terça-feira, 29 de março de 2011

Esta semana não há sopa



Não posso com uma gata pelo rabo, estou estoirada, doem-me todos os músculos do corpo, os meus neurónios estão em greve... sorry, vão ter de ir buscar as vitaminas e as fibras a outro lado... lol











quarta-feira, 23 de março de 2011

As manhãs da Comercial

COM MÚSICA



Hoje fui deixar a cria à escola e no regresso fiquei sentada no carro, feita estúpida, agarrada que estava aos disparates dos meninos da Comercial
A quem nunca os ouviu aconselho vivamente que o faça…
Pessoalmente, sempre que me locomovo de cu tremido, é na sua companhia.

Nunca deixa de me impressionar a boa disposição com que aqueles 4 começam o dia, ás 7  já estando a debitar parvoíces por entre musiquinha boa.
Chego a perguntar-me se serão humanos ou seres virtuais.
Como será possível manter aquele ambiente dia após dia, manhã após manhã? Será que nunca estão mal dispostos, carrancudos, ca neura?! Mistério…
A realidade é que, por isso mesmo, funcionam às mil maravilhas como anti-depressivo.

Quantas vezes não saí de casa meia nhónhó, acabrunhada pelo peso das chatices, sem grande ânimo para enfrentar um novo dia, e dei por mim a rir sozinha, feita parva, no meio do transito, com outros condutores a encarar-me como de tivesse ensandecido. Fico logo com outro espírito.
Noutras biaturas, em que não tenho poder sobre o bitão do rádio ouço, volta não volta, outros canais e garanto que não tem o mesmo efeito começar o dia com conversas sérias sobre temas sisudos.

A equipa da manhã goza de uma cumplicidade incrível, fazem pandã como poucos. Tudo lhes serve de desculpa para gozar um bocadinho, quer seja uns com os outros ou com o mundo em geral. Usam e abusam de jogos de palavras, fazem piadinhas tão depressa infantis como marotas, nada escapando ao seu espírito crítico e jocoso.

São sempre o máximo?! Não, claro que não, ás vezes têm menos graça, menos pujança. Têm dias melhores e dias piores, como toda a gente, mas são sem dúvida uma boa aposta no que diz respeito a boa disposição e sentido de humor.

E perguntam-me vocês porque estou eu praqui a fazer a apologia de um programa de rádio…
É simples, porque acho que é o tipo de coisas que nos fazem felizes.
Tudo verdade, as Manhãs da Comercial contribuem para a minha felicidade e acredito que para a de mais uns milhares de pessoas, a julgar pela sua página no Facebook. ;)
Aqueles anormais (isto dito com todo o carinho e respeito) transmitem (em sentido próprio…lol) diariamente uma positividade, uma boa onda, uma alegria tão contagiosas como a gripe das aves.

Costuma dizer-se que quem anda com um coxo, fica coxo… não tenho grandes dúvidas relativamente à influência do que nos rodeia, dos que nos rodeiam. Se estes forem má onda, pessimistas, carrancudos, dificilmente conseguiremos  escapar ilesos ao clima de negatividade. O oposto é igualmente válido.

Obrigada, Vanda Miranda, Pedro Ribeiro, Nuno Markl e Vasco Palmeirim, por porem um sorriso na cara de tantos portugueses. Que haja muitos mais como vocês… ;)

terça-feira, 15 de março de 2011

Advogando pelo Diabo

COM MÚSICA



Quando gostamos de uma pessoa e a sabemos em baixo é natural que tenhamos vontade de ajudar…
Frequentemente, quem não está bem, tende a perder a objectividade, a noção de perspectiva, a capacidade de análise. A dor e/ou a aflição tipicamente embargam a clareza de espírito.
Alguém que não esteja emocionalmente envolvido, poderá nesses casos trazer uma nova luz ás questões, no sentido de tentar desembrulhar ideias e/ou arranjar soluções.

Para tal, é no entanto ás vezes necessário fazer o papel de “advogado do diabo”.
Relembrar que uma questão tem sempre vários lados, apresentar visões alternativas sobre o tema, apontar eventuais pontos fracos no raciocínio que estava a ser seguido, sugerir ideias que não serão obrigatoriamente muito bem aceites à partida.

Há, no entanto, um factor extremamente importante a ter em conta, que é a fragilidade de quem está do outro lado. Normalmente, nestas situações, as pessoas ficam sensíveis, susceptíveis, pouco flexíveis.
Logo, a diplomacia, a forma como apresentamos as nossas ideias, as palavras que utilizamos, o tom de voz, tornam-se extremamente importantes.
Um passo em falso e pode ser pior a emenda do que o soneto. A melhor das boas intenções, sem os devidos cuidados, pode facilmente deixar a pessoa em pior estado do que já estava. 

Por exemplo, o método agressivo, o clássico abanão destinado a fazer o outro reagir, não será possivelmente, na maioria dos casos, o melhor caminho para se obter resultados em alturas de crise.
Se a estrutura emocional já está  rachada, isto pode fazer com que parta. Nos momentos difíceis, as pessoas não têm normalmente capacidade de reacção a tratamentos de choque, encarando-os como uma agressão. Atitudes que surtiriam eventualmente efeito, se estivessem no seu “estado normal”, podem nestes casos obter o efeito diametralmente oposto. Podem inclusivamente colocar-nos na posição de “inimigo”, do qual é necessário proteger-se e com quem não irão certamente colaborar.

