terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Keep it cool...

COM MÚSICA



Temos contacto com outros seres humanos praticamente numa base diária. A forma como decorre essa interacção, tem uma influência importante no nosso estado de espírito.
A relação com os outros, tanto nos pode provocar uma sensação de paz e bem estar, como de tensão e angústia.
Não sei se “o inferno são os outros” mas é um facto que, de vez em quando, há quem nos faça a vida num inferno… lol Há pessoas com mentes extremamente complicadas e tortuosas, com as quais o convívio muitas vezes não é nada fácil.

Tal como tantas outras coisas, os relacionamentos são muito mais agradáveis quando fluem, quando os mantemos de forma serena e relaxada.
É difícil que, ao longo do tempo, não haja um que outro atrito, uma que outra questão menos agradável. No entanto, pela sua postura perante a vida, certos indivíduos parecem provoca-los frequentemente, tornando o convívio francamente difícil de gerir e mais ainda de apreciar.

Certas pessoas parecem viver de pé atrás com tudo e com todos, qualquer comentário ou acção lhes parece susceptível de ser mal intencionado, facilmente vêm maldade em qualquer lado. Para elas todos são culpados até prova do contrário. Como tal, tornam-se agressivas, conflituosas, implicativas… sempre em pé de guerra.

Alguns sentem-se ofendidos, magoados, por dá cá aquela palha. Tudo o que se diga ou faça tem de ser muito bem medido e pesado, por forma a não agredir a sua sensibilidade exacerbada. No entanto, mesmo com estes cuidados em mente, muitas vezes os outros se vêem confrontados com acusações de “maus tratos” que os deixam completamente atónitos e desconcertados.

Outros, pelo contrário, não conseguindo manter á rédea curta o seu mau feitio, permitem-lhe que se atire ás canelas alheias à mínima contrariedade. Nessas alturas conseguem tornar-se verdadeiramente execráveis, perdem as estribeiras, vociferam, provocam ambientes de cortar á faca, acabando consequentemente por perder qualquer “razão” que pudessem  eventualmente ter.
(Céus… fui tããão assim durante taaantos anos…)

A intolerância (eventualmente aliada ao preconceito) é outro factor que em nada favorece as relações inter-pessoais, a não aceitação da diferença, das escolhas de vida de cada um, todos os que não se rejam pelos mesmos padrões sendo considerados infractores. “Viver e deixar viver” não é nitidamente o seu lema, caindo impiedosamente em cima de tudo aquilo que seja a seus olhos condenável, mesmo que só ao próprio diga respeito.

Há os que não são capazes de manter uma conversa sem, inevitavelmente, acabar a cascar no país, no governo, no povo, no mundo, no estado das coisas... Para eles nenhuma situação parece suficientemente agradável para merecer uma pausa, um desfrutar do momento, sem que seja ensombrado por pensamentos negativos. 

Alguns gostam de desenterrar esqueletos. Julga-se que uma questão já está morta e enterrada e lá volta ela tipo assombração. Tipicamente são aqueles que embora possam ter oficialmente dado as coisas por encerradas, na realidade não conseguem pôr uma pedra nos assuntos, ficando a remoer rancores e ressentimentos.

Na mesma óptica, há também aqueles que insistem em sacar os erros alheios da cartola , sempre que a ocasião se proporciona. Relembrando-os, de dedo apontado,  que em tempos pensaram de outra forma, agiram menos correctamente, expressaram uma opinião diferente, como se não lhes atribuíssem o direito à mudança.

Temos também pessoas para quem tudo é competição, que passam a vida a medir pilas. Estão constantemente a considerar interiormente quem é mais rico, mais bonito, mais popular, mais poderoso…  As coisas não podem simplesmente ser, tem de ser mais ou ser menos, tudo é comparação, tudo é uma questão de ganhar ou perder o concurso.

Alguns põem-se muito pouco em questão, aceitar que possam ter “culpas no cartório” relativamente a alguma coisa é-lhes extremamente penoso. Tudo acontece sempre essencialmente por culpa dos outros e, se alguma responsabilidade por acaso assumem, esta vem invariavelmente acompanhada de um “mas”.

Relativamente a outros, nunca se sabe com o que contar. As suas afirmações não condizem com as suas atitudes. Mudam do dia para a noite consoante a pessoa com quem estão a lidar, parecem ter várias caras, várias personalidades, várias posturas perante o mesmo assunto, tornando muito difícil compreender quem realmente são e consequentemente nelas confiar.

