segunda-feira, 5 de maio de 2008

Papas na língua

A seguir ao meu último post, comentaram que não percebiam "a quem se dirigia"...
É verdade que frequentemente os meus posts se "dirigem" a alguém, isto no sentido em que são escritos em reacção a algum facto real.

Quando isso não acontece, quando o que escrevo não se baseia em alguma coisa que aconteceu à minha volta, ou em alguém, o resultado é um post de merda, como se pode verificar pelo último.
Não quer dizer que não pense o que escrevi... mas é sem qualquer dúvida um post sem alma...
Já percebi que para conseguir escrever alguma coisa que valha eventualmente a pena ler, tenho de o fazer com o coração, tenho de sentir uma qualquer afinidade com o tema, tenho de o sentir. Se fôr uma coisa simplesmente "intelectual" não funciona...

Quanto aos posts "dirigidos" (LOL) alguns deles escrevo-os de facto na esperança de poder fazer alguma diferença, tanto relativamente à pessoa ou situação específica que descrevo como a qualquer pessoa que eventualmente se encontre em situação semelhante.
Aproveito um caso específico para divagar sobre o tema em geral.
Não menciono nomes, não aponto dedos...
Não me viram ser indiscreta, falar de alguma coisa que me tenha sido dita em confidência ou expor algum detalhe íntimo de alguém... falo daquilo que toda a gente pode observar.

Mesmo assim já perdi leitores por causa disto... (LOL)
Houve quem se sentisse agredido... Quem se sentisse criticado...
Mas, then again, como dizia o meu amigo Churchill:
"
Criticism may not be agreeable, but it is necessary. It fulfils the same function as pain in the human body. It calls attention to an unhealthy state of things. "
Já dizia o Woody do Toy Story: "Se a carapuça serve..."

A realidade é que a grande diferença entre mim e a maior parte os outros é que eu tenho muito poucas papas na língua... No fundo, acabo por dizer o que a maior parte das pessoas pensa mas não diz. Ou pelo menos não diz à pessoa em questão.
Já arranjei muitas chatices por causa deste meu feitio, mas como ainda não consegui decidir se de facto é defeito ou não, visto que ás vezes resulta bem, não estou ainda disposta a abdicar dele...
Para além de que, como já devem ter percebido, era o fim deste blog... LOLOLOLOLOLOLOLOL

Se acreditar que uma pessoa de quem gosto pode, eventualmente, ser ajudada pela minha opinião. Se achar que posso oferecer novos pontos de vista, que posso usar as minhas ideias ou a minha experiência pessoal para o ajudar, não vou hesitar... está-me na natureza, é como a história do escorpião...
Sobretudo se achar que a pessoa não está nítidamente bem.
"A true friend never gets in your way unless you happen to be going down."

Arnold H. Glasow

Mas não é para ninguém em particular que escrevo... como já devem ter reparado não faço ideia (apesar dos lancinantes apelos da minha curiosidade), de quem lê ou não lê este blog, ou pelo menos de quem lê um ou outro post...

Escrevo porque acredito que, para aqueles que sabem que a vida está nas suas mãos, que a sua felicidade só depende de si, as sentenças que para aqui vou cagando possam uma vez que outra fazer a diferença...



sexta-feira, 2 de maio de 2008

A vida a P&B

Cada vez mais tenho a sensação de viver num mundo a preto e branco...
As coisas parecem estar a perder os meios termos, os tons de cinzento, sinto extremismo por todo o lado...
Se calhar sempre foi assim e eu só agora dei por isso...



Tomem o exemplo do anti-tabagismo...
Provou-se que o tabaco faz mal, que provoca cancro. Tudo bem.
Mas de repente o anti-tabagismo transformou-se numa cruzada, começou uma "guerra do tabaco"...
Parece que não basta avisar do perigo, não basta criar leis para proteger os fumadores passivos, há que erradicar este mal da face do universo.
De repente não se pode fumar em lado nenhum. Os fumadores são o diabo na terra.
Os maços, alguns antigamente bem bonitos, são marcados a ferros com as horrendas etiquetas anti-tabaco.
Nos aeroportos e afins, os locais destinados aos fumadores são minúsculos cubículos transparentes, tipo aquário, de arejamento duvidoso, em geral sem cadeiras, por forma a garantir que quem lá entre não possa de forma alguma sentir-se confortável.
Será que não era possível que uns fumassem e outros não, em harmonia, os fumadores respeitando os direitos dos outros mas vice/versa?

