quarta-feira, 4 de maio de 2011

A lei da selva

COM MÚSICA



O país está em crise, o mundo está em crise, o bicho homem está-se a passar… de repente é a lei da selva.
Não me lembro, do alto dos meus quarenta e seis aninhos, de nenhum período tão difícil como o que agora atravessamos e suspeito seriamente que, antes de melhorar, ainda piore. O mundo está a saque, as pessoas foram atiradas para fora de pé, perderam a margem de manobra, desapareceram as zonas de conforto.

Tal como as catástrofes naturais, a crise não poupa ninguém, levando tudo à sua frente. Se é verdade que uns são mais gravemente atingidos do que outros, a realidade é que poucos escapam ilesos. Os clientes não pagam ás empresas, as empresas não pagam aos fornecedores, os fornecedores não pagam aos empregados, os empregados não pagam aos senhorios… gerando-se um círculo vicioso. Coisas que até há pouco tempo tomávamos por garantidas, deixaram de o ser.

Assiste-se à falência de empresas que por cá andavam há muitos anos, marcos da nossa sociedade (já sem falar das outras), a pessoas que perdem as casas, os empregos, os meios de subsistência.
Os “pés de meia” são delapidados, os bens vendidos ao desbarato, trabalha-se por meia dúzia de tostões, sob pena de não se trabalhar de todo.
Muita gente não faz ideia se amanhã vai conseguir pagar o empréstimo da casa, a escola dos filhos, a conta do supermercado.
Os naturais imprevistos facilmente se transformam em dramas que em muitos casos ficam sem seguimento pois não há meios de o fazer.

Tudo isto provoca angústia, ansiedade, preocupação, medo, desespero… sentimentos que geram mau viver e trazem ao de cima o pior que há em cada um de nós.
Nestas alturas muitos entram em pânico, tornando-se totalmente irracionais, chegando a agir contra os seus próprios interesses.  Perdem os escrúpulos, fazendo aos outros o que não gostavam que lhes fizessem a si. Tornam-se pessimistas, derrotistas, não conseguindo sequer conceber melhores dias.

O facto de ser um problema geral não melhora de todo os ânimos, antes pelo contrário. Não se vê luz em lado nenhum e no meio da escuridão dificilmente se encontra esperança.
A situação está sem dúvida alguma muito negra.

É no entanto preciso não esquecer que “depois da tempestade vem a bonança” e que, enquanto isso não acontecer, quer demore muito ou pouco tempo, está nas nossas mãos garantir alguma qualidade de vida.

Se, perante as adversidades, respirarmos fundo e pusermos o cérebro a funcionar, já é meio caminho andado. Entrar em pânico, julgo eu que  nunca tenha resolvido nenhum problema. Convém tentar manter a cabeça fria a cada problema que surja, analisa-lo e tentar descobrir a melhor forma de o resolver. Só a morte não tem solução.

Nestas alturas o longo prazo deixa de fazer grande sentido, ninguém sabe o que será o amanhã. Assim, ir vivendo o dia a dia, um pé à frente do outro, lidando o que se nos depara no imediato e ir resolvendo as questões uma a uma, conforme se nos vão apresentando, permite-nos manter o fôlego. Se olharmos para o todo desmoralizamos, a montanha vai-nos parecer demasiado alta, possivelmente não nos sentiremos com energia para a enfrentar.

Passar os dias a devorar e transmitir tudo quanto é notícia sobre o estado das coisas, também não me parece de todo saudável. Nestas alturas as pessoas tendem a obcecar, não conseguindo ver mais nada à frente e não tendo assim um minuto de descanso.

Um alheamento de quando em quando parece-me fundamental, gozar de momentos que não nos remetam para a situação negra que vivemos. Confraternizar com os amigos sem falar em chatices, ver um filme leve que estimule o nosso lado mais idealista, mais optimista, apreciar um dia bonito ou uma bela paisagem… enfim, continuar a gozar do que não é afectado pelo estado das coisas.

Por outro lado, se há momentos que apelam à compaixão são mesmo estes. “Ser uns para os outros” é muito mais benéfico do que “puxar a brasa á nossa sardinha”, muito mais gratificante, muito mais produtivo. Se nos ampararmos mutuamente, apoiando e ajudando no que for possível, todos ganharemos força e calor. Já dizia o povo, “unidos venceremos”. O salve-se quem poder, o cada um por si, parecem-me totalmente contraproducentes.

Ser-se positivo e optimista, o que não quer dizer alucinado e irrealista, parece-me igualmente imprescindível. Pessoalmente acredito piamente na teoria da “lei da atracção”. Acho que, estar sempre a imaginar o pior cenário possível, atrai isso mesmo. Com os pés bem assentes na terra e a noção daquilo com que estamos a lidar, acreditemos que, de uma forma ou de outra, tudo se há de resolver. Estou convicta de que essa postura ajude a que assim seja.

