domingo, 11 de janeiro de 2009

No Happy Ending

COM MÚSICA

Morreu a minha gatinha…

Há três dias não voltou para casa do seu passeio, fiquei preocupada…
Ter gatos numa moradia não tem nada a ver com ter gatos num apartamento.
Tenho tido sempre gatos nos últimos 25 anos e nunca me preocupei tanto com eles como desde que me mudei.
Não é possível fechar um gato em casa numa moradia, logo estes agora vivem em liberdade, entram e saem quando querem, vão caçar, dar as suas voltinhas.

Os dois primeiros, que trouxe de Lisboa, desapareceram ao fim do primeiro mês, fugiram, julgo que possam ter tentado “voltar para casa”, os gatos são muito territoriais, não gostam de mudanças. Nunca mais os vi nem soube nada deles, apesar de ter feito tudo o que estava ao meu alcance…
Outra que tive a seguir foi morta com um tiro de pressão de ar. Veio morrer à nossa porta… Na zona há um senhor com muito mau feitio, daqueles que faz a vida negra à vizinhança… Tem um pombal… tem uma pressão de ar… dois e dois são quatro.


Gatos que andam à solta estão sujeitos a ser atropelados, roubados, a sofrer acidentes… Estou consciente de que os meus, desde que me mudei, estão constantemente em risco de não voltar para casa.
É, confesso, um pouco angustiante para mim…
Mas acho que é uma angústia saudável, se é que isso é possível, na medida em que a encaro como treino para quando o meu filho começar a voar para fora do ninho.
Imagino, só imagino, o que possam ser os primeiros tempos em que os nossos rebentos “vão para a noite”…
A realidade é que não os podemos ter sempre debaixo da nossa asa e um dia teremos de confrontar a dura realidade de que já não os podemos proteger, que irão passar por situações de potencial risco sem que estejamos ao lado.

É assim que encaro a liberdade dos meus gatos e cada vez tenho conseguido lidar melhor com ela, espero que se passe o mesmo quando chegar a altura do meu filho.
Acredito que estes gatos sejam mais felizes do que os que tinha em apartamento…
Todos os gatos que alguma vez tive foram tratados como reis, com tudo a que tinham direito, mimados, mas estes parecem mais em forma, mais serenos, mais dignos.
Digamos que sou ainda menos “dona” deles, são mais gato, mais felinos.
Se cá vivem é porque querem, porque me adoptaram (julgavam que tinha sido eu a adopta-los a eles?! Estam muito enganados, com os gatos não funciona assim. ), porque apreciam a minha companhia.
E evidentemente porque lhes dou de comer… lol


Não tenho portanto qualquer amargura quanto a estes desfechos… não sinto qualquer problema de consciência, não acho que devesse ter outra postura.
Estes gatos vivem uma vida perfeita, em que têm ocasião de ser gatos com G grande, daqueles que nos trazem lagartos e pássaros para dentro de casa, daqueles que sobem às árvores, que perseguem borboletas no jardim.
Ao mesmo tempo têm todas as mordomias do “gato caseiro".
Eles entram e saem quando querem… mas atenção, não são de todo “gatos de rua”… se está a chover, não querem… se está muito frio, não querem… se está próximo da hora de comer, não querem… e para dormir, é na caminha deles.


A gata que agora morreu, viveu portanto como uma gata feliz. ; )
Era uma gata fantástica…
Para começar, era a gata mais bonita que alguma vez tive.
Não que isso faça alguma diferença para mim… mas… se o maridinho carinhoso, atencioso, amoroso, puder ter a cara do Brad Pitt, a malta também não vai reclamar, não é verdade?!
Depois era dos gatos que tive, que mais laços criou comigo, era sem dúvida uma das minhas preferidas.
Esta é a parte boa dos gatos em relação aos filhos… não só uma pessoa pode perfeitamente ter favoritos, como pode afirma-lo em voz alta. lol
Esta, dos 14 gatos que já tive em toda a minha vida, estava sem qualquer sombra de dúvida no top 3.


Fiquei muito ansiosa quando desapareceu.
Disse para mim própria aquilo que costumo “vender” aos outros… “que a grande maioria das coisas de que temos medo não chega a acontecer…” e fui-me agarrando a essa.
Enviei um mail com uma foto dela aos vizinhos e pedi-lhes para ficarem atentos.
Dei uma volta pelo quarteirão à procura dela, de que hoje, sabendo o que sei, bem me arrependo pois ainda lhe estou a pagar o preço.
Levei estupidamente a minha cadela comigo, sem me lembrar de que estava com o cio. Quando cheguei à ponta da rua já ia com três cães atrás, com os respectivos focinhos enfiados no rabo dela.
Um deles, criaturinha tenaz, não largou a nossa porta durante mais de 24h e prendou-nos com várias mijas de marcação de território na porta da frente.



Não tive qualquer sucesso.
A gata não aparecia nem ninguém sabia nada dela.
Para além de estar triste, muito triste, saltava com qualquer barulhinho, ia ver se era ela, até já imaginava barulhos. Passava o tempo todo a pensar no que poderia fazer mais. Se haveria algum sítio onde não tivesse procurado, algum sítio onde pudesse estar presa.
As noites, como todos já devem ter vagamente reparado, não andam própriamente quentes… aqui têm andado ligeiramente negativas.
Imaginava a minha menina ao frio, a ter de se abrigar da chuva, potencialmente ferida. Imaginava muita coisa, que a imaginação é uma coisa muito fértil…


Isto é das piores coisas que me podem acontecer… não saber!!!
Sou, modéstia à parte, mas os que me conhecem sabem que é verdade, francamente boa a lidar com situações difíceis, dolorosas, tenho grande mestria dos meus sentimentos.
Mas sou PÉSSIMA a enfrentar o desconhecido…
Se pensarem bem, faz algum sentido… já viram algum filme de terror em que o bicho/serial killer/monstro/whatever é mostrado nitidamente ?!
O medo nos filmes de terror é nos induzido pela nossa imaginação que eles estimulam levantando muito vagamente a ponta do véu.


No dia seguinte organizámos uma equipa de salvamento…
O meu coração estava tão quentinho… nestas alturas se vê como são as pessoas e houve várias a dar apoio, algumas ao ponto de se deslocarem até cá.
Fizemos uma busca à gata… sempre com o rafeiroso horny atrás de mim…deve ter achado que já que não papava a filha podia tentar a sorte com a mãe. lol
E no primeiro sítio onde as crianças foram colocar um cartaz, uma velhota reconheceu a gata.
Tinha sido morta por cães…
A fantástica aventura da procura da gata, que 7 crianças levaram a peito, em que se empenharam, não acabou num Happy Ending. : (
Voltámos para casa desanimados, com uma coleira na mão…
No momento em que soube o que tinha acontecido caiu-me o coração aos pés.
Felizmente, e o acaso (ou talvez não…) tem destas coisas, tinha nesse momento à frente uma loura de olhos de corsa. Uma loura que há poucos meses perdeu o seu amor, e estava ali aflita comigo à procura da minha gata…
Nesse momento, tudo se relativizou… aquilo, afinal de contas, era SÓ uma gata.
Desde aí, quando volta a tristeza, penso nisso, penso noutra amiga que está a viver momentos verdadeiramente dramáticos e a aguentar-se que nem uma leoa, no rapaz que perdeu a filha, no tormento de uns primos este verão com o filho recém nascido vários meses entre a vida e a morte… e o meu coração repete “era só uma gata…”


E como sou uma rapariga das que botam a bola para a frente… já encomendei outra.
Outra da mesma raça, da mesma criadora, quem sabe irmã… estes gatos só me têm trazido alegrias. Morrem?! Nós também…
Um animal não poderá nunca ser substituído mas, o “pelo de um cão cura a dentada de outro cão”, rei morto, rei posto, nestes casos é a minha filosofia.
Acabei de ter um desgosto, não vou ficar a remoe-lo, não vou ficar a carpir numa de self pitty, agora tenho direito a uma alegria… e os que gostam de gatos sabem que não há maior alegria do que ter um gatinho bébé em casa. ; )


The show must go on! ; )


terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Quero, posso e mando...

