terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O meu popó

COM MÚSICA



Quando vivíamos em Lisboa, tínhamos um só carro, que passava a maior parte do tempo estacionado à porta.
A mudança para cá fez com que tivéssemos de comprar outro, sendo impossível (que é como quem diz “muito chato”) viver por estas bandas sem locomoção própria.

Assim, estando já nessa altura as vacas muito magrinhaaas, comprámos uma biatura em segunda mão, num estado absolutamente miserável, pelo que nos fizeram um desconto considerável.
A aquisição transformou-nos em alegres proprietários de dois chaços velhos, mas perfeitamente funcionais. Que mais se pode querer?!

Os anos foram passando… as vacas continuaram a tender para o anoréctico… e os carritos foram atingindo as provectas idades de 14 e 19 anos.
O mais velhote, um Pagero, consideramos que tem a obrigação de durar “uma vida”. Assim vamoziu tratando com muito amor e carinho e continua aí para as curvas (e contra curvas e lombas e calhaus e praias de Porto Covo… hehe).

A Zafira, tadinha, vinha muntooo maltratada da antiga dona. Parecia um daqueles cãezinhos que se vão buscar ao canil para não serem abatidos… Nem vale a pena mencionar o que gastámos em veterinário desde que a acolhemos.
A realidade é que estava com um pé para a cova. Mais do que uma vez nos deixou a meio de uma viagem, recusando-se a prosseguir caminho. Nunca sabíamos se efectivamente chegaríamos ao destino, pelo menos na sua garupa.

Conclusão, comprámos um carro novoooooooo!!! :)))

Quando anunciamos isto, regra geral as pessoas comentam “estão ricos… a vida corre-vos bem…”
Pois que não e foi esta a razão que me levou a escrever um post sobre o assunto.  
Passo a explicar…

A primeira parte é “técnica” e talvez possa ajudar alguém com este raciocínio:
Basicamente, fiz uma pesquisa e cheguei à conclusão de que, a maioria dos carros de hoje em dia, consome metade do que gastava a negra besta.  
Depois de me informar sobre preços e ofertas de mercado, sentei-me a fazer continhas e cheguei à conclusão de que a diferença do que vamos gastar em gasolina é suficiente para pagar uma prestação a 96 meses.
Demos o chaço de entrada mas reservámos parte do dinheiro para pagar a primeira prestação, que é sempre mais cara por causa das despesas de processo.
Fizemos um seguro contra todos, a pagar mensalmente em vez de anualmente, diluindo assim a dolorosa.
E eis-nos felizes proprietários de um magnifico “Ferrari” C1 vermelhinho, lindo, lindo… :)))

Ok, passámos de cavalo velho para burro novo, é um facto.
Tínhamos um carro de sete lugares, com um porta bagagens onde dava para dançar o tango, computador de bordo e todo o tipo de mariquices, que substituímos por quatro míseros assentos (apertados), um porta-luvas traseiro e indicador de velocidade.
Mas, digo eu, mais vale burro a trotar do que cavalo morto. ;)

Sobretudo, é impressionante (apesar de estupidamente material) a lufada de ar fresco que veio trazer ás nossas vidas… A ilusão de prosperidade que proporciona. A sensação de que as coisas afinal não estão assim tão mal. Já sem falar da confiança no veiculo que nos irá transportar.

Não comprava um carro novo há 25 anos!
Já não me lembrava do cheirinho, dos tapetes imaculados, da carroçaria a brilhar… quando o fui buscar estava tapado com um feltro para não lhe porem dedadas… lol
O nosso filhote tinha imensa vergonha do nosso antigo “amolgado”. Sobretudo quando o estacionava na escola ao lado de outro igualzinho mas que não está colado com cuspo…
Hoje, quando o fui deitar, disse-me: “que bom, amanhã vou para a escola”. Quando estranhei a afirmação, explicou: “… no carro novo.”

Hoje é Natal cá em casa! :)))














sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Figuras Publicas

COM MÚSICA



A internet tem vindo progressivamente a transformar os seus utilizadores em “figuras públicas”.
Se não acreditam, Googlem o vosso nome e pasmem-se com os resultados. Scaryyy!!!

Antes de escrever este post fiz esse exercício e deparei-me, entre outras coisas, com um comprovativo de transferência do Barclays, para pagamento de um dos jantares do Liceu Francês…
Tudo ali escarrapachadinho, ordenante, nib, destinatário, valor, comissões (que fiquei a saber que o senhor não paga, tenho de me mudar para aquele banco), referência, data, etc…

Se dantes nos podíamos dar ao luxo de ser “cidadãos anónimos” agora, desde que frequentemos o ciberespaço, isso acabou.