Finalmente, há que ter a noção de que as coisas mais importantes da vida não passam através do dinheiro e isso não mudou. O amor, a amizade, a saúde, são coisas que nada pode pagar. Aprecia-los, acarinha-los, valoriza-los, dar-lhes a devida importância, sem deixar que os problemas os ofusquem, soa-me absolutamente imprescindível para aguentar a borrasca, por um lado, e para relativizar as coisas por outro.

Let’s prepare for the worst and hope for the best. ;)

terça-feira, 26 de abril de 2011

Time is Money

COM MÚSICA



Algures durante a adolescência, perante o grande ponto de interrogação que era a minha vocação profissional, levaram-me a fazer um daqueles testes psicotécnicos, na esperança de uma luz sobre o que poderia ser o meu caminho.
Para além de me informarem que tinha um QI superior ao do chimpanzé, disseram que poderia “ser” basicamente o que quisesse, desde que para aí estivesse virada. Foi extremamente elucidativo.

A realidade é que não consegui escolher uma carreira…
Senti-me extraordinariamente atraída por algumas profissões mas, por razões que me ultrapassam, não encarreirei por nenhuma delas.
Fui seguindo a minha vida ao sabor do vento, fazendo um que outro curso, tendo um que outro trabalho, sem nunca me fixar em nada de concreto.

Todos nós conhecemos pessoas que não têm literalmente “tempo para nada”, que o passam a trabalhar para ganhar dinheiro e o pouco que lhes sobra a descansar do esforço.
Dizem que perguntaram uma vez ao Dalai Lama o que mais o surpreendia na humanidade, tendo ele respondido; “O homem, porque trabalha muito e perde muita saúde pra ganhar dinheiro, e quando o tem, perde muito para recuperar a saúde!!

Ora bem, cheguei à conclusão de que a afirmação de que tempo é dinheiro não podia estar mais certa… a maior parte das pessoas não tem é conta nesse banco para lá depositar os cheques…

Durante o meu percurso de vida tenho passado por épocas mais prósperas do que outras, não foram obrigatoriamente as mais felizes.
Não estou com isto a querer dizer que o dinheiro seja dispensável, estando bem ciente de que nos permite ter qualidade de vida, numa época em que quase tudo se paga.
Estou no entanto convencida de que é um daqueles venenos que tomados na dose certa podem salvar e usados descontroladamente matar.
Como toda a gente, faço sacrifícios em seu nome, pois há que ter com que pôr a sopa na mesa.

Nos nossos dias, no entanto, ganhar dinheiro facilmente se pode transformar em pescadinha de rabo na boca, e não estou a falar das que se fritam e comem com arroz de tomate.
A realidade é que quanto mais temos, mais queremos, e quanto mais queremos mais dinheiro temos de gerar para o obtermos.
Casas, carros, roupas, viagens, gadjets… tudo nos sai do pelo, a não ser que tenhamos ganho o euromilhões.
Por cada coisa que nos damos ao luxo de pagar, alguma outra perdemos certamente, entretidos que estávamos a tratar de a conseguir.

Cheguei recentemente à conclusão de que sempre fui extremamente ambiciosa, acreditando piamente na célebre afirmação de Benjamim Franklin.
O dinheiro não nos pode comprar tempo, mas o tempo equivale sem a mínima dúvida a muito dinheiro.

Acredito que as horas com o meu filho não tenham preço, o tempo que passo a ler-lhe histórias antes de dormir, a ajuda-lo a fazer os trabalhos de casa, os jogos que jogamos juntos, os passeios, as conversas. Não há dinheiro que pague o podermos dispor de umas horas para curtir um amigo ou simplesmente para o ajudar se disso precisar. Não é possível quantificar a qualidade do tempo passado sem stress, sem pressas, sem correrias, as horas passadas na companhia daqueles de quem gostamos, a fazer o que nos apeteça. E não podemos sem dúvida sempre fazer o que nos apetece mas podemos pelo menos tentar que aquilo que temos de fazer nos apeteça.

Ás vezes tenho a sensação de que a humanidade perdeu a noção das coisas. O homem anda tão ocupado a produzir riqueza, para conseguir atingir o que a sociedade moderna tem para lhe proporcionar, que se esquece de que muitas das melhores coisas da vida são à borla.
Trabalha tanto para lá chegar que não se dá conta de que está a gastar uma fortuna… em tempo. ;)

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Nós, macaquinhos

COM MÚSICA



Quando penso nos progressos da medicina, da ciência, da tecnologia, fico absolutamente abismada… É impressionante o caminho que a humanidade fez até aos nossos dias, o cérebro humano é sem dúvida uma máquina brilhante, prodigiosa. Tivemos, mais do que qualquer outra espécie, graças á nossa inteligência, uma evolução deslumbrante.