COM MÚSICA

Viver não é fácil e requer aprendizagem.
Ao longo da vida somos confrontados com situações com as quais não é óbvio lidar e muito menos ainda se para elas não estivermos minimamente bem preparados.
A menos que sejamos eremitas, teremos de nos enquadrar numa sociedade, seja ela qual fôr, e viver segundo as suas regras.
Um bom relacionamento com “os outros” é portanto fundamental para o nosso próprio bem estar.
Acredito que o ser humano seja por natureza egoísta e egocêntrico, características que convém na minha opinião controlar, senão mesmo erradicar, se quisermos viver em paz de espírito.

Ora visto que ninguém nasce ensinado, é (também) para isso que servem os pais.
Tal como no reino animal, somos supostos proteger e alimentar os nossos filhotes mas igualmente ensina-los para que um dia possam seguir as suas vidas independentes.
Cada um faz o que pode e a mais não é obrigado, mas confesso que me aflige a maneira como, cada vez mais, os pais parecem alheados desta última função.
Não irei sequer mencionar os pais ausentes, seja por que razão fôr, porque aí então é que dava mesmo pano para mangas.
Fixando-me nos pais efectivos, activos, empenhados, “caring” (palavra para a qual nunca consegui encontrar tradução satisfatória para português e que acho faz tanta falta…) observo lacunas de bradar aos céus… e assusto-me.

Assusto-me por várias razões…
Para começar temo um dia não ter autocontrole suficiente para evitar mandar um monstrinho dessas produções pela janela…
Ok… agora a sério… lol
Assusto-me porque essas crianças, mal preparadas para a vida em sociedade, serão os adultos de amanhã. Pergunto-me que raio de sociedade será essa então. Como irá funcionar ou mesmo se irá funcionar.
Assusto-me porque não os vejo como sendo crianças felizes. Embora aparentemente tenham tudo para o serem, a realidade é que o que transparece constantemente é ansiedade, frustração, cólera, revolta, parecem permanentemente insatisfeitas, incapazes de aceitar serenamente as regras mais básicas,.

A coisa começa com a chamada “boa educação”… bom dia, boa noite, se faz favor, muito obrigado, são expressões que não pertencem ao seu vocabulário.
Como se costuma dizer, de pequenino se torce o pepino, e se os pais estão à espera que estas coisas lhes saiam espontaneamente da boca quando chegarem à idade adulta, estão a meu ver muito enganados.
O que é espantoso é que esses mesmos pais são frequentemente eles próprios extremamente educados, não é portanto por falta de conhecimento de causa.
Confessaram-me um dia, quando comentei o assunto, que não “obrigavam” os filhos a dizer essas coisas porque os pais os tinham obrigado a eles e eles odiavam ter de o fazer… Daaaaaah
Muitas das crianças de hoje em dia não pedem as coisas, exigem-nas. Não agradecem o que se lhes dá. Não cumprimentam quando chegam. Não se despedem quando partem. Não têm “modos” à mesa. Levantam-se a meio das refeições. Yada, yada, yada…

Por outro lado acho que o politicamente correcto está de tal forma a invadir a sociedade que as pessoas já têm medo de “reprimir” seja o que fôr, até as coisas que deveriam, a meu ver, ser efectivamente reprimidas, como sejam por exemplo os ataques de cólera, de egoísmo, de teimosia, de inveja… As criancinhas não podem ser “traumatizadas”, a utilização da autoridade parental é considerada uma violação da liberdade individual. Se os meninos querem fazer uma birra há que respeitar, estão no seu direito. Não sei onde foi parar “a minha liberdade acaba onde começa a dos outros”…

Já ouviram falar num par de galhetas? Empregues no devido momento nunca fizeram mal a ninguém e pelo menos em Portugal, felizmente, ainda não nos retiram os filhos só por causa disso. Mas isto sou eu a falar, que sou apologista da palmadinha no rabo quando necessário e a realidade é que desde que eles saibam que existe, em geral nem chega a ser preciso emprega-la, basta que paire por cima das suas cabecitas.
Até concebo no entanto que nunca se use, eu não soube empregar o método Gandhi e o meu filho levou umas quantas até perceber que o melhor era não fazer por leva-las. Hoje em dia basta-me abrir-lhe os olhos que faz o mesmo efeito. É o chamado reflexo de Pavlov… ; )

A utilização de “castigos”, pelo menos, parece-me inevitável… de alguma forma eles têm de aprender o que podem e não podem fazer, onde estão os limites.
Recordo-me de uma cena que aconteceu quando eu própria era ainda miúda.
O filho, de cerca de dois anos, de uns amigos da minha mãe deu uma dentada na bochecha do irmão de quatro que quase lha ia arrancando… O pai, furioso, pegou no miúdo e levou-o para o quarto. Da sala ouvi-mo-lo dizer “Agora ficas aqui, feio, estás de castigo!!!” Quando voltou o puto vinha atrás dele. Ao ver os nossos olhares de espanto o pai virou-se… “Eu não te disse que estavas de castigo?!”- “Mas eu não quélo…” E pronto, como a criancinha não quelia, o pai encolheu os ombros e continuou a andar.
Não chegando a este extremo, tantas vezes tenho assistido a atitudes do género, em que não há firmeza, em que os putos ficam de facto com a sensação que podem fazer o que querem.

Tenho a sensação de que se está a passar dos tempos em que os pais diziam não aos filhos, para uma época em que são os filhos a dizer não aos pais.
A vontade e os desejos deles parecem ás vezes ter mais peso do que o bom senso…
Parece que os pais autoritários e prepotentes foram substituídos por pais permissivos e condescendentes… venha o diabo e escolha.

A autoridade parental tem o seu propósito, parece-me importante que, pelo menos até atingirem uma certa independência, os filhos obedeçam aos pais, incondicionalmente, porque só assim os poderemos proteger.
Se uma criança se dirigir inconscientemente para a estrada é bom que à ordem dos pais “pára”, ela pare de facto, sob risco de ser atropelada. Nem sempre é possível agir fisicamente, se não houver autoridade não há “controlo remoto”.
Hoje em dia observo que isto cada vez menos acontece, os putos estão-se nas tintas para as “ordens” que se lhes dá.

Notem que não sou de todo defensora dos pais tiranos do antigamente. Não subscrevo o “sim, porque sim , o não, porque não” em todas as situações. Sou apologista da explicação das coisas. Mas tudo isto com os devidos limites.
A realidade é que acho que as crianças não podem ter sempre a sua palavra a dizer. Ás vezes as coisas devem ser como nós dizemos porque é o que faz sentido.

Se a infância é tempo de brincadeiras, de inconsciência, de desenvolvimento, de aprendizagem… é também quando se criam os alicerces para a idade adulta. Se uma construção tiver fundações defeituosas arrisca-se a desmoronar. Como pais temos, na minha opinião, a obrigação de encaminhar essa fase tão importante.

As crianças precisam de guias, de estrutura, de sentir que alguém está de facto “in charge”, sob pena de se sentirem inseguras.
Os pais são o comandante do barco, aqueles que supostamente sabem o que estão a fazer, que impedem que este ande à deriva e em quem os grumetes confiam para resolver as situações. Se a sua autoridade é constantemente posta em causa nada funciona.

É duro ás vezes educar uma criança. As regras que lhes impomos, os castigos que lhes aplicamos, custam-nos ás vezes mais a nós do que a eles. Eles sofrem pontualmente com isso e não há pior para um pai do que ver um filho a sofrer. Mas esse sofrimento não é gratuito, é um investimento no futuro, serve um propósito e é isso que nos deve motivar.

