sexta-feira, 31 de agosto de 2012

I'm back!!! :)))

COM MÚSICA




Olá cá estou eu, depois da maior pausa que alguma vez fiz neste blog.  ;)
Parei basicamente por duas razões…

Primeiro porque, sentindo-me (vá-se lá saber porquê, dado que não tenho nenhum contrato a cumprir…lol) na “obrigação” de escrever com uma certa regularidade, o que fazia geralmente todas as semanas tirando raras excepções, o empenho e gozo na escrita e consequente qualidade dos posts variavam muito.
Assim, alguns escrevi mesmo só para “encher chouriço” o que nunca foi o objectivo, se é que existe algum, deste blog.
Por outro lado, mesmo em momentos de inspiração, a verdade é que isto me dava um trabalho do caraças e era terrivelmente time consuming.
Não fazem ideia das horas que passava ás vezes à procura da música “certa” para um post, frequentemente até mais do que a escrevê-lo, o mesmo se passando com a(s) imagen(s).
Ou da quantidade de vezes que relia o que escrevia, que o refraseava, tentando não ofender ninguém ou deixar grande margem para mal entendidos.
Resumindo, andava-me a pesar e a “roubar” demasiado tempo.

Concluí no entanto, durante estes meses de pausa, que não era forçoso que as coisas assim fossem.
Logo, a partir de agora, só haverá Sopa quando me der na real gana, podendo esta ser uma consistente Sopa da Pedra ou um ligeiro Consomé. ;)
Vou passar a ser (ainda) menos politicamente correcta, se não gostarem não leiam, que cada vez estou mais avessa a papas na língua.
Quanto aos mal entendidos, paciência, por muito cuidado que tenha sempre hão de acontecer. É também para isso que os “comentários” existem e, se se manifestarem, posso sempre tentar clarifica-los.
Finalmente, se me surgirem espontaneamente ideias de músicas e/ou imagens óptimo, senão sempre  poderei eventualmente acrescenta-los mais tarde ou nem por isso.  lol

Nota: A música, quando existir, deixará de passar automaticamente, para evitar a cacofonia assustadora que nos assalta quando clicamos numa “etiqueta” desatando todas a tocar ao mesmo tempo.
Assim, se a quiserem ouvir, terão de passar a carregar no “plei” lá em baixo. ;)
Prometo, quando arranjar um bocadinho, tratar do assunto nos posts antigos.

Mas houve outra razão que me levou a parar: estava zangada com o género humano.
Pois…
Sabem aquelas afirmações do género “quanto mais conheço os homens, mais gosto dos animais”?! 
Deu-me uma coisa dentro desse género.
Acontece que acredito, do fundo do meu ser, que a “salvação” do bicho homem passe por muitos dos princípios e ideias que por aqui vou transmitindo.
Notem que não inventei a pólvora, estando eles presentes, julgo eu, em qualquer religião e tendo vindo a ser defendidos por todo o tipo de gente, desde o princípio dos tempos.
Constatar que não são nem pouco mais ou menos postos em prática pela esmagadora maioria das pessoas, embora muitas delas não se coíbam de os apregoar, dá-me a volta ao estômago.
Desmoralizei, entrei numa fase derrotista em que achei que não valia a pena continuar a “pregar”.

Já recuperei no entanto forças e não só quero como preciso de voltar a escrever, senão por vocês queridos leitores, pelo menos por mim.
Dei-me subitamente conta de que estava a abandalhar, a dar menos atenção ao meu eu, àquilo que quero ser.
Estão a ver a diferença entre quando estamos sozinhos em casa e quando recebemos visitas?! É uma coisa do género mas relativa à  psique… lol
Assim percebi que, por uma questão de coerência, me sinto comprometida a viver segundo aquilo que aqui apregoo e que, se não escrever, também me torno preguiçosa e badalhoca a pensar e entro numa de deixa andar.
Ora, como toda a gente sabe (ou talvez não), a felicidade não cai do céu, é preciso querer muito tê-la e dá muito trabalhinho, on a daily  basis, a manter. 
Se a descurarmos, vai-se embora.

E nós não queremos isso, pois nãããooo?!
Bem vindos então a esta nova panela de sopa. ;)

quinta-feira, 26 de abril de 2012

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Cada coisa a seu tempo...

