terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Trocas e baldrocas…

COM MÚSICA



Parece reinar a ideia de que sem o vil metal nada se faz neste mundo…
Tenho no entanto vindo a descobrir, com muito agrado devo dizer, que não é bem assim.
A noção de comércio começou com trocas.
Pois bem, ás trocas podemos (e estamos a) voltar, fazendo um belo de um manguito à maldita da crise… Tomaaa!!!  ;)

De há uns anos para cá que tenho vindo a organizar, com uma certa regularidade, “Cházinhos das Trocas”.
Começaram com o site do Liceu Francês e a coisa foi-se alargando ao povo em geral.
Hoje em dia são já eventos extremamente concorridos, aos quais comparece todo o tipo de gente.
Para além de se “trocar”, ainda se bebem os tais chazinhos e se comem uns bolos, enquanto se vai convivendo alegremente.

Começámos com trocas de roupa, toda a gente tem em casa roupa em bom estado que não usa.
Acreditem ou não, há quem tenha nos armários roupa que nunca chega a vestir… ou porque não a provou e, descobrindo posteriormente que não servia, teve preguiça de ir trocar… ou porque chegou á conclusão de que afinal não gostava… ou porque lhe ofereceram mas não é do seu agrado...
Da mesma forma e por variadíssimas razões, há quem guarde roupa usada mas em perfeito estado, para a qual olha ano após ano, sem nunca saltar lá para dentro.
A coisa foi-se alargando e hoje em dia já inclui calçado, malas, acessórios, bijutaria, maquilhagem, cremes, perfumes, roupa de casa, objectos de decoração, brinquedos, livros, etc…
Têm tido um sucesso tal que já estamos a começar a especializar e o próximo vai ser só de livros.

Os nossos “chazinhos” funcionam nos seguintes moldes:
Alguém fornece a casa e o chá e organiza a coisa (ou “manda” a escrava de serviço tratar do assunto… lol). Os outros levam os bolinhos. Para além disso, cada um leva aquilo de que se quer desfazer.
Todos vasculham (tipo feira de Carcavelos), experimentam, comentam, botam no saco. 
Alguns levam mas não trazem nada de volta, outros levam pouco e voltam com muito, não interessa.
Em qualquer dos casos sobram sempre montanhas de coisas, que são no fim empacotadas e entregues a uma qualquer causa de solidariedade.
É tudo bom!!!
Calor humano, compras à borla, ajuda a quem precisa, reciclagem… ;)

Mas a coisa não se ficou por aí, uma vez descoberto este maravilhoso conceito, comecei também a trocar serviços…
Há sempre coisas que gostávamos/precisávamos de ter/fazer, sem que tenhamos meios de as pagar…
Porque não trocar a criação de um site por uma consulta de astrologia, aulas por massagens, babysitting por explicações, costura por cozinhados, etc, etc, etc…?
Porque não utilizar aquela riqueza, muito maior do que qualquer euromilhões, que é o nosso precioso tempo?!
Não é imperativa a troca de moeda… troca-se simplesmente uma coisa que podemos fornecer por outra que queremos.
Elementar, meu caro Watson… ;)
Não tendo eu, evidentemente, inventado a pólvora, o Facebook e restante Internet também já se aperceberam deste ovo de Colombo, pululando páginas e sites com base no mesmo princípio.

Se tiverem uma casa de férias, uma casa devoluta que estejam a tentar vender, a vossa própria casa, se tiverem estômago para isso… podem trocar.
Uns amigos meus fizeram isso recentemente, trocaram um apartamento que têm em regime de arrendamento temporário, com outro em Veneza.
Eles fizeram a troca directamente mas, boas notícias, já há sites que tratam exactamente disso. Pessoalmente conheço este, mas deve haver muitos mais…

Minha gente, o céu é o limite, tudo se pode trocar…
Se pensam que, lá porque o mundo está a atravessar uma fase difícil, têm de a passar a pão e água, pensem outra vez!
As trocas são a saída obvia, uma postura contra a merda da sociedade de consumo (pardon my french…), uma reciclagem de bens, uma ajuda a quem precisa e, se bem organizadas, uma ocasião de encontrar pessoas que nos são agradáveis. ;)












terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Vaquinhas... Muuu

COM MÚSICA




Sou daquelas pessoas (quase) completamente rendidas ás “Maçãzinhas roídas”, como lhes chamava o meu pai. Se há coisas que me dão genuinamente gozo são os is… o iPod, o iPhone, o iPad…
Claro que poderia comprar qualquer um destes gadgets, absolutamente indispensáveis à vida de qualquer ser humano, se abdicasse de alguma coisa menos importante, como por exemplo pagar o empréstimo da casa.