Por outro lado não somos infalíveis. Vamos com certeza errar muitas vezes. O que funciona com uma criança pode não funcionar com outra. As nossas teorias nem sempre são possíveis de pôr em prática. É tudo uma questão de experimentação. Ás vezes é possível recuperar a merda que se fez, outras é mais difícil. Mas o que acho de facto importante é que se tenha a consciência tranquila de ter tentado de facto cumprir com o nosso papel.


terça-feira, 30 de dezembro de 2008

2008

COM MÚSICA

Tudo se queixa, minha gente, de que 2008 foi um ano muito mau.
Foi sem dúvida duro em muitos aspectos… trouxe dificuldades, angústias, tristezas até… mas no que me diz respeito, em termos humanos, não podia ter sido mais enriquecedor.

Em 2008 nasceu “o Monstro”…

Este tem provocado em mim uma cascata de emoções fortes, quentes e boas (assim cumás castanhas, sei lá) … que mais se pode pedir num só ano?!

Reencontrei pessoas de quem nada sabia há muitos anos.
Conheci gente que veio, sem qualquer sombra de dúvida, trazer um valor acrescentado à minha vida.
Confirmei que “a união faz a força” e que juntos podemos mover montanhas.
Mas sobretudo descobri que anda muito boa gente “por aí”…
Este ano acabou por ser para mim uma ode à amizade!!!

Em 2008 “ganhei” um grande amigo… (saiu-me numa rifa… lol)
Sim, eu sei que as amizades vão crescendo com o tempo, que não é em poucos meses que nos podemos considerar “amigos” de alguém… mas neste caso estou disposta a correr o risco da afirmação.
A empatia que sentimos não pode ser uma ilusão, seria demasiado triste e recuso-me sequer a considerar a hipótese.
Em pouco tempo criámos laços que não tenho com pessoas que conheço de toda a vida.
Apesar de só ainda termos estado juntos três vezes, desde a primeira que ambos nos sentimos como se tivessemos reencontrado um velho amigo. Noutras vidas?! Talvez…
Há uma entrega de parte a parte, um partilhar de ideias, de emoções, de histórias de vida, que muitas vezes só se consegue atingir ao fim de muitos e longos anos.
Estou certa de que muitos teremos juntos pela frente…

Em 2008 posso ter recuperado um amigo… (este fui buscar aos reciclados… ;)
De repente, de dentro da pança do monstro, saiu uma pessoa de quem não sabia nada há cerca de vinte e sete anos.
Tivemos uma relação forte e intensa na adolescência, durante cerca de um ano, e depois perdemos totalmente o contacto.
Na altura em que nos dávamos tivemos sem qualquer sombra de dúvida uma relação priveligiada em que tudo partilhávamos, tudo discutiamos, tudo descobriamos juntos…
Vá-se lá saber o que aconteceu para provocar o afastamento, pois não me lembro de nunca nos termos zangado, mas a realidade é que foi um corte radical.
Então não é que ao fim de tanto tempo nos reencontramos e parece que o tempo estagnou?!
Não só sentimos o mesmo à vontade que tinhamos, como descobrimos novos pontos de interesse em comum, uma maneira de ser perante a vida muito semelhante, agora com marido/mulher/filhos…
Eu diria que há aqui potencial.

Em 2008 consolidei uma nova amizade com um “conhecimento” antigo… (esta esteve sempre escondida no sótão…)
De repente dei por mim a apreciar uma companhia feminina (vá, não sejam assim… mentes depravadas…lol), a ter uma amiga, coisa que não me acontecia há muito tempo.
Não chegou através de ninguém, não começou por ser namorada de um amigo, veio sozinha e instalou-se.
Confesso que gajas nunca foi o meu forte… sou mais dada a malta que mija de pé… mas está-me a saber tão bem…
Há cumplicidade, apoio mútuo, convergência de ideias.
O passado que temos em comum, embora em separado visto que nunca nos demos, juntou-nos e some how mantém-nos unidas.
Estamos lá uma para a outra como se fossemos as amigas de infância que nunca fomos.
Em pitas éramos quase “rivais”, cada vez mais somos unha com carne.

Em 2008 entusiasmei-me com outras pessoas… envolvi-me… entreguei-me…
Pessoas mais velhas, pessoas mais novas, mijas em pé e mijas sentadas.
Divertem-me, emocionam-me, enternecem-me, fascinam-me.
Só constam desta pequena vala comum, versus os destaques acima, por serem relações menos definidas, não são por tanto menos intensas ou menos verdadeiras…
É malta que anda mais em bando (“parecem bandos de pardais à solta…”) o tempo nos dirá onde irão parar as relações de um para um.
Mas várias sementes foram plantadas, sementes estranhas visto que têm pernas para andar.

Em 2008 uni-me com outros para ajudar o próximo… e conseguimos.
Conseguimos estender a mão e abraçar várias causas.
Juntos fizemos a diferença, juntos levámos a água aos nossos moínhos.
Descobri que há muito boa gente, gente empenhada em minimizar o sofrimento alheio, em distribuir alegria por quem mais dela carece.
E o rio continua a correr e mais causas há de haver, e cá estaremos nós para acorrer…

Em 2008 descobri que um coração dá para muita gente… e que quem é de facto amigo compreende que há lugar para todos.
Descobri que consigo ser mãe, mulher, amiga… sem que ninguém fique lesado.
Descobri que os que me rodeiam aceitam essa partilha, não disputam egoísticamente o meu amor e isso traz-me paz, serenidade.

Em 2008 confirmei que as amizades são dos bens mais valiosos que podemos ter… ; )



"A friend is a gift you give yourself..."

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Não gosto do Natal

COM MÚSICA

Eu não gosto do Natal…
Quando aparecem as decorações natalícias na rua começo logo a ficar meio deprimida.
Quando passa a época suspiro de alívio.


Não gosto do Natal porque acho que que é uma época em que as pessoas concentram aquilo que deveriam fazer todo o ano, ao longo do ano, afinal de contas “Natal é quando um homem quer…” uma época estúpidamente dispendiosa… cansativa… e em muitos casos até hipócrita.

Adoro oferecer presentes, não sei mesmo se não gosto mais de os oferecer do que de os receber…
Agora digam-me que raio de presentes é que uma pessoa consegue oferecer quando tem de oferecer “mil” ao mesmo tempo?!
Que cabeça é que tem para escolher a prenda certa para cada um?
Que raio de prendas é que se consegue comprar com a meia dúzia de tostões que se pode gastar em cada?
E mesmo assim, por muito barato que se compre, acaba sempre por ser uma verdadeira fortuna…

Depois há os jantares e os almoços e os jantares…
“O Natal” já não existe… existem “os Natais”… o Natal do emprego, o Natal dos amigos, o Natal da família do pai, da mãe, da sogra, da tia, da prima, do raio que parta todos estes natais…
Come-se que nem uns alarves, coisas levezinhas, claro está… queria-se beber (para esquecer) mas não se pode porque se tem de conduzir para o próximo natal ou para um breve e merecido repouso antes do Natal seguinte.

Tem eventualmente de se confraternizar com pessoas com quem não apetece obrigatoriamente fazê-lo. Havia de ser bonito dizer “este ano não me apetece…” caía o Carmo e a Trindade e era pior a emenda do que o soneto… ficávamos o resto do ano, o resto da vida sei lá, a comer com a história do Natal… Então lá vamos nós, de sorriso amarelo, fazer o nosso papel nesta fantochada toda…

A caridade, a solidariedade… aham… pois, é no Natal… porque os meninos famintos só comem no Natal, só se vestem no Natal, só brincam no Natal…
No Natal está sempre tudo muito sensível a causas… então e o resto do ano, caraças?!
Não há malta a quem estender a mão no resto do ano?


Enfim… podia agora estar aqui mais meia hora a cascar no Natal… mas como devem supôr não era esse o objectivo do meu post…
A realidade é que tenho como lema “se não pode vencer o inimigo junte-se a ele”…
Por muito que gostasse francamente de o fazer, não posso decretar que a partir de agora deixa de haver Natal… não posso dizer que não dou prendas (pelo menos a toda a gente… lol), não posso retirar as decorações de Natal das ruas, nem mandar à fava quem me desejar as Boas Festas.