Outra coisa que não deixa nunca de me admirar é a gigantesca falta de inteligência emocional demonstrada por grande parte dos seres humanos. Esta reflecte-se a todos os níveis, desde o individuo, aos governos, passando por empresas e organizações. Basicamente, já vamos à lua mas continuamos, em muitos casos, a comportar-nos como verdadeiros trogloditas.

A fome de poder, a ganância, a inveja, o ciúme, os sentimentos de posse, o egoísmo, a necessidade de status, o consumismo, a busca de popularidade, etc, parecem reger mais as atitudes do bicho homem do que o bom senso, o autocontrolo, a persistência, o zelo,  a compaixão, a empatia…

O resultado, na minha opinião, é termos um mundo muito pior do que o poderia ser se, para além do QI, desenvolvêssemos na mesma medida o QE.
Preocupamo-nos em estimular nas crianças a inteligência pura e dura, o raciocínio, a aprendizagem, mas transmitimos-lhes simultaneamente, pelo exemplo, conceitos de vida que de inteligentes muitas vezes nada têm.

Aceitamos como válidos comportamentos dignos dos homens das cavernas, dos tempos em que, mais do que viver, sobrevivíamos. Permitimo-nos agir por impulso, sem medir as consequências dos nossos actos. Não temos em conta os nossos melhores interesses, ou os dos outros, no médio/longo prazo. Não pomos as coisas em perspectiva, cedendo muitas vezes aos nossos instintos animais, desadequados aos tempos e à sociedade em que vivemos.

Segundo Daniel Goleman:
“Em termos de concepção biológica do circuito neuronal de emoções básico, aquilo com que nascemos é o que resultou melhor para as últimas 50 000 gerações humanas, e não para as últimas 500, e certamente não para as últimas cinco. As forças lentas e deliberadas da evolução que moldaram as nossas emoções fizeram o seu trabalho ao longo de um milhão de anos; os últimos 10 000 - apesar de terem assistido à rápida ascensão da civilização humana e à explosão da população de cinco milhões para cinco biliões - quase não deixaram marca nas nossas matrizes biológicas para a vida emocional.
Para o melhor ou para o pior, a nossa avaliação de cada encontro pessoal e as nossas respostas a estes encontros não são determinadas apenas pelos nossos juízos racionais ou a nossa história pessoal, mas também pelo nosso passado ancestral. [...] Em resumo, muito frequentemente confrontamos dilemas pós-modernos com um repertório emocional feito à medida das exigências do Pleistoceno.”

Tudo bem… mas estando conscientes desta questão será que não conseguimos mudar isto?!
Será que não está nas nossas mãos alterar a ordem das coisas?
Acredito genuinamente que, se todos fizéssemos um esforço consciente, se controlássemos o macaco que há em nós, se transmitíssemos a ideia aos nossos filhos, os educássemos nesse sentido, a humanidade saísse certamente a ganhar.
Temos inteligência suficiente para explorar o espaço mas não para nos comportarmos como seres civilizados e viver em harmonia com o próximo no nosso próprio planeta?! Não acredito…

terça-feira, 12 de abril de 2011

A fonte da juventude

COM MÚSICA



O nosso corpo, quer queiramos quer não, vai-se desgastando. Podemos poupa-lo, trata-lo e trabalha-lo em vários sentidos para retardar o envelhecimento, disfarçar alguns dos seus sintomas, no entanto, tarde ou cedo, iremos inevitavelmente sentir o peso da idade.
A mente, se não tivermos cuidado, tende também a degradar-se… parece-me no entanto bem mais susceptível de se manter firme, tonificada, flexível e saudável. ;)

Alguns alegam que a fonte da juventude é o Photoshop (lol), outros as operações plásticas e os avanços da medicina… a meu entender, uma das coisas que nos mantêm realmente jovens é a abertura de espírito aliada à capacidade de empatia com os vários estádios da vida humana.

Esta passa por várias fases, que vamos ultrapassando, uma após outra, metamorfoseando-nos em pessoas diferentes. Com o passar do tempo, temos ás vezes dificuldade em lembrar-nos daqueles que fomos.
Se conseguirmos, emocionalmente falando, manter viva a memória de outros tempos e acrescentar-lhe aquilo que fomos aprendendo pelo caminho, conseguiremos manter uma frescura acrescida de sabedoria.

