segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Pré-alíviem-se

COM MÚSICA

Já todos nós ouvimos, quanto mais não seja em filmes, o choro do recém-nascido acabado de chegar ao mundo.
Não consigo sequer imaginar o sofrimento, a violência que seja nascer.


A partir daí a vida é uma sucessão de prazer e dôr… um electrocardiograma até ao fim.
Como dizia o saudoso Herman “a vida é como os interruptores, umas vezes para cima, outras vezes para baixo…” ; )

É utópico pensar que se consiga passar pela vida sem sofrimento, sem problemas, sem tristezas… podem ser maiores ou menores, mais ou menos frequentes, mas virão sempre ao nosso encontro, quer queiramos quer não.

Infelizmente, tenho a sensação de que o ser humano lhes dá muito mais importância do que aos momentos em que está de facto “bem”.

Ora pensem no que sentem quando estão com dores e o analgésico começa a fazer efeito, quando conseguem finalmente resolver algum stress de trabalho, quando chega o fim dos conflitos numa separação, quando voltam a poder usar um membro que por alguma razão esteve imobilizado…
É nessas alturas que damos realmente valor ao nosso bem estar.
Temos viva na memória a dôr, o sofrimento e agradecemos o seu alívio.

Quando está tudo bem, muitas vezes nem nos damos conta de que estamos de facto bem. Tendêncialmente só damos valor ás coisas quando as perdemos.

Ora não tem de ser assim… podemos “forçar” um pré-alívio.
Podemos impor-nos a consciência do nosso bem estar, por forma a podermos goza-lo em pleno.
Os momentos em que estamos bem não passam de antecâmaras dos momentos em que vamos, obrigatoriamente, por qualquer razão, estar mal. Se os aproveitarmos completamente estaremos emocionalmente muito mais fortes para encarar as adversidades da vida.

Se estivermos constantemente conscientes da inevitabilidade destas, de que é só uma questão de tempo, de que mais tarde ou mais cedo alguma coisa nos há de “cair em cima”, porque simplesmente é assim que as coisas funcionam, porque a vida não é um mar de rosas, então poderemos aproveitar os bons momentos com o mesmo “alívio” com que os aproveitamos no “pós-tempestade”.

O mundo não é um lugar seguro… há doenças por aí à espreita, acidentes, incidentes… Nunca sabemos quando nos vão apanhar de surpresa, a nós ou áqueles de quem gostamos o que, no que nos diz respeito, vai dar ao mesmo.

Não sei se conhecem aquele video (mandaram-mo por mail mas não consegui encontra-lo no Youtube) do cego que está a pedir na rua. Ninguém lhe dá nada. Um tipo com ar de executivo (provávelmente de marketing… lol) passa por ele, pára e escreve-lhe qualquer coisa no cartaz. A partir daí as pessoas começam a atirar-lhe moedas para a lata…
No cartaz ele escreveu: “Está um dia lindo e eu não posso vê-lo…”

Nós, que o podemos fazer, muitas vezes nem sequer o apreciamos…
Se estivermos atentos aos pequenos prazeres da vida, ás coisas boas que temos, enquanto as temos, se as soubermos apreciar, se lhes soubermos dar valor, seremos garantidamente muito mais felizes.

Para isso ajuda olharmos à nossa volta… termos consciência daquilo que temos e muitos não têm, como é o caso da visão no meu exemplo.
Há tanta coisa horrível por aí… situações das quais não estamos livres… os “acidentes” não acontecem só aos outros… Todos nós já fomos confrontados com a dôr, física ou psicológica… e muito provavelmente voltaremos a sê-lo repetidamente até ao fim dos nossos dias. Aproveitemos então ao máximo todos os momentos em que isso não acontece.


This one is for you, Blondie ;)

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

The dark side

COM MÚSICA


Luke, I am your father…



lolololololololol


Não, agora a sério… lol
Este vai ser um post a cascar… sim, que convém pôr uns pontos nos iis…
Últimamente várias pessoas me encaram como se fosse uma espécie de santinha.
As próprias coisas que digo aqui, possivelmente, transmitirão essa impressão.
Pois desenganem-se…


Santa, só se for de pau carunchoso!




he, he ; )

Não, não é por um qualquer tipo de prazer masoquista que tenho intenções de me ir já de seguida denegrir aos vossos olhos… lol
Acho no entanto importante, por forma a conseguir transmitir a “mensagem” que gostava de passar, que pelo menos os meus leitores mais assíduos mas menos íntimos, tenham a noção de que sou sem qualquer sombra de dúvida uma pessoa como outra qualquer.
Tenho os meus defeitos e as minhas qualidades, como toda a gente.

Dado que as nossas “qualidades” são, na minha opinião, o que nos ajuda a seguir um “bom caminho” é delas que costumo falar.
Talvez seja isso que faça com que as pessoas olhem para mim como se fosse uma espécie de freak…
Parece-me no entanto muito importante também realçar os meus defeitos.
Se as pessoas acharem que sou uma anormal, vão achar que o que digo não se lhes aplica, como se fosse uma coisa inatingível, como se não estivesse ao alcance de qualquer um de nós ser aquilo a que costumo chamar “boa pessoa” e ser feliz…

Tomem lá então ; )

Começo por ser uma pessoa muito pouco humilde.
As coisas que digo neste blog, acredito nelas de corpo e alma.
Não estou a falar das opiniões que podem ir mudando com o tempo, refiro-me ao âmago do blog, á razão profunda do seu ser.
Acho portanto que descobri a pólvora e que se toda a gente pensasse como eu o mundo seria um sítio muito mais simpático e agradável.
Presunção e água benta…

E por falar em acreditar, confesso que tenho uma certa aversão ás religiões em geral. Ou talvez devesse dizer antes ás práticas religiosas, não sei bem…
Não me entendam mal, tenho-lhes o maior respeito.
A realidade é que acho certas coisas perfeitamente incongruentes.
Para exemplificar o que quero dizer com isto, vou dar um único exemplo, sempre na preocupação de não vos entediar, deixando no entanto bem claro que haveria muitos mais a fornecer.
Os budistas não matam bichinhos… quaisquer bichinhos…
Ora quem não assistiu já à cena patética de um budista convicto a tentar convencer outra pessoa a ir pôr DumDum no quarto dos meninos, por forma a que não seja ele o assassino?!
Balelas… estas coisas tiram-me do sério…
Não ter crianças devoradas pelas melgas no dia seguinte parece-me um acto de muito maior bondade do que poupar a vida a meia dúzia de micro-vampiras.
Acho que todas as religiões têm os seus bons princípios e que podemos muito bem retirar-lhes o sumo e agirmos conforme a nossa consciência, se temos cérebro é para lhe dar uso.