Ajunto-me então… ; )
Trato das prendinhas a tempo e horas para não ter demasiado stress.
Tanto a minha casa como o nosso sitezinho estão decorados a rigor, como manda a tradição, com arvore, luzinhas a piscar por todo o lado, cantilenas, bonecos de neve e renas…
Todos os anos perco horas a fazer montagens para o postalinho de Boas Festas.
O meu filhote teve direito à aldrabice da história do pai natal até me olhar como se fosse parva e todos os anos tem um calendário do avento que abrimos os dois ansiosamente a ver qual a figura do chocolatinho do dia.
Se fôr preciso, na distribuição das prendas até ponho um boné vermelho e digo HoHoHo…

Christmas Graphics

E sabem que mais?!
Sinto-me muito melhor assim… continuo a não gostar do Natal… continuo a achar que não faz sentido… mas é tão menos penoso deixar-se levar do que lutar quando não há mesmo nada a fazer… ;)

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Mezinhas

No último post falei em sintomas… o que não disse é que, tal como nas outras doenças, os sintomas não se apanham assim sem mais nem menos.
É sempre necessário fazer alguma coisa por isso…
Pode ser andar ao frio, praticar sexo sem preservativo ou ter uma atitude de vida positiva… mas nada acontece sem razão. ; )

Vou então partilhar convosco algumas das mezinhas que utilizo por forma a apanhar os tais sintomas…

Começa logo de manhã… como já mencionei num post anterior, todos os dias acordo cerca de dez minutos mais cedo do que seria necessário, para que o meu filho não tenha de se levantar a correr.
Meto-me na cama dele e ficamos ali aquele tempo na ronha …
Há dias em que falamos, outros ficamos calados, enrolados um no outro, a desejar ainda poder dormir mais uns minutos, mas já totalmente acordados.
Umas vezes coço-lhe as costas (com indicações extremamente precisas “agora para cima, agora para baixo”) outras dou-lhe festinhas, espreguiçamo-nos… enfim…
Comecei a fazê-lo por causa dele e só o faço quando cá está, mas confesso que hoje em dia já me faz falta.
Começar bem o dia é importante e aquela transição entre o sono e o enfrentar os afazeres diários, que nem gato que se espreguiça ao sol, traz alento.

Depois, quando vou para qualquer lado, sempre que possível escolho o itinerário mais agradável.
Já que temos de fazer as coisas que ao menos nos proporcionem prazer, não é verdade?
Por exemplo, há dias em que tenho de ir para Lisboa, depois de ir levar o bichinho à escola, ou seja por volta das nove, que é como quem diz à hora de ponta.
Já percebi que chego sensivelmente à mesma hora, vá por onde fôr.
Escolho portanto evidentemente a Marginal… bicha por bicha, sempre é mais simpático.
Vou a ouvir o programa da manhã da Comercial, com aqueles três anormais que regularmente me põem a rir a bandeiras despregadas sozinha no carro, rezando para que os outros condutores tenham a mesma rádio sintonizada e não julguem que perdi algum parafuso.
Vejo o mar, as praias quase ainda sem pegadas, os velhotes a fazer jogging em grupos, as pessoas a passear os cães… e vou-me entretendo.
A viagem passa num instante.

Se por acaso estou triste choro… choro imenso… escorrem-me lágrimas pela cara abaixo.
Em geral costumo chorar sozinha, em público tenho alguma dificuldade, mas não tenho qualquer problema, se fôr caso disso, em chorar à frente de uma plateia reduzida… lol
Durante uns minutos autorizo-me a sentir-me a pessoa mais infeliz do mundo, tenho imensa pena de mim própria.
Depois limpo o ranho à manga da camisola, não tenho qualquer problema com o rimel porque não uso, levanto a cabeça e sigo viagem.
Mas só o facto de deitar o peso cá para fora já ajuda. Estou convencida de que o “azul” do coração sai com as lágrimas.

Costuma dizer-se “com o mal dos outros posso eu bem…”
Pois eu acho que são as pessoas um tiquinho egocêntricas que dizem isso… aquelas pessoas cujos males são sempre piores do que os males alheios… que gostam de fazer concursos de desgraças, como quem compara cicatrizes.
Eu, o mal dos outros ajuda-me imenso.
Vou-vos confessar uma coisa… ultimamente tenho andado meia nhónhó… a vida é como os interruptores e o meu tem andado meio para baixo… Têm-me caído em cima (ao mesmo tempo, claro está… “when it rains, it pours…”) uma série de chatices, umas mais graves do que as outras, que não matando me vão moendo bastante…
Hoje soube que morreu há dias a única filha de um membro do nosso “monstrinho”… uma menina de um ano e tal… ao que parece morreu durante a sesta.
Que direito tenho eu de me lamentar da minha vida?!
Todos estão saudáveis á minha volta, o meu filho está feliz a dormir na sua caminha…
Com que lata é que me posso queixar das minhas mazelas, se pensar por um segundo que seja no tormento, na dor atroz, que devem estar a sentir todos os membros daquela família?!

Sou no entanto adepta ferranha do “PartisteS uma perna?! Olha, ainda bem que não partisteS as duas…”
Não é espectável passar pela vida sem problemas, sem preocupações, sem chatices, sem dôr… e a realidade é que, embora ás vezes possa parecer que não, as coisas podem sempre piorar…
Uma pessoa ter presente esse facto e agradecer que as coisas se passem SÓ como se estão a passar, ajuda imenso, relativiza as coisas.
Por exemplo, a vaca da minha cadela hoje decidiu mijar na minha cama… leram bem… em cima da minha cama (eu disse que estava a passar por um período difícil… na semana passada teve parasitas…) em cima do meu edredon.
Ora a única coisa em que conseguia pensar, enquanto tentava desesperadamente enfiar o mesmo dentro da maquina aos pontapés, era “olha se ela tem decidido fazer a gracinha logo à noite enquanto estivesse a lavar os dentes… ao menos assim tenho tempo de lavar e secar esta merda…”

Tento ter sempre presente que, embora me possam afectar, as coisas não me são sempre obrigatoriamente dirigidas…
Se bem que no exemplo acima não consiga encontrar nenhuma razão para que não seja “personal”, a kabra fe-lo de propósito para me chatear, resta só saber porquê.
A realidade é que muitas vezes “levamos com os outros” mas o “problema deles” não é nada connosco. A maior parte das vezes é aliás com eles próprios.
Há tempos tive um problema lá no site (isto começa a soar como a “lá na terra”… lol) com um senhor doutor juiz que não queria obedecer ás regras. Deixou umas mensagens muito desagradáveis na minha página e iniciou-se aquilo a que chamámos “o caso do homem da boina”.
Ora não sei com o que é que o dito senhor está tão zangado, mas comigo não é com certeza porque nem o conheço e nunca lhe fiz mal… Na troca de mensagens com ele fui sempre correcta e bem educada e não fiz nada que justificasse a atitude que teve.
Limitei-me portanto a pensar “ mas ca ganda cretino!!!” (não… e eu sou santa por acaso?! Até lhe devo ter “chamado” mais nomes) agi conforme a minha consciência e o caso não me afectou minimamente.
Tive mais dores de cabeça a tentar engendrar como é que ia resolver a situação de quebra de regras do que a lamentar-me dos seus “billets doux”.


Outra coisa que tem feito bastante diferença na minha vida é o auto-controle.
Dantes costumava “disparar primeiro e fazer as perguntas depois”…
A chatice é que depois, ás vezes já só há cacos no chão.
De cada vez que me deparava com uma situação que me chateava, disparava a torto e a direito sem sequer me perguntar se tinha razão.
Estou a ser um bocadinho aldrabona agora, porque estou a falar no passado e ainda faço isso de vez em quando… então quando entro em PMS… Uiiiiiii!!! Saiam da frente…
A realidade é que a coisa já está muitíssimo mais controlada.
Isto evita-me inclusivamente a confrontação com situações embaraçosas, como quando atirava alguma coisa à cara de alguém (não se preocupem, em geral é aos da casa…) e se chegava à conclusão de que afinal até tinha sido eu a meter a pata na poça.
Aaaaarrrgggg é muito difícil de engolir…
Assim começo só por pôr as orelhas para trás e só mordo se fôr preciso.

