenso nos meus instintos enquanto que em relação a trabalho estes são praticamente inexistentes. Dá-me portanto um trabalhão a separar o trigo do joio. Chegar racionalmente à conclusão de que, primeiro estou ou não á altura do recado, segundo os sacrifícios que vou fazer compensam o que vou ganhar com a história.

É que há quem seja "a natural" para o negócio, quem tenha visão, quem tenha garra, quem tenha espírito e sentido comercial, quem seja competitivo. Não é o meu caso, não lido bem com o stress, torno-me numa pessoa pior, para o meu filho, para o meu marido, a minha família, os meus amigos, os meus bichos. Também não reajo bem sob tensão, tenho tendência a tomar as decisões erradas.
Cada um de nós tem a sua forma de viver. Uma amiga minha faz paraquedismo, chutos de adrenalina... eu não tenho qualquer apetência, sou mais sopas e descanso. E notem que não quer dizer que não gostasse de saltar, tenho aliás um salto prometido, não era é capaz de o transformar num hobbie. Sou no entanto capaz de passar horas sentada à frente do computador a escrever posts idiotas ou a compor "livrosdephotos" para oferecer no natal. Ok, pronto, confesso, esta foi publicidade descarada, mas só porque acredito no produto, dá umas prendas fantásticas... (senão acham mesmo que passava horas á frente do computador a compô-los com tanto cuidadinho?)

Dito isto, não quero ser como o tipo da anedota, que tem uma doença fatal e Deus lhe aparece a dizer que o vai salvar. Marcam-lhe uma operação com o melhor cirurgião do mundo da especialidade e ele recusa porque diz que Deus vai salva-lo. Descobrem um remédio milagroso e ele não o toma porque Deus vai salva-lo. Podia estar aqui a tarde toda mas facto é que o homenzinho acaba mesmo por morrer e quando se encontra frente a frente com Deus pergunta-lhe: então não tinhas dito que me ias salvar? Ao que Deus responde: deves estar a gozar comigo... mandei-te o cirurgião, mandei-te o remédio... recusaste tudo, estavas à espera de quê, dum milagre, não?!
Pois... realmente não quero ser como o caramelo...
Mas também não quero ser como aquelas pessoas que estacionam o carro a três quarteirões, no primeiro spot que lhes aparece à frente, só porque têm medo de não arranjar lugar à porta.

Somos nós que fazemos o nosso caminho, como tal é importante que ele seja agradável, em todos os sentidos e tanto quanto possível.
Isto não tem a ver com vidas perfeitas nem com querer ter tudo. Em todas as situações há coisas boas e coisas más, é normal. É preciso manter o equilíbrio da nossa balança interior e saber escolher bem os carreiros e como os queremos palmilhar.

Só quero poder dizer isto quando estiver perante a "cortina final":



And now, the end is near;
And so I face the final curtain.
My friend, Ill say it clear,
Ill state my case, of which Im certain.

Ive lived a life thats full.
Ive traveled each and evry highway;
And more, much more than this,
I did it my way.

Regrets, Ive had a few;
But then again, too few to mention.
I did what I had to do
And saw it through without exemption.

I planned each charted course;
Each careful step along the byway,
But more, much more than this,
I did it my way.

Yes, there were times, Im sure you knew
When I bit off more than I could chew.
But through it all, when there was doubt,
I ate it up and spit it out.
I faced it all and I stood tall;
And did it my way.

Ive loved, Ive laughed and cried.
Ive had my fill; my share of losing.
And now, as tears subside,
I find it all so amusing.

To think I did all that;
And may I say - not in a shy way,
No, oh no not me,
I did it my way.

For what is a man, what has he got?
If not himself, then he has naught.
To say the things he truly feels;
And not the words of one who kneels.
The record shows I took the blows -
And did it my way!

domingo, 2 de dezembro de 2007

Nenhum homem é uma ilha...