Vejam a questão do adultério...
Ainda no Século passado era considerado normal os homens terem amantes, montarem casa ás senhoras. Hoje em dia quando alguém mija fora do penico é logo crucificado.
Será que não existe um meio termo?
Um "julgamento" caso a caso?
Será que uma escorregadela pontual numa noite de bebedeira passada longe de casa é a mesma coisa que uma vida dupla com duas mulheres e dois filhos?

A pedofilia... oh, a pedofilia de que tanto se fala...
Dantes as meninas casavam e tinham filhos a partir da puberdade, hoje, se alguém lhes tocar com essa idade vai de cana...
Será que se pode realmente meter no mesmo saco um animal que rapta, tortura, viola e mata uma criança e um adulto que tenha "um caso" com uma Lolita atrevida???

E podia estar aqui muito mais tempo a dar exemplos... a realidade é que acho que que cada vez há menos tolerância, que cada vez as atitudes são mais etiquetadas.
Temos de ser pró ou contra, não nos deixam ficar na zona cinzenta... não podemos comer vegetais de vez em quando, ou somos vegetarianos ou não somos, há que escolher porque tem de ser aplicada a respectiva etiqueta.

O "politicamente correcto", não é uma questão de respeito, é uma questão de medo idiota da reacção dos outros.
Ouvi vários pretos em Cabo Verde chamarem-se pretos uns aos outros, sem qualquer tipo de ofensa... Mas se fôr um branco já não pode ser, se calhar mais por causa dos outros brancos do que dos próprios pretos.
Uma mesma palavra pode ser ofensiva ou não segundo o contexto e a forma como é usada, mas agora prefere-se "proíbi-las" just in case.



A preto & branco, digo-vos eu... LOL

quinta-feira, 24 de abril de 2008

O sindroma de Calimero

" - Mestre, como faço para me tornar um sábio?
- Boas escolhas.
- Mas como fazer boas escolhas?
- Experiência - diz o mestre.
- E como adquirir experiência, mestre?
- Más escolhas... "

Todos fazemos "más escolhas" de vez em quando... no entanto alguns não parecem "adquirir" grande experiência... Porquê?
Para se "aprender com os erros" é preciso reconhecer que os fazemos.
Ora certas pessoas parecem achar que a vida "lhes acontece", que não têm qualquer responsabilidade, qualquer controle sobre ela.
Vão lidando com as coisas conforme elas vão acontecendo.
Quando estas correm mal acham-se umas vítimas... é aquilo a que chamo o Síndroma de Calimero.



É uma injustiça...

Para podermos de facto aprender temos de fazer uma série coisas que não são agradáveis: reconhecer os erros como tais, assumir responsabilidades pelos desfechos indesejados, dar o braço a torcer (quanto mais não seja perante nós próprios) e eventualmente até pedir desculpa assumindo assim publicamente a falha... Ninguém gosta...

Os Calimeros nunca têm culpa de nada, arranjam sempre justificações para a merda que fazem. Quando se lhes aponta alguma coisa está-se sempre a cometer uma terrível injustiça.
É evidente que a culpa foi do tempo, do trânsito, do governo, da crise, do cão, da vizinha, do pai, do filho ou até provavelmente do Espírito Santo...
Até conseguem ás vezes reconhecer que alguns actos seus (ou falta deles) possam ter dado maus resultados... mas não têm culpa coitados, é da sua natureza... são naturalmente atrasados, desorganizados, esquecidos, distraidos, infiéis, violentos... seja lá o que for, mas a culpa não é deles, não lhes podemos levar a mal, o que podem eles fazer a esse respeito?!

Uma mulher leva sistematicamente pancada do marido, de quem é a culpa?
Do marido, claro, que lhe dá porrada...
Ou será que não há aqui alguma "cumplicidade" da vítima?!
Se esta encarar a coisa como uma fatalidade as coisas nunca ão de mudar.
Se tomar a sua vida em mãos, assumir e reconhecer que errou ao casar-se com uma pessoa violenta, mesmo que não o soubesse antes, é o primeiro passo para se livrar da situação.

É fácil? Com certeza que não.
Ninguém nasce ensinado, a vida aprende-se e aprende-se errando. Mas se não reconhecer-mos os erros como tais não há razão para que não continuemos a repeti-los "add eternum".
Que desperdício...

