Não há como exemplificar o que se quer dizer… decidi então dar-vos um exemplo concreto relativamente ao meu último post.
O meu amigo “o tótó” está entre as pessoas mais irritantes que conheço…
Comigo, dadas a longevidade e proximidade da nossa relação, é especialmente aplicado na arte da irritação. Digamos que parece um amante de longa data, toca nos pontos chave e eu entro em órbita… lol
Notem que nada disto é inocente… fa-lo consciente e voluntariamente, pelo simples gozo de irritar… deve ter tirado um curso com os Monty Python . E não se coíbe de o fazer com “first timers”, se for caso disso, o que o torna ás vezes muito difícil de gostar à primeira volta.
Senão vejamos… adora gerar discórdia. Se vir uma hipótese de pôr o pessoal todo a pegar-se sobre algum tema, não perde a oportunidade. Depois encosta-se e só volta a participar na “discussão” se vir que as coisas estão a amainar. A expressão “pôr achas na fogueira” diz-vos alguma coisa?
O “perseguir X” é também desporto favorito, (inútil será dizer que grande parte das vezes X é aqui o mexilhão…Grunf!), ai de quem tenha esqueletos no armário… Ele saca-os de lá, espeta-os num pauzinho e persegue-nos com eles o resto do dia. E mais uma vez, quando por milagre alguém consegue desviar do assunto, lá vem ele re-agitar a marioneta à frente dos nossos narizes. Digamos que é o campeão mundial do “hoje X está na berlinda”…
A jogar… ó céus, a jogar… não há mais irritante… Gaba-se, vangloria-se, faz a festa, manda os foguetes, apanha as caninhas, e faz caretas insuportáveis, quando ganha… Mas se perde a culpa nunca é dele. Foi a sorte, os dados, as cartas ou mais provavelmente o parceiro, que não tinha jogo ou pior ainda, não sabia jogar…
As criancices… para as criancices também não há cu, um matulão quase na terceira idade… as birrinhas… “já acabei o meu jogo, agora quero ir para casa… acabas de ver o filme noutro dia…”, os ataques de tótózice em certas e determinadas situações, regressos à infância em que fica mais imaturo do que o meu filho… parece que de repente lhe cai o QI.
Enfim… podia aqui estar o dia todo a descrever o ser encanitante que é… nada políticamente correcto… cheio de malícia, de maldizência encapuçada. lololololololololololololololol
A realidade é que ele é, também e sem qualquer sombra de dúvida, a “melhor pessoa” que alguma vez conheci… Este ser inominável é o ser humano mais “caring” que alguma vez encontrei ao vivo e a cores…
Esteve presente em todos os momentos chave da minha vida, activamente, para o melhor e para o pior.
Esteve ao meu lado quando me casei e quando me separei. Foi o primeiro a chegar no dia em que nasceu o meu filho.
Quando a minha empresa estava a caminhar lenta mas seguramente para o precipicio, assegurou-nos os custos fixos durante seis meses. Sem papeis, sem assinaturas, sem planos de pagamento. Só porque acreditou…
Quando morreu o meu pai, esteve sempre “around”, transparente no meio da multidão… mas sempre atento a qualquer necessidade, sempre pronto a agir se fosse preciso. Deu-me de comer quando nem eu percebia que tinha fome… Organizou coisas que eu não tinha capacidade de organizar, nem tão pouco pedir…
Está sempre lá quando preciso dele e sabe que preciso dele antes de eu própria saber…
Está sempre atento. Mal detecta sofrimento entra em acção.
É o primeiro a candidatar-se a todas aquelas coisas que os outros evitam… ir ao supermercado, ir comprar qualquer coisa à farmácia, levar alguém ao hospital. Chega-se à frente por nós, pelos nossos pais, pelos nossos irmãos, pelos nossos amigos e, se for caso disso, por pessoas que nem sequer conhece, simplesmente porque se sentir que pode ajudar, amparar, ele fa-lo…
Tão facilmente é capaz de passar uma noite em branco para apoiar alguém como de aplicar uns trocos nalguma acção de salvamento. Usa a cabeça, os conhecimentos, os músculos, o seu tempo ou a carteira com o mesmo desprendimento, se puder fazer a diferença para alguém…
Não tem conta o número de pessoas que lhe vão pedir conselho, opinião, ajuda de alguma forma… E a todos “atende” com a mesma prontidão, simpatia e disponibilidade.
Alguns discutem teorias sobre compaixão, generosidade, altruísmo… ele poe-nas em prática, chega-se à frente, arregaça as mangas e ajuda de facto o próximo… com palavras, com acções.
Se a alguém se pode aplicar o termo “bom coração” é ao meu tótó… e no entanto, como puderam verificar, é uma espécie de bola de “poil à gratter”… lololololololol
Conhecem isto?
“Os palavrões não nascem por acaso”…
Concordo plenamente. lol
A realidade é que dá a sensação que, para se ser “boa pessoa”, tem de se ser uma Madre Teresa.
Não podemos utilizar palavrões.
Temos de ser politicamente correctos.
Não podemos praticar a maldizência.
Não devemos ter malícia.
Devemos falar calma e pausadamente.
Não podemos discriminar.
Etc, etc, etc…
Bull Shit!!!
Pode-se ser boa pessoa sem se parecer uma mosquinha morta, sim… Eu sou uma excelente pessoa. Podem gozar à vontade, mas sou.