E no que diz respeito à colaboração, esta é extremamente importante, pois ninguém consegue ajudar quem não quiser ser ajudado.
Como tal, desprezar as suas ideias e sentimentos relativamente ao assunto e tentar impor a nossa própria visão, não será provavelmente a coisa mais inteligente a fazer. Mesmo que seja claro para nós que o seu raciocínio e sensibilidade possam estar alterados, menospreza-los não será propriamente um acto que inspire grande confiança. Adoptar uma atitude do género “eu estou certo e tu estás errado” é meio caminho andado para que fechem a porta á nossa tentativa de ajuda.

Na mesma óptica, raciocínios lógicos e óbvios para nós, podem não o ser para quem está dentro da situação. É preciso não esquecer o lado emocional envolvido. Apresentar soluções radicais a quem não esteja disposto a ouvi-las, acaba por ser contraproducente e por vezes até tomado como insultuoso.  Mais uma vez podemos assim ser facilmente encarados como agressores quando tudo o que queríamos era contribuir para a solução dos problemas.

Fornecer o “pior cenário” numa bandeja, na expectativa de preparar para o que der e vier, também não me parece propriamente produtivo. A ideia é aligeirar a situação e não enegrecê-la. Por muito que estejamos a ver que as coisas possam ainda piorar, a não ser que seja algo de iminente, não consigo ver qualquer vantagem em assustar o outro com um rol de possíveis desfechos desfavoráveis, o próprio já terá certamente pensado numa série deles.
Lidar com a realidade e o que está efectivamente em jogo no momento, sem divagar sobre outras possibilidades, parece-me bem mais positivo.

Quando as situações envolvem terceiros, é importante ter em conta o seu lado da questão. Geralmente, na vida real, não há bons nem maus da fita.
No entanto, se o quisermos fazer ver à pessoa que estamos a tentar ajudar, é bom que o façamos com pezinhos de lã. Se houver desentendimento, contenda, amargura, puxar ostensivamente a brasa à sardinha do outro, não é nitidamente o melhor caminho. Irá, pelo contrário, aumentar o ressentimento e gerar uma sensação de falta de apoio.

Finalmente, os timings são importantes.
Há quem tenha tendência, quando alguém cai à sua frente, a tentar logo levanta-lo. No entanto, sobretudo se se magoaram na queda, as pessoas precisam de um tempinho antes de se voltarem a pôr em pé.
Facultar-lhes esse tempo é de uma importância extrema. Puxa-los por um braço e tentar arranca-los do chão, só irá provocar mais dor e desconforto. Embora não seja fácil acompanhar de braços cruzados, é importante ter a sensibilidade de perceber quando estão prontos a reagir.

quarta-feira, 9 de março de 2011

The blues

COM MÚSICA



“A vida é como os interruptores, umas vezes para cima, outras vezes para baixo…”

Embora acredite que haja quem goste de “curtir a neura”, não será o caso para a maior parte de nós. Alguém, no seu perfeito juízo (digo eu, sei lá), não aprecia estar “em baixo”.
É no entanto inevitável que, volta não volta, nos sintamos assim.
Seja lá qual for a razão e respectiva gravidade, de vez em quando sentimo-nos abatidos, tristes, desmoralizados…

Há quem, nessas alturas, atribua a esse estado um peso, uma importância nefasta, que a meu ver não deveria ter.
Na realidade acredito que os momentos maus sejam tão importantes nas nossas vidas como os bons. Acredito que se não tivermos a capacidade de sofrer, também não teremos a de retirar prazer das situações. É uma questão de sensibilidade.

A meu ver, a dor física é encarada de uma forma muito mais natural, do que a dor psicológica.
A insensibilidade à mesma (Insensibilidade congénita à dor) é aliás uma condição que inspira cuidados e preocupação. A dor adverte-nos de que qualquer coisa não está bem, se não tivermos esse sinal de alarme a coisa pode dar muito para o torto.

A dor psicológica não é menos natural. Há coisas que nos agridem, magoam, incomodam, angustiam, quer queiramos quer não.
A forma como encararmos esse estado menos agradável irá fazer toda a diferença.

Na minha opinião, não é aconselhável tentarmos tapar o sol com a peneira.
Se estivermos efectivamente na merda (pardon my french) não vale a pena atirarmos areia para os olhos de quem nos perguntar o que se passa e fazer de conta que está tudo bem. Os seres humanos têm antenas e essas coisas transparecem, ponto final.
Podemos “invocar a quinta emenda” (lol) e recusar-nos a falar sobre o assunto. Podemos levantar um bocadinho do véu e fornecer uma versão Readers Digest da questão. Ou então, em certos casos, aproveitar e desabafar, o que ás vezes até sabe bem.
Quanto mais não seja pelo facto destes estados de espírito gerarem alguma sensibilidade emocional, é bom que os assumamos para que os outros saibam com o que contar.
Por outro lado, empolar a situação e fazer dela um bicho de sete cabeças, encarar uma crise como se fosse o fim do mundo, não é de todo saudável. As coisas têm o peso que têm mas, embora possamos ainda não lhes conseguir visualizar o fim, é bom que estejamos conscientes de que este chegará.
Se não o fizermos, corremos o risco de que a inofensiva neura se transforme em depressão, upgrade que não interessa a ninguém e muito mais difícil de ultrapassar.
“Não há bem que sempre dure, não há mal que nunca acabe”.

