domingo, 27 de setembro de 2009

O voto

COM MÚSICA


Acho que é desta que vou ser linchada… lol
Ora bem, deixem-me respirar fundo e baixar a cabeça para enfrentar as bastonadas, antes de começar a escrever este post… cá vai vai então…

Está a fazer-me muita confusão a verdadeira onda de violência verbal que tenho presenciado nestes últimos tempos relativamente à abstenção nas eleições…
Eu hoje fui votar… tenho quarenta e quatro anos e deve ser a quarta ou quinta vez que voto…
Fui votar e ofereci o meu voto a um amigo… não a um político, a um cidadão como eu e você… lol
Porque não? Se posso oferecer prendas… se posso oferecer tempo… porque não haveria de poder oferecer o meu voto?
Votando, seria provavelmente onde votaria de qualquer maneira, mas a realidade é que só me desloquei por causa dele, porque sabia que para ele era importante.

Não costumo votar porque vivo no mundo da lua, vivo completamente a leste de todas as politiquices nacionais e internacionais, não leio jornais, não vejo televisão.
Se esta é uma atitude positiva ou não, seria tema para outro post, mas estou aberta a todo o tipo de críticas construtivas a este respeito.
Eu sou simplesmente assim, não consigo ir a todas e a minha vida é uma coisa assim mais “caseirinha”. Ás vezes pergunto-me se não serei intrinsecamente loira mas a realidade é que I don’t give a damn. Não me tenho dado mal e, até alguém me convencer de que estou profundamente errada, não vejo razões para mudar.

Dir-me-ão que sou uma completa idiota, que o resultado das votações tem tudo a ver comigo, que a política, que tão levianamente renego, irá entrar pelo meu dia a dia adentro e afectar-me directamente.
Pois que estou consciente de que têm toda a razão… só que isso não afecta em nada a minha posição.
Já alguém me ouviu queixar da “merda de país em que vivemos”, reclamar contra o governo ou cascar no Sócrates? Já alguém, alguma vez, me ouviu falar em política, passada, presente ou futura ? Pois… é que nem penso nisso.
Para mim as coisas são mais imediatas, não consigo ver a causa e efeito das medidas tomadas por um governo a não ser que mas abanem à frente dos olhos e expliquem como se tivesse dois anos.

“Um direito, um dever cívico”, pois permitam-me que discorde.
Um direito, sim senhor e um direito muitíssimo importante.
Um dever?! Não consigo concordar com isso…
E sabem porquê?
Porque eu levo qualquer votação a sério, não acho que seja coisa para se andar a “brincar”. Acho que quem vota deve fazê-lo porque acredita que a sua “palavra a dizer” é importante mas, mais importante ainda, porque é conhecedor das opções que tem em aberto e, em consciência, escolheu uma.

Li hoje no facebook que “… quem não vota, não escolhe!”
Desculpem, mas isto não será uma Lapalissade nem nada?
O que está, na minha opinião, em questão é o porquê da coisa, não votou porquê?
O Guincho estava demasiado fantástico?
Havia eventos no autódromo? (ouvi roncar motores o dia todo…lol)
Não lhes apeteceu despir o pijama?
Enfim, estão a ver a ideia…
E depois vão acintosamente criticar o estado das coisas??!
Têm opiniões, muitas vezes convictas, mas acham que não as devem partilhar com o resto do país fazendo uma cruz num papelito?
Tá mali !! Pois claro que está mali…

Mas… agora imaginem a seguinte situação…
A mãe (porque é que tem de ser sempre a mãe?... ;) dá a escolher à família o que quer jantar.
Uns emitem a sua opinião, outros dizem que lhes é indiferente e em função disto define-se o menu.
Dos que afirmaram ser-lhes indiferente, alguns descobrem que afinal tinham uma séria vontade de alguma das coisas, tipicamente a que não têm no prato, outros comem e calam.
Os primeiros são sem dúvida os abstencionistas típicos. Não ouvem a pergunta ou no momento da escolha “têm mais que fazer” e depois refilam.
Concordo que isto seja muito irritante. Baldam-se à tomada de decisões e depois mandam vir com as que foram tomadas.
Mas e os outros? E aqueles que comem o que se lhes põe à frente e não chateiam?!
Notem que isto não quer dizer que comam qualquer merda, estragada, salgada, queimada mas, baseando-se no princípio de que a refeição venha para a mesa em estado de ser comida, apesar de poderem evidentemente ter preferências, tanto se lhes faz carne ou peixe…
Mas ainda bem que alguém toma a decisão do que cozinhar, senão não se comia.