Há muitos, muitos anos (mas já não era eu uma criança) escrevi um livro que se chama “Um baralho de cartas”. É uma história contada através de cartas enviadas a várias pessoas. A ideia por detrás do mesmo sendo que aquilo que contamos a cada um, assim como a forma como o fazemos, as expressões que utilizamos, etc, variam de indivíduo para indivíduo, de relação para relação.
Teoricamente é esta a base das relações humanas, a diplomacia, o respeito e consideração pelo outro, pelas suas ideias, pela sua postura perante a vida, sendo fundamentais para que haja entendimento e harmonia.

Com certas pessoas fazemos cerimónia, com outras refreamo-nos de partilhar algumas coisas, com alguns sentimos confiança para assumir todas as nossas idiossincrasias…
Esta gestão, aliada a um mínimo de bom senso, costumava ser fácil… Hoje em dia está-se a transformar uma tarefa titânica…
Na internet tudo fica registado, tudo fica visível, tudo fica acessível a qualquer um, tornando extremamente difícil a compartimentação daquilo que partilhamos com os outros.

A generalidade das pessoas julgo que ainda não se tenha realmente apercebido deste facto. Muitas pessoas partilham online detalhes das suas vidas privadas, sem noção de que não estão a escrever “para os amiguinhos”. Mesmo quando estão conscientes desse facto, muitos não pensam em todo o tipo de gente que os pode ler, ver, etc…
Assim, ás vezes sem sequer pensar duas vezes no assunto, dizem ou partilham coisas que podem de alguma forma mete-las em sarilhos.
Ao vivo, frente a frente, provavelmente não o fariam… não mostrariam certas fotos a determinadas pessoas, não fariam certo tipo de comentários, não contariam certas coisas, não utilizariam certo tipo de linguagem. Na net, esquecem-se, soltam-se e por vezes arrependem-se.

Quem navega na internet tem de se comportar como as “verdadeiras” figuras públicas. Tem de se resguardar, de se proteger, de evitar expor-se. Para além disso tem de estar disposto a assumir tudo o que faz, tudo o que diz, tudo o que divulga, perante seja quem for. Não é nada fácil.

Tomando o exemplo deste blog (ou de outro qualquer), não faço ideia de quem o irá ler. Pode ser a minha mãe, uma tia, a minha empregada, os meus vizinhos, um cliente, a professora do meu filho. Tenho portanto o máximo cuidado com o que digo.
Não quer dizer por isso que não possa meter a pata na poça de vez em quando, mas estou extremamente consciente de qualquer individuo, com todo o tipo de ideias, susceptibilidades, crenças, credos, etc, é um potencial leitor. Tento assim fazer o meu melhor por não agredir, não ofender, não chocar… uso e abuso da autocensura, releio várias vezes o que escrevo e sobretudo não tenho de forma alguma o à-vontade que teria no recato da minha vida íntima e privada.

Outra coisa que tento fazer é não expor a vida de terceiros.
E é aqui que a porca torce o rabo…
Se é verdade que, com um pouco de presença de espírito e noção das coisas nos conseguimos proteger da exposição pública, quem é que nos vai proteger dos outros?!

A foto que podem ver em cabeçalho foi publicada esta semana no facebook por uma amiga minha.  Não tem mal nenhum, pelo menos aos meus olhos, e acho até, tal como a pessoa que a postou, que está bem gira. É de um grupo de amigos esparramados num sofá, num casório… nada demais.
Acontece que não tenho qualquer dúvida de que certas pessoas a fossem achar “escandalosa”… pernas nuas, mãos nas ditas cujas, tudo a molho… é o debocheeeeeeee!

Acho portanto muito importante que tenhamos também muito cuidado com o que mostramos, divulgamos ou dizemos, dos outros… Que tenhamos a noção de que não sabemos de todo quem o irá ver/ler, incluindo o próprio. Que poderemos, sem querer, por não termos sequer pensado nisso, de alguma forma lesa-los.

