quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Eu falo, tu não falas, ele não fala...

COM MÚSICA

"A Cristina acha que consegue mudar as pessoas…”
Esta é uma afirmação recorrente com a qual o meu Tótó gosta de me taquiner … Costuma utiliza-la como introdução a pessoas que não me conhecem, em dias em que está com ganas de armar em arenque. O atestado de atrasada mental irrita-me de sobre maneira dado que estou perfeitamente consciente, e ele sabe disso, de que qualquer mudança tem de vir de dentro para fora. Apesar de obviamente receberem influências externas, as pessoas não são propriamente moldáveis como a plasticina e sem que se dê o já tão falado CLIC nada muda.

Confesso-me no entanto, sem qualquer dúvida, uma activista no que diz
respeito ás relações humanas e à procura da felicidade e do bem estar.
Este blog é a prova viva disso.
Na esmagadora maioria das vezes, eu acabo por dizer aquilo que os outros pensam. Pensam ou dizem… mas em geral não ás pessoas em questão.

Já dizia o Churchill: “Criticism may not be agreeable, but it is necessary. It fulfils the same function as pain in the human body. It calls attention to an unhealthy state of things.”

Hello, my name is Pain… Pain in the arse! lol

Acredito na interacção entre seres humanos, não sendo heremitas e já que temos de conviver, porque não tentar também entre ajudar-nos?
Acredito também na educação… tanto de crianças como de adultos… educação neste caso, no sentido de os levar a compreender que há regras básicas de convívio em sociedade que convém que se cumpram, para que possa haver harmonia, para que não se pisem calos. Afinal de contas muita gente se esquece frequentemente de que “a nossa liberdade acaba onde começa a dos outros”.

Há, na minha opinião, cada vez mais indivíduos sem qualquer tipo de respeito ou consideração pelo próximo.
Um exemplo flagrante disto são os convites… ou por outra, a falta de resposta aos mesmos.
É mato, hoje em dia, as pessoas só responderem quando têm intenções de aceitar. Se estão noutra nem sequer se dão ao trabalho… e lá ficamos nós indeterminadamente sem saber se vamos ser seis ou vinte para jantar ou quantos quartos vamos ter ocupados no fim de semana.

Tá mali!
E como tá mali, eu digo que tá mali… refilo, ralho, barafusto…
A maior parte das pessoas que conheço encolhe os ombros e desabafa com quem está por perto. Eu mando vir com a pessoa em questão.
Pode ser que para a proxima faça exactamente a mesma coisa… mas não há de ser por não ter percebido que incomoda.

O que acabei de referir é uma atitude de reacção a actos de terceiros, mas eu também abro a boca sem qualquer tipo de “provocação”… lol
Acredito que os próprios nem sempre consigam ter o recuo suficiente para ver as coisas com uma certa clareza. Se encostarmos o nariz ao papel, não conseguimos ler nada.
Por outro lado, o habito faz com que já nem nos dêmos conta de certas coisas. Há muita malta que já não se apercebe de que vive numa casa “olfáticamente decorada a mijo de gato” por exemplo… lol

Eu considero “de amigo”, alerta-las, tentar fazer-lhes ver o que toda a gente “comenta” mas não lhes diz na cara…


Não sou completamente idiota… não faço isto com qualquer um.
Não entro na escola do meu filho e digo “Ó dona Zulmira, com as suas trancas não devia usar mini saia, parece uma vaca… “ ou ao motorista do taxi “Olhe o senhor desculpe, mas se não passa a tomar banho mais frequentemente vai perder a clientela toda, está praqui um bedum que não se aguenta…”
Não… Por muito que possa ser verdade, apesar de tudo o meu dispositivo de auto censura ainda funciona.

Mas se gosto de alguém… If I really care… Sinto-me na obrigação de alertar as pessoas para situações que possam, na minha opinião, ser-lhes prejudiciais… E isto faz com que seja frequentemente o punching bag do povo… :(


Não é fácil ser-se eu… acreditem! lol

A realidade é que as pessoas não gostam de ouvir certas coisas, por muito que eventualmente até acabem por “dar razão”, directa ou indirectamente.
Daí o resto do povo ficar calado e preferir comentar “nas costas”, é sem dúvida muito mais fácil.
Chamam-lhe política de não interferência… eu chamo-lhe cobardia.
Não acho normal refilar-se com todos os nomes com os presentes por alguém estar atrasado e não lhe dizer nada quando chega, por exemplo.

O meu amigo que acho que é gay não se assumiu por eu ter falado sobre o assunto e é bem possível que tenham sido outros factores a levar “certa pessoa” a ter deixado de beber que nem uma esponja...
Não me teria no entanto sentido bem com a minha consciência se não lhes tivesse dado uma palavrinha sobre o assunto.

Em ambos os casos o resultado foi ter perdido um “leitor”… os dois ficaram nítidamente chateados comigo… Não gostaram que tivesse falado “publicamente” no assunto… A realidade é que considerei que eram casos que mereciam ser discutidos, que eram suficientemente importantes para se dissertar sobre eles.
“Mais valia teres escrito directamente o meu nome…” Disse-me um…
Pois… esquecem-se é de que quem os identificou já estava perfeitamente por dentro do assunto e quem não os conhece não tinha hipótese de saber quem eram…

Há quem ache que tem “um problema comigo” porque eu lhe digo umas quantas “verdades”… Tenho pena de não ter apoio… tenho pena que não haja mais malta como eu.
Se uma pessoa nos disser uma coisa que não nos agradada duvidamos. Se forem duas, se calhar já começamos a por em questão. Se forem três, é possível que se dê um clic…
Mas não… em geral acabo sempre por fazer o papel da má da fita.
Levo palmadinhas no ombro e oiço “apoiado” nos bastidores, mas quando chega o momento da verdade é a debandada geral, ninguém fica ao meu lado.