Preocupo-me com os outros, faço o que está ao meu alcance pelo seu bem estar. Tenho respeito e consideração pelo próximo. Sou atenciosa… e podia estar aqui a noite toda a “gabar-me” das minhas qualidades altruístas… lol
No entanto pratico todos os “pecados” supra-citados…
Dado que a utilização de palavrões é natural na minha pessoa, quando o meu filho começou a falar, comecei a perguntar-me como poderia lidar com o assunto…
Expliquei-lhe o seguinte:
“Os palavrões são como as facas… só quem sabe é que as pode utilizar.
Por muito que queiras, com a tua idade, não podes utilizar uma faca afiada, que te cortas. Podes no entanto utilizar uma faca de manteiga, que não tem mal, dificilmente vais magoar alguém com ela.
Com os palavrões é a mesma coisa.
Tu és pequenino, podes utilizar palavrões pequeninos (há que ser coerente, não lhe podia proibir todos…lol) podes dizer bolas, chiça, caramba… e coisas do género.
Depois há os palavrões médios e os palavrões grandes. Estes estás proibido de os utilizar. Quando fores maiorzinho podes começar a utilizar os médios e quando fores adulto os grandes.”
E prontes… ele percebeu perfeitamente e segue à risca.
Volta não volta pergunta-me: “Mãe, posso dizer um palavrão só para saber se é grande? … Posso dizer merda?” – “Não Pedro, merda é um palavrão médio, ainda não podes dizer…” ; )
A utilização de palavrões é uma arte que é preciso saber dominar. Não me passaria nunca pela cabeça, num jantar de cerimónia, dizer “foda-se que a sopa está quente…”
É preciso controlar o que se diz, quando se diz e a quem se diz…mas não posso deixar de concordar com o Sr.Millôr Fernandes quando diz que o palavrão liberta.
É como a malícia… ou o que lhe queiram chamar…
Eu cresci no meio de homens. No fim da infância e início da adolescência, nada me fazia mais feliz do que “hang around” como o meu pai e os amigos.
Os homens, como toda a gente sabe, puxam sempre tudo para a cueca… e assim cresci também, e assim sou, tudo provoca em mim a piscadela de olho marota.
Um dia o meu pai e um amigo vieram jantar comigo e com vários amigos meus. No fim do jantar um deles disse-me “Porra, tu cresceste com estes dois gajos?! Já percebo porquê que és assim…” lol
Sim. E qual é o mal?
Porque é que eles, entre eles, podem mas nós não?
E porque é que não se há de poder cortar na casaca?
Ou “dizer mal” de alguém?
Há pessoas que, como dizem os franceses, “nous tapent sur les nerfs”, sim. Ou que têm a chamada “tête à claques”…
Porque raio é que havíamos de ter de meter isso para dentro? Não me venham com histórias, toda a gente pensa o mesmo volta não volta, a diferença é que uns exteriorizam e outros não.
Desde que se não ofenda ou agrida ninguém directamente, há algum mal em dar um bocado de rédea solta aos nossos instintos de maldizência? Bah…
O politicamente correcto… como já devem ter percebido, se seguem minimamente este blog, é uma coisa que me irrita solenemente…
Frazesinhas do estilo “A minha Aninha não te adora…” tiram-me do sério.
A gaja não te grama, não te pode ver nem com molho de tomate… isso sim.
Chamemos as coisas pelos nomes, caraças.
Uns são filhos, outros enteados… Pois com certeza. E não temos direito ás nossas preferências? Os seres humanos são todos iguais, por acaso? Há características que não gramo e tenho todo o direito a discriminar sim. A pôr de parte a malta que não me diz nada, a não confraternizar com ela…
And so on…
Volta não volta, corre mal?
Soltamos um palavrão sem querer na altura errada?
Cometemos gafes?
Julgamos mal alguém?
E então?! Alguém morre por isso? Paciência. Meia bola e força.
Viver e aprender, para a próxima teremos mais cuidado…
Não é preciso ser freira para se praticar o bem…
Estou farta daquela malta insípida, que parece que passa pela vida sem a viver, que não é carne nem é peixe.
A vida é para se viver intensamente, com fogo, com paixão, só temos uma…
Faz amanhã três semanas que, por sugestão de um amigo e ex-colega, criei uma Network para os Antigos (alunos e professores) do Liceu Francês de Lisboa…
Neste momento somos quase 600 membros, "vindos" de 37 países!!!
Está a ser um sucesso estrondoso, tanto em termos de adesão como de participação no site …
Desde que sai de lá que não paro de me admirar com este fenómeno…
Quando encontramos alguém que também lá andou, senti-mo-nos como se reencontrássemos um amigo de infância. Perguntamos pelos outros, combinamos coisas, partilhamos histórias “d’anciens combatants”, como dizem os francius. ; )
Tanto pode ser um antigo colega de turma como alguém que só conhecíamos de vista ou de nome, a quem nunca tínhamos sequer dirigido a palavra.
Isto não acontece relativamente a nenhuma das outras “escolas” onde andei (Iade, Arco, etc…) nem nunca sequer ouvi pessoas que frequentaram outros sítios mencionar nada de parecido. Com excepção talvez para o Colégio Militar…
Vários dos meus amigos mais chegados também lá andaram, dou-me com alguns já vai para trinta anos… Aliás, entre os antigos alunos há imensos que continuam a dar-se, a manter contacto regular.
