terça-feira, 27 de setembro de 2011

O efeito boomerang

COM MÚSICA



As relações humanas são como um grande feira de trocas...  trocamos olhares, sorrisos, palavras, palavras por sorrisos, sorrisos por olhares.
Até que ás tantas, neste mercado dos relacionamentos, acabamos por ter um rating, umas estrelas, tal como os vendedores do Ebay.

Aqui ouve-se um estridente barulho de agulha a arranhar o disco vinil...
Vá, vá, confessem lá que, quando comecei a falar em mercados, imaginaram uma qualquer cena bucólica... cambada de românticos. lol

O  elevado número de estrelas de um “comerciante”, atribuídas pelos próprios “clientes”, inspirar-nos-á confiança na transacção. 
Assim se vai criando, aos poucos, uma reputação, um bom ou mau nome, que se cola ao individuo, através da experiência dos outros.

Nas relações, passa-se a mesma coisa.
Se respondermos a um sorriso com um olhar carrancudo, a pessoa em questão sentir-se-á compreensivelmente lesada com a troca. Provavelmente, da próxima vez que a encontrarmos, será a primeira a oferecer a cara feia no negócio.

Ou seja, nós recebemos aquilo que damos.
Se oferecermos “produtos” de baixa qualidade, ou mesmo estragados, poderemos "enganar alguns por muito tempo, todos por algum tempo, mas não podemos enganar todos para sempre".
Se pelo contrário oferecermos coisas que façam feliz quem as recebeu, a tendência será, não só de receber de volta coisinhas boas e agradáveis, como de também ganhar boa reputação.

Todos gostamos de ser acarinhados, mimados, apreciados,  valorizados. Não interessa se pela nossa cara metade ou pela menina do supermercado.
Uma vida feita de atritos, conflitos, agressões, confrontos, não interessa a ninguém.
Só de nós depende que assim não seja.

A probabilidade da vida nos correr mal, se efectivamente formos “comerciantes” honestos e oferecermos produtos atractivos e de boa qualidade, é muito fraca.
As pessoas à nossa volta tenderão a pagar-nos na mesma moeda.
Se tivermos mau carácter e não inspirarmos confiança, ninguém quererá fazer negócio connosco.
Podemos também ser Xicos Espertos, tentar vender gato por lebre. No entanto, mais tarde ou mais cedo, a “verdade vem ao de cima” e não conseguimos manter o papel.

Sejam simpáticos. Sorriam, sorriam a quem conhecem e a quem não conhecem. Digam bom dia, boa tarde, boa noite, se faz favor e muito obrigado. Riam, digam piadas, sejam bem dispostos. Façam surpresas agradáveis, ofereçam prendas, oiçam, falem. Compreendam e serão compreendidos, Sejam tolerantes e aceitar-vos-ão os vossos defeitos. Ajudem e serão ajudados, apoiem, serão apoiados.

Enfim... you got the picture...
O ambiente humano que nos rodeia, depende de nós e só de nós, do que temos para oferecer.
Se oferecermos merda, não esperemos rosas em troca. ;)

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

De bestial a besta

COM MÚSICA



Era bom que todos os seres humanos conseguissem viver em paz e harmonia uns com os outros. Infelizmente, por mil e duas razões, esta não é uma realidade no nosso mundo.
As pessoas desentendem-se, chateiam-se, zangam-se, desiludem-se...
Quanto mais alto tiver sido colocado aos nossos olhos aquele com quem nos incompatibilizamos, maior será obviamente a queda.
Qualquer rotura provoca dor, mágoa, ressentimento...

Tenho vindo a reparar, não só por observação dos que me rodeiam, como inclusivamente por auto-análise que, nessas situações, temos tendência a tornar-nos extremistas.
A imagem do outro vai-se rapidamente denegrindo aos nossos olhos, assomando-se-nos o seu lado menos agradativo. Vamos-lhe progressivamente retirando valor... até que um dia damos por nós a considera-lo uma perfeita besta.

Não tenho conhecimentos de psicologia que me permitam fazer interpretações sobre a razão de ser deste fenómeno. Arrisco-me talvez a sugerir que possa ter alguma coisa a ver com o instinto de auto-protecção, com o facto de serem mais fáceis de suportar os sentimentos nefastos que a situação envolve, se o outro fôr efectivamente uma cavalgadura. 
Não sei...

Salta no entanto à vista que dar redea solta a este impulso, aparentemente natural no bicho homem é, por razões várias, muito indesejável, tornando-se imprescindível controla-lo.
Senão vejamos...