COM MÚSICA


No fim-de-semana passado houve a festa anual da escolinha do mê filhote…pré-primária e primeiro ciclo no Sábado, Sarau dos mais crescidos na Sexta à noite.
Da mesma forma que não acho graça a bebés (sim, sou um monstro…), confesso que nunca achei grande piada a este tipo de espectáculos, que acabo por suportar mais do que apreciar. Maternidade a quanto obrigas… lol

O Pedro ainda só estando no 4º ano, não tinha nenhuma “obrigação” de presença nesse dia, decidi no entanto também ir na Sexta-feira, pois o meu sobrinho querido do meu coração, já “mais grande”, ia tocar.
Preparei-me portanto para uma seca com putos com uns centímetros a mais do que os outros.

Pois que fui agradavelmente surpreendida e adorei! ;)
Foi, na realidade, um espectáculo de “variedades” bastante bem apresentado, em que os miúdos tocaram, cantaram, dançaram, tudo isto com um guarda-roupa e umas coreografias giros e música à maneira.
Não foi comparável àquelas apresentações fantásticas que estamos habituados a ver nas séries e filmes americanos, mas também não envergonhou ninguém.

Mas o que mais me empolgou, para dizer a verdade, foi o ambiente que por ali reinava. Não sei se terei olhado mais para o palco ou, feita mirone, para aquela fauna que me rodeava.
De repente senti-me transportada para o passado, como que numa maquina do tempo. Tal como o Pierre de “Les choses de la vie”  revivi mentalmente a minha própria adolescência, voltando-me à memória pessoas e situações, há muito abandonadas no sótão das recordações.

Aquela ilusão de que já sabemos/percebemos tudo, a rebeldia e irreverência naturais da idade, os primeiros passos a caminho da independência. A quase absoluta falta de responsabilidades, de reais preocupações, de encargos. As festas “de garagem”, os primeiros copos, as primeiras bebedeiras. Os grupos, a “melhor amiga”, os flirts, as paixões. O despontar da sexualidade, o primeiro beijo, a curiosidade, a intensidade, a experimentação, a consumação. A firmeza das carnes, a lisura da pele, a inesgotável energia. Aquela fantástica sensação de estarmos ainda a começar o resto da nossa vida…
Tudo isto voltei a sentir na pele naquela noite.
E tive saudades, muitas saudades…

Mas depois, alguma coisa me chamou de volta à terra e senti também o reverso da medalha.
Os ups and downs de emoções, com picos fantásticos mas também terríveis buracos negros. A sensação de que tudo é a preto e branco, as pessoas ou são boas ou más, as situações maravilhosas ou absolutamente terríveis, os sentimentos extremos, em que tão depressa adoramos como odiamos. Os medos, as inseguranças, as depressões. A noção de que não temos a vida nas mãos, de que muitas das decisões que nos dizem respeito não são tomadas por nós. Aquele mal estar de nos sentirmos desadaptados, de já não sermos crianças mas também ainda não sermos adultos, sem que saibamos bem onde nos enquadramos.

Tive então a nítida noção de que, se pudesse, não voltaria atrás.
Como dizia o José Mário Branco, “eu vim de longe, de muito longe, o que eu andei para aqui chegar…” ;)
Sim, tenho cabelos brancos, rugas e as peles flácidas e volta não volta começo a parecer-me com o Condor… com dor aqui, com dor ali… A idade não perdoa. lol
Sim, já tenho muito provavelmente menos tempo de vida pela frente do que pelas costas e, fisicamente, a sua qualidade só tenderá a decair.
Mas céus, como me sinto melhor do que naquela altura!!!

Não consigo sequer imaginar-me a passar outra vez por tudo aquilo por que tive de passar para conseguir chegar onde estou. Não é de todo fácil, ou pelo menos para mim não foi, atingir a paz de espírito que sinto hoje em dia. Bati muito com a cabeça nas paredes, cai e levantei-me várias vezes, sofri, fiz sofrer, e foi tudo isto, sentido na pele, que me permitiu aprender.
Repetir?! Não, obrigada.
Já dei para as montanhas russas, agora quero é sossego… lol









sexta-feira, 6 de abril de 2012

Minha vida, minha responsabilidade

COM MÚSICA


A esmagadora maioria das coisas que nos “acontecem” na vida são consequência, directa ou indirecta, dos nossos actos.
A todo o momento somos confrontados com pequenas ou grandes decisões que irão determinar o nosso caminho. Tudo aquilo que fazemos ou dizemos ou, pelo contrário, optamos por não fazer ou dizer, irá de alguma forma alterar o nosso futuro.

