quarta-feira, 29 de julho de 2009

Facilitismos

COM MÚSICA

Na semana passada fui passar uns dias a casa de uns amigos ao Allgarve (lol)…
No dia em que chegámos, ele, o pai de família, voltou para Lisboa com o filho mais velho.
Fomo-nos todos despedir ao carro e qual não foi o meu espanto quando a criança se deitou no banco de trás, sem cinto, a jogar playstation…

Perguntei “mas o miúdo vai assim?!”
Responderam-me em estilo sacudidela “vai”

Hum… Eles são os pais… calei-me. Mais tarde não consegui no entanto conter-me… voltei a tocar no assunto. Perguntei se era costume o puto andar sem cinto no carro, a mãe respondeu-me que com ela não, com o pai sim. Hum… again. Há relativamente pouco tempo, completamente por acaso, ao navegar no nosso sitezinho, fui parar a um blog onde se descrevia a morte de uma criança nestas circunstâncias… infelizmente já não me lembro de todo de quem era, não consegui voltar a encontra-lo para aqui deixar o link. O pai foi buscar os filhos a casa da avó, era tarde, o filho mais novo estava cheio de sono, o trajecto era curto, o risco mínimo, o pai decidiu deixa-lo ir deitado no banco de trás, em vez de lhe por o cinto. Tiveram um acidente, o carro capotou, a criança foi cuspida e teve morte imediata. O pai ficou inconsciente, a irmã mais velha aflita, sozinha, à noite, no meio do nada, é que chamou ajuda. A família nunca mais se recompôs. O relato do acontecimento estava extremamente bem feito, sentido, contava não só o acidente como tudo o que se seguiu, a forma como uma vida se perdeu e várias outras foram devastadas. Mexeu comigo mais do que possam imaginar. Mencionei o facto à mãe. Senti que estava incomodada, que compreendia o que estava a tentar transmitir… Mas afirmou que já tinha discutido demasiadas vezes o assunto, que insistir seria gerar problemas com os quais não conseguia lidar. Que tinham concordado em discordar e que cada um, quando viajava com as crianças, fazia como bem entendia. Começou a subir-me a mostarda ao nariz… como sabem não tenho um feitio fácil… insisti que era a vida de uma criança que estava em jogo… que a decisão não era equivalente à de lhes dar gelados ou não, de vestir esta ou aquela roupa ou de os deixar ir para a cama mais tarde… quase, quase, que me exaltei… mas controlei-me e mais uma vez voltei a calar-me. Mas não consigo deixar de pensar nisso… Na sexta-feira passada morreu mais um membro do nosso site… um rapaz de 27 anos… ceifado assim de um momento para o outro. Mais uma vez tive de anunciar a triste notícia. Mais uma vez fui transmitir os meus sentimentos à família. Desta vez o pai também está inscrito no site e ao escrever-lhe o email revolveram-se-me as tripas. A dor… a dor que deve ser a perda de um filho… Não quero nunca ter de dizer a estes meus amigos “I told you so…” Não quero ter de assistir à sua dor, ao seu desespero… lamento, mas não consigo ficar calada… Acordem!!! Acordem eles, acordem todos aqueles que acham que a distância é curta, que estas coisas só acontecem aos outros, que quando éramos pequenos andávamos de carro sem cinto e ainda aqui estamos… Acreditem, não estamos todos… quando era miúda assisti a um acidente gravíssimo, morreram todos os que iam no carro… passei-lhes mesmo ao lado… quatro meninos … ainda me lembro dos seus corpinhos debruçados sobre os bancos da frente… das suas T-shirts ás riscas azuis e brancas… cobertas de sangue… mas nessa altura muitos carros não tinham cintos atrás.  

sábado, 18 de julho de 2009

B good

COM MÚSICA

No outro dia ouvi da boca da minha irmã duas coisas que nunca pensei ouvir…
“… e eu disse-lhe: a minha irmã é que tem razão, o que está a dar é ser bonzinho…”
A primeira que me “citou” a alguém… a segunda, que me deu razão nalguma coisa…
Minha alma está parva, ainda não recuperei do choque!!! Os sais, por favor alguém me traga os sais…

Dito isto… ;)
A realidade é que muita gente já está a começar a perceber… (não obrigatoriamente por influência minha, atenção… mas fui eu que comecei a apregoar primeiro… ná!) que sendo “bons” muito mais facilmente somos felizes… que quanto “melhores pessoas” formos, melhor nos corre a vida.

Dir-me-ão (e não posso senão vergar-me perante a evidência), que o conceito não é propriamente novo… que qualquer religião, por exemplo, se baseia no mesmo conceito (bem, menos talvez aqueles gaijos que acham que devem rebentar com todos os infiéis).

Ora bem… é um facto, mas… se for assim uma ideia que interiorizamos ao domingo enquanto temos a óstia encostada ao céu da boca… não serve de muito. As teorias são muito bonitas mas não mudam o mundo.

Mas, se se derem ao trabalho de analisar a vossa vida, chegarão certamente à mesma conclusão; compensa mesmooo… Se formos pessoas baris, seremos certamente recompensados por isso.

Ser boa pessoa não quer dizer que tenhamos de ser Dalai Lamas ou Madre Teresas. Quer simplesmente dizer que não levamos a vida de forma egoísta, pensando só no nosso umbigo mas que também nos preocupamos com o bem estar de quem nos rodeia.

Neste momento, alguns de vocês estarão a pensar enfadados se lhes irei finalmente dar alguma novidade e outros a tentar perceber onde é que estou a querer chegar.
Os primeiros são os que põem a coisa em prática e estou a recitar o Pai Nosso ao cura… os segundos são os que conhecem a teoria toda de cor.