Se com a pessoa em questão nos relacionámos anteriormente com algum prazer, por alguma razão há de ter sido.
Podem entretanto ter acontecido variadíssimas coisas que tenham gerado sentimentos negativos e até se podem inclusivamente ter descoberto facetas que não se suspeitavam, mas algo de positivo há de ter.
Parece-me importante que o consigamos continuar a ver.

Notem que não estou de todo a sugerir que viremos Madres Teresas... parecem-me perfeitamente legítimos sentimentos de raiva, de traição, de injustiça, de revolta, de desilusão, de desprezo, etc, relativamente a certas situações.
São aliás, na minha opinião, tão importantes nas nossas vidas como os outros, os que nos dão prazer. Mas isto é conversa para outro post...
Parece-me simplesmente fundamental que, em qualquer processo, mantenhamos a capacidade de ver a cores.

Se não o fizermos, isso irá afectar o nosso passado (*), presente e futuro...

PASSADO:
Se encararmos o outro, no presente, como sendo uma perfeita besta, isso irá reflectir-se na nossa noção de passado.
Chuta-lo do pedestal para a sarjeta, sem passar pela casa partida e sem receber os dois contos, começa por não abonar grande coisa a favor do nosso discernimento.

Por outro lado, de repente passamos a atribuir-lhe atitudes, posturas, pensamentos e intenções com retro-activos, que possivelmente não existiram. 
Vamos aos poucos apagando da mente os bons momentos, até só quase restarem os desagradáveis. Interiorizamos o que significou para nós, à luz da forma como o vemos hoje, o passado perdendo qualquer peso.

Assim, passamos a encarar um caso de amor como um erro crasso, uma proposta de emprego como uma oferta envenenada, uma amizade como uma ilusão.
Há coisas que acabam e ás vezes, infelizmente, acabam mal.
Não devemos no entanto deixar que o fel do presente envenene a memória do passado.

PRESENTE:
Encarar o outro como se fosse o pai de todos os males, também não traz bem nenhum ao presente, pois deixamos de conseguir ver com clareza.

É um clássico, por exemplo, atribuirmos todos os “males” à persona non grata, isentando à partida quem a rodeia.
Ora se alguém tomar o seu partido, se assinar por baixo das suas ideias, se subscrever a sua postura, se apoiar a sua atitude, não será uma falta de consideração pelo mesmo, partir do princípio que está, de alguma forma, a ser manipulado? Não será uma visão demasiado simplista?! Onde colocar então o livre arbítrio?

Outra coisa recorrente é a mania da perseguição. O outro pode não estar nem aí mas, como é mau como as cobras, uiiiii, o mais certo é que tudo o que faça seja para lixar alguém em geral e provavelmente nós, em particular.
É a visão que os filmes nos dão do “mau da fita”, das Glenn Closes, que se imiscuem nas nossas vidas.  
No mundo real, há muito menos gente a congeminar para f... o próximo do que possa parecer. Não é, que não possa acontecer, mas a maior parte das coisas, na realidade, acontece por acaso e não por premeditação.

FUTURO:
Ás vezes temos a sorte de nos incompatibilizarmos com pessoas que podemos descartar das nossas vidas. Pomos um ponto final, damos um passo em frente e seguimos caminhos separados.
Infelizmente nem sempre é assim. A pessoa em questão pode, por exemplo, trabalhar no mesmo sítio que nós ou, pior ainda, ser o/a pai/mãe dos nossos filhos.

Se não conseguirmos ver neles nada de positivo, como irão ser as relações que obrigatoriamente iremos continuar a ter? O que iremos transmitir ás pessoas que convivem com ambos? Que ambiente iremos gerar, se reinar a desconfiança, a falta de crédito, a constante presunção de más intenções? 
Ninguém é completamente bom, nem completamente mau. É importante que consigamos ver alguma coisa em cada prato da balança.
Senão, citando o Capitão Blight (private joke, sorry) "a nossa vida é um inferno".

Concluindo, o outro, seja lá ele quem fôr, mesmo que a nossos olhos se tenha portado mal, mesmo que tenhamos descoberto a seu respeito traços de carácter que não se coadunam connosco, mesmo que nos tenha de alguma forma magoado, merece o benefício da dúvida.
Talvez não o mereça por ele, mas merece-o garantidamente por nós, pela nossa paz de espírito. ;)



(*) O post de hoje era para ter sido escrito na semana passada, mas esta história do passado pareceu-me demasiado “grande” para caber dentro de outro post. Decidi assim escrever o outro primeiro. ;)



quarta-feira, 14 de setembro de 2011

O passado é um filme que se vai alterando com o tempo

COM MÚSICA


Temos tendência a encarar o passado como sendo uma coisa estática, imutável, uma sequência de  factos consumados.
Cada vez mais me convenço de que não é bem assim...