E por falar em cérebro… tenho baixíssima tolerância a quem não o usa.
Ou melhor, a quem o usa abaixo das suas capacidades.
Se uma pessoa é loira, é loira… paciência… (desculpem loiras, mas é um clássico…lol) não se pode pedir a um 2CV que ande a duzentos à hora ou que suba falésias.
Agora aquelas pessoas que foram abençoadas pela sorte e não aproveitam as capacidades que têm… grrrrrr… tiram-me do sério.
Pessoas saudáveis, cultas, bem parecidas, com dois dedos de testa, que andam por aí aos caídos a queixar-se constantemente da vida porca e miserável que levam, sem nunca fazer nada para a mudar…
Simplesmente não tenho paciência. Já dei.

E por falar em paciência, contráriamente ao que alguns parecem julgar, para muitas coisas também tenho o pavio curto.
O exemplo mais flagrante é o trânsito, em que se alguém faz uma daquelas habilidades artísticas que nos tiram do sério, não hesito em atribuir-lhe nomes que não posso mencionar aqui, sob pena de receber um daqueles mails a letra vermelha…
Só para vos dar uma ideia, para minha grande vergonha, no outro dia o meu filho perguntou-me:
“Mãe, posso dizer um palavrão só para te explicar uma coisa?!”
“Que palavrão?”
“Um daqueles que tu dizes no carro quando alguém guia mal…”

E por falar em pavio curto, sou também absolutamente implacável com as pessoas de quem gosto.
Os idiotas, os cretinos, não me fazem mossa.
Mas ai de alguém que considere amigo que me faça o que eu considere uma filharameirice… lol
Não estou a falar naqueles erros que todos nós cometemos uns com os outros. Estou a falar de atitudes conscientes ,voluntárias e egoístas, em que alguém ultrapasse todos limites do estar-se a cagar para o próximo. (pronto, já vou comer com o tal mail… ; )
O meu sentido de justiça apuradíssimo lol impede-me de rélévar (como dizem os amigos brazucas) com facilidade e muito difícilmente essa pessoa conseguirá alguma vez recuperar a minha confiança e apego.

Enfim… esta lista não é exaustiva. Poderia estar aqui mais umas horitas a falar… mas acho que já chega para provar que de santa não tenho nada.
E tal como eu, todos vocês terão os seus bugs.
Mas que isso não vos impeça de continuar a fazer por serem felizes e melhores pessoas.

sábado, 25 de outubro de 2008

Domando a fera…

COM MÚSICA

É tanta a minha preocupação em não vos dar seca, em não escrever posts demasiado longos … que acabei por me dar conta de que o último, não só acabou por se tornar meio “telegráfico”, como passou um bocado ao lado do objectivo.

Volto então a pegar no mesmo tema a ver se, desta vez, me consigo fazer compreender.
O bicho homem não me parece, por natureza, muito boa rez… Basta olhar para os actos desumanos, as atrocidades que é capaz de cometer.
Visto que não é o tema deste post não me vou atardar, mas pensem só na pedofilia, nas experiências tanto em animais como em humanos, no esclavagismo, na tortura, nos maus tratos que é capaz de inflingir, nos animais esfolados vivos, nas mulheres apedrejadas, nas crianças espancadas, nos genocídios, nos abusos sexuais, no trabalho infantil, nos abandonos… acho que vou parar por aqui… :(


Dá a sensação que somos tendencialmente, insensíveis, intolerantes, egoístas, egocêntricos, agressivos…
A atitude das pessoas funciona um bocado por acção/reacção.
Já praticamente todos nós tivemos, por exemplo, a experiência de fazer uma viagem em que um membro do grupo entra numa má onda e ao fim de uns tempos o ambiente se torna insuportável.
Se um cão vos rosnar, seja por que razão for, a vontade que têm não é propriamente de lhe dar festas.
Ora, da mesma maneira que se domam feras, também podemos domar estas atitudes negativas que temos na vida, por forma a melhorar o ambiente entre seres humanos. Para que não sejam elas a levar a melhor sobre as nossas vidas.


Não estou a falar das atrocidades que mencionei acima, isso seria tema para outro post, refiro-me a pequenas coisas do dia a dia…
Vou dar três exemplos do que quero dizer para exemplificar melhor.

No outro dia telefonaram-me da PT a tentar impingir-me um serviço que ainda por cima eu já tenho instalado.
São sem qualquer sombra de dúvida muito irritantes estes telefonemas, como o são os SMS com publicidade ou os emails de spam, que nos entram pela vida a dentro sem serem convidados.
Despachei o telefonema e, quando desliguei, a pessoa que estava ao meu lado comentou: “És tão simpática, havias de ver como eu lhes respondo…”
Não disse nada na altura, mas fiquei a remoer a questão.
Imagino a quantidade de pessoas desagradáveis, agressivas, mal educadas… que estes desgraçados devem apanhar durante um dia de trabalho.
Imagino-os a rezar de manhã para não acertarem em muita gente mesmo bera nesse dia. A perguntarem que mal fizeram a Deus para terem de se sujeitar a um emprego desses em que, no melhor dos casos podem esperar não ser agredidas verbalmente.
Chiça, que trabalho ingrato… não queria nada estar na pele deles.
Se o meu telefonema puder ser um buraquinho nas nuvens, por onde possam sentir brevemente o calor do sol, já estou com certeza a aligeirar esta carga.
Se toda a gente conseguisse por-se no lugar deles e os tratasse com o respeito e consideração que qualquer pessoa merece á partida, se calhar o telemarketing tornava-se uma tarefa bastante menos deprimente.


