terça-feira, 26 de outubro de 2010

Watcha see is watcha get

COM MÚSICA



Quem somos, de onde vimos, para onde vamos?
De onde vimos, é história… para onde vamos, ninguém sabe… parece-me no entanto definitivamente importante que tenhamos uma ideia de quem somos. ;)

E quase tão importante como o sabermos nós, é que os outros também tenham uma boa noção.
Uma sólida coluna vertebral e transparência relativamente ao nosso carácter parecem-me fundamentais para que saibam com o que podem contar, o que não irá obrigatoriamente fazer com que nos aprovem ou apreciem, mas pelo menos não os induzirá em erro.
Por outro lado, esse reflexo de nós próprios que vemos nos outros – se nos dermos ao trabalho de lhe prestar atenção – é o que nos irá servir de bitola para irmos moldando a nossa personalidade.

Nobody is perfect. But who wants to be nobody?!
Todos temos traços menos agradáveis, todos metemos o pé na argola de vez em quando, todos já fizemos ou dissemos coisas de que nos arrependemos…

Por transparência não estou a sugerir que publiquemos os nossos pecados e pecadilhos no jornal ou que mandemos sempre cá para fora tudo o que nos passa pela cabeça. É evidente que viver em sociedade requer sensatez e diplomacia.
No entanto assumirmos, quando necessário, a responsabilidade tanto dos nossos actos como das nossas opiniões, torna-nos íntegros e fiáveis.

Tal como o disse anteriormente, isso não nos torna obrigatoriamente “amáveis”. Os outros, dependendo da presença ou ausência de empatia, do seu grau de tolerância para com as diferenças, das suas próprias características, gostos e ideias, poderão apreciar-nos ou nem por isso. Parece-me no entanto importante que, quer gostem ou não, seja daquilo que efectivamente somos, e não de uma ideia romanceada que possam fazer de nós.

É natural que, por razões várias, ás vezes tenhamos tendência a reprimir o nosso "verdadeiro eu”. Acontece, por exemplo, por desejo de agradar, necessidade de integração, receio de perder alguém ou simplesmente por não querermos criar ondas. Assim, frequentemente somos confrontados com a tentação de não nos mostrarmos tal como somos na realidade.

No entanto, a inegável realidade é que, quer queiramos quer não, as pessoas acabam sempre por falar umas sobre as outras; comentam o que fizeram ou disseram, teçem críticas ou elogios e emitem as suas opiniões sobre as mesmas.
Havendo grandes divergências, falta de consistência do personagem, falhas de coerência, começa a escassear a confiança na mesma.

Vestimo-nos consoante a ocasião, não é portanto de estranhar que alguns nos conheçam de fato de banho e outros de fato e gravata. Assim, é normal que várias pessoas tenham de nós percepções diferentes, para além de mais ou menos íntimas.
Mas, se parece natural alterarmos a nossa aparência, já não o será tanto fazê-lo com a nossa essência. Imaginem se duas pessoas, ao falar de nós, nos descrevessem com estrutura óssea, estatura, cor de pele, etc… diferentes.

Se esta transparência nos pode colocar em situações constrangedoras?! Sem dúvida.
Se nos virmos confrontados com alguma coisa que fizemos e da qual não nos orgulhamos, assumi-lo nem sempre é fácil. Estarmos em presença de pessoas com as quais temos normalmente relacionamentos completamente diferentes não é evidente de gerir. Assumirmos determinadas opiniões perante pessoas que suspeitamos á partida que não as partilham, nem sempre é uma coisa óbvia de fazer. Manter posições em que acreditamos mas não nos vão beneficiar no imediato pode parecer-nos suicida.

Todos vamos mudando ao longo dos tempos. Aprendemos com a experiência, mudamos de ideias, de gostos, de opiniões, ás vezes até mesmo de princípios. O importante no entanto é que a coluna vertebral se mantenha sólida, no lugar e perceptível para o resto do mundo.