A noção que temos de passado é sem dúvida composta pelo que vivemos, o que foi feito, o que foi dito, o que aconteceu... está no entanto também estreitamente ligada ao que vamos assimilando ao longo da vida e àquilo que somos no presente.
A percepção do passado, individual ou colectivo, passa pelo conhecimento que vamos adquirindo com  o tempo, o evoluir da nossa personalidade, as alterações emocionais por que vamos passando.
Em suma, o nosso passado, memória factual mas também emocional, acaba por ser uma coisa muito subjectiva e diferente consoante os estádios da nossa vida, dado que uma afecta a outra.

Jack Nicholson descobriu, já quase com quarenta anos, que aquela que julgava ser sua mãe era na realidade sua avó e que a sua mãe era aquela que julgava ser a sua irmã.
Um Jack de trinta anos recordaria o seu passado como “a minha mãe isto, a minha irmã aquilo”. O Jack actual atribuirá outros nomes ás caras e aos papeis que encarnaram na sua vida. De repente o passado mudou...

Uma das minhas irmãs nasceu no dia 10 de Maio de 1968. Até certo ponto da sua vida, a sua data de nascimento não passava de um dia no calendário, importante para si e para os que lhe eram chegados...
A partir do momento em que tomou conhecimento da questão da revolta estudantil, esta passou a fazer parte integrante do seu passado, quanto mais não fosse pela coincidência.

Eu e ela partilhamos o mesmo pai, a mesma mãe, a mesma infância.
No entanto, ao partilharmos memórias, há coisas de que, uma ou outra, pura e simplesmente não se lembra. Teoricamente estaríamos as duas presentes mas, por alguma razão, para uma de nós foi simplesmente apagado da memória, não existe, não faz aparentemente parte do nosso passado, dado que não nos lembramos.

Da mesma forma, todos teremos certamente conhecimento de actos totalmente repudiados por quem os praticou. E não estou a falar em mentiras ou encobrimentos mas em acções que foram totalmente apagadas da mente de quem as cometeu e para elas são genuinamente como se nunca tivessem acontecido.

A psicanálise vai muitas vezes repescar memórias desvanecidas, de actos cometidos ou sofridos, que passam de um momento para o outro a fazer parte integrante daquilo que somos, daquilo que fomos.

Até no que diz respeito à história universal as opiniões divergem, coabitam várias versões e interpretações do passado.
Ao fazer uma pequena pesquisa para escrever este post, dei de caras com este site. Quem o escreveu (a menos que eu tenha feito uma interpretação completamente errónea do mesmo) não acredita no holocausto nazi. Se alguém que o leia se deixar convencer pelos seus argumentos, estará a criar um passado diferente daquele em que acreditava.

Resumindo, o passado está constantemente a ser reescrito pois não é uma simples acumulação de factos mas também as sua compreensão e interiorização. Acrescentamos ou anulamos dados, encaramo-los com diferentes olhos,  julgamo-los pelo que somos no presente.
Assim, se somos resultado da nossa experiência de vida, a forma como a encaramos acaba por moldar não só aquilo que somos mas também aquilo que fomos.

"Quando se gosta da vida, gosta-se do passado, porque ele é o presente tal como sobreviveu na memória humana." 
Marguerite Yourcenar

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Abaixo da linha d'água...

COM MÚSICA


Os nossos bem estar, paz de espírito, serenidade, estão dependentes do estado em que se encontram os vários campos das nossas vidas... Grosso modo, a vida afectiva (relações amorosas, familiares, de amizade, etc...), a saúde (nossa e daqueles que são importantes para nós) e as finanças.

Poderíamos fazer a comparação com as linhas de um electrocardiograma. Ás vezes estamos nos píncaros, exultando de felicidade, outras vezes, como vulgarmente costumamos dizer, estamos na merda.
 Á linha horizontal da “média”, gosto de chamar “linha d' água”,   abaixo da qual não nos sentimos decididamente bem.

Normalmente os dias decorrem entre pequenas flutuações, não indo nem muito abaixo, nem muito acima. A frequência de grandes picos, quer num sentido quer noutro, já denotando de uma certa “anormalidade” nas nossas vidas. Se fôr nos dois sentidos podendo inclusivamente ser sintoma de bipolaridade.

Acontece no entanto que passemos por fases, mais ou menos prolongadas, podendo chegar a durar anos, em que o "normal", em determinado campo, é estarmos abaixo da linha d’água.
Dado que o homem não tem guelras, é chato. 
Gera uma sensação de opressão, de angústia, de falta de ar, com as quais é extremamente difícil de conviver.