Vou então dar-vos um exemplo prático…
Há mais de um mês que estamos sem um dos nossos chaços velhos… coitadinhos, estão como nós, a acusar a idade… lololol
Não é fácil viver onde vivemos só com um carro… claro que a coisa pareceu logo muito menos grave quando (3 dias depois) o segundo chaço velho também avariou e passámos a não ter carro nenhum. Garanto-vos, um carro é muitooo melhor do que carro nenhum…

Quando era finalmente suposto estar pronto, telefonei ao mecânico que me disse furioso que o torneiro não tinha feito o trabalho como deve de ser e que tinha de levar-lhe outra vez a cabeça.
No dia seguinte recebi um mail em tom angustiado em que me anunciava basicamente que estou feita… lol… a cabeça está mesmo estalada e vai ter de ser substituída, ou seja, o pior cenário do orçamento que me tinha feito.
Mostrava-se furioso com o torneiro por não ter visto antes, o que o obrigou a montar e desmontar o motor várias vezes perdendo horas de trabalho.
Mostrava-se também preocupado relativamente ao preço que iria custar e dizia que me faria a cabeça a preço de custo.

Mas por que caraças é que o homem haveria de perder dinheiro comigo?!
É o negócio dele, não é meu pai, não me deve nada…
Já perdeu horas de trabalho, que não me vai certamente cobrar porque não tenho culpa nenhuma que o torneiro tenha metido a pata na argola.
Ficou com um carro a empatar muito mais tempo do que seria espectável, não pegando assim nos dos outros clientes.
Por que raio é que me haveria de fazer um desconto na cabeça?

Enviei-lhe um mail a dizer basicamente isto e que não estivesse tão preocupado por causa dos prazos visto que estaria fora até terça-feira.

Recebi de volta um mail amoroso, a dizer que “dá gosto ter clientes e Amigos assim” , que tudo fará para rapidamente me entregar o carro e que quanto a valores a seu tempo trataremos disso…

Não vêem em que é que esta história tem a ver com o tema do nosso post?!
(este “nosso” era de enfermeira ao contrário: “vamos levar uma injecçãozinha!”)
Este mecânico, que arranjei aqui há uns tempos, é um gaijo porreiro.
Parece ser bom profissional, não que eu tenha qualificação para o saber, mas pelo menos não tenho razões de queixa das reparações que tem feito.
Mas, sobretudo, é um “bom” ser humano e para saber isso já me considero qualificada.

Conclusão…
Ele está preocupado comigo, porque sabe que não tem sido fácil só com um carro e que não nadamos em dinheiro.
Eu compreendo que é o negócio dele e que estas coisas são caras e demoradas.
E qualquer um de nós o tem expressado ao outro.

Não estamos cada um a tentar puxar a brasa à sua sardinha…
Seria fácil para ele tentar aldrabar-me e cobrar as horas que perdeu por causa do torneiro.
Seria fácil para mim criar-lhe tensão, pressiona-lo para que me despachasse o carro e aceitar a sua oferta de “desconto” devido à demora.
Mas nada disto faria sentido porque qualquer um de nós entende a situação do outro.

Ser bonzinho não quer dizer que tenhamos de ser totós… ser bonzinho é neste sentido...


... os outros são maus… ou vilões… lol


quarta-feira, 15 de julho de 2009

Conselhos de leitura

COM MÚSICA

Julgavam que o postzinho da semana ia ser uma sugestão de livrinhos a ler nas férias, era?!
Pois que não… tenho lá conhecimentos para vos aconselhar a ler seja o que for… lol

Se bem que… péra lá… afinal até tenho um… hehehe… olhem, se não leram ainda (shame on you!) leiam este.


Nota-se muito que estou toda orgulhosa do mano?

Voltando agora ao nosso post…
Sim, pois, eu sei… é quarta-feira e ainda não escrevi nada, e tal e coiso, e já estou atrasada e não sei mais oquê…
Acontece que, se fosse cagona, diria que estava com writer block… como não sou, digo simplesmente que não sabia sobre o que escrever esta semana, carago… ;)

Então vou fazer-vos um pedidozinho… que passem, pelo menos alguns de entre vós, queridos leitores, a ler este blog com outros olhos…
Sabem o que é? É que estou a ficar enjoada de myself minha gente!!!
No meu primeiro post alguém comentou: “…embora ache que quase todos os blogs se devessem chamar "umbigos"…”
Malta… a ideia deste blog não era que fosse sobre o meu umbigooo.

Dir-me-ão que escrevo sobre as MINHAS ideias, os MEUS pensamentos, as MINHAS experiências, a MINHA vida…
Yá!
E queriam que escrevesse sobre quê?!
Sobre os vossos?
Nã posso, nã estou por dentro…

Queria, com esta conversa que insisto em debitar para aqui todas as semanas, pôr-vos a pensar sobre a vida, o amor e as vacas… não sobre a minha pessoa.
Não tenho pretensões a ensinar-vos nada, a dar-vos lições… queria simplesmente fazer –vos reflectir sobre um que outro tema…
Uso a minha pessoa para tal… Ok, certo, é verdade… mas só a título de exemplo.

Ultimamente, tenho tido a sensação de que frequentemente a “mensagem” não passa e que muitos se ficam pela apreensão imediata…
“óóóó… a Cristininha está doente…”
“Olha, a gaija está lixada com isto ou com aquilo…”
“Fizeste, bem…”
“Fizeste mal…”
etc…

Não, não, não… vejam para além da pessoa que alguns de vocês conhecem e outros, de certa maneira, passaram a conhecer ao longo destes dois anos e tal.
Não interessa nada se estou triste, contente, com piolhos ou com os olhos tortos, este blog não é sobre mim.
Abstraiam-se. Vejam mais longe.
Quando aproximamos demasiado os olhos, perdemos a perspectiva das coisas acho que isso se está um bocadinho a passar aqui.

Prontes… é este o post da semana… também queriam oquê?! Que fossem todos fantásticos?! lolololololololololololololololol

terça-feira, 7 de julho de 2009

E vão dois desafios...

COM MÚSICA

Fui, mais uma vez, “desafiada” a escrever um post…
Desta vez teve mais graça, porque não faço ideia quem seja a pessoa que me desafiou.
Não sei se a conheço, não sei como se chama… a única coisa que sei é que lê este blog e me enviou um email (anónimo) a desafiar-me a escrever sobre este tema.