Sentir-se jovem é conseguir efectivamente consolar uma criança, atormentada pelos terríveis dramas da meninice, compreendendo e atribuindo o devido peso aos seus desgostos ou receios, mesmo sabendo nós que não voltará a ter outra altura da vida em que se sinta tão mimada, tão protegida, tão segura, tão legitimamente irresponsável.

É, apesar de termos a noção de que quanto mais sabemos, mais sabemos que nada sabemos, conseguirmos fazer-nos ouvir por um adolescente que tudo sabe e ajuda-lo a questionar as suas certezas e a tirar as suas próprias conclusões.

É, sabendo que a vida é um arco-íris, com uma imensa variedade de cores e nuances, lembrarmo-nos de que em certas idades o bicho homem só consegue ver a preto e branco.

É, mesmo tendo descoberto que o amor só é mesmo eterno enquanto dura e que ao longo dos anos os romances irão enchendo as prateleiras, conseguirmos continuar a sorrir-lhe e a apoiar e respeitar as grandes paixões de juventude.

É valorizar e apoiar entusiasticamente aqueles grandes projectos que, sabemos nós, eventualmente não chegarão a ver a luz do dia, porque a vida nos reserva sempre um belo ramalhete de surpresas e as coisas nem sempre correm como queremos mas mais como calha.

É, no fundo, termos a capacidade de pontualmente regredir emocionalmente para podermos compreender, gerar empatia e, através dela, não só comunicar efectivamente, ultrapassando a eventual barreira das idades, como também continuar a aprender…

Com o passar dos anos e as pedras do caminho, há quem tenda a azedar, a tornar-se arrogante intolerante, prepotente. Quem perca a flexibilidade de raciocínio, se prenda a tradições ou  preconceitos sem futuro, se recuse a adaptar ás novas realidades de um mundo em constante mudança.
Tal como acontece com os músculos, a sua gana de viver parece definhar.
Tal como acontece com a pele as suas ideias parecem ganhar rugas e flacidez.
Tal como acontece com os órgãos, os seus raciocínios parecem começar a falhar.

Esses são os que se tornam velhos. 
Basicamente, só não nos podemos deixar esquecer do que é a juventude.


terça-feira, 5 de abril de 2011

Sonsices

COM MÚSICA



Há coisas nas nossas vidas, emoções, ideias, opiniões, actos, etc, que nem sempre são fáceis de assumir.  Se perante alguns o conseguimos fazer, perante outros a coisa já custa bastante mais.

As razões dessa dificuldade podem ser diversas… termos a noção de que são uma falha de coerência entre o que apregoamos e o que praticamos, a sensação de termos falhado algures, o não gostarmos de pedir desculpa, a consciência de que poderemos magoar ou ofender alguém, a vontade de agradar ou de nos enquadrarmos, orgulho, medo da exposição, etc.

Viver segundo as nossas convicções, conscientes dos nossos pontos fortes e das nossas fraquezas, aceitar que não somos perfeitos, reconhecer que cometemos erros e desculpar-mo-nos por eles se for caso disso, interiorizar que não se pode agradar a Gregos e a Troianos, ter a noção de que nem toda a gente irá gostar de nós, não são posturas fáceis, não senhores…

A vida é no entanto, a meu ver, para ser enfrentada com coragem… Acredito que se tivermos uma coluna vertebral sólida, apesar dos dissabores que possamos enfrentar pelo caminho, no fim sairemos sempre a ganhar.
Acredito que retidão e frontalidade sejam trunfos fortes nas relações humanas.

Não defendo a “verdade a qualquer custo”, lá porque sentimos, pensamos ou fizemos alguma coisa, não temos obrigatoriamente de a publicar no jornal.
A noção de diplomacia é, sem dúvida, um trunfo importante para quem vive em sociedade.  Não podemos fazer ou dizer tudo o que gostaríamos, temos de nos adaptar ás situações.

Como tal, todos temos várias faces, é natural, mudamos consoante as pessoas com quem estamos a lidar.
Uma coisa, no entanto, é mudar de tom de voz, de vocabulário ou de tema de conversa… outra é mudar como se de outra pessoa efectivamente nos tratássemos.
A este fenómeno costuma chamar-se sonsice.

Sou de opinião que, em termos de carácter, devemos investir no longo prazo. Tive ocasiões várias de comprovar que, o que fazemos para remediar as situações agora, optando pela solução mais fácil, que menos nos custa, que menos trabalho nos dá, acaba frequentemente com o famoso tiro pela culatra.

Por outro lado, a mentira (neste caso a sonsise) tem a perna curta.
O sonso tem geralmente uma que outra testemunha da sua sonsice.
Para além da figura de urso, que evidentemente faz quando é topado nestes esquemas, o que em si só não me parece muito grave, estará potencialmente a provocar dois efeitos altamente danosos em termos de relações humanas.

