segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Travessias do deserto

COM MÚSICA



Não é espectável passarmos pela vida sem uma que outra travessia do deserto, faz parte.

Curiosamente, como dizem os Ingleses when it rains, it pours  e assim, frequentemente, se acumulam dificuldades em vários campos. Questões de saúde, emocionais, económicas, parecem desafiar-se para ver qual nos consegue mais facilmente dar cabo do juízo. Interagem umas com as outras fazendo lembrar a história do pão para acabar o queijo e do queijo para acabar o vinho. Misturam-se ás vezes ao ponto de já não sabermos onde começa uma e acaba outra. Sentimo-nos a lutar com um mar revolto, em que nos é difícil vir à tona para respirar. 



As tristezas, as dificuldades, os problemas podem derrotar-nos ou fortalecer-nos e de nós depende qual será. A nossa atitude perante as adversidades da vida é determinante.

Para começar, é bom que estejamos conscientes da diferença entre ser  e estar  e de que, lá por nos sentirmos infelizes, não quer dizer que sejamos infelizes.
Quanto a mim, a coisa mais importante a ter em conta é que depois da tempestade vem a bonança… como costumo dizer, por cima das nuvens o céu está azul e o sol brilha.
É uma questão de nos resguardarmos tanto quanto possível durante a borrasca e aguentar firme.

É no entanto perfeitamente legítimo que estes períodos difíceis nos afectem. Por muito que tenhamos uma atitude positiva na vida e acreditemos genuinamente que “não há mal que sempre dure”, não sendo feitos de pedra, o sofrimento é por vezes inevitável.
Parece-me tão contraproducente o fazer de conta que não é nada connosco como o afogarmo-nos em queixumes e auto-comiseração.
Assumir a tristeza que carregamos, chorar, desabafar, são atitudes que aligeiram o fardo.

Neste ponto as amizades têm um papel crucial. Quando estamos fragilizados, são elas que nos amparam, que nos provam que não estamos sozinhos.
Costuma dizer-se que os amigos são para as ocasiões… não há, quanto a mim, grandes dúvidas disso. É fácil ser-se “amigo” de alguém quando tudo está bem. É fácil partilhar os prazeres da vida. Quando as coisas dão para o torto é que a porca torce o rabo.

Não é fácil acompanhar o sofrimento alheio. Não é fácil porque não é bonito, não é agradável. Quanto mais gostamos da pessoa em questão mais difícil é, quanto mais próximos estivermos, mais iremos sofrer por empatia.
Também não ajuda o facto de sabermos, consciente ou inconscientemente, que poderemos tentar ajudar mas só ela poderá resolver as suas questões.

Tal como nos afogamentos, o grande perigo é a aflição e o pânico. Tanto o “afogado” como o “banheiro” deverão tentar manter a calma. Como se costuma dizer, de boas intenções está o inferno cheio. É comum que a ânsia de ajudar provoque situações em que é pior a emenda do que o soneto. Então quando se envolvem várias pessoas, muitas vezes cada uma pelo seu lado, a coisa tende a complicar-se.

Os períodos difíceis podem ser longos, ás vezes muito longos, verdadeiras maratonas. Nesses casos o desalento pode ser fatal, o cansaço pode levar à desistência.
O truque é dar um passo de cada vez, não olhar para o topo da montanha para não desanimar pelo que nos resta a subir.
Quando o cansaço for insuportável, podemos boiar, parar de nadar para poupar forças, por as decisões, os actos, os esforços, em stand-by para recuperar o fôlego. Já dizia a Scarlett O’Hara; “I’ll think about it tomorrow”.

Desistir, no entanto, é que não é solução, “If you’re going thru hell, keep going”. Se não fizermos por nós, ninguém conseguirá fazê-lo. Com ajuda, sem ajuda, é preciso ter fé em que tudo se irá resolver, é preciso ter consciência de que as nuvens negras não ficam paradas.

Como dizia o dono do Teatro, no “Shakespeare in love”;
- Tudo se vai resolver!
- Mas como?!
- Não sei, é um mistério!
;)

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Os sois das nossas vidas…

COM MÚSICA

Disclaimer: este saiu um cadinho longo…  se não estão com tempo, façam inversão de marcha e voltem noutra altura. ;)


Criar um filho… tarefa hercúlea… grande responsabilidade…
Mas o que quer isso dizer, afinal?
A meu ver, significa zelar para que cresça forte e saudável e educa-lo. Por educar entenda-se dar-lhe todas as bases possíveis para que possa ser feliz, tanto na infância como na idade adulta.