Não somos obviamente os únicos a errar, os outros também falham, ás vezes há que partilhar responsabilidades. Mas quanto aos outros não há de facto grande coisa a fazer...
No outro dia descobri uma citação à qual, como devem supor, achei imensa graça:
"God grant me the serenity to accept the people I cannot change, the courage to change the one I can, and the wisdom to know it's me." Autor desconhecido

Outro exemplo flagrante do que tenho estado a dizer são as separações.
Quantas vezes as pessoas não consideram o facto de alguém se querer separar delas uma total injustiça?!
Elas fizeram tudo certo, têm falhas pois com certeza, quem não as tem, mas não fizeram nada que justifique uma separação...
Talvez não terem tido a coragem de mudar aquilo que podiam ter mudado?
Talvez não terem assumido qualquer responsabilidade no degradar da relação?

Nem todos os erros são cometidos com más intenções, antes pelo contrário, mas não deixam por isso de ser erros na mesma.
O meu filho é um pisco a comer... é daquelas crianças que de frente parece que está de lado e de lado não se vê... ;)
Quando começou a comer pior stressei que nem uma doida... que mãe é que não se preocupa quando a sua cria não se está a alimentar convenientemente?
Tentei obriga-lo, força-lo e o resultado foi que ganhou aversão à comida, as refeições tornaram-se um tormento.
Quando me dei conta disto assumi um "mea culpa" e tentei corrigir a minha atitude, já sem grande sucesso confesso.
Resta-me esperar que com a adolescência isto passe, como é comum acontecer.
Lamentar-me da minha triste sorte não iria certamente servir para nada a não ser prolongar o suplício e cometer o mesmo erro se tivesse outro filho.

A realidade é que, de uma maneira ou de outra, a maior parte das coisas que "nos acontecem" são responsabilidade nossa sim. São consequência dos nossos actos ou da falta deles. E se o resultado não é positivo, reconhecermos que metemos o pé na argola é o que nos vai fazer evoluir. Somos seres moldáveis, transformáveis, pelas circunstancias, pelo meio ambiente, pelas experiências, e sobretudo pela nossa própria vontade.
Se acreditarmos que podemos mudar a nossa vida, torna-la mais fácil, mais agradável, melhor, corrigindo aquilo que temos vindo a fazer mal, muito mais facilmente seremos felizes...

Digo eu, sei lá de que...
LOL






quinta-feira, 17 de abril de 2008

Peace and love

Hoje olhei com olhos de ver para este blog e assustei-me...
Como me disseram uma vez: "quando vejo gajos de barba vestidos de branco desconfio..."
Foi a sensação que tive, de repente vi-me num "filme" destes:


A realidade é que as palavras New Age (quando juntas pelo menos... LOL) me provocam borbulhas e que me dei conta de que aparecem insistentemente em grande parte dos links que aqui introduzi...
Chiça, penico, chapéu de coco...

Como podem ver all over my blog, acredito de facto numa série de coisas intimamente ligadas a este tipo de movimentos. Mas, e que me desculpem os seus seguidores, não tenho cu para grandes misticismos, esoterismos, ou qualquer tipo de extremismos.
Ok, se calhar extremismos não é a palavra adequada... mas percebem o que quero dizer...
(não?!... Bolas!!!... Então vão ler outra coisa... vão surfar na net, vá! Peace Love! Bye...)

A realidade é que não acho que seja obrigatório vestir-se de branco, deixar crescer a barba, rapar o cabelo, praticar sexo tântrico, ser vegetariano ou fazer retiros de quatro anos para se viver em harmonia consigo próprio, com os outros e com o mundo... bastam dois dedos de testa.
Pode ser-se uma pessoa completamente normal (e por normal entenda-se "conforme à norma ou à regra comum") e viver em paz e amor...
Pode ter-se sangue na guelra, pelo na venta e mesmo assim tratar o próximo com respeito e consideração.

Por exemplo onda "A minha Aninha (nome escolhido ao acaso, LOL) não te adora..." que é na realidade como quem diz "não pode contigo nem com molho de tomate"... irrita-me. Chamem-se as coisas pelos nomes... É legítimo não gostar de alguém... Até os cães embirram com certas pessoas...
Eu pessoalmente não suporto malta egoísta, hipócrita, sonsa, prepotente, preconceituosa... por exemplo. ;) E não vejo mal nenhum em fazer esta afirmação. A ideia de que somos todos bonzinhos é uma granda treta, há gente "podre" sim...

Dito isto queria só deixar claro que não sigo qualquer ideologia e que tudo o que apregoo neste blog é válido para católicos e budistas, carnívoros e vegetarianos, malta com e sem cabelo, com barbas de qualquer comprimento e vestida de qualquer côr... são valores humanos, em que acredito, e graças aos quais acho que todos podemos viver melhor.

LOL

sexta-feira, 11 de abril de 2008

It's nothing personal...