Senão… somos umas lesmas… lol

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

"Diferenças irreconciliáveis"

COM MÚSICA


A vida sendo uma caixinha de surpresas, nem sempre as coisas correm como esperávamos… não devemos tomar nada como garantido.
As relações entre as pessoas são complexas e ás vezes, tal como o leite, azedam.

A vida é demasiado curta para que a desperdicemos em relações que de bom nada nos trazem. É então necessário ter coragem para mudar aquilo que podemos mudar e serenidade para aceitar o que não podemos.
E se há algo que não podemos mudar, são os outros.

A maior parte dos nossos relacionamentos sendo voluntários, apesar de tudo o que isso possa implicar, somos livres de sair deles.
Abre-se talvez uma excepção para os laços de sangue, ou deveria talvez dizer “algemas de sangue”, pois esses não escolhemos, saem-nos na rifa.

A relação com os outros, quer queiramos quer não, tem uma enorme influência nas nossas vidas. As que são harmoniosas trazem-nos paz e bem estar e as difíceis, angústia e desconforto. Qualquer uma nos afecta na medida do tempo a que a ela estamos expostos.
Assim sendo, deixando de parte a família que não é para aqui chamada, as que mais nos tocam são as relações amorosas e de amizade.

Quando deixamos alguém entrar na nossa vida, devemos aceita-lo como um todo. Não podemos “comprar” só as partes que nos agradam. Ninguém sendo perfeito, cabe-nos perceber se o podemos e queremos fazer.
E aqui entramos em terreno pantanoso.

Para começar, antes de realmente conhecermos alguém… não o conhecemos. Lapalissade, sem dúvida, mas muito relevante.
As pessoas encetam relacionamentos devido à empatia, a algo que as atrai umas para as outras, no entanto só o tempo e a experiência partilhada as dão efectivamente a conhecer umas ás outras.
Por outro lado, as pessoas mudam e ninguém nos garante que a que conhecemos hoje vá manter-se a mesma amanhã.

Um relacionamento pode começar por ser empolgante, gratificante, agradável e algures ao longo do caminho definhar. É triste mas não inédito.
Não estou a falar em problemas que possam surgir ao longo do percurso, nada mais natural do que um atrito aqui ou ali, um desentendimento, uma falha de parte a parte, esses acabam por se resolver de uma forma ou de outra.

Há uns anos escrevi um post que me voltou agora á memoria, sobre os sintomas que nos podem levar a abandonar um barco… é a isso que me refiro agora. Àquela sensação de que “algo está podre no reino da Dinamarca”.
Um dia dá-se um clic, cai uma gota de água, e torna-se claro para nós, mesmo que não o seja para o outro, que a relação já nada tem de positivo.

E quando isso acontece sou apologista do ponto final.
Todos conhecemos casos em que as coisas se arrastam, doentes, moribundas, durante o que parecem séculos. Não é, sem dúvida, fácil dar o passo.
Representa normalmente tanta mudança nas nossas vidas que se torna assustador, altera rotinas, implica terceiros, obriga-nos a pôr muita coisa em perspectiva.

Quando o fazemos sentimos um misto de alívio com profunda tristeza, pois por alguma razão nos envolvemos, por alguma razão deixámos crescer a relação.

Um erro comum é querer encontrar maus da fita, na vida real há poucos heróis ou vilões.
Cada um é como é e não nos cabe apontar o dedo, da mesma forma que não somos obrigados a apreciar ou aprovar.
Outro típico tiro ao lado é tentar induzir terceiros a tomar partidos. Cada relação é única, pessoal e intransmissível. O que é válido para nós pode não o ser para os outros, deixa-los de fora das nossas questões é não só uma questão de civilidade como de bom senso.