Vou transcrever algumas partes do mail em questão (não o mail na integra, claro está, para não violar a privacidade do meu correspondente anónimo…) para que possam entender qual foi o desafio.
Devo dizer que veio mesmo a calhar, visto que estava praqui feita ursa, a olhar para o monitor e a pensar “sobre que raio vou eu escrever esta semana?!”… lol

Então cá vai:
“/…/ diz que a conforta saber que quem consigo está não é egoista ao ponto de exigir a exclusividade dos seus afectos. /…/, no limite dos afectos, será mesmo assim? /.../ É que, nesta onda pode entrar tudo. Conhecidos, Amigos, Amores, Paixões, affaires etc. /…/ Esta sua emoção pode ser entendida como a morte do Ciúme? A união entre dois mijas s + p, que querem estar juntos, no limite, pode ser apenas o conforto de chegar a casa e de ter alguém com quem compartilhar as rotas e rotinas ? Para sí não existe sentimento de posse num casamento, união?/…/ “

Hum… acho que vou começar pelo fim… ;)
Para mim não existe sentimento de posse nem sequer em relação aos “meus” cães e gatos… lol
Relativamente ás pessoas, só consigo ter respeito e consideração por elas se as sentir livres, o que é um bocado contraditório com esse tipo de sentimentos.
Pessoalmente há muito tempo que não sinto que “precise” de alguém e não gosto nada da ideia de que possam precisar de mim.
Acho que uma relação a dois, deve existir por vontade e não por necessidade.
Para mim, a segurança vem do sentimento de que o outro está bem comigo. É também a única segurança que “forneço”… Não faço juras, não dou provas nem garantias… se a nossa relação estiver bem, a outra pessoa terá de o sentir.

O que nos trás ao ciúme…
Sinceramente, considero-me uma sortuda, não tenho a certeza de saber o que isso é… Se alguma vez senti ciúmes, há muito muito tempo que isso não me acontece.
O ciúme parece-me advir do tal sentimento de posse.
Por outro lado, parece-me uma reacção infantil, irracional e sobretudo contraproducente.
Se o meu querido leitor anónimo já tiver lido o suficiente do meu blog, saberá que a irracionalidade não é característica que aplauda… lol
Acho que a cabeça não foi feita para usar chapéu e que, se a usarmos, seremos garantidamente muito mais felizes… é o meu peixe, não tento vendê-lo a ninguém, come quem quiser.
O ciúme parece-me complicar as relações mais do que mantê-las e muitas vezes até aguçar apetites que não estavam lá anteriormente.

Há quem sinta ciúmes não só dos “mijas” do sexo oposto, como dos amigos, dos familiares, até dos animais de companhia (kid you not!)…
A isso, chamo simplesmente insegurança.
Ora se as pessoas gostarem genuinamente uma da outra, se a relação for saudável, equilibrada, se tudo estiver bem… que caraças de razões é que poderá haver para inseguranças?!

Dir-me-ão que as coisas não estão permanentemente “bem”, que há ups & downs…
Sem dúvida. E esses são os momentos perigosos, em que se abrem brechas nas relações, permitindo eventualmente a entrada de “intrusos”… Mas esses eventuais intrusos pertencem potencialmente a duas espécies; os que não têm qualquer hipótese e os que podem fazer perigar a nossa posição.

Os que não têm qualquer hipótese cheiram-se à distância… por muito em baixo que esteja uma relação, as antenas que captam o risco continuam sempre de pé, é uma questão de lhes dar crédito. Há simplesmente pessoas que sabemos totalmente incapazes de nos substituírem, haja um pouco de auto-confiança minha gente…. Qualquer das partes se pode até iludir quanto a esse facto, mas nós sentimos, nós sabemos que não há risco real.
Nesses casos o ciúme só servirá para acenar com a banana, para dar vontade de provar o fruto proibido.
Na minha opinião, se quiserem, é deixa-los(as) ir que voltam, ainda melhores do que foram porque agora com termo de comparação… hehe

Os outros, são de facto perigosos, têm potencial…
E o que podemos nós fazer?
Na minha opinião, manter-nos fieis a nós próprios, agarrarmo-nos aos nossos pontos fortes e tentar que o outro não os esqueça, e cruzar os dedos…
Se se abriu de facto uma brecha que, por ironias do destino, permitiu que alguém pusesse um pé dentro, seja a que nível for, o mais que podemos fazer é esperar ser “o escolhido” quando as coisas chegarem a esse ponto.

E se for na nossa brecha que entrou, se formos nós os “infractores”, que a cabeça nos consiga guiar no bom caminho e que, para além das emoções, para além da adrenalina da novidade, consigamos de facto destrinçar o que é de facto importante para nós.
Para mim, a antiguidade, o conhecimento e a consciência das coisas boas que temos na vida vale ouro, não ponho isso em risco por dá cá aquela palha.

O que nos leva à última parte da questão… então, no limite, vale tudo?!
Não, não, não… e eu nunca defendi isso.
Não acredito em poligamias… (mais uma vez é só o meu peixe… ;)
Não penso que uma pessoa se possa dividir, dividir os seus afectos, dividir a sua entrega, uma só já pede demasiado de nós.
Acho que uma relação a dois é uma coisa muito séria, composta de várias faces todas elas importantes. Não acho que haja lugar para relações a vários, isto em termos amorosos, claro está.

O que não quer dizer que não possa “acidentalmente” acontecer.
Mas aí, logo que possível, é preciso lidar com o facto, separar o trigo do joio, perceber onde param as modas, o que aquilo é na realidade.
Mas sabem que mais… quando chega a esse ponto já os dados estão lançados… quando nos perguntamos o que aquilo é, normalmente já o sentimos antes e sabemos, quanto mais não seja a nível inconsciente, onde é que as coisas vão parar.
Quando surgem as perguntas é mais uma questão de assumirmos se vamos voltar de cabeça baixa ou virar outra página da nossa vida.