O ser humano tem uma certa tendência para levar tudo "a peito"...
Nas histórias o enredo gira à volta do personagem principal.
Nós somos os actores principais do nosso filme.
Logo, tudo o que acontece está obviamente centrado na nossa pessoa.
Nhé!...

Um exemplo divertido e caricatural da coisa:
Uma vez estávamos parados no meio da barragem porque alguém estava a calçar os skis. Passou um tipo ao nosso lado, muito devagarinho, a olhar fixamente na nossa direcção.
Um amigo nosso indignou-se: "Por que raio é que aquele tipo está a olhar assim para mim???!"
...
O nosso barco estava cheio de meninas em monoquini.
; )

Se um louco na rua gritar insultos ou rogar pragas aos transeuntes, a probabilidade é que nem liguemos grande coisa ao que diz... Se nos apontar o dedo, se se dirigir a nós, vamos provavelmente sentir-nos de alguma maneira atingidos pelas suas palavras.
Ora em nenhum dos casos a situação tem nada a ver connosco, estávamos simplesmente a passar por ali nesse momento.
A realidade é que a vida é feita de uma infinidade de filmes e não passamos de figurantes na maior parte daqueles em que participamos.

Quando nos damos conta de que o mundo não gira de facto à nossa volta, certas coisas beras tornam-se sem dúvida muito mais suportáveis...

Uma vez estávamos no Castelo do Bode quando caiu a maior chuva de granizo a que já assisti na vida, pedras do tamanho de bolas de golf...


Os carros que estavam na rua ficaram todos amolgados, um deles até com o vidro partido.
Se alguém tivesse pegado numa marreta e feito aquilo, os respectivos donos (o meu carro estava na garagem... he, he...) ter-se-iam certamente passado dos carretos. Assim, encolheram os ombros e rogaram umas pragas ao S. Pedro.

Aqui há tempos escrevi um post em que falava de uma proposta que recebi. Como quem segue com alguma atenção este blog deve ter percebido, depois de alguma hesitação decidi aceita-la.
Durante cerca de dois meses estudei, pesquisei, trabalhei, dediquei-lhe horas e horas... mas sobretudo não procurei alternativas de trabalho, de rendimento.
Até que um dia a proposta foi "retirada".
Mas não havia problema, porque vinha aí muito trabalho, noutro projecto, noutros moldes, mas trabalho rentável e simpático à mesma.
E veio, algum, mas depois afinal também já não precisavam de mim...
Por ter decidido empenhar-me, primeiro num e depois no outro projecto, acabei por ficar praticamente sem rendimentos durante quase quatro meses, visto que não era viável comprometer-me com outras coisas, sempre à espera do dia em que iria finalmente começar a "pingar guito".

A realidade é que...
Chegaram à conclusão de que o primeiro projecto não era viável neste ponto do campeonato e que conseguiam fazer sozinhos o trabalho do segundo... o que é que haviam de fazer?
Ah não, temos de ir para a frente com o combinado que a outra está a contar com isso... ?!
Não houve, na minha opinião, qualquer tipo de má fé, de desonestidade...
O que parecia uma boa ideia à partida acabou por depois, metidas mãos à obra, não ser concretizável.
De qualquer maneira, em qualquer destes dois projectos, eu nunca passei de actriz secundária, não eram o meu filme.
Fui lesada pela situação? Sem dúvida... Mas nada foi feito para me prejudicar, o mal que me aconteceu foi um efeito colateral e seria completamente estúpido leva-lo a peito.

À cerca de um mês entrou-me um "mata velhos" pela peida do jipe adentro... Apanhei um baita de um susto quando, depois do impacto inicial, vi uma coisa a rebolar pela estrada fora e ainda mais quando vi uma mão inerte a sair do que restava do carro virado de rodas para o ar. Felizmente foi só mesmo susto e o mentecapto (em sentido próprio) que ia ao volante daquela coisa estava bem.
Este acidente era-me tanto "dirigido" como a situação que descrevi acima... simplesmente aconteceu e por galo eu fui apanhada no meio.
Em ambos os casos levei na bunda... LOL mas não foi nada pessoal.
Ficar chateada com os impulsionadores dos referidos projectos seria tão idiota como ficar ofendida com o Quasimodo por me ter abalroado.

Poderão dizer que o resultado final é o mesmo quer haja intenção de lesar ou não... a realidade é que, quando as coisas nos são feitas a nós, especificamente, doem muito mais. Geram revolta, raiva, amargura, ressentimento, etc... uma série de sentimentos negativos que nos corroem por dentro.
Se aprendermos a separar o trigo do joio, a perceber que há coisas que simplesmente acontecem, que são um ganda galo, mas que não têm nada a ver connosco, poupamo-nos a uma série de energia negativa que não serve absolutamente para nada.




terça-feira, 8 de abril de 2008

terça-feira, 1 de abril de 2008

An other world...