Os que não se dão, não perdem uma ocasião de combinar coisas, de se voltarem a ver…
Ao jantar de comemoração dos 50 anos do Liceu acorreram (se não estou em erro) cerca de 1.500 pessoas… tiveram de alugar uma sala no pavilhão atlântico.
Os que foram adoraram, os que não conseguiram ir tiveram pena…
Os que lá não andaram explicam isto dizendo que somos uma cambada de cagões, que temos a mania que somos especiais, que temos sempre de ser diferentes, que aquilo é uma escola elitista, etc, etc, etc…
Pôr um filho no Liceu Francês é uma decisão de peso, um compromisso com a sua escolaridade.
Opta-se por um tipo de ensino, uma língua, etc.
Há coisas importantes que se decidem em função disso.
Eu, por exemplo, só “fugi” para Sintra porque o meu filho não entrou para lá.
Se ele tivesse entrado eu provavelmente nunca teria saído (de Lisboa, claro… LOL).
Normalmente, quem entra, fica até ao fim.
Claro que há excepções… pessoas que vão pra fora... que são “convidadas a saír” (naquele Liceu ninguém é expulso, parece mal… LOL)... A realidade é que, anos depois, até essas pessoas, algumas delas que odiaram lá andar, sentem carinho por aquela “casa” e pelos que lá andaram…
Acho no fundo que o Liceu Francês funciona como uma grande família… Há irmãos, primos, primos afastados... Que é como quem diz amigos, colegas, pessoas que nos habituámos a ver “por lá”. Até há pais, tios e padrinhos... professores, contínuos, senhoras do bar.
Enquanto lá estávamos isso não parecia ter importância nenhuma, sentia-mo-nos num liceu como outro qualquer.
Quando saímos o espírito de clã vem ao de cima.
Criámos laços que nem sabíamos que existiam e que, cá fora, se tornam evidentes.
Não tenho, pessoalmente, nenhuma simpatia especial pelo povo francês, não mais do que por qualquer outro. Mas a sua cultura está entranhada em mim e os antigos alunos hão de sempre ocupar um lugar muito especial na minha vida.
Penso que isto aconteça com quase todos nós...
É a este espírito, e a mais nada, que se pode agradecer todos os reencontros que se estão a dar neste momento ...
A generosidade é, na minha opinião, uma das mais importantes virtudes do ser humano… dar sem esperar nada em troca… Tão bonito, não é?!
BATATAS!!! É o que é…
Por definição a generosidade é SEM ESPERAR NADA EM TROCA... Incrivelmente os actos generosos são muitas vezes também muito egoístas.
Quantas pessoas conhecem que dêem moedinha ao arrumador por simples generosidade? Hein?! O acto é sem dúvida “generoso”, teoricamente… A realidade é que a maior parte o faz na esperança de que assim não lhes lixem o carro… LOL
Embora não devesse ser assim, à frente da maior parte dos actos “generosos” há um “se” implícito…
Conheço casos em que é mesmo explícito… Por exemplo, um pai propõe-se generosamente a pagar metade do carro que o filho precisa de comprar. SE fôr o carro escolhido por ele… sendo outro, azarete, paga-o tu. Casos deste género conheço resmas.
Há também aquelas pessoas que oferecem qualquer coisa e depois cobram por ela. Lembro-me, quando era miúda, da minha avó se ter proposto a fazer-me uma saia. Saiu-me cara a brincadeira… a seguir não parou de se queixar que lhe tinha custado imenso, que se tinha deitado tardíssimo para a acabar, que tinha ficado cheia de dores nos dedos (tinha reumático), etc… Já nem tinha vontade de vestir a porra da saia.
Outros anúnciam logo de caras o “preço” da sua generosidade. Tipo “Eu compro-te essa mala se me deres aquela tua de que eu gosto tanto” ou “Se me convidares para padrinho ofereço-te a viagem de núpcias”.
Noutros casos, o aceitar das generosas ofertas torna-nos “escravos morais” da pessoa em questão. Estas são à borliu enquanto tivermos o tipo de comportamento que esperam de nós. No dia em que sairmos da linha, na optica do mecenas, cai o Carmo e a Trindade.