No site de que sou mulher a dias, estive recentemente a “limpar” fotografias. Decidiu-se este verão por Sondagem que algumas deveriam ser eliminadas. Desde aí enviei vários mails a pedir ás pessoas para apagarem as fotos que não estavam conforme as novas regras. Escrevi manuais a explicar como o fazer, a dar alternativas para a sua divulgação, etc…
Enfim, apelos e mais apelos, mas a realidade é que no fim do prazo tive de ver mais de 3000 fotos e de apagar, uma a uma, mais de mil.
Meio na brincadeira, meio a sério, dei uma descasca num amigo meu, dizendo que estava muito triste, que estava à espera que pelo menos os meus amigos me tivessem passado cartão e fizessem o que tinha pedido.
O resultado foi, primeiro indignação por lhe ter apagado as fotos, depois uma atitude defensiva agressiva de “não sabia que não podiam lá estar”.
Não sabia porque, como tantos outros, não pensou por um segundo na desgraçada que ia perder horas e horas a tratar do assunto,enquanto que se cada um tratasse das suas perderia alguns segundos. Não sabia porque nem se deu ao trabalho de ler nada do que escrevi. Não sabia porque, sabendo perfeitamente que por trás daquele site, a limpar e a arrumar, está uma pessoa e não um qualquer dispositivo automático se esteve bem nas tintas.


Conheço uma pessoa que, volta não volta, envia mails escritos a vermelho ou roxo, em letras maiúsculas de tamanho garrafal.
Fa-lo quando sente indignação, revolta, reprovação relativamente a algum assunto.
Tanto podem ser comentários áqueles mails que todos nós recebemos de vez em quando, muitas vezes sobre atrocidades como as que descrevo no inicio deste post, ou que simplesmente demonstram a estupidez humana, como alguma coisa directamente relacionada com a pessoa a quem os manda.
Ditam as regras de etiqueta da net que utilizar maiúsculas num texto é “gritar”, utilizar maiúsculas em tamanho garrafal nem sei o que seja, e a vermelho então… Em qualquer caso e para todos os efeitos é uma atitude extremamente agressiva.
Que resultados se pode esperar obter com uma atitude dessas?
Será que por gritarmos muito as pessoas nos ouvem melhor?
Hoje em dia, quando recebo um desses mails já nem me dou ao trabalho de responder, vai directamente para o lixo, quer tenha a ver comigo ou não.
Sou sensível à argumentação, sou permeável a críticas, sou receptiva ao dialogo. Não aceito que gritem comigo.
Se muitas vezes até tem toda a razão no que diz, a forma como expõe as suas ideias fecha qualquer porta aberta a ouvi-las.


Qualquer uma das três pessoas de que falo acima é, na minha opinião, “boa pessoa”. São amigos, são sensíveis, são humanos, são queridos… Simplesmente não pensam sequer no incómodo, no mau estar que possam ás vezes estar a causar a terceiros.
“Faz aos outros o que gostarias que te fizessem a ti…”
Todos gostamos de ser tratados com respeito e consideração como tal, todos deveríamos ter a mesma atitude para com os outros.
Imagino qualquer um dos três na posição inversa. A receber o tipo de “tratamento” a que sujeitam os outros… caía o Carmo e a Trindade!!!

“You must be the change you want to see in the world”. - Gandhi

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Take air

COM MÚSICA

Uma amiga minha é paraquedista…
De cada vez que menciona um acidente na modalidade, o pessoal comenta ironicamente em tom gozão que “ pois, é um desporto muito seguro…”
Fazem-no como quem diz “quem brinca com o fogo, queima-se”, com uma pontinha de censura. Aproximam-se demasiado do sol, derretem-se-lhes as asas…


Estou longe de ser especialista em desporto e não estou de todo por dentro das estatísticas, mas… pelo pouco que sei, dúvido muito que haja mais acidentes graves e mortes em paraquedismo do que em motocíclismo ou hipismo, por exemplo. No entanto, nunca senti essa reacção quanto a esse tipo de modalidades.

O homem não foi feito para voar, senão tinha asas…
Não foi feito para voar, mas a realidade é que hoje em dia voa.
Voa em aviões, helicopteros, planadores, ultra-leves, asas delta e atira-se lá de cima desafiando os passarinhos. A tecnologia permitiu que o fizesse.

A tecnologia, a ciência, o engenho humano permitiram que se chegasse a níveis de “evolução” difícilmente imagináveis.
Erradicaram-se doenças, descobriu-se a cura para outras, prolongou-se incrívelmente a esperança de vida, trouxe-se alívio para muitos males.
Hoje em dia, grande parte da população vive confortávelmente com electricidade em casa, água canalizada, gaz, telefone. Temos televisões, telemóveis micro-ondas e computadores.
Já fomos à Lua, já fomos a Marte, fazemos robôts e há malta a viver em órbita.

Enfim… que diferença desde os homens das cavernas!!!
E no entanto, em termos emocionais, continuamos tão parecidos com isto:
A sensação que tenho é que a evolução tem sido sobretudo no campo tecnológico. O bicho homem não está muito diferente do que era quando ainda tinha as patas da frente no chão. Há coisas que no mundo animal fazem sentido, que no mundo humano primitivo faziam sentido, mas que hoje em dia só servem para nos dificultar a vida. A realidade é que vivemos em sociedade, e se só usarmos a inteligência para construir foguetões, vamos acabar por nos auto-destruirmos pela certa. O ser humano, como qualquer outro bicho, tem um instinto de protecção, de sobrevivência, de agressividade, que precisa de ser controlado. Se por um lado é bom e foi o que nos trouxe até aqui, por outro é frequentemente utilizado sem qualquer necessidade. O ser humano parece-me tendêncialmente egoísta e egocêntrico e logo conflituoso. Costuma-se dizer “não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti”… a tal minha amiga um dia destes disse-me que, melhor ainda é “faz aos outros o que gostarias que te fizessem a ti…” Muito poucos o fazem, porque muito poucos pensam de facto nos outros, a vida gira à volta dos seus próprios umbigos. Mas se pensassemos que fazemos parte de um todo, que a nossa relação com o mundo passa pela nossa relação com o próximo, a vida seria certamente muito mais fácil e agradável. O homem é um bicho, como tal tem instintos animais, mas se os controlar, se fizer um esforço consciente para ir dando cabo das ervas daninhas do seu jardim, se investir na sua felicidade e na dos outros, pode ultrapassar-se a si próprio e consegue voar sim…
 

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

As camaleoas

COM MÚSICA

As camaleoas… as camaleoas têm a rara capacidade de trocar de personalidade quando mudam de homem. Transformam-se em pessoas totalmente diferentes.
Conforme o tempo vai passando vão adquirindo as características do seu macho, transformando-se pouco a pouco num espelho do mesmo.
Estas mudanças são absolutamente espantosas, tudo se altera.
A sua forma de expressão, os seus hábitos, os seus gostos, os seus hobbies, as suas crenças e convicções.