Tenho um amigo que acho que é gay...
Pum!!! Tchang!!! Poing!!! Trong... Hiiiiiiiiiiiiiiiii!
Tema polémico para chuchu, não?! Pois...

Posso evidentemente estar enganada...
Mas há muitos anos que venho a conviver de perto com a homossexualidade... conheço-lhe alguns dos sintomas, algumas das características, algumas das dificuldades...
Não só estou convencida do que digo, como acho que a pessoa em questão, se já lhe passou pela cabeça a ideia, foge dela como o diabo da cruz...

Da última vez que sugeri a alguém que poderia ter tendências "para o outro lado", caiu o Carmo e a Trindade. Não estou com vontade de repetir.
Como amiga, não consigo no entanto ficar calada...

Ando com umas dores nas articulações e disseram-me "vai ver isso, pode ser reumático...". Claro que também pode não ser, mas é das tais coisas que convém investigar...
Relativamente ao individuo em questão, eu pessoalmente vejo sintomas nítidos de homossexualidade... Pode não ser... Mas acho que, como amiga, lhe deveria dizer "para ir ver..."

Como é que se faz uma coisa destas?
Não é fácil, nunca sabemos o que as pessoas estão preparadas para ouvir... e nestes casos a tendência é para se porem à defesa e se virarem contra nós...
Escrevo então este post, na esperança de que "a carapuça caiba a alguém" e lhe faça bom proveito, na esperança de poder ajudar quem esteja nesta situação...

Não é fácil ser-se homossexual...
A sociedade em que vivemos ainda é muito pouco tolerante.
Está a mudar, mas as mudanças não são ainda significativas.
Se o meu filho um dia me anunciasse que era gay, ficava triste. Não por qualquer tipo de preconceito mas porque certamente iria ter dificuldades acrescidas numa vida já de si tão complicada.
Os gays são ainda muito apontados do dedo, muito rotulados, o que não facilita a sua integração na sociedade.

Qual de nós nunca fez piadinhas de gays?
Quem nunca lhes chamou paneleiros, lilas, maricões, e outros nomes menos simpáticos?
Quem nunca usou uma destas palavras para insultar alguém?
Uma pessoa que conheci intimamente, num jantar em que um rapaz "menos macho" afirmou que a sua cor preferida era o lilás, segredou-me ao ouvido "eu cá para mim é mas é o lilas..."
Poucos anos depois esta mesma pessoa, que com tanta graça me segredou aquilo ao ouvido (confesso que me fartei de rir...), estava a viver com outro homem.
Assumidamente "lilás"... LOL

A sociedade faz pouco dos homossexuais, como faz pouco dos políticos, dos pretos, das loiras, dos deficientes e de tantos outros grupos. Ao fazermos o mesmo sentimo-nos integrados. Não quer dizer que, na maior parte dos casos, haja qualquer tipo de maldade e qualquer pessoa com um mínimo de bom senso não o fará na presença dos mesmos, pelo menos dos que se importam.
Devo dizer que as anedotas racistas mais engraçadas que ouvi até hoje as ouvi da boca de um preto fantástico, cheio de boa onda e sentido de humor...

Por outro lado, ao gozarmos, achamos que estamos a criticar...
Mas será que estamos mesmo?
Eu sei que eu gozo... conto anedotas, uso as tais palavras "menos simpáticas", não hesito em chamar alguma delas a alguém que se acobarde nas vozes de um jogo de Tarot, por exemplo... ;)
Mas será que critico de facto?! Please...
Não me podia estar mais nas tintas para as preferências sexuais alheias.
A realidade é que acho que, tirando raras e quanto a mim desonrosas excepções, todos nós somos assim, gozamos, gozamos, mas na realidade estamo-nos bem nas tintas.

O problema nestas coisas são os extremismos...
Existem de facto "bichas doidas"... Mas também quem é que gosta de ver uma mulher histérica, por exemplo? Daí a achar que todas as mulheres são umas histéricas...
As pessoas tendem a atribuir certas atitudes ás características de certos grupos, não tendo em conta que se calhar são coisas colaterais.

