quinta-feira, 24 de abril de 2008

O sindroma de Calimero

" - Mestre, como faço para me tornar um sábio?
- Boas escolhas.
- Mas como fazer boas escolhas?
- Experiência - diz o mestre.
- E como adquirir experiência, mestre?
- Más escolhas... "

Todos fazemos "más escolhas" de vez em quando... no entanto alguns não parecem "adquirir" grande experiência... Porquê?
Para se "aprender com os erros" é preciso reconhecer que os fazemos.
Ora certas pessoas parecem achar que a vida "lhes acontece", que não têm qualquer responsabilidade, qualquer controle sobre ela.
Vão lidando com as coisas conforme elas vão acontecendo.
Quando estas correm mal acham-se umas vítimas... é aquilo a que chamo o Síndroma de Calimero.



É uma injustiça...

Para podermos de facto aprender temos de fazer uma série coisas que não são agradáveis: reconhecer os erros como tais, assumir responsabilidades pelos desfechos indesejados, dar o braço a torcer (quanto mais não seja perante nós próprios) e eventualmente até pedir desculpa assumindo assim publicamente a falha... Ninguém gosta...

Os Calimeros nunca têm culpa de nada, arranjam sempre justificações para a merda que fazem. Quando se lhes aponta alguma coisa está-se sempre a cometer uma terrível injustiça.
É evidente que a culpa foi do tempo, do trânsito, do governo, da crise, do cão, da vizinha, do pai, do filho ou até provavelmente do Espírito Santo...
Até conseguem ás vezes reconhecer que alguns actos seus (ou falta deles) possam ter dado maus resultados... mas não têm culpa coitados, é da sua natureza... são naturalmente atrasados, desorganizados, esquecidos, distraidos, infiéis, violentos... seja lá o que for, mas a culpa não é deles, não lhes podemos levar a mal, o que podem eles fazer a esse respeito?!

Uma mulher leva sistematicamente pancada do marido, de quem é a culpa?
Do marido, claro, que lhe dá porrada...
Ou será que não há aqui alguma "cumplicidade" da vítima?!
Se esta encarar a coisa como uma fatalidade as coisas nunca ão de mudar.
Se tomar a sua vida em mãos, assumir e reconhecer que errou ao casar-se com uma pessoa violenta, mesmo que não o soubesse antes, é o primeiro passo para se livrar da situação.

É fácil? Com certeza que não.
Ninguém nasce ensinado, a vida aprende-se e aprende-se errando. Mas se não reconhecer-mos os erros como tais não há razão para que não continuemos a repeti-los "add eternum".
Que desperdício...

Não somos obviamente os únicos a errar, os outros também falham, ás vezes há que partilhar responsabilidades. Mas quanto aos outros não há de facto grande coisa a fazer...
No outro dia descobri uma citação à qual, como devem supor, achei imensa graça:
"God grant me the serenity to accept the people I cannot change, the courage to change the one I can, and the wisdom to know it's me." Autor desconhecido

Outro exemplo flagrante do que tenho estado a dizer são as separações.
Quantas vezes as pessoas não consideram o facto de alguém se querer separar delas uma total injustiça?!
Elas fizeram tudo certo, têm falhas pois com certeza, quem não as tem, mas não fizeram nada que justifique uma separação...
Talvez não terem tido a coragem de mudar aquilo que podiam ter mudado?
Talvez não terem assumido qualquer responsabilidade no degradar da relação?

Nem todos os erros são cometidos com más intenções, antes pelo contrário, mas não deixam por isso de ser erros na mesma.
O meu filho é um pisco a comer... é daquelas crianças que de frente parece que está de lado e de lado não se vê... ;)
Quando começou a comer pior stressei que nem uma doida... que mãe é que não se preocupa quando a sua cria não se está a alimentar convenientemente?
Tentei obriga-lo, força-lo e o resultado foi que ganhou aversão à comida, as refeições tornaram-se um tormento.
Quando me dei conta disto assumi um "mea culpa" e tentei corrigir a minha atitude, já sem grande sucesso confesso.
Resta-me esperar que com a adolescência isto passe, como é comum acontecer.
Lamentar-me da minha triste sorte não iria certamente servir para nada a não ser prolongar o suplício e cometer o mesmo erro se tivesse outro filho.

A realidade é que, de uma maneira ou de outra, a maior parte das coisas que "nos acontecem" são responsabilidade nossa sim. São consequência dos nossos actos ou da falta deles. E se o resultado não é positivo, reconhecermos que metemos o pé na argola é o que nos vai fazer evoluir. Somos seres moldáveis, transformáveis, pelas circunstancias, pelo meio ambiente, pelas experiências, e sobretudo pela nossa própria vontade.
Se acreditarmos que podemos mudar a nossa vida, torna-la mais fácil, mais agradável, melhor, corrigindo aquilo que temos vindo a fazer mal, muito mais facilmente seremos felizes...