Ok, talvez este post seja um pedacinho babalu... podemos sempre desculpar-nos com a actual época festiva... LOL


Mas... se a nossa felicidade depende quase só e exclusivamente de nós... a realidade é que "nenhum homem é uma ilha", a nossa atitude faz diferença na vida dos outros.
Quer queiramos quer não vivemos em sociedade, temos de interagir. A maneira como o fazemos vai interferir com o estado de espírito do outro e a sua reacção vai interagir com o nosso, as emoções não são estanques.

Infelizmente as atitudes tipo Calvin

parecem muito mais frequentes do que as do tipo Patch Adams...

Porque é que a má onda é tão mais fácil de se propagar?
Há quem afirme que o bicho homem é "bom" por natureza ... eu não subscrevo essa teoria, antes pelo contrário. Basta observar as crianças, a crueldade que conseguem demonstrar.

O que nós dizemos e fazemos tem influência na vida dos outros quer queiramos quer não.
Não acredito que possamos fazer uma pessoa feliz. Acreditem que já tenho tentado e não resulta se a pessoa em questão não estiver também a fazer por isso...
Como perguntava a Julia Roberts no Pretty Woman, "Por que é que as coisas más são tão mais fáceis de acreditar?"

"Com o mal dos outros posso eu bem..." costuma dizer-se... a nossa dor é sempre muito pior do que a do vizinho. Quando estamos bem então, é muito difícil perceber a dor alheia. Isso ás vezes torna as pessoas insensíveis, sobretudo as que nunca estiveram na mesma situação.
As mulheres que nunca sofreram com o período, dificilmente conseguem entender as que sofrem, acham em geral que é "mariquice"... curiosamente os homens tendem a ser mais tolerantes, visto que não seria espectável que conhecessem a sensação, parecem mais dispostos a acreditar que possa de facto ser bera. Mas enfim, isto era só um aparte. ;)
Isto é válido também para o sofrimento emocional.
Estou a dizer isto porque acho que há uma grande falta de tacto ás vezes da parte das pessoas, tão atentas a certas coisas e tão insensíveis relativamente a outras. As pessoas tendem a ser muito pouco equilibradas nesse sentido. Se estão num dia bom são capazes de mover mundos e fundos para ajudar o próximo, mas se estão num dia mau não hesitam em mandar abaixo sem dó nem piedade. E isto pode atingir o outro como uma bala.
Se uma pessoa já está completamente down, palavras irreflectidas podem piorar bastante a situação. Se uma pessoa já se está a sentir-se "uma merda", sem grandes razões para ser feliz, a confirmação disso por terceiros não vai garantidamente ajudar.

Por outro lado vejo pessoas tão aparentemente preocupadas com os outros, tão dispostas a ajudar, a fazer voluntariado, a praticar a caridade com estranhos e tão pouco interessadas em fazer o mesmo com quem está ao lado.
Conheço pessoas activas a ajudar os outros, os sem abrigo, os toxicodependentes, os doentes, os indefesos, que participam em acções organizadas para tal mas que não vejo minimamente estender a mão ás pessoas que lhes são próximas e que poderiam ajudar muito mais eficazmente exactamente por causa dessa proximidade.
Não quero que vejam aqui qualquer desprezo por este tipo de ajuda. Acho louvável que haja quem o faça. Acho também que nem todos os que o fazem são como acabei de descrever, a realidade é que o verifiquei demasiadas vezes... demasiada gente mais facilmente é caridosa com estranhos do que por exemplo com a sua própria família e isso faz-me muita confusão.

Ajudar o próximo não precisa obrigatoriamente de ser uma grande e nobre acção.
Se estivermos atentos ás pequenas coisas que se vão passando ao nosso lado verificamos que o podemos fazer "on a daily basis".
Como se costuma dizer, "grão a grão enche a galinha o papo", se formos todos praticando pequenos gestos uns com os outros estamos garantidamente "a ajudar". Se formos simpáticos para uma pessoa é natural que ela seja simpática de volta, e isso é bom...
O problema é que os resultados não são sempre visíveis... se levarmos uma refeição quente a um sem abrigo teremos garantidamente muito mais reconhecimento pela nossa acção do que se fizermos um sorriso a alguém na rua... dá-nos muito mais a sensação de estar a fazer algo pelos outros.Mas quando recebo um sorriso parece que sinto um quentinho cá dentro, o mais natural é que a próxima pessoa me aparecer à frente seja também agraciada com um sorriso. As coisas boas também se espalham...
Não sei se viram o filme "Pay it forward", se não viram deviam ver... Apresenta uma ideia interessante, a de devolver a outro o que alguém fez por nós.
Eu sou mimada, mimo os outros e crio um ambiente de boa onda.

