terça-feira, 3 de junho de 2008

A teoria e a pratica

Um miúdo pergunta ao pai qual é a diferença entre a teoria e a prática...
- Vai perguntar à mãe se era capaz de ir para a cama com alguém que lhe oferecesse 100.000€.
A mãe , estupefacta com a pergunta, acaba por dizer que sim. Afinal de contas era muito dinheiro, podia tira-los do aperto em que estavam...
- Ó Pai a mãe disse que sim.
Agora, meu filho, vai fazer a mesma pergunta à tua irmã...
- Ó pai a mana também disse que sim.
- Ora aí está a diferença entre a teoria e a prática:
Em teoria tínhamos aqui uma pipa de massa, na prática temos duas putas.

LOL

Ok, isto era só uma anedota :) mas...
Nota-se de facto uma grande diferença entre a teoria e a pratica no que diz respeito à maior parte das pessoas...

Ao conversarmos com elas da-mo-nos conta de que as suas cabecinhas pensam de facto na vida, tiram conclusões, têm opiniões formadas sobre a maneira “certa” de fazer as coisas.
Quem ouve o que algumas delas têm para dizer fica mesmo genuinamente impressionado com tanta "sabedoria"...
Sobretudo se não as conhecer intimamente... LOL
Infelizmente na generalidade aplica-se o "faz o que eu digo, não faças o que eu faço".

As pessoas observam os outros, lêem, pensam, algumas chegam até a ir a conferências, retiros, a estudar as religiões e as diversas filosofias… falam sobre felicidade, realização pessoal, interacção entre as pessoas… mas quando chega a altura de pôr tudo isso em pratica já é outra história.

Na maior parte dos casos temos perfeitamente noção de quando “fazemos merda”... podemos não querer reconhecê-lo, podemos até não querer admiti-lo para nós próprios, mas senti-mo-lo na pele, quanto mais não seja.
A vida é uma aprendizagem…um tomar de consciência de uma série de causas/consequências.
A partir de certa altura chegamos a conclusões do género "não posso comer azeitonas/chocolates (whatever) que fico com borbulhas"... (acção/reacção)
Os putos estão-se nas tintas, mesmo quando sabem que isso vai acontecer querem é comer o chocolate agora, querem lá saber das borbulhas que só vão aparecer mais tarde…
Muitos adultos fazem estupidamente o mesmo e em relação a coisas que lhes causam bastante mais transtorno do que o exemplo acima.
Mas se estivermos atentos, se estivermos para aí virados, se tivermos dois dedos de testa...basta irmos gradualmente corrigindo as nossas atitudes que dão "maus resultados".

Por outro lado, os outros são um espelho do que somos, se nos conseguirmos ver pelos seus olhos podemos ter uma noção muito clara do resultado das nossas acções. Estamos no entanto em geral mais facilmente dispostos a critica-los do que a ouvir o que têm a dizer sobre nós. Atiramos pedras ao telhado do vizinho sem nos darmos conta de que o nosso também é de vidro. Apontamos defeitos ao próximo sem consciência de que ás vezes sofremos dos mesmos “males”.
Há quem perca maridos/mulheres, empregos, amigos, simplesmente porque se recusa a fazer alguma coisa no sentido de corrigir características suas que ele próprio reconhece como sendo problemáticas. Como se o “eu sou assim” fosse uma maldição terrível da qual não se podem livrar.

O homem é um bicho bera por natureza...
Vão a uma cresce e observem como os putos são naturalmente mauzinhos uns para os outros, agressivos, egoístas, invejosos...
Mas isso cura-se! LOL

A sabedoria popular do estilo "não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti", ou os princípios básicos das religiões, como por exemplo a condenação da cobiça, da ira, da soberba, são excelentes guias... Muitos os apregoam mas poucos os seguem.
Dá um trabalho do caraças corrigir a natureza merdosa do homem, essa é que é essa!
E o que é pior é que, quando de facto tentamos, os resultados não são imediatamente visíveis... nem por nós nem pelos outros. Muitas vezes parece uma luta inglória...
É mais fácil arranjarmos desculpas para as nossas falhas, para as nossas fraquezas, atribuir a "culpa" aos nossos pais, aos nossos educadores, ás circunstâncias em que crescemos, do que reconhecer que somos "donos" de nós próprios e responsáveis pelo que somos hoje apesar do que nos aconteceu ontem.
Sobretudo há que assumir que todos erramos, que todos metemos o pé na argola de vez em quando, que o facto de identificarmos um “problema” não quer dizer que o tenhamos já resolvido e continuar insistentemente a tentar.