Embora, dito assim, isto possa parecer uma verdade de La Palice, a realidade é que muitos não se dão realmente conta de até que ponto a sua vida está efectivamente nas suas mãos.

Muitas destas causas/consequências são difíceis de analisar, há no entanto quem nem sequer se dê ao trabalho de o tentar fazer.
As pessoas não gostam geralmente de falar em “culpas”, a realidade é que muitas das coisas que nos acontecem são “culpa” nossa, sim, de uma forma ou de outra.
Alguns conseguem ver isso claramente, outros sacodem a água do capote e culpam o Cavaco, o Socrates, o vizinho, o tempo, a sorte… ;)

Era bom que conseguíssemos constantemente ter a atitude correcta, fazer a escolha certa, dizer a coisa adequada… infelizmente e por variadíssimas razões nem sempre assim é. Afinal de contas “errar é humano”.
Podemos ter mil e uma desculpas, justificações, atenuantes, para a merda que fazemos, mas uma coisa é quase certa, se não a encararmos como tal, é meio caminho andado para a repetirmos.

Identificar e assumir a responsabilidade pelos nossos actos parece-me portanto uma postura fundamental para que possamos evoluir e evitar futuros erros.
Apesar de também o considerar importante, não estou a falar de assumir perante os outros mas, sobretudo e antes do mais, para nós próprios.

O meu filho comeu lindamente até ao ano de idade, altura em que tudo mudou drasticamente e cheguei a pô-lo na cama há noite com um Danoninho no bucho, sem que tivesse comido mais nada o dia inteiro.
Stressei pra caraças transformando assim a hora das refeições num verdadeiro inferno, tanto para mim como para ele.
Quando me dei conta do meu erro, o mal já estava feito e só agora, com a sua entrada na pré-adolescência, a situação está a melhorar.
Podia simplesmente concluir que era um pisco e encolher os ombros.
No entanto, embora não tenha sem dúvida provas disso, estou profundamente convencida de que foi a minha atitude que gerou este mini-drama.
Assim, se tivesse tido outro filho, teria certamente reagido de uma forma totalmente diferente, para tentar evitar este tormento que durou quase dez anos.

Todos conhecemos certamente casos de pessoas que, no tempo das vacas mais rechonchudas, tinham uma rica vida e estão neste momento a fazer mais furos no cinto. Algumas delas, no entanto, viviam nitidamente acima das suas possibilidades, acumulando créditos ou dívidas. Agora culpam a crise. Ou pais que se descartam completamente da educação dos filhos e depois culpam a escola. Gente que se envolve sucessivamente com as pessoas “erradas” e depois culpa o outro da relação não ter dado certo. Malta que anda sem cinto de segurança ou capacete e depois culpa a mancha de óleo na estrada. Etc, etc, etc…

Não temos sem dúvida total controlo sobre as nossas vidas, não conseguimos prever tudo, não podemos garantir de antemão que estamos no caminho certo.
Podemos no entanto analisar os nossos erros e tentar não os repetir.
Só o conseguiremos no entanto fazer se os assumirmos como tal e aceitarmos carregar nos ombros a responsabilidade das suas consequências.




quinta-feira, 29 de março de 2012

Saber ajudar

COM MÚSICA



Todos nós, volta não volta, precisamos de ajuda.
Não é no entanto qualquer um que consegue, efectivamente, ajudar e uma ajuda “mal dada” pode inclusivamente tornar-se contraproducente.

Aquilo que me parece de longe mais importante, quando nos propomos a ajudar alguém, é que estejamos de facto dispostos a fazê-lo.
É um duro golpe contarmos com alguma coisa e puxarem-nos o tapete debaixo dos pés. Expectativas goradas causam desalento, o que é certamente a última coisa de que essa pessoa precisa.
Infelizmente, muitos propõem ajuda porque é simpático fazê-lo, porque é costume em determinadas situações, porque se deixam levar pela emotividade do momento, sem que no entanto, consciente ou inconscientemente, tenham uma real intenção de a fornecer.