Acho que esta parte anda a ser descurada por muita gente, cada vez mais me apercebo de que as crianças não andam a ser educadas, é um bocadinho assustador.
Assustador, não pela irritação que estas nos possam causar, mas porque o que vejo, quando observo as crianças birrentas, egoístas, malcriadas, etc que por aí andam,  é uma grande infelicidade…
Se não forem felizes, como poderão fazer outros felizes? E assim se gera um círculo vicioso. Onde irá parar este mundo?

Não me considero, de todo, perita no assunto. Para além disso, acredito que vários caminhos vão dar a Roma, que vários métodos educativos possam conseguir o mesmo objectivo final.
Decidi no entanto partilhar a minha experiência convosco, pois parece-me estar a dar bons resultados. É só mais uma receita…
Estou consciente de algumas falhas que cometi e certa de que mais estarão por vir. Não existindo  manual de instruções, só podemos contar com o nosso bom senso, associado à experimentação. Nem sempre funciona. ;)

Uma das coisas que, noto, falta aos pais actuais, é tempo. Quer-se dizer… tempo têm o mesmo que toda a gente, 24h por dia, dedicam é pouco aos filhos. Alguns não terão escolha, outros talvez façam uma distribuição desequilibrada do mesmo.
Hoje em dia passamos a vida a correr. Pois eu recuso-me a transmitir essa ansiedade constante ao meu filho. De manhã, levanto-me dez minutos mais cedo do que seria necessário, para os poder passar enfiada na cama com ele. Não o acordo a dizer “despacha-te”, dou-lhe festinhas, beijo-o, falamos, brincamos ou ficamos simplesmente na ronha enroscados um no outro.
Algures durante o dia arranjo mais um tempinho para ele, quer seja simplesmente a fazer-lhe companhia enquanto brinca, como a fazer alguma coisa em conjunto. Não é preciso muito tempo, embora ás vezes o seja, mas qualquer quarto de hora/meia hora já lhe enche as medidas.

A minha sobrinha veio cá passar um dia/noite a casa. No regresso disse orgulhosa à mãe; “Em casa da tia Cristina há montes de regras e eu fiz  todas!!!”
Também as há, é um facto, lol, mas aquilo a que ela se estava a referir era ás rotinas.
Não sendo totalmente obcecada ou inflexível, acredito que estas  tragam uma sensação de segurança  ás crianças. A prova é que a piolhita não se queixou, “gabou-se”. Existem horários e tarefas a cumprir no dia a dia, se não for o caso é excepção e não regra.

Quanto a estas… ninguém vive exactamente como gostaria, é bom que se compenetrem cedo disso. “Eu queria…”, também eu queria muita coisa. Vivemos em sociedade e como tal temos de cumprir com as suas regras, temos de respeitar e ter consideração pelo próximo, temos de adquirir os skills  necessários para viver em harmonia com nós próprios mas também com os outros, afinal de contas a nossa liberdade acaba onde começa a deles.
Só para dar um exemplo de regra, mas tantos haveria, nunca o deixei brincar com chaves, telecomandos, telemóveis e afins. Há brinquedos de criança e objectos de adulto, se estes puderem constituir perigo ou estragar-se nas mãos inexperientes de um pimpolho, a meu ver não são simplesmente para lá estar. Não tirei as coisas dos sítios, simplesmente o fiz compreender que não podia mexer-lhes.

A minha avó costumava dizer que não existe “mimo a mais”…
Como, então não existem criancinhas mimadas?!
A meu ver, as crianças não ficam “mimadas”, por excesso de “mimos”, ficam-no porque existem incongruências na sua educação, porque não lhes são óbvios os limites, porque se habituam a exigir e receber tudo, mesmo que não faça qualquer sentido…
Eu cá vou pela minha avó, dou mimo como se não houvesse amanhã. Só é preciso ter em mente a razoabilidade das coisas.
Encho-o constantemente de beijos, de abraços, de carícias, digo-lhe a  toda a hora como o adoro… tenho inclusivamente o cuidado de o fazer sempre que me zango com ele ou o ponho de castigo. Parece-me importante que perceba que o facto de tomar uma atitude que não lhe é agradável não tem nada a ver com falta de amor.
Em termos materiais é igual, só não lhe proporciono o que não posso ou o que acho que não faz sentido ele ter.

Tento que se aperceba de que a vida é como os interruptores, umas vezes para cima, outras vezes para baixo e não há mal nenhum nisso. Cá em casa não há “dramas”, as coisas encaram-se tal como são. Chatices, dificuldades, preocupações, desgostos, são coisas por que todos temos de passar, quer queiramos quer não e ele não será excepção. Explico-lhe a diferença entre o ser e o estar  e que o facto de nos sentirmos infelizes em determinados momentos não quer dizer que sejamos infelizes. Não tento evitar-lhe as agruras da vida mas sim que dê valor ás coisas boas que tem. Tento fazê-lo compreender que, o facto da balança tender mais para o lado positivo, depende muito mais de nós do que as pessoas gostam de reconhecer.