Depois há os que se ofendem se recusarmos a sua generosidade. “Eu vou-te ajudar com a mudança” – “Deixa estar, não vale a pena, já arranjei montes de gente…” – “Pois… eu propus-me a ajudar… e ela não quis… não percebo… de vez em quando tem destas… para a próxima já nem digo nada…”
Ou as que medem as consequências da sua generosidade ou falta dela… “Está um dia do caraças, não me apetece nada ir ajudar/dar apoio moral/confortar/tomar conta de/etc X, vou mas é para a praia…” Isto, claro está, se por isso não vierem a ter “chatices” de maior, senão mais vale de facto serem generosos. ; )
Finalmente, o “generoso da treta” quer que se saiba que o foi… Generoso claro, não da treta… LOL Por exemplo, entre amigos, quando alguém faz anos, costumamos fazer “vaquinhas” em vez de cada um oferecer a sua prenda. Normalmente alguém se encarrega de reunir o guito (call me mexilhão… LOL) e depois o traduzir num cheque, vale, transferência, whatever… Uma vez achámos mais simpático colocar uma caixinha de cartão à entrada onde as pessoas depositariam a sua dádiva. Guess what?! Qual vaquinha, qual carapuça, não deu nem para um bezerro. Já que é “anónimo”… ninguém vai saber que não pus lá um charuto. LOL
Fazendo só um pequeno à parte, notem que as doações anónimas têm ás vezes enormes vantagens… Não resisto a contar-vos isto. LOL Há muitos anos, um primo meu esteve internado no hospital dos Capuchos. Eu ia visita-lo sempre que possível e de cada vez, via um senhor velhinho, sosinho a uma mesa, descalço, com os pés muito enrroladinhos um no outro, nítidamente com frio. Perguntei o que se passava e o meu primo disse-me que o desgraçado do velhote andava à que tempos a pedir uns chinelos mas que não lhe ligavam nenhuma. Eu, cheia de pena, quando saí dali passei por uma sapataria e comprei-lhe uns. No dia seguinte entreguei-os ao meu primo mas pedi-lhe para não dizer de quem vinham… Quando lá voltei, não vi o velhote. Perguntei se já tinha tido alta, ao que o meu primo respondeu: “Xiiii, tu nem queiras saber… o velhote está na enfermaria… dei-lhe os chinelos, ele ficou todo contente, calçou-os logo mas mal se pôs em pé escorregou e partiu-se todo…”
LOLOLOLOLOLOLOLOLOLOL Doações anónimas, muito sensato… LOL (Sorry… LOL)
Bem, mas voltando ao nosso assunto…
Felizmente, conheço uma que outra pessoa realmente, diria mesmo “puramente”generosa, que faz as coisas exclusivamente pelos outros. A realidade é que a maior parte das pessoas quando dá, seja o que fôr, prendas, dinheiro, coisas, tempo, ajuda… acha sempre que tem direito a alguma coisa em troca ou fá-lo por medo das consequências de não o fazer.
Sempre que me queixo da vida porca e miserável que levo (em termos de guito, claro… LOL) alguém me sugere que arranje um emprego.
Eu não preciso de emprego, preciso de trabalho.
(hum… normalmente costuma dizer-se o contrário, não é?!)
Um emprego, a não ser que muito bem pago, não ia aumentar em nada a minha qualidade de vida, antes pelo contrário…
Faz-me sempre pensar naquela história do pescador mexicano:
Numa aldeia de pescadores da costa do México, um pequeno barco volta do mar. Um turista americano aproxima-se e curioso, pergunta:
“Quanto tempo levou para pescar esses peixes?”.
“Não muito”, responde o mexicano.
“Então por que não ficou mais tempo no mar e apanhou mais peixes?”
O mexicano explicou que aquela quantidade bastava para atender às necessidades da família.
“Mas o que faz com o resto do seu tempo?”, indaga o americano.
“Durmo até tarde, pesco um bocado, brinco com meus filhos, passo tempo com a minha mulher, à noite vou até a vila ter com os meus amigos …tenho uma boa vida...”
O americano interrompe: “Pois eu posso ajuda-lo a ter uma vida realmente boa. Faça o seguinte: comece a passar mais tempo na pesca todos os dias. Depois venda todo o peixe extra que conseguir pescar. Com o dinheiro, compre um barco maior. Ás tantas pode comprar um segundo e um terceiro barco, e assim por diante até ter uma frota. Em vez de vender o peixe a um intermediário, negoceie directamente com as fábricas, quem sabe pode até abrir sua própria indústria. Então pode deixar esta vila e ir morar na Cidade do México, Los Angeles ou até mesmo em Nova Iorque!!”
“E depois?” Pergunta o mexicano
“Depois, quando seu negócio começar a crescer, faz milhões!!!”
“Milhões? A sério? E depois?”
“Depois reforma-se e pode morar numa vilazinha da costa mexicana, dormir até tarde, apanhar uns peixinhos, passar tempo com a sua mulher e com os seus filhos, e passar as noites a divertir-se com os amigos…”
A qualidade de vida não passa obrigatoriamente por se ter muito dinheiro. A maior parte das coisas boas da vida são à borla.
Ok, os que me conhecem dirão que não posso falar, visto que aparentemente nasci com o cu virado para a lua… é uma realidade que nunca me faltou nada de essencial. (pronto, lá vou eu receber mapinhas sobre a miséria no mundo e tal e coiso… LOL)
Não julguem no entanto que não me custa este electrocardiograma que tem sido a minha vida financeira…
Viver constantemente a contar tostões é cansativo pra caraças!!!
Tenho a perfeita noção de que a minha vida poderia ser muito mais completa e interessante se tivesse dinheiro para fazer coisas básicas das quais há muitos anos me tenho visto privada…
Aliás, no que diz respeito a este assunto, quero desde já aqui fazer uma correcção… já não sou uma “perfeita anormal”… LOL
(Óvistes Ó Universo?! Caga lá no que disse anteriormente e chuta para cá o Euromilhões!!! LOL)
Um dia, se tiver pachorra, volto a dissertar sobre o tema.
Mas pôr a nossa felicidade nas mãos dos carcanhois é, na minha opinião, um erro crasso. Se por um lado ajudam, sem dúvida, não são no entanto de todo garantia de sucesso. E do alto das dificuldades com que vivo, considero-me mais feliz do que grande parte das pessoas que conheço que não sabem o que fazer ao dinheiro.