Por exemplo, os chamados "machistas" têm a mania de que a Sida é "doença de paneleiros"...
Mas não será em parte por se ter propagado mais rapidamente, dado que não tinham de proteger-se de eventuais gravidezes? Não sei, é possível não? Está provado que o preservativo é das maiores protecções que se pode ter contra a doença...
Ou será de facto um castigo divino? LOL

Nem todos os gays são bichas doidas, nem todos gostam de se vestir de mulher, nem todos sonham com uma operação de mudança de sexo... não que qualquer uma destas coisas tenha a meu ver grande importância, mas isto já sou eu a falar, que sou uma mente muito aberta... LOLOLOLOLOL ... mas são extremismos que a sociedade não grama...

Agora o que é que os outros têm a ver com os nossos gostos pessoais? Alguém nos pergunta, a nós heteros, se por acaso gostamos de levar na bilha?
...
...
...

Ok, perguntam... insistentemente, ás vezes... mas eu acho que ela estava a planear uma nova versão do Relatório Kinsey, era um estudo estatístico...
LOLOLOLOLOLOLOLOLOL

Dito isto, não me parece que sejam as praticas sexuais as condenadas, mas mais as atitudes patetas que alguns indivíduos adoptam.

Acho que a homossexualidade não deve ser uma coisa fácil de auto-diagnosticar e muito menos de assumir. Há demasiados tabus em jogo...
Para além disso não deve ser evidente saber "por onde começar", como tirar a coisa a limpo...
Alguns têm a sorte de lhes cair uma aventura homossexual na sopa, os que têm de ir à procura suam mais.

Acho no entanto que todos devemos pelo menos tentar ser felizes...
Se a nossa felicidade passar por ter de eventualmente engolir uns sapos, ultrapassar uns preconceitos, uma que outra dificuldade inicial e uma sociedade na sua grande maioria muito hipócrita ... so be it (digo eu, sei lá...).
E isto tem sem dúvida de se fazer para se conseguir ter uma relação com um individuo de outra raça, religião ou... do mesmo sexo.


Any Other World - Mika


quarta-feira, 26 de março de 2008

Poluição

Acredito, repudiando completamente o "politicamente correcto", que haja "boas" e "más" características nos seres humanos. A recente mania de não "chamar as coisas pelos nomes" irrita-me. Podem chamar-lhe o que quiserem mas para mim uma pessoa ser mentirosa é defeito sim!

Qual a definição de "boa" e de "má"?! Isso agora é evidentemente discutível...
Para mim, são boas características as que contribuem para que as pessoas se sintam bem consigo próprias e com os outros, em paz com o mundo e más as que fazem as pessoas sentir-se infelizes e/ou minam as relações com os outros. Tão simples quanto isto...

Porque é que eu digo que "ser mentiroso" é uma má característica?!
Porque dificulta muito as relações. A mentira não passa desapercebida... Como se costuma dizer, "mais depressa se apanha um mentiroso do que um cocho"... Os mentirosos, cedo ou tarde, são apanhados... E rotulados de mentirosos... A partir daí é muito difícil acreditar-se neles. Estamos sempre de pé atrás, pergunta-mo-nos se devemos confiar no que nos dizem. Ás vezes somos injustos por causa disso, pomos em questão afirmações genuínas. É o preço que todos pagamos... É como na história do pastor e do lobo... (caguei, na versão que me contavam quando era pequenina era o espróprio do pastor que era comido! LOL) No fim toda a gente fica a perder, o pastor é comido pelo lobo e os aldeões ficam com a morte dele na consciência porque não acreditaram daquela rara vez em que era mesmo verdade...

Ora, voltando ao início da conversa, o que é extremamente ingrato é que, aparentemente, as "más características" parecem ser muito mais contagiosas do que as boas...
Como se costuma dizer "os maus hábitos ganham-se depressa".
A realidade é que se observarmos bem os ambientes que nos rodeiam, parece haver muito mais tolerância relativamente aos defeitos alheios do que seria desejável. A política da não interferência, a aceitação do outro "como ele é", faz com que pareçam aceitáveis certos defeitos.
As más características, assim deixadas à rédea solta, espalham-se como a peste.
Reparem como, se um membro de uma família fôr de tendência agressiva, os outros também tendem a sê-lo.




Claro que não é evidente agir. Os outros aceitam mais facilmente ouvir "essa cor não te fica bem", ou mesmo "devias ir ao dentista, ultimamente andas com mau hálito" do que "és um aldrabão" ou "não devias falar tão agressivamente com as pessoas"...