Explico-lhe tudo, respondo a todas as suas questões, dentro da medida da sua compreensão e do meu conhecimento. Desenvolvo os temas, utilizo exemplos e metáforas, ás vezes investigo, falamos muito. Adapto as respostas à sua idade e capacidade de entendimento e, quando isso não é possível, explico-lhe que ainda não tem bases suficientes para que consiga sequer tentar, que mais tarde falaremos sobre o assunto.

Respeito as suas tendências naturais. Não é uma pessoa física, não tento portanto empurra-lo ou força-lo, para além do que é saudável, nesse tipo de actividades. Não acredito que se ganhe gosto pelas coisas por se ser obrigado a fazê-las, antes pelo contrário.
Evidentemente que contrario um bocado as suas vontades pois, por si, passaria os dias dentro de casa, a brincar ou afundado no sofá em frente à televisão. Tento que não leve uma vida demasiado sedentária.  Mas não o obrigo a praticar desporto ou sequer a andar de skate ou bicicleta se não estiver para aí virado. Se, no entanto, mostrar algum interesse, tento estimular e ajudar, no que estiver ao meu alcance.

Em contrapartida, sendo ele todo cerebral (o que, aqui entre nós e como poderão compreender, para mim é ouro sobre azul…lol) puxo por ele sem dó nem piedade. ;) Se é para o “meu desporto” que é dotado, tem aqui um treinador empenhado e exigente.
Jogo imenso com ele, por exemplo, todo o tipo de jogos, em todo o lado… no carro, na praia, em casa… jogos de palavras, de cartas, de tabuleiro… Encaro o jogo como uma ferramenta formativa sem igual, em termos de desenvolvimento cerebral, dele retiramos lições importantíssimas.
Cá em casa não há abébias, ninguém faz batota e os meninos não ganham só porque são pequeninos. Jogam-se jogos adaptados à sua idade, como tal que se façam á vida como os outros. Umas vezes ganham, outras perdem, é natural.
Isto permite-lhes aprender, através de uma actividade lúdica, a lidar com a frustração, a conseguir objectivos, a desenvolver estratégias, a perceber que existe um factor sorte e um factor raciocínio em tudo o que fazemos, a empenhar-se para ganhar… porque no fundo, ninguém gosta de perder.

Apesar de todo o esforço que dirijo no sentido de fazer do meu filho um ser humano intrinsecamente feliz, apesar de o considerar a pessoa mais importante da minha vida, sem qualquer sombra de dúvida, estou perfeitamente consciente de que também eu tenho vida. Não me anulo por ele, tento sempre coordenar interesses, fazer com que as coisas sejam equilibradas.

Várias razões me levam a crer que estou no bom caminho…
O Pedro é um menino que não tem pesadelos, por exemplo. Oh, como me lembro da angústia dos pesadelos da minha infância… Contam-se pelos dedos de uma mão os que ele me reportou desde que nasceu.
Não faz birras, essas contam-se pelos dedos da outra mão. Fica chateado, claro está, fica contrariado, um bocadinho “de trombas” ás vezes, mas “cenas” não há.
Aceita a autoridade sem revolta, questionando-a pontualmente, pedindo ás vezes justificação para as coisas, o que não me parece senão saudável.
Apesar de tímido, depois de ultrapassada a primeira barreira, é uma pessoa sociável e bem educada.
Tem capacidade de concentração, quando se interessa pelas coisas, não dispersa.
Aceita serenamente as diferenças, as suas e as dos outros.
É basicamente uma criança alegre e sorridente.
Estou consciente de que fases mais complicadas virão, de que a adolescência não é pêra doce.

Não acho que seja perfeito, ninguém é. Consigo inclusivamente identificar características que não o irão favorecer na vida, há que lhe fornecer as ferramentas para as trabalhar. Mas sinto nitidamente que, com a minha ajuda, tem muito mais hipóteses de sucesso. Educar não é treinar, como se faz aos cães, é ensinar a pescar… ;)

sábado, 23 de janeiro de 2010

Missy is missing...