O contrário também se aplica. Ás vezes as pessoas precisam simplesmente de desabafar, sem que isso implique qualquer acção da nossa parte.
Arregaçar as mangas e começar a engendrar soluções pode ser extremamente invasivo.

Outra coisa que me parece fundamental é termos a noção de que todos somos diferentes.
A outra pessoa pode ter princípios, ideias, crenças, convicções, etc que não partilhamos, sendo no entanto importante que as respeitemos.
Por outro lado, cada um de nós tem as suas próprias limitações. O facto de, perante determinada situação, nos sentirmos capazes de tomar esta ou aquela atitude, não quer dizer que o outro também o consiga fazer.
Ou seja, não podemos esperar que o outro reaja como nós o faríamos e convém que configuremos a nossa ajuda tendo em conta as suas características. Sugerir-lhe que faça algo que vá contra aquilo que é ou aquilo de que é capaz só irá afligi-lo ainda mais.

Para que surja vontade de ajudar alguém, essa pessoa tem de nos dizer alguma coisa, temos de ter com ela algum tipo de empatia.
Empatia em excesso, em momentos de crise, parece-me no entanto ser mais prejudicial do que outra coisa.
As dificuldades da vida trazem uma carga emocional associada, não é útil partilha-la.
Alguns dos problemas que surgem nessas alturas são a perda de visão clara sobre os factos, o raciocínio turvo, uma parcialidade exacerbada.
Ora se vestirmos completamente a pele do outro, seremos afectados pelo mesmo handicap.

Quem está de fora, tende a ver as situações com mais clareza.
Se por um lado me parece fundamental que alerte o outro sobre detalhes que lhe possam estar a passar ao lado, fazê-lo em excesso só irá servir para causar angústia.
Há pessoas que, na sua desesperada tentativa de ajuda, divagam sobre potenciais dificuldades futuras cuja consideração em nada irá ajudar a resolver a situação presente. Um extenso leque de “ses” só indo baralhar as tomadas de decisão.

Ninguém é perfeito ou dono da verdade e, quando analisamos as situações, damos conselhos, propomos soluções, estamos sempre sujeitos a falhar, a que estes não sejam os ideais para a situação concreta.
No entanto, e apesar dessa hipótese, dizer ao outro aquilo que muitas vezes sabemos que ele quer ouvir, em vez daquilo em que realmente acreditamos é, na minha opinião, um erro. Por muito difícil que seja ouvir ou dizer certas coisas, quando julgamos que o outro está a seguir pelo caminho errado, devemos dizer-lho.

Finalmente, ajudar não costuma ser fácil.
Física e/ou psicologicamente sai-nos do coiro, desgasta, cansa, chupa energia, rouba tempo. Pontualmente temos de pôr a nossa própria vida em pausa para tentarmos ajudar a desembrulhar a dos outros.
Mas… what goes around, comes around… e se não o fizermos, como podemos esperar que alguém um dia o faça por nós?! ;)



quarta-feira, 21 de março de 2012

Querer e poder…



A generalidade das pessoas tem uma noção bastante clara do que pode ou não, legalmente, fazer. A maioria delas tenderá a cumprir a lei.
Muitas das coisas consideradas ilegais estão ao alcance de qualquer um, só não as fazemos porque, apesar de na prática podermos, sabemos que não devemos fazê-las…

No que diz respeito às questões morais, o caso muda completamente de figura, muitas pessoas se dando ao luxo de ter atitudes de bradar aos céus.
Passo a exemplificar.

No painel de controlo da rede do LF, há um assustador botãozinho que diz “delete network”. Só eu tenho acesso ao mesmo, fui eu que criei o site, sou eu que o giro.
Posso então, se me der na real gana, clicar-lhe em cima, certo?!
Posso, a Ning  diz que sim…
Ou será que não é bem assim?
Criei aquele site na brincadeira, sem a mínima noção daquilo em que se viria a transformar. Fui ultrapassada pelos acontecimentos, a coisa tendo tomado proporções completamente desmesuradas.
Poderia ter (descansem amiguinhos, que não tenho…lol) mil e duas razões, perfeitamente válidas, para querer vê-lo pelas costas, livrar-me dele.
No entanto, apaga-lo é a última coisa que me sinto no direito de fazer.
Apesar de o ter “gerado” ele não é meu, ganhou vida própria, é de todos e de cada um dos seus membros. Cada um lá depositou, pouco ou muito de si, ninguém podendo deitar isso para o lixo, como se não tivesse qualquer importância.