Há quem ache que chorar é um sinal de fraqueza, de mariquice se assim lhe quiserem chamar. Pessoalmente acho que é uma válvula de escape, como a das panelas de pressão. Tanto assim que, grande parte de nós, em certas situações não o consegue evitar, por muito que tente controlar-se.
Não consigo ver qualquer vergonha ou humilhação nisso. Antes pelo contrário, acho que prova que somos humanos, o único animal que o consegue fazer para expressar emoções.

Mesmo que eventualmente não vertamos lágrimas, seja lá por que razão for, alturas há em que perdemos a alegria, a energia.
Apesar da iniciativa própria nessas alturas não ser expectável, se formos desafiados para alguma actividade que em “tempos normais” nos daria prazer, acho que devemos fazer um esforço para aceder. Muitas vezes acabamos assim por conseguir uma pausa que nos permite recuperar algum fôlego.
Para além da óbvia falta de vontade para fazer seja o que for, que estes estados provocam, muitas vezes a desculpa para a nossa recusa é o típico “não estou boa companhia”. No entanto, se os outros estiverem cientes da situação em que nos encontramos, não esperarão certamente que sejamos a boa disposição personificada.

Opostamente, se a situação que nos transtorna envolver pessoas, ir ao seu encontro, enquanto ainda nos sentimos fragilizados, talvez não seja a melhor das ideias. É aquilo a que se chama meter-se na boca do lobo.
Confrontarmo-nos com o que nos apoquenta, não sendo absolutamente necessário, não vai ajudar em nada a nossa recuperação.
Tal como as feridas, é preciso deixar sarar, dar tempo ao tempo, este cura a maior parte dos males.

Mas, acima de tudo, é preciso ter a noção de que acima das nuvens o céu está azul e o sol brilha. Tudo se resolve… it’s a mistery.



terça-feira, 1 de março de 2011

Feelings

COM MÚSICA


Considero-me uma pessoa essencialmente racional.
Como não me canso de dizer, isto não tem nada a ver com as emoções, que continuo a sentir, mas com a forma como encaro a vida.
Basicamente, quer dizer que baseio as minhas acções, as minhas decisões, no raciocínio, numa análise das situações. Que sou sensível a argumentos lógicos, estatísticos, probabilísticos. Que tenho em conta os possíveis resultados da acção/reacção, causa/consequência, etc…

No entanto, e de certo modo contraditoriamente, tenho imensos feelings.
Quantas vezes estes não me dizem uma coisa, quando a razão me diz outra…
Por feelings entendam-se coisas que não consigo explicar, provar, ou sequer analisar.
Acontece, curiosamente, que acredito que estes sejam tão importantes nas nossas vidas como a utilização do cérebro, que tanto defendo.
Acho que tem a ver com aquilo a que chamamos

Apesar de ter sido baptizada, dado que ninguém me perguntou a opinião sobre o assunto, não pratico qualquer religião. Tenho alguma noção dos princípios básicos de algumas delas e a sensação de que, no fundo, vão todas dar ao mesmo.
Também não sou imensamente dada a esoterismos, mantendo sempre um certo cepticismo.
Vivendo num país essencialmente católico estou evidentemente embebida, em muitos aspectos, da sua cultura. É bem capaz de me sair uma expressão do género “por amor de Deus…”, simplesmente porque as ouço desde que nasci e estão de certa forma alojadas no meu subconsciente.

Paradoxalmente então, a minha vida rege-se em grande parte por esses tais  feelings que mencionei, aos quais costumo dar bastante crédito.

Numa conferência no TED, sobre expectativas, o orador afirma que, probabilisticamente, é uma estupidez monumental apostar em lotarias e afins.
Embora compreenda perfeitamente os seus argumentos e esteja de acordo com eles, continuo, semanalmente, a apostar no Euromilhões. Porquê?
Acho que, como costumava dizer-me uma pessoa, “é a hipótese do Anjo”…
Apesar de consciente de que a hipótese de ganhar alguma coisa que se veja é ridiculamente baixa, é uma realidade que acontece todas as semanas a várias pessoas.
Não jogo portanto com qualquer expectativa, não aposto o meu futuro nisso, não tenho ilusões de que seja por essa via que vá resolver os meus problemas financeiros.
Faço-o porque acredito que qualquer pessoa possa ganhar. Excepto se não apostar.

Da mesma forma, se qualquer outra coisa fizer intuitivamente sentido para mim, pratico-a. Abraço a ideia de que, se não parecer haver inconveniente, porque não experimentar.
Assim, do alto do meu “agnosticismo”, entrego-me a práticas teoricamente reservadas aos “crentes”.