Enfim, estes são alguns exemplos, muitos mais haverá…
A realidade é que certas atitudes em nada contribuem para um bom ambiente e, se recorrentes, para um bom relacionamento com os outros.
Todos, já teremos tido alguma ou várias das que descrevo ou outras igualmente nocivas, há no entanto quem delas faça modo de vida.
Com este tipo de postura, coisas inócuas facilmente viram “casos”, gerando-se verdadeiras tempestades em copos de água.
Se estas se forem acumulando, irão minando as relações até que, por muito que se possa gostar delas, se passe a suportar as pessoas, em vez de as apreciar verdadeiramente.

Conviver numa base regular com este tipo de coisas é intoxicante, malsão. Provoca tensões, angústias, ansiedade…  Na minha opinião não trás nada de positivo para ninguém.
Defendo então que, não só tentemos erradica-las de nós próprios, como afastar-mo-nos delas, dentro da medida do possível, e rodear-mo-nos maioritariamente por pessoas conciliadoras, harmoniosas, serenas e equilibradas, que contribuam para o bem estar geral em vez de o corroerem.



Make love, not war! ;)

domingo, 16 de janeiro de 2011

E lá vão 4…

COM MÚSICA



Quatro anos… parece que foi ontem…
Achei que era uma boa altura para fazer uma revisão, um balanço, destes já quase duzentos posts.

Ao relê-los tive vontade de alterar alguns, de apagar outros…
Aquilo que dissemos, faz no entanto parte de nós, daquilo que fomos, daquilo que somos. Não toquei portanto numa só virgula.

Ao criar este blog não tinha de todo a noção de que viria a ser lido por perfeitos desconhecidos. Fi-lo por desafio de um amigo, divulguei-o junto dos mesmos e, estupidamente, pensei que se iria ficar por aí…
Dahaaa, isto é a néteee…
Assim, os meus primeiros posts são bastante pessoais e intimistas.

Ao longo dos tempos passei a ter mais cuidado com o que dizia, com as histórias que contava, sobretudo se envolvessem terceiros. O objectivo é passar ideias e não relatar ocorrências e, hoje em dia, só as descrevo quando me parecem absolutamente necessárias para demonstrar alguma coisa, tentando sempre manter o anonimato dos intervenientes.

Escrevi dois ou três posts que, apesar de se enquadrarem no espírito do blog, eram dirigidos pessoas específicas, tentando passar-lhes uma mensagem. Ingenuamente julguei que assim as poderia tentar ajudar mais eficazmente do que com o discurso directo que não estavam na disposição de ouvir.
Apesar de não as ter nomeado sei que ficaram chateadas. Compreendo hoje que foi um erro e peço-lhes agora publicamente desculpa.

Dito isto e passando estas excepções…
 “Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência”?!
Grande treta, todos temos que nos inspirar em algum lado, este disclaimer foi nítidamente inventado para evitar processos legais.
Escrevo sobre características e atitudes humanas que acredito nos ajudem, ou pelo contrário prejudiquem, relativamente a sermos felizes.
Não mantenho um blog de ficção científica. Logo, aquilo que escrevo sai directamente da observação e reflexão sobre “a vida real”.

Começando por mim, como dizia o José Mário Branco, “Eu vim de longe, de muito longe, o que eu andei para aqui chegar…”
Tempos houve em que não era de todo feliz e em que a minha postura perante a vida em nada contribuía para que o fosse.
Grande parte do que aqui escrevo se baseia na minha experiência pessoal, nos erros que cometi, nalguns que ainda cometo, nos truques que fui descobrindo e na análise das respectivas consequências. 
Ganhei uma que outra batalha, tenho ainda muitas lutas a travar, muitas arestas a limar.
Por outro lado, as ervas daninhas não param de crescer em qualquer jardim, arranca-las é portanto um trabalho que não tem fim…

Baseio-me também, evidentemente, na observação dos outros, do mundo que me rodeia. Falo sobre assuntos que de alguma forma me tocam, me levam a reflectir.
Muitas vezes me têm perguntado sobre quem estava a falar…
Apesar de todos sermos diferentes, há características que temos em comum com outras pessoas, é sobre elas que escrevo, não sobre indivíduos em particular.
Se é um facto que coisas específicas me dão a ideia de escrever um post sobre determinado tema, a realidade é que, ao fazê-lo, me surgem sempre N exemplos que se enquadram nas descrições.

Uma coisa é certa, apesar de ciente de que alguns poderão não o interpretar desta forma, tudo o que aqui escrevo é no intuito de passar uma mensagem positiva.
Não acredito que nada no nosso carácter seja incontornável, acho que podemos mudar o que quisermos, desde que tenhamos a vontade, a coragem e a perseverança de o fazer.
Quando menciono características a meus olhos nefastas, é tendo isto e conta e não para deitar abaixo ou apontar o dedo a seja quem for.