O primeiro só o lesa a si. Torna-se difícil confiar numa pessoa com várias caras, com várias palavras, com vários sorrisos, consoante a circunstância… o mais natural é que, ao se darem conta disso os outros fiquem de pé atrás.

O segundo, é o facto de frequentemente transformarem em  bodes expiatórios aqueles que, contrariamente a si, têm a coragem de pegar a vida de caras. Escondendo-se atrás das suas costas largas, beneficiando das suas atitudes, sem terem de suportar as consequências dos seus actos. Pode ser o melhor de dois mundos mas, meus amigos, que é muito cobardolas, ai isso é.

E ainda há quem ache os sonso kiduchos… quem os ache uns espertalhões… quem aprecie este joguinho das caraças… há sem dúvida gostos para tudo.

terça-feira, 29 de março de 2011

Esta semana não há sopa



Não posso com uma gata pelo rabo, estou estoirada, doem-me todos os músculos do corpo, os meus neurónios estão em greve... sorry, vão ter de ir buscar as vitaminas e as fibras a outro lado... lol











quarta-feira, 23 de março de 2011

As manhãs da Comercial

COM MÚSICA



Hoje fui deixar a cria à escola e no regresso fiquei sentada no carro, feita estúpida, agarrada que estava aos disparates dos meninos da Comercial
A quem nunca os ouviu aconselho vivamente que o faça…
Pessoalmente, sempre que me locomovo de cu tremido, é na sua companhia.

Nunca deixa de me impressionar a boa disposição com que aqueles 4 começam o dia, ás 7  já estando a debitar parvoíces por entre musiquinha boa.
Chego a perguntar-me se serão humanos ou seres virtuais.
Como será possível manter aquele ambiente dia após dia, manhã após manhã? Será que nunca estão mal dispostos, carrancudos, ca neura?! Mistério…
A realidade é que, por isso mesmo, funcionam às mil maravilhas como anti-depressivo.

Quantas vezes não saí de casa meia nhónhó, acabrunhada pelo peso das chatices, sem grande ânimo para enfrentar um novo dia, e dei por mim a rir sozinha, feita parva, no meio do transito, com outros condutores a encarar-me como de tivesse ensandecido. Fico logo com outro espírito.
Noutras biaturas, em que não tenho poder sobre o bitão do rádio ouço, volta não volta, outros canais e garanto que não tem o mesmo efeito começar o dia com conversas sérias sobre temas sisudos.

A equipa da manhã goza de uma cumplicidade incrível, fazem pandã como poucos. Tudo lhes serve de desculpa para gozar um bocadinho, quer seja uns com os outros ou com o mundo em geral. Usam e abusam de jogos de palavras, fazem piadinhas tão depressa infantis como marotas, nada escapando ao seu espírito crítico e jocoso.

São sempre o máximo?! Não, claro que não, ás vezes têm menos graça, menos pujança. Têm dias melhores e dias piores, como toda a gente, mas são sem dúvida uma boa aposta no que diz respeito a boa disposição e sentido de humor.

E perguntam-me vocês porque estou eu praqui a fazer a apologia de um programa de rádio…
É simples, porque acho que é o tipo de coisas que nos fazem felizes.
Tudo verdade, as Manhãs da Comercial contribuem para a minha felicidade e acredito que para a de mais uns milhares de pessoas, a julgar pela sua página no Facebook. ;)
Aqueles anormais (isto dito com todo o carinho e respeito) transmitem (em sentido próprio…lol) diariamente uma positividade, uma boa onda, uma alegria tão contagiosas como a gripe das aves.

Costuma dizer-se que quem anda com um coxo, fica coxo… não tenho grandes dúvidas relativamente à influência do que nos rodeia, dos que nos rodeiam. Se estes forem má onda, pessimistas, carrancudos, dificilmente conseguiremos  escapar ilesos ao clima de negatividade. O oposto é igualmente válido.

Obrigada, Vanda Miranda, Pedro Ribeiro, Nuno Markl e Vasco Palmeirim, por porem um sorriso na cara de tantos portugueses. Que haja muitos mais como vocês… ;)

terça-feira, 15 de março de 2011

Advogando pelo Diabo

COM MÚSICA



Quando gostamos de uma pessoa e a sabemos em baixo é natural que tenhamos vontade de ajudar…
Frequentemente, quem não está bem, tende a perder a objectividade, a noção de perspectiva, a capacidade de análise. A dor e/ou a aflição tipicamente embargam a clareza de espírito.
Alguém que não esteja emocionalmente envolvido, poderá nesses casos trazer uma nova luz ás questões, no sentido de tentar desembrulhar ideias e/ou arranjar soluções.