Enquanto o pau vai e vem há que continuar a apreciar as pequenas coisas da vida… é certo que de vez em quando é preciso fazer sacrifícios para se conseguir atingir conforto económico.
Eu também os faço… ; )
A questão é não sacrificar “tudo”, tudo o que não é quantificável, a nossa paz de espírito, os nossos momentos de ouro com nós próprios e com os outros…
Há pessoas que em prol de um futuro abastado desistem de tudo isso.
Já dizia o Dalai Lama que o que mais o surpreende na humanidade são os homens que perdem a saúde para juntar dinheiro que perdem depois para recuperar a saúde…
Ás vezes não é só a saúde que perdem… é a infância dos filhos, o contacto com os amigos, a família… as coisas que gostam de fazer e deixam sempre para amanhã porque hoje não têm tempo…
Todas as manhãs me levanto cerca de dez minutos mais cedo do que seria necessário, para poder acordar o meu filhote com calma… Não há nada pior do que sermos “arrancados” da cama e “despachados” para sair de casa. Assim, acordo-o com beijinhos e festinhas, deito-me ao lado dele, trocamos baboseiras, ficamos ali uns minutitos na ronha e só depois começa o dia…
Hoje, quando me ia levantar para me começar a arranjar, ele agarrou-me no braço e disse “Anda cá… tenho de te aproveitar…” Não percebi… pedi-lhe que explicasse… “Quando um de nós morrer já não vamos poder estar juntos… temos de aproveitar todos os momentos…fica aqui mais um bocadinho…”
:) Tem seis anos…
Disse isto com um ar sereno e feliz, de olhos remelosos e sorriso nos lábios, sem sombra de angústia ou medo, como quem diz “Ai que bem que se está no campo Maria Alice…” Foi das coisas mais gratificantes que já me aconteceram…
Um pouco mais tarde, ao tomar o pequeno almoço no ginásio com a minha mãe, contei-lhe o episódio… Ela sorriu-me e disse “Como será que eles lavam aquelas janelas ali em cima?!”...
Têm quase sessenta anos de diferença e ele é tão mais “sábio”… tão mais consciente das coisas realmente importantes da vida… Estou cada vez mais convencida de que a felicidade se aprende. E, logo, se se aprende, também se pode ensinar… O meu filho é a minha cobaia, a minha prova dos nove, o pôr em pratica das minhas teorias.
Quando olho para ele não vejo uma criança perfeita… tem, como toda a gente, os seus defeitos, as suas fraquezas, as suas dificuldades… mas é, sem qualquer dúvida,um ser humano cheio de auto-estima, sereno, feliz… E porquê?
Na minha opinião, porque lhe dou… porque lhe dou muito daquilo que é de facto importante receber-se… muito mais do que brinquedos, carros ou aneis de brilhantes… dou-lhe importância dou-lhe valor dou-lhe tempo dou-lhe mimo dou-lhe força dou-lhe atenção dou-lhe apoio dou-lhe crédito dou-lhe confiança Basicamente… dou-lhe muito amor…
E amar é uma arte… não basta dizer que se ama… não basta sentir que se ama… tem de se constantemente mostrar que se ama. Dizer que se gosta muito de alguém e não lhe dar este tipo de coisas não vale nada, não serve de nada… É um amor “teorico”… LOL
No outro dia alguém me disse “não posso estar sempre a pensar nos outros”. A pessoa e o contexto são irrelevantes… a questão é que, na minha opinião, devemos pensar sempre nos outros, sim. Não pô-los á nossa frente… mas pensar neles, tê-los em conta, sem dúvida. Não vivemos sós, não somos eremitas, logo temos de pensar nos outros, sobretudo nos que nos são queridos.
Temos de medir as consequências do que fazemos e do que não fazemos… temos de ter consciência de que os nossos actos (ou falta deles) são boomerangs… o que vai volta… e o que não vai, não volta… LOL Não digo isto em sentido kármico… é mesmo em sentido próprio… Se não tivermos respeito por alguém difícilmente o vamos receber dessa pessoa. Se formos agressivos seremos provávelmente retribuidos com agressividade. And so on…
Dito isto, e voltando ao puto… a história desta manhã só prova que percebeu a importância do hoje, que ser feliz é já... e alguém que trata a questão da morte com tanta naturalidade só pode sentir-se bem :)))
Ok pronto, “saltei” não está própriamente correcto… digamos antes “saltaram-me”… LOL…
Uma amiga ofereceu-me um Tandem…
Há muito tempo que queria fazer isto… foi ontem, foi ontem!!!
Não me perguntem o que me deu… Se alguém me oferecesse um passeio de espeleologia teria também de me oferecer o primeiro prémio do Euromilhões e nem assim estou segura de que aceitasse…
A realidade é que era um desejo já muito antigo, sempre pensei que gostaria de experimentar a queda livre. Não consigo sequer perceber porquê visto que tenho vertigens em cima de um escadote, fico com as pernas a tremer se me aproximo do parapeito de uma varanda alta e não gosto especialmente de aviões…
Ambos os meus pais estiveram “metidos” no mundo da aeronautica, avionetas, planadores… e nunca lhes consegui entender a atracção.
Asas Delta, Bungie Jumping … tb nunca me senti tentada.