A internet é fantástica mas é um local muito perigoso… ;)











quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A tradição já não é o que era…

COM MÚSICA



Tendo recebido uma educação tradicional, sou uma menina prendada, que sabe fazer muitas coisas “como deve de ser”.
Sei, por exemplo, pôr a mesa com todo o tipo de talheres, para as mais variadas funções, sem qualquer hesitação quer na ordem quer na direcção, o mesmo se passando com os copos. Sei fazer a cama com “cantinhos de enfermeira” e a dobra da colcha a moldar as almofadas. Sei fazer bainhas “invisíveis”, engomar uma camisa, dobrar uma fralda de pano em forma de bacalhau, enfim, uma verdadeira fadinha do lar.

A realidade é que não pratico a maior parte dos ensinamentos que recebi.
Dobro as toalhas da casa de banho em três, por uma questão estética e as meias em envelope, para ser mais fácil de enfiar o pé, e posteriormente em bolinha para não se perderem umas das outras. Dou no entanto nós nos lençóis de baixo que não sejam de elástico, uso guardanapos de papel e não tenho qualquer problema em trazer uma panela para a mesa se estivermos em família (e com esta descarada e desonrosa confissão, acabei de me habilitar a ser deserdada).

Também em termos de relacionamentos sociais as coisas se vão alterando.
Em tempos, por pouco não fiz uma embaraçosa figura de ursa, aparecendo indevidamente num casamento, por ter recebido um idiota de um “faire part" que confundi com um convite. Quando o meu pai morreu, choquei um que outro membro da família, por me ter recusado a enviar os tétricos envelopezinhos de borda preta com os agradecimentos a quem nos acompanhou.

Enfim, mudam-se os tempos mudam-se os hábitos e pessoalmente mantenho os que me parecem fazer sentido, por razões práticas, de tempo, de dinheiro, de espaço. Não acredito em fazer as coisas “porque já os meus paizinhos faziam assim”… a não ser que continue a ver razão para tal.
Noto no entanto cada vez mais, um “descarte” da educação que nos foi dada, sem grande critério, devo dizer.

Acontece-me frequentemente ir buscar o meu filho à escola e ser bloqueada por carros em segunda fila, uma vez por mais de um quarto de hora, sendo quase insultada pelo paizinho/mãezinha ao ousar protestar no seu regresso.
Na passagem de ano, tendo os anfitriões do costume roído a corda quanto à mega festa dançante da praxe, decidi fazer um pequeno get together cá em casa. Enviei um mail a cerca de quinze pessoas, das quais UMA respondeu. Quando protestei, três responderam a gozar comigo, continuando a não dizer se sim ou sopas. Na véspera, outro perguntou a que horas era para aparecer. Não sei se algum deu com as fuças na porta porque não fiquei cá para ver.
No último jantar que fizemos, duas pessoas chegaram perto da hora combinada. Todos os outros chegaram com pelo menos uma hora de atraso, como se nada fosse. Quando comentei o facto, uma respondeu que achava ternurento que ainda tivesse ilusões de que alguma vez fossem chegar a horas.

Podia continuar por aí a fora, com muitíssimos mais casos, alguns dos quais já mencionei aqui, mas acho que já deu para perceber de que tipo de coisas estou a falar.
Adorava poder pensar que era uma cabala contra a minha pessoa, que só a mim estes filmes aconteciam, infelizmente não tenho tais ilusões, é um mal generalizado.
Os exemplos que mencionei denotam a meu ver, no mínimo, de falta de educação. Mas todos os males fossem esses… o que me parece realmente grave é a aceitação tácita pela maioria das pessoas, deste estado das coisas.

Chamem-me careta, chamem-me antiquada, chamem-me basicamente o que quiserem… mas não consigo de facto engolir posturas que demonstram nítida falta de respeito  e consideração pelos outros.

É-me perfeitamente indiferente o que cada um pratica em sua casa, no seu dia a dia, na sua intimidade, cada um sabe de si e ninguém tem nada a ver com isso. A coisa já muda completamente de figura quando entram terceiros em cena. O estar-se completamente a cagar para o próximo, não tendo minimamente em conta o incómodo que se possa causar é uma coisa que me ultrapassa.

Se calhar é o rumo que o bicho homem está a tomar. Eu própria já não mando vir como mandaria há uns anos, já não fico de trombas como ficaria, já não reajo de uma forma tão intempestiva como reagia dantes. Não deixo no entanto de me indignar, de me revoltar e de continuar a protestar.

