COM MÚSICA
De cada vez que menciona um acidente na modalidade, o pessoal comenta ironicamente em tom gozão que “ pois, é um desporto muito seguro…”
Fazem-no como quem diz “quem brinca com o fogo, queima-se”, com uma pontinha de censura. Aproximam-se demasiado do sol, derretem-se-lhes as asas…

Estou longe de ser especialista em desporto e não estou de todo por dentro das estatísticas, mas… pelo pouco que sei, dúvido muito que haja mais acidentes graves e mortes em paraquedismo do que em motocíclismo ou hipismo, por exemplo. No entanto, nunca senti essa reacção quanto a esse tipo de modalidades.
O homem não foi feito para voar, senão tinha asas…
Não foi feito para voar, mas a realidade é que hoje em dia voa.
Voa em aviões, helicopteros, planadores, ultra-leves, asas delta e atira-se lá de cima desafiando os passarinhos. A tecnologia permitiu que o fizesse.
A tecnologia, a ciência, o engenho humano permitiram que se chegasse a níveis de “evolução” difícilmente imagináveis.
Erradicaram-se doenças, descobriu-se a cura para outras, prolongou-se incrívelmente a esperança de vida, trouxe-se alívio para muitos males.
Hoje em dia, grande parte da população vive confortávelmente com electricidade em casa, água canalizada, gaz, telefone. Temos televisões, telemóveis micro-ondas e computadores.
Já fomos à Lua, já fomos a Marte, fazemos robôts e há malta a viver em órbita.
Enfim… que diferença desde os homens das cavernas!!!
E no entanto, em termos emocionais, continuamos tão parecidos com isto:
A sensação que tenho é que a evolução tem sido sobretudo no campo tecnológico. O bicho homem não está muito diferente do que era quando ainda tinha as patas da frente no chão. Há coisas que no mundo animal fazem sentido, que no mundo humano primitivo faziam sentido, mas que hoje em dia só servem para nos dificultar a vida. A realidade é que vivemos em sociedade, e se só usarmos a inteligência para construir foguetões, vamos acabar por nos auto-destruirmos pela certa. O ser humano, como qualquer outro bicho, tem um instinto de protecção, de sobrevivência, de agressividade, que precisa de ser controlado. Se por um lado é bom e foi o que nos trouxe até aqui, por outro é frequentemente utilizado sem qualquer necessidade. O ser humano parece-me tendêncialmente egoísta e egocêntrico e logo conflituoso. Costuma-se dizer “não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti”… a tal minha amiga um dia destes disse-me que, melhor ainda é “faz aos outros o que gostarias que te fizessem a ti…” Muito poucos o fazem, porque muito poucos pensam de facto nos outros, a vida gira à volta dos seus próprios umbigos. Mas se pensassemos que fazemos parte de um todo, que a nossa relação com o mundo passa pela nossa relação com o próximo, a vida seria certamente muito mais fácil e agradável. O homem é um bicho, como tal tem instintos animais, mas se os controlar, se fizer um esforço consciente para ir dando cabo das ervas daninhas do seu jardim, se investir na sua felicidade e na dos outros, pode ultrapassar-se a si próprio e consegue voar sim…
Fazem-no como quem diz “quem brinca com o fogo, queima-se”, com uma pontinha de censura. Aproximam-se demasiado do sol, derretem-se-lhes as asas…

Estou longe de ser especialista em desporto e não estou de todo por dentro das estatísticas, mas… pelo pouco que sei, dúvido muito que haja mais acidentes graves e mortes em paraquedismo do que em motocíclismo ou hipismo, por exemplo. No entanto, nunca senti essa reacção quanto a esse tipo de modalidades.
O homem não foi feito para voar, senão tinha asas…
Não foi feito para voar, mas a realidade é que hoje em dia voa.
Voa em aviões, helicopteros, planadores, ultra-leves, asas delta e atira-se lá de cima desafiando os passarinhos. A tecnologia permitiu que o fizesse.
A tecnologia, a ciência, o engenho humano permitiram que se chegasse a níveis de “evolução” difícilmente imagináveis.
Erradicaram-se doenças, descobriu-se a cura para outras, prolongou-se incrívelmente a esperança de vida, trouxe-se alívio para muitos males.
Hoje em dia, grande parte da população vive confortávelmente com electricidade em casa, água canalizada, gaz, telefone. Temos televisões, telemóveis micro-ondas e computadores.
Já fomos à Lua, já fomos a Marte, fazemos robôts e há malta a viver em órbita.
Enfim… que diferença desde os homens das cavernas!!!
E no entanto, em termos emocionais, continuamos tão parecidos com isto:
A sensação que tenho é que a evolução tem sido sobretudo no campo tecnológico. O bicho homem não está muito diferente do que era quando ainda tinha as patas da frente no chão. Há coisas que no mundo animal fazem sentido, que no mundo humano primitivo faziam sentido, mas que hoje em dia só servem para nos dificultar a vida. A realidade é que vivemos em sociedade, e se só usarmos a inteligência para construir foguetões, vamos acabar por nos auto-destruirmos pela certa. O ser humano, como qualquer outro bicho, tem um instinto de protecção, de sobrevivência, de agressividade, que precisa de ser controlado. Se por um lado é bom e foi o que nos trouxe até aqui, por outro é frequentemente utilizado sem qualquer necessidade. O ser humano parece-me tendêncialmente egoísta e egocêntrico e logo conflituoso. Costuma-se dizer “não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti”… a tal minha amiga um dia destes disse-me que, melhor ainda é “faz aos outros o que gostarias que te fizessem a ti…” Muito poucos o fazem, porque muito poucos pensam de facto nos outros, a vida gira à volta dos seus próprios umbigos. Mas se pensassemos que fazemos parte de um todo, que a nossa relação com o mundo passa pela nossa relação com o próximo, a vida seria certamente muito mais fácil e agradável. O homem é um bicho, como tal tem instintos animais, mas se os controlar, se fizer um esforço consciente para ir dando cabo das ervas daninhas do seu jardim, se investir na sua felicidade e na dos outros, pode ultrapassar-se a si próprio e consegue voar sim…

