Deixo-vos com um apanhado de alguns posts, dos mais antigos, que pessoalmente gostei de reler ;)

Controlar o medo  / You can’t always get what you want / Somos todos animais, mas uns são mais animais que outros / Ser ou não ser, eis a questão / Vira o disco e toca o mesmo / O sindroma de Calimero / Os dodois / Os pré-sentimentos / Felicidade: sintomas / Paroles, paroles, paroles / Emoção e Razão / Quem sou, de onde venho, para onde vou?


terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Jogo de cintura

COM MÚSICA



Qualquer um de nós, volta não volta, se sente agredido por palavras de terceiros.
Da forma como reagirmos, dependerá o desfecho da questão.

Se é verdade estas situações sempre existiram, hoje em dia, com a facilidade dos meios de comunicação, nomeadamente a internet, acontecem incomparavelmente mais.
Quem costuma navegar pelas revoltas águas do mundo virtual, já teve certamente ocasião de presenciar verdadeiras guerras, tantas vezes originadas pela falta de bom senso dos intervenientes.
Como dizia o outro, “Não havia necessidadeee…” ;)

Julgo que um dos principais responsáveis pelo despoletar destes incidentes seja a limitação da linguagem escrita, que não vindo acompanhada de tom de voz e expressão facial, frequentemente dá azo a interpretações erróneas.
Dependendo do nosso estado de espírito, muitas vezes se entenderá então alguma coisa, cujo significado possa ser dúbio, da pior maneira possível.

De qualquer forma, bem ou mal interpretadas, há sem dúvida coisas que nos ferem, ofendem, irritam, etc… e nos deixam com vontade de “ripostar”.

Na minha opinião, o primeiro erro é fazê-lo de imediato. A quente, todos nos tornamos bastante irracionais, podendo dizer coisas impensadas de que nos arrependeremos mais tarde.
Aqui, a escrita, que é como quem diz o facto de não nos encontrarmos frente a frente, até pode jogar a nosso favor, permitindo-nos fazer uma pausa para respirar fundo e reflectir sobre o assunto.

O segundo erro será não analisarmos o ponto de vista do outro, não tentarmos perceber porque disse o que disse, não pormos em questão se não poderá terá alguma razão. Se nos sentimos atingidos a tendência natural é acharmos que nós estamos certos e eles errados. Nem sempre é o caso…

Algumas pessoas têm uma maneira de falar, de colocar as questões, que nos deixam logo virados do avesso. Assim, pecam frequentemente não pelo conteúdo mas pela forma.

Há também os conflituosos, aqueles que estão sempre a ver mosquitos na outra banda e não perdem ocasião de mandar a sua aguilhoada.

Os agressivos transmitem qualquer ideia sem dó nem piedade, não se dando ao trabalho de medir as palavras. Ao transmitir as suas ideias soam como se estivessem “a ralhar”.

Os susceptíveis vêm maldade em tudo, qualquer coisa que se diga poderá fazê-los sentir vítimas de agressão e pô-los na defesa. E como todos sabemos, a melhor defesa é o ataque. ;)

Os egocêntricos acham que tudo tem a ver com eles. Qualquer coisa que se diga lhes é evidentemente dirigida, levam tudo a peito e reagem em conforme.

Temos também os puristas que, percebendo perfeitamente o que queremos dizer, não perdoam qualquer “pontapé na gramática”, reagindo como se não entendessem o nosso discurso.

Outro caso são os que gostam de contrariar por desporto. São capazes de provocar, de contradizer, de criticar, só pelo prazer de gerar polémica, só pelo gozo de poder refutar.

Enfim, muito mais tipos de atitude poderia descrever que potencialmente nos puxam os pelinhos do… mas diria que já chega.
Em qualquer dos casos, há sempre que ter em conta que o facto de alguma coisa mexer connosco não quer dizer que não possa ter uma ideia válida por trás e é sempre uma questão a considerar.

De qualquer modo, com razão ou sem ela, temos duas opções; entrar a matar ou usar a cabeça, engolir em seco e adoptar uma atitude sensata e conciliadora.
Sempre que possível, a segunda opção parece-me de caretas a melhor. ;)

Pensem… quem é que ganha alguma coisa com estas lutas?!
Que bem se poderá extrair de ânimos exaltados e trocas de palavras azedas?
Aquilo que nos sai da boca não podemos reclamar de volta. Se não dermos abébias ao próximo não as poderemos também reclamar para nós.