Que se lixe!
Enquanto achar que posso ajudar alguém com as minhas opiniões hei de continuar a distribui-las for free…
Crucifiquem-me!!! ;)


quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Os Peter Pans

COM MÚSICA

O meu screen saver é um slideshow de fotos da pasta do mê filhote… perigosíssimo! Uma pessoa vai à casa de banho e quando volta não ousa sequer tocar no rato. Tã lindooooo… saudosista pra caramba. Fico aqui sentada, a ver o meu anjo a aparecer randomly em várias idades. Baba, baba, baba…

Dito isto, estava eu ontem a babar-me em frente ao monitor, quando “passa” uma foto do primeiro aniversário dele… Eu com ele ao colo, a apagar a velinha… :)))
Chiça, que envelheci desde então!!! :(
Foi à cinco anos, caraças… cinco anos é muito tempo?! Como é que fiquei com esta pele de velha e tantos cabelos brancos?
lolololololololololol

Isto fez-me mais uma vez pensar na questão da idade… Na maneira como certas pessoas se “recusam” a envelhecer… Como se tivessem opção… pfffffff
Uma vez, numa entrevista à Elle McPherson, perguntaram-lhe:
“Como manequim, o que pensa do envelhecimento? É uma ideia que a assusta?”
“Não, acho fantástico… já pensou na alternativa?”
My point exactly… ; )

Nós nascemos, crescemos, envelhecemos, morremos… é a ordem natural das coisas.
Se os primeiros dois processos são naturalmente aceites pelas pessoas, no que diz respeito aos últimos dois, vai lá vai…
É meio mundo a tentar arranjar maneira de continuar jovem até à morte, se esta não puder mesmo ser evitada… lol

Várias pessoas me chateiam por não pintar o cabelo… e quando digo “chateiam” não estou a exagerar, zangam-se comigo, ralham-me… “Faz-te velha!”
“Mas, velha como?” Pergunto eu… “Pareço ter sessenta anos? Pareço ter cinquenta anos?...” Invariavelmente respondem que pareço basicamente ter a idade que tenho… lol
Acham no entanto que se pintasse o cabelo poderia parecer mais nova…

Não vejo qualquer inconveniente em que se pinte o cabelo. Eu não pinto por duas razões muito simples, primeiro porque gosto de facto das minhas lindas “madeixas” brancas, depois porque simplesmente não tenho pachorra para essas merdas… não fui feita para ser gaja, devia mijar em pé… Grunf!
A malta acha no entanto um crime que não o faça… como se estivesse a “revelar um segredo”, a relembrar que por baixo das tintas quase todos nós, com esta idade, temos mais ou menos cabelos brancos e que isso é sinal de velhice…

Eu, pelo meu lado, acho uma pena que as pessoas não consigam assumir a idade que têm e viver em paz com isso. Cada fase da nossa vida tem o seu encanto… a infância, a adolescência, o início da idade adulta e todas as seguintes.
As crianças estão conscientes das suas “limitações” enquanto crianças e parecem viver bem com isso… os adultos revoltam-se.

Faz-me confusão a malta que continua a querer viver como se tivesse vinte anos. Que se recusa a ver que já não “pode” fazer certas coisas…
Este inverno, por exemplo, a minha irmã e eu tivemos um trabalhão do caraças para tentar fazer perceber à nossa mãe, de sessenta e tal anos (quinze mentais… lol), que não era boa ideia experimentar o snowboard… que um historial de hérnia discal, ciática e vertebra rachada associado ao peso dos anos, era capaz de ser um bocado over kill… Não foi fácil... Ficou amuada connosco.

Não há nada mais patético do que uma velha gaiteira…


... aquelas tias, todas coladas com cuspo, que roubam os jeans às filhas para parecerem mais novas.

Ou os velhos jarretas a ostentar as suas beldades de vinte anos, com o comprimidinho de Viagra no bolso…


...lá diz o ditado popular, “Burro velho não toma andadura; e se a toma, pouco dura” ; )


Perdemos coisas com a idade… perdemos sim senhor… mas será que não ganhamos outras? O passar do tempo deveria servir para ganharmos serenidade, paz de espírito, para nos sentirmos bem com nós próprios e com os outros. Para vivermos bem com o que temos em vez de nos lamentarmos do que já não temos. Sobretudo porque, aqui entre nós, não há na realidade grande coisa a fazer, como se costuma dizer “o tempo não perdoa”…


Como recebi uma vez num mail:
Forget about the past, you can't change it.
Forget about the future, you can't predict it.
Forget about the present, I didn't get you one.
lolololololololol


PS: Embora reconheça que o possa parecer, este post não é nenhuma boca a amigos recém adquiridos e... menos jovens. ; )

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Wall of fame...