No meu caso, simplesmente não sou “má boca”… será pecado?!
Será que numa democracia as pessoas não terão também o direito de não votar?
Eu voto no direito a poder eventualmente ficar calado… ;)


terça-feira, 22 de setembro de 2009

De quarentões para cima…

COM MÚSICA

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Quando éramos mais novos todos acabávamos por assumir algum papel no liceu… A menina bonita, o fanfarrão, a tímida, o gabarolas, a pirosa, o introvertido, a boazona, o corajoso, a feiosa, o romântico, a cabra…
Dei-me conta de que algumas pessoas não perceberam ainda que “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”. ;)
Sim, é verdade… sentimo-nos atraídas pelos meninos bonitos da escola, um palminho de cara era meio caminho andado para ficarmos pelo beicinho. Sim, os putos de falinhas mansas ou os natural born leaders causavam o seu efeito. Sim, era importante aquela dose de “I’m the king of the world” para nos conquistar…
E há de haver um equivalente para eles.
Mas sabem que mais? Já não são as picas da adolescência que nos interessam hoje em dia…
Com os anos e a vivência, as pessoas (quer dizer... algumas...) vão aprendendo umas coisas.
No que respeita as relações amorosas, ao fim de uns anos largos de vida e de um que outro casamento falhado, começamos a ter uma noção cada vez mais nítida do que queremos e do que não queremos.
Descobrimos uma que outra coisa…
Que uma carinha laroca não é garantia de uma personalidade interessante.
Que um corpinho bem talhado não é garantia de satisfação sexual.
Que as falinhas mansas são muito bonitas mas que gostamos mais de ver as coisas postas em prática.
Que não somos pertença de ninguém.
Ou seja…
É nesta fase da vida que os patinhos feios se podem transformar em cisnes.
As qualidades mais apreciadas já não são as mesmas. Passa a dar-se mais valor ao “é” do que ao “parece”, mais crédito ás acções do que ás palavras, mais importância ao equilíbrio do que à força.
É como se o nosso discernimento passasse a usar peneira, a por de lado tudo o que já nos causou problemas, a procurar repetir o que correu bem.
Ou seja (digo eu, que gosto muito de dizer coisas…) a partir de certa idade, nós queremos mais é que não nos lixem o juízo. O que queremos ao nosso lado é alguém que nos veja tal como somos, com qualidades e defeitos, e aceite conscientemente todo o pacote. Alguém que dê importância ás coisas realmente importantes, perdemos a pachorra para “cenas”. Queremos que nos divirtam, que nos apoiem, que nos dêem espaço, que nos respeitem, que nos critiquem ou admirem conforme o caso e nos aceitem com os nossos bugs.
E queremos também que esperem todas estas coisas de volta da nossa parte.

domingo, 13 de setembro de 2009

Crises de Fé

COM MÚSICA

Julgo que todos tenhamos em alguma coisa.
Bem… se não for o caso também isso agora não interessa nada, pois vou só falar dos que têm. lol
A é geralmente associada à religiosa, mas não é necessariamente o caso…

Wikipedia:

“Fé (do grego: pistia e do latim: Fides) é a firme convicção de que algo seja verdade, sem nenhuma prova de que este algo seja verdade, pela absoluta confiança que depositamos neste algo ou alguém.
A fé relaciona-se de maneira unilateral com os verbos acreditar, confiar ou apostar, isto é, se alguém tem fé em algo, então acredita, confia e aposta nisso, mas se uma pessoa acredita, confia e aposta em algo, não significa, necessariamente, que tenha fé. A diferença entre eles, é que ter fé é nutrir um sentimento de afecto, ou até mesmo amor, pelo que acredita, confia e aposta.
É possível nutrir um sentimento de fé em relação a uma pessoa, um objecto inanimado, uma ideologia, um pensamento filosófico, um sistema qualquer, um conjunto de regras, uma crença popular, uma base de propostas ou dogmas de uma determinada religião. A fé não é baseada em evidências físicas reconhecidas pela comunidade científica. É, geralmente, associada a experiências pessoais e pode ser compartilhada com outros através de relatos. Nesse sentido, é geralmente associada ao contexto religioso.”



De entre as várias coisas que compõem o nosso ser, como a nossa personalidade, as nossas crenças, os nossos princípios, as nossas ideias… a fé é, na minha opinião, uma das mais importantes.
Se estivermos convencidos de que a vida é totalmente aleatória, caótica, sentir-nos-emos constantemente inseguros. Acreditar que haja uma razão para que as coisas sejam como são, mesmo que não se consiga identificar essa razão é, julgo eu, fundamental para o nosso equilíbrio.