COM MÚSICA



Estou num momento de crise, de pequena crise, felizmente, mas que não deixa de o ser pelo seu “tamanho”…
A minha gata desapareceu há duas noites.
Tudo verdade… é o quinto gato em pouco mais de quatro anos a fazer-me passar por este tormento.
Os que não gostam de animais, passam  a partir de agora a ler este post com condescendência… os outros percebem o que quero dizer. Explicar, acho que não é possível…

O que aconteceu? Não sei… Quanto a mim entrou no cio a meio da noite e, não obtendo  as atenções desejadas do Castrati cá de casa, fez-se à vida a ver se teria mais sorte lá fora.
A partir daí, tudo é possível. Pode andar a divertir-se com os gatos das obras e volta-me para casa um bocadinho mais cheia. Mas também lhe podem ter acontecido todas as coisas a que se arrisca um gato que anda na rua… pode ter sido roubada, atropelada, morta por cães… infelizmente não seria inédito.

Devo dizer que eu não tenho sorte nenhuma com os gatos desde que vim para esta casa. Bem sei que ter gatos em apartamento ou numa moradia é completamente diferente. Mesmo assim, só para dar um exemplo, a minha irmã tem o mesmo casal de gatos há mais de cinco anos e nunca lhes aconteceu nada.

Dito isto, para os que ainda não tenham percebido, para mim bicho é bicho, homem é homem, e não há que confundir… Tempos houve em que era um bocado diferente, em que  tinham um papel muito mais importante na minha vida emocional.  Depois nasceu o meu filho... julgo que os animais ás vezes sirvam um bocado de substitutos para eles.
No entanto, quando acolho um animal em casa, passa sem dúvida a fazer parte da família. Partilha as nossas rotinas, o nosso carinho, a vai ganhando um espacinho no nosso coração.  Quando desaparece das nossas vidas fica um vazio.

Como julgo já ter referido aqui, prefiro pegas de caras a pegas de cernelha logo, esta coisa de não ver o meu problema de frente, causa-me bastante angústia e desconforto. Se soubesse o que tinha acontecido ao raio da gata, poderia começar a tomar medidas para ultrapassar a situação. Poderia processa-la psicologicamente por forma a minimizar, dentro  da medida do possível, o sofrimento.
Mas não sei se amanhã acordo e a #%$&## da gata não estará à porta do meu quarto a exigir comida. Se alguém me irá telefonar a dizer que encontrou o seu corpo. Se estará neste momento a comer carapaus na cozinha de uma velha do Linhó.
Ou seja, perante o facto de que a minha gata não está neste momento comigo e há um buraco onde antes estava a sua presença, não sei como reagir.

Se temos uma relação afectiva com o ser em questão, não podemos evitar ficar tristes com a situação. Não podemos, nem devemos, na minha humilde opinião… se não tivermos a capacidade de sofrer também nos tornaremos insensíveis ao reverso da medalha. São coisas que acontecem na vida, os sustos e os desgostos fazem parte do percurso, é mesmo assim.

Por outro lado a nossa imaginação, extremamente útil para arranjarmos formas de tentar recupera-los, também tem uma certa tendência a atormentar-nos com what ifs
Dado que somos tendencialmente pessimistas por natureza, são mais os cenários negros que nos vêm à cabeça do que os  happy endings

Há no entanto que ter atenção para que não descambe… para isso, tenho vários truques…

Para começar, há que tomar rédeas à situação no sentido de deixar a minha consciência totalmente tranquila, tomar todas as medidas possíveis para tentar resolver a coisa, fazer tudo o que esteja ao meu alcance.

Depois é cortar as vazas á tal imaginação… se vejo que estou a começar a ir por um caminho que me levará a cenários que me vão fazer sofrer, como seja imaginar o próprio bicho em sofrimento, mudo imediatamente “de assunto”. Proíbo o meu cérebro de continuar a ir nesse sentido, obrigo-me a pensar noutra coisa.

O facto de identificar exactamente em que galho está cada macaco também ajuda. Adoro a minha gata, mas é só uma gata, não é o meu filho. Relativizemos… por muita falta que me vá fazer se desaparecer da minha vida, não é exactamente o fim do mundo.

Finalmente, nesta situação concreta, em que ainda há esperança, ponho as expectativas em pausa.
Não se pode fazer luto, o tão importante luto que fazemos de tudo aquilo que perdemos, sem que haja certezas. Também não nos devemos meter na cabeça que tudo vai correr bem porque, se não correr, caímos de mais alto.
Viajo então até a um limbo onde me recuso a lidar emocionalmente com o assunto. Se não houver desenvolvimentos entretanto, o tempo faz milagres, traz-nos de lá e ajuda-nos a lidar com a dor, de uma forma ou de outra.