Também ajuda a consciência de que a “minha verdade” não é uma verdade universal…
Por muito que não esteja de acordo com certas coisas não quer dizer que elas estejam “erradas”, é simplesmente uma forma diferente de encarar a vida.
Não consigo deixar de tentar compreender os outros, mesmo que acabe por não o fazer.
O caso mais flagrante é o do meu lançador de santolas, que faz coisas que não passam pela cabeça de um tinhoso, mas que, tenho de reconhecer, até parece estar a dar-se bem com elas.
Gozo, critico, gesticulo mas quem sou eu para lhe passar um atestado de não saber viver?!
Ás vezes simplesmente não vale a pena puxarmos a brasa á nossa sardinha, as pessoas são simplesmente diferentes umas das outras, com várias maneiras de encarar a vida e o mundo.

O pedir desculpa também é importante.
Não me venham com coisas, a maior parte das vezes sabemos muito bem que metemos o pé na argola.
Acreditem que não magoo ou ofendo os outros de propósito, mas faço-o como qualquer um de vocês. Errar é humano.
O que não acho normal é tentar constantemente encontrar justificações para os nossos erros.
Há que aceita-los e pedir desculpa a quem de direito para poder seguir viagem, senão iremos sempre andar com essa pedra a incomodar dentro do sapato.

Quando não posso resolver os problemas proíbo-me de pensar neles.
Por exemplo, se estou com chatices que só podem ser resolvidas a horas de expediente, à noite bloqueio-lhes o pensamento.
Ao fim de semana, sempre que possível, tento não resolver nada, aqueles dois dias são importantes para recarregar baterias, para ter “quality time” com a família e os amigos.
Como dizia a Scarlett O’Hara “I’ll think about it tomorow”…
E acreditem que não é protelar as coisas, é simplesmente forçar uma folga para poder tomar recuo e vê-las com mais nitidez.

Finalmente, quando me vou deitar, obrigo-me a só ter pensamentos agradáveis… ás vezes não é fácil, outras vezes é impossível, mas a maior parte delas é perfeitamente fazível…
Afinal de contas ainda temos algum controle sobre o nosso cérebro.
Mal poiso a cabeça na almofada, escolho um tema… pode ser um sonho que tenha e que desenvolvo, uma recordação que decido reviver, um acontecimento próximo por que anseio…
Até adormecer divago em pensamentos que me fazem sentir bem.
Sonho muito pouco, que é como quem diz lembro-me muito poucas vezes dos sonhos, mas a realidade é que não me lembro do último pesadelo que tive e as minhas noites são pacíficas e repousantes.

Mais mezinhas haverá, mas por enquanto fiquem-se com estas que a noite já vai longa e este post então nem se fala… ; )



terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Felicidade Sintomas



A felicidade, tal como outras doenças, não é aparentemente fácil de diagnosticar. ; )
Já pensaram que se calhar até são felizes e ainda não deram por isso?!
Tenham cuidado porque não acontece só aos outros, se calhar já apanharam felicidade e não sabem…

Deixo então aqui uma lista de sintomas, se tiverem todos (ou mesmo só alguns deles) aconselho-os a ir rapidamente a um felizologista para que confirme o diagnóstico:

1) Acreditar que existe, que não é daquelas coisas sobre a qual toda a gente fala mas que ninguém conhece de facto. Que não é uma coisa utópica, que só existe em teoria e não pode ser vivenciada.

2) Saber que a felicidade não é um objectivo, não é uma meta… como se a corrida acabasse lá. Ou se é ou não se é, a “procura” da felicidade não existe, existe sim a sua consciência…

3) Saber que ser feliz e estar feliz são duas coisas completamente diferentes. Que a vida nos vai obrigatoriamente trazer desgostos, tristezas, problemas para resolver… episódios, ou mesmo fases, menos agradáveis de viver… mais dolorosos física ou psicologicamente… e que nessas alturas não vamos estar felizes.

4) Nessas alturas ter a noção de que por muito difícil que esteja a ser, por muito duro, é só uma fase, de que tudo irá acabar bem, acaba sempre bem. “Everything will be ok at the end. If it’s not ok, then it’s not the end”… Ou, como dizia o dono do teatro do Shakespear in love, “Tudo se á de resolver… Como?!... Não sei, é um mistério…”

5) Ter a noção de que a felicidade não é condicional. De que mais facilmente encontraremos o homem ou mulher da nossa vida, a casa de sonho ou o emprego que nos fará sentir realizados se formos felizes, do que seremos felizes se os encontrarmos. Não existe “vou ser feliz quando”… isso é como o pote de ouro por baixo do Arco Íris.

6) Mais frequentemente “agradecer-se” as coisas boas que se tem, do que lamentar-se das que não se tem. Mais facilmente se gabar do bom, do que se queixar do mau. Ao fazer uma lista mental da nossa vida encontrar-se mais coisas boas do que más, mais coisas agradáveis do que desagradáveis, mais coisas gratificantes do que negativas.

7) Retirar genuíno prazer das pequenas coisas da vida… dormir, comer, euh… pois, isso também… lol… lagartar ao sol, ver um gato a brincar, conviver com os amigos, ver um filho a crescer… Conseguir continuar a retirar prazer de actos do quotidiano, daquelas coisas que se fazem e refazem vezes sem conta.

8) Viver em paz de espírito, em coerência… não passar a vida numa luta constante entre actos e pensamentos. Pôr em pratica as suas ideias, os seus princípios, as suas crenças e viver segundo essas “leis”, estando no entanto conscientes de que somos todos diferentes e de que a nossa verdade não é uma verdade universal…

9) Sentir-se amado, acarinhado. Sentir que no nosso círculo somos uma presença agradável, amigável, que os outros apreciam geralmente da nossa companhia. Saber que temos amigos com quem podemos contar, pessoas que não têm qualquer tipo de obrigação para connosco, que nos escolheram para seus amigos e que estão lá, para o que der e vier, assim como nós estaremos lá para elas.

10) Finalmente, the last but not the least… Gostar de si próprio, ter auto-estima, amor próprio, um bom ego… Sentir que se merece ser feliz. Gostar do que se vê ao espelho, para além dos pontos negros ou das rugas. Ser o nosso fã número um e tentar fazer sempre por não o decepcionarmos.

Não sei se a felicidade tem cura… é possível que sim… é possível que um grande drama consiga eliminar estes sintomas… não sei o que lhes acontece quando se perde um filho, quando se fica cego … sei no entanto que alguns, mesmo assim conseguem continuar a ser felizes… está visto, está provado, eles andem aí.

Agora vejam lá, se tiverem a maior parte destes sintomas, com que cara de pau é que dizem que não sabem se são felizes… tenham lá cuidado não andem praí a pegar felicidade ás pessoas, espera-se que seja contagioso…

E agora vá… todos a fazer figura de parvos comigo…
“If you’re happy and you know it clap your hands!!!”

COM MÚSICA


terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Change we can believe in

COM MÚSICA

As pessoas hoje em dia olham para mim como se fosse um bicho estranho… (ou uma aldrabona… lol).
É no entanto uma realidade (e a mais pura das verdades) que levo a vida com serenidade, com paz de espírito, que me sinto bem comigo e com os outros e que me considero uma pessoa profundamente feliz.

Ser feliz não quer dizer “limpar a merda do cão nauseabundo de sorriso nos lábios”...
Uma pessoa feliz não está sempre bem.
Pode estar triste, stressada, doente, cansada… podia agora dissertar sobre o assunto mas prefiro fazê-lo noutro post… mas não deixa por isso de ter a perfeita noção e sem qualquer sombra de dúvida de que É feliz.

As pessoas felizes não têm vergonha ou pudor de se afirmarem felizes.
Simplesmente porque querem mais é que os outros o sejam também e para tal é bom que acreditem na felicidade, como sendo uma coisa real, “atingível” e não como uma qualquer utopia.