COM MÚSICA



Quando eramos miúdas, uma amiga da minha irmã costumava dizer que odiava a ideia de chegar a adulta sem se ter tornado uma “pessoa conhecida”… considerava o anonimato uma espécie de falhanço social.
Era uma ideia que me dava arrepios visto que sempre pensei exactamente o contrário…
O meu pai costumava dizer no gozo “sim, sim… é muito conhecido… em casa dele…”. Foi o que sempre aspirei a ser, muito conhecida em minha casa.
Se a ideia de ser atriz, por exemplo, em tempos me atraiu como a qualquer outra pita, a assombração da “celebridade” rapidamente a afastou. Simplesmente não gosto de ser conhecida por quem não conheço!
A primeira sensação do género que tive foi com este blog… Aquela angústia de não saber quem me estava a ler… Com o tempo fui-me habituando… afinal de contas só cá vem quem estiver interessado na porcaria que para aqui escrevo… e… não me levem a mal mas, vocês são meia dúzia de gatos pingados, não assustam ninguém… lol
Agora bem que me lixei…
Não podendo própriamente considerar-me uma celebridade (lol) a realidade è que perdi recentemente o tão prezado anonimato.
Neste monstro que criei, que é o site do Liceu Francês, sou “conhecida” por mais de mil e quinhentas pessoas (and going up…) das quais não conheço nem um cagagésimo…
Vi-me pertantes obrigada a tentar perceber porque é que isto me incomodava tanto, por forma a que deixasse de acontecer, dado que é tarde demais para descalçar a bota… 1.500 indibiduos já é bués da people.
Cheguei então à conclusão de que era tudo uma questão de CONTROLE… é verdade… controle…
Sou uma “control freak”… (uma das incontáveis ervas daninhas no meu jardim…) como tal fico completamente ás aranhas com a ideia de não controlar mínimamente a ideia que os outros fazem de mim.
Patético, eu sei… mas não tanto como já estão praí a pensar! Grunf!

Como tentei exemplificar na minha triste amostra de livro (continuo a achar que a ideia era boa… a autora é que deixa muito a desejar) consoante a pessoa com quem estamos a lidar, falamos de maneira diferente, abordamos assuntos diferentes, partilhamos coisas diferentes… o nosso relacionamento com as pessoas é normalmente personalizado.
Para além disso costuma ser bilateral… acção/reacção, estão a ver a ideia…
Quando nos tornamos “pessoas conhecidas”, esqueçam… os outros pegam naquilo que acham que somos e fazem com isso o que bem entenderem.
Tanto nos podem colocar num totalmente imerecido pedestal como atirar-nos para a lama e cuspir-nos no olho sem que tenhamos uma palavra a dizer…
E, como dizia o outro senhor, “não gosto, chateia-me…” lol
Não sei se alguma vez jogaram ao “telephone arabe”? Conta-se uma história à orelha de alguém, que a conta ao seguinte, que a volta a contar e o último conta-a em voz alta… em geral esta versão já não tem nada a ver com a inícial…
Assim acontece com as “pessoas conhecidas”, o que pensam sobre nós pouco ou nada tem a ver com a realidade. Toda a gente caga sentença mas poucos nos conhecem de facto.
Cheguei então finalmente à conclusão de que isso não tem grande importância… He, he… estão a ver, problema ultrapassado. ;)
O que as pessoas que não nos conhecem pensam de nós é lá com elas, quer seja “bem”, quer seja “mal”… simplesmente não há grande coisa a fazer.
O que é realmente importante é que saibamos quem somos, o que somos e sobretudo o que não somos… que sejamos coherentes, honestos e transparentes…
E a realidade é que isto é tão válido para os conhecidos como para os desconhecidos.
Pronto Dr. acabou a minha hora… vou pagar a consulta à recepcionista… lolololololololol


domingo, 10 de agosto de 2008

Receitas - Best Of

COM MÚSICA

Primeiro pensei escrever este post numa data “especial”, tipo os dois anos do site… depois dei-me conta de que era uma estupidez, “não deixes para amanhã o que podes fazer hoje”… lol
Como afirmei na minha introdução , a ideia deste blog é partilhar “receitas” de vida que contribuem para a minha felicidade.
Estou perfeitamente consciente de que sendo todos diferentes o que me ajuda a mim pode não valer nada para outros… não tento impingir nada a ninguém. Quem não gosta não coma... lololol
Queria então agora fazer um apanhado das receitas que considero mais saborosas e nutritivas... ; )
A mais importante, para se ser feliz é, claro está, acreditar na felicidade. lol
E acreditar como sendo uma realidade e não um objectivo…
Quando falo em “acreditar” não é por acaso, ter fé, seja no que for, é na minha opinião extremamente importante para nos ajudar nos momentos difíceis…
No entanto ter fé não chega, a nossa felicidade passa pelos nossos pensamentos, pelas nossas atitudes… por alguma razão nos chamam “animais racionais”. A cabeça não foi feita só para usar chapéu, se nos foi fornecida inteligência é para ser usada. Quando falo em inteligência quero dizer “inteligência emocional” a outra pergunto-me se ajuda ou empata… lol
Não sendo eremitas, o facto de termos presente que não estamos sós neste mundo é, na minha opinião, uma questão fundamental. E, believe it or not, acredito que uma boa dose de altruísmo contribua para a nossa felicidade, sim. A vida é como os boomerangs … o que vai volta.
As amizades têm um papel fundamental nas nossas vidas. Estas requerem empenho, manutenção … não vivem por si só porque sim. Da mesma forma que as devemos acarinhar e preservar, também nos devemos saber afastar dos relacionamentos que nos fazem mal.
Todos temos defeitos e qualidades (que se lixe o politicamente correcto, lol) e é bom que os identifiquemos quanto antes, para podermos separar o trigo do joio e desenvolver só o que interessa.
Há características nossas que não interessam nem ao menino Jesus (serão diferentes para cada um, sem dúvida) e seremos certamente muito mais felizes se as conseguirmos, se não erradicar, pelo menos controlar.
Da mesma maneira que nos preocupamos com a saúde do nosso corpo, também nos devemos preocupar com a da nossa “alma”.
Também ajuda percebermos que não somos o centro do Universo… Ah, pois é… As coisas “levadas a peito” doem muito mais. Se percebermos que nem tudo nos é dirigido embora nos possa afectar, a vida torna-se muito mais leve.
Se em vez de nos queixarmos das coisas más que nos acontecem ou das boas que não temos fizermos exactamente o oposto o sol parecerá muito mais brilhante. Always look at the bright side of life. ;)
Não podemos ter tudo na vida… vão-nos acontecendo coisas, vamos fazendo escolhas, vamos seguindo um certo caminho… e não podemos seguir dois ao mesmo tempo (pelo menos quem, como eu, não tenha o dom da ubiquidade… lol).
Não vale a pena ter medo "das coisas más” que nos possam vir a acontecer… o medo é paralisante… castrador. Há que seguir em frente, de cabeça erguida e lidar com o que nos aparecer quando e se aparecer de facto.
A felicidade requer treino diário, empenho e vontade de ser feliz mas sobretudo tem de ser uma cadeira prática … não serve para nada falar simplesmente sobre o assunto.
E, acima de tudo… na minha opinião… é HOJE !!! Porque pode não haver amanhã… ;)