Felizmente, tanto no meu grupo de amigos, como na minha família, somos fervorosos adeptos das Vaquinhas.
Cá em casa reunimos em conselho familiar e os três decidimos que a próxima seria para o tão desejado brinquedo, demorasse o tempo que demorasse.  Assim, esta começou no Natal. Tendo-se decidido em quase todas as “frentes natalícias” que "prendas só para as crianças", o Pedro foi o que “doou” mais para a causa. Depois, nos meus anos, a contribuição foi de tal forma entusiasta e tanta gente aderiu (Brigadaaaa... mais uma vez, a todos!!!), que já temos suficiente para o comprar. Mas estávamos dispostos a esperar calmamente até ao Natal que vem, se fosse preciso.

A nossa televisão foi “adquirida” nos mesmos moldes… e o nosso conjunto de pratos, lindo, lindo, do Ikea. E mais coisas de que não me recordo agora assim de repente.
Não me incomoda nada sugerir uma vaquinha para alguma coisa que não posso comprar mas gostaria muito de ter.
Neste mundo dos habitués das vaquinhas, já foram oferecidos berços, iPods, câmaras fotográficas, um serviço de talheres, etc…

Há sempre pessoas que insistem em oferecer alguma coisa nas ocasiões festivas. Várias pessoas… ás vezes muitas pessoas. Muitas pessoas que vão oferecer muitas coisas. Ás vezes coisas giras, ás vezes coisas úteis, ás vezes coisas que nos perguntamos o que lhes terá passado pela cabeça… lol
Mas muito raramente, até porque cada um por si seria difícil, aquilo que nós realmente queremos.

As vaquinhas são, para além disso, uma coisa bonita porque mostram como a “união faz a força”. Porque são a prova demonstrada de que organização aliada à generosidade faz milagres. 
Assim, aconselho-as vivamente.

Se é uma ocasião em que saibam de antemão que determinadas pessoas lhes irão dar prendas, se lhes perguntarem o que gostariam de receber, não se acanhem, não tenham vergonha de pedir…
Esta vida anda tão dura que sabe bem satisfazer um capricho de vez em quando, para variar das despesas que não temos outra hipótese senão fazer para sobreviver.
Se  for uma vaquinha “familiar”, melhor ainda. Pessoalmente acho uma excelente experiência uma criança abdicar de um punhado de prendas, para participar na compra de alguma coisa que nem sequer é exclusivamente para si. Desenvolve o espírito de grupo, a partilha e sobretudo permite-lhes compreender que as coisas não caem do céu.

E se estiverem do outro lado, não tenham pruridos em organizar.
Pensem no que o outro precisa ou poderia gostar de ter e, se não saltar imediatamente alguma coisa específica á vista, ofereçam vales. Gosta de livros, de filmes, de tecnologia? Ofereçam-lhe um vale Fnac. Adora trapos? Um vale de uma loja de roupa. Precisa de coisas para a casa? Um vale Ikea. É uma criança? Um vale do Toys R Us. Hoje em dia quase todas as lojas têm vales. Imaginem o babanço… uma “carteira” com dinheiro que não é deles, para gastar irresponsavelmente no que lhes apetecer. :)))
Ás vezes temos a sorte de descobrir “a prenda perfeita” para alguém, pessoalmente poucas coisas me dão mais prazer, infelizmente nem sempre é o caso. Pergunte-se então quem conhece melhor os desejos do outro, ele ou você?!  Pergunte-se se aquilo que lhe estava eventualmente a pensar dar lhe poderá efectivamente dar mais prazer do que algo que pudesse escolher sozinho.
Junte-se a outros para oferecer uma “prenda de peso”, em vez de “qualquer coisinha”. Imagine a satisfação de  pensar, “eu dei-lhe aquela prendaça”. Não deu sozinho, é certo, mas sabe igual, participou, é o que interessa.