O caminho para a felicidade é a soma de uma infinidade de pequenos nadas. São pequenas batalhas das quais vamos ganhando umas e perdendo outras, mas não devemos desmoralizar. A vida não é um sprint, é uma maratona. A pseudo-busca da perfeição desmotiva as pequenas vitórias do dia a dia. As grandes teorias levam-nos a crer que os resultados são utópicos. A vida é uma cadeira prática… : )

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Os dodois

O bicho homem parece ter mais medo da dor do que de qualquer outra coisa... da dor física, da dor psicológica...
"A base do ensinamento de Buda, é a supressão da dor".
Oh my god... quem sou eu para discordar de Buda?!
LOLOLOLOLOLOL
A dor não é, sem dúvida, uma coisa agradável (alguns discordarão de mim... he, he...), não me parece no entanto que devamos tentar elimina-la das nossas vidas.
"Pain is the breaking of the shell that encloses your understanding" Khalil Gibran

A dor física serve em geral para nos alertar de que algo vai mal no nosso organismo...
Existe uma doença rara (insensibilidade congénita à dor) em que as pessoas não têm a capacidade de a sentir.
Assim à primeira vista pode parecer uma bênção... pois não é.
Já dizia Aristóteles "Não é possível aprender sem dor".
Como é que uma criança atingida por esta doença aprende onde estão os limites?
O que é seguro e o que não é seguro fazer?
Sem queixas como saber se está tudo bem com ela?
Existe inclusivamente um site chamado "Gift of Pain"...

A dor psicológica serve muitas vezes o mesmo propósito... permite-nos aprender com as experiências, evoluir, proteger-mo-nos de situações que nos fazem mal.
Claro que neste caso se pode sempre defender que se não houver dor não há mal...
Será?!
Será por exemplo que a apatia não é também um mal?
Será possível eliminar a dor sem ao mesmo tempo eliminar o prazer?
Será que se pode descartar os "maus" sentimentos sem descartar todo e qualquer sentimento?

Descobri uma citação do Jim Morrison que achei interessante:
"People are afraid of themselves, of their own reality; their feelings most of all. People talk about how great love is, but that's bullshit. Love hurts. Feelings are disturbing. People are taught that pain is evil and dangerous. How can they deal with love if they're afraid to feel? Pain is meant to wake us up. People try to hide their pain. But they're wrong. Pain is something to carry, like a radio. You feel your strength in the experience of pain. It's all in how you carry it. That's what matters. Pain is a feeling. Your feelings are a part of you. Your own reality. If you feel ashamed of them, and hide them, you're letting society destroy your reality. You should stand up for your right to feel your pain."

Quantas vezes, por exemplo, não ouvi pessoas dizer que não queriam mais animais de estimação por terem sofrido demasiado com a morte do último... Ao fugirem desta dor, estão ao mesmo tempo a fugir do prazer que estes lhes proporcionaram. Esta é no entanto uma atitude comum, que no extremo se pode aplicar a amigos, namorados, filhos... O medo da dor pode-se tornar completamente inibidor.

Notem que não estou de todo a fazer uma apologia da mesma. Não acho que devamos procura-la... só que "não é o fim do mundo", que não temos de tentar erradica-la das nossas vidas.

Há dores...

e dores...

...que não parecem de facto servir para nada a não ser para nos fazer sofrer... :(
Mas até com essas, já que lá estão, devemos tentar aprender alguma coisa... tirar alguma coisa positiva...

" Given the choice between the experience of pain and nothing, I would choose pain."
William Faulkner




quinta-feira, 15 de maio de 2008

Body & Soul




Isto é só para, quem quiser, ir ouvindo uma musiquinha boa enquanto lê.
(apesar dos meus avançadíssimos conhecimentos tecnológicos ainda não consegui descobrir como se põe música nesta coisa sem ser assim...LOL)

E agora, depois da divagação completamente alucinada do último post, falemos então um bocadinho mais a sério... ; )

Faz-me um certa confusão constatar como grande parte das pessoas se preocupa tão mais com o físico do que com o psíquico.
Digamos que a grande maioria lima as unhas mas não "lima arestas"...
Preocupa-se mais em ser uma pessoa "boa" do que uma "boa pessoa"...
Quer ter boa saúde mas não se questiona se tem bom carácter...
Pode ter boa aparência mas nem sempre boa educação...
Basicamente o comum dos mortais parece achar que deve cuidar do seu corpo mas não da sua mente... esta vai derivando ao sabor da maré.