Dir-me-ão que estou a racionalizar muito, que esta conversa é toda muito bonita mas que estou “na fossa” na mesma…
Olhem que não, olhem que não… muita gente se martiriza e em situações idênticas, sofre muito mais do que o “absolutamente necessário”…
Que será, será… and life goes on. ;)

sábado, 16 de janeiro de 2010

Happy Birthday

COM MÚSICA



Faz hoje 3 anos que comecei a debitar cumbersa para este blog… 144 posts!!!
Bem gostava de saber onde vou buscar tanto paleio… lol

Requer perseverança… ás vezes tenho a tentação de desistir, confesso.
Requer disciplina… faço um esforço para escrever todas as semanas.
Requer inspiração… nem sempre a tenho.
Requer assunto… o que nem sempre é fácil de arranjar.
Requer muitas revisões… tentando não dar azo a más interpretações.
Requer tempo… que tantas vezes roubo a outras coisas.
Acima de tudo, requer muita dedicação…

Há bem pouco tempo um amigo comentou; “Espanta-me que digas que “enquanto houver alguém a ler"... mas tu não chegas ? Ou não lês o que escreves ? Eu entendo a tua escrita, também como um acto de arrumares as tuas ideias.”

Pois bem, os meus posts são sem dúvida também uma forma de arrumar ideias… Muitas vezes é ao verbaliza-las que nos damos conta de que as pensamos.
Mas não, eu não chego… porque se escrevesse para mim as coisas não saíam do meu computador, que sentido faria coloca-las online?

Mantenho um blog, basicamente, porque sou uma presunçosa de merda, que acha que aquilo que tem a dizer pode interessar a terceiros… lol

Obrigada a todos os que justificam que aqui continue a escrever… ;)

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Mudam-se os tempos, mudam-se as realidades…

COM MÚSICA


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Ora cá estou eu outra vez a pôr-me a jeito para levar no toutiço… não faz mal, já começo a estar habituada. ;)
A legalização dos casamentos gay, ultimamente não se ouve falar de outra coisa…
Confesso que o casamento, homo ou hetero, para mim, não faz grande sentido… mas isto sou eu a falar e não tento vender o meu peixe a ninguém.
Acho que em tempos que já lá vão tinha a sua razão de ser, hoje em dia, pessoalmente, não a consigo encontrar.
Há quem lhe atribua a função de perpetuação da espécie… parece-me bastante ingénuo nos dias que correm.
Há relativamente pouco tempo era socialmente inaceitável a reprodução, a manutenção de uma família, sem anilha no dedo, uma vergonha, uma escandaleira… os tempos mudaram.
Quando os meus pais se separaram, em 72, ainda fui apontada do dedo pelos outros meninos… “os pais daquela estão separados!”. Lembro-me de, anos mais tarde, perguntar a colegas meus como era viver numa casa onde os progenitores coabitavam… nessa altura já se tinha tornado quase uma raridade, pelo menos no meio em que cresci.
Hoje em dia, os casais casados coabitam alegremente com os casais juntos e com indivíduos separados ou divorciados, sem que se sinta qualquer tipo de discriminação social a esse nível.
Recebi hoje um mail onde se lia que “A homossexualidade humana - inexistente em 99% das espécies é, a esta luz, um desvio genético, uma doença. E uma doença terminal, já que se, por absurdo, todos virássemos "gays" a espécie humana acabava...”
Yá!... E se a minha avó tivesse rodas era camião…
Não tenho conhecimentos para saber qual o grau de homossexualidade que existe na natureza mas, como todos sabemos, no bicho homem, mais ou menos abertamente, existe desde tempos imemoriais…
Se existe e perdura por alguma razão há de ser. Confesso que não sinto necessidade de saber qual. Alguns indivíduos sentem-se atraídos por outros do mesmo sexo, é um facto e para mim chega. Se querem casar (como diz uma amiga “fico à espera do primeiro divórcio”) porque não haveriam de o fazer?
Ora bem… o que me faz muita confusão é a reacção visceral que algumas pessoas têm relativamente ao assunto… as agressões verbais, os insultos, os palavrões, utilizados quando falam sobre ele. Sentem-se visível e genuinamente incomodados.
Pergunto-me que diferença lhes faz… em que é que os casamentos entre indivíduos do mesmo sexo os afectam ou, no limite, afectam seja quem for a não ser os próprios, como em qualquer outro casamento.
Se falássemos da ainda mais polémica adopção por casais gays, mais facilmente os conseguiria compreender…
Não tendo opinião formada sobre o assunto, também eu me pergunto a que ponto não será importante no desenvolvimento de uma criança a influência de indivíduos de ambos os sexos, com as suas respectivas características.
Then again, há tantas famílias uni parentais… e os orfanatos também não me parecem propriamente contribuir muito para um desenvolvimento equilibrado…
Passons… não é de facto esta a questão que me fez escrever este post…
Segundo a Wikipedia, “As pessoas casam-se por várias razões, mas normalmente fazem-no para dar visibilidade à sua relação afectiva, para procurar estabilidade económica e social, para formar família, procriar e educar os seus filhos, legitimar o relacionamento sexual ou para obter direitos de nacionalidade.”
A parte das crianças não foi legislada… de resto, em termos humanos, porque raio haveria de ser diferente para homo ou heterossexuais? Porque umas relações deveriam ter mais legitimidade do que as outras?
Como se costuma dizer “eles andem aí”… é um facto consumado. A homossexualidade existe e sempre existiu… tapemos o sol com a peneira?!
Porque haveria o amor entre homem e mulher de ser mais válido do que entre indivíduos de mesmo sexo? Conheço relacionamentos homossexuais muito mais dignos desse nome, dedicados, autênticos e duradoiros.
Um amigo escreveu no Facebook “… não têm nada que casar só porque SIM.” e os outros casam porquê, exactamente?! ;)