E ainda relativamente ao dar, só mais uma dicazinha… Há muito o hábito, quando se entra nesta coisa das vaquinhas, de se dividir “o bolo” em partes iguais. O que interessa isso?! Quem recebe não irá saber com quanto cada um contribuiu e para alguns 5€ podem pesar tanto ao fim do mês como para outros 50€. Mas grão a grão enche a galinha o papo e várias pequenas contribuições contam tanto como uma grande. E em absoluto, o que conta é a intenção, certo?!

E já agora, aproveitando a deixa, pensem no que esta união pode fazer por causas verdadeiramente importantes e contribuam para uma que outra de vez em quando… ;)












segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Cinco anos a mexer a sopa…

COM MÚSICA



Cinco anos, 60 meses, 260 semanas, 233 posts, cerca de 450 páginas… insiste, insiste, flecte, flecte… chiçaaa! lol

Penso frequentemente em desistir…
Por vezes devido a ataques de insegurança, perguntando-me quem sou eu para andar a cagar sentenças no ciberespaço. Outras por falta de inspiração, não sendo fácil escrever todas as semanas, arranjar tema, expor ideias de forma coerente, ordenada e minimamente agradável de ler. Acontece-me também, de vez em quando, interrogar-me se valerá a pena tanto esforço, para tão poucochinhos leitores, shame on me. As piores alturas (nessas chegando mesmo a interromper a “publicação”) são aquelas em que me sinto mesmo down, tornando-se difícil transmitir energia positiva. Felizmente, como se pode confirmar pelas “faltas”, que incluem também períodos de férias, não são muitas.
Tentei então hoje analisar porque ainda não o fiz, porque continuo praqui, feita parva, a “dizer coisas” há tanto tempo…

Quando uma vez perguntei ao meu filho se era feliz, respondeu-me imediatamente que sim, sem qualquer dúvida ou hesitação… Pergunto-me o que teria eu respondido com a mesma idade (ou até muitos anos mais tarde) e suspeito que me tivesse simplesmente engasgado, sem saber o que dizer.
Não é que fosse propriamente infeliz, mas a realidade é que não faz muito tempo desde que me dei conta de que era exactamente o contrário disso. Embora não consiga identificar o momento exacto em que fui “iluminada” por esta descoberta, terá provavelmente sido pouco antes de começar a escrever neste blog. Um dia deu-se um Clic  e fez-se luz. ;)

Ser feliz não quer dizer que seja perfeita (nobody is perfect, but who wants to be nobody?!) ou que leve uma vida perfeita. Quer simplesmente dizer que lido bem com as imperfeições, tentando identifica-las e procurando sempre melhorar.
Quer dizer me sinto bem comigo própria, com os outros e com a vida. O que não significa que me sinta sempre bem, que esteja sempre bem disposta e alegre, saltando levemente de nenúfar em nenúfar ou que não meta a pata na poça de vez em quando, como toda a gente.

Esta vida não está fácil para ninguém, em mais do que um sentido e o mundo anda meio virado do avesso.
Não podemos no entanto, infelizmente, pará-lo para sair. Não há pausas, não há coito (no sentido das brincadeiras de criança, não sejam assim…), não temos outro remédio senão ir vivendo, mal ou bem.
Pessoalmente prefiro bem. ;)

É por isso que aqui escrevo… porque tenho vindo a descobrir um que outro “truque” que me tem ajudado a fazê-lo, porque tenho chegado a umas quantas conclusões que me permitem manobrar melhor o barco.
Não consigo então deixar de partilhar pois, se alguma das palavras que escrevo puder provocar um só clic que seja, se puder ajudar uma única pessoa,  já tudo terá valido a pena.















quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Optimismo para 2012

COM MÚSICA




Que me perdoem os que andaram a desejar “um bom ano de 2013, já que o de 2012 vai ser para esquecer...” , “umas boas entradas, apesar do ano miserável que está para vir...” ou qualquer outra mensagem deprimente e derrotista. 
Eu, estou optimista!


Sim, estou consciente de que não se avizinham tempos fáceis, não senhores. A economia em recessão, a adopção de medidas de austeridade, os preços a subir, o poder de compra a baixar, o trabalho a escassear, etc.
Alguns irão sem dúvida enfrentar situações absolutamente dramáticas... Não me parece no entanto que seja o caso para a esmagadora maioria dos que andam por aí a propagar o seu pessimismo.
Dificuldades, sim, sem dúvida, o fim do mundo... não me cheira.