quinta-feira, 31 de julho de 2008

O meu amigo "o tótó"...

COM MÚSICA

Não há como exemplificar o que se quer dizer… decidi então dar-vos um exemplo concreto relativamente ao meu último post.
O meu amigo “o tótó” está entre as pessoas mais irritantes que conheço…
Comigo, dadas a longevidade e proximidade da nossa relação, é especialmente aplicado na arte da irritação. Digamos que parece um amante de longa data, toca nos pontos chave e eu entro em órbita… lol
Notem que nada disto é inocente… fa-lo consciente e voluntariamente, pelo simples gozo de irritar… deve ter tirado um curso com os Monty Python . E não se coíbe de o fazer com “first timers”, se for caso disso, o que o torna ás vezes muito difícil de gostar à primeira volta.
Senão vejamos… adora gerar discórdia. Se vir uma hipótese de pôr o pessoal todo a pegar-se sobre algum tema, não perde a oportunidade. Depois encosta-se e só volta a participar na “discussão” se vir que as coisas estão a amainar. A expressão “pôr achas na fogueira” diz-vos alguma coisa?
O “perseguir X” é também desporto favorito, (inútil será dizer que grande parte das vezes X é aqui o mexilhão…Grunf!), ai de quem tenha esqueletos no armário… Ele saca-os de lá, espeta-os num pauzinho e persegue-nos com eles o resto do dia. E mais uma vez, quando por milagre alguém consegue desviar do assunto, lá vem ele re-agitar a marioneta à frente dos nossos narizes. Digamos que é o campeão mundial do “hoje X está na berlinda”…
A jogar… ó céus, a jogar… não há mais irritante… Gaba-se, vangloria-se, faz a festa, manda os foguetes, apanha as caninhas, e faz caretas insuportáveis, quando ganha… Mas se perde a culpa nunca é dele. Foi a sorte, os dados, as cartas ou mais provavelmente o parceiro, que não tinha jogo ou pior ainda, não sabia jogar…
As criancices… para as criancices também não há cu, um matulão quase na terceira idade… as birrinhas… “já acabei o meu jogo, agora quero ir para casa… acabas de ver o filme noutro dia…”, os ataques de tótózice em certas e determinadas situações, regressos à infância em que fica mais imaturo do que o meu filho… parece que de repente lhe cai o QI.
Enfim… podia aqui estar o dia todo a descrever o ser encanitante que é… nada políticamente correcto… cheio de malícia, de maldizência encapuçada. lololololololololololololololol
A realidade é que ele é, também e sem qualquer sombra de dúvida, a “melhor pessoa” que alguma vez conheci… Este ser inominável é o ser humano mais “caring” que alguma vez encontrei ao vivo e a cores…
Esteve presente em todos os momentos chave da minha vida, activamente, para o melhor e para o pior. Esteve ao meu lado quando me casei e quando me separei. Foi o primeiro a chegar no dia em que nasceu o meu filho. Quando a minha empresa estava a caminhar lenta mas seguramente para o precipicio, assegurou-nos os custos fixos durante seis meses. Sem papeis, sem assinaturas, sem planos de pagamento. Só porque acreditou… Quando morreu o meu pai, esteve sempre “around”, transparente no meio da multidão… mas sempre atento a qualquer necessidade, sempre pronto a agir se fosse preciso. Deu-me de comer quando nem eu percebia que tinha fome… Organizou coisas que eu não tinha capacidade de organizar, nem tão pouco pedir… Está sempre lá quando preciso dele e sabe que preciso dele antes de eu própria saber…
Está sempre atento. Mal detecta sofrimento entra em acção. É o primeiro a candidatar-se a todas aquelas coisas que os outros evitam… ir ao supermercado, ir comprar qualquer coisa à farmácia, levar alguém ao hospital. Chega-se à frente por nós, pelos nossos pais, pelos nossos irmãos, pelos nossos amigos e, se for caso disso, por pessoas que nem sequer conhece, simplesmente porque se sentir que pode ajudar, amparar, ele fa-lo… Tão facilmente é capaz de passar uma noite em branco para apoiar alguém como de aplicar uns trocos nalguma acção de salvamento. Usa a cabeça, os conhecimentos, os músculos, o seu tempo ou a carteira com o mesmo desprendimento, se puder fazer a diferença para alguém… Não tem conta o número de pessoas que lhe vão pedir conselho, opinião, ajuda de alguma forma… E a todos “atende” com a mesma prontidão, simpatia e disponibilidade. Alguns discutem teorias sobre compaixão, generosidade, altruísmo… ele poe-nas em prática, chega-se à frente, arregaça as mangas e ajuda de facto o próximo… com palavras, com acções.
Se a alguém se pode aplicar o termo “bom coração” é ao meu tótó… e no entanto, como puderam verificar, é uma espécie de bola de “poil à gratter”… lololololololol
As iludências aparudem… ;)