Curiosamente até a sua memória parece ser genuinamente afectada renegando aquilo que eram anteriormente, como se de facto já não tivessem lembrança de quem era essa pessoa.
Todos nós mudamos ao longo da vida, evoluimos, mudamos de gostos, de estilo, de opiniões.
A diferença, relativamente ás camaleoas, é que nelas isto parece acontecer em todos os campos ao mesmo tempo. Dá-se efectivamente uma metamorphose do seu ser.

As camaleoas colocam as suas relações acima de qualquer outra coisa. São de uma devoção, de uma capacidade de entrega, de uma fidelidade dignas do “melhor amigo do homem”… Quando se comprometem dão o seu melhor, entregam-se de corpo e alma, fazem tudo o que estiver ao seu alcance para fazer o outro feliz.

No que diz respeito a hobbies, desportos, etc, são geralmente companheiras de mão cheia, acompanhando-os em tudo. As camaleoas não são de ficar em casa, ou de praticar actividades paralelas.
Se ele faz ela também faz. Se não praticava, passa a praticar. Se não sabia, aprende. Se não gostava passa a gostar.
Movem montanhas. Ultrapassam todas as espectativas. Tornam-se as melhores e não os deixam ficar mal. As paixões deles entram-lhes na pele e tornam-se suas. Ultrapassam-se a si próprias.
Passam de jogadoras de poker a caçadoras de ursos num revirar de olhos e fazem ambas as coisas com a mesma tenacidade e empenho.

O mesmo se passa com crenças e opiniões. Se hoje são católicas de direita, amanhã podem ser budistas de esquerda. Vão se embebendo das ideias deles e tudo parece fazer sentido. Ao fim de uns tempos nem conseguem já lembrar-se de que outrora tenha sido de outra maneira. Se um diz mata o outro diz esfola e pregam as suas convicções em unisono. Coisas que em tempos lhes pareciam importantes deixam de fazer sentido. Coisas antes irrelevantes transformam-se em cavalos de batalha. Tudo sempre muito sentido, vindo do fundo da alma e argumentado, se caso disso, com toda a convicção.

Os amigos tambem mudam. As camaleoas não costumam ter grandes “amigos próprios”… Geralmente os amigos delas são os amigos deles. E se não são propriamente os amigos dele, são pelo menos amigos com quem ele também se possa identificar, de quem possa gostar. Os susceptíveis de criar atrito ou tédio, que não partilhem gostos e opiniões são pouco a pouco abandonados, postos de lado. Deixa de haver interesse em confraternizar mesmo que a título pessoal.

Até o aspecto físico muda… e se hoje podem ter um ar desleixado, de quem não se preocupa muito com coqueteries, ninguém diz que amanhã não passem parte do seu tempo no cabeleireiro e no ginásio. Tão fácilmente podem ter um ar de maria rapaz, de jeans rotos, ténis e rabo de cavalo, como andar de salto alto, unhas pintadas e madeixas. Em qualquer dos casos parecem sentir-se bem na sua pele e usar “o porte” com naturalidade.

Em suma, as camaleoas transformam-se com a maior facilidade naquilo que acham que eles gostariam que fossem, o que aliás normalmente não estará longe da verdade, adaptando os seus hábitos, as suas ideias e o seu aspecto ao que agrada e se encaixa bem com o seu macho, transformando-se assim na companheira ideal.
Julgo que o façam inconscientemente, não parece ser uma coisa planeada, programada, voluntária. Elas simplesmente se adaptam tal como o faz o camaleão ao mudar de cenário.

Neste momento devem estar a achar que toda esta conversa era a cascar nas bichinhas, a mandar abaixo, a criticar. Estão muito enganados…
Quem sou eu para decretar o que está certo e o que está errado.
Cães e gatos são totalmente diferentes… quem somos nós para julgar se uns são “melhores” que os outros…
Ás vezes até gostava de ter esse “poder” de metamorfose, facilitava-me bastante a vida.
As razões das mudanças são tão válidas umas como as outras.

O grande senão que vejo relativamente a tudo isto são “os outros”, os que estão fora do casal, e que de vez em quando se vêm a braços com uma pessoa totalmente nova, que julgavam conhecer mas relativamente à qual têm de reaprender tudo. Isto, claro está, se conseguirem manter-se nas redondezas.
Esta parte, sendo grande apologista das amizades, faz-me pena e acho de facto que ambos os lados ficam a perder.

domingo, 5 de outubro de 2008

L'important c'est la rose...

COM MÚSICA

O conceito de VIP é uma coisa que sempre me fez confusão.
Passo a exemplificar para perceberem o que quero dizer com isto…

Em tempos que já lá vão, num “evento” cheio de gente “importante” (uns mais importantes do que os outros, claro, visto que eu também lá estava…) um velho jarreta (do estilo pervers pépère) fartou-se de se fazer a mim.
Quando comentei o facto responderam-me “Mas tu sabes quem ele é??!! …”
Porra!!! Então por o senhor ser um VIP tem o direito de se fazer indecentemente a uma miudeca? E ainda me deveria sentir honrada por isso?!
Como se costuma dizer… “na peida, Almeida” que essa eu não compro.

Outro exemplo, há tempos recebi um telefonema “do site”… “Já viste quem acabou de se inscrever agorinha mesmo? Tens de lhe ir dar as boas vindas…”
Dar as boas vindas?! Mas dar as boas vindas por que raio?!
Estão duas mil e tal pessoas inscritas, entram em média vinte e tal por dia, havia de ser lindo se fosse dar as boas vindas a todos… Dou as boas vindas aos que conheço. Dei as boas vindas ao primeiro, ao centésimo, ao milésimo… marcos históricos (lol)… agora aos VIPs??!! PleaaaaaseeeeYou must be jocking… por obra e graça de quê, pergunto eu?