Pergunto-me se acharão mesmo que a sua felicidade está totalmente dependente de factores económicos. Se não darão efectivamente grande importância a tudo o resto, a tudo aquilo que, na minha opinião, realmente conta. 
Pergunto-me como é que alguns podem enfrentar o futuro com tanta negridão na alma.


Pessoalmente, recuso-me a deixar que uma crise mundial me deite abaixo.
Vamos ter de apertar ainda mais o cinto?! Ainda bem, quer dizer que temos um cinto para poder apertar, que não nos vão cair as calças, que não vamos ficar de rabiosque ao léu. 
Tomara todos pudéssemos dizer o mesmo, demos graças por isso.


Como é que podemos fazer alguma coisa de jeito, adoptando uma postura derrotista?!
Se é difícil, vamos simplesmente ter de nos esforçar mais. Mas cruzar os braços, encolher-se num canto a carpir,  declarar-se vencido à partida?
Não me parece...
Recuso-me a olhar para o futuro imaginando-o logo à partida pior do que o presente.



Os que me rodeiam estão bem de saúde, felizmente. A crise não alterou o amor do meu filho ou do respectivo pai, dos amigos ou da família. As necessidades básicas continuam a poder ser atendidas. Tenho idade, força e vontade de ir à luta e fazer frente ás adversidades.


Para 2012, tenho uma mão cheia de projectos adaptados aos tempos que correm.
Conto finalmente começar a fazer voluntariado, uma coisa que todos dizem ser extremamente gratificante e para além disso me parece muito adequada aos tempos que correm.


Passei quase toda a minha vida “profissional” a fazer trabalhos que não me davam qualquer tipo de satisfação pessoal. No ano que passou, plantei a semente de uma nova aventura, investi horas e horas no estudo, trabalhei muitas mais, à borla, para poder dar provas daquilo de que sou capaz. 
Confesso-me bastante satisfeita com o resultado. (já agora um bocadinho de publicidade...lol) 
Agora, espero colher os frutos, quem diz que não há germinação em tempos de crise?!



Tive uma ideia giríssima (presunção e água benta) para uma App para telemóveis, que tenho intenções de pôr em prática. Quem sabe se, daqui a uns mesitos, não vão saca-la á AppStore?! ;)


Tenho um projecto megalómano em mente, que só está à espera de amadurecer, de aparecerem as pessoas certas para o partilhar comigo. Está em standby, sim, mas não esquecido. A qualquer momento pode rebentar.


O meu cérebro não pára, a tentar arranjar ideias e soluções para garantir tanto as necessidades práticas como a realização pessoal.


Para além de tudo isto, mantenho-me atenta, de olho aberto, pronta a saltar sobre qualquer oportunidade que possa surgir para compor o ramalhete. Estou preparada para dar o litro, para arregaçar as mangas, para fazer o que fôr preciso pela vida.


Vai ser preciso força, coragem e determinação?! Pois, os carreiros nem sempre vão a direito, ás vezes sobem e têm calhaus pelo meio, c’est la vie...


Não vou é com certeza pôr-me a caminho antecipadamente vencida, derrotada, sem ânimo. 
Venha aí o que vier, tenho intenções de enfrenta-lo com humor e boa disposição.









terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Prova dos Nove...

COM MÚSICA


Ao longo das nossas vidas vão-se sucedendo experiências, locais, sentimentos, pessoas.
Há situações, sítios, gentes, que se vão mantendo constantes ao longo do percurso, outras que se perdem durante o caminho.
Há sítos onde não voltamos, actos que não continuamos a praticar, pessoas que perdemos em vida ou em morte, que fazem parte integrante da nossa história.
Volta não volta, o passado visita-nos, trazendo consigo lembranças de coisas que já não pertecem ao presente.

Essas visitas raramente são vazias de emoções...
Provocam em nós sentimentos negativos como a revolta, o medo, o desprezo, o ressentimento, a repugnância... ou sensações agradáveis como a saudade, o revivermos mentalmente, com prazer, determinadas situações, o desejo, por um breve instante, que tudo voltasse a ser como dantes.