domingo, 13 de julho de 2008

Madre Teresa

COM MÚSICA

Conhecem isto?
“Os palavrões não nascem por acaso”…
Concordo plenamente. lol
A realidade é que dá a sensação que, para se ser “boa pessoa”, tem de se ser uma Madre Teresa.
Não podemos utilizar palavrões.
Temos de ser politicamente correctos.
Não podemos praticar a maldizência.
Não devemos ter malícia.
Devemos falar calma e pausadamente.
Não podemos discriminar.
Etc, etc, etc…
Bull Shit!!!
Pode-se ser boa pessoa sem se parecer uma mosquinha morta, sim…
Eu sou uma excelente pessoa. Podem gozar à vontade, mas sou.
Preocupo-me com os outros, faço o que está ao meu alcance pelo seu bem estar. Tenho respeito e consideração pelo próximo. Sou atenciosa… e podia estar aqui a noite toda a “gabar-me” das minhas qualidades altruístas… lol
No entanto pratico todos os “pecados” supra-citados…
Dado que a utilização de palavrões é natural na minha pessoa, quando o meu filho começou a falar, comecei a perguntar-me como poderia lidar com o assunto…
Expliquei-lhe o seguinte:
“Os palavrões são como as facas… só quem sabe é que as pode utilizar.
Por muito que queiras, com a tua idade, não podes utilizar uma faca afiada, que te cortas. Podes no entanto utilizar uma faca de manteiga, que não tem mal, dificilmente vais magoar alguém com ela.
Com os palavrões é a mesma coisa.
Tu és pequenino, podes utilizar palavrões pequeninos (há que ser coerente, não lhe podia proibir todos…lol) podes dizer bolas, chiça, caramba… e coisas do género.
Depois há os palavrões médios e os palavrões grandes. Estes estás proibido de os utilizar. Quando fores maiorzinho podes começar a utilizar os médios e quando fores adulto os grandes.”
E prontes… ele percebeu perfeitamente e segue à risca.
Volta não volta pergunta-me: “Mãe, posso dizer um palavrão só para saber se é grande? … Posso dizer merda?” – “Não Pedro, merda é um palavrão médio, ainda não podes dizer…” ; )
A utilização de palavrões é uma arte que é preciso saber dominar. Não me passaria nunca pela cabeça, num jantar de cerimónia, dizer “foda-se que a sopa está quente…”
É preciso controlar o que se diz, quando se diz e a quem se diz…mas não posso deixar de concordar com o Sr.Millôr Fernandes quando diz que o palavrão liberta.
É como a malícia… ou o que lhe queiram chamar…
Eu cresci no meio de homens. No fim da infância e início da adolescência, nada me fazia mais feliz do que “hang around” como o meu pai e os amigos.
Os homens, como toda a gente sabe, puxam sempre tudo para a cueca… e assim cresci também, e assim sou, tudo provoca em mim a piscadela de olho marota.
Um dia o meu pai e um amigo vieram jantar comigo e com vários amigos meus. No fim do jantar um deles disse-me “Porra, tu cresceste com estes dois gajos?! Já percebo porquê que és assim…” lol
Sim. E qual é o mal?
Porque é que eles, entre eles, podem mas nós não?
E porque é que não se há de poder cortar na casaca?
Ou “dizer mal” de alguém?
Há pessoas que, como dizem os franceses, “nous tapent sur les nerfs”, sim. Ou que têm a chamada “tête à claques”…
Porque raio é que havíamos de ter de meter isso para dentro? Não me venham com histórias, toda a gente pensa o mesmo volta não volta, a diferença é que uns exteriorizam e outros não.
Desde que se não ofenda ou agrida ninguém directamente, há algum mal em dar um bocado de rédea solta aos nossos instintos de maldizência? Bah…
O politicamente correcto… como já devem ter percebido, se seguem minimamente este blog, é uma coisa que me irrita solenemente…
Frazesinhas do estilo “A minha Aninha não te adora…” tiram-me do sério.
A gaja não te grama, não te pode ver nem com molho de tomate… isso sim.
Chamemos as coisas pelos nomes, caraças.
Uns são filhos, outros enteados… Pois com certeza. E não temos direito ás nossas preferências? Os seres humanos são todos iguais, por acaso? Há características que não gramo e tenho todo o direito a discriminar sim. A pôr de parte a malta que não me diz nada, a não confraternizar com ela…
And so on…
Volta não volta, corre mal?
Soltamos um palavrão sem querer na altura errada?
Cometemos gafes?
Julgamos mal alguém?
E então?! Alguém morre por isso? Paciência. Meia bola e força.
Viver e aprender, para a próxima teremos mais cuidado…
Não é preciso ser freira para se praticar o bem…
Estou farta daquela malta insípida, que parece que passa pela vida sem a viver, que não é carne nem é peixe.
A vida é para se viver intensamente, com fogo, com paixão, só temos uma…
Dasssssss!!! ; )
LOL