Digo eu, sei lá de que...
LOL






quinta-feira, 17 de abril de 2008

Peace and love

Hoje olhei com olhos de ver para este blog e assustei-me...
Como me disseram uma vez: "quando vejo gajos de barba vestidos de branco desconfio..."
Foi a sensação que tive, de repente vi-me num "filme" destes:


A realidade é que as palavras New Age (quando juntas pelo menos... LOL) me provocam borbulhas e que me dei conta de que aparecem insistentemente em grande parte dos links que aqui introduzi...
Chiça, penico, chapéu de coco...

Como podem ver all over my blog, acredito de facto numa série de coisas intimamente ligadas a este tipo de movimentos. Mas, e que me desculpem os seus seguidores, não tenho cu para grandes misticismos, esoterismos, ou qualquer tipo de extremismos.
Ok, se calhar extremismos não é a palavra adequada... mas percebem o que quero dizer...
(não?!... Bolas!!!... Então vão ler outra coisa... vão surfar na net, vá! Peace Love! Bye...)

A realidade é que não acho que seja obrigatório vestir-se de branco, deixar crescer a barba, rapar o cabelo, praticar sexo tântrico, ser vegetariano ou fazer retiros de quatro anos para se viver em harmonia consigo próprio, com os outros e com o mundo... bastam dois dedos de testa.
Pode ser-se uma pessoa completamente normal (e por normal entenda-se "conforme à norma ou à regra comum") e viver em paz e amor...
Pode ter-se sangue na guelra, pelo na venta e mesmo assim tratar o próximo com respeito e consideração.

Por exemplo onda "A minha Aninha (nome escolhido ao acaso, LOL) não te adora..." que é na realidade como quem diz "não pode contigo nem com molho de tomate"... irrita-me. Chamem-se as coisas pelos nomes... É legítimo não gostar de alguém... Até os cães embirram com certas pessoas...
Eu pessoalmente não suporto malta egoísta, hipócrita, sonsa, prepotente, preconceituosa... por exemplo. ;) E não vejo mal nenhum em fazer esta afirmação. A ideia de que somos todos bonzinhos é uma granda treta, há gente "podre" sim...

Dito isto queria só deixar claro que não sigo qualquer ideologia e que tudo o que apregoo neste blog é válido para católicos e budistas, carnívoros e vegetarianos, malta com e sem cabelo, com barbas de qualquer comprimento e vestida de qualquer côr... são valores humanos, em que acredito, e graças aos quais acho que todos podemos viver melhor.

LOL

sexta-feira, 11 de abril de 2008

It's nothing personal...

O ser humano tem uma certa tendência para levar tudo "a peito"...
Nas histórias o enredo gira à volta do personagem principal.
Nós somos os actores principais do nosso filme.
Logo, tudo o que acontece está obviamente centrado na nossa pessoa.
Nhé!...

Um exemplo divertido e caricatural da coisa:
Uma vez estávamos parados no meio da barragem porque alguém estava a calçar os skis. Passou um tipo ao nosso lado, muito devagarinho, a olhar fixamente na nossa direcção.
Um amigo nosso indignou-se: "Por que raio é que aquele tipo está a olhar assim para mim???!"
...
O nosso barco estava cheio de meninas em monoquini.
; )

Se um louco na rua gritar insultos ou rogar pragas aos transeuntes, a probabilidade é que nem liguemos grande coisa ao que diz... Se nos apontar o dedo, se se dirigir a nós, vamos provavelmente sentir-nos de alguma maneira atingidos pelas suas palavras.
Ora em nenhum dos casos a situação tem nada a ver connosco, estávamos simplesmente a passar por ali nesse momento.
A realidade é que a vida é feita de uma infinidade de filmes e não passamos de figurantes na maior parte daqueles em que participamos.

Quando nos damos conta de que o mundo não gira de facto à nossa volta, certas coisas beras tornam-se sem dúvida muito mais suportáveis...

Uma vez estávamos no Castelo do Bode quando caiu a maior chuva de granizo a que já assisti na vida, pedras do tamanho de bolas de golf...


Os carros que estavam na rua ficaram todos amolgados, um deles até com o vidro partido.
Se alguém tivesse pegado numa marreta e feito aquilo, os respectivos donos (o meu carro estava na garagem... he, he...) ter-se-iam certamente passado dos carretos. Assim, encolheram os ombros e rogaram umas pragas ao S. Pedro.

Aqui há tempos escrevi um post em que falava de uma proposta que recebi. Como quem segue com alguma atenção este blog deve ter percebido, depois de alguma hesitação decidi aceita-la.
Durante cerca de dois meses estudei, pesquisei, trabalhei, dediquei-lhe horas e horas... mas sobretudo não procurei alternativas de trabalho, de rendimento.
Até que um dia a proposta foi "retirada".
Mas não havia problema, porque vinha aí muito trabalho, noutro projecto, noutros moldes, mas trabalho rentável e simpático à mesma.
E veio, algum, mas depois afinal também já não precisavam de mim...
Por ter decidido empenhar-me, primeiro num e depois no outro projecto, acabei por ficar praticamente sem rendimentos durante quase quatro meses, visto que não era viável comprometer-me com outras coisas, sempre à espera do dia em que iria finalmente começar a "pingar guito".