VIP: Very Important Person
(Parece que até já apareceu o conceito de VVIP: Very Very Important Person, aparentemente estão um grau acima dos VIPslol)

Importante: do Lat. Importante adj. 2 gén., que merece consideração; útil; necessário; essencial; s. m., o que é essencial; o que mais interessa.
Ou segundo outra definição: “Something or someone who affects the course of events or the nature of things. Someone or something significant, valuable, and meaningful.”

Os VIPs são artistas, políticos, empresários, membros da realeza, figuras públicas, colunáveis, malta célebre, rica, poderosa…
São recebidos com honras e salamaleques onde quer que vão e são-lhes atribuídos privilégios vários.

Agora pergunto eu… mas “importantes” por que #$%&###?! (sim, que ainda não ouso utilizar o vocabulário do Mataspeak…;) Em que sentido é que eles são importantes? Para quem é que são importantes? Por que raio é que ão de ser tratados cumo se fossem mais cósoutros?
Bem sei que sou meia autista, completamente anti-“social”, uma pessoa pouco culta e informada, mas… “Importantes”??!! Que merecem consideração, úteis, necessários, essenciais, os que mais interessam??!!! …

Aposto que o Hitler recebia tratamento VIP onde quer que fosse…
Alguns VIPs têm comportamentos de envergonhar qualquer ser humano… São egoístas, caprichosos, arrogantes, cruéis até… não têm ponta de respeito ou consideração pelo próximo. Estão tão “full of themselves” que perdem a noção de tudo, de todas as regras básicas de convivência em sociedade, em família…
Notem que não estou a dizer que sejam todos assim… há de haver muitos que são excelentes pessoas.

Não consigo compreender a forma como as pessoas os encaram, a postura que adoptam. Como se fosse uma honra conhecê-los, estar na sua presença, que nos dirijam a palavra…
Caraças, por muito atraente e sexy que seja o Brad Pitt, antes de lhe fazer a reverência, de lhe prestar homenagem, teria pelo menos de saber se é de facto boa pessoa. E não é com certeza através dos media que se vai saber isso. Não gosto de pagar adiantado…

De quantos não vêm ao de cima os podres… que batem nas mulheres, que ignoram os filhos, que tratam os empregados abaixo de cão, yada, yada, yada… basicamente que são seres humanos desprezíveis… e deveríamos ter respeito e consideração por estas criaturas?
Eu pessoalmente tenho-os por pessoas que considere meritórias, que tenham dado provas. Não é por terem VIP escrito na testa com certeza.
Para mim, antes de serem ricas, poderosas, célebres… as pessoas são pessoas… fazem xixi e cócó como todos nós, dão pums e tiram macacos do nariz. Têm alegrias e tristezas. Têm comportamentos humanos (ou nem por isso) que as caracterizam… O resto é o menos importante.

Ok… chamem-me arrogante se quiserem… mas sou incapaz de me colocar “abaixo” de seja quem for sem o conhecer, sem perceber que tipo de ser humano é. Pode ser presidente da republica ou sex simbol, mas antes de tudo é gente… e há muita gente que não presta mesmo. E o facto de ser tratada com pompa e circunstancia é uma coisa que me faz pensar que o ser humano tendencialmente pensa mesmo muito pouco de si próprio.

domingo, 28 de setembro de 2008

ViváNet

COM MÚSICA

Muitos têm acusado os computadores em geral e a internet em particular de estar a gerar pessoas solitárias e anti-sociais, de dar cabo das relações “ao vivo e a cores”, do calor humano.

Hoje em dia não podia discordar mais…
Acho que a Net tem sido um vehículo de aproximações e reaproximações fenomenal que contribui e muito para as relações humanas. Ousaria mesmo dizer mais do que o correio ou o telefone…


Perdi completamente o contacto com uma pessoa de quem gosto muito e de quem fui em tempos extremamente próxima. Correspondemo-nos por carta durante muitos anos e um dia… puf, simplesmente desapareceu.
Escrevi para todos os endereços que tinha, perguntei a todas as pessoas que conheciamos em comum se sabiam alguma coisa dele… Nada. Nunca mais tive notícias.
Um dia lembrei-me de fazer uma pesquisa na Net e encontrei uma referência ao seu nome na página de um grupo de teatro. Resolvi atirar o barro à parede e mandar-lhes um mail. No mesmo dia estava de novo em contacto. Desde então temos falado, já me veio visitar, temos mantido mais ou menos a conversa em dia.

A minha irmã fez uma grande festa de anos… convidou as pessoas por mail, como vem a ser hábito, e durante a semana que a antecedeu houve muita troca de mensagens, brincadeiras, bocas, o costume, em reply to all…
Quando nos encontrámos lá, pessoas que não se conheciam de lado nenhum tinham a sensação de, de certa maneira, já se conhecerem.
Em situação normal não teria sequer havido troca de números de telefone, não havia razão para isso. As pessoas teriam simplesmente perdido contacto.
Neste caso tendo todos os mails uns dos outros, no pós festa iniciou-se uma nova troca de mensagens, agora já mais personalisada, entre pessoas que “foram à bola” umas com as outras.
Dessa troca de emails sairam, no que me diz respeito, uns embriões de amizade que muito prezo.

O Site do Liceu Francês… oh o Site do Liceu Francês… (lol) tanta gente a reatar amizades há muito perdidas, a conhecer gente nova, a criar laços…
Como é que se conseguia pôr tanta gente em contacto se não fosse a internet?
Todos os dias lá se reunem centenas de pessoas…
Diáriamente no chat há conversas, troca de ideias, brincadeiras… acaba um pouco por cumprir a função do “ir ao café”. Estamos ás vezes mais actualizados sobre a vida, os estados de espírito, os problemas e as alegrias destas pessoas do que sobre a dos nosso amigos ou familiares “mais próximos”.
Trocam-se comentários, enviam-se mensagens privadas, convida-se para eventos e combinam-se encontros, tanto com pessoas que já conhecíamos como com pessoas que passámos a conhecer.
O Site acaba por ser o veiculo mas o contacto torna-se muitas vezes de carne e osso. Sem esta ferramenta muitos de nós voltariamos certamente a perder contacto.