Acho que estava só a tentar transmitir que o que é mesmo importante é tentar trazer o próximo para cima, não manda-lo para baixo, não aproveita a ninguém. Que "o próximo", pode na realidade estar mesmo próximo. E que é muito mais fácil do que se pensa ajudar a puxa-los... porque no fundo




Pronto, estou babalu assumida... que ça f*** ;) Bom Natal a todos...

LOLOLOLOLOLOLOLOLOLOL

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

A mad, mad, mad world...

Gentes, sentem-se e apertem os cintos que este post vai ser longo...

No outro dia diziam-me "a cabeça das pessoas anda toda f..."
Pudera!!! Já pensaram com o que as pessoas têm de lidar hoje em dia?
Nos últimos, digamos trinta anos, as coisas mudaram a uma velocidade alucinante... é sobre isso que vou falar hoje.
A ideia não é "dizer mal"... como se costuma dizer "não há bela sem senão" e se calhar este estado das coisas é transitório e quando as gerações se habituarem a ele volta a haver harmonia.
Mas que os entretantos são complicados...

Senão vejamos:

Vivemos hoje na era da informação e da comunicação, temos dezenas de canais de televisão, internet, telemóveis...
A abundante informação a que temos acesso é no entanto frequentemente falsa, manipulada através de meios tecnologicamente avançados e dificilmente detectável. Dantes o que ouvíamos no telejornal, o que líamos nos jornais, era geralmente verdade, hoje em dia é difícil "separar o trigo do joio" e saber de facto com o que estamos a lidar.
Os computadores já conseguem atingir uma imitação tal da realidade que qualquer dia é difícil de distinguir.
As imagens entram-nos pela vida a dentro, constantemente nos deparamos com cenas violentas, com a miséria humana, com a desgraça. Já não há qualquer tipo de "pudor social", se existe é para se ver e aparece nos telejornais, nos outdoors, nas revistas, na internet, nos mails, sem pedir licença. Dantes ouvíamos falar das coisas, agora temos uma visualização das mesmas quer queiramos quer não.
Graças à internet toda a gente (que tenha tido aulas comigo, claro... LOLOLOLOLOL) tem acesso a todo o tipo de informação. Até a bomba atómica é explicada online... Se este exemplo não é propriamente muito preocupante outros há que já o serão mais...
Podemos comunicar com pessoas que não conhecemos de lado nenhum, tornar as nossas ideias públicas, mas se não tivermos cuidado acabamos completamente devassados sem saber ler nem escrever...
Fazemos um videozinho porno caseiro ou tiramos umas fotos porcas com o telemóvel (eu não faço nada disso, é só um exemplo... LOLOLOLOLOLOLOLOL) e acabamos por eventualmente aparecer online... dantes eventualmente o amiguinho dava umas risadas e a coisa ficava-se pelo bairro...
As coisas entram-nos pela vida a dentro sem pedir autorização... dantes, para estarmos informados sobre determinado assunto tínhamos de ir à procura da informação, ou pelo menos de estar atentos aos meios de comunicação. Hoje em dia, não só nos referidos meios de comunicação mas também através dos mails que recebemos, somos informados sobre o que queremos e sobre o que não queremos... que os cães e gatos na china são transportados para abate em condições insustentáveis, que as mulheres em certos países sofrem mutilações terríveis, e sei lá mais oquê... coisas relativamente ás quais pouco ou nada podemos fazer e se calhar éramos mais felizes se não tivéssemos de visualizar.
As figuras públicas não podem dar um peido sem que haja vinte mil sites a cagar sentença sobre o assunto. Públicas, públicas, mas há limites...