Há quem goste de pôr, emocionalmente, pedras sobre os assuntos. Quem não queira colocar-se na posição de se permitir sentir outra vez. Quem se auto-censure ao ponto de não se deixar embalar quando a lembrança bate à porta.
Porquê? Porque em qualquer dos casos vai doer...
Vai doer porque é mau, porque é negativo, porque trás à tona sensações que não temos a mínima vontade de revisitar.
Vai doer porque foi bom, porque fez parte de uma época feliz que já não vivemos. Podemos viver outra, outra diferente, igualmente ou até mais feliz, mas aquela também o foi e acabou.

As pessoas são tendêncialmente muito sissys, têm um medo terrível da dor. Olhem para os Budistas, se bem percebi algum dos princípios da coisa, um dos fundamentais é acabar de vez com o sofrimento, seja lá ele qual fôr.
Pois que, na minha opinião, tá mali... tá mali porque acabam por perder uma das grandes oportunidades que a vida nos dá de aprender.
Meus amigos, a dôr está lá por alguma razão, para nos alertar para alguma coisa, para nos abrir os olhinhos, para nos levar a reflectir sobre o assunto.

A dôr é um sintoma, cabe-nos identificar o tipo de dôr e o que a estará a provocar. No caso das coisas negativas é bastante evidente, no outro é que a porca torce o rabo.
Não é fácil de engolir um “era bom mas acabou-se”... a nostalgia tem um sabor amargo doce.
O relembrar outros tempos, coisas que de alguma forma pertencem hoje ao passado sem que haja esperança de futuro, provoca tristeza.
A tristeza é outro sentimento de que também não somos grandes apreciadores...

É, no entanto, o deixarmo-nos embarcar nessa aventura que nos irá ajudar a definir a nossa vida deixando que ela própria nos ensine.
O nosso cérebro é um orgão essencial mas, na minha opinião, não funciona lá muito bem se dissociado do coração. É ele que o irriga, sei lá...
Assim, se deixarmos fluir os sentimentos, se formos insconscientemente criando gavetas nas quais vamos separando o trigo do joio, se deixarmos que o nosso coração nos alumie o caminho, a nossa mente terá dados suficientes para tirar a prova dos nove.
É com a análise do passado, não só do passado intelectual, factual, racional mas também do passado emocional que iremos aos poucos construindo o nosso eu, essa obra inevitávelmente sempre inacabada.
É através do discernimento das experiências que nos deram prazer ou pelo contrário nos provocaram sofrimento, na altura não agora, que iremos procurar ou pelo contrário fugir a sete pés de certo tipo de situações.
Se permitirmos que o nosso eu presente censure a nossa memória emocional, não conseguiremos deixar de cometer os mesmos erros, vezes sem conta...

Mas isto sou eu a divagar... lol... se calhar não tenho razão nenhuma. ;)









quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Mea culpa

COM MÚSICA


Só porque os outros nos aceitam (ou talvez devesse dizer “aturam”) tal como somos, não quer dizer que nós próprios o devamos fazer.
Em nome do amor, da amizade, dos laços de sangue, os que gostam de nós vão tolerando coisas que não deveriam ter de suportar,
Acontece que o caracter das pessoas é como o vinho, se fôr bom transforma-se numa pomada, senão... azeda tornando-se intragável.

Ninguém nos conseguirá impedir de azedar, é um trabalho que temos de fazer sozinhos, praticando a observação, a auto-análise e mudando o que podemos mudar.
Precisamos de perceber o que nos desagrada nos outros e descobrir se não o teremos também em nós. Identificar as nossas marrecas , assumi-las e tentar dar-lhes a volta.
Assumir as eventuais consequências nefastas das nossas acções e pedir desculpa pelas mesmas, se fôr caso disso. A desculpa mais do que um "beijinho no doidoi” é o reconhecimento da nossa responsabilidade.
Ser pacientes e tolerantes, se errarmos, fazermos por errar menos da vez seguinte. Não desistirmos só por não conseguirmos mudar de um dia para o outro.

Era bom que fosse tão fácil transformar o nosso feitio como o nosso aspecto físico. Que houvesse roupas, acessórios, maquilhagens e operações que nos transformassem em pessoas diferentes.
Estou a pensar pintar o espírito de côr de rosa. Vou comprar um sobretudo para me proteger da violência verbal. Bom dia dona Lúcia, hoje venho só aparar a intolerância, por favor. Dr, queria reduzir aqui um bocadinho o mau génio e fazer um implante na generosidade.
Infelizmente não é assim...