Até reencontrar-mos algum equilíbrio, até recuperarmos alguma paz de espírito, passamos por momentos difíceis, em que a situação acaba por estar sempre presente no nosso espírito, em que tudo nos parece lembrar a pessoa em questão.
Depois o tempo acaba por ter o seu efeito curativo, a dor vai-se atenuando, sendo inclusivamente possível voltar eventualmente um dia a conviver civilizadamente nos mesmos meios.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Marreca? Qual marreca?!

COM MÚSICA

Há pessoas que parecem viver em realidades alternativas, a imagem que têm de si próprias e dos seus actos não condizendo com o que o resto do mundo observa.

Fazem-me lembrar aquela cena do Frankenstein Jr. em que este diz para o Igor:
- Sabes, sou um brilhante cirurgião, talvez te possa ajudar com essa marreca…
- Qual marreca?!


Para que consigamos dar a volta àqueles traços de carácter que não trazem bem nenhum ás relações humanas, temos de os identificar em nós e assumir como indesejáveis.
Curiosamente, certas pessoas conseguem eximiamente reconhece-los nos outros, parecendo no entanto incapazes de os detectar em sem si próprios.

Há muitos e longos anos uma pessoa, em pós divórcio, disse-me estar extremamente preocupada com os filhos, pois a mãe “é uma mentirosa compulsiva, sem a mínima noção da realidade… mente sem razão, sem objectivo… afirma ter almoçado com A tendo almoçado com B quando, qualquer das situações sendo perfeitamente inócua, não haveria teoricamente qualquer razão para mentir sobre o assunto… não se pode acreditar em nada do que diz, com o perigo inerente que isso acarreta, fazendo lembrar a história do pastor e do lobo…”
Durante o decorrer conversa, na realidade mais um monólogo, o queixo ia-se-me descaindo até quase assentar nos joelhos… É que essa pessoa esteve a descrever-se detalhadamente a si própria sem visivelmente ter a mínima noção disso.

São igualmente muito desprovidas de isenção no que diz respeito a factos, distorcendo-os da forma que menos incómodo lhes cause, tendo só em consideração o seu ponto de vista e chegando inclusivamente a negar que certas coisas tenham acontecido. O que nos outros é a seus olhos condenável, no que lhes diz respeito, é geralmente perfeitamente explicável e justificado.

Não tenho conhecimentos de psicologia para conseguir compreender o que vem primeiro, o ovo ou a galinha…
Pergunto-me se começam por bloquear a autocensura para poderem fazer/dizer as coisas sem problemas de consciência ou se agem primeiro negando de seguida interiormente que o fizeram.

Não faço ideia se esta condição terá direito ao rótulo de “patologia psicológica“ mas faz-me pensar na anorexia, em que a imagem que a pessoa vê reflectida no espelho não condiz com a visão do resto do mundo.


De qualquer forma, estes individuos têm nitidamente sérios problemas de discernimento , tornando muito complicado o relacionamento com eles.
Hoje em dia chego à conclusão de que o confronto não é solução, não muda nada, não resolve nada, antes pelo contrário.
Convém ter em conta que costumam ter uma visão bastante lisonjeira de si próprios, aos seus olhos são “lindos” enquanto que os outros são “feios, porcos e maus”…
Tentar chama-los à razão será tão frustrante como tentar partilhar as cores do arco íris com um cego. Talvez até pior, porque além de frustrante é igualmente inglório pois irão certamente voltar-se contra nós.

Todos conhecemos ao longo da vida várias pessoas que se enquadram na descrição que acabo de fazer. Pessoalmente não conheço uma única que tenha acabado por “ver a luz”…

Resta-nos ter presentes as suas características e tentar, dentro da medida do possível, não nos deixar lesar por elas.
Parece-me um caso flagrante de ter a serenidade para aceitar as coisas que não podemos mudar. ;)

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Um direito, uma obrigação, um dever cívico…

COM MÚSICA



Ser feliz é um acto de altruísmo… ;)
Pessoas infelizes são a pain in the arse.