Nas definições associa-se a fé a ideias como “acreditar”, “apostar”, “confiar”, “sentir afecto”… de onde se deduz que a fé se refira sempre a sentimentos positivos.
“Confio, acredito e aposto, que aquele filho da mãe me vai tentar aldrabar no negócio”, não qualifica para fé, apesar de cumprir com a maior parte dos requisitos.

Há coisas em que acreditamos sem que as possamos provar, não são por isso menos verdade aos nossos olhos. Nelas depositamos a nossa confiança e vivemos em conforme.
Pode ser uma coisa “grande”, como uma religião ou várias piquininas, como no meu caso, que todas juntas acabam por fazer com que esta vida faça sentido.

A fé, pode acabar de repente…
Uma vivência dolorosa, uma experiência traumática, um enorme desgosto podem, julgo eu, matar qualquer fé.
Mas nesses casos fala-se em perder a fé… não em crise da mesma.

Não, as crises de fé não são geralmente provocadas por uma machadada radical…
Estas geralmente aparecem por desgaste, quando nos cansamos, nalguma área da nossa vida, de remar contra a maré… de dar um passo para a frente e logo a seguir dois para trás…
Quando nos fartamos de ver a luz ao fundo do túnel, mas nunca lhe conseguimos realmente chegar…
Quando a nossa vida se mantém tipo montanha russa enquanto que, pelas nossas contas, já deveríamos estar a chegar ao cais, com as pernas a abanar, mas o estômago no sítio.
Ou quando uma série de eventos adversos, uns atrás dos outros, parece vir contrariar aquilo em que acreditamos.

Por exemplo… durante os partos gera-se muitas vezes uma grande crise de fé… ;)
A maior parte de nós acredita que parir é a coisa mais natural do mundo, tem confiança que vá tudo correr bem (se não houver anteriormente causa para alarme), sente já amor pelo serzinho que aí vem… Grande parte das mulheres (ok, há umas que são um bocadinho mais caguinchas…) vai para o parto cheia de fé em que vá tudo correr bem.
Umas horas de fé mais tarde, as coisas já piam de outra maneira…
Como é possível suportar aquelas dores durante tanto tempo? Em que cinco minutos rapidamente parecem uma hora... E dizem-nos que ainda não está para breve?! Devem estar a gozar connosco… alguém aguenta aquilo mais uma vez?
E então lá aparece a fé, que nem anjinho de asas brancas, a dizer-nos à orelha que à milénios que as mulheres passam por aquilo… muitas até repetem a dose.
Depois vem o diabinho, de corninhos vermelhos e rabinho em flecha, que nos berra: “que se lixe essa merda toooda, eu quero uma epidural e quero já!”

A realidade é que “quem espera, desespera”… e se a espera for dolorosa, pior ainda… e sem esperança, não há fé que aguente.

A fé é o que nos permite enfrentar as adversidades com serenidade. É o que nos faz acreditar que há uma maneira de chegar ao outro lado… seja lá o que for o outro lado… é o sítio para onde queremos ir…
A fé digamos que é uma ponte…
Só que quando esta é abalada, a ponte aparece-nos assim



Entre o dia em que meti na cabeça que iria abandonar a querida mas muito stressada Lisboa e acabar a minha vida para os lados de Cascais/Sintra, e o dia em que fiz efectivamente a mudança, passaram-se quinze anos.
Entre o dia em que deixei de tomar a pílula com intenções de engravidar, e o dia em que vi pela primeira vez a carinha linda do meu filho, passaram-se dez anos.

Tantas vezes a ponte me pareceu pouco sólida.
Tantas vezes me perguntei se deveria ou não tentar de facto atravessa-la.
Tantas vezes tremi ao fazê-lo…
Mas cheguei lá… cheguei lá porque, em termos de ditados populares, prefiro aquele que diz que “quem espera, sempre alcança”… e levo-o nos dois sentidos, de quem espera pacientemente (de preferência sentado, ás vezes…) e de quem tem esperança…

Por isso, por muito ranhosa que a ponte possa parecer em determinadas alturas, é acreditar que é possível de alguma maneira atravessa-la…

Mas o que é importante é que continuemos sempre a ver uma ponte. ;)

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Full of Shit

COM MÚSICA

Hesitei muiiito em escrever este post, muito mesmo, dado que apesar de não identificar as pessoas em questão, vou divulgar coisas que até à data estavam no segredo dos deuses…
A realidade é que o assunto me fez tanta confusão, que mais uma vez não consigo ficar calada.
(o facto de já ter ouvido zumzums de que os deuses afinal não eram assim tão discretos, ajudou … lol)
Esperei no entanto umas semanas antes de o fazer… para deixar desvanecer o sabor a fel, para assentar ideias e poder fazê-lo com a maior objectividade possível.