Em momentos de grande aflição, costumo acender velas, por exemplo…
Porque o faço?! Não tenho a mais pequena ideia.
Acho que acredito que estas funcionem como um lembrete para o universo, de que estamos a transmitir energia positiva, ou talvez que sejam antes um veículo dessa mesma energia…
De cada vez que uma criança está gravemente doente, alguma pessoa em sérias dificuldades, etc, lá estou eu a acender velinhas.
No outro dia, vendo-me a acender mais uma, a minha cara metade perguntou-me se essa era para que um projecto fosse aprovado.
Não acendo velas a “pedir” resultados específicos, faço-o acreditando estar a contribuir para um desfecho favorável das questões que nos apoquentam, seja lá ele qual for.

Tenho também aquilo a que costumamos chamar “pressentimentos”. Sensações que me perseguem, coisas que se me apresentam como quase certezas, não tendo ainda acontecido.
A partir do momento em que me dei conta de que gostaria de viver nesta zona, por exemplo, não duvidei por um segundo de que isso fosse efectivamente acontecer, apesar de só me ter mudado muitos e longos anos mais tarde.
Tal como esta, há muitas coisas que tenho a sensação de “saber”, sem que isso seja efectivamente possível.

O mesmo acontece com pessoas… o meu âmago “sabe” coisas que ás vezes o meu cérebro é incapaz de processar. Excepto raríssimas excepções, venho geralmente mais tarde a compreender a minha primeira reacção ás mesmas. Tantas vezes, devido ao tal carácter racional e analítico, as contrario, para mais tarde dar a mão à palmatória.

Acredito do fundo do coração que, se tivermos boa onda, uma visão positiva do mundo, formos “boas pessoas”, atrairemos coisas agradáveis para a nossa vida. Que, apesar das pedras do caminho, o balanço será positivo.
Nem tudo é explicável, nem tudo faz sentido, nem tudo se pode provar.
Pessoalmente, acho que tudo acontece por uma razão mas não sinto necessidade de obrigatoriamente saber qual. Não preciso de justificar, perante mim própria ou terceiros porque acredito no que acredito, entrego-me, simplesmente.
Mas acreditar, acreditar com todo o nosso ser, seja lá no que for, é o que nos mantém coesos quando tudo o resto falha.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Dessa água não beberei

COM MÚSICA



Há já muitos anos que me apareceram os primeiros cabelos brancos… ao longo do tempo a coisa foi-se intensificando. ;)
Conforme a minha cabeleira se ia tornando grisalha muitas das pessoas à minha volta se sentiam impelidas a comentar o facto.

Alguns, poucos devo dizer, davam-me os parabéns pela minha “coragem” e afirmavam que me ficava muito bem.
A maioria, de uma forma mais ou menos diplomática, mais ou menos empolgada, mais ou menos violenta, criticavam-me frontalmente e tentavam convencer-me a pintar.

Durante muitos e longos anos fui vítima de assédio (lol) por parte de família, amigos e, como não podia deixar de ser, cabeleireiros.
Diziam que ficava com um ar pesado, que parecia mais velha…
Mais velha quanto, costumava eu perguntar. Pareço ter sessenta anos? Não, isso também não, respondiam… Cinquenta? Não. Pareço ter que idade então, quarenta e cinco?! Sim.
Ora bolas, isso é a idade que eu tenho!!! Então não pareço mais velha, não pareço é mais nova do que realmente sou.

Alguns tinham uma reacção tão visceral, que até chegava a parecer que tinham alguma coisa a ver com isso.
Cheguei a ter a sensação de estar a trair algum segredo, como se o facto de assumir os meus cabelos brancos, lembrasse constantemente a todos que é natural tê-los a partir de certa idade.

Repetidamente afirmava que não tinha a mínima intenção de os pintar.
Apesar de tentar, de um modo geral, evitar empregar as palavras sempre e nunca, qualquer expressão que tenha empregue para exprimir a minha opinião sobre o assunto, tinha sem a mínima dúvida implícita a ideia de que “dessa água não beberei”.

Não era uma casmurrice gratuita, tinha as minhas razões…
Para começar, sendo esta a que sempre falou mais alto, não tenho qualquer jeito ou vocação para ser mulher. A ideia de me comprometer com mais um dos grilhões da condição feminina não me atraía portanto por aí além.
Depois, sempre tive consciência de que, uma vez que se comece, é muito difícil voltar atrás.
Finalmente, não vejo qualquer problema em assumir a idade. O corpo vai-se deteriorando, rugas e flacidez vão-se instalando aqui e ali, perdemos o ar fresco da juventude mas tudo isto me parece largamente compensado pelo que ganhamos em sabedoria e paz de espírito. Considero-o portanto uma troca justa.
Devo também confessar que o ar de  bruxa, que a minha cabeleira me conferia, não de desagradava de todo. Hehe