Erro meus amigos, grande erro... a nossa cabecita requer atenção diária, exercício, cuidados constantes, ás vezes até tratamento...

Ás vezes estamos assim por dentro...


Mas se nos empenharmos podemos ser assim...


Da mesma maneira que o nosso corpo precisa de ser saudável para vivermos bem, o mesmo se passa com o nosso espírito.
Este também pode estar doente... É inclusivamente sensível a epidemias, vejam por exemplo a histeria colectiva aquando das vacas loucas, ou da gripe das aves...
Temos pequenas maleitas e grandes males... Dores intensas ou simples incómodos... Problemas crónicos e coisas pontuais...
Se tratamos do corpo porque não fazê-lo à "alma"?

Temos consciência de que devemos levar uma vida saudável, comer bem, fazer exercício...
Quando estamos mal tentamos diagnosticar o problema, resolve-lo...
Recorremos muitas vezes a ajuda externa para tratar de nós, quer se trate dos cuidados de alguém de casa ou de um especialista.
Tomamos mesinhas, remédios, fazemos fisioterapia, operações, tratamentos vários, alteramos os nossos hábitos se necessário...
Existe um equivalente de ajudas no que diz respeito à nossa mente, no entanto raramente consideramos necessário aproveita-las.

Da mesma forma, os problemas crónicos de carácter podem ser tão graves e incomodativos como os físicos, podem chegar a impedir-nos de levar uma vida "normal".
Quem tem diabetes tem de os controlar para o resto da vida. Quem tem tendência para engordar tem de dar atenção ao que come. Quem tem problemas de coluna tem de ter muito cuidado a manobrar pesos.
Há traços de carácter, tendências, pré-disposições a... que têm de ser tidas à rédea curta para todo o sempre.
Eu por exemplo tenho regularmente de fazer "hemodiálise" ao meu mau feitio. LOL As dependências, do alcool, do tabaco, das drogas, também têm de ser controladas. O mesmo acontece com as fobias e com as manias...

Fala-se muito em "body building" mas quem é que já ouviu falar em "mind building"?
Podemos modular a nossa mente exactamente da mesma maneira que o nosso corpo...
Dá trabalho... requer tempo... perseverança... esforço... força de vontade... mas faz-se.
Vê-se no entanto muito mais gente disposta a ir todos os dias uma hora para o ginásio trabalhar o corpo do que dedicar cinco minutos a trabalhar a mente.

Da mesma maneira, há muita gente disposta a alterar o seu corpo através da roupa, da cosmética, das dietas, das operações de estética... mas pouco se ouve falar em alterar feitios.
Estão dispostas a apanhar frio à porta da discoteca para poderem ostentar os seus decotes mas não fazem o mínimo sacrifício para melhorar os seus caracteres, põem rimel para sair mas não se munem de simpatia, perdem peso mas não intolerância, reduzem o nariz mas não o mau feitio...

E o que tem mais graça é que o assunto parece ser meio tabu.
As pessoas discutem entusiasticamente sobre moda, ginásios e operações plásticas mas ficam incomodadas quando se fala em coisas "mais profundas". Estas não costumam ser tema de conversa social...
Parece haver um grande pudor relacionado.
Discute-se a depilação mas não a preocupação do momento...

Esta vossa serva é considerada meio esquisita, excêntrica, incomodativa até... como se fosse uma exibicionista a abrir a gabardine para os transeuntes, quando aborda estes temas com a maior parte das pessoas.
Estas, ou pelo menos a maior parte delas, não querem saber destes assuntos, não querem sequer pensar neles, preferem pensar "eu sou assim, sou assim", preferem achar que não há nada a fazer para não se terem de dar ao trabalho ou simplesmente porque é demasiado assustadora a ideia de que a nossa vida está exclusivamente nas nossas mãos.

Tenho pena delas... porque a vida é tão mais leve e divertida de outra maneira...


Body And Soul - Charles Mingus


segunda-feira, 12 de maio de 2008

As maravilhas do WonderBra

Este fim de semana fui a um baile de mascaras...
Quer dizer... na realidade era uma festa... temática... mas metade das pessoas não percebeu e a outra metade não esteve para se dar ao trabalho o que resultou em meia dúzia de gatos pingados efectivamente mascarados, um dos quais my self...