Todos temos, volta não volta, atitudes mais parvas, menos simpáticas, menos agradáveis, que se fossem sempre consideradas declarações de guerra passávamos a vida à estalada.
Se tentarmos pôr água na fervura, ver o outro lado, compreender ou explicar as situações consoante o caso, de uma forma civilizada, evitaremos muitos conflitos perfeitamente desnecessários e que nos moem inevitavelmente o juízo.
As pessoas tendem a reagir de forma muito positiva a este tipo de atitude e a maior parte opta por adopta-la também.

Depois há os casos perdidos… os surdos… aqueles que não querem paz mas sim catrapáspáspás… quanto a esses, a meu ver, a melhor opção é mesmo o silêncio.

“Don't argue with an idiot. They will only drag you to their level and beat you with experience.”
Autor desconhecido

;)

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Os egoístas

COM MÚSICA



Apesar de nunca ter ouvido ninguém referir-se ao egoísmo como sendo propriamente uma virtude, este parece-me no entanto ser bastante bem tolerado pela sociedade.
Basta considerarmos o famoso perfume da Chanel
Gostava de ver o sucesso que teria um produto com o nome de “Pedophile”, por exemplo. lol

Os egoístas não são obrigatoriamente más pessoas… 
São simplesmente indivíduos que pensam acima de tudo em si próprios. Que colocam os seus interesses, opiniões, desejos e necessidades em primeiro lugar. Que, em caso de conflito de interesses, optam geralmente pela solução que mais os favorece.
Esta postura dá frequentemente maus resultados.
Não quer no entanto dizer que não tenham amor ao próximo, que não sejam capazes de atitudes solidárias, de dar apoio, de ser generosos, etc…

Quando era miúda tive um jogo, com uma certa piada e que tenho pena que tenha desaparecido, que consistia nuns cartões com características opostas dos seres humanos:
Pontual/Atrasado - Calmo/Nervoso - Tímido/Extrovertido - etc
Cada cartão tinha uma escala de 1 a 10 (em que o 1 equivalia a uma das duas características e o 10 à outra) e cada jogador dez cartas com os respectivos números. 
A ideia era, para cada cartão e para cada jogador, cada um atribuir um número da escala, para se ver a diferença entre o que cada um pensava de si próprio e a opinião dos outros.
Apesar de bastante básico e com algumas falhas, pois algumas das características não eram nitidamente opostas, ainda nos divertimos bastante com ele.

Não me lembro se havia algum cartão em que constasse o egoísmo… aposto no entanto que seria dos casos em que a opinião dos outros mais frequentemente fosse divergir da opinião do próprio. 
Isto, claro está, partindo do princípio de que se jogasse com total franqueza, o que era um pressuposto. ;)

Todos teremos eventualmente atitudes egoístas mas alguns têm-nas incomparavelmente mais frequentemente que outros. Acredito no entanto piamente que a maioria não reconheça em si essa característica. Tipicamente “o egoísta” não assume esse rótulo, chegando inclusivamente muitas vezes ao ponto de se achar o contrário.
Se repararem, têm quase sempre razões, para si perfeitamente válidas, que justificam plenamente os seus actos ou falta deles. 

Na minha opinião, o egoísmo anda a par com um certo egocentrismo.
Só isso justifica, a meu ver, o facto de alguns “egoístas” serem pessoas extremamente simpáticas e até atenciosas.
Parece-me que, instintivamente, não conseguem encarar o mundo a não ser do seu ponto de vista, não têm basicamente capacidade de empatia.
Não acho que o egoísmo seja um defeito mas mais uma deficiência.

O mal gerado por atitudes egoístas seria grandemente minimizado se cada um de nós usasse uma balança, uma balança virtual, numa base diária.
Se pesarmos as consequências dos nossos actos, ou falta deles, muitas vezes optaremos por fazer, de bom grado, um que outro sacrifício, pois chegaremos à conclusão de que o dano/prazer que podemos proporcionar é muito superior nos outros do que o seria em nós.
Acho que era a isto que o Einstein chamava “teoria da relatividade”… lol

Por outro lado, dado que vivemos em sociedade, ter em conta o bem estar geral é quase tão importante como o próprio, não acredito que alguém se possa sentir realmente bem provocando mal estar à sua volta.

É preciso também não esquecer o célebre ditado “quem muito quer tudo perde”… e ás vezes os egoístas puxam de tal forma a brasa à sua sardinha que acabam a ver navios.