Até que um dia, a minha ginecologista, com um ar doce, me disse:
- Cristina, permite-me que lhe dê um conselho?! Porquê que não corta o cabelo?
Cruzes, credo, canhoto… Eu cá sou como o Sansão, não me falem em cortes de cabelo.
Tendo-se nitidamente apercebido de que por aí não ia a lado nenhum, corrigiu:
- Ou então… pinte… Sabe o que é?! É que o cabelo grisalho comprido fica com um ar tão desleixado…

Alto e pára o baile!!! Desleixado?! Eu tenho um ar desleixado?
No elevador confirmei… tinha sem dúvida um ar desleixado… :(
Velha, bruxa, pesada, eu aguento, eu assumo, eu não me importo… agora desleixada é que não pode ser nada, não gosto cá de desleixes.
No dia seguinte tinha o cabelo pintado. lol

Neste momento estão-se vocês a perguntar, por que raio veio ela hoje com conversas frívolas sobre cabelos e tintas… ;)
É que há várias conclusões a tirar desta história.

Abraçar a ideia da mudança foi sem dúvida assustador. Como podem ter compreendido pela descrição, esta foi uma guerra que travei durante muitos anos. Acabou por ser uma característica que me definia. Era aquela que se recusava a pintar o cabelo, contra tudo e contra todos. De certa forma, foi como se passasse a ser uma pessoa diferente, perdi parte da minha antiga identidade. 
Tenho no entanto, sem dúvida, de reconhecer que estou com "melhor aspecto”, que a mudança me fez bem.

Dar o braço a torcer não é fácil para ninguém e, se alguns o torcem com jeitinho para não magoar, outros há que, já que nos pusemos a jeito, tiram verdadeiro prazer em fazê-lo com toda a força que têm. Enfrenta-los e reconhecer que, de uma forma ou de outra tinham razão, é um excelente exercício de humildade.
Como dizia o Churchill, “Eating words has never given me indigestion”.
O mesmo se aplica aos defensores do “avô cantigas” que se sentiram traídos pelo meu acto de rendição.

Cheguei também à conclusão de que  remar contra a maré é um trabalho inglório. Quer queira quer não (e o que eu queria fazer xixi de pé contra as arvores… lol) sou gaja, não há nada a fazer. E, na sociedade em que vivemos, a maioria de nós faz a depilação e pinta o cabelo para não ficar com o tal ar considerado desleixado. Por muito trabalho que dê,  por muito chato que seja ou dinheiro que custe…  Resistance is futile!

Finalmente, prova-se que não é com vinagre que se apanham moscas. A única pessoa que me conseguiu fazer mudar de ideias fê-lo sem reprovação implícita, como simples constatação de facto e partilha de opinião. Perguntou, sugeriu, não afirmou, o que para os teimosos como eu faz toda a diferença.
Talvez tenha também escolhido melhor as palavras, aquelas que efectivamente mexeram comigo. Talvez os outros pensassem exactamente a mesma coisa mas não o tenham querido dizer, para não ferir susceptibilidades ou simplesmente por não se terem lembrado de colocar a questão nesses termos. A forma como nos exprimimos é de extrema importância.

Dito isto, falo-vos em cabelos mas a questão aplica-se um pouco a todos os campos das nossas vidas. Há coisas que somos renitentes a mudar.
Conheço uma pessoa que sempre se recusou a pôr os pés num barco, que jurava a pés juntos que era incapaz e que, hoje em dia, ganha regatas internacionais. Conheço outra que afirmava detestar certos alimentos, sem nunca os ter provado, que numa certa viagem começou a comer de quase tudo, "como as pessoas". Outra ainda que afirmava que morreria se não pudesse ter filhos e que, a certa altura, abdicou de os ter, por opção de vida.   

Não, mudar de opinião, mudar de atitude, mudar de hábitos, não é fácil não senhor... mas se, por alguma razão, acharmos que vale a pena tentar... porque não?!

Para a semana acho que vou rapar a cabeça e tatuar qualquer coisa no alto da moleirinha… ;)




quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Amores da loja do chinês

COM MÚSICA



É um erro comum partirmos do princípio de que amar tem o mesmo significado para toda a gente… nessa óptica, ou se ama ou não se ama.
Se alguém se enquadra nos nossos standards do que é o amor, gosta de nós, senão é certamente porque afinal não gosta.
Era bom que fosse assim tão simples, infelizmente a vida não é a preto e branco.

A nossa forma de amar tem a ver com muitos outros traços do nosso carácter. A demonstração desse afecto também.  Em suma, como tudo o resto, está relacionada com a nossa postura perante a vida.

O amor é um sentimento, como tal sujeito a intensidade.
O que fazemos com ele é uma questão de atitude.

Afirmar que se gosta de alguém é assumir que essa pessoa tem um papel especial na nossa vida, que está “mais perto do nosso coração” do que outras por quem não nutrimos qualquer tipo de sentimento, que nos são no fundo indiferentes.
Mesmo se inconscientemente, todos temos uma escala interior por comparação; gostamos muito, gostamos pouco, gostamos assim assim.
Isto refere-se à parte quantitativa.