Até aquelas trocas de mails com anedotas, fotos, filminhos, pps… acaba de certa maneira por aproximar as pessoas. Continuo desta forma em contacto com ex-alunos, amigos que não vejo com frequência, familiares, pessoas que não fazem parte do meu dia a dia… E graças a isso muitas vezes acaba por se dar uma palavrinha pessoal, que sem isso talvez não se desse. Lembramo-nos das pessoas porque nos “entram pelo computador a dentro”.

É mais fácil ás vezes escrever as coisas do que dize-las cara a cara… Tenho tido com algumas pessoas trocas de e-mails com conversas que nunca tive “ao vivo”. As pessoas abrem-se com mais facilidade, expressam melhor os seus sentimentos. Há coisas que simplesmente não é fácil dizer-se de viva voz mas que com a “burka” da internet saem espontaneamente.

Finalmente, há uma série de… de… vocês, a ler as parvoeiras que eu vou dizendo… as sentenças que vou c…ando… lol o que muito provavelmente não aconteceria se não existisse este blog, com o qual vou chegando, mal ou bem, a uma data de gente que me vai conhecendo melhor do que outros com quem "me dou" à muito mais tempo... ; )

domingo, 21 de setembro de 2008

Que se f... o próximo.

COM MÚSICA

Peço desculpa de mais uma vez trazer à baila o Liceu Francês mas costumo utilizar as coisas que me vão acontecendo na vida para dissertar sobre temas vários e este verão “aconteceu-me” o Site…

Quando o criei estava a leste de imaginar que três meses depois iria ter mais de 2300 membros… Assim como estava a leste de imaginar, quando lancei o desafio para um jantar na “rentrée”, que iram comparecer mais de 400 pessoas…
Já me chamaram louca por me ter lançado num empreendimento desta envergadura, a realidade é que não fazia ideia daquilo em que me estava a meter…

Mas enfim… como se costuma dizer é preciso é calma e estupidez natural.
Sou “mestra” em organização, tenho felizmente tido tempo para tratar disto e sobretudo faço-o com muito amor e carinho dado que fico genuinamente sensibilizada com o prazer que grande parte das pessoas tem demonstrado retirar de tudo isto.

Apesar de, confesso, um pouco megalómano o projecto não me assustou nada.
Já tinha tudo preparadinho e pronto a funcionar.
Dei indicações claras e explícitas de como deveriam efectuar as inscrições e os pagamentos e fixei um prazo limite para ambos.
Parecia-me fácil…

Pois que não… não foi fácil e sobretudo não foi nada agradável.
E porquê?! Porque grande parte das pessoas se esteve simplesmente a cagar para as minhas instruções.
Um processo que apesar de trabalhoso deveria no entanto ter sido simples transformou-se num verdadeiro pesadelo.
A coisa estava toda montada para, com método, funcionar sobre rodas.

De repente dei por mim no meio de um turbilhão de “infractores”, nada funcionava como previsto.
Apareciam-me depósitos na conta sem que tivesse recebido nenhum mail a avisar, recebia mails com nomes de títulares que não me apareciam nas transferências, depósitos em numerário sem qualquer identificação, depósitos com a única menção “pagamento jantar liceu françês” (para mim eram só todos!!!), pessoas que pagavam mas não se tinham inscrito no evento…

Não sabia para onde me virar e apesar de várias ofertas de ajuda difícilmente as poderia ter aceite. A conferência era feita através do meu extracto online, eu é que recebia os mails, tínha o cartão base no Photoshop, a listagem em excel… enfim, como não foi previsto de origem, teria sido mais complicado arranjar maneira de passar trabalho a terceiros e coordena-lo do que fazê-lo eu… Estava totalmente sosinha “contra” um bando de baldas.

Tentei no entanto sempre continuar a ser simpática, educada e compreensiva com as pessoas, acho mesmo que tive uma paciência de santa devo dizer, muita gente os teria mandado para sítios que não me atrevo a nomear aqui.
Fui lançando vários apelos no site, pedindo compreensão e colaboração. Tudo em vão, o caos continuava a reinar e eu cada vez mais a dar em doida.
Ás tantas passei-me e mandei um mail “curto e grosso” para todos os inscritos no evento…
A parte do “curto” por, nesses mails, só poder utilizar 200 caracteres, o que é um pesadelo quando se quer transmitir qualquer coisa.
A parte do “grosso” deveu-se ao cansaço e ao desespero por ver que não ligávam pevas ao que pedia.

Umas horas depois dei-me conta do que tinha feito e enviei segundo mail com um pedido de desculpas.
Eu acredito muito em pedidos de desculpa, acho-os muito importantes.
Pedir desculpa cumpre com várias funções; mostra que nos apercebemos do nosso erro (errar é humano), mostra que estamos arrependidos de o ter cometido e sobretudo que é importante para nós que os outros saibam estas duas coisas.

A minha “simpática” missiva surtiu algum efeito e começaram a chover mails e transferências. Confesso que grande parte deles com os mesmos problemas que os que já mencionei, mas pelo menos iam chegando.
Como já mencionei tinha dado prazos… mas o que são prazos para o bom português?! Acabei por prolongar o das inscrições por uma semana devido à quantidade de pedidos. Quanto ao dos pagamentos… não era mesmo possível.

Notem, não me entendam mal… no meio de tudo isto houve muito boa gente, que fez tudo exactamente como pedi, que ofereceu ajuda, que enviou mensagens de apoio e de louvor. Ainda há felizmente muitas pessoas decentes.
Mesmo os “infractores”, muitos nem se deram conta da trabalheira extra que me estavam a dar, julgavam estar a fazer tudo como deve ser e demonstraram nos seus mails essa preocupação.

Mas há também os baldas, aqueles que nem por um segundo pensaram que estava uma desgraçada sosinha por detrás desta coisa toda, que nem se deram ao trabalho de ler as instruções como deve de ser, leram na diagonal e fizeram como lhes deu na real gana…
Como me disse uma pessoa em resposta ao meu mail desesperado: “O assumir de uma tarefa deste tipo, que acredito seja pesada a vários níveis, tem de ser assumida de livre vontade.” Pois lá de livre vontade foi, o que não quer dizer que uma ajudinha para que as coisas dessem menos trabalho não tivesse sido apreciada.