segunda-feira, 7 de julho de 2008

O fenómeno LF

Faz amanhã três semanas que, por sugestão de um amigo e ex-colega, criei uma Network para os Antigos (alunos e professores) do Liceu Francês de Lisboa…
Neste momento somos quase 600 membros, "vindos" de 37 países!!!
Está a ser um sucesso estrondoso, tanto em termos de adesão como de participação no site …
Desde que sai de lá que não paro de me admirar com este fenómeno…
Quando encontramos alguém que também lá andou, senti-mo-nos como se reencontrássemos um amigo de infância. Perguntamos pelos outros, combinamos coisas, partilhamos histórias “d’anciens combatants”, como dizem os francius. ; )
Tanto pode ser um antigo colega de turma como alguém que só conhecíamos de vista ou de nome, a quem nunca tínhamos sequer dirigido a palavra.
Isto não acontece relativamente a nenhuma das outras “escolas” onde andei (Iade, Arco, etc…) nem nunca sequer ouvi pessoas que frequentaram outros sítios mencionar nada de parecido. Com excepção talvez para o Colégio Militar…
Vários dos meus amigos mais chegados também lá andaram, dou-me com alguns já vai para trinta anos… Aliás, entre os antigos alunos há imensos que continuam a dar-se, a manter contacto regular.
Os que não se dão, não perdem uma ocasião de combinar coisas, de se voltarem a ver…
Ao jantar de comemoração dos 50 anos do Liceu acorreram (se não estou em erro) cerca de 1.500 pessoas… tiveram de alugar uma sala no pavilhão atlântico.
Os que foram adoraram, os que não conseguiram ir tiveram pena…
Os que lá não andaram explicam isto dizendo que somos uma cambada de cagões, que temos a mania que somos especiais, que temos sempre de ser diferentes, que aquilo é uma escola elitista, etc, etc, etc…
Pôr um filho no Liceu Francês é uma decisão de peso, um compromisso com a sua escolaridade.
Opta-se por um tipo de ensino, uma língua, etc.
Há coisas importantes que se decidem em função disso.
Eu, por exemplo, só “fugi” para Sintra porque o meu filho não entrou para lá.
Se ele tivesse entrado eu provavelmente nunca teria saído (de Lisboa, claro… LOL).
Normalmente, quem entra, fica até ao fim.
Claro que há excepções… pessoas que vão pra fora... que são “convidadas a saír” (naquele Liceu ninguém é expulso, parece mal… LOL)... A realidade é que, anos depois, até essas pessoas, algumas delas que odiaram lá andar, sentem carinho por aquela “casa” e pelos que lá andaram…
Acho no fundo que o Liceu Francês funciona como uma grande família… Há irmãos, primos, primos afastados... Que é como quem diz amigos, colegas, pessoas que nos habituámos a ver “por lá”. Até há pais, tios e padrinhos... professores, contínuos, senhoras do bar.
Enquanto lá estávamos isso não parecia ter importância nenhuma, sentia-mo-nos num liceu como outro qualquer.
Quando saímos o espírito de clã vem ao de cima.
Criámos laços que nem sabíamos que existiam e que, cá fora, se tornam evidentes.
Não tenho, pessoalmente, nenhuma simpatia especial pelo povo francês, não mais do que por qualquer outro. Mas a sua cultura está entranhada em mim e os antigos alunos hão de sempre ocupar um lugar muito especial na minha vida.
Penso que isto aconteça com quase todos nós...
É a este espírito, e a mais nada, que se pode agradecer todos os reencontros que se estão a dar neste momento ...

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Generosidade condicional

A generosidade é, na minha opinião, uma das mais importantes virtudes do ser humano… dar sem esperar nada em troca…
Tão bonito, não é?!

BATATAS!!! É o que é…

Por definição a generosidade é SEM ESPERAR NADA EM TROCA...
Incrivelmente os actos generosos são muitas vezes também muito egoístas.

Quantas pessoas conhecem que dêem moedinha ao arrumador por simples generosidade? Hein?!
O acto é sem dúvida “generoso”, teoricamente…
A realidade é que a maior parte o faz na esperança de que assim não lhes lixem o carro… LOL

Embora não devesse ser assim, à frente da maior parte dos actos “generosos” há um “se” implícito…

Conheço casos em que é mesmo explícito…
Por exemplo, um pai propõe-se generosamente a pagar metade do carro que o filho precisa de comprar. SE fôr o carro escolhido por ele… sendo outro, azarete, paga-o tu.
Casos deste género conheço resmas.

Há também aquelas pessoas que oferecem qualquer coisa e depois cobram por ela.
Lembro-me, quando era miúda, da minha avó se ter proposto a fazer-me uma saia. Saiu-me cara a brincadeira… a seguir não parou de se queixar que lhe tinha custado imenso, que se tinha deitado tardíssimo para a acabar, que tinha ficado cheia de dores nos dedos (tinha reumático), etc… Já nem tinha vontade de vestir a porra da saia.

Outros anúnciam logo de caras o “preço” da sua generosidade. Tipo “Eu compro-te essa mala se me deres aquela tua de que eu gosto tanto” ou “Se me convidares para padrinho ofereço-te a viagem de núpcias”.

Noutros casos, o aceitar das generosas ofertas torna-nos “escravos morais” da pessoa em questão. Estas são à borliu enquanto tivermos o tipo de comportamento que esperam de nós. No dia em que sairmos da linha, na optica do mecenas, cai o Carmo e a Trindade.