Para tal, é no entanto ás vezes necessário fazer o papel de “advogado do diabo”.
Relembrar que uma questão tem sempre vários lados, apresentar visões alternativas sobre o tema, apontar eventuais pontos fracos no raciocínio que estava a ser seguido, sugerir ideias que não serão obrigatoriamente muito bem aceites à partida.

Há, no entanto, um factor extremamente importante a ter em conta, que é a fragilidade de quem está do outro lado. Normalmente, nestas situações, as pessoas ficam sensíveis, susceptíveis, pouco flexíveis.
Logo, a diplomacia, a forma como apresentamos as nossas ideias, as palavras que utilizamos, o tom de voz, tornam-se extremamente importantes.
Um passo em falso e pode ser pior a emenda do que o soneto. A melhor das boas intenções, sem os devidos cuidados, pode facilmente deixar a pessoa em pior estado do que já estava. 

Por exemplo, o método agressivo, o clássico abanão destinado a fazer o outro reagir, não será possivelmente, na maioria dos casos, o melhor caminho para se obter resultados em alturas de crise.
Se a estrutura emocional já está  rachada, isto pode fazer com que parta. Nos momentos difíceis, as pessoas não têm normalmente capacidade de reacção a tratamentos de choque, encarando-os como uma agressão. Atitudes que surtiriam eventualmente efeito, se estivessem no seu “estado normal”, podem nestes casos obter o efeito diametralmente oposto. Podem inclusivamente colocar-nos na posição de “inimigo”, do qual é necessário proteger-se e com quem não irão certamente colaborar.

E no que diz respeito à colaboração, esta é extremamente importante, pois ninguém consegue ajudar quem não quiser ser ajudado.
Como tal, desprezar as suas ideias e sentimentos relativamente ao assunto e tentar impor a nossa própria visão, não será provavelmente a coisa mais inteligente a fazer. Mesmo que seja claro para nós que o seu raciocínio e sensibilidade possam estar alterados, menospreza-los não será propriamente um acto que inspire grande confiança. Adoptar uma atitude do género “eu estou certo e tu estás errado” é meio caminho andado para que fechem a porta á nossa tentativa de ajuda.

Na mesma óptica, raciocínios lógicos e óbvios para nós, podem não o ser para quem está dentro da situação. É preciso não esquecer o lado emocional envolvido. Apresentar soluções radicais a quem não esteja disposto a ouvi-las, acaba por ser contraproducente e por vezes até tomado como insultuoso.  Mais uma vez podemos assim ser facilmente encarados como agressores quando tudo o que queríamos era contribuir para a solução dos problemas.

Fornecer o “pior cenário” numa bandeja, na expectativa de preparar para o que der e vier, também não me parece propriamente produtivo. A ideia é aligeirar a situação e não enegrecê-la. Por muito que estejamos a ver que as coisas possam ainda piorar, a não ser que seja algo de iminente, não consigo ver qualquer vantagem em assustar o outro com um rol de possíveis desfechos desfavoráveis, o próprio já terá certamente pensado numa série deles.
Lidar com a realidade e o que está efectivamente em jogo no momento, sem divagar sobre outras possibilidades, parece-me bem mais positivo.

Quando as situações envolvem terceiros, é importante ter em conta o seu lado da questão. Geralmente, na vida real, não há bons nem maus da fita.
No entanto, se o quisermos fazer ver à pessoa que estamos a tentar ajudar, é bom que o façamos com pezinhos de lã. Se houver desentendimento, contenda, amargura, puxar ostensivamente a brasa à sardinha do outro, não é nitidamente o melhor caminho. Irá, pelo contrário, aumentar o ressentimento e gerar uma sensação de falta de apoio.

Finalmente, os timings são importantes.
Há quem tenha tendência, quando alguém cai à sua frente, a tentar logo levanta-lo. No entanto, sobretudo se se magoaram na queda, as pessoas precisam de um tempinho antes de se voltarem a pôr em pé.
Facultar-lhes esse tempo é de uma importância extrema. Puxa-los por um braço e tentar arranca-los do chão, só irá provocar mais dor e desconforto. Embora não seja fácil acompanhar de braços cruzados, é importante ter a sensibilidade de perceber quando estão prontos a reagir.

quarta-feira, 9 de março de 2011

The blues

COM MÚSICA



“A vida é como os interruptores, umas vezes para cima, outras vezes para baixo…”

Embora acredite que haja quem goste de “curtir a neura”, não será o caso para a maior parte de nós. Alguém, no seu perfeito juízo (digo eu, sei lá), não aprecia estar “em baixo”.
É no entanto inevitável que, volta não volta, nos sintamos assim.
Seja lá qual for a razão e respectiva gravidade, de vez em quando sentimo-nos abatidos, tristes, desmoralizados…

Há quem, nessas alturas, atribua a esse estado um peso, uma importância nefasta, que a meu ver não deveria ter.
Na realidade acredito que os momentos maus sejam tão importantes nas nossas vidas como os bons. Acredito que se não tivermos a capacidade de sofrer, também não teremos a de retirar prazer das situações. É uma questão de sensibilidade.