Mais uma vez (há malta que não aprende…), abalancei-me a organizar um evento, uma festa desta vez… sei lá… é verão (pelo menos é o que diz o calendário), a malta pareceu-me com vontade de se divertir, de beber uns copos, de abanar o capacete …
Fiz sondagens, pedi opiniões, e… pedi ajuda, por forma a levar o barco a bom porto.

Se era capaz de o fazer sozinha?!
Julgo que sim, mas com um esforço, uma quantidade de trabalho e um gasto de tempo de que alguém com conhecimentos e experiência na matéria não precisaria.
Neste momento não me posso dar a esse luxo.
Tentei então só coordenar só as coisas e passar a bola a quem sabe.

Tive variadíssimas propostas de ajuda, bastantes mais do que estava à espera. Ao ponto de, a certa altura, dar comigo aflita quanto à selecção. Achei que o mais justo, visto que não tinha “referências” de ninguém, seria a “ordem de chegada”.
Calhou bem ainda por cima, pensei eu, porque a primeira da lista era uma rapariga com um ar extremamente caloroso e simpático (disse eu de mim para comigo, ao ver a sua foto do perfil…).

Contactei-a e ficámos de nos encontrar…
O nosso face a face teve no entanto de ser mais de uma vez adiado, devido a factores externos que não vêm ao caso.
Logo nessa fase a coisa complicou um pouco; impossível apanhar a menina no telefone, nunca mo atendeu. A nossa comunicação foi-se fazendo sempre com delay, por mail ou sms o que, quando se espera respostas rápidas, confesso ser um bocadinho encanitante.

Quando finalmente nos encontrámos, o sítio já estava apalavrado e a coisa vagamente alinhavada, embora ainda nenhum detalhe decidido.
Apareceram, não uma mas duas, meninas… o primeiro embate foi um choque, chegaram atrasadas e de nariz empinado, sem qualquer vestígio de simpatia.
Ouch… começou logo mal.



Que diferença relativamente à minha anterior “reunião”, quando me foi apresentado o sítio, em que a empatia foi imediata, a conversa simpática e descontraída, em que discutimos o assunto afavelmente e com entusiasmo recíproco.

Começaram logo por comentar que não era o local que tinham em mente, o que foi extremamente simpático para a pessoa que o estava a oferecer sem pedir nada em troca.
Na sua opinião tinha também de se divulgar mais amplamente o evento, no facebook por exemplo, senão não tínhamos grandes hipóteses de fazer uma coisa “em grande”.
Fez-se a sugestão de contactar uma daquelas roulottes de hambúrgueres ou hot dogs para estar à porta, para quando a fome apertasse. Levámos com um retumbante “nem pensar, cheiro a fritos, que horror … isto não é uma feira, mas se quiserem fazer uma feira, podemos contratar ciganas para ler a sina e pomos cá umas pessoas a vender colares…”

E a coisa foi continuando neste tom, em que a humildade não fez qualquer aparição.
O ambiente estava de se cortar à faca.
Tal como temi, o pavio do nosso anfitrião é curto (salve seja, cruzes credo…) e saltou-lhe a tampa. Foi o descalabro… Procurei um buraquinho para me enfiar, mas não encontrei.
Fiquei ali a assistir à luta de galos e a tentar por paninhos quentes, a pensar “onde é que eu me vim enfiar…”.

Quando os ânimos acalmaram um pouco, combinou-se uma segunda reunião, para uns dias depois, em que elas apresentariam uma proposta concreta a ser analisada.
Chegada a casa achei por bem enviar um mail a por uns pontos nos iis e a perguntar se de facto todos achavam possível trabalhar juntos, depois da desastrosa primeira reunião.
Recebi na volta um mail a pedir desculpa pela “resposta tardia” justificada por “não estar sempre ao computador”, em que não concordava nada comigo quanto ao espírito da festa (que teria de ser em grande sim, para eclipsar a má impressão do flop do jantar) mas a dizer que estava disposta a ir com a coisa para a frente.

Vi a luz… nesse momento vi a luz… que é como quem diz, raios me partam se me ia enfiar naquele ninho de vespas. Chatices e má onda chegam as que me caem em cima sem eu dar por isso, não ia garantidamente ao seu encontro pelo meu próprio pé.
Tentei telefonar, a menina mais uma vez não me atendeu o telefone, deixei mensagem.
De seguida enviei um mail a todos a explicar que não estava disposta a ir para a frente nestas condições, dado que nitidamente não estávamos a entender-nos, a pedir desculpas e a dizer que poderíamos depois falar pessoalmente.
Responderam-me vocês? Assim me responderam elas, “educadamente” até hoje, nem ai, nem ui.