Por outro lado certos valores imemoriais foram completamente alterados. Um exemplo flagrante disso é que em termos tecnológicos os mais velhos já não ensinem nada aos mais novos, antes pelo contrário. Isto confunde-se facilmente com os mais velhos já não terem NADA para ensinar aos mais novos, o que é obviamente uma coisa completamente falsa.
Os mais velhos sentem-se no entanto inseguros, têm de lidar com uma realidade que disparou para uma velocidade alucinante e sentem-se a perder o barco. Não conseguem acompanhar o ritmo e muitos estão completamente perdidos já não sendo capazes de efectuar as tarefas que dantes lhes eram corriqueiras.
As pessoas, não só em termos de trabalho como de hobbies, de interesses, etc... estão cada vez mais especializadas, a tendência parece-me mais no sentido de se saber muito de uma coisa do que pouco de muitas. Isto isola as pessoas, limita o universo em que se conseguem mover confortavelmente.
O facto de se poder fazer tanta coisa online também vai afastar as pessoas do convívio umas com as outras. Mandam-se mails, fazem-se compras, faz-se pesquisa, até se joga online (Oh my God, é o fim do nosso Casino... LOLOLOLOLOLOLOL) qualquer dia as pessoas não precisam de falar umas com as outras... logo tornam-se cada vez mais individualistas.
Mas por outro lado cada vez menos têm direito a momentos a sós consigo próprias... começou com o telemóvel e já vai na Internet Móvel, estamos contactáveis de várias formas em qualquer lado. Qualquer dia nem na praia temos desculpa para não enviar "aquele relatório de excel"...
Tudo parece tecnologicamente possível hoje em dia, já muito pouco nos surpreende.
Por outro lado, coisas que tínhamos como certas no passado são postas em questão por estas avançadas tecnologias.

Vive-se num clima de total insegurança... Terrorismo, pedofilia, violência, tudo pode estar ao virar da esquina. Continua a haver locais mais perigosos do que outros mas em todo o lado se sente a ansiedade. A pequena Maddie desapareceu de Portugal, já não é só nos Estados Unidos que há assassinatos nas escolas ou atentados terroristas.
Por outro lado passamos a vida a ser assediados por causa das Vacas Loucas, da Gripe das Aves, sei lá mais oquê. Já ninguém sabe bem o que é realmente seguro comer, ou fazer...

Até no que diz respeito à saúde as coisas estão diferentes... dantes tínhamos o nosso médico, que íamos consultar quando qualquer coisa não estava bem. Ele anunciava-nos o seu diagnóstico e receitava-nos um tratamento que nós seguíamos.
Hoje em dia já conhecemos montes de sintomas de tudo e mais alguma coisa, quando vamos ao médico já vamos cheios de certezas ou de dúvidas relativamente a casos terríveis de que ouvimos falar ("será urina de rato?"LOLOLOLOL). Depois de ele nos dar o seu veredicto vamos investigar à Net e decidir se ele nos diagnosticou como deve de ser. Se não gostamos do diagnóstico teremos de procurar outro médico. No que diz respeito ao tratamento também teremos de ir verificar se é de facto o adequado, afinal de contas hoje em dia somos todos "quase médicos"... O problema é quando deparamos com informações contraditórias, aparentemente todas elas de fontes fiáveis e credíveis, aí é que a porca torce o rabo.
Dantes havia menos tratamentos para as doenças, mas será que havia tantas?
Garantidamente não se espalhavam pelo mundo como agora, com o intercâmbio rápido de gente que há com a facilidade em viajar de hoje em dia.
E a quantidade de crianças que pela lei da selecção natural não estariam cá?! O sofrimento a que todos estamos sujeitos...
Por outro lado dá-se um regresso ao naturalismo. Algumas pessoas estão por exemplo a deixar de vacinar as crianças. Mas como disse alguém num comentário ao assunto, "a percentagem da população vacinada também funciona como um factor que dificulta a propagação da doença", ora ao não vacinarem as criancinhas estão a fazer um retrocesso na erradicação da doença.
Por outro lado dão-se antibióticos por tudo e por nada, qualquer dia quando for realmente necessário não fazem efeito.