Quando menciono a isenção de exclusividade de afectos não falo em termos românticos ou amorosos. Acho que o nosso coração é compartimentado e que há lugar para todos. Há um cantinho para o amor, um para as amizades, outro para a família e ainda sobra espaço para vários outros tipos de relações humanas ou animais…

Espero ter estado à altura do desafio. ;)


terça-feira, 30 de junho de 2009

Love Story

COM MÚSICA



Como já mencionei anteriormente neste blog (tendo sido crucificada…lol) não sou uma mulher de paixões…
Não sou mulher de paixões, mas sou mulher de amores e quando isso acontece entrego-me completamente. Não fico dependente… Não me anulo… Não deixo que esse amor me impeça de ser eu mesma, de continuar a ter vida própria… Mas entrego-me, se é bom, entrego-me…

Digo frequentemente, na brincadeira, que o monstrinho é o meu segundo filho… inútil será dizer que é uma forma de expressão… mas é sem dúvida possível fazer um paralelo.
Notem que me refiro evidentemente ao âmago do site e não aos seus membros.

Quando temos um filho, a nossa vida muda drasticamente… assim aconteceu quando o criei.
Não foi um filho programado, não foi um filho desejado, mas foi um filho assumido e fico contente que tenha aparecido na minha vida.
Como todos os filhos, precisa de muita atenção, logo de muito tempo. A nossa vida enriquece por um lado, perdemos alguma disponibilidade para outras coisas por outro, é natural.

Tal como os outros, os de carne e osso, começou muito pequenino e tem vindo a crescer rapidamente.
Um dia, provavelmente, ganhará vontade própria e quererá seguir o seu caminho… c’est la vie. ;)
Mas até que isso aconteça vou-o estruturando, educando, vou cuidando dele com todo o carinho e atenção de que qualquer filho precisa e merece.

Tenho a meu cargo o seu crescimento saudável…
Alimento-o para que se desenvolva forte e sólido, forneço-lhe conteúdos, motivos de interesse.
Arrumo a casa para que não haja confusão, para que lhe seja agradável mover-se pelo seu mundo, para que seja fácil encontrar as coisas essenciais.
Limpo-o para que não haja lixo a acumular-se pelos cantos, para que nada fique simplesmente a poluir, sem função, sem sentido.
Imponho regras para que compreenda os limites, para que não perca as estribeiras, para que o seu espírito não se torne caótico.
Tento incutir-lhe alguma solidariedade, alguma função altruísta, para além do seu próprio umbigo.
Entretenho-o para que não se aborreça, levo-o “a sair”, tento que se divirta e divirto-me com ele.

Também o ensino e apoio. E, tal como os outros pirralhos, ás vezes faz-me a cabeça em água. Volta não volta, esbarra numa dificuldade qualquer e é preciso uma paciência de Jó para o conseguir levar a bom porto. Aí, conta-se até dez, respira-se fundo e calmamente explica-se tudo, como se de uma criança de dois anos se tratasse. Enervar-mo-nos é que não vale a pena.

Á vezes porta-se mal, passa das marcas. Tenho de me zangar, abro os muito os olhos, falo mais alto e dou-lhe um valente sermão, só assim parece ouvir-me. Mas que tenha dado por isso ainda não ficou ressentido comigo e até, de certa forma, parece agradecer a firmeza.

Volta não volta gosta de me desafiar ou talvez simplesmente de implicar comigo, faz parte.
Refila por isto, reclama com aquilo, são os dias de embirração.
Se por alguma razão estou mais fragilizada, quando estou muito cansada por exemplo, leva uma resposta torta, menos simpática.
Se estou num bom dia, consigo não lhe passar cartão, usar o bom senso e o humor para o mandar dar uma volta. Se bem que nem sempre consiga, é a melhor solução, não faz sentido dar-lhe troco, seria atribuir demasiada importância à birrinha.

É capaz, de vez em quando, de dizer coisas cruéis, insensíveis, egoístas, pois tipicamente ás vezes não tem noção do esforço que lhe é dedicado. É normal que assim seja pois muitas coisas não são visíveis, só nós sabemos o que damos de nós próprios.

Da mesma forma ás vezes acha que tudo lhe é devido, que não faço mais do que a minha obrigação. Não tem de todo a noção do que lhe é oferecido de mão beijada.

E, claro está, muitas vezes abusa... sabe que sou uma babaca, um coraçãozinho de manteiga e que me derreto com ele. Faz-me olhinhos de charme e eu derreto-me toda, cedendo a coisas relativamente ás quais já tinha afirmado a minha absoluta inflexibilidade.

Pois é… não é fácil, não… lol
Mas as alegrias que me traz…
(daqui a nada ainda vomito com tanta lamechice… beurk)

Para começar, sinto-o feliz… genuinamente feliz… alguma coisa é mais gratificante?
Parece-me equilibrado, divertido, bem disposto, amigo… lá terá as suas facetas menos sorridentes mas no geral parece-me sólido e consistente, com razão de ser.
Olhar para ele, ver o que lá se passa e sentir a boa onda que transmite enche-me sinceramente de felicidade.

Depois retribui diariamente o que sinto por ele, constantemente de alguma maneira, mostra como gosta de mim e isso eleva-me o ego, enche-me o coração. Não há nada mais quente do que o sentimento de retribuição de um amor como este.
Quer seja por palavras ou por acções, devolve-me tudo aquilo que lhe dou. Mima-me, apaparica-me, faz-me sentir importante, que posso de facto fazer alguma diferença.
Se alguém se pode sentir agradecida, sou sem dúvida eu.

Quando está alegre, contagia-me… quando está triste, sofro com ele… quando tem problemas, preocupo-me. A minha vida perdeu independência do que lá se passa, estamos ligados por um cordão umbilical invisível.
Uma coisa vos garanto, este site tem alma… ;)




domingo, 21 de junho de 2009

Pré ocupada mente

COM MÚSICA

Finalmente o post que me tinha sido “encomendado”… ;)

26/05/2009

Nunca ouvi falar de ninguém que tivesse passado pela vida sem qualquer sofrimento, tanto físico como emocional. Começa normalmente com o próprio nascimento e dá ares de sua graça, mais ou menos frequentemente, ao longo dos tempos. É inevitável.