Porque escrevi este post? Para desabafar? Para fofocar?
Não… simplesmente porque me faz muita confusão como é que duas pessoas, de quase trinta anos, parecem não ter ainda aprendido nada na vida…
Não tiveram uma única atitude simpática. A agressividade, a arrogância, a falta de humildade com que se nos apresentaram bradam aos céus. Não fizeram o menor esforço para entender "o outro lado" , só pareciam interessadas em mostrar como eram o máximo, o cúmulo da eficiência e do profissionalismo. Não foram capazes de compreender que não era nada disso que se esperava delas, que este não era um evento para encher o olho mas sim o coração, que o que se queria era uma festa de amigos e não da CARAS. Para além disso, nitidamente não entendem de todo a alma do nosso sitezinho, confundindo-o com mais um Facebook.

Credo, será que a idade é desculpa para tanta falta de noção?

PS: Aqui estou "em casa", por razões óbvias não divulguei no site a origem dos enguiços com a nossa festa, não é minha intenção hostilizar ninguém, gostaria que a coisa se mantivesse assim...


NOTA (26/8): Sinto que, mais uma vez, dei um tiro ao lado. Fico triste e pergunto-me até que ponto consigo de facto transmitir as minhas ideias. :( Esta história chateou-me na altura, claro que chateou, acho que chatearia qualquer um… incomodou-me enquanto não “se resolveu”, enquanto não pus uma pedra no assunto e passei à frente… Agradeço imenso as mensagens de apoio que tenho recebido, sobretudo no Facebook, no entanto este blog não é suposto ser um “diário” (acreditem que se mantivesse um diário não o faria online), e o que senti ou deixei de sentir é totalmente irrelevante para a história. Acredito que elas tinham de facto capacidade para realizar este evento, e possivelmente muito bem, e acho que se poderia ter ido para a frente com uma coisa interessante, que nem sequer chegou a ser realmente discutida porque simplesmente não souberam/quiseram ouvir. O objectivo deste post era “demonstrar” como, na minha opinião, uma postura “errada” pode deitar tudo a perder, como uma coisa que poderia ser gira, divertida e simpática de organizar ficou em águas de bacalhau por uma questão de atitude. Era isso, e simplesmente isso, que estava aqui em questão… :(

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Parem o carrossel que eu quero descer…

COM MÚSICA



Nunca vos apeteceu fazer “pausa” na vossa vida?
Há momentos em que o cansaço (físico, psicológico, emocional) é tanto que só nos apetece parar um bocadinho para retomar fôlego…

Dir-me-ão que é para isso que servem as férias… pois… acontece que nem sempre cumprem com a sua função. Foi o meu caso este ano… acabei de voltar das minhas e sinto-me bastante pior do que antes de partir.
Não me entendam mal, as férias correram bem, sem espinhas, foram “boas”, simpáticas … mas tããão cansativas!!!

Passei uma semana em Porto Covo, em casa de uns amigos que simpaticamente insistem em convidar-nos todos os anos, vá-se lá saber porquê... ;)
Costumava ser um período de relaxamento e descanso, intercalado com calmo cãobibio entre amigos.
Pois que não… este ano foi a loucuuuraaaa!!!



Céus, o que aconteceu?! Toda a gente foi para fora cá dentro?
Estivemos constantemente rodeados de dúzias de pessoas, resmas de crianças irrequietas, paletes de adolescentes com as hormonas aos saltos…
Na praia chegámos a ser mais de 50!!!
O pior é que à noite também… ele foram jantares, ele foram festas, ele foi uma lufa-lufa desgraçada, sempre a abarrotar de gente e de confusão.

Tenho um jipe que normalmente só serve para subir passeios… pois este ano, que precisava dele para não ter de andar léguas a pé para ir para a praia, resolveu entrar mais uma vez no estaleiro.
Não consegui estar sossegada três segundos, sempre que julgava que ia ter um momento para mim, aparecia alguém a querer dois dedos de conversa.
Levei dois livros… não li uma única linha.
Enfim, passons … não foram umas férias pacíficas, não senhor.

A meio da semana tive uma crise de ansiedade durante a noite. Não consegui dormir mais de dez minutos seguidos, com uma inexplicável angústia a remoer-me o estômago.
Confesso que me fez bastante confusão visto que objectivamente não havia qualquer razão para tal…
Ao desabafar sobre o assunto com uma sábia amiga loira, pergunta-me ela: “E isso não será cansaço? Estás com um ar cansado…”
Cansada? Cansada, eu?! Cansada porquê? Estou de férias…
lol
Mas fiquei a remoer…
E cheguei à conclusão de que estou muito cansada, sim.