“Não faças aos outros o que não gostarias que te fizessem a ti”, sempre foi para mim uma regra de ouro. Parece agora estar a ser subvertida pelo conceito de “aguenta dos outros para poderes fazer tu também…”
Não consigo papar esta.









terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Trocas e baldrocas…

COM MÚSICA



Parece reinar a ideia de que sem o vil metal nada se faz neste mundo…
Tenho no entanto vindo a descobrir, com muito agrado devo dizer, que não é bem assim.
A noção de comércio começou com trocas.
Pois bem, ás trocas podemos (e estamos a) voltar, fazendo um belo de um manguito à maldita da crise… Tomaaa!!!  ;)

De há uns anos para cá que tenho vindo a organizar, com uma certa regularidade, “Cházinhos das Trocas”.
Começaram com o site do Liceu Francês e a coisa foi-se alargando ao povo em geral.
Hoje em dia são já eventos extremamente concorridos, aos quais comparece todo o tipo de gente.
Para além de se “trocar”, ainda se bebem os tais chazinhos e se comem uns bolos, enquanto se vai convivendo alegremente.

Começámos com trocas de roupa, toda a gente tem em casa roupa em bom estado que não usa.
Acreditem ou não, há quem tenha nos armários roupa que nunca chega a vestir… ou porque não a provou e, descobrindo posteriormente que não servia, teve preguiça de ir trocar… ou porque chegou á conclusão de que afinal não gostava… ou porque lhe ofereceram mas não é do seu agrado...
Da mesma forma e por variadíssimas razões, há quem guarde roupa usada mas em perfeito estado, para a qual olha ano após ano, sem nunca saltar lá para dentro.
A coisa foi-se alargando e hoje em dia já inclui calçado, malas, acessórios, bijutaria, maquilhagem, cremes, perfumes, roupa de casa, objectos de decoração, brinquedos, livros, etc…
Têm tido um sucesso tal que já estamos a começar a especializar e o próximo vai ser só de livros.

Os nossos “chazinhos” funcionam nos seguintes moldes:
Alguém fornece a casa e o chá e organiza a coisa (ou “manda” a escrava de serviço tratar do assunto… lol). Os outros levam os bolinhos. Para além disso, cada um leva aquilo de que se quer desfazer.
Todos vasculham (tipo feira de Carcavelos), experimentam, comentam, botam no saco. 
Alguns levam mas não trazem nada de volta, outros levam pouco e voltam com muito, não interessa.
Em qualquer dos casos sobram sempre montanhas de coisas, que são no fim empacotadas e entregues a uma qualquer causa de solidariedade.
É tudo bom!!!
Calor humano, compras à borla, ajuda a quem precisa, reciclagem… ;)

Mas a coisa não se ficou por aí, uma vez descoberto este maravilhoso conceito, comecei também a trocar serviços…
Há sempre coisas que gostávamos/precisávamos de ter/fazer, sem que tenhamos meios de as pagar…
Porque não trocar a criação de um site por uma consulta de astrologia, aulas por massagens, babysitting por explicações, costura por cozinhados, etc, etc, etc…?
Porque não utilizar aquela riqueza, muito maior do que qualquer euromilhões, que é o nosso precioso tempo?!
Não é imperativa a troca de moeda… troca-se simplesmente uma coisa que podemos fornecer por outra que queremos.
Elementar, meu caro Watson… ;)
Não tendo eu, evidentemente, inventado a pólvora, o Facebook e restante Internet também já se aperceberam deste ovo de Colombo, pululando páginas e sites com base no mesmo princípio.

Se tiverem uma casa de férias, uma casa devoluta que estejam a tentar vender, a vossa própria casa, se tiverem estômago para isso… podem trocar.
Uns amigos meus fizeram isso recentemente, trocaram um apartamento que têm em regime de arrendamento temporário, com outro em Veneza.
Eles fizeram a troca directamente mas, boas notícias, já há sites que tratam exactamente disso. Pessoalmente conheço este, mas deve haver muitos mais…

Minha gente, o céu é o limite, tudo se pode trocar…
Se pensam que, lá porque o mundo está a atravessar uma fase difícil, têm de a passar a pão e água, pensem outra vez!
As trocas são a saída obvia, uma postura contra a merda da sociedade de consumo (pardon my french…), uma reciclagem de bens, uma ajuda a quem precisa e, se bem organizadas, uma ocasião de encontrar pessoas que nos são agradáveis. ;)












terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Vaquinhas... Muuu

COM MÚSICA




Sou daquelas pessoas (quase) completamente rendidas ás “Maçãzinhas roídas”, como lhes chamava o meu pai. Se há coisas que me dão genuinamente gozo são os is… o iPod, o iPhone, o iPad…
Claro que poderia comprar qualquer um destes gadgets, absolutamente indispensáveis à vida de qualquer ser humano, se abdicasse de alguma coisa menos importante, como por exemplo pagar o empréstimo da casa.