O nosso feitio precisa mesmo é de spirit-building. Requer trabalho regular, constante, penoso e, se pararmos, volta tudo para trás.
O pior é que, aparentemente, tal como o nosso corpo, também ele tende a perder a flexibilidade e a elasticidade. Conforme a idade vai avançando, as pessoas parecem recorrer cada vez menos à  auto-censura, à modelação do seu eu, usando a desculpa do “burro velho” para não se darem ao trabalho de mudar.

As ervas daninhas crescem no entanto em qualquer jardim, não param nunca de o fazer e, se não tivermos cuidado, invadem-no. E a realidade é que, por muitas árvores de fruto, flores de cheiro e plantas exóticas que lá tenhamos, ninguém gosta de se sentar na relva no meio das urtigas... mas cada um é o seu próprio jardineiro. ;)

Um bom ano, de cabeça erguida e pensamento positivo para todos!!!









quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Les petits mouchoirs

COM MÚSICA



Depois de semanas a fio de tentativas frustradas, consegui finalmente ontem ver os tais “lencinhos” de que toda a gente falava.
Muitos o compararam com “Os amigos de Alex” o que, sendo um dos meus filmes preferidos, me deixou logo de pé atrás. Quando se referem aos meus “monstros sagrados” temo sempre a decepção, achando que será dificil chegar-lhes aos calcanhares.
Senti-me um verdadeiro Velho do Restelo. Adorei o filme que não fica, na minha opinião, nem um passo atrás do outro.

Estava sem tema/inspiração para o post desta semana, como se poderá verificar pela ausência de verborreia  de ontem, já estou inspirada, vamos a isso. ;)

Vou tentar não estragar o filme aos que ainda não o tenham visto, aconselhando vivamente a que o façam.
Este, basicamente, retrata um grupo de amigos em férias... (versão Reader’s Digest)

Não encontrei grandes analogias entre os personagens e o meu próprio grupo de amigos, a não ser... Oh my God!!!... a não ser relativamente a um deles que... sou eu. Ouch!
Na realidade já não é bem assim, dado que me “ando a tratar” (lol) e, apesar dos “#$%### não gostarem de o reconhecer (achando certamente que tenho uma reputação a manter), já estou muito melhor, felizmente. A work in progress... ;)
Parecia que me estava a ver ao espelho, revivendo mentalmente umas que outras férias. A mania de organizar tudo e todos, as picuinhices, a preocupação com merdas sem qualquer importância,  o mau feitio, as explosões de mau génio. A quantidade de vezes que cuspi palavras sem qualquer auto-sensura, que gerei ambientes de cortar à faca, que tive atitudes completamente idiotas... bref, que fui absolutamente intragável. Céus!!!
Decidi-me a tentar mudar por ter tido consciência de como tudo isso era nefasto, confesso no entanto que vê-lo ali escarrapachado no ecrã foi para mim um choque, quanto mais não fosse pelo ridículo das situações.
Quero portanto começar por pedir enormes desculpas aos meus amigos por aquilo que fui, que ainda me sai vez em quando e que ninguém tem obrigação de aturar, vocês são os meus herois!

O que nos leva á consideração seguinte...
Embora pareça que acabei de descrever um verdadeiro monstro, por muito estranho que possa parecer, nem no filme nem na minha história da vida real, o personagem é encarado como tal. Porquê?!
Porque a vida não é a preto e branco e as relações de amizade não são côr de rosa.
Ser amigo não é só fazer umas farras de vez em quando, não são umas idas ao cinema, umas jogatanas, umas jantaradas, uns copos... ser amigo é partilhar bons e maus momentos, aceitar defeitos e qualidades, ver o outro tal qual como é e gostar dele na mesma.
A única coisa absolutamente necessária é que o balanço seja positivo, que o bem que nos trazem seja superior ás eventuais situações desagradáveis a que nos sugeitam, á irritação que nos causam pontualmente.
O que não quer dizer que cada um de nós não deva fazer os possíveis para tentar não martirizar o próximo... lol