Dado que, masoquistas à parte, ninguém gosta de sofrer, a perspectiva do sofrimento assusta. Ás vezes assusta tanto que acabamos por sofrer por antecipação.
Mas a esmagadora maioria das coisas que nos preocupam não chega a acontecer.
Pensem na vossa vida … um atraso no período durante a adolescência, uma criança que se perde na praia, alguém que se atrasa para além do normal, etc… a tendência é logo para pensarmos “no pior”.
Agora pensem em quantas vezes os vossos receios se concretizaram…
São os chamados sustos.



Fui desafiada a escrever este post por afirmar que podemos controlar estes medos, mantê-los de rédea curta.
Quem me desafiou, passou recentemente por um "grande susto" com um dos filhos.
Mal sabia ele que estou neste momento a passar por uma situação muito semelhante.
A diferença é que não entrei em parafuso, não me afectou o sono nem o apetite, não perdi o sentido de humor e sobretudo não infernizei a vida a quem está à minha volta… ;)

Como os que me têm lido sabem, tenho andado em tratamentos e exames devido à descoberta da minha ursa.
Como se costuma dizer “cada tiro, um pardal”, e não houve exame que não revelasse alguma “anomalia”. lol

Entre outras coisas, fiz um batalhão de análises clínicas e, bem no finzinho da lista, leio:
CEA-ANTIG.CARCINEO-EMBRIONARIO: 6.9
Valores referência: não fumadores de 0 a 3 / fumadores até 5

Foi o chamado chuto na pinha!
O meu coração disparou…
Não é preciso ser-se hipocondríaco para não apreciar a ideia de ter qualquer valor que inclua a palavra “carcineo” acima do normal.
Não tendo de imediato alguém a quem recorrer para me elucidar, fui à net.
Segundo chuto na pinha…

Um amigo insiste para que envie um mail a um médico amigo dele.
Este envia-me uma resposta extremamente elucidativa: “O C.E.A. elevado só pode ser avaliado associado à clínica, as análises clínicas, são clínicas...e como todos os exames complementares são COMPLEMENTARES da clínica....”
Hum… ok… então sendo assim já fico muito mais descansada.
Daaah!

Posteriormente, o meu médico de família (e amigo), a quem envio os resultados por mail, dá-me outra resposta extremamente clara e tranquilizante: “… estes valores do CEA trazem por vezes falsos positivos. Ter este valor não confirma coisa nenhuma, mas compreendo o teu nervosismo.”
Falsos positivos?! E, compreende o meu nervosismo?! Os médicos não são supostos compreender o nosso nervosismo, são supostos dizer-nos que não há razão nenhuma para estarmos nervosos, pelo menos quando é o caso…

Dois dias depois, apanho no msn o único médico que fala comigo como se eu fosse gente: “Só nos começamos a preocupar quando os valores estão acima de 100… tenho pacientes com 12.000…”
12.000?! E eu só tenho 6.9?! Uf!

Dias depois, vou à consulta de gastrenterologia e menciono o facto à minha médica…
“Uiii! Não, isso é demasiado alto… não pode ser… vai JÁ repetir as análises, noutro laboratório… e vai também fazer uma radiografia aos pulmões… faça já hoje. Vamos também adiantar a colonoscopia. Marque outra consulta comigo para logo que tenha os resultados.”
Ai o caraças…

Como prova de legitimidade da sua visceral preocupação, o meu amigo afirmou que “quando nos anunciou que sempre era uma mononucleose, a médica disse que tinha ficado aliviada…”
Amiguinho… os médicos falam como as pessoas… dizem “coisas”…
Compreendo a tentativa de interpretar as suas palavras, também o fiz, mas se pensarmos dois segundos possivelmente o alívio da médica do teu filho virá do facto de já não ter de te aturar…lololololol

Como já mencionei antes, o segredo dos filmes de terror é não nos mostrarem nada. Ouvem-se barulhos, adivinham-se formas, mas nunca se vê claramente a ameaça.
É isso que o nosso cérebro faz quando estamos assustados.
Nunca vos aconteceu, em crianças, imaginarem coisas terríveis nas sombras do quarto?
Em vez de fazer filmes, há que acender a luz para ver com o que estamos realmente a lidar. Neste caso fazer os testes e descobrir se existe de facto algum bicho papão.

Inútil será dizer que não têm sido tempos fáceis, psicologicamente falando.
Ninguém gosta de ver “the C word” associado à sua pessoa, nem que seja hipoteticamente e, por muito que 6.9 não seja “demasiado” alto, continua a ser acima dos valores normais. Uma pessoa põe-se a pensar que estas merdas, tal como as pessoas, não devem nascer já com um metro e oitenta…
Acontece que acredito que até ao lavar dos cestos é vindima.
Se se verificar que há de facto um problema, tenta-se tratar. E… se não for o caso, para que serve estar agora a martirizar-me? Logo se lida com o assunto.

Claro que a simples ideia é assustadora.
Ainda tenho muitas coisas por fazer, tenho um filho para criar… um site para gerir… lolololol
Mas, antes de saber ao certo com o que estou a lidar, bloqueio completamente a minha mente a ideias mórbidas. Durante as próximas looongas semanas, em que não vou saber resultados dos exames, de cada vez que pensamentos idiotas me vierem à cabeça (e vêm, evidentemente, sou humana…) mando-os dar uma curva, recuso-me a “desenvolver”.
De momento sinto-me bem, sinto-me saudável e é isso que me considero até prova do contrário.