Então o que fazer? A minha solução é: afastem-se de maus ambientes!
Não é possível, por variadíssimas razões sociais, evita-los completamente. Pontualmente teremos sempre de nos confrontar com eles. Mas reduzam ao máximo as hipóteses de "contágio"... Se estiverem muito tempo em contacto com os defeitos alheios, ás tantas vão achar que são normais, vão adopta-los como aceitáveis e sofrer-lhes depois as consequências.
Se se rodearem de gente "boa onda", se tentarem evitar pessoas negativas, agressivas, ácidas, recalcadas, maldizentes, abelhudas, intolerantes, prepotentes... podia aqui ficar mais uns minutos a enumerar "defeitos"... será muito mais fácil trabalhar as boas características.

Notem que digo tudo isto com total conhecimento de causa, numa de "quem te avisa, teu amigo é", visto que já fui possuidora de grande parte das características que acima enumero e de outras tantas igualmente beras... algumas das quais já me consegui livrar e outras nem por isso, e noto nitidamente que me parecem muito menos graves quando estou rodeada de "semelhantes". É como quando numa conversa alguém começa a subir o tom de voz e ás tantas já estão todos a gritar sem sequer se darem conta disso...

Hoje em dia quase que me sinto fisicamente mal em ambientes "má onda", é o equivalente psicológico de estar num ambiente poluído.




Talvez não possamos activamente mudar os outros. Mas se, dentro da medida do possível, evitarmos os que nos fazem mal, os que nos transformam em pessoas piores, estaremos já a contribuir para uma certa paz. E por outro lado talvez eles acabem por perceber...

Ou talvez eu seja uma ingénua do caraças... é outra opção. LOL



Dieu est un fumeur de havanes - Serge Gainsbourg & Brigitte Bardot

quarta-feira, 12 de março de 2008

Quero ser uma velhotinha baril

O tempo vai passando... cada vez mais depressa... ás tantas damo-nos conta de que provavelmente já temos mais tempo pelas costas do que pela frente...

Se durante a nossa juventude "os velhos" eram seres meio transparentes, aos quais não prestávamos grande atenção, damos agora por nós a observa-los, a tentar perceber no que se transformaram, talvez para tentar ter um vislumbre do que nos espera se lá chegarmos...

As alterações do corpo são o que salta logo à vista, o envelhecimento, a perda de capacidades, tanto físicas como intelectuais.
Mas... e o que acontece à nossa personalidade?

Segundo a minha observação "refina"... LOL
Tanto as "boas" como as "más" características de cada um parecem acentuar-se substancialmente com a idade.
Os calmos tendem a ter cada vez mais calma, os meigos a ficar cada vez mais doces, os refilões cada vez mais rezingões, os críticos mais intolerantes, and so on.
Pensem nas pessoas que conhecem há muitos anos e vejam se não tenho razão...

A realidade é que ninguém parece pensar muito no assunto.
As "boas" características, aquelas que contribuem para a serenidade, a paz de espírito, a felicidade, amadurecem como um bom vinho.
As outras azedam!

Na minha óptica de que as ervas daninhas da vida são para se arrancar, quanto mais cedo melhor.
De que serve pôr creme na cara quando já estamos cheios de rugas, preocupar-mo-nos com a osteoporose quando já temos os ossos rendilhados ou começar a exercitar o cérebro quando aparecem os primeiros sintomas de Alzheimer?

Se achamos que temos domínio sobre a nossa vida, sobre quem somos, como somos... devemos também ter a noção de que o vamos tendo cada vez menos... Se as deixarmos, as "más" características instalam-se por Usucapião.
Da mesma forma que cada vez vamos tendo menos controle sobre o nosso corpo, queremos fazer as coisas mas já não conseguimos, o mesmo se vai com certeza passando com o nosso cérebro.
Deve ser triste chegarmos à velhice e dar-mo-nos conta de que somos intragáveis, de que as pessoas que se dão connosco o fazem por obrigação e não por prazer.

Eu cá quero ser uma velhotinha baril, querida, bem disposta e serena... e vou já começar a trabalhar para o efeito porque, com as ervas daninhas que tenho no meu jardim, ainda acabo é a beber cházinho de urtigas... LOL




When Im Sixty-Four - The Beatles

sexta-feira, 7 de março de 2008

Tenho um feitio de merda

Sou uma gaja porreira, tenho as minhas qualidades, como toda a gente... senão ninguém me aturava... mas a realidade é que tenho de facto um feitio de merda!!!

Sou bruta, agressiva, não meço as palavras... se estou convencida de que estou com a razão, o que acontece montes de vezes (embora, em raríssimos casos, esteja enganada... LOL), sou ácida e desagradável. Quando contrariada reajo violentamente. Basicamente fervo em muito pouca água.