Da forma como demonstramos o nosso amor depende a qualidade do mesmo.
A pessoa amada pode senti-lo mais ou menos intensamente, consoante as atitudes do outro para consigo. Tem a ver com o tratamento especial e preferencial e a atenção que lhe é dedicada.
O resultado prático é que, relativamente a certas pessoas, mesmo sabendo que gostam de nós, sentimos que se não gostassem ou gostassem menos a atitude seria a mesma.

As possíveis demonstrações passam por uma preocupação real com o bem estar alheio e pelo que podemos, da nossa parte, fazer para o proporcionar. Passam por, através da empatia, conseguirmos entender os sentimentos do outro e agirmos conforme gostaríamos que fizessem connosco se estivéssemos na mesma situação. Pedem sacrifícios  quando, postas as coisas numa balança, os interesses do outro falem mais alto. Requerem disponibilidade para apoiar e ajudar, dentro das nossas possibilidades, quer seja com palavras ou com acções. Implicam respeito e consideração pelo outro e que o tratemos como igual. Pressupõem dedicação e entrega.

Enfim… há várias formas de “provar” o nosso amor por alguém… há no entanto quem ache que não tem de o fazer, que senti-lo é mais do que suficiente.
Uma tripla da loja do chinês não tem direito ao nome de tripla?! Com certeza que tem.
Pela sua fraca qualidade e fiabilidade, arriscamo-nos é a que nos incendeie a casa…

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Expectativas

COM MÚSICA


“Esperava outra coisa de ti…”
Quem já não pensou, disse, ouviu, uma coisa semelhante?!
O sentimento associado é de desilusão, mágoa, ressentimento por vezes… a pessoa em questão não esteve à altura das expectativas.

Normalmente encaramos isso como uma falha do outro, como se a “culpa” fosse dele. Será?!
Não tenho dúvidas de que existam pessoas maliciosas, manipuladoras, que se nos apresentem da forma que mais lhes convier com o objectivo de levarem a água ao seu moinho.
Acredito no entanto que sejam uma minoria absoluta.
No geral, as expectativas somos nós próprios que as criamos.

Quando conhecemos alguém, havendo empatia, começamos por tirar-lhe as medidas.  Passamos depois geralmente por um test-drive, em que apalpamos terreno e, caso nos sintamos satisfeitos, avançamos para a “compra”.
Apesar de algumas pessoas serem definitivamente mais cautelosas do que outras no que diz respeito à entrega, ao grau de envolvimento inicial, embora a duração do período de “satisfeito ou reembolsado” possa variar, a certa altura do campeonato esta decisão acaba por ter de ser tomada.

Imaginemos que o leque das nossas relações é uma estante… em que, para as prateleiras inferiores, chutamos as pessoas que não temos em grande consideração, de quem não esperamos grande coisa… e nas superiores, nas que estão mais perto do coração, colocamos aquelas por quem sentimos maior admiração.

Quando sentimos apreço por alguém, tendemos a valorizar as suas facetas mais agradáveis e a subestimar as outras, ao ponto ás vezes de nem as querermos ver. Nessa perspectiva, criamos no nosso cérebro uma imagem lisonjeira da pessoa.
Quanto mais dela gostarmos, mais quereremos ver o seu lado positivo, mais alto a colocaremos na nossa estante e quanto mais alto, maior a queda.

A nossa análise do carácter e personalidade alheios não passa de uma visão pessoal e subjectiva daquilo que é efectivamente o outro.
O desenho que dele fazemos não passa de uma interpretação do que vemos, que não corresponde obrigatoriamente à realidade, ou pelo menos a toda a realidade.
Os seres humanos são criaturas complexas, ricas em características, que não conseguimos nunca apreender por completo.

Não seria inédito, ao descrevermos alguém a si próprio, este não se reconhecer. Ao pintarmos o seu retrato, se sentir nitidamente favorecido. E quantas vezes, se no lo disser, o encararemos como derivado de modéstia, não concordando com as suas contraposições.

Por outro lado, todos temos as nossas limitações. Das nossas, estamos geralmente conscientes, as dos outros podem passar-nos durante muito tempo ao lado, até que se apresente a ocasião de virem ao de cima.

Não é igualmente de menosprezar o factor mudança… Aqueles que somos hoje, podemos já não ser amanhã, a experiência de vida muda-nos, as prioridades vão-se alterando e quem está à nossa volta não se dá obrigatoriamente conta disso.

Voltando a citar George Bernard Shaw:
“The only man I know who behaves sensibly is my tailor; he takes my measurements anew each time he sees me. The rest go on with their old measurements and expect me to fit them.”

Resumindo e concluindo, geralmente as pessoas não nos decepcionam, nós é que nos decepcionamos devido a expectativas goradas. Logo, ficar chateado com o outro é perfeitamente ridículo. Por muito que nos possa custar, assumir que pudéssemos estar enganados ajuda a ultrapassar a frustração.
Querer que os outros estejam sempre à altura daquilo que esperávamos deles é utópico, é preciso manter a elasticidade de rearranjar a nossa estante ao longo do tempo e consoante as experiências que formos tendo, sem dramas, como simples constatação de factos.