A realidade é que...
Chegaram à conclusão de que o primeiro projecto não era viável neste ponto do campeonato e que conseguiam fazer sozinhos o trabalho do segundo... o que é que haviam de fazer?
Ah não, temos de ir para a frente com o combinado que a outra está a contar com isso... ?!
Não houve, na minha opinião, qualquer tipo de má fé, de desonestidade...
O que parecia uma boa ideia à partida acabou por depois, metidas mãos à obra, não ser concretizável.
De qualquer maneira, em qualquer destes dois projectos, eu nunca passei de actriz secundária, não eram o meu filme.
Fui lesada pela situação? Sem dúvida... Mas nada foi feito para me prejudicar, o mal que me aconteceu foi um efeito colateral e seria completamente estúpido leva-lo a peito.

À cerca de um mês entrou-me um "mata velhos" pela peida do jipe adentro... Apanhei um baita de um susto quando, depois do impacto inicial, vi uma coisa a rebolar pela estrada fora e ainda mais quando vi uma mão inerte a sair do que restava do carro virado de rodas para o ar. Felizmente foi só mesmo susto e o mentecapto (em sentido próprio) que ia ao volante daquela coisa estava bem.
Este acidente era-me tanto "dirigido" como a situação que descrevi acima... simplesmente aconteceu e por galo eu fui apanhada no meio.
Em ambos os casos levei na bunda... LOL mas não foi nada pessoal.
Ficar chateada com os impulsionadores dos referidos projectos seria tão idiota como ficar ofendida com o Quasimodo por me ter abalroado.

Poderão dizer que o resultado final é o mesmo quer haja intenção de lesar ou não... a realidade é que, quando as coisas nos são feitas a nós, especificamente, doem muito mais. Geram revolta, raiva, amargura, ressentimento, etc... uma série de sentimentos negativos que nos corroem por dentro.
Se aprendermos a separar o trigo do joio, a perceber que há coisas que simplesmente acontecem, que são um ganda galo, mas que não têm nada a ver connosco, poupamo-nos a uma série de energia negativa que não serve absolutamente para nada.




terça-feira, 8 de abril de 2008

terça-feira, 1 de abril de 2008

An other world...

Tenho um amigo que acho que é gay...
Pum!!! Tchang!!! Poing!!! Trong... Hiiiiiiiiiiiiiiiii!
Tema polémico para chuchu, não?! Pois...

Posso evidentemente estar enganada...
Mas há muitos anos que venho a conviver de perto com a homossexualidade... conheço-lhe alguns dos sintomas, algumas das características, algumas das dificuldades...
Não só estou convencida do que digo, como acho que a pessoa em questão, se já lhe passou pela cabeça a ideia, foge dela como o diabo da cruz...

Da última vez que sugeri a alguém que poderia ter tendências "para o outro lado", caiu o Carmo e a Trindade. Não estou com vontade de repetir.
Como amiga, não consigo no entanto ficar calada...

Ando com umas dores nas articulações e disseram-me "vai ver isso, pode ser reumático...". Claro que também pode não ser, mas é das tais coisas que convém investigar...
Relativamente ao individuo em questão, eu pessoalmente vejo sintomas nítidos de homossexualidade... Pode não ser... Mas acho que, como amiga, lhe deveria dizer "para ir ver..."

Como é que se faz uma coisa destas?
Não é fácil, nunca sabemos o que as pessoas estão preparadas para ouvir... e nestes casos a tendência é para se porem à defesa e se virarem contra nós...
Escrevo então este post, na esperança de que "a carapuça caiba a alguém" e lhe faça bom proveito, na esperança de poder ajudar quem esteja nesta situação...

Não é fácil ser-se homossexual...
A sociedade em que vivemos ainda é muito pouco tolerante.
Está a mudar, mas as mudanças não são ainda significativas.
Se o meu filho um dia me anunciasse que era gay, ficava triste. Não por qualquer tipo de preconceito mas porque certamente iria ter dificuldades acrescidas numa vida já de si tão complicada.
Os gays são ainda muito apontados do dedo, muito rotulados, o que não facilita a sua integração na sociedade.

Qual de nós nunca fez piadinhas de gays?
Quem nunca lhes chamou paneleiros, lilas, maricões, e outros nomes menos simpáticos?
Quem nunca usou uma destas palavras para insultar alguém?
Uma pessoa que conheci intimamente, num jantar em que um rapaz "menos macho" afirmou que a sua cor preferida era o lilás, segredou-me ao ouvido "eu cá para mim é mas é o lilas..."
Poucos anos depois esta mesma pessoa, que com tanta graça me segredou aquilo ao ouvido (confesso que me fartei de rir...), estava a viver com outro homem.
Assumidamente "lilás"... LOL

A sociedade faz pouco dos homossexuais, como faz pouco dos políticos, dos pretos, das loiras, dos deficientes e de tantos outros grupos. Ao fazermos o mesmo sentimo-nos integrados. Não quer dizer que, na maior parte dos casos, haja qualquer tipo de maldade e qualquer pessoa com um mínimo de bom senso não o fará na presença dos mesmos, pelo menos dos que se importam.
Devo dizer que as anedotas racistas mais engraçadas que ouvi até hoje as ouvi da boca de um preto fantástico, cheio de boa onda e sentido de humor...