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Ano Novo, mesma vida...

COM MÚSICA


Neste novo ano que acaba de entrar nada irá ser diferente… pessoas irão nascer e morrer, haverá tristezas e alegrias, problemas e soluções, encontros e desencontros.
As passagens de ano não fazem reset às nossas vidas, nada muda à meia noite…
É no entanto graças a eles, aos anos, que podemos fazer a nossa cronologia, sem que percamos o fio à meada. A passagem do tempo, assinalada no calendário, permite-nos analisar o que fomos, comparar com o que somos e pensar no que queremos ser…
Parece-me portanto legítimo festejar estes marcos.

Olhar para o ano que entra como se tivesse havido uma quebra na linha do tempo parece-me tão pateta como perguntar a alguém, no dia do seu aniversário, se se sente mais velho… O tempo é contínuo, não tem degraus.
No entanto, curiosamente, olhando para trás isso até parece fazer algum sentido.


Imaginem que as nossas vidas fossem bibliotecas, com prateleiras organizadas por anos.
Umas estariam mais cheias, outras mais vazias, há sempre uns mais intensos que outros.
O tipo de livros também seria bastante diferente, haveria anos com mais romances, mais ficção, outros com mais assuntos técnicos e manuais, temas de arte e lazer, filosofia e religião, obituários… seriam tristes, divertidos, massudos, ligeiros, informativos, inúteis.
Os autores seriam igualmente variados. Quem sabe até houvesse alguns de nossa autoria.
Teríamos livros escolhidos por nós e outros que nos teriam vindo cair nos braços. Uns seriam apreciados e outros detestados.
Alguns teríamos lido e relido, outros folheado, uns quantos abandonado a meio.
Nem todas as prateleiras teriam livros de relevo. Por algumas sentiríamos uma especial ternura enquanto que para outras preferiríamos nem voltar a olhar.
Algumas obras serviriam o seu propósito em determinada altura e não lhes voltaríamos a tocar. Teríamos no entanto os nossos livros preferidos, que passaríamos de prateleira em prateleira, que iríamos mantendo sempre à mão. Esses seriam os que nos definem no presente.
A indexação de todos esses livros nas respectivas prateleiras dar-nos-ia uma visão global da nossa vida…

Assim o fazem os anos.
Se olharmos para trás poderemos mencionar aqueles em que temos “livros” importantes, que nos marcaram e fizeram de nós aquilo que somos hoje. Graças ao calendário podemos visualizar cronologicamente o nosso eu, a nossa evolução.
Graças a ele sei que Winston Churchill morreu no mês em que nasci, que os meus pais se separaram no ano em que nasceu o pai do meu filho, que o muro de Berlim caiu quando conheci o meu marido, que estava grávida na altura do 11 de Setembro… Podemos associar acontecimentos pessoais à história universal.

O que me parece no entanto importante é que aprendamos a escolher, a recusar, a interpretar, a utilizar, a procurar… os livros que nos serão úteis, que nos darão prazer, com base nas diversas prateleiras que já preenchemos… ;)

Bom ano a todos!!!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

De boas intenções está o inferno cheio

COM MÚSICA

Recentemente enviei um mail que despoletou uma explosão atómica no seio de um grupo de pessoas…

O dito cujo estava recheado de boas intenções, era simpático e educado.
As reacções que provocou foram de bradar aos céus… um diz mata outro diz esfola… palavras irreflectidas, azedas, insinuações, acusações, agressões…
Gerou-se um clima de tensão, de má onda, de ressentimento, o que era exactamente o oposto do efeito desejado.
O que é ainda mais grave, a pessoa que tentava ajudar foi quem saiu mais magoada disto tudo. Foi o chamado tiro pela culatra.