As boas notícias são que ás vezes também nos deparamos com a surpresa de passar alguém para uma prateleira superior. ;)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A postura

COM MÚSICA


Há dias… semanas… meses… anos… que não nos correm nada bem.
Todos, volta não volta, passamos por períodos mais negros.
Problemas financeiros, de saúde, relacionais, etc, ás vezes ensombram-nos o horizonte, deixando-nos de rastos, sem fôlego.

Devemos questionar-nos sobre se estamos a fazer tudo o que está ao nosso alcance para resolver as coisas. Uma resposta positiva não nos trará no entanto, só por si, grande consolo. A nuvem continuará a pairar por cima das nossas cabeças.

Nessas alturas a tendência é encolhermo-nos num sentimento de autocomiseração. Quem não está bem, sente-se vulnerável e logo tende a fechar-se sobre si próprio, numa postura defensiva.
Se se derem ao trabalho de observar as pessoas à vossa volta na rua, facilmente identificarão algumas nesse estado de espírito.

Acredito no entanto que, para além das acções, a nossa postura perante na vida seja crucial. Quem se sente derrotado, mais facilmente o será efectivamente pelas contrariedades do caminho. Como se costuma dizer “a sorte favorece os audazes”… ;)
Sem querer ir tão longe, assumirmos uma atitude de “coitadinhos” é que não serve efectivamente para nada.

Fui descobrindo um que outro truque, que ajudam a ultrapassar o dano emocional que estas coisas nos causam:

Tentarmos esvaziar a mente de preocupações, em todos os momentos em que não podemos agir relativamente a elas.
As pausas são fundamentais, não só para poupar o fôlego necessário para enfrentar as provações, como para ganhar recuo e clareza de espírito.
Quem alguma vez, ao nadar, já se viu aflito para chegar a terra, terá certamente compreendido que parar para descansar pode ser a melhor forma de se aguentar à tona.
Estarmos constantemente a remoer as questões, não resolve nada e só nos irá desgastar.
Como dizia a Scarlet Ohara: “I can't think about that right now. If I do, I'll go crazy. I'll think about that tomorrow.”

Assumirmos baby steps. “Roma e Pavia não se fizeram num dia”…
Por muito que nos aflija e a quiséssemos ver para trás das costas de uma vez por todas, se a questão é complicada, não se irá provavelmente resolver de um momento para o outro, como por milagre.
Não convém olharmos para o topo da montanha, para não desmoralizarmos, mas para o que está imediatamente em frente ao nosso nariz, um passo de cada vez.
É preciso ter paciência, reconhecer pequenas vitórias, regozijarmo-nos com elas, encara-las como o princípio do fim da crise.

Compararmo-nos com pessoas com problemas semelhantes e tentarmos pôr-nos no seu lugar.
Mas olhando “para baixo”, nunca para cima, há sempre quem esteja numa situação mais complicada do que a nossa.
Believe it or not, a óptica do “partiste uma perna, ainda bem que não partiste as duas”, ajuda bastante. Não há nenhuma situação suficientemente grave que não pudesse ser mais grave ainda.
Se nos mantivermos atentos, em vez de nos fecharmos numa conchinha de self-pitty, facilmente nos daremos conta de que há quem esteja muito pior do que nós.
Talvez não sirva de consolo, mas serve garantidamente de bitola.

Dar valor ás coisas boas que ainda temos na vida, apreciá-las, realçar o seu papel.
Raramente tudo é efectivamente negro, as pessoas é que ás vezes se recusam a abrir os olhos para se dar conta disso.
Por muito mal que alguns campos possam estar, há de haver outros que nos podem de certa forma compensar, se lhes dermos a devida importância.
Quando estamos na fossa tendemos a desprezar, numa atitude quase masoquista, coisas que nos poderiam no fundo ajudar a ultrapassar essas fases mais difíceis.

“Não há mal que sempre dure, nem há bem que nunca acabe”
Ás vezes não vemos a luzinha ao fundo do túnel, mas devemos fazer por acreditar que daqui a uns tempos tudo não passará de uma dolorosa recordação.
Mesmo que não estejamos a ver qual seja, não há problemas sem solução, tudo se resolve.
Como?! Já dizia o dono do teatro do Shakespeare in Love: “I don't know. It's a mystery.”

Finalmente dei-me conta de que a postura física, propriamente dita, tem imensa influência.
Ás vezes, nestas alturas, damos por nós a andar quase que a arrastar os pés, curvados, de olhos postos no chão, com uma respiração curta e intermitente.
Endireitar as costas, encolher a barriga, levantar a cabeça, respirar profundamente… provocam uma sensação de confiança, de optimismo.
Mesmo que na prática possa não ser o caso, ficamos com a sensação de já estar a caminho da vitória.


“If you are going through hell, keep going! “
Winston Churchill

;)

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Keep it cool...

COM MÚSICA



Temos contacto com outros seres humanos praticamente numa base diária. A forma como decorre essa interacção, tem uma influência importante no nosso estado de espírito.
A relação com os outros, tanto nos pode provocar uma sensação de paz e bem estar, como de tensão e angústia.
Não sei se “o inferno são os outros” mas é um facto que, de vez em quando, há quem nos faça a vida num inferno… lol Há pessoas com mentes extremamente complicadas e tortuosas, com as quais o convívio muitas vezes não é nada fácil.