As pessoas infelizes são tristes e a tristeza, tal como a alegria, é contagiante.
Tal como quando estamos com dores não conseguimos pôr-nos na pele de alguém que não as sente, quando estamos tristes não conseguimos encontrar razões para sorrir. As pessoas infelizes tornam-se amargas, o seu sentido de humor, quando presente, é ácido, sarcástico.
A infelicidade é um grande inibidor da empatia. Assim, as pessoas infelizes são muitas vezes assoladas por sentimentos de inveja, de rancor, de aversão, pelo próximo.
Por outro lado, ela sufoca o amor próprio e facilmente as pessoas se convencem de que não são dignas de estima e consideração. Frequentemente se sentem magoadas, agredidas, sub-valorizadas, vendo as atitudes dos outros como reflexo dos seus próprios olhos.
A tolerância também escasseia e salta-lhes a tampa por dá cá aquela palha. Simplesmente não têm pachorra para aturar os outros.
Se não se conseguem ajudar a si próprios muito menos o conseguirão fazer a terceiros, não se pode portanto contar com uma pessoa infeliz.
A eles a vida nunca parece simples, o complicómetro não pára um segundo. Tudo é negro, tudo é pesado, tudo é difícil…
Perdem o fôlego, perdem a esperança, não vêem luz ao fundo do túnel, entrando assim numa espiral descendente que ameaça sugar todos os que estiverem à sua volta.

As pessoas felizes, ao contrário, irradiam calor e luz.
Sentem que a vida lhes sorri e sorriem de volta.
Não é nada entusiasmante “beber sozinho”,  assim gostam de companhia, apreciam partilhar a vida com quem está na mesma onda.
São geralmente alegres, bem dispostas, boa companhia, muitas vezes engraçadas.
Gostam de si próprias logo acham natural que os outros gostem também.
Como se sentem bem, gostariam que todos sentissem o mesmo, costumam portanto a estender a mão a quem dela precisa.
Tendem a ter o pavio mais comprido, a aceitar mais facilmente as diferenças, a tentar compreender posições diferentes das suas.
Para as pessoas felizes as dificuldades, os problemas, são desafios e não o fim do mundo.
As pessoas felizes têm um halo de energia positiva à sua volta onde dá vontade de nos aconchegarmos.

Somando dois e dois, a infelicidade não trás nada de bom… nem a nós próprios, nem aos outros. Be happy!


PS: Este post é dedicado a uma pessoa que foi infeliz durante muitos e longos anos (tal como previsto pela astróloga… lol) e que recentemente voltou “ao mundo dos vivos”.  Welcome back! ;)


terça-feira, 28 de setembro de 2010

What goes around, comes around…

COM MÚSICA





A vida é como um boomerang… what goes around, comes around.

Pessoalmente acredito que assim seja a todos os níveis, acredito que tudo o que fazemos, de bom ou de mau, acaba por voltar a nós. Talvez não pela mesma via, talvez não através das mesmas pessoas, mas de alguma forma acabamos por receber de volta o que atirámos para o universo. Não queria no entanto, hoje, entrar por esta via meio esotérica.

Revi recentemente o “Saving Private Ryan”, excelente filme que muito mexeu comigo…
Conta-nos a história de um grupo de homens cuja missão é descobrir e levar para casa outro soldado, cujos três irmãos morreram na mesma guerra. Durante todo o filme vão pondo em questão a decisão de arriscar a vida de todos para salvar a de um único homem, revoltam-se, discordam, mas vão prosseguindo. Mais não conto para não estragar o filme a quem não o tenha visto mas, no fim, o capitão Miller -Tom Hanks, para os amigos ;) - diz-lhe “James, faz por merecer isto…”.

Julgo que todos gostemos de “ser gostados”, de ser bem tratados… a realidade é que para isso temos de o merecer. Muita gente não percebe isso, não percebe que para receber é também preciso dar.