Eu nem sempre fui feliz… Digo isto porque é importante para mim, que aqueles que me consideram um bicho estranho (quero que os que acham que sou uma aldrabona vão apanhar onde apanham as galinhas… aliás, acho que esses nem devem vir cá ler-me… hehe) percebam que isto não é uma coisa genética… Uma pessoa não nasce já com o gene da felicidade!!! Qualquer um pode lá chegar. Amigo! Alista-te!!! ;)

lol

Quando eu nasci…
Têm tempo? Senão se calhar o melhor é voltarem noutra altura.
Ahah… brincadeirinha!!!
A sério!!! Vai ser breve e indolor…
Vou usar todo o meu (pouco) poder de síntese…
Bem…
Como eu dizia… quando nasci, fui primeira a filha e a primeira neta dos dois lados.
Apesar de ser um bicho muito feio, era a única e fui mimada e apaparicada por tudo quanto era gente à minha volta.
Fizeram-me acreditar que era o centro do universo, que tudo me era devido. Era uma daquelas crianças que quando me aparecem à frente me dá logo vontade de lhes dar com um pano encharcado na tromba…
Vivia no entanto uma eterna insatisfacção, era mimada… lembro-me por exemplo de pegar numa tesoura e cortar um vestido de boneca todo aos bocadinhos porque não estava a conseguir cozer-lhe um botão.

Foi a minha fase “I’m the king of the Word!!!”


Depois os meus pais separaram-se, civilizadíssimamente e mantiveram-se muito amigos até à morte do meu pai.
O problema foi outro… os respectivos. Tanto de um lado como do outro grandes problemas, pessoas infantis, inseguras, egoístas, que nos trataram mal.
Não, não se pode sequer considerar a palavra “violência”… nem física nem psicológica, não estamos na Oprah pessoal, se querem ver sangue vão ter de procurar noutro lado.
Mas… trataram-nos de facto mal. Não gostaram de nós, não nos aceitaram a não ser como “um mal necessário” para poderem estar com “o outro” (neste caso o nosso pai e mãe), não tiveram nem respeito nem consideração por nós. Para mim isto é tratar mal…
Passada a minha fase de menina mimada (sim, porque passou ó caraças!!!) passei por uma fase de revolta, em que vivia numa angústia e ansiedade constantes porque me recusava a aceitar ser tratada dessa maneira, queria ser tratada como gente…
O resultado era um serzinho extremamente agressivo, sempre de garras de fora pronta a atacar ao mínimo sinal de alerta. Foi uma fase extremamente difícil e dolorosa.

Foi a minha fase “Que mal fiz eu a Deus para merecer isto?”


Depois de passar de “centro do universo” para “mal necessário”, como poderão compreender, tive uma adolescência digamos que um pouco conturbada…
Achava típicamente que não valia nada, que ninguém gostava de mim, que os meus amigos não eram mesmo amigos, que ninguém me convidava para nada, que era gorda… yada yada yada…
A minha auto-estima desceu a tal ponto que, com quatorze anos, fiz uma tentiva de suicídio. Notem que não disse “uma chamada de atenção”, quando faço uma coisa faço-a como deve de ser… (bem, pelos vistos nem por isso… lol) Deu direito a umas horas em coma, uma semana de internamento, meses em casa, psicólogos e a maior das dificuldades em enfrentar de novo fosse quem fosse , acima de tudo os meus pais.
Foram provávelmente os tempos mais negros de toda a minha vida em que tive de compreender o que é que isso queria dizer “a minha vida”…
Tive de enfrentar os sentimentos de culpa mais pesados que possam imaginar… eu tentei assassinar a filha de alguém, imaginam como esse alguém se possa sentir com isso?!
Foi uma altura em que não conseguia compreender porquê que o sol brilhava…

Foi a minha fase “Adeus mundo cruel!”


Aos dezenove anos decidi ir viver com o meu professor de filosofia, quinze anos mais velho do que eu e com um filho de doze, em vez de ir estudar para Londres como estava previsto.
Era professor, prestigiado encenador do grupo de teatro, carismático, admirado, amado, cobiçado… tinha de “consegui-lo”… Já era sabido que “andava” com ex-alunas… já tinha “tido” várias…
Para mal dos meus pecados consegui.
Fui profundamente infeliz durante três anos e meio e o suplício só acabou porque ele morreu, senão sabe-se lá quantos mais anos teria durado.
Não, não o assassinei… ; )
Foi uma relação de uma violência psicológica passiva sem nome.
Não me apoiava em nada, tinha mil amantes que pavoneava constantemente à frente do meu nariz como se eu fosse parva, manipulava-me completamente, mais uma vez não tinha o mínimo respeito ou consideração por mim.
Em dois anos perdi 17 kilos!!! Fiz check ups, consultei médicos, não havia qualquer razão aparente para isso. Passei de 56 kgs para 39!!! Imaginam uma rapariga de vinte e um anos com 39 kgs?! Anorética, sim… Só que não comia para ir vomitar, nem nada que se parecesse, levava uma vida aparentemente normal… não podia era dormir de barriga para baixo porque queimava os ossos das ancas nos lençois…
Tive nessa altura os meus primeiros (e útlimos) ataques de ansiedade, faltava-me o ar, o coração disparava e ficava totalmente convencida de que, apesar de não saber porquê, ia morrer nos próximos minutos.

Foi a minha fase “Tirem-me daqui que eu não sou deste filme…”


Uns anos depois conheci aquele que foi o meu marido e a minha maior paixão.
Apareceu-me como o cavaleiro andante que me iria salvar da vida porca e miserável que levava há tantos anos. A relação era toda ela coração, toda ela conto de fadas, toda ela “happily ever after”…
Abdiquei totalmente do meu lado racional para me dedicar a ela.
Dizem que o amor é cego… subscrevo completamente. O coração palpitava de tal maneira que abafava as palavras do cérebro.
Não vi o óbvio… que nunca iria dar certo… que éramos demasiado diferentes.
Ele apaixonou-se por um tigre mas depois quis um gato… o tigre era demasiado assustador em todos os sentidos… e eu não pude encolher.
Mas tentei, tentei com todas as minhas forças… tentei rugir baixinho para que mais parecesse um miado, tentei fazer-me pequenina, tentei pôr as garras para dentro.
Mas por muito que tenha tentado não consegui ser o que precisaria de ser para que resultasse.

Foi a minha fase “Amor e uma cabana.”


Durante todo este tempo fui uma pessoa irrascível, intolerante, injusta ás vezes… Fiz passar as passas do algarve aos meus amigos, namorados, familiares. Tinha terríveis ataques de mau génio que faziam tremer quem estivesse por perto. Amuava. Ficava ofendida. Queixava-me constantemente de tudo e de todos. Enfim…

Até que um dia… há não muito tempo… deu-se um clic ... fez-se luz.
Não sei o que aconteceu, não sei como foi… mas percebi tudo.
De repente tudo fazia sentido.
Comecei aos poucos a tentar arrancar as ervas daninhas que ia identificando no meu jardim… foi difícil, não estava na minha natureza, mas forcei-me a isso e continuo a forçar-me diariamente (sim, porque ainda há muitas para arrancar… e estão constantemente a nascer novas…) e dei-me conta de que era feliz assim.
Dei-me conta de que o que dou à vida recebo de volta… e como “quem semeia ventos, colhe tempestades” tento semear coisas mais agradáveis. É só isso o truque…

É a minha fase "Sou uma babaca... ;) "


Yes we can! ; )

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Cães e Gatos

COM MÚSICA


“Ó mãe, gostas mais de cães ou de gatos? Eu gosto mais de gatos… em vez de berrarem ão, dizem miau baixinho…”

Eu também gosto mais de gatos… gosto mais de gatos porque me identifico mais com eles. Não me entendam mal, adoro cães também… mas sinto definitivamente muito mais admiração e respeito pela raça felina…
Não são melhores, nem piores, são diferentes (como dizia a minha professora de História da Arte…).