Não fomos nós pessoalmente que fodemos (pardon my french) o planeta... mas sentimo-nos como se tivéssemos sido. Não dá para voltar para trás de um momento para o outro nos disparates ecológicos que temos cometido ao longo da história da humanidade, não estamos mentalmente preparados para isso. Fazem-nos sentir culpados por consumir recursos como se tivéssemos sido nós a fazer o buraco na camada de ozono. Há cada vez mais gente extremista... Há quem se choque porque "os leds dos telemóveis gastam muita água"... Quem se angustie porque não percebeu bem se os pacotes de leite deveriam ir para o papel ou para as embalagens visto que têm metal por dentro.
Há cada vez mais uma noção de globalização que, se por um lado é verdadeira, por outro ainda não é... o facto é que não temos todos os mesmos problemas ou simplesmente as mesmas realidades. Logo não conseguimos sentir-nos iguais ao resto do mundo. Mas hoje em dia, para além dos problemas pessoais e locais, sentimo-nos com o peso dos problemas mundiais nos ombros... é muita coisa para carregar.

Disto veio também o politicamente correcto, não se pode mencionar o facto que "todos diferentes, todos iguais" é uma ganda treta, e que há diferenças grandes sim, entre homens e mulheres, entre pretos e brancos, entre povos, entre pessoas... o medo de ofender chamando as coisas pelos nomes, admitindo que elas existem e resolvendo o que houver a resolver. Acham que por não falar nas coisas elas deixam de existir.
Apagam-se as Torres Gemeas do filme do Homem Aranha e o 11 de Setembro nunca aconteceu...
Isto leva à censura e á castração das liberdades individuais que tanto defende.
Altera a vivência das coisas.
Uma educadora de infância contou-nos há uns tempos que em Inglaterra elas não podem tocar nas crianças, pode ser considerado assédio, se uma criança se magoar não podem po-la no colinho para lhe dar mimo porque podem ser processadas pelos pais...
Por outro lado a defesa dessas liberdades individuais leva a extremismos assustadores... as tatuagens e piercings radicais que já todos recebemos por mail, é o desespero de ser diferente, de dar nas vistas...

Está a haver paralelamente um culto obsessivo do corpo (ginástica, dietas, operações plásticas) e da mente, cada vez se fala mais em espiritualidade.
Mas cada vez é mais difícil seguir um caminho espiritual, há demasiada escolha... faz-me lembrar a primeira vez que entrei numa Fnac em Paris, fui à secção da fotografia e havia tantos livros que não consegui decidir-me por nenhum e acabei por sair de mãos a abanar...
Anyway... cada vez há mais religiões e seitas. As pessoas já não sabem em que acreditar...
As religiões ancestrais foram criadas para lidar com um estado das coisas que está hoje em dia completamente alterado. Muitas coisas em que continuam a "teimar" deixaram de fazer sentido à muito tempo... Veja-se o caso do Vaticano no que diz respeito ao uso do preservativo e aos riscos de Sida.
Por outro lado tudo é posto em questão como na história do Codigo Davinci por exemplo.
As pessoas andam tão desesperadas por acreditar, por ter fé em seja o que for, que muitas vão parar a cultos duvidosos onde o seu desespero é chulado até à medula.

Este excesso de escolha é cada vez mais comum em todos os campos da nossa vida.
A escolha profissional era dantes muito mais fácil, não havia tantas opções, os miúdos acabam ás vezes por se sentir perante uma escolha de estudos como eu me senti na Fnac perante os livros de fotografia.