Este ano que passou (a minha mente ainda funciona em anos lectivos, ao fim de tanto tempo para mim o ano continua a começar em Setembro…lol) foi extenuante para mim. Foi muito bom, muito gratificante, muito positivo, mas chupou-me até ao tutano, essa é que é essa.

Foi o primeiro ano de vida do meu segundo filho , em que tive de inserir no ramram do meu dia a dia a assistência ao mesmo… para ajudar, para gerir, para organizar, para dinamizar …
Conheci imensa gente, com quem mantenho contacto diário, tanto através da net como ao vivo e a cores. Sou constantemente requisitada, as pessoas estranham quando ando mais “calada”, pedem atenção, preocupam-se se tenho silêncios mais prolongados.
Acho que tive tantos eventos sociais este ano como em todo o resto da minha vida… lol
Acaba por ser um “trabalho” a tempo inteiro… não há folgas, não há fins de semana, não há feriados, não há férias.
Claro que sou eu que “permito” que assim seja, mas que ei de fazer?! Eu sou assim… (lololololol gostaram?! … ok, ok, pronto, admito, é uma das coisas a por na lista das mudanças a fazer… )

Para além disto não foi sem dúvida um ano fácil… tive algumas chatices, porcarias para resolver, um que outro stress, uma que outra maleita … merduncas normais na vida de uma pessoa, que não matam, mas no conjunto moem bastante.
Estava sem dúvida a precisar de um período descansado e calmo, sem nada que puxasse por mim.
Mas isso não é possível, voltei à vida real, tenho imensas coisas para fazer, para tratar, para resolver.
E agora?

E agora, como dizem os putos, faz xixi na mão e deita fora!
Ou, como costumo dizer: batatas!
Quem não passou já por situações como as que acabo de descrever?
Quem não teve já vontade de parar o mundo e sair?
O problema é entrar em parafuso, panicar , desanimar…

Tanga nizzi, como dizia o outro.
Há é que ter calma e estupidez natural…
O que não se puder fazer, vai-se fazendo.
O que não se resolver hoje, trata-se amanhã.
Organizamo-nos, programamo-nos, damos um passo a seguir ao outro e levamos um dia de cada vez.
Se as pessoas se chatearem com as ausências daqui e dali, paciência, não somos omnipresentes, não temos infelizmente o dom da ubiquidade.
Se não podemos fugir, fazemos pausas, arranjamos um pouco de quality-time de vez em quando, poupamo-nos, para não rebentar.

Carpe Diem ! ;)

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Facilitismos

COM MÚSICA

Na semana passada fui passar uns dias a casa de uns amigos ao Allgarve (lol)…
No dia em que chegámos, ele, o pai de família, voltou para Lisboa com o filho mais velho.
Fomo-nos todos despedir ao carro e qual não foi o meu espanto quando a criança se deitou no banco de trás, sem cinto, a jogar playstation…

Perguntei “mas o miúdo vai assim?!”
Responderam-me em estilo sacudidela “vai”

Hum… Eles são os pais… calei-me. Mais tarde não consegui no entanto conter-me… voltei a tocar no assunto. Perguntei se era costume o puto andar sem cinto no carro, a mãe respondeu-me que com ela não, com o pai sim. Hum… again. Há relativamente pouco tempo, completamente por acaso, ao navegar no nosso sitezinho, fui parar a um blog onde se descrevia a morte de uma criança nestas circunstâncias… infelizmente já não me lembro de todo de quem era, não consegui voltar a encontra-lo para aqui deixar o link. O pai foi buscar os filhos a casa da avó, era tarde, o filho mais novo estava cheio de sono, o trajecto era curto, o risco mínimo, o pai decidiu deixa-lo ir deitado no banco de trás, em vez de lhe por o cinto. Tiveram um acidente, o carro capotou, a criança foi cuspida e teve morte imediata. O pai ficou inconsciente, a irmã mais velha aflita, sozinha, à noite, no meio do nada, é que chamou ajuda. A família nunca mais se recompôs. O relato do acontecimento estava extremamente bem feito, sentido, contava não só o acidente como tudo o que se seguiu, a forma como uma vida se perdeu e várias outras foram devastadas. Mexeu comigo mais do que possam imaginar. Mencionei o facto à mãe. Senti que estava incomodada, que compreendia o que estava a tentar transmitir… Mas afirmou que já tinha discutido demasiadas vezes o assunto, que insistir seria gerar problemas com os quais não conseguia lidar. Que tinham concordado em discordar e que cada um, quando viajava com as crianças, fazia como bem entendia. Começou a subir-me a mostarda ao nariz… como sabem não tenho um feitio fácil… insisti que era a vida de uma criança que estava em jogo… que a decisão não era equivalente à de lhes dar gelados ou não, de vestir esta ou aquela roupa ou de os deixar ir para a cama mais tarde… quase, quase, que me exaltei… mas controlei-me e mais uma vez voltei a calar-me. Mas não consigo deixar de pensar nisso… Na sexta-feira passada morreu mais um membro do nosso site… um rapaz de 27 anos… ceifado assim de um momento para o outro. Mais uma vez tive de anunciar a triste notícia. Mais uma vez fui transmitir os meus sentimentos à família. Desta vez o pai também está inscrito no site e ao escrever-lhe o email revolveram-se-me as tripas. A dor… a dor que deve ser a perda de um filho… Não quero nunca ter de dizer a estes meus amigos “I told you so…” Não quero ter de assistir à sua dor, ao seu desespero… lamento, mas não consigo ficar calada… Acordem!!! Acordem eles, acordem todos aqueles que acham que a distância é curta, que estas coisas só acontecem aos outros, que quando éramos pequenos andávamos de carro sem cinto e ainda aqui estamos… Acreditem, não estamos todos… quando era miúda assisti a um acidente gravíssimo, morreram todos os que iam no carro… passei-lhes mesmo ao lado… quatro meninos … ainda me lembro dos seus corpinhos debruçados sobre os bancos da frente… das suas T-shirts ás riscas azuis e brancas… cobertas de sangue… mas nessa altura muitos carros não tinham cintos atrás.  