Quem, em criança, teve um padrasto/madrasta menos simpático sabe bem do que estou a falar, quem já passou por um desgosto de amor, por uma doença prolongada, por uma situação financeira difícil...
Por muito que os outros campos das nossas vidas possam estar saudáveis e equilibrados, basta uma das linhas desregular, para afectar o nosso estado de espírito.
Quando a situação se prolonga, sentimos as forças a esvairem-se, falta-nos energia, todo o nosso ser enfraquece. Sendo nós “vasos comunicantes”,  tudo o resto acaba, mais tarde ou mais cedo, por ser afectado.

Não sendo muitas vezes possível escapar a este estado das coisas, há que enfrenta-las de forma a que não nos arrastem irremediavelmente para o fundo.

A primeira atitude a ter é tão óbvia que quase não precisaria de a mencionar: lutar. 
Lutar, com todas as nossas forças, por todos os meios ao nosso alcance, para tentar remediar a situação.
Mas ás vezes não é suficiente, não resolve, não trata, não cura, ou não há simplesmente nada que possamos efectivamente fazer. 
Há que aprender a lidar com a falta de ar até que passe.

Uma coisa extremamente importante é fazer um real esforço, não só para reconhecer, como para não contaminar o que ainda temos de bom. 
Sim, porque raramente TUDO está mal, certo?!
Citando um conhecido exemplo popular; “casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão...”
Se uma situação nos preocupa, nos atormenta, nos pesa... tratemos de não procurar mais lenha para nos queimarmos. Antes pelo contrário, acarinhemos as que nos são agradáveis, invistamos nelas em vez de as desleixar, atribuamos-lhes o valor que têm em vez de as desprezar.

Adoptar uma atitude de “coitadinhos” é terrivelmente desmoralizante. Enfrentemos a crise, seja ela qual fôr, de cabeça erguida, sem self-pitty. Assumamos que a vida é mesmo assim, como os interruptores, umas vezes para cima e outras vezes para baixo. Lá porque andamos rasteirinhos não quer dizer que não olhemos para o céu.  Ninguém gosta de “loosers”, ninguém os admira, ninguém os respeita. 
Na merda tudo bem, mas com dignidade.

Fraquejar, volta não volta, não é no entanto vergonha nenhuma, não somos super-herois. Chorar, gritar, ajudam ás vezes a aliviar a tensão. Desabafar, serve para pôr os pensamentos em ordem. Ouvir os outros pode trazer novos pontos de vista. Fechar-mo-nos numa concha, quando a vida nos corre mal, é na minha opinião um erro a evitar a todo o custo, a solidão mata.

Um pequeno truque que aprendi, foi a dar grandes golfadas de ar, a encher bem os pulmões, sempre que vimos à tona.
Mesmo nas situações mais complicadas, há sempre, volta não volta, uma luzinha que se acende na escuridão. Momentos em que a dôr, por alguma razão,  alivia o seu jugo, proporcionando algum alívio. É aproveita-los, goza-los, tirar a barriga de misérias, nem que seja por uns minutos, pois são a prova de que melhores tempos são possíveis.

Mas, para além de tudo isto, o que me parece realmente importante, é nunca duvidarmos de que acima das nuvens o céu está azul e o sol brilha e não desistirmos de os voltar a ver. ;)

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Quem semeia ventos, colhe tempestades...

COM MÚSICA




Quem semeia ventos, colhe tempestades.

A vida não sendo propriamente um mar de rosas, temos de contar com uma certa dose de coisas “más” ao longo do caminho, é utópico pensar que lhes podemos escapar.
Por muito cuidadosos que sejamos, algumas caem-nos em cima, vindas sabe-se lá de onde, não adiantando tentar criar uma redoma à nossa volta pois quando são para acontecer, acontecem.
Outras pelo contrário são, de uma forma ou de outra, da nossa responsabilidade, devendo-se algumas àquilo a que poderemos chamar “comportamentos de risco”.

A adolescência costuma ser o período em que somos campeões da modalidade, reinando um certo “je m’en foutisme” rebelde. De qualquer forma, seja lá quando e como for, poucos serão certamente aqueles que se podem gabar de sempre ter agido conscienciosamente e tendo em conta as potenciais consequências nefastas dos seus actos.
Quem não guiou já com um copito a mais ou não mandou uma pinocada desprotegida?!
Na esmagadora maioria das vezes, felizmente, safamos-nos com uma consciência pesada e a sensação de que fomos estupidamente inconscientes.