Todos somos regularmente confrontados com casos de maus tratos ou abandono animal. Chegam ao nosso conhecimento actos atrozes, de revolver o estômago, que nos fazem duvidar da humanidade de certos indivíduos e perguntar quem será efectivamente o animal.
Podem fazer essas coisas?
Podem.
Têm pés para dar chutos, punhos para esmurrar, facas para cortar, fogo para queimar, carros para os ir largar bem longe de casa, para garantir que não voltem. Tanto quanto sei, nada disto é punível por lei.
Os bichos não têm defesa contra as monstruosidades das bestas humanas, a sua única safa é não cruzar o seu caminho. Nem todos têm essa sorte.

Recentemente, vi no Facebook, um apelo relativamente a uma pessoa desaparecida. O texto tocou-me e a fotografia também, fiz portanto share do post.
Recebi posteriormente um aviso para não continuar a partilhar, pois tinha sido encontrada… morta.
Era muito bonita, jovem e… tinha dois filhos pequeninos. Suicidou-se.
Não irei certamente atirar a primeira pedra, não só porque não tenho conhecimento do que se passava na vida e na cabeça daquela pessoa como porque, como os meus leitores mais assíduos sabem, não tenho autoridade moral para o fazer.
Mas, podia?
Dois filhos, dificilmente se tem dois filhos por acidente, foram provavelmente desejados, amados, queridos e tragicamente atirados para a orfandade. Dois filhos por criar e desiste-se, decide-se que não valem o esforço de lutar por eles, seja lá contra o que for? É preciso não ter qualquer noção da gigantesca cicatriz que se lhes deixa em herança, da devastadora sensação de abandono que os irá perseguir por toda a vida.

Julgo que estes três exemplos sejam suficientes to make my point
Em qualquer uma destas situações, como em tantas outras, as pessoas têm a faca e o queijo na mão, podem efectivamente fazer estas coisas.
Podem, se se dispensarem de auto-crítica, autocensura, auto-controle, auto-estima, às vezes. Podem se não tiverem os outros, humanos ou animais, em consideração, se não se puserem no seu lugar, se não tiverem princípios morais sólidos.
Infelizmente, muitos só se inibem se também for ilegal…


COM MÚSICA

quarta-feira, 14 de março de 2012

Dar a mão à palmatória

COM MÚSICA


Eu portei-me mal
Tu portaste-te mal
Ele portou-se mal
Quem nunca se portou mal, que atire a primeira pedra…

O que quero dizer com portar-se mal?!
Basicamente, agir contra os nossos próprios princípios.
Fazer (ou não fazer)  algo que normalmente criticaríamos nos outros.

Mais ou menos frequentemente, todos o fazemos e quem disser que não, mente com quantos dentes tem na boca.
Por muitos esforços que façamos para nos tornarmos pessoas melhores, por muito que tentemos viver segundo as nossas convicções, que estejamos alertas para que a teoria e a prática andem de mãos dadas… há sempre alturas em que metemos a pata na poça.

Porque estamos com o período, porque estamos doentes, porque sofremos de algum mal-estar, porque estamos chateados, porque estamos revoltados, porque estamos preocupados, porque estamos cansados, porque estamos stressados, porque temos a cabeça noutro lado, porque deixámos os nossos instintos levar a melhor, porque não pensámos antes de agir, porque acordámos com o pé esquerdo… porque, porque, porque… há sempre razões que explicam as más acções.
Explicam mas não justificam, nem desculpam.

Nem todos os seres humanos seguem o seu caminho no sentido de tentar melhorar a sua personalidade, o seu feitio, o seu relacionamento com os outros…
Não se iludam no entanto os que o fazem, a coisa nem é fácil, nem acontece de um dia para o outro. Não basta decidir mudar. Fazê-lo requer trabalho, perseverança, insistência.
Tal como para uma criança que aprende a andar, há muitos tombos à nossa espera.