A meu ver, a dor física é encarada de uma forma muito mais natural, do que a dor psicológica.
A insensibilidade à mesma (Insensibilidade congénita à dor) é aliás uma condição que inspira cuidados e preocupação. A dor adverte-nos de que qualquer coisa não está bem, se não tivermos esse sinal de alarme a coisa pode dar muito para o torto.

A dor psicológica não é menos natural. Há coisas que nos agridem, magoam, incomodam, angustiam, quer queiramos quer não.
A forma como encararmos esse estado menos agradável irá fazer toda a diferença.

Na minha opinião, não é aconselhável tentarmos tapar o sol com a peneira.
Se estivermos efectivamente na merda (pardon my french) não vale a pena atirarmos areia para os olhos de quem nos perguntar o que se passa e fazer de conta que está tudo bem. Os seres humanos têm antenas e essas coisas transparecem, ponto final.
Podemos “invocar a quinta emenda” (lol) e recusar-nos a falar sobre o assunto. Podemos levantar um bocadinho do véu e fornecer uma versão Readers Digest da questão. Ou então, em certos casos, aproveitar e desabafar, o que ás vezes até sabe bem.
Quanto mais não seja pelo facto destes estados de espírito gerarem alguma sensibilidade emocional, é bom que os assumamos para que os outros saibam com o que contar.
Por outro lado, empolar a situação e fazer dela um bicho de sete cabeças, encarar uma crise como se fosse o fim do mundo, não é de todo saudável. As coisas têm o peso que têm mas, embora possamos ainda não lhes conseguir visualizar o fim, é bom que estejamos conscientes de que este chegará.
Se não o fizermos, corremos o risco de que a inofensiva neura se transforme em depressão, upgrade que não interessa a ninguém e muito mais difícil de ultrapassar.
“Não há bem que sempre dure, não há mal que nunca acabe”.

Há quem ache que chorar é um sinal de fraqueza, de mariquice se assim lhe quiserem chamar. Pessoalmente acho que é uma válvula de escape, como a das panelas de pressão. Tanto assim que, grande parte de nós, em certas situações não o consegue evitar, por muito que tente controlar-se.
Não consigo ver qualquer vergonha ou humilhação nisso. Antes pelo contrário, acho que prova que somos humanos, o único animal que o consegue fazer para expressar emoções.

Mesmo que eventualmente não vertamos lágrimas, seja lá por que razão for, alturas há em que perdemos a alegria, a energia.
Apesar da iniciativa própria nessas alturas não ser expectável, se formos desafiados para alguma actividade que em “tempos normais” nos daria prazer, acho que devemos fazer um esforço para aceder. Muitas vezes acabamos assim por conseguir uma pausa que nos permite recuperar algum fôlego.
Para além da óbvia falta de vontade para fazer seja o que for, que estes estados provocam, muitas vezes a desculpa para a nossa recusa é o típico “não estou boa companhia”. No entanto, se os outros estiverem cientes da situação em que nos encontramos, não esperarão certamente que sejamos a boa disposição personificada.

Opostamente, se a situação que nos transtorna envolver pessoas, ir ao seu encontro, enquanto ainda nos sentimos fragilizados, talvez não seja a melhor das ideias. É aquilo a que se chama meter-se na boca do lobo.
Confrontarmo-nos com o que nos apoquenta, não sendo absolutamente necessário, não vai ajudar em nada a nossa recuperação.
Tal como as feridas, é preciso deixar sarar, dar tempo ao tempo, este cura a maior parte dos males.