Para sermos respeitados, temos de respeitar. Para inspirarmos confiança, temos de saber confiar. Para merecermos dedicação, temos de nos dedicar. Para podermos ser amados, temos de conseguir amar.
Muitos desejam sentimentos nobres e quentes a seu respeito mas não sabem tratar o próximo com humanidade.

Todos deveríamos tentar ser aquilo que gostaríamos que os outros fossem.
A agressividade só chama por violência, a prepotência não atrai dedicação, a hipocrisia não inspira confiança, a intolerância não favorece o entendimento, a sonsice não merece frontalidade, o egoísmo inibe a compaixão, and so on
Que é como quem diz, não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti.

Se formos pessoas amáveis, afáveis, agradáveis, de trato fácil, educadas, seremos, na maior parte das vezes, tratados na mesma moeda. A empatia será certamente muito facilitada.
O poder de um sorriso franco é incalculável. Simples actos de simpatia movem montanhas. Pequeníssimos gestos de solidariedade valem ouro. É de todas estas pequenas coisas que se alimenta o amor pelo próximo.

Isto não funciona obrigatoriamente na base do um para um. Seremos ocasionalmente maltratados por quem acarinhámos, desconsiderados por quem respeitámos, agredidos por quem não provocámos. Mas, at the end of the day, a nossa relação com os outros em geral, sairá garantidamente favorecida.

O calor humano partilha-se e difunde-se. ;)


quarta-feira, 22 de setembro de 2010

A Sopa

COM MÚSICA


Recentemente uma que outra pessoa me perguntou se estava tudo bem comigo, aparentemente os meus últimos posts pareceram-lhes um pouco “negros”…
Achei então oportuno relembrar-vos a razão de ser deste blog. ;)

Como julgo ter mencionado anteriormente, se quisesse manter um diário, não seria garantidamente online. Este blog não é sobre mim, como tal também não o uso para carpir as minhas mágoas.

Há tempos dei-me conta de que, probabilisticamente, já tenho menos anos pela frente do que pelas costas.
Passamos os primeiros tempos da nossa vida a desejar que os anos passem depressa e, quando finalmente começamos realmente a aprecia-la, parece que o desejo se realiza e estes ganham asas. Be carefull what you wish for… lol
De repente começamos a dar muito mais valor ao (pouco, é sempre pouco…) tempo que nos resta.

Costuma dizer-se que “burro velho não aprende línguas”… pois eu contrario completamente essa teoria, a minha aprendizagem de vida tem sido bem tardia e não paro de aprender dia após dia.
Acontece que adoro viver e como tal quero fazê-lo o melhor possível. Quando descobri que isso dependia essencialmente de nós próprios fiquei fascinada.

Então, tal como uma cozinheira gosta de partilhar os seus cozinhados - daí o nome do Blog, topam?!  lol – decidi partilhar, com quem me quiser ler, as minhas receitas de felicidade.
Não são revelações, não são verdades absolutas, há muitas formas de se fazer bacalhau… ;)

Tal como na culinária, há gostos para tudo, nem todos apreciamos o mesmo. Também nem todos preparamos os pratos da mesma forma, o que não quer dizer que não possam ser igualmente apreciados.
Aqui vou transmitindo a minha experiência e conclusões pessoais, tão válidas como quaisquer outras. 

Sabiam que se, nos pratos que levam tomate, deitarem uma pequena colher de açúcar, lhe cortam a acidez?!  Pois também relativamente ao nosso relacionamento com os outros, com o mundo, com nós próprios, há uma série de pequenos truques que podem evitar agruras.

Há alimentos ácidos, amargos, doces, salgados, picantes… tal como as experiências de vida. Mais tarde ou mais cedo, de uma forma ou de outra, entraremos em contacto com todos eles. Se os soubermos confeccionar, a sua degustação será certamente muito mais agradável.

Volta não volta comemos qualquer coisa estragada ou que simplesmente nos cai mal, não é o fim do mundo.
Convém simplesmente aprendermos a lidar com esse tipo de situações.
É importante saber reconhecer um ovo podre ou um cogumelo venenoso, estar consciente das nossas intolerâncias alimentares ou ter noção do que fazer em caso de intoxicação,  por exemplo.