Por outro lado, ao gozarmos, achamos que estamos a criticar...
Mas será que estamos mesmo?
Eu sei que eu gozo... conto anedotas, uso as tais palavras "menos simpáticas", não hesito em chamar alguma delas a alguém que se acobarde nas vozes de um jogo de Tarot, por exemplo... ;)
Mas será que critico de facto?! Please...
Não me podia estar mais nas tintas para as preferências sexuais alheias.
A realidade é que acho que, tirando raras e quanto a mim desonrosas excepções, todos nós somos assim, gozamos, gozamos, mas na realidade estamo-nos bem nas tintas.

O problema nestas coisas são os extremismos...
Existem de facto "bichas doidas"... Mas também quem é que gosta de ver uma mulher histérica, por exemplo? Daí a achar que todas as mulheres são umas histéricas...
As pessoas tendem a atribuir certas atitudes ás características de certos grupos, não tendo em conta que se calhar são coisas colaterais.

Por exemplo, os chamados "machistas" têm a mania de que a Sida é "doença de paneleiros"...
Mas não será em parte por se ter propagado mais rapidamente, dado que não tinham de proteger-se de eventuais gravidezes? Não sei, é possível não? Está provado que o preservativo é das maiores protecções que se pode ter contra a doença...
Ou será de facto um castigo divino? LOL

Nem todos os gays são bichas doidas, nem todos gostam de se vestir de mulher, nem todos sonham com uma operação de mudança de sexo... não que qualquer uma destas coisas tenha a meu ver grande importância, mas isto já sou eu a falar, que sou uma mente muito aberta... LOLOLOLOLOL ... mas são extremismos que a sociedade não grama...

Agora o que é que os outros têm a ver com os nossos gostos pessoais? Alguém nos pergunta, a nós heteros, se por acaso gostamos de levar na bilha?
...
...
...

Ok, perguntam... insistentemente, ás vezes... mas eu acho que ela estava a planear uma nova versão do Relatório Kinsey, era um estudo estatístico...
LOLOLOLOLOLOLOLOLOL

Dito isto, não me parece que sejam as praticas sexuais as condenadas, mas mais as atitudes patetas que alguns indivíduos adoptam.

Acho que a homossexualidade não deve ser uma coisa fácil de auto-diagnosticar e muito menos de assumir. Há demasiados tabus em jogo...
Para além disso não deve ser evidente saber "por onde começar", como tirar a coisa a limpo...
Alguns têm a sorte de lhes cair uma aventura homossexual na sopa, os que têm de ir à procura suam mais.

Acho no entanto que todos devemos pelo menos tentar ser felizes...
Se a nossa felicidade passar por ter de eventualmente engolir uns sapos, ultrapassar uns preconceitos, uma que outra dificuldade inicial e uma sociedade na sua grande maioria muito hipócrita ... so be it (digo eu, sei lá...).
E isto tem sem dúvida de se fazer para se conseguir ter uma relação com um individuo de outra raça, religião ou... do mesmo sexo.


Any Other World - Mika


quarta-feira, 26 de março de 2008

Poluição

Acredito, repudiando completamente o "politicamente correcto", que haja "boas" e "más" características nos seres humanos. A recente mania de não "chamar as coisas pelos nomes" irrita-me. Podem chamar-lhe o que quiserem mas para mim uma pessoa ser mentirosa é defeito sim!

Qual a definição de "boa" e de "má"?! Isso agora é evidentemente discutível...
Para mim, são boas características as que contribuem para que as pessoas se sintam bem consigo próprias e com os outros, em paz com o mundo e más as que fazem as pessoas sentir-se infelizes e/ou minam as relações com os outros. Tão simples quanto isto...

Porque é que eu digo que "ser mentiroso" é uma má característica?!
Porque dificulta muito as relações. A mentira não passa desapercebida... Como se costuma dizer, "mais depressa se apanha um mentiroso do que um cocho"... Os mentirosos, cedo ou tarde, são apanhados... E rotulados de mentirosos... A partir daí é muito difícil acreditar-se neles. Estamos sempre de pé atrás, pergunta-mo-nos se devemos confiar no que nos dizem. Ás vezes somos injustos por causa disso, pomos em questão afirmações genuínas. É o preço que todos pagamos... É como na história do pastor e do lobo... (caguei, na versão que me contavam quando era pequenina era o espróprio do pastor que era comido! LOL) No fim toda a gente fica a perder, o pastor é comido pelo lobo e os aldeões ficam com a morte dele na consciência porque não acreditaram daquela rara vez em que era mesmo verdade...

Ora, voltando ao início da conversa, o que é extremamente ingrato é que, aparentemente, as "más características" parecem ser muito mais contagiosas do que as boas...
Como se costuma dizer "os maus hábitos ganham-se depressa".
A realidade é que se observarmos bem os ambientes que nos rodeiam, parece haver muito mais tolerância relativamente aos defeitos alheios do que seria desejável. A política da não interferência, a aceitação do outro "como ele é", faz com que pareçam aceitáveis certos defeitos.
As más características, assim deixadas à rédea solta, espalham-se como a peste.
Reparem como, se um membro de uma família fôr de tendência agressiva, os outros também tendem a sê-lo.