sábado, 18 de julho de 2009

B good

COM MÚSICA

No outro dia ouvi da boca da minha irmã duas coisas que nunca pensei ouvir…
“… e eu disse-lhe: a minha irmã é que tem razão, o que está a dar é ser bonzinho…”
A primeira que me “citou” a alguém… a segunda, que me deu razão nalguma coisa…
Minha alma está parva, ainda não recuperei do choque!!! Os sais, por favor alguém me traga os sais…

Dito isto… ;)
A realidade é que muita gente já está a começar a perceber… (não obrigatoriamente por influência minha, atenção… mas fui eu que comecei a apregoar primeiro… ná!) que sendo “bons” muito mais facilmente somos felizes… que quanto “melhores pessoas” formos, melhor nos corre a vida.

Dir-me-ão (e não posso senão vergar-me perante a evidência), que o conceito não é propriamente novo… que qualquer religião, por exemplo, se baseia no mesmo conceito (bem, menos talvez aqueles gaijos que acham que devem rebentar com todos os infiéis).

Ora bem… é um facto, mas… se for assim uma ideia que interiorizamos ao domingo enquanto temos a óstia encostada ao céu da boca… não serve de muito. As teorias são muito bonitas mas não mudam o mundo.

Mas, se se derem ao trabalho de analisar a vossa vida, chegarão certamente à mesma conclusão; compensa mesmooo… Se formos pessoas baris, seremos certamente recompensados por isso.

Ser boa pessoa não quer dizer que tenhamos de ser Dalai Lamas ou Madre Teresas. Quer simplesmente dizer que não levamos a vida de forma egoísta, pensando só no nosso umbigo mas que também nos preocupamos com o bem estar de quem nos rodeia.

Neste momento, alguns de vocês estarão a pensar enfadados se lhes irei finalmente dar alguma novidade e outros a tentar perceber onde é que estou a querer chegar.
Os primeiros são os que põem a coisa em prática e estou a recitar o Pai Nosso ao cura… os segundos são os que conhecem a teoria toda de cor.

Vou então dar-vos um exemplo prático…
Há mais de um mês que estamos sem um dos nossos chaços velhos… coitadinhos, estão como nós, a acusar a idade… lololol
Não é fácil viver onde vivemos só com um carro… claro que a coisa pareceu logo muito menos grave quando (3 dias depois) o segundo chaço velho também avariou e passámos a não ter carro nenhum. Garanto-vos, um carro é muitooo melhor do que carro nenhum…

Quando era finalmente suposto estar pronto, telefonei ao mecânico que me disse furioso que o torneiro não tinha feito o trabalho como deve de ser e que tinha de levar-lhe outra vez a cabeça.
No dia seguinte recebi um mail em tom angustiado em que me anunciava basicamente que estou feita… lol… a cabeça está mesmo estalada e vai ter de ser substituída, ou seja, o pior cenário do orçamento que me tinha feito.
Mostrava-se furioso com o torneiro por não ter visto antes, o que o obrigou a montar e desmontar o motor várias vezes perdendo horas de trabalho.
Mostrava-se também preocupado relativamente ao preço que iria custar e dizia que me faria a cabeça a preço de custo.