Acredito que a vida deve ter ingredientes de qualidade e ser bem cozinhada.
É simplesmente disso que trata este blog. ;)

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Not fair...

COM MÚSICA



Gostamos de pensar que, se formos bonzinhos, se nos portarmos bem, se formos justos… o universo retribuirá.
Observamos no entanto que, infelizmente, nem sempre é bem assim.

Onde está a justiça numa mulher violada engravidar enquanto outras tentam desesperadamente ter filhos sem sucesso?!
Onde está a justiça em crianças perderem pais extremosos enquanto outras sofrem tormentos que parecem não ter fim nas mãos dos seus progenitores?!
Onde está a justiça em pessoas fantásticas sofrerem horrores devido a doenças ou acidentes enquanto verdadeiros filhos da mãe saltam levemente de nenúfar em nenúfar gozando de perfeita saúde?!
Etc, etc, etc…

Mas não só de “Injustiça Divina” sofremos na vida…
Não vou sequer entrar no campo da injustiça social, humanitária, etc… daria pano para mangas mas não era o que tinha em mente.
A realidade é que somos frequentemente injustiçados por quem nos rodeia, inclusivamente por quem está próximo e gosta genuinamente de nós, diria talvez até mais do que pelos outros. Acredito que, na maior parte das vezes, não seja voluntário ou sequer consciente… a tendência natural do ser humano não é propriamente ver o “outro lado” e, olhando predominantemente para o nosso próprio umbigo, muita coisa nos passará garantidamente ao lado.

A injustiça sendo das coisas que mais me revoltam, acredito em  fazer-lhe frente sempre que necessário. Tento estar constantemente atenta para não a praticar eu mesma e acho saudável e proveitoso fazê-la notar aos outros o que, embora nem sempre aconteça, muitas vezes faz com que seja assim corrigida.

Acontece que, para que isso seja possível, é necessária por um lado empatia e por outro capacidade de análise racional dos nossos actos e percepção do impacto das nossas acções nos outros. Ora, por razões diversas, geralmente de teor emocional, isso nem sempre é possível.

O exemplo mais flagrante do que estou a tentar transmitir é a adolescência, fase tão encantadora como terrível da vida do bicho homem. Altura em que geralmente as crias se revoltam contra os pais, cuspindo palavras e praticando actos de uma total injustiça.
Acontece no entanto com pessoas de todas as idades e em todo o tipo de relações.

Ora bem…
Acredito que a máxima que tenho em cabeçalho deste blog seja o caminho para atingirmos a serenidade, a paz de espírito.
Nesta questão (como em todas as outras…lol) parece-me fundamental a “sabedoria para perceber a diferença”… A realidade é que há injustiças contra as quais não vale a pena lutar, não vamos “mudar” nada.

As pessoas só vêem aquilo que querem ver e, volta não volta, ficam momentaneamente cegas e não há nada a fazer. Revoltarmo-nos contra esse estado das coisas serve para tanto como revoltarmo-nos contra o facto de termos partido uma perna, é um desgaste inútil.
Eventualmente os próprios um dia se dão conta disso, ou não… mas quanto a mim são casos em que convém termos “a serenidade para aceitar as coisas que não podemos mudar”.

Temos tendência a gritar a nossa indignação pois, vá-se lá saber porquê, temos a ilusão de que a vida deveria ser justa.
Pois meus amigos, azarete, não é.
Passar por este tipo de situações é tão natural como mandar uma biqueirada no pé da cama ou  levar uma joelhada nos tintins… Faz parte… ;)


quarta-feira, 8 de setembro de 2010

A peito

COM MÚSICA

Recentemente cheguei a uma conclusão que muito me tem ajudado; se as coisas boas e agradáveis que nos dirigem têm normalmente a ver com a nossa pessoa, com o que somos, com o que fazemos, o contrário já não é, na maior parte das vezes, verdade.