Depois há os que se ofendem se recusarmos a sua generosidade. “Eu vou-te ajudar com a mudança” – “Deixa estar, não vale a pena, já arranjei montes de gente…” – “Pois… eu propus-me a ajudar… e ela não quis… não percebo… de vez em quando tem destas… para a próxima já nem digo nada…”

Ou as que medem as consequências da sua generosidade ou falta dela… “Está um dia do caraças, não me apetece nada ir ajudar/dar apoio moral/confortar/tomar conta de/etc X, vou mas é para a praia…” Isto, claro está, se por isso não vierem a ter “chatices” de maior, senão mais vale de facto serem generosos. ; )

Finalmente, o “generoso da treta” quer que se saiba que o foi… Generoso claro, não da treta… LOL
Por exemplo, entre amigos, quando alguém faz anos, costumamos fazer “vaquinhas” em vez de cada um oferecer a sua prenda. Normalmente alguém se encarrega de reunir o guito (call me mexilhão… LOL) e depois o traduzir num cheque, vale, transferência, whatever…
Uma vez achámos mais simpático colocar uma caixinha de cartão à entrada onde as pessoas depositariam a sua dádiva. Guess what?! Qual vaquinha, qual carapuça, não deu nem para um bezerro. Já que é “anónimo”… ninguém vai saber que não pus lá um charuto. LOL

Fazendo só um pequeno à parte, notem que as doações anónimas têm ás vezes enormes vantagens… Não resisto a contar-vos isto. LOL
Há muitos anos, um primo meu esteve internado no hospital dos Capuchos. Eu ia visita-lo sempre que possível e de cada vez, via um senhor velhinho, sosinho a uma mesa, descalço, com os pés muito enrroladinhos um no outro, nítidamente com frio. Perguntei o que se passava e o meu primo disse-me que o desgraçado do velhote andava à que tempos a pedir uns chinelos mas que não lhe ligavam nenhuma.
Eu, cheia de pena, quando saí dali passei por uma sapataria e comprei-lhe uns. No dia seguinte entreguei-os ao meu primo mas pedi-lhe para não dizer de quem vinham…
Quando lá voltei, não vi o velhote. Perguntei se já tinha tido alta, ao que o meu primo respondeu: “Xiiii, tu nem queiras saber… o velhote está na enfermaria… dei-lhe os chinelos, ele ficou todo contente, calçou-os logo mas mal se pôs em pé escorregou e partiu-se todo…”

LOLOLOLOLOLOLOLOLOLOL
Doações anónimas, muito sensato… LOL
(Sorry… LOL)


Bem, mas voltando ao nosso assunto…

Felizmente, conheço uma que outra pessoa realmente, diria mesmo “puramente” generosa, que faz as coisas exclusivamente pelos outros.
A realidade é que a maior parte das pessoas quando dá, seja o que fôr, prendas, dinheiro, coisas, tempo, ajuda… acha sempre que tem direito a alguma coisa em troca ou fá-lo por medo das consequências de não o fazer.

terça-feira, 24 de junho de 2008

O pescador mexicano


Sempre que me queixo da vida porca e miserável que levo (em termos de guito, claro… LOL) alguém me sugere que arranje um emprego.
Eu não preciso de emprego, preciso de trabalho.
(hum… normalmente costuma dizer-se o contrário, não é?!)
Um emprego, a não ser que muito bem pago, não ia aumentar em nada a minha qualidade de vida, antes pelo contrário…
 
Faz-me sempre pensar naquela história do pescador mexicano:
Numa aldeia de pescadores da costa do México, um pequeno barco volta do mar. Um turista americano aproxima-se e curioso, pergunta:
“Quanto tempo levou para pescar esses peixes?”.
“Não muito”, responde o mexicano.
“Então por que não ficou mais tempo no mar e apanhou mais peixes?”
O mexicano explicou que aquela quantidade bastava para atender às necessidades da família.
“Mas o que faz com o resto do seu tempo?”, indaga o americano.
“Durmo até tarde, pesco um bocado, brinco com meus filhos, passo tempo com a minha mulher, à noite vou até a vila ter com os meus amigos … tenho uma boa vida...”
O americano interrompe: “Pois eu posso ajuda-lo a ter uma vida realmente boa. Faça o seguinte: comece a passar mais tempo na pesca todos os dias. Depois venda todo o peixe extra que conseguir pescar. Com o dinheiro, compre um barco maior. Ás tantas pode comprar um segundo e um terceiro barco, e assim por diante até ter uma frota. Em vez de vender o peixe a um intermediário, negoceie directamente com as fábricas, quem sabe pode até abrir sua própria indústria. Então pode deixar esta vila e ir morar na Cidade do México, Los Angeles ou até mesmo em Nova Iorque!!”
“E depois?” Pergunta o mexicano
“Depois, quando seu negócio começar a crescer, faz milhões!!!”
“Milhões? A sério? E depois?”
“Depois reforma-se e pode morar numa vilazinha da costa mexicana, dormir até tarde, apanhar uns peixinhos, passar tempo com a sua mulher e com os seus filhos, e passar as noites a divertir-se com os amigos…”


A qualidade de vida não passa obrigatoriamente por se ter muito dinheiro. A maior parte das coisas boas da vida são à borla.
Ok, os que me conhecem dirão que não posso falar, visto que aparentemente nasci com o cu virado para a lua… é uma realidade que nunca me faltou nada de essencial. (pronto, lá vou eu receber mapinhas sobre a miséria no mundo e tal e coiso… LOL)
Não julguem no entanto que não me custa este electrocardiograma que tem sido a minha vida financeira…
Viver constantemente a contar tostões é cansativo pra caraças!!!
Tenho a perfeita noção de que a minha vida poderia ser muito mais completa e interessante se tivesse dinheiro para fazer coisas básicas das quais há muitos anos me tenho visto privada…

Aliás, no que diz respeito a este assunto, quero desde já aqui fazer uma correcção… já não sou uma “perfeita anormal”… LOL
(Óvistes Ó Universo?! Caga lá no que disse anteriormente e chuta para cá o Euromilhões!!! LOL)
Um dia, se tiver pachorra, volto a dissertar sobre o tema.