A realidade é que chego à conclusão que as pessoas também têm tendencialmente mais feitio de cão ou de gato…
E os que têm feitio de cão provavelmente nunca hão de compreender os outros… e vice-versa.


Os gatos têm sido apelidados de ingratos, de falsos, de traiçoeiros, acusados de não interagirem, de não se afeiçoarem ás pessoas… quem diz isto nitidamente nunca conviveu com um gato.
Ou então teve uma má experiência, há gatos cretinos, de facto. Como há cães cretinos e pessoas cretinas…


A principal razão por que gosto de gatos é por serem bichos independentes.
Independentes, atenção, não “ingratos”.
São também uns sobreviventes.
Se um gato for abandonado (como é que alguém tem coragem de abandonar um animal já é outra história…) provavelmente sobrevive. Mesmo que nunca tenha caçado, aprende. Arranja abrigo nos sítios mais incríveis. Lava-se.
Quem não viu já um cão esquelético, à chuva na rua, coberto de porcaria?

Da mesma forma há pessoas totalmente “dependentes” umas das outras, em vários sentidos. Há pessoas que não conseguem viver sem que a sua felicidade dependa de estar com alguém.
Que se forem abandonadas se deixam “morrer”, se encolhem em self pitty, até que outra alminha caridosa, outro dono, as acolha e tome conta delas.
Outros, por outro lado, arregaçam as mangas e vão à luta. Fazem o que for preciso para tentar cair sempre sobre as patas. E se alguém lhes abrir a porta, entram e agradecem.


Os gatos são territoriais… pois são.
Os gatos têm a vida deles, da qual nós simplesmente fazemos parte… nós não somos donos, somos companheiros, partilhamos a vida uns dos outros.
Um cão prefere acompanhar o dono, nem que isso implique ficar uns tempos fechado no carro, o que odeiam por sinal, do que ficar em casa.
Levar um gato atrás de nós seria uma maldade… os gatos demoram sempre algum tempo a habituarem-se aos sítios, a reconhecer o terreno, antes de se sentirem confortáveis.
Logo os cães fazem mais companhia… fora de casa, nas andanças, sem dúvida. Vão para onde os levamos e aguentam-se, seja um sítio agradável ou não.

Há pessoas que, mesmo que vivam em casal, têm a sua vida. O seu trabalho, os seus amigos, os seus hobbys, os seus interesses. Estão instalados num determinado território que define as suas vidas. Mudar de território implica ter de cheirar as redondezas todas outra vez e ir largando uma mija que outra. Dá um trabalhão, é bom que seja por uma boa causa.
Outros seguem “o outro” para onde quer que vá. O que interessa não é o que fazem, com quem se dão, onde estão. O que interessa é que estão com o outro. Podem estar infelizes, podem sentir-se deslocados, frustrados, mas estão com o outro. Acompanharam o dono.


Os gatos são falsos e traiçoeiros… esta é talvez a pior das calúnias.
Traiçoeiros uma gaita! Não baixam é as calcinhas para… enfim.
Quantos cães não são maltratados pelos donos e vão logo a seguir lamber-lhes as botas.
Tentem maltratar ou ser injustos com um gato… tentem que quero ver… a coisa não corre da mesma maneira, garanto-vos.
Uma vez dei uma sapatada a uma gata quando tinha sido o outro a fazer a asneira (descobri eu mais tarde… ups), não “me falou” durante uma semana. De cada vez que lhe tentava dar festas fugia. Quando falava com ela virava-me as costas e só percebia que me estava a ouvir porque ia abanando as orelhas na direcção do som.

Da mesma forma há mulheres que levam porrada dos maridos e acreditam que é porque merecem. Outras que ao primeiro estalo lhes fazem muito bem perceber que foi também o último.
Há pessoas que aturam atitudes inacreditáveis dos outros, limitando-se a encolher os ombros e a perguntar-se “o que ei eu de fazer”? Esta atitude repete-se ao ponto dos outros, a certa altura, acreditarem que podem, que não há de facto limites.
Outras dizem “não”, recusam-se, fazem frente, fazem ver aos outros que são gente e que não podem ser tratadas dessa maneira.
E olhem que já não estou a falar em levar porrada. Há pessoas que têm uma falta de respeito, de consideração, de compaixão pelo próximo que brada aos céus.


Os cães comunicam melhor connosco; “Ai a minha Mimi só lhe falta falar…”
Pois que os gatos também falam, falam é de maneira diferente, falam-nos mais por “telepatia” do que por sinais exteriores como ladrar, dar a pata ou abanar o rabo…
Mas olhem que têm muito boa voz também e sabem ser bastante óbvios… haviam de ver o meu gato quando me atraso na hora da ração, a miar desalmadamente à volta da minha cadeira até que levante o rabo e o vá servir. Não pede, exige, é um facto. Mas também, exige o que eu me comprometi a dar-lhe ao acolhê-lo debaixo do meu tecto, acho justo.

Pois, também aqui encontramos paralelos…
Há gente que ladra muito mas não é por isso que se faz melhor compreender.
Ás vezes as coisas mais importantes não são ditas, são sentidas…
As empatias, o amor, as amizades… já dizia o outro “palavras para quê?”
Não quer dizer que não se dê uma miadela de vez em quando… quando é mesmo necessário, quando se quer mesmo fazer ver o seu ponto de vista ou quando não estão a cumprir com “o contrato” implícito num relacionamento, seja de que tipo for.
E estes não passam só pelo que se diz mas também muito pelo que se sente, pelo que se sabe sem necessidade de comunicação.



Não se afeiçoam?! Que ideia…
Quem tem gatos habitua-se aquela discreta presença constante que nos segue por todas a divisões da casa e se nos roça nas pernas.
Se os deixarmos é connosco que dormem.
Onde estamos eles estão. Desde que tenham um sítio confortável para poisarem, claro está… lol
O ronron de um gato é sentido quase como uma recompensa, um gato não ronrona com qualquer um.
Não têm é necessidade de estar constantemente “em cima de nós”, têm os seus momentos a solo, não dependem de nós para ser felizes.

Da mesma forma há pessoas que só estão felizes “em cima” dos outros, a fazer as mesmas coisas, partilhando todos os momentos. Sentem as actividades independentes como sendo traição. Não se afastam, não não se separam, não têm vida própria.
Outras sentem que há lugar para tudo.
Para fazer coisas juntos ou separados, para estar próximo ou mais afastado.
Que há momentos que se quer partilhar e outros nem por isso.
Que ás vezes se pede ajuda porque se está mal ou mais fragilizado e se precisa de mimo e de atenção e outras em que se prefere lamber as feridas sozinho ou isolar-se porque se precisa de espaço.
Que não é obrigatório gostar das mesmas coisas, nem fazer as mesmas coisas, nem ter os mesmos amigos.
Que de vez em quando cada um pode ir à sua vida…


Podia estar agora aqui a noite toda a falar das diferenças entre cães e gatos (mentirinha… não podia nada que amanhã tenho de acordar cedo para levar o puto à escola!) mas acho que já perceberam o que queria dizer.

Há uma anedota de que gosto muito:
O cão pensa; o meu dono dá-me abrigo, uma cama confortável, leva-me à rua, alimenta-me, brinca comigo, faz-me festas… deve ser um Deus!!!
O gato pensa: o meu dono dá-me abrigo, uma cama confortável, limpa a minha caixa de areia, alimenta-me, brinca comigo, faz-me festas… devo ser um Deus!!!

É tudo uma questão de amor próprio ; )




segunda-feira, 17 de novembro de 2008

As Manas e o Sr. Dr. - ou - As iludências aparudem

COM MÚSICA

A internet em geral e o “monstro das quase três mil cabeças” em particular têm-me proporcionado verdadeiras lições de vida.
Não vou voltar agora a fazer a apologia da Net porque passei por lá recentemente… mas não deixo de me maravilhar com as verdadeiras pérolas que tem trazido à minha vida.