Finalmente queria falar sobre o espírito de grupo, de clã...
Nem todos o apreciam, há quem tenha um amigo aqui outro ali ou mesmo vários grupos de amigos, mas não goste de pertencer a nenhuma matilha.
Por matilha entendam-se aquelas pessoas constantemente presentes nas nossas vidas, convidadas à priori para a maioria dos eventos, com quem partilhamos regularmente tanto os acontecimentos importantes como os insignificantes. Aqueles com quem festejamos aniversários, passamos o ano, partilhamos férias, viajamos. Os que, ao longo dos anos, vão marcando presença nas fotos, vão envelhecendo nos nossos albums.
Aquele conjunto de pessoas que se conhece como ninguém, perfeitamente conscientes das idiossincrasias de cada um, dos seus pontos fortes, dos seus pontos fracos, da importância do seu papel naquela pequena família.
Família, sim... estes grupos são como famílias. São a família que escolhemos, não a que nos foi atribuida no sorteio do destino. São uma família a que decidimos pertencer e que nos acolheu no seu seio.
Pessoas que se divertem em conjunto, sem cerimónias, sem tabus e se apoiam, “estão lá” em bloco quando necessário. Pessoas que se picam, se pegam, se zangam, mas acabam sempre por fazer as pazes. Pessoas que, quando não estão, fazem falta...

Os dois filmes que referi são verdadeiros hinos à amizade, não sei se haverá muito mais coisas tão valiosas na vida. Amei! ;)









terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Remodelações

COM MÚSICA



Todos somos bonecos de plasticina, que a vida vai modelando.
Ao longo do tempo, com o desenvolvimento do raciocínio, a aquisição de conhecimentos, a acumulação de experiências, vamo-nos transformando, lenta mas seguramente. Não somos a mesma pessoa aos dez, aos vinte, aos trinta, aos quarenta...
Estas mudanças costumam ser graduais, quase imperceptíveis, algumas inconscientes, só se dando muitas vezes por elas ao comparar com o passado.

Há no entanto situações, experiências de vida, que provocam alterações mais rápidas, mais radicais, mais evidentes, coisas que nos mudam quase que “de um dia para o outro”.
Curiosamente, é frequente que mais depressa os outros dêem por isso do que nós próprios, o recuo, como toda a gente sabe, facilitando a visão...

Esses outros irão inevitávelmente, consciente ou inconscientemente, fazer julgamentos de valor relativamente a essa mudança, medir se esta foi para melhor ou para pior.
Esta será sempre, sem a mínima sombra de dúvida, uma avaliação subjectiva.
Já todos devemos ter utilizado expressões como “fez-lhe bem isto”, “fez-lhe mal aquilo”... que não são mais do que a verbalização das nossas próprias conclusões e valem o que valem.

A realidade é que as relações humanas, quer queiramos quer não, estão em permanente avaliação. A não ser que não tenhamos mesmo outra hipótese, tenderemos a rodear-nos daqueles por quem sentimos empatia, que apreciamos, respeitamos, com quem estamos em sintonia de princípios, ideias, posturas.

Se é verdade que, volta não volta, damos de caras com surpresas de mudança extremamente agradáveis e que melhoram substancialmente o nosso relacionamento com outra pessoa, casos há também em que acontece exactamente o contrário.

Vamo-nos dando conta de que a pessoa que conhecíamos já não está lá, já não existe, foi substítuida por outra que não é própriamente do nosso agrado. Quando começamos a suspeitar sériamente de que não regressará, pelo menos nos próximos tempos, a tendência natural é o afastamento.

Há no entanto, a meu ver, um erro grave que se comete frequentemente, dos dois lados: a renegação do passado.
Os  que testemunham a dita mudança, convencem-se de que se deixaram enganar, de que o outro não era bem o que aparentava.
Este de que afinal os outros não tinham por ele o apreço que julgava que tivessem.

É sem dúvida a solução fácil.
Quem se afasta não tem de encarar que perdeu efectivamente alguma coisa.
 “A certa altura teremos de compreender que algumas pessoas podem ficar no nosso coração mas não na nossa vida”
 Quem mudou não tem de assumir qualquer responsabilidade na questão.
“Aprendi que não posso exigir o amor de ninguém, posso apenas dar boas razões para que gostem de mim.”

No entanto, passar assim uma borracha sobre o que de bom se teve em comum, como se nunca tivesse passado de uma ilusão, para além de nos fazer duvidar do nosso próprio discernimento, afecta o passado  desprovendo-o de valor e deixando na boca um sabor amargo doce.  
Há que ter confiança na memória das nossas emoções, em vez de tentar altera-la á posteriori. Se sentimos que alguma coisa foi efectivamente importante para nós, há que deixa-la ser, mesmo que tenhamos tido de abrir mão dela.