Há no entanto pessoas que parecem sentir uma atracção irresistível por este tipo de comportamentos, adoptando-os como modo de vida, numa de “o perigo é a minha profissão”.
Uns vivem nitidamente acima das suas possibilidades financeiras, outros envolvem-se com pessoas casadas, alguns praticam actividades perigosas sem tomarem as devidas precauções, outros conduzem numa base regular num estado perto do coma etílico, etc, etc, etc...

Os que os rodeiam bem podem tentar alerta-los, chama-los à razão, abrir-lhes os olhos para os riscos que estão a correr... que geralmente não serve para nada. Acabam inclusivamente ás vezes por, de alguma forma, compactuar com eles, aparando-lhes os golpes ou ajudando a “limpar” a porcaria que fazem.

Este tipo de postura pode perpetuar-se por anos e anos sem que nada demais aconteça, criando a ilusão de que não tem qualquer problema.
Até que um dia a coisa corre mal e alguém se “magoa” à séria...

Se há coisa importante é o factor probabilidade e, como se costuma dizer,  “tanto vai o cântaro à fonte”...
É óbvio que alguém que, num momento de loucura, mande uma cambalhota sem camisinha, terá muito menos hipóteses de engravidar, apanhar Sida ou qualquer outra doença menos simpática, do que aquele que passa a vida em one-night-stands com desconhecidos.

Outro factor de peso é a competência e empenho do anjo da guarda que paira por cima da cabeça de cada um.
Conheci uma pessoa que guiava, numa base regular, em avançado estado de embriaguez. Apesar de ter evidentemente espatifado um que outro carro, nunca aconteceu nada de grave, nunca se magoou, nem magoou ninguém. Isto durou muitos anos, não sei se continuará ainda, e o tal anjinho sempre se mostrou absolutamente incansável. Acredito no entanto que, a certo ponto, até eles se sintam tentados a desistir.

Quem vive na corda bamba parece ter muitas vezes a ilusão de que as coisas são a preto e branco, de que está conscientemente a arriscar o “tudo ou nada”.
Só para dar um exemplo, é recorrente ao falar-se com um motard sobre os perigos de andar de moto, este afirmar que não tem medo de morrer. Acontece que, em caso de acidente, muitos não morrem, não... ficam sem perninhas, sem bracinhos, tetraplégicos ou transformados em couve. Ou seja, a coisa não acaba num ponto final, em que vão desta para melhor,  mas potencialmente em muitos anos de sofrimento, para si e para os outros.

E a propósito dos outros, os comportamentos de risco não implicam geralmente exclusivamente os próprios. Ao tentar o destino, estão muitas vezes também a pôr em cheque os que os rodeiam, quer sejam família, amigos ou até mesmo perfeitos desconhecidos, que podem ser levados por arrasto.
Muitas vezes não pensam nisso, acham que só eles estão em questão e quando se dão conta de que terceiros foram lesados o peso torna-se ainda mais difícil de suportar.

Asneiras, todos fazemos, quem nunca errou que atire a primeira pedra.
A diferença entre o pontual pé na argola e a atitude recorrente é que, tanto para nós próprios como para os outros, a reacção passa do “ganda galo” para o “tava mesmo a pedi-las”... e com isso é muito mais difícil de lidar.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Presunção de culpa

COM MÚSICA



É um clássico, dos filmes de cowboys, a cena do desgraçado prestes a ser enforcado, sem direito a julgamento, por um crime que não cometeu...
Apesar de normalmente não se chegar a esse extremo, no nosso mundo é também infelizmente frequente a presunção de culpa “porque sim” e consequente acusação.

Acusa-se, directa ou indirectamente, o funcionário de preguiçar, a empregada de roubar, a criança de mentir, a cara metade de trair, o amigo de divulgar um segredo...
Para alguns, aparentemente, tudo o que parece é, sem se porem grandes questões.
Pode advir da ideia de que “onde há fumo há fogo”... mas, meus amigos, nem sempre, nem sempre.

Porque é que isto acontece?!
Porque o individuo tem perfil para cometer a infâmia, porque tem antecedentes, porque algo aconteceu que não se consegue explicar e a pessoa em questão aparenta ser o único suspeito, ás vezes simplesmente porque no seu lugar era o que faríamos.

Em qualquer dos casos, acusar sem fundamento, tá mali.
Na melhor das hipóteses gera um sentimento de injustiça, de revolta, pois ninguém gosta que lhe apontem o dedo sem razão.
Mas a coisa pode piorar, saindo o tiro pela culatra, se o outro adoptar uma atitude de “já que tenho a fama, vou ter o proveito”. Ah, pois...