O tema era 1968 (vá-se lá saber porquê...), embora um dos participantes tenha achado que era "os barcos" e tenha vindo vestido de gondoleiro...
Eu não. Eu cá sou muita certinha e cumpridora e segui o tema à risca...
Pesquisei na Net pa caraças, vi dúzias de fotos da época, estilos de penteado, de maquilhagem, etc... horas, horas de estudo!!!
Claro que depois saiu meio furado e misturei tudo, o cabelo estilo hippie com uma maquilhagem estilo perua... mas aposto que ninguém percebeu...

Enfim, o resultado final foi bastante satisfatório.

See for yourselfs...Tcha, tcham....

Gosto de me mascarar de "boa" de vez em quando... aproveito em geral as ocasiões festivas para o efeito É uma excelente ocasião para estudar o bicho homem, o que é sempre divertido e também faz bem ao ego, o que é sempre bom...

A realidade é que eu não sou nada disto... não fui aliás feita para ser mulher... Grrrrrrrr... o que eu não dava para mijar de pé...
Não me pinto, não arranjo as unhas, não vou ao cabeleireiro e não tenho grande pachorra para toiletes... ser gaja não é comigo...
Atenção que também não tenho as pernas cheias de pelos nem ando por aí com coletinhos em croché!!! Apesar de tudo há limites...

Mas enfim... boa, boa... nunca fui.
À pois, que eu não sou como essas gajas que coiso e tal, haviam de me ver com vinte anos, a brasa que eu era e tal e coiso e que agora é que já vou ficando entradota, a idade não perdoa, etc...
Não. Eu nunca fui boa. Com dezoito anos era uma vaca, com vinte tinha trinta e nove kilos e um ar de anorética que metia nojo.
Agora a flacidez vai tomando conta dos pontos estratégicos, as gordurinhas vão-se alojando aqui e ali, os cabelos vão ficando brancos...
Mas... guess what?! Isso não interessa nada porque os homens não resistem a um par de mamas... então em ambientes com pouca luz...
Vistam-se de preto, ponham um WonderBra e curtam o prato...

Atenção aos acidentes, que isto é como guiar um carro novo, quando se está habituada a usar as mamas por cima do umbigo quando vão parar meio metro à frente das clavículas não se consegue bem medir as distâncias...

A noite foi divertida... não sei bem quantos seriam capazes de me reconhecer na rua... o que não é obrigatoriamente mau... LOL
A conclusão é que TODOS os gajos são sensíveis a um par de mamas... deve ser uma cena Freudiana qualquer.
Mesmo aqueles com quem estou todas as semanas ficam com os olhos em bico a olhar para o meu decote... esqueçam... homem é básico mesmo, não há nada a fazer...
Foram inclusivamente comentadas, e corrigiu mesmo o machista mor da festa "as mamas da Cristina não, as mamas do Zé, que as mamas não são delas, são nossas..."
Diga-se em sua honra que houve também quem tenha olhado para além do dito par e me tenha visto lá atrás, ainda consegui ter uma que outra conversa coerente... (apesar do estado ligeiramente alcoolizado...)

Meninos, é que é assim que elas vos levam à certa.
Gostava de dominar a arte... deve dar imenso jeito, tipo para evitar multas e coisas do género...

Mas a realidade é que eu sou mais isto...




Pois... roupão, óculos, gatos e telecomando...

Desculpem... estou-me a sentir como se estivesse a dizer aos meninos que o pai natal não existe... Acho que as mães vão ralhar comigo...

Como vêem comigo não correm perigo, que sou uma amadora... mas atenção, que ELAS ANDEM AÍ!

LOLOLOLOLOLOLOOLOLOlOLOLOLOLOLOLOLOLOL

Because I got high - Afroman

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Papas na língua

A seguir ao meu último post, comentaram que não percebiam "a quem se dirigia"...
É verdade que frequentemente os meus posts se "dirigem" a alguém, isto no sentido em que são escritos em reacção a algum facto real.

Quando isso não acontece, quando o que escrevo não se baseia em alguma coisa que aconteceu à minha volta, ou em alguém, o resultado é um post de merda, como se pode verificar pelo último.
Não quer dizer que não pense o que escrevi... mas é sem qualquer dúvida um post sem alma...
Já percebi que para conseguir escrever alguma coisa que valha eventualmente a pena ler, tenho de o fazer com o coração, tenho de sentir uma qualquer afinidade com o tema, tenho de o sentir. Se fôr uma coisa simplesmente "intelectual" não funciona...