Embora não seja evidentemente sempre o caso, quando alguém de alguma forma nos magoa, quer seja através de palavras ou da sua omissão, de acções ou da ausência das mesmas, tem geralmente muito mais a ver com ela própria do que connosco.

Isto pode dever-se a “factores externos”; mau estar físico, um dia complicado, preocupações, stress, as fases da lua, sei lá eu…
Ou, ninguém sendo perfeito, aos nossos bugs, postos em evidência na relação com os outros. 
Mau feitio, agressividade, egoísmo, inveja, insegurança, ciúme, preconceito, prepotência, susceptibilidade, rancor, mentira, intolerância, etc, etc, etc… são coisas que facilmente, de alguma forma, podem atingir os outros, o que não quer dizer que o tenham obrigatoriamente “merecido”.
A tomada de consciência deste facto traz-me bastante serenidade e paz de espírito.

Como me dizia no outro dia um amigo, a quem tentava “vender” a teoria;
 “…foste omissa nas conclusões "meio filosóficas" que aparentemente deverão explicar porque motivo todos devemos seguir à risca o exemplo de Jesus Cristo.” lol

Confesso, envergonhadamente, não estar familiarizada com o exemplo de Jesus Cristo. Acho no entanto que percebi o que queria dizer, que julgo ter a ver com a história do “oferecer a outra face” e tal e coiso…
Não é nada disso que apregoo. ;)
Acho simplesmente que “entender” esta questão nos ajuda a ultrapassar a dor, digamos que funciona como um analgésico.

Assisti a um que outro episódio de uma série com reconstituições e relatos de sobreviventes de ataques de animais selvagens; crocodilos, ursos, tigres, pumas, elefantes, lobos, tubarões…
As pessoas foram desfiguradas, retalhadas, amputadas, algumas perderam familiares ou amigos. Passaram certamente por momentos atrozes, de dor física e psicológica.
Não houve no entanto uma única que demonstrasse ressentimento para com o animal em questão. Todas pareciam perfeitamente conscientes de que o que tinha acontecido se devia á natureza dos mesmos e ao azar das circunstâncias.

Este foi um exemplo caricatural do que estou a tentar transmitir mas que serve bem o propósito.
Não nego o sofrimento envolvido e estou certa de que, qualquer um deles, de futuro, terá muitíssimo cuidado para que a situação não se repita.
No entanto, esta compreensão das causas dos ataques parece trazer-lhes uma certa paz. 
Alguns deles, de certa maneira, até se “puseram a jeito”; o do tigre, por exemplo, enfiou o braço dentro da jaula… encara no entanto como uma consequência natural ter ficado sem ele.

A mágoa, o ressentimento, o levar a peito as situações e a vontade, ás vezes, de retribuir só provocam mais dor. 
Sermos capazes de, enquanto lambemos as feridas, perceber o que aconteceu e tentar resguardar-nos de futuras situações semelhantes, se possível, parece-me muito mais proveitoso e inteligente. ;)


quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Para o infinito e mais além...

COM MÚSICA

Há já muitos anos que acredito que a nossa felicidade passe, obrigatoriamente, por aquilo a que costumo chamar “teoria da coerência”…  A harmonia interna parece-me indispensável à nossa paz de espírito. Penso ser extremamente importante que aquilo que pensamos, aquilo que dizemos, aquilo que fazemos e aquilo que sentimos vá no mesmo sentido.
Curiosamente, descobri há pouco tempo que já o Gandhi defendia a mesma ideia. ;)

Aqui há tempos dei por mim a “sofrer” de graves incoerências a vários níveis, razão pela qual decidi interromper a escrita neste blog. Precisei de reencontrar uma certa coesão, de crescer, como lhe chamei. Já me sinto de novo coesa qb… I’m back! ;)



A incoerência, observo, é socialmente bastante tolerada. Acredito que isso se deva ao facto desta afectar certamente muito mais o próprio do que terceiros.
Quem não conhece a frase “faz o que  eu digo, não faças o que eu faço”?!  Todos podemos apontar inúmeros exemplos de pessoas que defendem uma coisa e fazem outra. E o mais grave é que muitos nem sequer  parecem ter consciência disso.