Resumindo, acho que a maior parte é gente sem maldade, sem vontade ou intenção de lesar mas que, não sendo capaz de olhar para além do seu umbigo, acaba por não ver “the big picture” e consequentemente contribuir inteligentemente para a felicidade tanto própria como alheia.


A balança… não se esqueçam da balança… ;)

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Último post de 2010

COM MÚSICA




Tipicamente, nesta altura do ano, olhamos para trás e fazemos um balanço...
o meu deixou-me sem grande disposição ou inspiração para escrever.

Não querendo no entanto deixar-vos sem nada para ler esta semana, remeto-vos então para um dos primeiros posts deste blog.

Desejo a todos um excelente ano de 2011!







"[…] And you start to accept your loss with your head up and eyes straight ahead, with the grace of a grown-up, not the sadness of a child.[...]"

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Palmadinhas nas costas…

COM MÚSICA



Aqueles de nós que não tiveram a sorte de nascer perfeitos e disso têm consciência, irão passar a vida numa luta constante contra as suas imperfeições, na tentativa de se tornarem pessoas melhores. ;)

Irão ganhar umas batalhas e perder outras, faz parte.
Algumas serão vitórias privadas, coisas que só a si dizem respeito. Outras terão a ver com a sua forma de se relacionar com os outros.
Curiosamente, estas poucas vezes são reconhecidas ou louvadas por terceiros.

Quando conhecemos alguém, mal ou bem tiramos-lhe as medidas. Conforme o tempo vai passando, raramente nos lembramos de fazer uma reavaliação. As pessoas tendem a ficar ad eternum com os carimbos que lhes foram impressos. 
Tanta gente tem a fama sem já ter o proveito…

Mudar custa, livrarmo-nos de hábitos, de traços de carácter, que identificamos e assumimos como prejudiciais, não é fácil, requer esforço.
O reconhecimento desse esforço, e eventual resultado positivo, por parte de terceiros tem um gostinho a recompensa. Este não é obrigatório, não é necessário, cada um terá certamente consciência da sua evolução, mas sabe bem.

Por outro lado, é ele que valida a opção que fizemos, a mudança que decidimos abraçar. É ele que nos confirma que esta foi positiva e apreciada.
É também um incentivo para continuarmos, não só a enfrentar novas lutas mas, sobretudo, a manter aquilo que já conseguimos alcançar. 
Se o nosso esforço não parecer surtir efeito, facilmente cairemos na tentação de deixar de o fazer, o que poderá ter como resultado uma regressão. Como toda a gente sabe os maus hábitos são muito mais fáceis de ganhar.

Temos o hábito de reclamar; quem não utilizou já os livros postos á sua disposição para esse efeito em estabelecimentos públicos?!
Mas quantos pensam sequer em elogiar algo que lhes agradou?
Qualquer pessoa, com um mínimo de à vontade a nosso respeito, nos apontará falhas com a maior das facilidades. Quantas terão por hábito enaltecer as nossas qualidades, sobretudo as recém adquiridas?

Mais grave ainda, quantos as vêm sequer, quantos dão por elas?
Os pontos desagradáveis são notados, são tidos em conta… as melhorias passam aparentemente frequentemente despercebidas.

Cada um de nós ganha rótulos que se lhe agarram ao corpo que nem etiqueta de supermercado, dificilmente nos livramos deles.
Se mudarmos de óculos, de corte de cabelo, de estilo de vestir, se fizermos um esforço por nos tornarmos mais agradáveis à vista… toda a gente repara, toda a gente acha por bem comentar.  
Se limarmos umas arestas da nossa personalidade e nos tornarmos pessoas mais sociáveis, de trato mais fácil, a maior parte nem sequer vai dar por isso e menos ainda comenta-lo connosco.

Abram os olhos e dêem umas palmadinhas nas costas de quem o merece. ;)


“The only man I know who behaves sensibly is my tailor; he takes my measurements anew each time he sees me. The rest go on with their old measurements and expect me to fit them.”
George Bernard Shaw



PS: Este vai dedicado a um Schtroumpf Grognon do meu coração que tem, a meu ver, feito um percurso de tal forma impressionante, que já pouco parece ter a ver com a pessoa que conheci. Quem disse que burro velho não aprende línguas?! ;)


terça-feira, 14 de dezembro de 2010

HaHaHa

COM MÚSICA


No outro dia, o meu filho acusou-me de ser má.
Disse que eu era má para os animais, por causa dos brinquedos que lhes tinha arranjado recentemente. Quando soube a razão da minha maldade fiquei muito mais descansada… ;)

Comprei para a nossa cadela, que destrói tudo quanto é bola que apanhe, uma bola de ténis gigante, que ela simplesmente não consegue morder. Fica doida a tentar abocanha-la sem qualquer sucesso e perante a impossibilidade acaba por brincar como o fazem os gatos, à patada. É hilariante.
Para os bichanos construi um brinquedo, uma caixa de madeira com tampa de acrílico, onde fiz dois buracos. Lá dentro meti umas bolas. É vê-los doidos a tentar tira-las de lá.