Felizmente, tanto no meu grupo de amigos, como na minha família, somos fervorosos adeptos das Vaquinhas.
Cá em casa reunimos em conselho familiar e os três decidimos que a próxima seria para o tão desejado brinquedo, demorasse o tempo que demorasse.  Assim, esta começou no Natal. Tendo-se decidido em quase todas as “frentes natalícias” que "prendas só para as crianças", o Pedro foi o que “doou” mais para a causa. Depois, nos meus anos, a contribuição foi de tal forma entusiasta e tanta gente aderiu (Brigadaaaa... mais uma vez, a todos!!!), que já temos suficiente para o comprar. Mas estávamos dispostos a esperar calmamente até ao Natal que vem, se fosse preciso.

A nossa televisão foi “adquirida” nos mesmos moldes… e o nosso conjunto de pratos, lindo, lindo, do Ikea. E mais coisas de que não me recordo agora assim de repente.
Não me incomoda nada sugerir uma vaquinha para alguma coisa que não posso comprar mas gostaria muito de ter.
Neste mundo dos habitués das vaquinhas, já foram oferecidos berços, iPods, câmaras fotográficas, um serviço de talheres, etc…

Há sempre pessoas que insistem em oferecer alguma coisa nas ocasiões festivas. Várias pessoas… ás vezes muitas pessoas. Muitas pessoas que vão oferecer muitas coisas. Ás vezes coisas giras, ás vezes coisas úteis, ás vezes coisas que nos perguntamos o que lhes terá passado pela cabeça… lol
Mas muito raramente, até porque cada um por si seria difícil, aquilo que nós realmente queremos.

As vaquinhas são, para além disso, uma coisa bonita porque mostram como a “união faz a força”. Porque são a prova demonstrada de que organização aliada à generosidade faz milagres. 
Assim, aconselho-as vivamente.

Se é uma ocasião em que saibam de antemão que determinadas pessoas lhes irão dar prendas, se lhes perguntarem o que gostariam de receber, não se acanhem, não tenham vergonha de pedir…
Esta vida anda tão dura que sabe bem satisfazer um capricho de vez em quando, para variar das despesas que não temos outra hipótese senão fazer para sobreviver.
Se  for uma vaquinha “familiar”, melhor ainda. Pessoalmente acho uma excelente experiência uma criança abdicar de um punhado de prendas, para participar na compra de alguma coisa que nem sequer é exclusivamente para si. Desenvolve o espírito de grupo, a partilha e sobretudo permite-lhes compreender que as coisas não caem do céu.

E se estiverem do outro lado, não tenham pruridos em organizar.
Pensem no que o outro precisa ou poderia gostar de ter e, se não saltar imediatamente alguma coisa específica á vista, ofereçam vales. Gosta de livros, de filmes, de tecnologia? Ofereçam-lhe um vale Fnac. Adora trapos? Um vale de uma loja de roupa. Precisa de coisas para a casa? Um vale Ikea. É uma criança? Um vale do Toys R Us. Hoje em dia quase todas as lojas têm vales. Imaginem o babanço… uma “carteira” com dinheiro que não é deles, para gastar irresponsavelmente no que lhes apetecer. :)))
Ás vezes temos a sorte de descobrir “a prenda perfeita” para alguém, pessoalmente poucas coisas me dão mais prazer, infelizmente nem sempre é o caso. Pergunte-se então quem conhece melhor os desejos do outro, ele ou você?!  Pergunte-se se aquilo que lhe estava eventualmente a pensar dar lhe poderá efectivamente dar mais prazer do que algo que pudesse escolher sozinho.
Junte-se a outros para oferecer uma “prenda de peso”, em vez de “qualquer coisinha”. Imagine a satisfação de  pensar, “eu dei-lhe aquela prendaça”. Não deu sozinho, é certo, mas sabe igual, participou, é o que interessa.

E ainda relativamente ao dar, só mais uma dicazinha… Há muito o hábito, quando se entra nesta coisa das vaquinhas, de se dividir “o bolo” em partes iguais. O que interessa isso?! Quem recebe não irá saber com quanto cada um contribuiu e para alguns 5€ podem pesar tanto ao fim do mês como para outros 50€. Mas grão a grão enche a galinha o papo e várias pequenas contribuições contam tanto como uma grande. E em absoluto, o que conta é a intenção, certo?!