A coerência total é evidentemente uma utopia. Não acredito que ninguém consiga ser completamente coerente a todo o momento. Não acho sequer que seja possível. Somos seres em permanente mutação, constantemente sujeitos a uma série de factores externos que nos influenciam a muitos níveis.

Falei em pensar, dizer, fazer e sentir… Estes tendem a organizar-se em pares; o pensar com o dizer e o fazer com o sentir. O conflito dá-se normalmente entre estas duas facções. Ou seja, as pessoas dizem o que pensam mas fazem o que sentem.
É aqui que a porca torce o rabo, é isto que nos atormenta a paz interior.
Então porque não mudar?!

Muitos defendem que não podemos “controlar” os sentimentos. Discordo totalmente, teoria comprovada pela minha experiência pessoal. Não digo que seja fácil, mas é sem dúvida possível. Acredito que sentimentos que não nos tragam bem-estar e felicidade não estão cá a fazer nada, mais vale erradica-los.  As crianças aprendem a controlar os sentimentos, o temperamento, para se conseguirem enquadrar. Porque é que um adulto não havia de poder fazer exactamente a mesma coisa?!

Mas não digo que tenha de ser o sentimento a mudar… porque não, em certos casos, seguir antes os nossos instintos, o nosso coração, se assim lhe quiserem chamar, e alterar antes as nossas ideias?
A educação que recebemos, a sociedade em que vivemos, as pessoas que nos rodeiam, incutem-nos ideias que não são forçosamente válidas para nós. Se acreditamos que uma coisa esteja errada porque não assumir essa ideia?

Ou seja, em caso de conflito, mudar de ideias, mudar de sentimentos, ambas as hipóteses são na realidade possíveis. Para podermos optar por uma delas temos de dar tantos ouvidos à nossa razão como ao nosso feeling e ver qual dos dois leva a melhor.
Qualquer uma das coisas requer muito trabalho e perseverança e sobretudo muita consciência, não é normalmente uma coisa que aconteça sozinha. Requer também muitíssima tolerância e paciência pois iremos certamente tropeçar muitas vezes antes de conseguirmos acertar agulhas.

O equilíbrio que iremos encontrando irá certamente ser transtornado aqui e ali, por esta e por aquela razão. Então, pontualmente, sentir-nos-emos como o mercúrio de um termómetro que se partiu. Mas se tivermos esta teoria em mente, cada vez mais facilmente nos iremos reencontrar.



Para o infinito e mais além… sei que nunca chegarei, mas ei de morrer a caminhar para lá. ;)


terça-feira, 29 de junho de 2010

Viver e aprender

COM MÚSICA



Dantes imaginava que o crescimento fosse uma coisa regular, progressiva. Quando tive o meu filho dei-me conta de que funciona por “saltos”. A roupa serve-lhe durante uns meses e, de repente, parece que de um dia para o outro, fica-lhe indecentemente curta.
O mesmo parece passar-se psicológica e emocionalmente.

Estou neste momento numa fase de crescimento… (vou ficar com um metro e oitenta…lol)

Acontecimentos recentes despoletaram em mim uma série de questões existencialistas, na onda do “quem sou, de onde venho, para onde vou”, que estou ainda a digerir.
São, na minha opinião, extremamente positivos estes “saltos de crescimento”. É nestas ocasiões que pomos certas coisas em questão, fazemos balanços das nossas vidas e  lhes afinamos o rumo.

Para isso preciso de me virar para dentro, o que é um bocado o oposto do que faço neste blog… deixo-vos então com um “até qualquer dia”. ;)