É verdade, sou um bocado traquinas, mas o pior que faço é dar-lhes uns piparotes na dignidade, nada de realmente grave… entre a traquinice e a maldade vai uma grande distancia.

Acontece que acredito que o riso seja profiláctico… já diziam as Selecções do Reader’s Digest, que “rir é o melhor remédio”.

Desde que me lembro de ser gente que sempre vivi rodeada de humor, há famílias assim, não sei viver de outra forma, está-me no sangue. Bocas, piadas, partidas e brincadeiras sempre fizeram parte do meu dia a dia, tanto nos momentos bons como até ás vezes nos maus. Sempre que penso no meu pai, vejo-o com um sorriso malandro nos lábios, com ar de quem "já a fez ou está para a fazer", era assim que ele era. ;)

O simples esboçar de um sorriso tem o mesmo efeito que a válvula de escape de uma panela de pressão. Há situações em que nos perguntam “ e tu ris-te?!”… mais vale rir do que chorar, o que ás vezes é a alternativa. Se é verdade que acredito que o choro também possa ser libertador, tendo escolha, prefiro sempre a primeira opção.
Rir a bandeiras despregadas, rir até temer fazer xixi nas calças, pode ter efeitos semelhantes aos de um orgasmo. Partilhar o riso com alguém, partilhar boa disposição, é um acto de empatia, de cumplicidade,  que deixa um calorzinho bom.

Considero o sentido de humor uma das características mais importantes do ser humano, sem o qual a vida seria muito enfadonha. A sua perda é para mim um muito grave sinal de alarme.

Podemos utiliza-lo em qualquer situação, em qualquer modalidade, tanto com amigos como com perfeitos desconhecidos. O humor, para quem o partilha, faz baixar a guarda, relaxar, sentir-nos em sintonia.

Tal como tantas outras coisas, tem evidentemente de ser acompanhado de bom senso e sentido da oportunidade. Há sem dúvida anedotas sem graça, piadas despropositadas, brincadeiras de mau gosto.
É também um bocado como usar chapéu, há quem saiba e quem não saiba (que é o meu caso… lol) e quem não sabe sente-se, e fica efectivamente, mal com eles enfiados na cabeça. Não há dúvida que só devemos praticar aquilo com que nos sentimos confortáveis.

Há uma cena que adoro, no “Casamento do meu melhor amigo”, em que a Júlia Roberts, muito bitch, “obriga” a Cameron Diaz, que disso tem pavor, a cantar um Karaoke.
A desgraçada fica para morrer, mas vejam como acaba a cena, quando se dá conta de que afinal o embaraço não é fatal. ;)



Há infelizmente (para eles) muita gente que padece da sua falta, pessoas que se levam demasiado a sério, que têm um terrível medo do ridículo, que não sabem rir de si próprias. Tal como disse um tal de George Saintsbury, ilustre escritor de que nunca tinha ouvido falar (lol); “Nothing is more curious than the almost savage hostility that humor excites in those who lack it. “

Rir só me parece trazer benefícios, não conheço ninguém que se tenha prejudicado por ser bem disposto. Se a vida for levada demasiado a sério torna-se pesada, difícil de suportar.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Quem conta um conto…

COM MÚSICA



O ser humano comum fofoca… e quem nunca fofocou, que atire a primeira pedra. ;)
Por fofoca entenda-se falar de pessoas e assuntos que não lhe dizem obrigatoriamente respeito, basicamente, dar notícias e comentar a vida alheia.
Está-lhe na natureza, por alguma razão existem as malfadadas revistas da especialidade.

Uns fofocam sem dúvida mais do que outros, é certo mas, se há pessoas que raramente iniciam conversas sobre terceiros, não sei se existe algum ser que nunca nelas participe.

Aqueles vão-se separar, o outro vai casar, aquela teve uma criança, teve um acidente, cortou o cabelo, inscreveu-se no curso tal, mudou de casa, adoptou um cão, pintou o tecto de beige… lol
A curiosidade é uma das características do homem e a conversa também.