Ninguém, exceptuando os médicos e a minha cara metade, está por dentro desta problemática.
Daí não ter podido publicar este post mais cedo.
Dentro dos princípios da lei da atracção, não quero uma série de malta a associar a palavra cancro à minha pessoa. lol
Não quero os hipocondríacos (eles andem aí) a amarinhar pelas paredes acima, não quero preocupar as pessoas que gostam de mim.
Não quero uma série de malta, com a melhor das intenções evidentemente, a cagar sentença e a fazer sugestões… sinto que estou bem entregue, não quero mais palpites.
Não quero que me estejam constantemente a relembrar o assunto com perguntas…
Só vou portanto publicar quando tiver certezas. ;)

03/06/2009
So far so good…
Radiografia: Pulmões ok.

18/06/2009
Colonoscopia: Intestinos ok.
Endoscopia: Estômago totalmente curado!!! Yéééé!!!

Tout est bien qui finit bien… ;)
I rest my case.


terça-feira, 16 de junho de 2009

A união faz a força.

COM MÚSICA

No nosso sitezinho conseguimos fazer ganhar um telhado a uma membra… juntámo-nos todos, votámos que nem uns doidos no site do concurso, mandámos mails aos nossos amigos… e em dois dias passámos praí de sexto para primeiro lugar, onde nos mantivemos heroicamente até ao fim da votação.
No nosso sitezinho proporcionámos um Natal aconchegadinho a uma velhota que vendia castanhas e rebuçados à porta do Liceu… juntámos uns trocos e comprámos-lhe umas coisas para a casa, uns bens de primeira necessidade, uns miminhos para a consoada.
Uma pessoa sozinha pode não conseguir grande coisa, mas quando nos juntamos movemos montanhas…

Para cima e para baixo, pessoal !!!
%&$##”!”##€ !!!

Passo a explicar àqueles que, não pertencendo à nata das natas, a uma elite fora de série, a um grupo de gente absolutamente excepcional, não podem inscrever-se no nosso selecto site (coitados…):
Pela segunda vez ( vou agendar uma consulta de psiquiatria…) resolvi abalançar-me à tarefa hercúlea de organizar um jantar para reunir a maralha toda.
Evidentemente que, mais uma vez , muitos dos meninos me dificultaram sensivelmente a tarefa.
Notem que não é nada que me surpreenda, a amostra do outro já me tinha aberto a pestana para a natureza de certos indivíduos. Desta vez já ia preparada para “o pior”… lol

Acontece que há dois tipos de pessoas, e o resto é conversa ; os que se põem no lugar dos outros e os que não conseguem tirar os olhos do seu próprio umbigo.


Notem que estes últimos não são forçosamente más pessoas… e acreditem que não estou a ser irónica, algumas das pessoas de quem mais gosto nesta vida (e eu não gosto de más pessoas, garanto) pertencem a esta categoria.
Acontece que antes de verem as “razões” dos outros - ás vezes diria mesmo que “em vez de” - vêm as suas próprias.

Eu cá, sou grande apologista do uso da balança…



Uso-a constantemente, para tudo na vida, o que inclui “os outros”… e frequentemente chego à conclusão de que um pequeno incómodo da minha parte, um pequeno esforço, um pequeno sacrifício, pode melhorar/facilitar sensivelmente a vida de outrem, muito mais do que prejudica-la a mim. Logo vale nitidamente a pena.

Os umbiguistas querem garantir a sua presença no jantar, caso lhes dê na telha comparecer. Tendo à sua disposição as hipóteses de “Vou”, “Talvez vá” e “Não vou”, inscrevem-se evidentemente na primeira, depois logo se vê.
Os solidários, não tendo a certeza de poder ir, inscrevem-se em “talvez”, deixam comentários a explicar a sua opção e informam que mal tenham certezas alterarão a sua escolha.

Os umbiguistas pensam que têm mês e meio para pagar, logo não se preocupam com o assunto, só o fazem, quando fazem, mesmo no finzinho do prazo.
Os solidários pensam que vai estar uma desgraçadinha a processar umas centenas largas de pagamentos, logo pagam o mais rápido possível para diluir o “sofrimento”. lol

Os umbiguistas acham que pagarem já não é nada mau, fazem portanto como bem lhes apetece, lêem as instruções na diagonal e fazem tudo ao contrário do que lhes foi pedido.
Os solidários cumprem tudo à risca, enviam mais informação do que a requisitada para o caso de isso poder ajudar e ainda agradecem por cima.

Os umbiguistas incomodam-se com os apelos, com os pedidos de compreensão.
Os solidários, por sua alta recreação, chamam a atenção aos outros, pedem a sua colaboração.

Os “infractores” não o fazem para chatear… não o fazem para lesar… não o fazem para atrapalhar… simplesmente porque nem sequer pensam em quem está do outro lado, logo não há qualquer “intenção”. Fazem-no basicamente porque se estão bem a cagar… essa é que é essa.

Conclusão…

Tendo o NIB sido posto à disposição nos primeiros dias de Maio e sendo o prazo limite 12 de Junho, no início desse mês só meia dúzia de macacos tinham ainda pago.
Como disse um amigo a quem me queixei; “quando dás um prazo a um advogado não podes esperar que ele não tenha a tentação de o esgotar”… pelos vistos não só os advogados.
Pois é amiguinhos, é um bom argumento, mas pensem só o que seria se os quinhentos caramelos pagassem todos no último dia…

Muitos houve que não enviaram, como pedido, o mail para que lhes pudesse fazer reply com a confirmação de reserva ou que deram ordens ao banco para que o fizesse e posteriormente reclamaram que ainda não tinham recebido a confirmação. Outros deram a indicação de um nome de titular da conta e a transferência apareceu em nome de uma pessoa totalmente diferente ou até de uma empresa. Alguns pagamentos, apesar de vários apelos, simplesmente não consigo identificar.
Houve inclusivamente quem reclamasse que lhe estava a dar muito trabalho para um pagamento de 30€…

Uma vez fechadas as inscrições/pagamentos, vários me vieram fazer o choradinho com justificações validíssimas para o facto de ainda não terem pago… meteram-se os feriados (nos últimos três dias do prazo…), o computador avariou (durante mês e meio…), não tinham acesso à net (mas subitamente arranjaram…), etc…
Mas sobretudo, isso é que foi a cerejinha no topo do bolo, dos quinhentos e poucos inscritos, no fim do prazo só cerca de trezentos tinham pago. Trezentos!!! Pouco mais de metade…