Mas pôr a nossa felicidade nas mãos dos carcanhois é, na minha opinião, um erro crasso. Se por um lado ajudam, sem dúvida, não são no entanto de todo garantia de sucesso. E do alto das dificuldades com que vivo, considero-me mais feliz do que grande parte das pessoas que conheço que não sabem o que fazer ao dinheiro.
Enquanto o pau vai e vem há que continuar a apreciar as pequenas coisas da vida… é certo que de vez em quando é preciso fazer sacrifícios para se conseguir atingir conforto económico.
Eu também os faço… ; )

A questão é não sacrificar “tudo”, tudo o que não é quantificável, a nossa paz de espírito, os nossos momentos de ouro com nós próprios e com os outros…
Há pessoas que em prol de um futuro abastado desistem de tudo isso.
Já dizia o Dalai Lama que o que mais o surpreende na humanidade são os homens que perdem a saúde para juntar dinheiro que perdem depois para recuperar a saúde…
Ás vezes não é só a saúde que perdem… é a infância dos filhos, o contacto com os amigos, a família… as coisas que gostam de fazer e deixam sempre para amanhã porque hoje não têm tempo…
E se não houvesse amanhã?

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Sejam egoístas; dêem...


Todas as manhãs me levanto cerca de dez minutos mais cedo do que seria necessário, para poder acordar o meu filhote com calma…
Não há nada pior do que sermos “arrancados” da cama e “despachados” para sair de casa.
Assim, acordo-o com beijinhos e festinhas, deito-me ao lado dele, trocamos baboseiras, ficamos ali uns minutitos na ronha e só depois começa o dia…

Hoje, quando me ia levantar para me começar a arranjar, ele agarrou-me no braço e disse “Anda cá… tenho de te aproveitar…”
Não percebi… pedi-lhe que explicasse…
“Quando um de nós morrer já não vamos poder estar juntos… temos de aproveitar todos os momentos…fica aqui mais um bocadinho…”

:) Tem seis anos…

Disse isto com um ar sereno e feliz, de olhos remelosos e sorriso nos lábios, sem sombra de angústia ou medo, como quem diz “Ai que bem que se está no campo Maria Alice…”
Foi das coisas mais gratificantes que já me aconteceram…

Um pouco mais tarde, ao tomar o pequeno almoço no ginásio com a minha mãe, contei-lhe o episódio…
Ela sorriu-me e disse “Como será que eles lavam aquelas janelas ali em cima?!”...

Têm quase sessenta anos de diferença e ele é tão mais “sábio”… tão mais consciente das coisas realmente importantes da vida…
Estou cada vez mais convencida de que a felicidade se aprende.
E, logo, se se aprende, também se pode ensinar…
O meu filho é a minha cobaia, a minha prova dos nove, o pôr em pratica das minhas teorias.

Quando olho para ele não vejo uma criança perfeita… tem, como toda a gente, os seus defeitos, as suas fraquezas, as suas dificuldades… mas é, sem qualquer dúvida, um ser humano cheio de auto-estima, sereno, feliz…
E porquê?

Na minha opinião, porque lhe dou… porque lhe dou muito daquilo que é de facto importante receber-se… muito mais do que brinquedos, carros ou aneis de brilhantes…
dou-lhe importância
dou-lhe valor
dou-lhe tempo
dou-lhe mimo
dou-lhe força
dou-lhe atenção
dou-lhe apoio
dou-lhe crédito
dou-lhe confiança
Basicamente… dou-lhe muito amor…

E amar é uma arte… não basta dizer que se ama… não basta sentir que se ama… tem de se constantemente mostrar que se ama.
Dizer que se gosta muito de alguém e não lhe dar este tipo de coisas não vale nada, não serve de nada… É um amor “teorico”… LOL

No outro dia alguém me disse “não posso estar sempre a pensar nos outros”.
A pessoa e o contexto são irrelevantes… a questão é que, na minha opinião, devemos pensar sempre nos outros, sim.
Não pô-los á nossa frente… mas pensar neles, tê-los em conta, sem dúvida.
Não vivemos sós, não somos eremitas, logo temos de pensar nos outros, sobretudo nos que nos são queridos.

Temos de medir as consequências do que fazemos e do que não fazemos… temos de ter consciência de que os nossos actos (ou falta deles) são boomerangs… o que vai volta… e o que não vai, não volta… LOL
Não digo isto em sentido kármico… é mesmo em sentido próprio…
Se não tivermos respeito por alguém difícilmente o vamos receber dessa pessoa.
Se formos agressivos seremos provávelmente retribuidos com agressividade.
And so on…

Dito isto, e voltando ao puto… a história desta manhã só prova que percebeu a importância do hoje, que ser feliz é já... e alguém que trata a questão da morte com tanta naturalidade só pode sentir-se bem :)))

Fico muito feliz…
Carpe Diem!!!