E já agora, aproveitando a deixa, pensem no que esta união pode fazer por causas verdadeiramente importantes e contribuam para uma que outra de vez em quando… ;)












segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Cinco anos a mexer a sopa…

COM MÚSICA



Cinco anos, 60 meses, 260 semanas, 233 posts, cerca de 450 páginas… insiste, insiste, flecte, flecte… chiçaaa! lol

Penso frequentemente em desistir…
Por vezes devido a ataques de insegurança, perguntando-me quem sou eu para andar a cagar sentenças no ciberespaço. Outras por falta de inspiração, não sendo fácil escrever todas as semanas, arranjar tema, expor ideias de forma coerente, ordenada e minimamente agradável de ler. Acontece-me também, de vez em quando, interrogar-me se valerá a pena tanto esforço, para tão poucochinhos leitores, shame on me. As piores alturas (nessas chegando mesmo a interromper a “publicação”) são aquelas em que me sinto mesmo down, tornando-se difícil transmitir energia positiva. Felizmente, como se pode confirmar pelas “faltas”, que incluem também períodos de férias, não são muitas.
Tentei então hoje analisar porque ainda não o fiz, porque continuo praqui, feita parva, a “dizer coisas” há tanto tempo…

Quando uma vez perguntei ao meu filho se era feliz, respondeu-me imediatamente que sim, sem qualquer dúvida ou hesitação… Pergunto-me o que teria eu respondido com a mesma idade (ou até muitos anos mais tarde) e suspeito que me tivesse simplesmente engasgado, sem saber o que dizer.
Não é que fosse propriamente infeliz, mas a realidade é que não faz muito tempo desde que me dei conta de que era exactamente o contrário disso. Embora não consiga identificar o momento exacto em que fui “iluminada” por esta descoberta, terá provavelmente sido pouco antes de começar a escrever neste blog. Um dia deu-se um Clic  e fez-se luz. ;)

Ser feliz não quer dizer que seja perfeita (nobody is perfect, but who wants to be nobody?!) ou que leve uma vida perfeita. Quer simplesmente dizer que lido bem com as imperfeições, tentando identifica-las e procurando sempre melhorar.
Quer dizer me sinto bem comigo própria, com os outros e com a vida. O que não significa que me sinta sempre bem, que esteja sempre bem disposta e alegre, saltando levemente de nenúfar em nenúfar ou que não meta a pata na poça de vez em quando, como toda a gente.

Esta vida não está fácil para ninguém, em mais do que um sentido e o mundo anda meio virado do avesso.
Não podemos no entanto, infelizmente, pará-lo para sair. Não há pausas, não há coito (no sentido das brincadeiras de criança, não sejam assim…), não temos outro remédio senão ir vivendo, mal ou bem.
Pessoalmente prefiro bem. ;)

É por isso que aqui escrevo… porque tenho vindo a descobrir um que outro “truque” que me tem ajudado a fazê-lo, porque tenho chegado a umas quantas conclusões que me permitem manobrar melhor o barco.
Não consigo então deixar de partilhar pois, se alguma das palavras que escrevo puder provocar um só clic que seja, se puder ajudar uma única pessoa,  já tudo terá valido a pena.















quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Optimismo para 2012

COM MÚSICA




Que me perdoem os que andaram a desejar “um bom ano de 2013, já que o de 2012 vai ser para esquecer...” , “umas boas entradas, apesar do ano miserável que está para vir...” ou qualquer outra mensagem deprimente e derrotista. 
Eu, estou optimista!


Sim, estou consciente de que não se avizinham tempos fáceis, não senhores. A economia em recessão, a adopção de medidas de austeridade, os preços a subir, o poder de compra a baixar, o trabalho a escassear, etc.
Alguns irão sem dúvida enfrentar situações absolutamente dramáticas... Não me parece no entanto que seja o caso para a esmagadora maioria dos que andam por aí a propagar o seu pessimismo.
Dificuldades, sim, sem dúvida, o fim do mundo... não me cheira.


Pergunto-me se acharão mesmo que a sua felicidade está totalmente dependente de factores económicos. Se não darão efectivamente grande importância a tudo o resto, a tudo aquilo que, na minha opinião, realmente conta. 
Pergunto-me como é que alguns podem enfrentar o futuro com tanta negridão na alma.


Pessoalmente, recuso-me a deixar que uma crise mundial me deite abaixo.
Vamos ter de apertar ainda mais o cinto?! Ainda bem, quer dizer que temos um cinto para poder apertar, que não nos vão cair as calças, que não vamos ficar de rabiosque ao léu. 
Tomara todos pudéssemos dizer o mesmo, demos graças por isso.