A cerejinha no topo do bolo foi, na noite em que acabávam os prazos para os pagamentos, o telefonema que recebi de uma “senhora” que, numa voz esganiçada, começou a conversa com “olhe lá, espero que não vá haver peixeiradas no dia do jantar…” - “desculpe?!” - “sim, é que eu já paguei ontem mas não sei quando é que aparece na sua conta, senão quero o meu dinheiro de volta, não quero peixeiradas, uma pessoa que manda o mail que você mandou sabe-se lá que tipo de gente arranjou para estar á porta…”
Continuou por ali fora, no mesmo tom agressivo, dizendo que não me conhecia (felizmente, insinuava o seu tom de voz) visto que era de uma época muito anterior à minha.
Tentei explicar-lhe que tinha feito de facto mal em mandar aquele mail, que tinha logo a seguir mandado um pedido de desculpas, que estava muito cansada, que não era fácil organizar sosinha um jantar para mais de quatrocentas pessoas… Ainda levei uma descasca por cima, que não se organisava uma coisa dessas sosinha, que estava mal feito, yada, yada, yada…

Não, não a mandei à merda… vontade não me faltou, mas não mandei.
Não mandei porque de repente fiquei cheia de pena dela.
A dita senhora não pensou nítidamente um segundo em mim, queria ir ao jantar e era só o que interessava, salve-se quem puder…
E isso é triste pra caramba, não deve ter grandes amigos… deve ser uma pessoa muito infeliz. :(

O que me leva ao objectivo do meu post…
As pessoas tendêncialmente não pensam no próximo, a vida gira à volta do umbigo delas. Não páram por um segundo para pensar que se estão a fazer alguma coisa por nós devemos ter o respeito e a consideração de os ajudar na tarefa. Mas… what goes around, comes around…

A parte boa da coisa, no que me diz respeito, é que “at the end of the day” me acabo por esquecer de tudo isto e só fica o quentinho no coração provocado por aqueles que foram de facto uns gajos porreiros. ;)

"You must be the change you want to see in the world" Gandhi




Ass o











quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Os pré-Sentimentos

COM MÚSICA

Aqui à tempos uma psicóloga disse-me “Cristina, não se pré-ocupe tanto… ocupe-se. Vá lidando com as coisas conforme elas se lhe forem de facto deparando…”Recentemente dei-me conta de que é de facto impressionante a quantidade de emoções negativas por que passamos “inutilmente”.
Passamos a vida a projectar-nos para cenários que geramos nas nossas cabeças e que muitas vezes não condizem mínimamente com a realidade.
Por exemplo, quantas vezes não tivemos já sentimentos de cólera, revolta, ressentimento, sei lá eu, em relação a alguém, por “julgarmos” que essa pessoa disse, pensou, fez, alguma coisa?
Contam-nos qualquer coisa, interpretamos mal uma atitude e lá começamos nós a embandeirar em arco antes mesmo de nos apercebermos de que foi um mal entendido.
Mais tarde, depois de esclarecida a situação, sentimo-nos desgastados e completamente idiotas...
Ás vezes nem é preciso que achemos que alguém fez alguma coisa, partimos simplesmente do princípio que vai fazer…
Faz-me lembrar a anedocta do macacaco:
Um tipo tem um furo à noite, no meio do nada, e vê lá ao longe uma luz acesa numa casa. Decide ir até lá pedir um macaco emprestado. Pelo caminho começa a pensar... Porra, não me apetece nada ir incomodar as pessoas a esta hora. Bem, eles têm a luz acesa. Se calhar esqueceram-se e estão a dormir. Vou acorda-los. Se os acordo é uma chatice, ainda são capazes de acordar mal dispostos. Ainda desatinam comigo por estar a tocar à porta. Mas porra, estou no meio de nenhures e não tenho macaco, o que é que eles querem que faça? Também não é caso para ser desagradável, temos de ser uns para os outros... e vai andando nestes pensamentos, até que chega finalmente à casa, toca à campainha, atende uma velhinha amorosa e ele diz-lhe: Sabe que mais? Meta o macaco no cu!Outra típica é quando não nos apetece fazer alguma coisa… Ir a um jantar, a uma festa, ou mesmo trabalhar. Quantas vezes não estamos confortávelmente em casa e a ideia de levantar o cu do sofá nos provoca logo suspiros de sofrimento… Vai ser uma seca, não me apetece nada ir… não me apetece aturar fulano ou sicrano…
Depois, na maioria das vezes até acabamos por passar um bom bocado.
Em dez anos de aulas foram raras as vezes em que não suspirei vinte vezes antes de ir ter com um aluno… Contam-se no entanto pelos dedos de uma mão as vezes em que de facto apanhei seca a dar uma aula.Outra mania é a de sofrer por antecipação. Se sabemos que temos de enfrentar alguma coisa que nos assusta, antes mesmo de o fazermos já estamos a carpir e a angústiar-nos.
Ainda me lembro da noite que passei (quase toda ela acordada, ás voltas na cama) na vespera da minha primeira “viagem” de metro sosinha para o liceu. Apesar de ter feito várias vezes o caminho com a minha mãe, que me ia explicando “tudo” pelo caminho (dificílimo, ir da Av. de Roma para a Rotunda) tinha pânico de me enganar algures, de me perder… Inútil será dizer que a coisa se passou completamente “sem espinhas”.As referidas pré-ocupações são outro caso. A tendência é preocupamo-nos com tudo o que foge ao nosso controle. Alguém está atrasado, com certeza aconteceu alguma coisa… A criança está com febre, ai meu Deus e se é alguma coisa grave… Os medos para além de paralisarem, fazem-nos passar por montanhas russas de emoções negativas relativamente a coisas que na grande maioria das vezes nem chegam a acontecer.
Enfim, podia agora estar aqui a tarde toda a dar exemplos… A realidade é que poupavamos muitas rugas se nos limitássemos a uma atitude de acção/reacção.
Espeto um espinho no pé, uivo de dor… Mas não vale a pena ficar ansiosamente a olhar para a água da piscina antes de saltar a questionar-me se estará fria… lol
Se a nossa imaginação é uma ferramenta potêntíssima, que nos pode ajudar muito na vida, faz igualmente com que nos coloquemos em situações que muito possívelmente nunca virão a ser reais e a sofrer antecipadamente por elas.