Por outro lado, a demanda da perfeição (daquilo que na nossa cabeça é a perfeição), é uma perseguição inglória, uma utopia, é como tentar atingir o fim do arco-íris. Há sempre mais arestas a limar, mais campos a trabalhar.
Uma coisa é no entanto certa, sem a ajuda dos outros para nos abrirem os olhos e fazerem ver onde vamos errando, associada a uma boa dose de auto-crítica, não chegaremos a lado nenhum.

Um episódio recente inspirou este meu post…
Uma amiga pediu-me ajuda e lembrei-me de deixar um apelo no nosso sitezinho.
Quando me contactou no chat do FB, já era muito tarde e estava a tentar despachar uma série de coisas para me ir deitar. Tivemos uma conversa telegráfica, em que estupidamente não pedi detalhes, sendo consequentemente o meu apelo no dia seguinte bastante minimalista.

Qual não é no entanto o meu espanto quando, em vez das habituais mensagens positivas e solidárias, me deparo com uma pessoa que, ainda com menos conhecimento de causa do que eu, interpretou a coisa como lhe deu na real gana (com requintes de malvadez imaginativa, devo dizer) e julgou e condenou ali a minha amiga, sem dó nem piedade.

Mais estranha a ainda foi a reacção de outros que, perante esta atitude, foram a seguir pôr paninhos quentes, atribuindo a culpa desta crucificação aos computadores, à comunicação na net…

Um “filme” foi gerado na cabeça daquela pessoa, com base na informação deficiente que transmiti, as novas tecnologias não tendo qualquer responsabilidade no assunto. Retratou infelizmente uma pessoa que é exactamente o oposto da que conheço.
Não indagou, não quis saber detalhes, não deu o beneficio da dúvida antes de apontar acusadoramente o dedo…
Na minha humilde opinião, portou-se mal.

Acredito que, no seu íntimo, também ache o mesmo. Acredito que não aprove este tipo de reacção  precipitada e infundada. Acredito que dela se tenha de alguma forma arrependido.
Não foi no entanto o que deixou transparecer. Quando mais tarde lá fui deixar uma explicação mais completa do que se estava a passar, deu uma desculpa totalmente esfarrapada para justificar a sua atitude

Se não reconhecermos os nossos erros, se não os assumirmos como tais, dificilmente os conseguiremos corrigir, será difícil escapar a recidivas, amanhã voltaremos garantidamente, de uma forma ou de outra, a repetir “a graça”.
E se os outros julgam que nos estão a fazer algum favor em nos aparar os golpes, desenganem-se. A sua reacção é a nossa bitola, o espelho das nossas faltas. Validar uma postura negativa é ajudar a perpetuar o erro. Ajudem o próximo com a vossa crítica, não com a vossa permissividade.

quinta-feira, 8 de março de 2012

O amor é cego

COM MÚSICA



Or so they say…pessoalmente, acho que muitas vezes simplesmente não quer ver.

Pomos aqueles que amamos num pedestal, desviando instintivamente o olhar dos seus defeitos e imperfeições, como se tivéssemos medo que o facto de os encararmos como tal fosse de alguma maneira afectar o nosso amor.
Com eles tendemos a ser permissivos, tolerantes, pacientes, indulgentes, condescendentes, aceitando comportamentos que não toleraríamos de mais ninguém, arranjando geralmente forma de os justificar.
Perdoamos ao ente querido actos que provavelmente criticaríamos implacavelmente a terceiros, tornando-nos, parciais, tendenciosos e por vezes até injustos.

Ás vezes fazemo-lo por empatia, por nos reconhecermos neles, não tendo assim que os assumir como indesejáveis. Outras, pelo contrário, vão de tal forma contra tudo aquilo que somos, que preferimos renega-los completamente.

É muitas vezes difícil convencer uma mãe de que o seu filho cometeu efectivamente um acto danoso ou levar um amante a condenar uma atitude do outro, por exemplo. Esta negação, esta falta de visão, podem no entanto levar a amargos dissabores. Quem não conhece o caso clássico do casal que se separa, passando “o outro” de bestial a besta, do dia para a noite… do pai que "renega" o filho que comete alguma "atrocidade", perfeitamente previsível se o tivesse encarado com olhos de ver.