A terrível característica dos Rodos, o exagero, não ajuda nada. Se pode ser considerado cómico o comentário de que havia dez centímetros de pó em cima de um armário, o dizer que qualquer coisa está uma merda completa, que estou completamente f...ida com uma situação, ou que alguém é absolutamente execrável, não ajuda muito nas relações humanas. O mais estúpido é que acabamos por sentir as coisas como as descrevemos.

Neste momento os leitores que me conhecem pior estão a pensar "não é nada... que exagero!"... Ah, ah!!! Estão a ver?! Não, não, acreditem, por detrás da gaija boazinha que conhecem está um verdadeiro monstro...
Estão a ver outra vez?!
Aaaaaaarrrrrrggggg!!!
Não consigo impedir-me de fazer isto...

Agora a sério, se algumas pessoas não conhecem esta minha faceta é porque não ando propriamente para aí ao estalo na rua... também não é preciso exagerar... LOLOLOLOL
Sorry! LOL

Bem... a realidade é que quanto mais próxima está a pessoa menos eu me controlo.
Nesta parte acho que sou "normal"... Todos nos libertamos mais com as pessoas com quem temos mais confiança.
Pois está mali!!!
Se mandarmos o taxista que se atirou para cima de nós na rotunda para a piiiiiii que o papiiiiiiiiiii, não perdemos nada com isso, quanto muito uns pontitos de karma... LOL
Se o fazemos com os que estão próximos minamos as nossas relações.

Ora se sempre estive consciente desta minha característica (sou estúpida, mas não sou burra...) a realidade é que só muito recentemente me dei conta de a que ponto muitas vezes me tem lixado a vida. Desta vez, não só não estou a exagerar, como estou a falar muito a sério.
As pessoas aturam-na porque lá hei de ter uma que outra qualidade que compense, mas a grande verdade é que todos saímos a perder.

Decidi então declarar-lhe guerra!
Não é fácil... um feitio de merda, impregnado há mais de quarenta anos, é difícil de sair...
É como o risco do cabelo... por muito que o tente usar de lado não há nada a fazer, quando dou por isso lá está ele ao meio outra vez, são muitos anos.
A diferença é que eu gosto do meu risco ao meio... no que diz respeito ao feitio há de ficar de lado nem que tenha de lhe pôr cola! LOL

Uso então pequenos truques...
Por exemplo, como dizia o meu pai "a tua mãe é munto chaaata..." (notem que ele a adorava, é portanto mesmo verdade... LOLOLOL). Bem, se calhar não é mais chata do que a mãe do próximo... É no entanto garantidamente mais speedada... é um verdadeiro Speedy Gonzalez diria eu...
Ora eu tenho toques personalizados no telemóvel e o dela sempre foram músicas que tinham a ver com o feitio dela. Primeiro a do Indiana Jones, mais recentemente a da Missão Impossível... A realidade é que, só de ouvir aqueles toques já começava a ficar enervada...
É verdade que ás vezes me liga para me chagar o juizo... mas quantas vezes me ligou porque estava numa loja, a perguntar se eu precisava de alguma coisa, por exemplo, e levou logo com um atendimento de "não tenho pachorra para te aturar", coitadinha...
Agora, o toque dela é o Bright Side of Life, dos Monty Python, quando o oiço fico logo de sorriso no cérebro, atendo-a portanto muito mais simpáticamente.

Quando o meu filho me dá cabo do juizo (sou uma vítima, todos me chateiam... a minha mãe, o meu filho, o meu marido... pobre de mim...LOL), como todos os filhos fazem ás mães, tento sempre imaginar que estou a lidar com um dos meus sobrinhos. Nunca "ataquei violentamente" (LOL) nenhum dos meus sobrinhos, isso ajuda-me portanto a controlar-me.

Quando o desatino é com o paizinho dele, ensaio sempre o meu discurso antes de o mandar cá para fora, para ver como é que soa. Se necessário, troco as palavras arrasadoras por outras mais soft. Penso dez vezes antes de falar e só falo de facto se continuar a achar que o assunto é relevante para a nossa vida.

And so on... para cada situação vou encontrando pequenos truques.
Ainda vou ter de encontrar muitos mais.
Nem sempre resultam, um homem não é de pau, ás vezes lá deixo saír a fera outra vez... mas no geral acho que estou bastante melhor. Ainda é cedo para dizer porque comecei há pouco tempo, mas a ideia é ir atacando uma situação de cada vez, grão a grão enche a galinha o papo.
A realidade é que acredito que a vida seja muito mais fácil se fôr levada com delicadeza, com suavidade, do que com brutalidade e agressividade, mesmo que "as vítimas" não reajam.

Peace and love men!