Também já não há tempo para nada.
A vida corre tão depressa que tudo hoje em dia é feito para poupar tempo.
Os carros estão mais rapidos, os aviões, os computadores... Cada vez vamos portanto "metendo mais coisas" no nosso dia a dia ficando com horários cada vez mais apertados.
Depois falta tempo para coisas como a educação das crianças, por exemplo. Temos de trabalhar, de ir ao super-mercado, de tratar da casa, quando é que vamos arranjar energia para os educar? E não só para os educar mas sobretudo para perceber como...
Hoje em dia fica-se arrasado só com a energia necessária para conseguir manter os padrões de vida que os nossos filhos esperam que lhes proporcionemos. Os Gameboys, as Playstations, os telemóveis, as roupas de marca... porque sem eles se vão sentir infelizes nesta sociedade cada vez mais consumista.

E podia estar aqui a massacrar-vos durante mais umas horas... LOL

Sei que este post foi muito longo... peço desculpa pela seca a quem conseguiu chegar até aqui ; ). Propuseram-me dividi-lo em vários posts mas achei que não fazia sentido.
A ideia era apresentar o que disse como um todo, como um conjunto incompleto de alterações à realidade a que a maior parte de nós estava habituada.
Quis só demonstrar que é mais do que normal que a cabeça das pessoas ande toda f... e que tenham dificuldades em ser felizes. O mundo de hoje não ajuda... mas é possível ; )))





domingo, 18 de novembro de 2007

Vira o disco e toca o mesmo...

Ia comentar os últimos comentários do post anterior mas dei-me conta de que tinha tanta coisa para dizer que o melhor mesmo era escrever novo post sobre o assunto...

Devo começar por dizer que estou muito contente com a quantidade de comentários que este Blog tem recebido ultimamente, é muito gratificante, fico feliz... LOL
Dito isto é impressionante verificar como a ideia de que a felicidade é uma escolha parece tão óbvia para alguns e tão inacreditável para outros...

Muitos afirmam querer atingir a felicidade, como se esta fosse uma meta...


Eu partilho a opinião de que a felicidade é "aqui e agora" e não "um objectivo a ser trabalhado".

Nem sempre me considerei feliz, ou tive noção de que o era e de que continuar a se-lo dependia quase só exclusivamente de uma escolha minha, de uma atitude, de uma forma de ver a vida, tão simples quanto isto... Acho que a partir do momento em que tomamos consciência deste facto tudo muda. E isto dá-se com um Clic...

Julgo que seja ponto assente que, por muito que tudo isto faça sentido para nós, pode haver circunstancias que alterem drasticamente este estado de felicidade. Falou-se por exemplo da morte de um filho mas pode haver outras e diferentes de individuo para individuo.

Mas relativamente a este assunto gostava de vos contar uma história:
Tive uma aluna que tinha três filhos, o mais novo era deficiente profundo.
Antes de saber que estava grávida teve uma forte constipação e tomou um remédio qualquer que basicamente destruiu o cérebro do bebé.
Este, na altura em que conheci a mãe, tinha cerca de quinze anos, estava colado a uma cama desde que nasceu, era cego e tinha recorrentemente problemas respiratórios que o mandavam de urgência para o hospital.
Perguntei à mãe se ele a reconhecia, ao que ela respondeu "acho que sim"...
Não consigo sequer começar a descrever o que esta resposta provocou em mim... não estamos a falar de uma pessoa com amnésia, esta mãe não tinha a certeza absoluta de que o filho fizesse distinção entre ela e as outras pessoas que tratavam dele pois não tinha qualquer tipo de reacção. Dizia ela que de vez em quando lhe escorria uma lágrima pela cara abaixo, logo alguma emoção devia sentir...
Quando fiz um comentário em como aquela situação devia ser horrível para ela, respondeu-me:
"Sim, é duro, mas não podemos dar demasiada importância a estas coisas, senão como é quando for uma coisa realmente grave?"


Ainda hoje me pergunto o que será uma coisa grave para esta senhora...
A realidade é que, digo eu que não a conheci tão bem como isso ;) , ela tinha de facto um ar feliz. Não acredito no entanto que levasse o filho para o hospital, entre a vida e a morte, de "sorriso nos lábios".