Claro que não é evidente agir. Os outros aceitam mais facilmente ouvir "essa cor não te fica bem", ou mesmo "devias ir ao dentista, ultimamente andas com mau hálito" do que "és um aldrabão" ou "não devias falar tão agressivamente com as pessoas"...


Então o que fazer? A minha solução é: afastem-se de maus ambientes!
Não é possível, por variadíssimas razões sociais, evita-los completamente. Pontualmente teremos sempre de nos confrontar com eles. Mas reduzam ao máximo as hipóteses de "contágio"... Se estiverem muito tempo em contacto com os defeitos alheios, ás tantas vão achar que são normais, vão adopta-los como aceitáveis e sofrer-lhes depois as consequências.
Se se rodearem de gente "boa onda", se tentarem evitar pessoas negativas, agressivas, ácidas, recalcadas, maldizentes, abelhudas, intolerantes, prepotentes... podia aqui ficar mais uns minutos a enumerar "defeitos"... será muito mais fácil trabalhar as boas características.

Notem que digo tudo isto com total conhecimento de causa, numa de "quem te avisa, teu amigo é", visto que já fui possuidora de grande parte das características que acima enumero e de outras tantas igualmente beras... algumas das quais já me consegui livrar e outras nem por isso, e noto nitidamente que me parecem muito menos graves quando estou rodeada de "semelhantes". É como quando numa conversa alguém começa a subir o tom de voz e ás tantas já estão todos a gritar sem sequer se darem conta disso...

Hoje em dia quase que me sinto fisicamente mal em ambientes "má onda", é o equivalente psicológico de estar num ambiente poluído.




Talvez não possamos activamente mudar os outros. Mas se, dentro da medida do possível, evitarmos os que nos fazem mal, os que nos transformam em pessoas piores, estaremos já a contribuir para uma certa paz. E por outro lado talvez eles acabem por perceber...

Ou talvez eu seja uma ingénua do caraças... é outra opção. LOL



Dieu est un fumeur de havanes - Serge Gainsbourg & Brigitte Bardot

quarta-feira, 12 de março de 2008

Quero ser uma velhotinha baril

O tempo vai passando... cada vez mais depressa... ás tantas damo-nos conta de que provavelmente já temos mais tempo pelas costas do que pela frente...

Se durante a nossa juventude "os velhos" eram seres meio transparentes, aos quais não prestávamos grande atenção, damos agora por nós a observa-los, a tentar perceber no que se transformaram, talvez para tentar ter um vislumbre do que nos espera se lá chegarmos...

As alterações do corpo são o que salta logo à vista, o envelhecimento, a perda de capacidades, tanto físicas como intelectuais.
Mas... e o que acontece à nossa personalidade?

Segundo a minha observação "refina"... LOL
Tanto as "boas" como as "más" características de cada um parecem acentuar-se substancialmente com a idade.
Os calmos tendem a ter cada vez mais calma, os meigos a ficar cada vez mais doces, os refilões cada vez mais rezingões, os críticos mais intolerantes, and so on.
Pensem nas pessoas que conhecem há muitos anos e vejam se não tenho razão...

A realidade é que ninguém parece pensar muito no assunto.
As "boas" características, aquelas que contribuem para a serenidade, a paz de espírito, a felicidade, amadurecem como um bom vinho.
As outras azedam!

Na minha óptica de que as ervas daninhas da vida são para se arrancar, quanto mais cedo melhor.
De que serve pôr creme na cara quando já estamos cheios de rugas, preocupar-mo-nos com a osteoporose quando já temos os ossos rendilhados ou começar a exercitar o cérebro quando aparecem os primeiros sintomas de Alzheimer?

Se achamos que temos domínio sobre a nossa vida, sobre quem somos, como somos... devemos também ter a noção de que o vamos tendo cada vez menos... Se as deixarmos, as "más" características instalam-se por Usucapião.
Da mesma forma que cada vez vamos tendo menos controle sobre o nosso corpo, queremos fazer as coisas mas já não conseguimos, o mesmo se vai com certeza passando com o nosso cérebro.
Deve ser triste chegarmos à velhice e dar-mo-nos conta de que somos intragáveis, de que as pessoas que se dão connosco o fazem por obrigação e não por prazer.

Eu cá quero ser uma velhotinha baril, querida, bem disposta e serena... e vou já começar a trabalhar para o efeito porque, com as ervas daninhas que tenho no meu jardim, ainda acabo é a beber cházinho de urtigas... LOL




When Im Sixty-Four - The Beatles

sexta-feira, 7 de março de 2008

Tenho um feitio de merda

Sou uma gaja porreira, tenho as minhas qualidades, como toda a gente... senão ninguém me aturava... mas a realidade é que tenho de facto um feitio de merda!!!

Sou bruta, agressiva, não meço as palavras... se estou convencida de que estou com a razão, o que acontece montes de vezes (embora, em raríssimos casos, esteja enganada... LOL), sou ácida e desagradável. Quando contrariada reajo violentamente. Basicamente fervo em muito pouca água.