Quanto aos posts "dirigidos" (LOL) alguns deles escrevo-os de facto na esperança de poder fazer alguma diferença, tanto relativamente à pessoa ou situação específica que descrevo como a qualquer pessoa que eventualmente se encontre em situação semelhante.
Aproveito um caso específico para divagar sobre o tema em geral.
Não menciono nomes, não aponto dedos...
Não me viram ser indiscreta, falar de alguma coisa que me tenha sido dita em confidência ou expor algum detalhe íntimo de alguém... falo daquilo que toda a gente pode observar.

Mesmo assim já perdi leitores por causa disto... (LOL)
Houve quem se sentisse agredido... Quem se sentisse criticado...
Mas, then again, como dizia o meu amigo Churchill:
"
Criticism may not be agreeable, but it is necessary. It fulfils the same function as pain in the human body. It calls attention to an unhealthy state of things. "
Já dizia o Woody do Toy Story: "Se a carapuça serve..."

A realidade é que a grande diferença entre mim e a maior parte os outros é que eu tenho muito poucas papas na língua... No fundo, acabo por dizer o que a maior parte das pessoas pensa mas não diz. Ou pelo menos não diz à pessoa em questão.
Já arranjei muitas chatices por causa deste meu feitio, mas como ainda não consegui decidir se de facto é defeito ou não, visto que ás vezes resulta bem, não estou ainda disposta a abdicar dele...
Para além de que, como já devem ter percebido, era o fim deste blog... LOLOLOLOLOLOLOLOL

Se acreditar que uma pessoa de quem gosto pode, eventualmente, ser ajudada pela minha opinião. Se achar que posso oferecer novos pontos de vista, que posso usar as minhas ideias ou a minha experiência pessoal para o ajudar, não vou hesitar... está-me na natureza, é como a história do escorpião...
Sobretudo se achar que a pessoa não está nítidamente bem.
"A true friend never gets in your way unless you happen to be going down."

Arnold H. Glasow

Mas não é para ninguém em particular que escrevo... como já devem ter reparado não faço ideia (apesar dos lancinantes apelos da minha curiosidade), de quem lê ou não lê este blog, ou pelo menos de quem lê um ou outro post...

Escrevo porque acredito que, para aqueles que sabem que a vida está nas suas mãos, que a sua felicidade só depende de si, as sentenças que para aqui vou cagando possam uma vez que outra fazer a diferença...



sexta-feira, 2 de maio de 2008

A vida a P&B

Cada vez mais tenho a sensação de viver num mundo a preto e branco...
As coisas parecem estar a perder os meios termos, os tons de cinzento, sinto extremismo por todo o lado...
Se calhar sempre foi assim e eu só agora dei por isso...



Tomem o exemplo do anti-tabagismo...
Provou-se que o tabaco faz mal, que provoca cancro. Tudo bem.
Mas de repente o anti-tabagismo transformou-se numa cruzada, começou uma "guerra do tabaco"...
Parece que não basta avisar do perigo, não basta criar leis para proteger os fumadores passivos, há que erradicar este mal da face do universo.
De repente não se pode fumar em lado nenhum. Os fumadores são o diabo na terra.
Os maços, alguns antigamente bem bonitos, são marcados a ferros com as horrendas etiquetas anti-tabaco.
Nos aeroportos e afins, os locais destinados aos fumadores são minúsculos cubículos transparentes, tipo aquário, de arejamento duvidoso, em geral sem cadeiras, por forma a garantir que quem lá entre não possa de forma alguma sentir-se confortável.
Será que não era possível que uns fumassem e outros não, em harmonia, os fumadores respeitando os direitos dos outros mas vice/versa?

Vejam a questão do adultério...
Ainda no Século passado era considerado normal os homens terem amantes, montarem casa ás senhoras. Hoje em dia quando alguém mija fora do penico é logo crucificado.
Será que não existe um meio termo?
Um "julgamento" caso a caso?
Será que uma escorregadela pontual numa noite de bebedeira passada longe de casa é a mesma coisa que uma vida dupla com duas mulheres e dois filhos?

A pedofilia... oh, a pedofilia de que tanto se fala...
Dantes as meninas casavam e tinham filhos a partir da puberdade, hoje, se alguém lhes tocar com essa idade vai de cana...
Será que se pode realmente meter no mesmo saco um animal que rapta, tortura, viola e mata uma criança e um adulto que tenha "um caso" com uma Lolita atrevida???