Como é que podemos fazer alguma coisa de jeito, adoptando uma postura derrotista?!
Se é difícil, vamos simplesmente ter de nos esforçar mais. Mas cruzar os braços, encolher-se num canto a carpir,  declarar-se vencido à partida?
Não me parece...
Recuso-me a olhar para o futuro imaginando-o logo à partida pior do que o presente.



Os que me rodeiam estão bem de saúde, felizmente. A crise não alterou o amor do meu filho ou do respectivo pai, dos amigos ou da família. As necessidades básicas continuam a poder ser atendidas. Tenho idade, força e vontade de ir à luta e fazer frente ás adversidades.


Para 2012, tenho uma mão cheia de projectos adaptados aos tempos que correm.
Conto finalmente começar a fazer voluntariado, uma coisa que todos dizem ser extremamente gratificante e para além disso me parece muito adequada aos tempos que correm.


Passei quase toda a minha vida “profissional” a fazer trabalhos que não me davam qualquer tipo de satisfação pessoal. No ano que passou, plantei a semente de uma nova aventura, investi horas e horas no estudo, trabalhei muitas mais, à borla, para poder dar provas daquilo de que sou capaz. 
Confesso-me bastante satisfeita com o resultado. (já agora um bocadinho de publicidade...lol) 
Agora, espero colher os frutos, quem diz que não há germinação em tempos de crise?!



Tive uma ideia giríssima (presunção e água benta) para uma App para telemóveis, que tenho intenções de pôr em prática. Quem sabe se, daqui a uns mesitos, não vão saca-la á AppStore?! ;)


Tenho um projecto megalómano em mente, que só está à espera de amadurecer, de aparecerem as pessoas certas para o partilhar comigo. Está em standby, sim, mas não esquecido. A qualquer momento pode rebentar.


O meu cérebro não pára, a tentar arranjar ideias e soluções para garantir tanto as necessidades práticas como a realização pessoal.


Para além de tudo isto, mantenho-me atenta, de olho aberto, pronta a saltar sobre qualquer oportunidade que possa surgir para compor o ramalhete. Estou preparada para dar o litro, para arregaçar as mangas, para fazer o que fôr preciso pela vida.


Vai ser preciso força, coragem e determinação?! Pois, os carreiros nem sempre vão a direito, ás vezes sobem e têm calhaus pelo meio, c’est la vie...


Não vou é com certeza pôr-me a caminho antecipadamente vencida, derrotada, sem ânimo. 
Venha aí o que vier, tenho intenções de enfrenta-lo com humor e boa disposição.









terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Prova dos Nove...

COM MÚSICA


Ao longo das nossas vidas vão-se sucedendo experiências, locais, sentimentos, pessoas.
Há situações, sítios, gentes, que se vão mantendo constantes ao longo do percurso, outras que se perdem durante o caminho.
Há sítos onde não voltamos, actos que não continuamos a praticar, pessoas que perdemos em vida ou em morte, que fazem parte integrante da nossa história.
Volta não volta, o passado visita-nos, trazendo consigo lembranças de coisas que já não pertecem ao presente.

Essas visitas raramente são vazias de emoções...
Provocam em nós sentimentos negativos como a revolta, o medo, o desprezo, o ressentimento, a repugnância... ou sensações agradáveis como a saudade, o revivermos mentalmente, com prazer, determinadas situações, o desejo, por um breve instante, que tudo voltasse a ser como dantes.

Há quem goste de pôr, emocionalmente, pedras sobre os assuntos. Quem não queira colocar-se na posição de se permitir sentir outra vez. Quem se auto-censure ao ponto de não se deixar embalar quando a lembrança bate à porta.
Porquê? Porque em qualquer dos casos vai doer...
Vai doer porque é mau, porque é negativo, porque trás à tona sensações que não temos a mínima vontade de revisitar.
Vai doer porque foi bom, porque fez parte de uma época feliz que já não vivemos. Podemos viver outra, outra diferente, igualmente ou até mais feliz, mas aquela também o foi e acabou.

As pessoas são tendêncialmente muito sissys, têm um medo terrível da dor. Olhem para os Budistas, se bem percebi algum dos princípios da coisa, um dos fundamentais é acabar de vez com o sofrimento, seja lá ele qual fôr.
Pois que, na minha opinião, tá mali... tá mali porque acabam por perder uma das grandes oportunidades que a vida nos dá de aprender.
Meus amigos, a dôr está lá por alguma razão, para nos alertar para alguma coisa, para nos abrir os olhinhos, para nos levar a reflectir sobre o assunto.