Mas, acima de tudo, é preciso ter a noção de que acima das nuvens o céu está azul e o sol brilha. Tudo se resolve… it’s a mistery.



terça-feira, 1 de março de 2011

Feelings

COM MÚSICA


Considero-me uma pessoa essencialmente racional.
Como não me canso de dizer, isto não tem nada a ver com as emoções, que continuo a sentir, mas com a forma como encaro a vida.
Basicamente, quer dizer que baseio as minhas acções, as minhas decisões, no raciocínio, numa análise das situações. Que sou sensível a argumentos lógicos, estatísticos, probabilísticos. Que tenho em conta os possíveis resultados da acção/reacção, causa/consequência, etc…

No entanto, e de certo modo contraditoriamente, tenho imensos feelings.
Quantas vezes estes não me dizem uma coisa, quando a razão me diz outra…
Por feelings entendam-se coisas que não consigo explicar, provar, ou sequer analisar.
Acontece, curiosamente, que acredito que estes sejam tão importantes nas nossas vidas como a utilização do cérebro, que tanto defendo.
Acho que tem a ver com aquilo a que chamamos

Apesar de ter sido baptizada, dado que ninguém me perguntou a opinião sobre o assunto, não pratico qualquer religião. Tenho alguma noção dos princípios básicos de algumas delas e a sensação de que, no fundo, vão todas dar ao mesmo.
Também não sou imensamente dada a esoterismos, mantendo sempre um certo cepticismo.
Vivendo num país essencialmente católico estou evidentemente embebida, em muitos aspectos, da sua cultura. É bem capaz de me sair uma expressão do género “por amor de Deus…”, simplesmente porque as ouço desde que nasci e estão de certa forma alojadas no meu subconsciente.

Paradoxalmente então, a minha vida rege-se em grande parte por esses tais  feelings que mencionei, aos quais costumo dar bastante crédito.

Numa conferência no TED, sobre expectativas, o orador afirma que, probabilisticamente, é uma estupidez monumental apostar em lotarias e afins.
Embora compreenda perfeitamente os seus argumentos e esteja de acordo com eles, continuo, semanalmente, a apostar no Euromilhões. Porquê?
Acho que, como costumava dizer-me uma pessoa, “é a hipótese do Anjo”…
Apesar de consciente de que a hipótese de ganhar alguma coisa que se veja é ridiculamente baixa, é uma realidade que acontece todas as semanas a várias pessoas.
Não jogo portanto com qualquer expectativa, não aposto o meu futuro nisso, não tenho ilusões de que seja por essa via que vá resolver os meus problemas financeiros.
Faço-o porque acredito que qualquer pessoa possa ganhar. Excepto se não apostar.

Da mesma forma, se qualquer outra coisa fizer intuitivamente sentido para mim, pratico-a. Abraço a ideia de que, se não parecer haver inconveniente, porque não experimentar.
Assim, do alto do meu “agnosticismo”, entrego-me a práticas teoricamente reservadas aos “crentes”.

Em momentos de grande aflição, costumo acender velas, por exemplo…
Porque o faço?! Não tenho a mais pequena ideia.
Acho que acredito que estas funcionem como um lembrete para o universo, de que estamos a transmitir energia positiva, ou talvez que sejam antes um veículo dessa mesma energia…
De cada vez que uma criança está gravemente doente, alguma pessoa em sérias dificuldades, etc, lá estou eu a acender velinhas.
No outro dia, vendo-me a acender mais uma, a minha cara metade perguntou-me se essa era para que um projecto fosse aprovado.
Não acendo velas a “pedir” resultados específicos, faço-o acreditando estar a contribuir para um desfecho favorável das questões que nos apoquentam, seja lá ele qual for.

Tenho também aquilo a que costumamos chamar “pressentimentos”. Sensações que me perseguem, coisas que se me apresentam como quase certezas, não tendo ainda acontecido.
A partir do momento em que me dei conta de que gostaria de viver nesta zona, por exemplo, não duvidei por um segundo de que isso fosse efectivamente acontecer, apesar de só me ter mudado muitos e longos anos mais tarde.
Tal como esta, há muitas coisas que tenho a sensação de “saber”, sem que isso seja efectivamente possível.

O mesmo acontece com pessoas… o meu âmago “sabe” coisas que ás vezes o meu cérebro é incapaz de processar. Excepto raríssimas excepções, venho geralmente mais tarde a compreender a minha primeira reacção ás mesmas. Tantas vezes, devido ao tal carácter racional e analítico, as contrario, para mais tarde dar a mão à palmatória.

Acredito do fundo do coração que, se tivermos boa onda, uma visão positiva do mundo, formos “boas pessoas”, atrairemos coisas agradáveis para a nossa vida. Que, apesar das pedras do caminho, o balanço será positivo.
Nem tudo é explicável, nem tudo faz sentido, nem tudo se pode provar.
Pessoalmente, acho que tudo acontece por uma razão mas não sinto necessidade de obrigatoriamente saber qual. Não preciso de justificar, perante mim própria ou terceiros porque acredito no que acredito, entrego-me, simplesmente.
Mas acreditar, acreditar com todo o nosso ser, seja lá no que for, é o que nos mantém coesos quando tudo o resto falha.