E podia estar aqui muito mais tempo a dar exemplos... a realidade é que acho que que cada vez há menos tolerância, que cada vez as atitudes são mais etiquetadas.
Temos de ser pró ou contra, não nos deixam ficar na zona cinzenta... não podemos comer vegetais de vez em quando, ou somos vegetarianos ou não somos, há que escolher porque tem de ser aplicada a respectiva etiqueta.

O "politicamente correcto", não é uma questão de respeito, é uma questão de medo idiota da reacção dos outros.
Ouvi vários pretos em Cabo Verde chamarem-se pretos uns aos outros, sem qualquer tipo de ofensa... Mas se fôr um branco já não pode ser, se calhar mais por causa dos outros brancos do que dos próprios pretos.
Uma mesma palavra pode ser ofensiva ou não segundo o contexto e a forma como é usada, mas agora prefere-se "proíbi-las" just in case.



A preto & branco, digo-vos eu... LOL

quinta-feira, 24 de abril de 2008

O sindroma de Calimero

" - Mestre, como faço para me tornar um sábio?
- Boas escolhas.
- Mas como fazer boas escolhas?
- Experiência - diz o mestre.
- E como adquirir experiência, mestre?
- Más escolhas... "

Todos fazemos "más escolhas" de vez em quando... no entanto alguns não parecem "adquirir" grande experiência... Porquê?
Para se "aprender com os erros" é preciso reconhecer que os fazemos.
Ora certas pessoas parecem achar que a vida "lhes acontece", que não têm qualquer responsabilidade, qualquer controle sobre ela.
Vão lidando com as coisas conforme elas vão acontecendo.
Quando estas correm mal acham-se umas vítimas... é aquilo a que chamo o Síndroma de Calimero.



É uma injustiça...

Para podermos de facto aprender temos de fazer uma série coisas que não são agradáveis: reconhecer os erros como tais, assumir responsabilidades pelos desfechos indesejados, dar o braço a torcer (quanto mais não seja perante nós próprios) e eventualmente até pedir desculpa assumindo assim publicamente a falha... Ninguém gosta...

Os Calimeros nunca têm culpa de nada, arranjam sempre justificações para a merda que fazem. Quando se lhes aponta alguma coisa está-se sempre a cometer uma terrível injustiça.
É evidente que a culpa foi do tempo, do trânsito, do governo, da crise, do cão, da vizinha, do pai, do filho ou até provavelmente do Espírito Santo...
Até conseguem ás vezes reconhecer que alguns actos seus (ou falta deles) possam ter dado maus resultados... mas não têm culpa coitados, é da sua natureza... são naturalmente atrasados, desorganizados, esquecidos, distraidos, infiéis, violentos... seja lá o que for, mas a culpa não é deles, não lhes podemos levar a mal, o que podem eles fazer a esse respeito?!

Uma mulher leva sistematicamente pancada do marido, de quem é a culpa?
Do marido, claro, que lhe dá porrada...
Ou será que não há aqui alguma "cumplicidade" da vítima?!
Se esta encarar a coisa como uma fatalidade as coisas nunca ão de mudar.
Se tomar a sua vida em mãos, assumir e reconhecer que errou ao casar-se com uma pessoa violenta, mesmo que não o soubesse antes, é o primeiro passo para se livrar da situação.

É fácil? Com certeza que não.
Ninguém nasce ensinado, a vida aprende-se e aprende-se errando. Mas se não reconhecer-mos os erros como tais não há razão para que não continuemos a repeti-los "add eternum".
Que desperdício...

Não somos obviamente os únicos a errar, os outros também falham, ás vezes há que partilhar responsabilidades. Mas quanto aos outros não há de facto grande coisa a fazer...
No outro dia descobri uma citação à qual, como devem supor, achei imensa graça:
"God grant me the serenity to accept the people I cannot change, the courage to change the one I can, and the wisdom to know it's me." Autor desconhecido

Outro exemplo flagrante do que tenho estado a dizer são as separações.
Quantas vezes as pessoas não consideram o facto de alguém se querer separar delas uma total injustiça?!
Elas fizeram tudo certo, têm falhas pois com certeza, quem não as tem, mas não fizeram nada que justifique uma separação...
Talvez não terem tido a coragem de mudar aquilo que podiam ter mudado?
Talvez não terem assumido qualquer responsabilidade no degradar da relação?