Não havendo tempo suficiente na vida para aprender tudo com a experiência, a dos outros pode eventualmente ajudar-nos. Através da observação e análise daquilo que consideramos ser os seus erros poderemos evitar comete-los nós próprios. O contrário também sendo evidentemente válido e parecendo-me legítimo “copiarmos” comportamentos que pareçam trazer bons resultados.

A conversa sobre a vida alheia pode também ser valiosa como exemplo para discutir ideias. Muitas pessoas têm pudor em falar de si próprias mas, distanciando-se, conseguem argumentar teorias que poderão ser de alguma utilidade.

A experiência dos outros poderá também servir de alerta para determinado tipo de situações. Pode ajudar-nos a protegermo-nos e/ou ensinar-nos como lidar com acidentes, doenças, agressões, falcatruas, etc…

Mas, frequentemente convenhamos, serve simplesmente para se praticar aquele desporto chamado “corte e costura”… ;)
Desde que não seja feito com malícia, que não se inventem mentiras ou sejam devassados assuntos confidenciais ou íntimos, não vejo grande problema nisso.

Há no entanto um grande perigo…
Como se costuma dizer; “quem conta um conto, acrescenta um ponto”.
E se alguns falam exclusivamente daquilo que sabem, deixam claro que estão a dar uma opinião pessoal ou frisam que foi simplesmente o que ouviram dizer, outros há que extrapolam sem qualquer pudor.

Há quem acrescente o tal ponto, para dar colorido à história.
Quem tenha a presunção de conhecer os outros ao ponto de saber o que lhes vai na cabeça, de lhes atribuir pensamentos, intenções.
Quem permita que julgamentos de valor sufoquem qualquer isenção no que está a reportar.
Quem tenha uma imaginação fértil e tire ilações com demasiada leviandade.
Qualquer uma destas coisas pode facilmente levar à calúnia e à difamação...


Quem fala dos outros deveria fazê-lo com bom senso, justiça, critério e contenção, exactamente como gostaria que fizessem a seu respeito, pois suponho que ninguém seja ingénuo ao ponto de julgar que não falam também de si. ;)

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Cantas bem mas não me alegras

COM MÚSICA



Hoje em dia circulam constantemente e-mails com dizeres filosóficos, sábios ditados, citações, histórias de vida, conselhos de saúde e bem estar, pedidos de ajuda vários…
Estes dizem-nos que o dinheiro não é tudo, que devemos viver o momento, acarinhar as amizades, estender a mão ao próximo, sorrir, beber água, escolher bem os alimentos que consumimos, fazer exercício, reciclar, proteger o ambiente, respeitar o próximo, ajudar… e não vos aborreço mais pois todos devem receber os mesmos que eu. ;)

Se algumas pessoas os mandam directamente para o lixo, outras há que, mais ou menos criteriosamente, os reencaminham. São estas que tipicamente também partilham este tipo de mensagens em Facebooks e afins, em blogs, ao vivo e a cores… ou seja que, mais ou menos empolgadamente, as divulgam de uma forma geral.

A evolução do bicho homem passa por uma tomada de consciência relativamente a si próprio, à vida em sociedade e ao mundo que o rodeia. Este tem-se vindo a aperceber dos muitos erros que cometeu ao longo da história e do facto que, se as coisas não mudarem, o seu futuro não será brilhante.
Os actuais meios de comunicação permitem uma divulgação fácil destas problemáticas.

Pergunto-me no entanto, por entre aqueles que “divulgam a mensagem”, quantos viverão realmente segundo aquilo que apregoam.
Quantos depositarão as suas garrafas no vidrão, tentarão evitar usar sacos de plástico ou pouparão água no duche? Quantos farão efectivamente o tal telefonema para a União Zoófila ou se darão ao trabalho de se deslocar aos postos de recolha para testar a compatibilidade de medula? Quantos beberão a quantidade diária aconselhada de água ou praticarão exercício? Quantos estarão lá para os filhos e para os amigos, brindarão o próximo com um sorriso ou farão um esforço consciente por expulsar o stress das suas vidas?

É sem dúvida importante termos noção daquilo que podemos fazer para melhorar as nossas vidas, para estendermos a mão ao próximo, para pouparmos o ambiente. É igualmente importante a partilha dessa informação. Mas não chega…
A divulgação, através dos vários meios ao nosso dispor, deste tipo de dicas parece hoje em dia ter virado moda. As pessoas parecem sem dúvida mais alertas, mais conscientes do que está ao seu alcance fazer… a questão é se o fazem. 