Embora em alguns casos a questão não se ponha, noutros a pessoa em questão poderá na realidade ter efectivamente lutado contra a tentação de fazer exactamente aquilo de que acaba por ser acusada.
O auto-controle, resistir a certos impulsos,  conseguir que a razão leve a melhor, não fazer aquilo que queremos mas o que achamos que devemos, nem sempre é tarefa fácil. Ser recompensado com calúnia não é propriamente motivante.

Por outro lado, se se vier a provar que a coisa não aconteceu, que o “criminoso” não cometeu o acto, o delator faz uma verdadeira figura de urso.
Mas não só, será ele próprio encarado como estando de má fé, ou pior.
Assim, antes de abrir a bocarra e começar a gritar mata/esfola, convém ter a certeza de que as pedras que atiramos não irão fazer ricochete. ;)

terça-feira, 26 de julho de 2011

Palavras, leva-as o vento

COM MÚSICA




“Words are, in my not so humble opinion, our most inexhaustible source of magic, capable of both inflicting injury and remedying it.” -  Albus Dumbledore

Fonte de magia, sem duvida...
Através delas conseguimos agredir, magoar, ofender, humilhar, ridicularizar, enganar, enraivecer... mas também apaziguar, confortar, enaltecer, acalmar, louvar, gabar, seduzir. Permitem-nos proporcionar bem estar ou causar dano, gerar empatia ou aversão, abrir e fechar portas.

É também através delas que nos damos a conhecer aos outros, ao partilharmos as nossas ideias, os nossos pontos de vista, os nossos princípios, como se de um cartão de visita se tratassem. Aquilo que afirmamos, os ideais que defendemos, a forma como o exprimimos, acaba de certa forma, numa primeira abordagem, por nos definir aos seus olhos.

Ás vezes encontramos as palavras certas, outras vezes baralhamo-nos, falamos com clareza ou metemos os pés pelas mãos. Nem sempre o que nos sai da boca é o que queríamos efectivamente transmitir. Acontece também que falemos sem pensar, sem medir as consequências do que mandamos cá para fora, todos dizendo coisas de que nos arrependemos mais tarde.

No entanto, no fundo, “palavras leva-as o vento”... boas ou más, não é por elas que somos julgados, que seremos recordados, mas pelas nossas acções. O que fazemos, muito mais do que o que dizemos, faz de nós aquilo que somos. Podemos apregoar o que quisermos, que o que conta, at the end of the day, é a forma como agimos.

Amor,  amizade,  rectidão,  honestidade,  competência,  integridade, etc, são cadeiras praticas. Não basta conhecer a teoria, não basta expô-la, dissertar sobre ela, discuti-la. É na prática que a iremos demonstrar. O que pesa realmente no curriculum é o que fazemos ou deixamos de fazer. De boas intenções está o inferno cheio, de boas ideias também, é no arregaçar das mangas que está o mérito.

As declarações de intenções, as promessas, as garantias, valem o que valem... até ver. No momento da verdade é que se descobre quem é e quem parecia ser, quem está  e quem não está, quem se chegou à frente e quem ficou a assistir de camarote a mandar bitates.
Para dizer coisas, basta ter língua e cordas vocais, papel e caneta, monitor e teclado... fala-se bem, fala-se mal, fala-se certo ou errado, alto ou baixo... mas tudo o que dizemos empalidece à sombra do que fazemos lá fora, no campo de batalha da vida.

Com o passar do tempo, a memoria emocional torna-se mais fiável do que a racional.
Quantas vezes, por exemplo, já não sabemos ao certo porque nos chateámos com alguém, nos esquecemos dos detalhes do que se passou, mas mantemos uma sensação de desconforto em relação ao indivíduo em questão?!
Da mesma forma, o que conta aos olhos dos outros não é tanto no que os fizemos pensar mas como os fizemos sentir, o efeito, grande ou pequeno, bom ou mau, que causámos nas suas vidas.

É por esta razão que a difamação não resulta com quem conhece realmente outra pessoa, o seu ser para além do parecer. Porque por muito que se diga, por muito que se tente denegrir, o que se sente, o que se observa, o que se prova, no dia a dia, não deixa margem para dúvidas. As teorias provam-se pelo exemplo, não pela conversa, o poder da palavra acaba então por ser muito relativo.


"Remember, people will judge you by your actions, not your intentions. You may have a heart of gold, but so does a hard-boiled egg." 
Author Unknown






sexta-feira, 22 de julho de 2011

Faz aos outros...

COM MÚSICA



“Não faças aos outros o que não gostavas que te fizessem a ti”.
Máxima tantas vezes apregoada mas tão pouco posta em prática...
Parece que, quando lhes toca a elas, as pessoas acham sempre que “é diferente”, que é legítimo fazer aquilo que as faria a si próprias saltar dos carretos.