Nem todos os erros são cometidos com más intenções, antes pelo contrário, mas não deixam por isso de ser erros na mesma.
O meu filho é um pisco a comer... é daquelas crianças que de frente parece que está de lado e de lado não se vê... ;)
Quando começou a comer pior stressei que nem uma doida... que mãe é que não se preocupa quando a sua cria não se está a alimentar convenientemente?
Tentei obriga-lo, força-lo e o resultado foi que ganhou aversão à comida, as refeições tornaram-se um tormento.
Quando me dei conta disto assumi um "mea culpa" e tentei corrigir a minha atitude, já sem grande sucesso confesso.
Resta-me esperar que com a adolescência isto passe, como é comum acontecer.
Lamentar-me da minha triste sorte não iria certamente servir para nada a não ser prolongar o suplício e cometer o mesmo erro se tivesse outro filho.

A realidade é que, de uma maneira ou de outra, a maior parte das coisas que "nos acontecem" são responsabilidade nossa sim. São consequência dos nossos actos ou da falta deles. E se o resultado não é positivo, reconhecermos que metemos o pé na argola é o que nos vai fazer evoluir. Somos seres moldáveis, transformáveis, pelas circunstancias, pelo meio ambiente, pelas experiências, e sobretudo pela nossa própria vontade.
Se acreditarmos que podemos mudar a nossa vida, torna-la mais fácil, mais agradável, melhor, corrigindo aquilo que temos vindo a fazer mal, muito mais facilmente seremos felizes...

Digo eu, sei lá de que...
LOL






quinta-feira, 17 de abril de 2008

Peace and love

Hoje olhei com olhos de ver para este blog e assustei-me...
Como me disseram uma vez: "quando vejo gajos de barba vestidos de branco desconfio..."
Foi a sensação que tive, de repente vi-me num "filme" destes:


A realidade é que as palavras New Age (quando juntas pelo menos... LOL) me provocam borbulhas e que me dei conta de que aparecem insistentemente em grande parte dos links que aqui introduzi...
Chiça, penico, chapéu de coco...

Como podem ver all over my blog, acredito de facto numa série de coisas intimamente ligadas a este tipo de movimentos. Mas, e que me desculpem os seus seguidores, não tenho cu para grandes misticismos, esoterismos, ou qualquer tipo de extremismos.
Ok, se calhar extremismos não é a palavra adequada... mas percebem o que quero dizer...
(não?!... Bolas!!!... Então vão ler outra coisa... vão surfar na net, vá! Peace Love! Bye...)

A realidade é que não acho que seja obrigatório vestir-se de branco, deixar crescer a barba, rapar o cabelo, praticar sexo tântrico, ser vegetariano ou fazer retiros de quatro anos para se viver em harmonia consigo próprio, com os outros e com o mundo... bastam dois dedos de testa.
Pode ser-se uma pessoa completamente normal (e por normal entenda-se "conforme à norma ou à regra comum") e viver em paz e amor...
Pode ter-se sangue na guelra, pelo na venta e mesmo assim tratar o próximo com respeito e consideração.

Por exemplo onda "A minha Aninha (nome escolhido ao acaso, LOL) não te adora..." que é na realidade como quem diz "não pode contigo nem com molho de tomate"... irrita-me. Chamem-se as coisas pelos nomes... É legítimo não gostar de alguém... Até os cães embirram com certas pessoas...
Eu pessoalmente não suporto malta egoísta, hipócrita, sonsa, prepotente, preconceituosa... por exemplo. ;) E não vejo mal nenhum em fazer esta afirmação. A ideia de que somos todos bonzinhos é uma granda treta, há gente "podre" sim...

Dito isto queria só deixar claro que não sigo qualquer ideologia e que tudo o que apregoo neste blog é válido para católicos e budistas, carnívoros e vegetarianos, malta com e sem cabelo, com barbas de qualquer comprimento e vestida de qualquer côr... são valores humanos, em que acredito, e graças aos quais acho que todos podemos viver melhor.

LOL

sexta-feira, 11 de abril de 2008

It's nothing personal...

O ser humano tem uma certa tendência para levar tudo "a peito"...
Nas histórias o enredo gira à volta do personagem principal.
Nós somos os actores principais do nosso filme.
Logo, tudo o que acontece está obviamente centrado na nossa pessoa.
Nhé!...