Muitos apoiam iniciativas, ideias, conceitos… dissertam sobre eles, divulgam-nos… mas nem todos agem nesse sentido. Se as “mensagens” transmitidas a torto e a direito fossem seguidas pelo menos por aqueles que as passam, o mundo já seria neste momento um sítio muito melhor.
A vida é uma cadeira prática. ;)

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Os Ogres são como as cebolas

COM MÚSICA



Burro – Cheiram mal?!
Shrek – Não! Têm camadas…

Assim são também as relações entre as pessoas, das mais superficiais às mais profundas …
Se o carácter e características dos indivíduos que se enquadram na primeira categoria não pesam grandemente na nossa vida, o mesmo já não se poderá dizer no que diz respeito aos da segunda.

Que o senhor do café,  goste de se vestir de mulher, que gaste tudo o que ganha no casino ou que tenha como hobbie coleccionar bigornas… para nós é perfeitamente igual ao litro. O mais provável, de qualquer forma, é que nem tenhamos conhecimento de nada disso.
Se estivermos no entanto a considerar casar com ele, talvez já não sejamos tão indiferentes a estes “pequenos detalhes” … ;)

Quanto mais as pessoas entram na nossa intimidade, mais importantes se tornam na nossa vida, mais peso têm. O que pensam, dizem e fazem as mais próximas de nós irá, frequentemente, de uma forma ou de outra, afectar-nos positiva ou negativamente.

O envolvimento, seja de que natureza for, começa por uma certa empatia. Volta não volta,  sentimo-nos tentados a “ir mais longe”, a deixar o outro entrar mais profundamente na nossa vida.
É no entanto extremamente importante que tenhamos a noção de “onde” o podemos efectivamente deixar entrar.
Inútil será dizer que isso nem sempre acontece e qualquer um de nós terá casos em que abriu a porta de uma divisão onde o outro não era suposto ir.

Onde isto é mais flagrante é nas relações amorosas.
Terá, até certo ponto, a ver com a paixão, com a irracionalidade e cegueira inerentes a este tipo de sentimento. Mas não só.
A realidade é que, muitas vezes, não temos noção de que uma pessoa que poderíamos apreciar  como amiga, dificilmente poderá partilhar a vida connosco.
Mas o que é válido para os amores é também válido para as amizades, and so on

Utilizando mais uma vez a analogia com os jogos, que neste caso ajuda bastante a exemplificar o que tento transmitir, é preciso saber o que conseguimos e nos dá prazer jogar.

Tanto eu como grande parte das pessoas com quem me dou, somos jogohólics. Jogamos jogos de tabuleiro (de dificuldade variada), jogos de sociedade, jogos de cartas, etc… Temos um armário cheio deles, de cima a baixo.

Ora cada um de nós tem jogos que se recusa a jogar, que não sabe nem quer aprender.
As razões podem ser variadas, podemos acha-los demasiado estúpidos, demasiado complicados, ou simplesmente não lhes achar graça por alguma razão pessoal e intransmissível.
Eu pessoalmente recuso-me a jogar Bridge, por exemplo. Vivi com uma pessoa que  jogava todas as semanas e todas as semanas havia discussões, pessoas que se zangavam forte e feio, por causa da porcaria do jogo. Acho que fiquei traumatizada… (LOL)

Por outro lado, há jogos que só jogamos no social, quando estão presentes grupos grandes, mas que não nos passaria pela cabeça jogar no nosso núcleo mais fechado. Digamos que há jogos que se adequam a cada camada  da cebola.

Dito isto, voltando à vida real, cada um de nós tem os seus jogos, sendo eles a sua maneira de ser, de pensar, de agir. Não fazendo julgamentos de valor, convém no entanto saber os que estamos dispostos a jogar com os outros. E quanto mais perto do núcleo os deixarmos aproximar, mais criteriosos deveremos ser.

Imaginemos que alguém tem tendências sexuais sadomasoquistas, por exemplo. Se fôr um amigo, dificilmente isso irá interferir com a nossa relação. A coisa pode mudar de figura se se tratar da nossa cara-metade.
Este é um exemplo extremo e caricatural, há no entanto muitos aspectos a ter em conta ao atribuirmos um papel na nossa vida a alguém. 
Se certas características se podem facilmente suportar em certo tipo de relações, em que eventualmente nem sequer daremos por elas, noutras já  nos poderão afectar seriamente.

Nem sempre o “tipo de jogo” de cada um é fácil de identificar à partida. Ás vezes  atiramo-nos de cabeça,  dando-nos posteriormente conta de que não o queremos ou conseguimos jogar.
Mas uma coisa parece-me óbvia; se já sabemos que o outro não ouve a mesma canção, não empenhemos a porcaria do anel de rubi… ;)