A felicidade vem de dentro para fora, alguém dizia que "viu razões mais do que suficientes para não ser ou estar feliz", a maior parte das pessoas tem tendência para se focar sempre muito mais no que corre mal, nos problemas, nos desgostos, nas chatices, nas merdas do dia a dia, do que naquilo que de facto tem de bom na vida.
Por outro lado é sempre muito melhor, muito mais apetecível, muito mais valioso, muito mais interessante, aquilo que não se tem do que aquilo que se tem. Já sem falar do facto de que a galinha da vizinha dá sempre muito mais leite do que a minha, como dizia o Herman, há sempre razões para o gajo do lado estar muito melhor do que eu.

A realidade é que a felicidade passa obrigatoriamente por uma grande dose de auto-estima, para se ser feliz é preciso não só querer como sobretudo acreditar que se merece.
Embora toda a gente afirme que quer ser feliz eu não acredito que isso seja verdade, acho que há pessoas que por razões que me ultrapassam não julgam ter esse direito.

Contando outra piquena história:
Num dos sítios onde trabalhei havia uma rapariga que sofria horrores todos os meses com o período. Era extremamente responsável e raramente se baldou por causa disso. Metia dó a arrastar-se pelo escritório contorcendo-se de dores. Como sofro do mesmo mal, fazia-me imensa confusão e por várias vezes lhe ofereci analgésicos. Nunca os aceitou. Perguntei-lhe se tinha alguma razão física para não os poder tomar... não tinha, simplesmente não queria. Preferia passar três dias por mês a sofrer. Porquê? Nunca me conseguiu explicar apesar de lho ter pedido insistentemente...
Anda por sinal a passar-se uma história semelhante neste momento, com um dos nossos habitués da casa que, sendo alérgico a gatos bebés, se recusa terminantemente a tomar pontualmente um anti-histamínico afirmando que voltará a aparecer "quando o gato crescer ou morrer, o que acontecer primeiro" LOL

Dito isto, e não afirmando que haja quem goste de sofrer (apesar de haver, chamam-se masoquistas LOL) a realidade é que há de facto quem não trate lá muito bem de si próprio...
Os medos também não ajudam nada, muitas vezes as pessoas têm medo e nem sabem bem de quê, é uma coisa perfeitamente irracional.

As preocupações são outro entrave, há uma grande tendência para as pessoas se preocuparem com coisas que estão na realidade completamente fora do seu controle. Tipo está um tempo do caraças em Novembro, oh meu Deus é porque o planeta está todo feito num molho de brócolos, nem consigo aproveitar o solinho como deve de ser...



O Churchill dizia; "Um pessimista vê a dificuldade em qualquer oportunidade, um optimista vê oportunidade em todas as dificuldades".
Assim é com a felicidade... quem decide ser feliz aproveita todas as ocasiões para delas tirar coisas boas.
Muita gente fica chocada quando afirmo que a morte do meu pai me trouxe coisas positivas... Para começar tirou-me um grande peso de cima, deixei de viver com o medo que morresse ;). Para quem não saiba, o meu pai morreu do seu quarto enfarte. A partir do terceiro tornou-se bastante evidente que poderia "ir" a qualquer momento.
Depois, a sua morte sendo a primeira de facto relevante na minha vida, levou-me a reflectir muito sobre o assunto e a ganhar uma grande paz de espírito relativamente ao tema. Cresci muito com a morte dele...
Se sofri?! Pra caramba... Se foi difícil?! Muito...
Mas "virei" infeliz?
"Se as estrelas não brilham é porque o céu está nublado... elas continuam lá..."


:)

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Ser ou não ser, eis a questão

Ultimamente, por causa do meu inquérito, por causa deste blog, enfim sei lá, porque tem calhado, tenho tido várias conversas, ao vivo e a cores, sobre o tema da felicidade...
Chego à conclusão de que a maior parte das pessoas não parece considerar a felicidade como um "ser" mas mais como um "estar"...



Há pessoas alegres, pessoas tristes, pessoas carrancudas, pessoas divertidas... qualquer uma destas coisas é facilmente aceite como um "ser", como uma característica que as define.
Também podem ser um estado, claro, uma pessoa pode "ser" alegre e "estar" momentaneamente triste.