Um exemplo divertido e caricatural da coisa:
Uma vez estávamos parados no meio da barragem porque alguém estava a calçar os skis. Passou um tipo ao nosso lado, muito devagarinho, a olhar fixamente na nossa direcção.
Um amigo nosso indignou-se: "Por que raio é que aquele tipo está a olhar assim para mim???!"
...
O nosso barco estava cheio de meninas em monoquini.
; )

Se um louco na rua gritar insultos ou rogar pragas aos transeuntes, a probabilidade é que nem liguemos grande coisa ao que diz... Se nos apontar o dedo, se se dirigir a nós, vamos provavelmente sentir-nos de alguma maneira atingidos pelas suas palavras.
Ora em nenhum dos casos a situação tem nada a ver connosco, estávamos simplesmente a passar por ali nesse momento.
A realidade é que a vida é feita de uma infinidade de filmes e não passamos de figurantes na maior parte daqueles em que participamos.

Quando nos damos conta de que o mundo não gira de facto à nossa volta, certas coisas beras tornam-se sem dúvida muito mais suportáveis...

Uma vez estávamos no Castelo do Bode quando caiu a maior chuva de granizo a que já assisti na vida, pedras do tamanho de bolas de golf...


Os carros que estavam na rua ficaram todos amolgados, um deles até com o vidro partido.
Se alguém tivesse pegado numa marreta e feito aquilo, os respectivos donos (o meu carro estava na garagem... he, he...) ter-se-iam certamente passado dos carretos. Assim, encolheram os ombros e rogaram umas pragas ao S. Pedro.

Aqui há tempos escrevi um post em que falava de uma proposta que recebi. Como quem segue com alguma atenção este blog deve ter percebido, depois de alguma hesitação decidi aceita-la.
Durante cerca de dois meses estudei, pesquisei, trabalhei, dediquei-lhe horas e horas... mas sobretudo não procurei alternativas de trabalho, de rendimento.
Até que um dia a proposta foi "retirada".
Mas não havia problema, porque vinha aí muito trabalho, noutro projecto, noutros moldes, mas trabalho rentável e simpático à mesma.
E veio, algum, mas depois afinal também já não precisavam de mim...
Por ter decidido empenhar-me, primeiro num e depois no outro projecto, acabei por ficar praticamente sem rendimentos durante quase quatro meses, visto que não era viável comprometer-me com outras coisas, sempre à espera do dia em que iria finalmente começar a "pingar guito".

A realidade é que...
Chegaram à conclusão de que o primeiro projecto não era viável neste ponto do campeonato e que conseguiam fazer sozinhos o trabalho do segundo... o que é que haviam de fazer?
Ah não, temos de ir para a frente com o combinado que a outra está a contar com isso... ?!
Não houve, na minha opinião, qualquer tipo de má fé, de desonestidade...
O que parecia uma boa ideia à partida acabou por depois, metidas mãos à obra, não ser concretizável.
De qualquer maneira, em qualquer destes dois projectos, eu nunca passei de actriz secundária, não eram o meu filme.
Fui lesada pela situação? Sem dúvida... Mas nada foi feito para me prejudicar, o mal que me aconteceu foi um efeito colateral e seria completamente estúpido leva-lo a peito.

À cerca de um mês entrou-me um "mata velhos" pela peida do jipe adentro... Apanhei um baita de um susto quando, depois do impacto inicial, vi uma coisa a rebolar pela estrada fora e ainda mais quando vi uma mão inerte a sair do que restava do carro virado de rodas para o ar. Felizmente foi só mesmo susto e o mentecapto (em sentido próprio) que ia ao volante daquela coisa estava bem.
Este acidente era-me tanto "dirigido" como a situação que descrevi acima... simplesmente aconteceu e por galo eu fui apanhada no meio.
Em ambos os casos levei na bunda... LOL mas não foi nada pessoal.
Ficar chateada com os impulsionadores dos referidos projectos seria tão idiota como ficar ofendida com o Quasimodo por me ter abalroado.

Poderão dizer que o resultado final é o mesmo quer haja intenção de lesar ou não... a realidade é que, quando as coisas nos são feitas a nós, especificamente, doem muito mais. Geram revolta, raiva, amargura, ressentimento, etc... uma série de sentimentos negativos que nos corroem por dentro.
Se aprendermos a separar o trigo do joio, a perceber que há coisas que simplesmente acontecem, que são um ganda galo, mas que não têm nada a ver connosco, poupamo-nos a uma série de energia negativa que não serve absolutamente para nada.




terça-feira, 8 de abril de 2008