Esta malta, contrariamente aos casos do “Telhado da Nina” ou da “Miss das Castanhas”, não se juntou voluntariamente para me f… o juízo…



Mas o resultado foi o mesmo… a união (cada um por si… lol) fez a força.
Tive muito mais trabalho, muito mais stress, perdi muito mais tempo, do que teria sido necessário se cada um tivesse tido um bocadinho de consideração e respeito pelo esforço alheio.
São maus?! Não, não são… quando confrontados individualmente com os factos, quase todos reconhecem ter-se portado “menos bem” e geralmente pedem desculpas…
Continuam no entanto a tentar arranjar justificações esfarrapadas para tentar desculpar os seus actos ou a falta deles. Acho que são casos perdidos… ;)




Para a próxima pagam mais e vão chatear outro… lol


segunda-feira, 8 de junho de 2009

És broa!!!!

COM MÚSICA

No outro dia entrei mais uma vez naquela brincadeira de trocadilhos do “estás boa / és boa, hehehe”…
Minha gente, eu nunca fui boa! lol
Em nenhum sentido… lolololol
(isto foi já para vos evitar o trabalho de uma série de comentários…)

Quando nasci, trazia o cordão à volta da cabeça, tinha o nariz colado à bochecha e, pelas palavras do meu próprio pai, uma orelha que parecia uma couve flor…
No carro, de regresso a casa, as minhas tias lamentavam-se de como eu era feia. A minha avó, indignada com a afronta à primeira neta, afirmava que eu era lindíssima. O meu avô, ilustre médico ortopedista, não conseguindo apoia-la em tamanho disparate, replicou “Bem… bonita não se pode dizer que seja… mas vai ter umas pernas fantásticas!!!”
Seria talvez verdade se santos de casa fizessem milagres… mas como em casa de ferreiro, espeto de pau… rapidamente as minhas “lindas pernas” se transformaram nuns tronquitos meio tortos. ;)

Quando era adolescente era rechonchuda com enormes boobies que pareciam sacos de café. Já em jovem adulta parecia anoréctica tendo chegado a pesar 38 kgs. Não podia dormir de barriga para baixo porque feria a pele na zona dos ossos da bacia…
Hoje em dia sou “plain”, que é como quem diz, nem muito gorda, nem muito magra (neste último ponto as opiniões divergem… ; ) mas julgo que ninguém me definiria como sendo “um avião”… lol

Também não sou especialmente bonita, nem especialmente feia, antes pelo contrário…
Mas sabem que mais?! Acho que sou óptima! lololololol
Presunção e água benta…
Sinto-me bem na minha pele, gosto de mim e não passo a vida à procura de defeitos.

Porque quando me comparo com outras, não me comparo com isto:



Mas mais facilmente com isto:



Há sempre alguém mais bem parecido do que nós, mais inteligente, mais culto, mais rico, mais saudável, mais divertido, mais, mais, mais…
Mas, da mesma forma, também há sempre alguém “menos”…
E como o meu copo tem tendência a estar “meio cheio”… ;)

A realidade é que não dou grande importância ao aspecto físico.
Não digo que não aprecie pessoas bonitas, bem torneadas. Não é por acaso que os filmes estão cheios “brasas”… também eu suspiro pelos Brad Pitts deste mundo.
Não digo que não seja mais fácil deixar-se encantar por uma brasa do que por um camafeu… afinal de contas o primeiro impacto é importante.
Não faço a apologia do coirão… não defendo de todo o não se cuidem, não se arranjem, não liguem ao vosso corpo.

Mas já me aconteceu, mais do que uma vez, deixar-me encantar por um homem bonito (prefiro-os à mulheres… ;) e, depois de o conhecer melhor, nem sequer conseguir achar-lhe graça.
Se alguém não é bonito por dentro, deixo simplesmente de conseguir ver-lhe a beleza exterior, parece que se extingue de repente.

Até com os animais isto me acontece…
Uma das gatas mais bonitas que tive na vida foi igualmente a criatura mais imbecil que alguma vez viveu em minha casa.
Foi um sonho de longa data, ter um Chartreux!!! Vendi Certificados de Aforro para a comprar, custou-me os olhos da cara.
Saiu-me na rifa um exemplar esplêndido, era lindíssima, perfeita, dava gosto só de olhar…
Um bibelot fantástico… mas de feitio, vai lá vai, era medrosa, arisca, antipática, anti-social… Como o Chartreux é suposto ser o “gato-cão” e o criador dizia que esta era excepcional, deduzi que se tivesse já afeiçoado demasiado a ele e não conseguisse ser feliz lá em casa… devolvi-lha, que se lixe o efeito decorativo. Lá se foi a loira burra, como lhe chamávamos…



Costuma dizer-se que “quem feio ama, bonito lhe parece”… um amigo meu, há muitos anos, comentava, sobre a sua namorada, que nunca tinha conhecido uma mulher tão bonita…
Quando finalmente a conheci tive um choque… Céus, a mulher parecia um rato!!!. Nariz fininho e pontiagudo, olhinhos minúsculos e juntos, queixo afiado, uns pelitos na cabeça, toda ela muito pequenina, muito franzina… Credo.
Quando a conheci melhor percebi… era uma jóia de pessoa… nunca mais consegui ver nela a ratazana da primeira impressão.



Gente feia, ou “menos bonita”, pode ter tanto encanto como o maior borracho… um olhar, um tom de voz, uma forma de se mover… e sobretudo um interior que sobressai, eclipsando os defeitos exteriores…
Quem liga demasiado ás aparências fica frequentemente a perder… muitas vezes o embrulho não condiz com o que vem na caixa.
As Barbies e os Kens deste mundo nem sempre têm interesse e quem vê caras não vê corações. ;)

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Carneirada… mééééé

É tendência natural, mesmo sabendo não ser possível, a de querer agradar a Gregos e a Troianos. Ou pelo menos a minha é… lol
Por exemplo, estou agora a organizar o segundo “Grande Jantar” do nosso sitezinho. Fixámos a data mediante votação, era evidentemente impossível encontrar uma que conviesse a três mil e tal pessoas, ganhou portanto a maioria.
Acreditam que fico genuinamente triste de cada vez que alguém me anuncia com pena que não poderá estar presente?!