Isto é controlável. É difícil, mas é controlável. Requer muito treino, muita consciência do problema e sobretudo muita persistência, mas chega-se lá.
Grão a grão enche a galinha o papo.
Talvez um dia já só nos incomodem as situações presentes e consigamos abstrair-nos das hipotéticas.




quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Eu falo, tu não falas, ele não fala...

COM MÚSICA

"A Cristina acha que consegue mudar as pessoas…”
Esta é uma afirmação recorrente com a qual o meu Tótó gosta de me taquiner … Costuma utiliza-la como introdução a pessoas que não me conhecem, em dias em que está com ganas de armar em arenque. O atestado de atrasada mental irrita-me de sobre maneira dado que estou perfeitamente consciente, e ele sabe disso, de que qualquer mudança tem de vir de dentro para fora. Apesar de obviamente receberem influências externas, as pessoas não são propriamente moldáveis como a plasticina e sem que se dê o já tão falado CLIC nada muda.

Confesso-me no entanto, sem qualquer dúvida, uma activista no que diz
respeito ás relações humanas e à procura da felicidade e do bem estar.
Este blog é a prova viva disso.
Na esmagadora maioria das vezes, eu acabo por dizer aquilo que os outros pensam. Pensam ou dizem… mas em geral não ás pessoas em questão.

Já dizia o Churchill: “Criticism may not be agreeable, but it is necessary. It fulfils the same function as pain in the human body. It calls attention to an unhealthy state of things.”

Hello, my name is Pain… Pain in the arse! lol

Acredito na interacção entre seres humanos, não sendo heremitas e já que temos de conviver, porque não tentar também entre ajudar-nos?
Acredito também na educação… tanto de crianças como de adultos… educação neste caso, no sentido de os levar a compreender que há regras básicas de convívio em sociedade que convém que se cumpram, para que possa haver harmonia, para que não se pisem calos. Afinal de contas muita gente se esquece frequentemente de que “a nossa liberdade acaba onde começa a dos outros”.

Há, na minha opinião, cada vez mais indivíduos sem qualquer tipo de respeito ou consideração pelo próximo.
Um exemplo flagrante disto são os convites… ou por outra, a falta de resposta aos mesmos.
É mato, hoje em dia, as pessoas só responderem quando têm intenções de aceitar. Se estão noutra nem sequer se dão ao trabalho… e lá ficamos nós indeterminadamente sem saber se vamos ser seis ou vinte para jantar ou quantos quartos vamos ter ocupados no fim de semana.

Tá mali!
E como tá mali, eu digo que tá mali… refilo, ralho, barafusto…
A maior parte das pessoas que conheço encolhe os ombros e desabafa com quem está por perto. Eu mando vir com a pessoa em questão.
Pode ser que para a proxima faça exactamente a mesma coisa… mas não há de ser por não ter percebido que incomoda.

O que acabei de referir é uma atitude de reacção a actos de terceiros, mas eu também abro a boca sem qualquer tipo de “provocação”… lol
Acredito que os próprios nem sempre consigam ter o recuo suficiente para ver as coisas com uma certa clareza. Se encostarmos o nariz ao papel, não conseguimos ler nada.
Por outro lado, o habito faz com que já nem nos dêmos conta de certas coisas. Há muita malta que já não se apercebe de que vive numa casa “olfáticamente decorada a mijo de gato” por exemplo… lol

Eu considero “de amigo”, alerta-las, tentar fazer-lhes ver o que toda a gente “comenta” mas não lhes diz na cara…


Não sou completamente idiota… não faço isto com qualquer um.
Não entro na escola do meu filho e digo “Ó dona Zulmira, com as suas trancas não devia usar mini saia, parece uma vaca… “ ou ao motorista do taxi “Olhe o senhor desculpe, mas se não passa a tomar banho mais frequentemente vai perder a clientela toda, está praqui um bedum que não se aguenta…”
Não… Por muito que possa ser verdade, apesar de tudo o meu dispositivo de auto censura ainda funciona.

Mas se gosto de alguém… If I really care… Sinto-me na obrigação de alertar as pessoas para situações que possam, na minha opinião, ser-lhes prejudiciais… E isto faz com que seja frequentemente o punching bag do povo… :(


Não é fácil ser-se eu… acreditem! lol

A realidade é que as pessoas não gostam de ouvir certas coisas, por muito que eventualmente até acabem por “dar razão”, directa ou indirectamente.
Daí o resto do povo ficar calado e preferir comentar “nas costas”, é sem dúvida muito mais fácil.
Chamam-lhe política de não interferência… eu chamo-lhe cobardia.
Não acho normal refilar-se com todos os nomes com os presentes por alguém estar atrasado e não lhe dizer nada quando chega, por exemplo.

O meu amigo que acho que é gay não se assumiu por eu ter falado sobre o assunto e é bem possível que tenham sido outros factores a levar “certa pessoa” a ter deixado de beber que nem uma esponja...
Não me teria no entanto sentido bem com a minha consciência se não lhes tivesse dado uma palavrinha sobre o assunto.

Em ambos os casos o resultado foi ter perdido um “leitor”… os dois ficaram nítidamente chateados comigo… Não gostaram que tivesse falado “publicamente” no assunto… A realidade é que considerei que eram casos que mereciam ser discutidos, que eram suficientemente importantes para se dissertar sobre eles.
“Mais valia teres escrito directamente o meu nome…” Disse-me um…
Pois… esquecem-se é de que quem os identificou já estava perfeitamente por dentro do assunto e quem não os conhece não tinha hipótese de saber quem eram…

Há quem ache que tem “um problema comigo” porque eu lhe digo umas quantas “verdades”… Tenho pena de não ter apoio… tenho pena que não haja mais malta como eu.
Se uma pessoa nos disser uma coisa que não nos agradada duvidamos. Se forem duas, se calhar já começamos a por em questão. Se forem três, é possível que se dê um clic…
Mas não… em geral acabo sempre por fazer o papel da má da fita.
Levo palmadinhas no ombro e oiço “apoiado” nos bastidores, mas quando chega o momento da verdade é a debandada geral, ninguém fica ao meu lado.

Que se lixe!
Enquanto achar que posso ajudar alguém com as minhas opiniões hei de continuar a distribui-las for free…
Crucifiquem-me!!! ;)