Os ares e as alturas não são comigo… mas qualquer coisa no paraquedismo sempre me susurrou ao ouvido. Se não fosse esta minha amiga provávelmente nunca teria passado daí.
Uma coisa é o que se diz/pensa e outra o que se faz… como aliás comentei no meu último post… LOLOLOLOLOLOLOLOL
A realidade é que acabei mesmo por passar da teoria à prática e que adorei.
(mais uma vez obrigada Martinha !!!)
No entanto, a razão pela qual menciono o episódio neste blog é a seguinte: em nenhum ponto do processo eu senti qualquer tipo de medo, de receio, de ansiedade, de nervosismo…
Não é normal!
A sério… eu não acho normal.
Acho mesmo tão anormal que estou farta de pensar sobre o assunto…
Quem é que, no seu perfeito juizo, ainda por cima responsável e conscienciosa como eu sou, se presta a uma “aventura” destas sem sequer ter um arrepio?!
Quando comecei a pensar no assunto não passava de uma ideia.
Quando me foi feito o convite fiquei entusiasmada, mas demorou muito tempo entre este e a coisa se concretizar de facto.
Quando marcámos a data fiquei á espera do momento em que iria aparecer o nervoso miudinho.
Na vespera fui para a cama calma e serena como se o dia seguinte fosse um dia qualquer.
No dia levantei-me e fui sosinha para Évora, como se fosse fazer um passeio…
Estive no entanto sempre à espera do momento em que iria começar a stressar.
Aproximou-se a hora, equipei-me, recebi o briefing, e nada…
Entrei para o avião com a mesma descontracção com que entraria num avião da Tap.
Começámos a subir, abriu-se a porta, os outros saltaram…
Saltámos nós, finalmente, e apreciei todo o salto (que infelizmente passa num instante… parece que com a repetição se consegue apreciar melhor…) sem qualquer tipo de receio… foi só prazer, curtição… nem sequer senti o famoso “chuto de adrenalina”…
Continuando a não achar normal, mesmo depois do facto consumado, pensei, pensei… e acho que percebi.
E não só acho que percebi, como acho que se aplica a montes de coisas da vida…
Acho que estavam reunidas três condições, que fizeram com que esta minha experiência fosse totalmente gratificante e serena.
1º- Como já disse era uma coisa que me atraía, que há muito tempo queria fazer. Não foi um desafio, uma aposta, uma promessa… fi-lo porque o queria fazer, porque achava que ia gostar… basicamente porque me dava pica.
2º- Tenho uma extrema confiança na pessoa que me ofereceu o dito tandem. Disse que era perfeitamente seguro e eu acreditei piamente.
3º- Ouvi atentamente durante meses as suas explicações sobre a actividade. Falou várias vezes sobre os acidentes, que só acontecem ou por muito azar ou porque as pessoas tomam riscos excessivos.
Somei dois e dois. Tudo fez sentido. Cheguei portanto há conclusão de que corria provávelmente mais riscos ao ir para lá de carro… ;)
De repente fez-se luz…
Quando nos metemos em alguma coisa, seja o que fôr, um negócio, uma viagem, sei lá… se estas três condições estiverem presentes corre tudo bem, sem espinhas, sem medos, sem ansiedades…
Se fizermos as coisas porque queremos, porque nos atraem…
Se tivermos confiança nas pessoas com quem o fazemos…
Se racionalmente a coisa fizer sentido…
Um miúdo pergunta ao pai qual é a diferença entre a teoria e a prática... - Vai perguntar à mãe se era capaz de ir para a cama com alguém que lhe oferecesse 100.000€. A mãe , estupefacta com a pergunta, acaba por dizer que sim. Afinal de contas era muito dinheiro, podia tira-los do aperto em que estavam... - Ó Pai a mãe disse que sim. Agora, meu filho, vai fazer a mesma pergunta à tua irmã... - Ó pai a mana também disse que sim. - Ora aí está a diferença entre a teoria e a prática: Em teoria tínhamos aqui uma pipa de massa, na prática temos duas putas.
LOL
Ok, isto era só uma anedota :) mas... Nota-se de facto uma grande diferença entre a teoria e a pratica no que diz respeito à maior parte das pessoas...
Ao conversarmos com elas da-mo-nos conta de que as suas cabecinhas pensam de facto na vida, tiram conclusões, têm opiniões formadas sobre a maneira “certa” de fazer as coisas. Quem ouve o que algumas delas têm para dizer fica mesmo genuinamente impressionado com tanta "sabedoria"... Sobretudo se não as conhecer intimamente... LOL Infelizmente na generalidade aplica-se o "faz o que eu digo, não faças o que eu faço".
As pessoas observam os outros, lêem, pensam, algumas chegam até a ir a conferências, retiros, a estudar as religiões e as diversas filosofias… falam sobre felicidade, realização pessoal, interacção entre as pessoas… mas quando chega a altura de pôr tudo isso em pratica já é outra história.