No Natal, época em que evito frequentar centros comerciais pois sou alérgica a multidões, tive mesmo de me sujeitar a lá ir, à “hora de ponta”, já nem me lembro porquê.
Andei mais de meia hora ás voltas, a deitar fumo pelas orelhas, à procura de lugar para o carro, quando finalmente, num corredor, vi que estavam não um mas dois prestes a sair.

À minha frente estava outro carro já com o pisca para o lugar que se ia libertar à direita. Pus o pisca para “reservar” o da esquerda e esperei.
Quando o da direita saiu, apareceu um carro desenbestado lá de trás, que num ranger de pneus, nos ultrapassou, se atravessou à frente do outro e lhe “roubou” o lugar.
A senhora não esteve com meias medidas, guinou para a esquerda e ficou com aquele de que eu estava à espera.

Pensei que não me tivesse visto. Qual não foi o meu espanto quando, depois de estacionar, me veio pedir desculpa pelo facto.
Confesso que teria ficado menos admirada se tivesse seguido directa para o Shopping.
O facto de se dar ao trabalho de se justificar, afirmando que só me tinha feito aquilo porque também lho tinham feito a ela é que me baralhou. Um reconhecimento de “culpa” sem qualquer sentimento da mesma...
Estava nitidamente furiosa com o outro tipo, mas não hesitou um segundo para seguir o seu exemplo.

Este tipo de postura é o pão nosso de cada dia e, na minha opinião, tá mali.
Não devemos ter bitolas diferentes para nós e para os outros.
Se conseguíssemos pelo menos não fazer aos outros o que não gostamos que nos façam a nós, o mundo já seria um sítio muito melhor, mais justo, mais equilibrado...

Mas eu vou um bocadinho mais longe, sugerindo que façamos aos outros o que gostaríamos que nos fizessem a nós. ;)
A primeira  é uma atitude passiva, a segunda requer sem dúvida algum esforço, na minha opinião grandemente recompensado.

Pensem na vossa infância, no que foi e no que gostariam que tivesse sido e proporcionem-no aos vossos filhos. Pensem nas vezes em que penaram por não vos “fazerem” alguma coisa e façam-na vocês a quem estiver na mesma situação. Pensem no que vos dá prazer, vos alivia, vos faz sentir mimados e distribuam-no à vossa volta.
Não esperem que vos peçam, adiantem-se, cheguem-se à frente. Criem uma rede de atenção e carinho, na qual se sentirão seguramente muito melhor do que se só olharem para o vosso próprio umbigo.
Dar,  seja o que fôr, tempo, atenção, apoio, ajuda, é extremamente gratificante. Estar atento aos outros e fazer o que estiver ao nosso alcance para os fazer sentir bem, por muito pequeno que seja o gesto, faz-nos sentir pessoas melhores. ;)






segunda-feira, 11 de julho de 2011

O movimento 1 Euro

COM MÚSICA



Há já bastante tempo, não sei precisar quanto mas bastante mesmo, reencaminharam-me um mail que me impressionou bastante por  duas razões.
Primeiro tocou-me o sentimento com que foi escrito. A paixão, a força, a clareza de ideias, a sinceridade, que dele emanavam.  Depois apercebi-me da genialidade e simplicidade da ideia.

Inscrevi-me  imediatamente na mailing list, para ir recebendo notícias do projecto.
Confesso no entanto, extremamente envergonhada, que não tinha grande fé de que fosse para a frente. Envergonhada, pelo simples facto de, ao não acreditar, ao não dar grande crédito, ter ido um bocado contra tudo aquilo em que acredito e passo a vida a apregoar aqui neste blog...

Eis senão quando, recebo um mail a avisar que o projecto está de pé e a funcionar.

Venho então agora tentar redimir-me, explicando-vos porque acredito, do fundo do coração, que vale a pena apostar neste projecto, aderir, divulgar, ajuda-lo a crescer mais e mais, para o infinito e mais além. ;)

Este nasceu na cabeça de um homem de 23 anos, que decidiu arregaçar as mangas e tentar efectivamente mudar o mundo.
Tenho muita pena de não poder transcrever aqui a sua mensagem inicial. Desde então troquei de computador e, como é habito nas mudanças, deitei muita coisa fora. Os primeiros mails foram-se assim, num qualquer “caixote”, onde os tinha arquivado

Ao lê-la, dei-me imediatamente conta da tarefa titânica que tinha pela frente. Razão pela qual não acreditei muito, shame on me, que uma pessoa tão nova tivesse perseverança e coragem para levar o barco a bom porto.
Não consigo sequer imaginar as portas com que levou na cara, os pesadelos burocráticos com que se deparou, a dificuldade em extruturar e pôr em prática o que não passava na altura de uma boa ideia.
E no entanto, cá está o “Movimento 1 euro”, a chamar por nós, vivinho da silva.
Só por isso, como forma de tirarmos o chapéu ao Bernardo pelas dificuldades que conseguiu ultrapassar, como recompensa pelo seu enorme esforço e trabalho, pela sua visão, já valia a pena aderirmos.