A terrível característica dos Rodos, o exagero, não ajuda nada. Se pode ser considerado cómico o comentário de que havia dez centímetros de pó em cima de um armário, o dizer que qualquer coisa está uma merda completa, que estou completamente f...ida com uma situação, ou que alguém é absolutamente execrável, não ajuda muito nas relações humanas. O mais estúpido é que acabamos por sentir as coisas como as descrevemos.

Neste momento os leitores que me conhecem pior estão a pensar "não é nada... que exagero!"... Ah, ah!!! Estão a ver?! Não, não, acreditem, por detrás da gaija boazinha que conhecem está um verdadeiro monstro...
Estão a ver outra vez?!
Aaaaaaarrrrrrggggg!!!
Não consigo impedir-me de fazer isto...

Agora a sério, se algumas pessoas não conhecem esta minha faceta é porque não ando propriamente para aí ao estalo na rua... também não é preciso exagerar... LOLOLOLOL
Sorry! LOL

Bem... a realidade é que quanto mais próxima está a pessoa menos eu me controlo.
Nesta parte acho que sou "normal"... Todos nos libertamos mais com as pessoas com quem temos mais confiança.
Pois está mali!!!
Se mandarmos o taxista que se atirou para cima de nós na rotunda para a piiiiiii que o papiiiiiiiiiii, não perdemos nada com isso, quanto muito uns pontitos de karma... LOL
Se o fazemos com os que estão próximos minamos as nossas relações.

Ora se sempre estive consciente desta minha característica (sou estúpida, mas não sou burra...) a realidade é que só muito recentemente me dei conta de a que ponto muitas vezes me tem lixado a vida. Desta vez, não só não estou a exagerar, como estou a falar muito a sério.
As pessoas aturam-na porque lá hei de ter uma que outra qualidade que compense, mas a grande verdade é que todos saímos a perder.

Decidi então declarar-lhe guerra!
Não é fácil... um feitio de merda, impregnado há mais de quarenta anos, é difícil de sair...
É como o risco do cabelo... por muito que o tente usar de lado não há nada a fazer, quando dou por isso lá está ele ao meio outra vez, são muitos anos.
A diferença é que eu gosto do meu risco ao meio... no que diz respeito ao feitio há de ficar de lado nem que tenha de lhe pôr cola! LOL

Uso então pequenos truques...
Por exemplo, como dizia o meu pai "a tua mãe é munto chaaata..." (notem que ele a adorava, é portanto mesmo verdade... LOLOLOL). Bem, se calhar não é mais chata do que a mãe do próximo... É no entanto garantidamente mais speedada... é um verdadeiro Speedy Gonzalez diria eu...
Ora eu tenho toques personalizados no telemóvel e o dela sempre foram músicas que tinham a ver com o feitio dela. Primeiro a do Indiana Jones, mais recentemente a da Missão Impossível... A realidade é que, só de ouvir aqueles toques já começava a ficar enervada...
É verdade que ás vezes me liga para me chagar o juizo... mas quantas vezes me ligou porque estava numa loja, a perguntar se eu precisava de alguma coisa, por exemplo, e levou logo com um atendimento de "não tenho pachorra para te aturar", coitadinha...
Agora, o toque dela é o Bright Side of Life, dos Monty Python, quando o oiço fico logo de sorriso no cérebro, atendo-a portanto muito mais simpáticamente.

Quando o meu filho me dá cabo do juizo (sou uma vítima, todos me chateiam... a minha mãe, o meu filho, o meu marido... pobre de mim...LOL), como todos os filhos fazem ás mães, tento sempre imaginar que estou a lidar com um dos meus sobrinhos. Nunca "ataquei violentamente" (LOL) nenhum dos meus sobrinhos, isso ajuda-me portanto a controlar-me.

Quando o desatino é com o paizinho dele, ensaio sempre o meu discurso antes de o mandar cá para fora, para ver como é que soa. Se necessário, troco as palavras arrasadoras por outras mais soft. Penso dez vezes antes de falar e só falo de facto se continuar a achar que o assunto é relevante para a nossa vida.

And so on... para cada situação vou encontrando pequenos truques.
Ainda vou ter de encontrar muitos mais.
Nem sempre resultam, um homem não é de pau, ás vezes lá deixo saír a fera outra vez... mas no geral acho que estou bastante melhor. Ainda é cedo para dizer porque comecei há pouco tempo, mas a ideia é ir atacando uma situação de cada vez, grão a grão enche a galinha o papo.
A realidade é que acredito que a vida seja muito mais fácil se fôr levada com delicadeza, com suavidade, do que com brutalidade e agressividade, mesmo que "as vítimas" não reajam.

Peace and love men!










segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

A vida é um jogo

Ai é, é...
Senão vejamos:

É um jogo de Trivial:
Os "saberes inúteis" servem de facto para alguma coisa. E não basta saber muito sobre um tema. Tentem lá ganhar um jogo respondendo só a perguntas de futebol... A cultura geral ainda tem, sem qualquer dúvida, o seu peso na nossa sociedade. E mesmo que não sirva para ganhar o jogo, serve pelo menos para ganhar o respeito e a admiração "do povo".