Na maior parte dos casos temos perfeitamente noção de quando “fazemos merda”... podemos não querer reconhecê-lo, podemos até não querer admiti-lo para nós próprios, mas senti-mo-lo na pele, quanto mais não seja. A vida é uma aprendizagem…um tomar de consciência de uma série de causas/consequências. A partir de certa altura chegamos a conclusões do género "não posso comer azeitonas/chocolates (whatever) que fico com borbulhas"... (acção/reacção) Os putos estão-se nas tintas, mesmo quando sabem que isso vai acontecer querem é comer o chocolate agora, querem lá saber das borbulhas que só vão aparecer mais tarde… Muitos adultos fazem estupidamente o mesmo e em relação a coisas que lhes causam bastante mais transtorno do que o exemplo acima. Mas se estivermos atentos, se estivermos para aí virados, se tivermos dois dedos de testa...basta irmos gradualmente corrigindo as nossas atitudes que dão "maus resultados".
Por outro lado, os outros são um espelho do que somos, se nos conseguirmos ver pelos seus olhos podemos ter uma noção muito clara do resultado das nossas acções. Estamos no entanto em geral mais facilmente dispostos a critica-los do que a ouvir o que têm a dizer sobre nós. Atiramos pedras ao telhado do vizinho sem nos darmos conta de que o nosso também é de vidro. Apontamos defeitos ao próximo sem consciência de que ás vezes sofremos dos mesmos “males”. Há quem perca maridos/mulheres, empregos, amigos, simplesmente porque se recusa a fazer alguma coisa no sentido de corrigir características suas que ele próprio reconhece como sendo problemáticas. Como se o “eu sou assim” fosse uma maldição terrível da qual não se podem livrar.
O homem é um bicho bera por natureza... Vão a uma cresce e observem como os putos são naturalmente mauzinhos uns para os outros, agressivos, egoístas, invejosos... Mas isso cura-se! LOL
A sabedoria popular do estilo "não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti", ou os princípios básicos das religiões, como por exemplo a condenação da cobiça, da ira, da soberba, são excelentes guias... Muitos os apregoam mas poucos os seguem. Dá um trabalho do caraças corrigir a natureza merdosa do homem, essa é que é essa! E o que é pior é que, quando de facto tentamos, os resultados não são imediatamente visíveis... nem por nós nem pelos outros. Muitas vezes parece uma luta inglória... É mais fácil arranjarmos desculpas para as nossas falhas, para as nossas fraquezas, atribuir a "culpa" aos nossos pais, aos nossos educadores, ás circunstâncias em que crescemos, do que reconhecer que somos "donos" de nós próprios e responsáveis pelo que somos hoje apesar do que nos aconteceu ontem. Sobretudo há que assumir que todos erramos, que todos metemos o pé na argola de vez em quando, que o facto de identificarmos um “problema” não quer dizer que o tenhamos já resolvido e continuar insistentemente a tentar.
O caminho para a felicidade é a soma de uma infinidade de pequenos nadas. São pequenas batalhas das quais vamos ganhando umas e perdendo outras, mas não devemos desmoralizar. A vida não é um sprint, é uma maratona. A pseudo-busca da perfeição desmotiva as pequenas vitórias do dia a dia. As grandes teorias levam-nos a crer que os resultados são utópicos. A vida é uma cadeira prática… : )
O bicho homem parece ter mais medo da dor do que de qualquer outra coisa... da dor física, da dor psicológica... "A base do ensinamento de Buda, é a supressão da dor". Oh my god... quem sou eu para discordar de Buda?! LOLOLOLOLOLOL A dor não é, sem dúvida, uma coisa agradável (alguns discordarão de mim... he, he...), não me parece no entanto que devamos tentar elimina-la das nossas vidas. "Pain is the breaking of the shell that encloses your understanding" Khalil Gibran
A dor física serve em geral para nos alertar de que algo vai mal no nosso organismo... Existe uma doença rara (insensibilidade congénita à dor) em que as pessoas não têm a capacidade de a sentir. Assim à primeira vista pode parecer uma bênção... pois não é. Já dizia Aristóteles "Não é possível aprender sem dor". Como é que uma criança atingida por esta doença aprende onde estão os limites? O que é seguro e o que não é seguro fazer? Sem queixas como saber se está tudo bem com ela? Existe inclusivamente um site chamado "Gift of Pain"...
A dor psicológica serve muitas vezes o mesmo propósito... permite-nos aprender com as experiências, evoluir, proteger-mo-nos de situações que nos fazem mal. Claro que neste caso se pode sempre defender que se não houver dor não há mal... Será?! Será por exemplo que a apatia não é também um mal? Será possível eliminar a dor sem ao mesmo tempo eliminar o prazer? Será que se pode descartar os "maus" sentimentos sem descartar todo e qualquer sentimento?
Descobri uma citação do Jim Morrison que achei interessante: "People are afraid of themselves, of their own reality; their feelings most of all. People talk about how great love is, but that's bullshit. Love hurts. Feelings are disturbing. People are taught that pain is evil and dangerous. How can they deal with love if they're afraid to feel? Pain is meant to wake us up. People try to hide their pain. But they're wrong. Pain is something to carry, like a radio. You feel your strength in the experience of pain. It's all in how you carry it. That's what matters. Pain is a feeling. Your feelings are a part of you. Your own reality. If you feel ashamed of them, and hide them, you're letting society destroy your reality. You should stand up for your right to feel your pain."
Quantas vezes, por exemplo, não ouvi pessoas dizer que não queriam mais animais de estimação por terem sofrido demasiado com a morte do último... Ao fugirem desta dor, estão ao mesmo tempo a fugir do prazer que estes lhes proporcionaram. Esta é no entanto uma atitude comum, que no extremo se pode aplicar a amigos, namorados, filhos... O medo da dor pode-se tornar completamente inibidor.