Mas por que caraças é que o homem haveria de perder dinheiro comigo?!
É o negócio dele, não é meu pai, não me deve nada…
Já perdeu horas de trabalho, que não me vai certamente cobrar porque não tenho culpa nenhuma que o torneiro tenha metido a pata na argola.
Ficou com um carro a empatar muito mais tempo do que seria espectável, não pegando assim nos dos outros clientes.
Por que raio é que me haveria de fazer um desconto na cabeça?

Enviei-lhe um mail a dizer basicamente isto e que não estivesse tão preocupado por causa dos prazos visto que estaria fora até terça-feira.

Recebi de volta um mail amoroso, a dizer que “dá gosto ter clientes e Amigos assim” , que tudo fará para rapidamente me entregar o carro e que quanto a valores a seu tempo trataremos disso…

Não vêem em que é que esta história tem a ver com o tema do nosso post?!
(este “nosso” era de enfermeira ao contrário: “vamos levar uma injecçãozinha!”)
Este mecânico, que arranjei aqui há uns tempos, é um gaijo porreiro.
Parece ser bom profissional, não que eu tenha qualificação para o saber, mas pelo menos não tenho razões de queixa das reparações que tem feito.
Mas, sobretudo, é um “bom” ser humano e para saber isso já me considero qualificada.

Conclusão…
Ele está preocupado comigo, porque sabe que não tem sido fácil só com um carro e que não nadamos em dinheiro.
Eu compreendo que é o negócio dele e que estas coisas são caras e demoradas.
E qualquer um de nós o tem expressado ao outro.

Não estamos cada um a tentar puxar a brasa à sua sardinha…
Seria fácil para ele tentar aldrabar-me e cobrar as horas que perdeu por causa do torneiro.
Seria fácil para mim criar-lhe tensão, pressiona-lo para que me despachasse o carro e aceitar a sua oferta de “desconto” devido à demora.
Mas nada disto faria sentido porque qualquer um de nós entende a situação do outro.

Ser bonzinho não quer dizer que tenhamos de ser totós… ser bonzinho é neste sentido...


... os outros são maus… ou vilões… lol


quarta-feira, 15 de julho de 2009

Conselhos de leitura

COM MÚSICA

Julgavam que o postzinho da semana ia ser uma sugestão de livrinhos a ler nas férias, era?!
Pois que não… tenho lá conhecimentos para vos aconselhar a ler seja o que for… lol

Se bem que… péra lá… afinal até tenho um… hehehe… olhem, se não leram ainda (shame on you!) leiam este.


Nota-se muito que estou toda orgulhosa do mano?

Voltando agora ao nosso post…
Sim, pois, eu sei… é quarta-feira e ainda não escrevi nada, e tal e coiso, e já estou atrasada e não sei mais oquê…
Acontece que, se fosse cagona, diria que estava com writer block… como não sou, digo simplesmente que não sabia sobre o que escrever esta semana, carago… ;)

Então vou fazer-vos um pedidozinho… que passem, pelo menos alguns de entre vós, queridos leitores, a ler este blog com outros olhos…
Sabem o que é? É que estou a ficar enjoada de myself minha gente!!!
No meu primeiro post alguém comentou: “…embora ache que quase todos os blogs se devessem chamar "umbigos"…”
Malta… a ideia deste blog não era que fosse sobre o meu umbigooo.

Dir-me-ão que escrevo sobre as MINHAS ideias, os MEUS pensamentos, as MINHAS experiências, a MINHA vida…
Yá!
E queriam que escrevesse sobre quê?!
Sobre os vossos?
Nã posso, nã estou por dentro…

Queria, com esta conversa que insisto em debitar para aqui todas as semanas, pôr-vos a pensar sobre a vida, o amor e as vacas… não sobre a minha pessoa.
Não tenho pretensões a ensinar-vos nada, a dar-vos lições… queria simplesmente fazer –vos reflectir sobre um que outro tema…
Uso a minha pessoa para tal… Ok, certo, é verdade… mas só a título de exemplo.

Ultimamente, tenho tido a sensação de que frequentemente a “mensagem” não passa e que muitos se ficam pela apreensão imediata…
“óóóó… a Cristininha está doente…”
“Olha, a gaija está lixada com isto ou com aquilo…”
“Fizeste, bem…”
“Fizeste mal…”
etc…

Não, não, não… vejam para além da pessoa que alguns de vocês conhecem e outros, de certa maneira, passaram a conhecer ao longo destes dois anos e tal.
Não interessa nada se estou triste, contente, com piolhos ou com os olhos tortos, este blog não é sobre mim.
Abstraiam-se. Vejam mais longe.
Quando aproximamos demasiado os olhos, perdemos a perspectiva das coisas acho que isso se está um bocadinho a passar aqui.

Prontes… é este o post da semana… também queriam oquê?! Que fossem todos fantásticos?! lolololololololololololololololol