Então porque não havíamos de poder "ser" felizes? Porque é que a felicidade é encarada como se fosse uma utopia?

Até alguns dos que pensam mais como eu, com quem sinto mais empatia em termos de forma de ver a vida, parecem achar que a felicidade é uma espécie de nirvana.

Uma pessoa pode ser saudável e estar pontualmente doente.
O facto de se apanhar uma gripe ou de se partir uma perna não faz com que passemos a ser considerados "doentes".
Então por que raio é que os eventuais
períodos de dor, física ou emocional, de desalento, de tristeza, etc, têm de nos fazer mudar de estatuto no que diz respeito à felicidade?

Está um dia lindo, almocei que nem um abade e estou profundamente apaixonado; sou feliz.
Chove a cântaros, estou de caganeira e morreu o meu cão; sou infeliz.
Isto faz algum sentido? A felicidade é tipo pisca-pisca?

Não há dúvidas de que tem condicionantes.
Estas podem ser diferentes de individuo para individuo.
Há quem não consiga ser feliz sozinho, quem não consiga ser feliz sem dinheiro, quem não consiga ser feliz com uma deficiência física... sei lá.
Eu, por exemplo, tenho sérias dúvidas que conseguisse continuar a ser feliz se perdesse o meu filho... ou a visão, por exemplos.
Ou seja, há condições para a felicidade de cada um e estas podem sofrer alterações.

Voltando a usar o exemplo da saúde,
não se deixa de considerar uma pessoa saudável porque apanhou varicela, mas se apanhar Sida já é outra história.
Há casos e casos e a sua gravidade e duração determinam no fundo a passagem do ser uma coisa para passar a ser outra.
Claro que há casos em que uma pessoa tem uma constipaçãozinha da treta e julga que está a morrer... Conheço pessoas assim... mas não irei desrespeitar a privacidade alheia expondo o nome delas para uso num grupo tão alargado. LOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOLOL

Dito isto o meu exemplo não é de todo idiota.
A realidade é que acho que aqueles que dizem que não se é feliz, que se está
mais ou menos frequentemente feliz, não passam no fundo de uns "hipocondríacos emocionais".
Da mesma maneira que certas pessoas não perdem a ocasião de se lamentarem das suas doenças, outros estão constantemente a lamentar-se dos seus azares e da vida porca e miserável que levam.

Eu própria, nem sempre fui feliz, ou tive consciência de o ser e o assumi (shame on me...).
Quantas vezes me perguntaram "então, como vai isso?" e dei por mim a responder "mais ou menos" ou "vai-se andando", só porque tinha tido qualquer tipo de contratempo de merda, daqueles que não têm ponta de importância.

Descobri a seguinte citação da Helen Keller:
"Quando uma porta de felicidade se fecha, abre-se outra; mas frequentemente ficamos tanto tempo a olhar para a porta que acabou de se fechar que nem sequer nos damos conta da que se abriu."
Ok, não vamos discutir como é que a Helen Keller via, ou sequer ouvia, portas a abrir e a fechar...
LOLOLOLOLOLOL
OLOLOLOLOLOL
Desculpem, não consegui resistir a um pouco de humor negro... LOL...
Dito isto era exactamente o que estava a tentar dizer, que ás vezes damos tanta importância ás coisas más que nos vão acontecendo na vida que não vemos sequer as boas que estão à nossa frente.
Caraças, se até a Helen Keller fala em felicidade vocês têm a lata de me dizer que não é possível ser-se feliz?! Santa paciência...

Dito isto acho que na realidade há uma espécie de pudor social, que não consigo compreender, no que diz respeito à felicidade. Não "é bem" assumir que se é feliz. Devia-se criar os "felizes anónimos" de tal maneira o assunto incomoda as pessoas. Se alguém afirma sê-lo sente-se como se estivesse a divulgar o saldo da conta bancária (no caso de ter lá alguma coisa, claro... LOLOLOL).
Todos afirmam que querem ser felizes, mas na realidade poucos se dão conta de que já o são.