É um jogo de Scrable:
Os mais desembaraçados com as palavras tendem a safar-se melhor. Quanto maior fôr o domínio da língua mais hipóteses se tem de ganhar. Quanto mais se disser mais se pontua.

É um jogo de Tabu:
Ás vezes não podemos dizer as coisas directamente às pessoas, tentamos lá chegar de outra maneira, como se costuma dizer "por outras palavras"... Vamos dar uma volta ao bilhar grande to get to the point.

É um jogo de What where you thinking:
O objectivo deste jogo é tentar pensar como os outros. Eta! coisa difícil... parece fácil à partida, mas só quando se começam a contar pontos é que nos apercebemos de que as nossas cabecinhas pensam todas de maneira diferente. E no entanto, se quisermos pontuar, temos de conseguir pôr de lado os nossos gostos, as nossas preferências, os nossos conhecimentos e tentar perceber como funciona a cabecinha dos outros, da maioria, pois é isso que vai render.

É um jogo de Tarot:
Umas vezes vamos a jogo confiantemente, fazemos grandes apostas, sem precisar da ajuda de ninguém. Outras atiramo-nos timidamente a contar com o chien, com o parceiro e com a ajudinha dos Deuses.
O que é divertido é que, em ambos os casos, ás vezes há grandes surpresas. A vida nem sempre nos corre como esperávamos. Quantas vezes não se viu malta a fazer duas vazas numa Garde Contre ou a quase fazer Chelem numa petite...
É um jogo de Mah-jong:
Podemos optar por um jogo pindérico ou tentar um jogo especial. Nos pindericos temos maior controle sobre o desenrolar do jogo do que nos especiais que depende sobretudo da sorte. Na maior parte dos jogos especiais, se não conseguirmos fazer Mah-jong nem sequer pontuamos nada. No entanto, correndo bem, pode-se ganhar o jogo só com um destes. Dão muito mais pica, muito mais adrenalina, e são geralmente jogos mais bonitos, mas não são fáceis.

É um jogo de Settlers:
Vamos construindo o nosso mundo, passo a passo, tijolo a tijolo...
De vez em quando os nossos interesses entram em conflito com os do lado e começa a batatada. Vamos amealhando as nossas cartitas e de quando em quando aparece um "ladrão" que nos leva aquilo que tínhamos demorado tanto tempo a conseguir. Entenda-se o ladrão como sendo "as ironias do destino"...
Quanto mais temos, mais produzimos, mais ganhamos, mais rapidamente avançamos na pontuação.
O factor aleatório, como toda a gente sabe, é importantíssimo.
E as estatísticas são uma batata...

É um jogo de Carcassonne:
Vamos recebendo "peças de um puzzle" que tentamos encaixar nas peças em jogo, no jogo comum. Há geralmente vários sítios onde as colocar, em várias posições.
Temos de decidir se vamos investir muito tempo num projecto grande ou tentar fechar vários mais pequenos. Volta não volta há um chuleco que se pendura em nós e ás vezes até consegue abarbatar-se aos pontos que fomos nós que gerámos. Isto também pode obviamente ser feito em assumida colaboração e os pontos divididos irmãmente, claro.
É preciso ter muito cuidado com os peasants... se mobilizamos todas as nossas "tropas" num projecto a muito longo prazo arriscamo-nos a não ter com que progredir no imediatamente.
E claro, como na vida, há porcos... LOLOLOLOLOLOLOL

É um jogo de Ticket to Ride:
Sabemos que queremos ir daqui para ali...
Daí a conseguirmos fazê-lo, teremos de suar um bocado.
Ás vezes não temos as cartas certas. A coisa vai demorando e quando damos por nós já vamos ter de dar a volta por outro lado.
Outras vezes desistimos logo de determinados objectivos, demasiado ambiciosos, demasiado fora da nossa rota.
Umas vezes ganha-se atingindo muitos objectivos, outras bastam poucos mas bons.
Umas vezes biscamos cartas que estamos a ver e outras atiramo-nos ao desconhecido.
Quando estamos satisfeitos com o nosso jogo (ou antes pelo contrário) podemos sempre tentar mais objectivos. Ás vezes até acabamos por descobrir que já estão cumpridos.

É um jogo de Puerto Rico:
É preciso estar concentrado, não nos perdermos em divagações senão nunca conseguiremos ganhar o jogo.
Temos de estar constantemente a ponderar qual vai ser a jogada dos outros para decidir qual vai ser a nossa. Sempre um passo à frente...Volta não volta alguém faz uma jogada inesperada e lá se vão os nossos planos por água abaixo (ou não, ás vezes são os outros que se lixam).
Há várias maneiras de se ganhar, através de estratégias muito diferentes, mas é sempre preciso produzir e gerar dinheiro.

É um jogo de Filthy Rich:
Os dados são especialmente tendenciosos, há pessoas nitidamente bafejadas pela sorte. Outras, com a mesma estratégia vão sempre à falência.
Temos de decidir se apostamos forte e feio, arriscando-nos a perder tudo, ou se fazemos jogo mais pelo seguro, com pequenos negócios que rendem pouco mas também pagam pouco.
Umas vezes temos bons negócios e não os podemos jogar. Outras só nos sai bosta, não há um negócio de jeito que nos venha parar ás mãos. E ás vezes nem negócios conseguimos ter na mão...