Inútil será dizer que fiquei absolutamente mortificada com esta história.
A cada novo mail que chegava, dava-se-me uma volta ao estômago. Só me apetecia gritar que parassem. Considerei no entanto que não deveria interferir, por risco de piorar ainda mais a situação.
Falei em privado com vários dos implicados. Todos compreenderam, felizmente, que o assunto tinha descambado, que não era minha intenção provocar uma guerra daquelas. Quase todos me desresponsabilizaram totalmente do resultado final.

É aqui que a porca torce o rabo…
Sou responsável, sim!
Se não tivesse enviado o raio do mail, nada disto teria acontecido. Ou pelo menos se não o tivesse enviado em “Reply to All”…
Pensei que uma reflexão sobre o assunto em questão fosse proveitosa para todos.
“Não podias prever…” disseram-me alguns…
A questão é que podia, sim. Se tivesse pensado três segundos, poderia ter previsto o desastre. Fui descuidada. Sabia bem o feitio das pessoas com quem estava a lidar e poderia não ter provocado a sua reacção. Podia ter enviado a minha mensagem em privado.
Senti-me como se tivesse desastradamente apoiado o cotovelo no botãozinho vermelho…


Neste momento estão vocês, queridos leitores, a perguntar-se por que raio é que a gaija vem para aqui contar estas coisas… lol
Escrevo porque a atitude dos que me apoiam me choca um bocadinho, suponho… Se me desresponsabilizam, provavelmente também o fariam a si próprios. Acho essa atitude muito negativa. Se não errámos, não há nada a corrigir, não há reflexões a fazer.
Ora houve aqui nitidamente uma atitude errada, uma negligência, que teve como consequência grande sofrimento. Há ilações a tirar sim, para que a história não se repita.
E há pedidos de desculpas a fazer (que estão feitos, por sinal, e nunca é demasiado repeti-los).

Para que possam melhor compreender o que estou a tentar transmitir, utilizemos outro exemplo.
Como julgo já ter mencionado aqui, a minha avó materna morreu atropelada.
Tinha 74 anos, sã que nem um pêro, ia para a ginástica. Atravessou a Av. da República fora da passadeira, com o vermelho para os peões. Um carro apanhou-a em cheio, morreu logo ali.

Agora imaginemos que não tinha tido morte instantânea. Imaginemos também que a ambulância tinha demorado imenso tempo a chegar, que o pessoal hospitalar tinha sido descuidado, que os médicos tinham sido negligentes, acabando então por morrer mais tarde.
Quem teria sido o causador da sua morte?
É certo que ela própria a provocou, ao menosprezar as regras básicas do comportamento rodoviário. A realidade é que o condutor vinha em excesso de velocidade, não tendo por isso conseguido evita-la. E esta parte é real, não só no nosso “supônhamos”…

Será que, neste nosso exemplo hipotético, a causa da sua morte não teria sido a assistência deficiente? Possivelmente.
Mas não seria de qualquer maneira caso para o condutor reflectir sobre a sua atitude na estrada? Para pedir desculpa à família?!

Não me martirizo pelo que fiz, não me castigo, já me desculpei. Vivo com a dor que causei com arrependimento mas sem mágoa, pois sem dúvida não foi intencional.
Mas, por me obrigar a todo este raciocínio, por arcar com as consequências dos meus actos, provavelmente estarei muito mais apta a não voltar a fazer outra do género do que os que encolhem os ombros e dizem “a culpa não foi minha…”
No que diz respeito aos outros... bem, como se costuma dizer, os actos ficam com quem os pratica. ;)

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Quem sou, de onde venho, para onde vou?

COM MÚSICA



Quem somos nós para os outros?
Que importância temos nas suas vidas?
Como nos relacionamos com eles?

Para alguns, filhos, pais, somos o centro do universo, a vida gira à nossa volta. Não se imaginam a viver sem nós.
Para outros, com quem nos vamos cruzando, somos perfeitos desconhecidos, figuras humanas na multidão. Passam por nós sem sequer nos verem.
Pelo meio… muitas atitudes, muitas opiniões, muitos sentimentos.

Há quem empatize connosco e quem não nos grame. Quem nos ponha nos píncaros e quem nos mande abaixo. Pessoas com quem nos damos melhor ou pior, de quem gostamos mais ou menos… Todos terão alguma opinião sobre nós, assim como nós as temos sobre eles.