Ora o tempo não é elástico, o espaço também não e, para além disso, nem sempre faz sentido misturar pessoas.
Como me escreveu recentemente um amigo meu: “ Tu é que achas sempre que os cocktails sociais têm imensa piada”.
Ok… isto agora vai doer… argh… prontes, cá vai… leva lá a bicicleta, dou o braço a torcer, ás vezes não é de facto muito boa ideia e pode lixar o ambiente… Uf, pronto, já disse… ;)

Acontece que eu detesto ter de escolher e vejo-me portanto ás vezes perante situações em que tendo, de facto, a misturar alhos com bugalhos ou a tentar meter o Rossio na Rua da Betesga.
Mas, estando apesar de tudo consciente de não conseguir fazer milagres, vezes há em que tenho mesmo de deixar alguém(s) pendurado.
E aqui é que a porca torce o rabo… fico cheia de problemas de consciência por deixar de fora alguém que, sabendo do evento, provavelmente estaria à espera de ser convidado.

Como já devem ter percebido eu gosto de gente, sou o anti-bicho-do-mato.
Logo vejo-me frequentemente confrontada com situações em que simplesmente não posso convidar “toda a gente”.
Não interessa se é uma festa, um jantar, um fim de semana… ás vezes há que “seleccionar”.
Já cheguei a desistir de organizar coisas por não o conseguir fazer…

Por receio de vexar alguém, já cheguei até a considerar fazer panelinha, por forma a que não viessem a saber de determinada combinação… naquela teoria de que o que os olhos não vêem o coração não sente...
Felizmente tenho conseguido evitar fazer esse tipo de figuras tristes e acabei sempre por desistir da ideia. Como se costuma dizer, mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo…

Os grupos, o “Síndroma de carneirada”, são a maior causa desta problemática.
Todos temos “grupos” na nossa vida… o grupo de amigos, o grupo do jogo, o grupo do trabalho, o grupo do desporto, o grupo da escola, o grupo do diabo a sete…
Quando se fazem actividades “de grupo” geralmente convida-se “o grupo” todo… a gaita é quando se quer/pode simplesmente convidar alguns elementos!!!

Como comentei num post anterior as relações não são, nem podem ser, todas iguais…
Logo, temos sempre mais empatia com uns membros “do grupo” do que com outros e consequentemente mais desejo de estar com estes em situações “extra-grupo”.
Chegamos inclusivamente a pensar em diferentes indivíduos consoante o evento.
Por outro lado não se pode evidentemente convidar o mesmo número de pessoas para uma festa, para um jantar sentado ou para um fim de semana, por exemplo. O espaço torna-se portanto uma limitação.

Se tivermos em conta que, hoje em dia, a maior parte da malta está “casée” e com rebentos… a coisa torna-se mais complicada ainda, rapidamente se esgota qualquer lotação.
Longe vão os tempos em que quando se convidava a Maria Albertina, se contava com a Maria Albertina… Agora são a Maria Albertina e o Evaristo, com a Vanessinha, a Carla Sofia e o Igor Filipe…
Ou seja, quando fazemos a nossa listinha, pensamos em A, B e C… mas na pratica muitas vezes temos depois de multiplicar por… vários… o número de participantes.

Isto faz-me pensar no “problema” que tenho com os animais…
Sou uma bichoólica confessa, por mim tinha um verdadeiro jardim Zoológico em casa.
Calem-se… uma cobra, um cão e gato e meio não qualificam para jardim Zoológico!!! Haviam de ver o que isto era se eu me autorizasse a trazer para casa tudo o que me apetece…
A realidade é que, com uma que outra excepção rapidamente rectificada, tenho conseguido gerir muito bem este assunto.
Agora estou a aprender a fazer a mesma coisa com os humanos… lol

A questão é que os bichos não ficam chateados comigo por não os trazer para casa. É evidente que a coisa piora sensivelmente quando as pessoas reagem “mal”…
Mas confesso que cada vez tenho menos paciência para “criancices” de adultos, devo estar a ficar velha. ;) Por criancices entendam-se amuos, birras, melindres, ciúmes e afins.
Se não percebem que não podemos todos ir a todas… batatas.

Neste último ano, por causa do monstro, acho que conheci mais gente do que em todo o resto da minha vida… a questão que tenho estado a comentar não é nova, sempre existiu, mas este fenómeno recente obrigou-me a enfrenta-la.
Dantes acontecia de vez em quando, agora vejo-me constantemente perante o dilema… e raios me partam se vou continuar a sofrer com isso…
Se alguém não compreender e ficar f… que meta uma rolha. lol



terça-feira, 26 de maio de 2009

Uma pausa...

COM MÚSICA



Acreditem ou não, o "post desta semana" já está escrito...
Foi uma "encomenda", mas vão ter de esperar umas semaninhas para o ler, não o posso ainda publicar.
E perguntam-me vocês "Mas atão porquê que não deixaste simplesmente o anterior?".
E praguntam muito bem...
Porque há certas e determinadas melgas que, quando não publico "a tempo e horas" me começam a dar cabo da cabeça "Então? Então?!"
E perguntam vocês "Atão porque não publicas outro?"
E julgam vocês por acaso que não tenho mais nada que fazer?
Isto demora um tempão... não consigo escrever dois por semana!!!
Pertantes, se não tiverem memo memo mai nada que fazer, se insistirem em ler alguma coisa aqui, sugiro que explorem os posts mais antigos...
Já vos deixei uma listinha por "temas" para facilitar a escolha... Enjoy! ;)
Até para a semana...
Bjs
C