Ao longo dos tempos, por variadíssimas razões, as pessoas vão entrando e saindo das nossas vidas. As relações vão-se alternando, nascem umas, morrem outras, umas serão mais curtas outras mais longas, umas mais fortes, outras mais superficiais... mas “a César o que é de César”, atribuamos a cada uma o valor que lhe é devido.









terça-feira, 6 de dezembro de 2011

A insegurança mata

COM MÚSICA



O post da semana passada deixou-me um bocadinho tristonha, não pelo tema mas pelas memórias que remexeu. Fez-me pensar em como algumas coisas boas que temos na vida, que ingénuamente tomamos por garantidas, podem desaparecer de um momento para o outro, sem que nada possamos fazer.

Tive,  na minha adolescência, um amigo com quem partilhava uma empatia, um entendimento, um companheirismo, raros. Até que uma namorada o “proíbiu” de se dar comigo.
Sabendo, pela minha boca pois já nos conhecíamos antes, a importância que tinhamos um para o outro, o passado que partilhávamos, deve ter-se sentido ameaçada pela minha proximidade.
A realidade é que, para enorme pesar meu, deixámos de nos ver.

Muitos anos passaram, muita água correu e, por coincidências do destino, os nossos caminhos voltaram a cruzar-se. Mas o que quer que tenha existido entre nós já tinha morrido. Somos hoje amigos no facebook, daqueles que se mandam umas bocas de vez em quando, sem mais.

Neste caso, do nosso passado comum constava um namoro, há muito acabado, tendo até já havido outra entretanto, de quem me tinha inclusivamente tornado amiga.
Outros houve em que nem isso havia, somente amizade, pura e dura.

Nas minhas divagações, dei-me conta de que este tipo de afastamentos eram uma coisa comum. Pude identificar vários casos, não só relativos à minha pessoa como também aos que me rodeiam, de ambos os sexos.
Consciencializei-me então de que a insegurança mata. Mata relações, se o permitirmos.

As pessoas apaixonadas tornam-se muitas vezes ciumentas, possessivas, sentindo-se consequentemente inseguras. Tentam então afastar tudo o que considerem uma ameaça ao seu estado de graça.
Quer seja de forma directa e frontal ou recorrendo a manipulações subliminares, fazem o que estiver ao seu alcance para cortar pela raíz o que as incomoda.
Assisti a este fenomeno tantas vezes que já lhe perdi a conta.

Julgo que muitos não consigam entender a enorme capacidade do coração humano e a enorme diversidade  das suas relações. Que não compreendam que estas não roubam pedaços umas ás outras, cada indivíduo podendo ser importante à sua maneira, ter a sua função, ser complementar. 

Poucos são, infelizmente, os que conseguem resistir à pressão. O medo de perder o outro, se lhe fizerem frente, parece ser demasiado assustador. A maior parte acaba por vestir a camisola do abandono, da desistência, abdicando de algo que era efectivamente importante para si.
Tal como alguns pais cedem ás birras das crianças para não ter de as aturar, afastam-se, consciente ou inconscientemente, de forma mais ou menos óbvia, da origem do seu mal estar, daqueles que provocam ondas na sua relação.

É, na minha humilde opinião, uma postura muito cobardolas, muito “looser” e sem grande fundamento.
Nos casos que conheço em que isso não aconteceu, em que a pessoa em questão bateu o pé e não cedeu, e felizmente existem alguns, ninguém perdeu ninguém por causa disso.
Conheço inclusivamente um, em que dois amigos se viram meio ás escondidas durante algum tempo, de tal forma a cara metade de um deles lhes fazia a vida negra... Mas não desistiram, não se afastaram, não se perderam. Simplesmente abdicaram de um certo “conforto relacional”, em prol de uma relativa paz de espírito.

Na minha opinião, mas isto sou eu, ou as pessoas são de alguma forma importantes para nós ou não são mas, se forem, ninguém nos consegue fazer virar o bico ao prego. Ninguém nos consegue convencer de que não prestam, de que já não servem. Ninguém consegue ocupar o seu lugar no nosso coração, simplesmente porque sabemos que há espaço para todos.

Claro que também me poderão dizer que, as relações que perdemos, na realidade não valiam o que julgávamos... também pode ser por aí... :(