COM MÚSICA

Ora cá estou eu outra vez a pôr-me a jeito para levar no toutiço… não faz mal, já começo a estar habituada. ;)
A legalização dos casamentos gay, ultimamente não se ouve falar de outra coisa…
Confesso que o casamento, homo ou hetero, para mim, não faz grande sentido… mas isto sou eu a falar e não tento vender o meu peixe a ninguém.
Acho que em tempos que já lá vão tinha a sua razão de ser, hoje em dia, pessoalmente, não a consigo encontrar.
Há quem lhe atribua a função de perpetuação da espécie… parece-me bastante ingénuo nos dias que correm.
Há relativamente pouco tempo era socialmente inaceitável a reprodução, a manutenção de uma família, sem anilha no dedo, uma vergonha, uma escandaleira… os tempos mudaram.
Quando os meus pais se separaram, em 72, ainda fui apontada do dedo pelos outros meninos… “os pais daquela estão separados!”. Lembro-me de, anos mais tarde, perguntar a colegas meus como era viver numa casa onde os progenitores coabitavam… nessa altura já se tinha tornado quase uma raridade, pelo menos no meio em que cresci.
Hoje em dia, os casais casados coabitam alegremente com os casais juntos e com indivíduos separados ou divorciados, sem que se sinta qualquer tipo de discriminação social a esse nível.
Recebi hoje um mail onde se lia que “A homossexualidade humana - inexistente em 99% das espécies é, a esta luz, um desvio genético, uma doença. E uma doença terminal, já que se, por absurdo, todos virássemos "gays" a espécie humana acabava...”
Yá!... E se a minha avó tivesse rodas era camião…
Não tenho conhecimentos para saber qual o grau de homossexualidade que existe na natureza mas, como todos sabemos, no bicho homem, mais ou menos abertamente, existe desde tempos imemoriais…
Se existe e perdura por alguma razão há de ser. Confesso que não sinto necessidade de saber qual. Alguns indivíduos sentem-se atraídos por outros do mesmo sexo, é um facto e para mim chega. Se querem casar (como diz uma amiga “fico à espera do primeiro divórcio”) porque não haveriam de o fazer?
Ora bem… o que me faz muita confusão é a reacção visceral que algumas pessoas têm relativamente ao assunto… as agressões verbais, os insultos, os palavrões, utilizados quando falam sobre ele. Sentem-se visível e genuinamente incomodados.
Pergunto-me que diferença lhes faz… em que é que os casamentos entre indivíduos do mesmo sexo os afectam ou, no limite, afectam seja quem for a não ser os próprios, como em qualquer outro casamento.
Se falássemos da ainda mais polémica adopção por casais gays, mais facilmente os conseguiria compreender…
Não tendo opinião formada sobre o assunto, também eu me pergunto a que ponto não será importante no desenvolvimento de uma criança a influência de indivíduos de ambos os sexos, com as suas respectivas características.
Then again, há tantas famílias uni parentais… e os orfanatos também não me parecem propriamente contribuir muito para um desenvolvimento equilibrado…
Passons… não é de facto esta a questão que me fez escrever este post…
Segundo a Wikipedia, “As pessoas casam-se por várias razões, mas normalmente fazem-no para dar visibilidade à sua relação afectiva, para procurar estabilidade económica e social, para formar família, procriar e educar os seus filhos, legitimar o relacionamento sexual ou para obter direitos de nacionalidade.”
A parte das crianças não foi legislada… de resto, em termos humanos, porque raio haveria de ser diferente para homo ou heterossexuais? Porque umas relações deveriam ter mais legitimidade do que as outras?
Como se costuma dizer “eles andem aí”… é um facto consumado. A homossexualidade existe e sempre existiu… tapemos o sol com a peneira?!
Porque haveria o amor entre homem e mulher de ser mais válido do que entre indivíduos de mesmo sexo? Conheço relacionamentos homossexuais muito mais dignos desse nome, dedicados, autênticos e duradoiros.
Um amigo escreveu no Facebook “… não têm nada que casar só porque SIM.” e os outros casam porquê, exactamente?! ;)