Muitos, se lhe juntaram, suponho que ao longo do caminho.
Se são leitores deste blog,  suponho (e espero) que seja por estarem em sintonia com as ideias que aqui transmito.
Ora se se derem ao trabalho de ir ler os perfis dos colaboradores da AIDHUM (confesso que não acho o nome dos mais felizes...lol) verão que todos eles transmitem, de uma forma ou de outra, (alguns mais directamente, usando inclusivamente as mesmas palavras, as mesmas citações), o mesmo que eu ando praqui a dizer há mais de duzentos posts.
Os valores do movimento: “Honestidade, Transparência, Altruísmo e Respeito por todos e cada um...”  ;)

O movimento transmite a ideia de que não é necessário um grande esforço, para fazer uma grande diferença, basta sermos muitos.
Felizmente, apesar das dificuldades do mundo actual, há muito pouca gente a quem um euro a menos por mês faça grande diferença. Mas esse euro a mais... a multiplicar por uns milhares, uns milhões, de pessoas... fazem toda a diferença para muita gente.

O “Movimento 1 euro”, simplificando a explicação, funciona da seguinte maneira:
- Quem quizer aderir inscreve-se no site e faz logo o pagamento de um ano (12€) dado que, acrescida dos custos, uma transferência bancária de 1€ seria ridícula.
- Consoante o número de associados no momento, a AIDHUM anuncia a soma disponível para a causa do mês
- As associações enviam candidaturas com causas
- Estas são colocadas online para votação
- Quando acaba a votação é anunciada a causa vencedora
- No site são apresentados os registos do apoio dado

A sua página do Facebook tem neste momento 1.201 Likes. No entanto, num post de hoje, o movimento anuncia com entusiasmo que já atingiu os 771 Associados.
Nada vos parece estranho nestes números?!
Do que estão à espera os 430 que perfazem a diferença?!
Ah, pois... é que dá muito menos trabalho clicar no botãozinho do Like do que ir ao homebanking fazer um pagamentozito de serviços, não é?!
Não vos parece que não chega?!
Que tal passar à acção?! 

Áqueles para quem toda esta conversa faz sentido, lanço então aqui um desafio...
Sejam egoístas, dêem.
Não há maior prazer do que o de dar, sem esperar nada em troca.
Divirtam-se a divulgar esta ideia, ajudar não tem de ser uma seca...
Sejam creativos, empenhem-se.
Transmitam-na, espalhem-na, expliquem-na, aos vossos amigos, aos vossos filhos, aos vossos pais.
Potenciem a rede de ajuda.
Parece que uma resposta de 6/7% numa campanha de marketing já é considerado muito bom. Pensem então que, para conseguirem que uma pessoa adira efectivamente, têm de chegar pelo menos a cerca de 15...

Aqui ficam algumas ideias para o fazerem, sem perderem mais do que alguns minutos das vossas vidas:
- Adiram à página do movimento no Facebook ( https://www.facebook.com/movimento1euro )
- Façam Share da página/site deles e sugiram aos vossos amigos que adiram
- Enviem o link do site ( http://www.aidhum.com ), com uma pequena explicação do que se trata (podem fazer copy/paste da apresentação que está no site)  por mail
- Se têm um blog escrevam sobre o assunto ou pelo menos ponham um apontamentozito / link algures
- Quando vier a calhar em conversa, falem sobre o movimento ás pessoas
- Enfim... a vossa imaginação é o limite.
- Mas sobretudo, não se esqueçam de se inscreverem vocês ;)

Depois, se acharem graça, vão cuscando a página do facebook e vendo os números a aumentar rapidamente.
Se 6% dos que lerem isto fizerem uma qualquer campanhasinha, por mais humilde que seja, aposto que é o que vai acontecer. É como a fofoca, dispara vertiginosamente... lol
Os meninos do nosso sitezinho,  bem sabem que assim é... já tiveram esse gozo... esse gostinho a vitória...
Ganhámos um telhado para a Nina, aquecemos o Natal da Miss das Castanhas, conseguimos uma cozinha do Ikea para a Paula, aconchegámos a família da Alexandra.
Se formos muitos, conseguimos fazer quase tudo, com quase nada!

Mãos à obra!!! ;)