Tirei dela, recentemente, uma grande lição.
Dir-me-ão que é um lugar comum… uma verdade de Lapalisse… uma evidência…
Pois que para mim não era… em teoria talvez, mas não na pratica.

Na network da qual sou mulher a dias tenho conhecido e mantido contacto com muita gente.
Houve no entanto dois casos caricatos…

As manas


As manas, como o nome o indica, são irmãs… duas… ambas inscritas no site…
As manas são impecáveis!
Na realidade em vários sentidos…
As manas estão sempre impecáveis!
Bem educadas, bem arranjadas , bem cheirosas…
Dão ares daquelas meninas “spé amigas da mãe, que têm montes de pusseiras e adoram cavalos, sei lá…”
Não que alguma vez as tenha despido com os olhos, longe de mim tal ideia, juro, mas imagino-as sempre de lingerie escolhida a dedo, impecável, o sutiã a condizer com as cuecas…
Por fora, saltos altos, óculos escuros de marca, “tennue” sempre imaculada.
Visualizo-as a trocar receitas da avó Mariquinhas ou a discutir marcas de tinta para o cabelo e o melhor sítio para fazer depilação definitiva… a pôr na lista de casamento aquele serviço liiiiiindo de morrer da Vista Alegre… a sair com os piquenos ao fim de semana.


O Senhor Doutor



O Sr. Dr. tem um ar imponente!!!
Por detrás da sua secretária, com a sua camisa azul e a sua gravata, também todo ele muito arranjadinho…num escritório clássico, muito british, com um ar sério e profissional.
A ele imagina-lo-ia num barco (a motor, claro está…) na Marina.
A jogar golfe algures.
Em almoços de negócios em restaurantes da moda, onde pudesse fumar o seu charuto enquanto apreciava um bom vinho.
Imaginava-o com uma namorada lindaaa de morrer, boa cumó milho, da idade da filha mais velha… a alegria dos convívios gastronómicos que faria com os amigos e colegas na sua casa de fim de semana.
Um VIP, basicamente… lol

Estou a caricaturar… e não cheguei a pensar nada disto, fiz estes “filmes” agora para efeitos do post. Envolvemo-nos (salve seja) demasiado rapidamente para que houvesse tempo para este tipo de medições… a net…
A realidade é que, tivessemo-nos nós conhecido noutras circunstâncias, directamente ao vivo e a cores, que provavelmente não teria dado a qualquer um deles o benefício da dúvida.
Ou melhor… o que quero dizer é que se me cruzasse com qualquer um deles na rua, se estivessem a comer na mesa ao lado no restaurante, provávelmente não haveria sequer troca de olhares, qualquer sensação de empatia.

Ok, pintei uns cenários um bocado exagerados (a bem do comic relief) mas a realidade é que assim à primeira vista, nenhum deles tem nada a ver comigo… Eu cá sou mais cuequinha de algodão e barco à vela…
Se não nos dermos ao trabalho de ver para além das aparências, o ar impecável das manas pode ser fácilmente confundido com futilidade e o do Sr. Dr. com altivez…

O que eu teria perdido!!!
Em qualquer dos casos me deparei com pessoas inteligentes, integras, sensatas, simples, acessíveis, calorosas, bem dispostas, divertidas… e sobretudo, que têm MUITO a ver comigo!!!

Não vou dizer que somos amigos... os laços de amizade não se constroem assim do pé para a mão, mas que temos grande potencial… sem dúvida. No que depender de mim vai haver um grande empenho nisso, porque vale sem qualquer dúvida a pena…
Há uma evidente empatia entre nós, admiração de parte a parte, concordância de ideias e de princípios, boa onda…

Na realidade o Sr. Dr. pelos vistos nem sequer fuma (lindo menino!) e aposto que as manas volta não volta andam com a depilação por fazer (shame on them!)… lol

Por outro lado… quem me tenha conhecido no "baile de mascaras do Wonderbra"...

quem descobrir que moro numa Rua com o meu apelido…



ou a raça da minha cãzinha…
o que irá… assim à primeira vista… pensar de mim?!

O meu Tótó anda a atirar santolas das falésias, for God's Sake!!!
Querem mais patético do que isso?! ; )

Esta “lição” ensinou-me, na pratica, a abrir horizontes… a não ver a diferença como um impeditivo… porque somos sem dúvida muito diferentes… mas diferentes em coisas que não são as que nos definem como seres humanos, as que cimentam as amizades.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Pré-alíviem-se

COM MÚSICA

Já todos nós ouvimos, quanto mais não seja em filmes, o choro do recém-nascido acabado de chegar ao mundo.
Não consigo sequer imaginar o sofrimento, a violência que seja nascer.


A partir daí a vida é uma sucessão de prazer e dôr… um electrocardiograma até ao fim.
Como dizia o saudoso Herman “a vida é como os interruptores, umas vezes para cima, outras vezes para baixo…” ; )

É utópico pensar que se consiga passar pela vida sem sofrimento, sem problemas, sem tristezas… podem ser maiores ou menores, mais ou menos frequentes, mas virão sempre ao nosso encontro, quer queiramos quer não.

Infelizmente, tenho a sensação de que o ser humano lhes dá muito mais importância do que aos momentos em que está de facto “bem”.

Ora pensem no que sentem quando estão com dores e o analgésico começa a fazer efeito, quando conseguem finalmente resolver algum stress de trabalho, quando chega o fim dos conflitos numa separação, quando voltam a poder usar um membro que por alguma razão esteve imobilizado…
É nessas alturas que damos realmente valor ao nosso bem estar.
Temos viva na memória a dôr, o sofrimento e agradecemos o seu alívio.

Quando está tudo bem, muitas vezes nem nos damos conta de que estamos de facto bem. Tendêncialmente só damos valor ás coisas quando as perdemos.

Ora não tem de ser assim… podemos “forçar” um pré-alívio.
Podemos impor-nos a consciência do nosso bem estar, por forma a podermos goza-lo em pleno.
Os momentos em que estamos bem não passam de antecâmaras dos momentos em que vamos, obrigatoriamente, por qualquer razão, estar mal. Se os aproveitarmos completamente estaremos emocionalmente muito mais fortes para encarar as adversidades da vida.

Se estivermos constantemente conscientes da inevitabilidade destas, de que é só uma questão de tempo, de que mais tarde ou mais cedo alguma coisa nos há de “cair em cima”, porque simplesmente é assim que as coisas funcionam, porque a vida não é um mar de rosas, então poderemos aproveitar os bons momentos com o mesmo “alívio” com que os aproveitamos no “pós-tempestade”.

O mundo não é um lugar seguro… há doenças por aí à espreita, acidentes, incidentes… Nunca sabemos quando nos vão apanhar de surpresa, a nós ou áqueles de quem gostamos o que, no que nos diz respeito, vai dar ao mesmo.

Não sei se conhecem aquele video (mandaram-mo por mail mas não consegui encontra-lo no Youtube) do cego que está a pedir na rua. Ninguém lhe dá nada. Um tipo com ar de executivo (provávelmente de marketing… lol) passa por ele, pára e escreve-lhe qualquer coisa no cartaz. A partir daí as pessoas começam a atirar-lhe moedas para a lata…
No cartaz ele escreveu: “Está um dia lindo e eu não posso vê-lo…”

Nós, que o podemos fazer, muitas vezes nem sequer o apreciamos…
Se estivermos atentos aos pequenos prazeres da vida, ás coisas boas que temos, enquanto as temos, se as soubermos apreciar, se lhes soubermos dar valor, seremos garantidamente muito mais felizes.

Para isso ajuda olharmos à nossa volta… termos consciência daquilo que temos e muitos não têm, como é o caso da visão no meu exemplo.
Há tanta coisa horrível por aí… situações das quais não estamos livres… os “acidentes” não acontecem só aos outros… Todos nós já fomos confrontados com a dôr, física ou psicológica… e muito provavelmente voltaremos a sê-lo repetidamente até ao fim dos nossos dias. Aproveitemos então ao máximo todos os momentos em que isso não acontece.


This one is for you, Blondie ;)