Aquilo de que nos apercebemos da visão dos outros sobre a nossa pessoa é um bocado como um espelho de quem somos.
É no entanto igualmente uma armadilha pois, na minha opinião, pode fazer efeito de pescadinha de rabo na boca…
Vejamos, por exemplo a questão da auto-estima. Se não gostamos de nós próprios, como poderão os outros gostar? Mas se os outros não gostarem, estarão de certo modo a validar o facto de nós não gostarmos, criando assim um círculo vicioso.

Por outro lado, a nossa percepção pode ás vezes fazer efeito de espelho deformante. Tal como os anorécticos se vêm gordos no espelho, também nós ás vezes nos enganamos na leitura dos sinais que nos chegam.

Convém ter em conta que nem todos nos conhecem bem, alguns, provavelmente a maioria, terão uma noção muito superficial do que somos, oferecendo assim um feed back deficiente, incompleto. Podemos no entanto tê-los todos em conta, pois qualquer informação pode ser relevante, qualquer novo dado importante.

Todos, julgo eu, gostamos de nos sentir apreciados, respeitados, amados… para isso tomamos uma série de atitudes na vida. Só que, muitas vezes, tomamos a atitude que julgamos que o outro apreciará em vez da atitude que ele irá apreciar de facto. Agimos baseados em “suponhâmos" que nem sempre têm a ver com a realidade.

Todos erramos de vez em quando, o que não quer dizer que “sejamos” os erros que cometemos. Como se costuma dizer “viver e aprender”… Se não nos dermos abébias também não as poderemos pedir aos outros. É falhando e tentando de novo que se aprende.

É também ouvindo e estando atento, que se evolui… Os outros nem sempre estão errados, não somos detentores da verdade absoluta. Por muito que possa custar, às vezes há que se render à evidência de que qualquer coisa não está a funcionar como deve de ser.

Se tentarmos repetir o que nos corre bem e afastar-nos do que deu maus resultados, já é meio caminho andado. Olhando para as nossas características várias, optemos por estimular as que mais alegrias nos trazem, exploremos o nosso potencial positivo.

O facto de admirarmos, de respeitarmos uma pessoa, pelo seu sucesso, a sua inteligência, a sua cultura, a sua beleza, ou seja lá o que for, não quer dizer que gostemos dela. O mesmo se passa com nós próprios, o facto de nos podermos eventualmente ter em grande conta, não quer dizer que nos apreciemos realmente, que nos tratemos bem, como se trata alguém de quem se gosta…

Muito facilmente analisamos e comentamos a vida alheia e não estou a falar em mexericos e fofocas.
De vez em quando, em conversa, com os próprios ou com terceiros, surge naturalmente uma crítica. Damos a nossa opinião, fazemos eventualmente sugestões de como se poderia alterar um estado das coisas que não consideramos saudáveis.
Também acontece o contrário, louvamos atitudes alheias e gabamos-lhes os resultados.

No entanto, como se costuma dizer “a educação começa em casa”… Aquilo que fazemos relativamente aos outros, muitas vezes não o fazemos interiormente, relativamente á nossa pessoa.
Ás vezes tenho um bocado a sensação de que as pessoas “falam”, agem, consigo próprias como o fazem com os seus animais domésticos, por exemplo…
Ninguém explica a um cão porque não deve fazer xixi no meio da sala ou que tem de comer ração de dieta porque está doente. Agimos e falamos sucintamente, relacionamo-nos com eles a um nível muito básico e intuitivo pois sabemos que não têm capacidade para mais.

Com os seres humanos argumentamos, racionalizamos, exemplificamos, explicamos… fazemos uma ginástica muito maior, basicamente somos obrigados a pensar mais.
Então porque tantas vezes nos comportamos perante a nossa própria identidade como se fossemos animais irracionais? Zangamo-nos, pomo-nos de castigo, damo-nos miminhos ou felicitamo-nos por algo que tenhamos feito como deve de ser… mas muitas vezes não passamos de uma abordagem básica, não procuramos o porquê das coisas, não analisamos os nossos actos e as suas consequências…

Na minha opinião, para sermos felizes, precisamos de ter uma coluna vertebral sólida mas maleável e um cérebro funcional e aberto.
Não interessa o que os outros pensam de nós mas dá jeito termos em conta o seu feed back, para analisarmos a nossa postura perante a vida e tirarmos as nossas próprias conclusões.
Face a isto estamos sempre a tempo de mudar, espera-se que para melhor, de alterar a nossa maneira de ser.
O que me parece realmente importante é levarmos a vida conscientemente e sermos alguém de quem gostamos muito e a quem tratamos bem. Podemos ser quem quisermos.