Tal como tantas outras coisas, os relacionamentos são muito mais agradáveis quando fluem, quando os mantemos de forma serena e relaxada.
É difícil que, ao longo do tempo, não haja um que outro atrito, uma que outra questão menos agradável. No entanto, pela sua postura perante a vida, certos indivíduos parecem provoca-los frequentemente, tornando o convívio francamente difícil de gerir e mais ainda de apreciar.

Certas pessoas parecem viver de pé atrás com tudo e com todos, qualquer comentário ou acção lhes parece susceptível de ser mal intencionado, facilmente vêm maldade em qualquer lado. Para elas todos são culpados até prova do contrário. Como tal, tornam-se agressivas, conflituosas, implicativas… sempre em pé de guerra.

Alguns sentem-se ofendidos, magoados, por dá cá aquela palha. Tudo o que se diga ou faça tem de ser muito bem medido e pesado, por forma a não agredir a sua sensibilidade exacerbada. No entanto, mesmo com estes cuidados em mente, muitas vezes os outros se vêem confrontados com acusações de “maus tratos” que os deixam completamente atónitos e desconcertados.

Outros, pelo contrário, não conseguindo manter á rédea curta o seu mau feitio, permitem-lhe que se atire ás canelas alheias à mínima contrariedade. Nessas alturas conseguem tornar-se verdadeiramente execráveis, perdem as estribeiras, vociferam, provocam ambientes de cortar á faca, acabando consequentemente por perder qualquer “razão” que pudessem  eventualmente ter.
(Céus… fui tããão assim durante taaantos anos…)

A intolerância (eventualmente aliada ao preconceito) é outro factor que em nada favorece as relações inter-pessoais, a não aceitação da diferença, das escolhas de vida de cada um, todos os que não se rejam pelos mesmos padrões sendo considerados infractores. “Viver e deixar viver” não é nitidamente o seu lema, caindo impiedosamente em cima de tudo aquilo que seja a seus olhos condenável, mesmo que só ao próprio diga respeito.

Há os que não são capazes de manter uma conversa sem, inevitavelmente, acabar a cascar no país, no governo, no povo, no mundo, no estado das coisas... Para eles nenhuma situação parece suficientemente agradável para merecer uma pausa, um desfrutar do momento, sem que seja ensombrado por pensamentos negativos. 

Alguns gostam de desenterrar esqueletos. Julga-se que uma questão já está morta e enterrada e lá volta ela tipo assombração. Tipicamente são aqueles que embora possam ter oficialmente dado as coisas por encerradas, na realidade não conseguem pôr uma pedra nos assuntos, ficando a remoer rancores e ressentimentos.

Na mesma óptica, há também aqueles que insistem em sacar os erros alheios da cartola , sempre que a ocasião se proporciona. Relembrando-os, de dedo apontado,  que em tempos pensaram de outra forma, agiram menos correctamente, expressaram uma opinião diferente, como se não lhes atribuíssem o direito à mudança.

Temos também pessoas para quem tudo é competição, que passam a vida a medir pilas. Estão constantemente a considerar interiormente quem é mais rico, mais bonito, mais popular, mais poderoso…  As coisas não podem simplesmente ser, tem de ser mais ou ser menos, tudo é comparação, tudo é uma questão de ganhar ou perder o concurso.

Alguns põem-se muito pouco em questão, aceitar que possam ter “culpas no cartório” relativamente a alguma coisa é-lhes extremamente penoso. Tudo acontece sempre essencialmente por culpa dos outros e, se alguma responsabilidade por acaso assumem, esta vem invariavelmente acompanhada de um “mas”.

Relativamente a outros, nunca se sabe com o que contar. As suas afirmações não condizem com as suas atitudes. Mudam do dia para a noite consoante a pessoa com quem estão a lidar, parecem ter várias caras, várias personalidades, várias posturas perante o mesmo assunto, tornando muito difícil compreender quem realmente são e consequentemente nelas confiar.

Enfim, estes são alguns exemplos, muitos mais haverá…
A realidade é que certas atitudes em nada contribuem para um bom ambiente e, se recorrentes, para um bom relacionamento com os outros.
Todos, já teremos tido alguma ou várias das que descrevo ou outras igualmente nocivas, há no entanto quem delas faça modo de vida.
Com este tipo de postura, coisas inócuas facilmente viram “casos”, gerando-se verdadeiras tempestades em copos de água.
Se estas se forem acumulando, irão minando as relações até que, por muito que se possa gostar delas, se passe a suportar as pessoas, em vez de as apreciar verdadeiramente.

Conviver numa base regular com este tipo de coisas é intoxicante, malsão. Provoca tensões, angústias, ansiedade…  Na minha opinião não trás nada de positivo para ninguém.
Defendo então que, não só tentemos erradica-las de nós próprios, como afastar-mo-nos delas, dentro da medida do possível, e rodear-mo-nos maioritariamente por pessoas conciliadoras, harmoniosas, serenas e equilibradas, que contribuam para o bem estar geral em vez de o corroerem.



Make love, not war! ;)