A dôr é um sintoma, cabe-nos identificar o tipo de dôr e o que a estará a provocar. No caso das coisas negativas é bastante evidente, no outro é que a porca torce o rabo.
Não é fácil de engolir um “era bom mas acabou-se”... a nostalgia tem um sabor amargo doce.
O relembrar outros tempos, coisas que de alguma forma pertencem hoje ao passado sem que haja esperança de futuro, provoca tristeza.
A tristeza é outro sentimento de que também não somos grandes apreciadores...

É, no entanto, o deixarmo-nos embarcar nessa aventura que nos irá ajudar a definir a nossa vida deixando que ela própria nos ensine.
O nosso cérebro é um orgão essencial mas, na minha opinião, não funciona lá muito bem se dissociado do coração. É ele que o irriga, sei lá...
Assim, se deixarmos fluir os sentimentos, se formos insconscientemente criando gavetas nas quais vamos separando o trigo do joio, se deixarmos que o nosso coração nos alumie o caminho, a nossa mente terá dados suficientes para tirar a prova dos nove.
É com a análise do passado, não só do passado intelectual, factual, racional mas também do passado emocional que iremos aos poucos construindo o nosso eu, essa obra inevitávelmente sempre inacabada.
É através do discernimento das experiências que nos deram prazer ou pelo contrário nos provocaram sofrimento, na altura não agora, que iremos procurar ou pelo contrário fugir a sete pés de certo tipo de situações.
Se permitirmos que o nosso eu presente censure a nossa memória emocional, não conseguiremos deixar de cometer os mesmos erros, vezes sem conta...

Mas isto sou eu a divagar... lol... se calhar não tenho razão nenhuma. ;)









quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Mea culpa

COM MÚSICA


Só porque os outros nos aceitam (ou talvez devesse dizer “aturam”) tal como somos, não quer dizer que nós próprios o devamos fazer.
Em nome do amor, da amizade, dos laços de sangue, os que gostam de nós vão tolerando coisas que não deveriam ter de suportar,
Acontece que o caracter das pessoas é como o vinho, se fôr bom transforma-se numa pomada, senão... azeda tornando-se intragável.

Ninguém nos conseguirá impedir de azedar, é um trabalho que temos de fazer sozinhos, praticando a observação, a auto-análise e mudando o que podemos mudar.
Precisamos de perceber o que nos desagrada nos outros e descobrir se não o teremos também em nós. Identificar as nossas marrecas , assumi-las e tentar dar-lhes a volta.
Assumir as eventuais consequências nefastas das nossas acções e pedir desculpa pelas mesmas, se fôr caso disso. A desculpa mais do que um "beijinho no doidoi” é o reconhecimento da nossa responsabilidade.
Ser pacientes e tolerantes, se errarmos, fazermos por errar menos da vez seguinte. Não desistirmos só por não conseguirmos mudar de um dia para o outro.

Era bom que fosse tão fácil transformar o nosso feitio como o nosso aspecto físico. Que houvesse roupas, acessórios, maquilhagens e operações que nos transformassem em pessoas diferentes.
Estou a pensar pintar o espírito de côr de rosa. Vou comprar um sobretudo para me proteger da violência verbal. Bom dia dona Lúcia, hoje venho só aparar a intolerância, por favor. Dr, queria reduzir aqui um bocadinho o mau génio e fazer um implante na generosidade.
Infelizmente não é assim...

O nosso feitio precisa mesmo é de spirit-building. Requer trabalho regular, constante, penoso e, se pararmos, volta tudo para trás.
O pior é que, aparentemente, tal como o nosso corpo, também ele tende a perder a flexibilidade e a elasticidade. Conforme a idade vai avançando, as pessoas parecem recorrer cada vez menos à  auto-censura, à modelação do seu eu, usando a desculpa do “burro velho” para não se darem ao trabalho de mudar.

As ervas daninhas crescem no entanto em qualquer jardim, não param nunca de o fazer e, se não tivermos cuidado, invadem-no. E a realidade é que, por muitas árvores de fruto, flores de cheiro e plantas exóticas que lá tenhamos, ninguém gosta de se sentar na relva no meio das urtigas... mas cada um é o seu próprio jardineiro. ;)

Um bom ano, de cabeça erguida e pensamento positivo para todos!!!