Notem que não estou de todo a fazer uma apologia da mesma. Não acho que devamos procura-la... só que "não é o fim do mundo", que não temos de tentar erradica-la das nossas vidas.
Há dores...
e dores...
...que não parecem de facto servir para nada a não ser para nos fazer sofrer... :( Mas até com essas, já que lá estão, devemos tentar aprender alguma coisa... tirar alguma coisa positiva...
" Given the choice between the experience of pain and nothing, I would choose pain." William Faulkner
Isto é só para, quem quiser, ir ouvindo uma musiquinha boa enquanto lê. (apesar dos meus avançadíssimos conhecimentos tecnológicos ainda não consegui descobrir como se põe música nesta coisa sem ser assim...LOL)
E agora, depois da divagação completamente alucinada do último post, falemos então um bocadinho mais a sério... ; )
Faz-me um certa confusão constatar como grande parte das pessoas se preocupa tão mais com o físico do que com o psíquico. Digamos que a grande maioria lima as unhas mas não "lima arestas"... Preocupa-se mais em ser uma pessoa "boa" do que uma "boa pessoa"... Quer ter boa saúde mas não se questiona se tem bom carácter... Pode ter boa aparência mas nem sempre boa educação... Basicamente o comum dos mortais parece achar que deve cuidar do seu corpo mas não da sua mente... esta vai derivando ao sabor da maré.
Erro meus amigos, grande erro... a nossa cabecita requer atenção diária, exercício, cuidados constantes, ás vezes até tratamento...
Ás vezes estamos assim por dentro...
Mas se nos empenharmos podemos ser assim...
Da mesma maneira que o nosso corpo precisa de ser saudável para vivermos bem, o mesmo se passa com o nosso espírito. Este também pode estar doente... É inclusivamente sensível a epidemias, vejam por exemplo a histeria colectiva aquando das vacas loucas, ou da gripe das aves... Temos pequenas maleitas e grandes males... Dores intensas ou simples incómodos... Problemas crónicos e coisas pontuais... Se tratamos do corpo porque não fazê-lo à "alma"?
Temos consciência de que devemos levar uma vida saudável, comer bem, fazer exercício... Quando estamos mal tentamos diagnosticar o problema, resolve-lo... Recorremos muitas vezes a ajuda externa para tratar de nós, quer se trate dos cuidados de alguém de casa ou de um especialista. Tomamos mesinhas, remédios, fazemos fisioterapia, operações, tratamentos vários, alteramos os nossos hábitos se necessário... Existe um equivalente de ajudas no que diz respeito à nossa mente, no entanto raramente consideramos necessário aproveita-las.
Da mesma forma, os problemas crónicos de carácter podem ser tão graves e incomodativos como os físicos, podem chegar a impedir-nos de levar uma vida "normal". Quem tem diabetes tem de os controlar para o resto da vida. Quem tem tendência para engordar tem de dar atenção ao que come. Quem tem problemas de coluna tem de ter muito cuidado a manobrar pesos. Há traços de carácter, tendências, pré-disposições a... que têm de ser tidas à rédea curta para todo o sempre. Eu por exemplo tenho regularmente de fazer "hemodiálise" ao meu mau feitio. LOL As dependências, do alcool, do tabaco, das drogas, também têm de ser controladas. O mesmo acontece com as fobias e com as manias...
Fala-se muito em "body building" mas quem é que já ouviu falar em "mind building"? Podemos modular a nossa mente exactamente da mesma maneira que o nosso corpo... Dá trabalho... requer tempo... perseverança... esforço... força de vontade... mas faz-se. Vê-se no entanto muito mais gente disposta a ir todos os dias uma hora para o ginásio trabalhar o corpo do que dedicar cinco minutos a trabalhar a mente.
Da mesma maneira, há muita gente disposta a alterar o seu corpo através da roupa, da cosmética, das dietas, das operações de estética... mas pouco se ouve falar em alterar feitios. Estão dispostas a apanhar frio à porta da discoteca para poderem ostentar os seus decotes mas não fazem o mínimo sacrifício para melhorar os seus caracteres, põem rimel para sair mas não se munem de simpatia, perdem peso mas não intolerância, reduzem o nariz mas não o mau feitio...
E o que tem mais graça é que o assunto parece ser meio tabu. As pessoas discutem entusiasticamente sobre moda, ginásios e operações plásticas mas ficam incomodadas quando se fala em coisas "mais profundas". Estas não costumam ser tema de conversa social... Parece haver um grande pudor relacionado. Discute-se a depilação mas não a preocupação do momento...
Esta vossa serva é considerada meio esquisita, excêntrica, incomodativa até... como se fosse uma exibicionista a abrir a gabardine para os transeuntes, quando aborda estes temas com a maior parte das pessoas. Estas, ou pelo menos a maior parte delas, não querem saber destes assuntos, não querem sequer pensar neles, preferem pensar "eu sou assim, sou assim", preferem achar que não há nada a fazer para não se terem de dar ao trabalho ou simplesmente porque é demasiado assustadora a ideia de que a nossa vida está exclusivamente nas nossas mãos.
Tenho pena delas... porque a vida é tão mais leve e divertida de outra maneira...