Finalmente é um jogo de Pictionnary: Ás vezes é preciso fazer um desenho para conseguir explicar as coisas a certas pessoas... LOL

É muito feio ter mau perder... e pior ainda ter mau ganhar!
E se fizerem batota é bom que se assegurem de que ninguém dá por isso...

LOLOLOLOLOLOLOL

PS: que me desculpem os leitores menos versados em Jogos...

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

E viveram felizes para sempre

Recentemente, noutro blog da nossa praça que não nomearei, a autora deu um valente enxerto de porrada no conceito de "casamento"...
Apesar de lá ter ido cagar sentença, como não poderia deixar de ser, gostaria de dar mais uns dedos de conversa sobre o assunto.
Peço então emprestado o tema e cá vamos nós.

A autora do referido post, está nitidamente a passar por uma fase adolescente, é na minha opinião a única explicação para que veja a vida tão a preto e branco.
Tudo/Nada, Adoro/Odeio, Sempre/Nunca... Helloooooooooooooo?!
LOLOLOLOLOLOLOLOLOLOL

Inútil será dizer que discordo absolutamente da maior parte do que diz.
Cada vez mais me convenço de que os seres humanos são ainda mais diferentes uns dos outros do que possa parecer à primeira vista.
Como se costuma dizer há gostos para tudo.

Se tecnicamente a autora não crucifica propriamente aqueles que estão ou gostariam de estar numa relação duradoira, o conceito em si é no entanto impiedosamente espezinhado... LOL
Uma relação a dois, seja ela qual for, é composta por variadíssimas fases, tal como a criatura de um post recente deste blog, vai constantemente evoluindo...
Ora imaginemos que criamos porcos... é perfeitamente legítimo que algumas pessoas não os deixem crescer... afinal de contas os leitões são muito mais saborosos...
Claro que um leitão dá para muito menos tempo do que um porco... e oferece muito menos variedade no que diz respeito a enchidos, costeletas, febras, entrecosto, lombinhos para assar...
Mas é perfeitamente legítimo que alguém afirme que gosta de leitão mas não gosta de porco...


A minha questão aqui é se não gostarão de leitão mais porque não têm pachorra para deixar crescer o porco, porque não estão para se dar ao trabalho de o alimentar, de tratar dele, para ter direito aos chouriços e ao presunto...
Casos há igualmente em que apostam no porco errado, com demasiado empenho, durante demasiado tempo, e mais tarde quando já fizeram a matança, julgam todos os outros porcos pela mesma bitola.
Já chega de porcos... Oinc, oinc...

A realidade é que as paixões não duram para sempre.
Vão-se transformando noutra coisa.
Essa coisa ou é boa, seja em que moldes for, ou não vale a pena.
Ora, como também se costuma dizer, "o amor é cego".
Eu diria antes que quem é de facto cega é a paixão... e quando esta cegueira passa finalmente, não é obrigatório que ao vermos a luz esta nos agrade...
Nem todos foram feitos para se entender.
É perfeitamente possível apaixonarmo-nos por alguém totally wrong for you, "I say tomato, you say tomata"...



A questão então é usar a parte do "coragem para mudar as coisas que posso mudar".
Senão, dêem lá atenção à letra da música do Rui Veloso que está a tocar...
Então o gajo sabia que ela não ia gostar do concerto... estava no direito dela não? Nem toda a gente gosta de favas com chouriço... Mesmo assim, decide vender a porra do anel de rubi... (para já, para já, por que raio tinha o gajo um anel de rubi??? Hum... tem pai que é cego... cá para mim a gaija safou-se de boa, um dia chegava a casa e encontrava-o com o melhor amigo...) bem, lá vende o anelito, obriga a desgraçada a ir assistir ao concerto, e quando ela confirma que não gosta, faz-lhe uma cena, fica de trombas e percebe finalmente que não foram feitos para se entenderem?!
Helloooooooooooooooo?!
Das duas uma, ou vai cada um ao seu concerto (liberdade de escolha...), ou aquele que vai por gosto não exige ao outro (que está a fazer o sacrifício de o acompanhar) que goste (chama-se respeito e consideração pelo próximo) ou há tantas coisas em que discordam que o melhor é ir cada um para o seu lado...
Não temos que ter todos os mesmos gostos, as mesmas maneiras de ser e de de lidar com a vida, as mesmas escolhas... mas convém talvez que estas sejam compatíveis.

Para sempre?! Não sei... talvez sim, talvez não... para começar o que quer dizer "para sempre"? Para sempre enquanto dura, enquanto o balanço é positivo...
Agora que não haja dúvidas que qualquer relação é feita de compromissos, de exigências, de cedências, de sacrifícios... que dão trabalho, que há momentos melhores e momentos piores... como em tudo na vida.

Também se pode comer só leitão...
Se bem que a malta que praí anda a papar leitõezitos de limãozinho na boca, na minha opinião não se importava nada na realidade de um dia destes ter direito a um bom chouricito...


Paixão-Rui Veloso - Rui Veloso-Paixão