As pessoas não precisam de ser perfeitas para serem dignas do nosso amor, nada é perfeito, ninguém é perfeito, nem eles, nem nós. Parece-me portanto fundamental que as aceitemos tal como são, com todos os seus prós e contras bem definidos nas nossas mentes.

Um amigo nosso costumava dizer que “homem que é homem, papa miúdas feias… as giras qualquer um papa”. lol
Gostar de alguém apesar dos seus “senões”, parece-me muito mais positivo do que tapar o sol com a peneira e fazer de conta que não os tem.

Por outro lado, ingénua, iludida ou simplesmente parva, a verdade é que acredito que nos seja possível ajudarmo-nos mutuamente a ter uma postura mais positiva na vida.  
Se não identificarmos aquilo que consideramos pontos fracos no outro, não poderemos tentar abrir-lhe os olhos no sentido de tentar melhorar, não poderemos agir por forma a ajuda-lo a “trabalha-los”, o que iria possivelmente não só melhorar a sua qualidade de vida, como também a nossa.

Depois há as coisas que não se podem mudar e quanto a essas batatas, como se costuma dizer, “não há bela sem senão”.
O que me parece, no fundo, realmente importante é que se ame aquilo que o outro é efectivamente e não uma ilusão criada por nós. ;)



terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O meu popó

COM MÚSICA



Quando vivíamos em Lisboa, tínhamos um só carro, que passava a maior parte do tempo estacionado à porta.
A mudança para cá fez com que tivéssemos de comprar outro, sendo impossível (que é como quem diz “muito chato”) viver por estas bandas sem locomoção própria.

Assim, estando já nessa altura as vacas muito magrinhaaas, comprámos uma biatura em segunda mão, num estado absolutamente miserável, pelo que nos fizeram um desconto considerável.
A aquisição transformou-nos em alegres proprietários de dois chaços velhos, mas perfeitamente funcionais. Que mais se pode querer?!

Os anos foram passando… as vacas continuaram a tender para o anoréctico… e os carritos foram atingindo as provectas idades de 14 e 19 anos.
O mais velhote, um Pagero, consideramos que tem a obrigação de durar “uma vida”. Assim vamoziu tratando com muito amor e carinho e continua aí para as curvas (e contra curvas e lombas e calhaus e praias de Porto Covo… hehe).

A Zafira, tadinha, vinha muntooo maltratada da antiga dona. Parecia um daqueles cãezinhos que se vão buscar ao canil para não serem abatidos… Nem vale a pena mencionar o que gastámos em veterinário desde que a acolhemos.
A realidade é que estava com um pé para a cova. Mais do que uma vez nos deixou a meio de uma viagem, recusando-se a prosseguir caminho. Nunca sabíamos se efectivamente chegaríamos ao destino, pelo menos na sua garupa.

Conclusão, comprámos um carro novoooooooo!!! :)))

Quando anunciamos isto, regra geral as pessoas comentam “estão ricos… a vida corre-vos bem…”
Pois que não e foi esta a razão que me levou a escrever um post sobre o assunto.  
Passo a explicar…

A primeira parte é “técnica” e talvez possa ajudar alguém com este raciocínio:
Basicamente, fiz uma pesquisa e cheguei à conclusão de que, a maioria dos carros de hoje em dia, consome metade do que gastava a negra besta.  
Depois de me informar sobre preços e ofertas de mercado, sentei-me a fazer continhas e cheguei à conclusão de que a diferença do que vamos gastar em gasolina é suficiente para pagar uma prestação a 96 meses.
Demos o chaço de entrada mas reservámos parte do dinheiro para pagar a primeira prestação, que é sempre mais cara por causa das despesas de processo.
Fizemos um seguro contra todos, a pagar mensalmente em vez de anualmente, diluindo assim a dolorosa.
E eis-nos felizes proprietários de um magnifico “Ferrari” C1 vermelhinho, lindo, lindo… :)))

Ok, passámos de cavalo velho para burro novo, é um facto.
Tínhamos um carro de sete lugares, com um porta bagagens onde dava para dançar o tango, computador de bordo e todo o tipo de mariquices, que substituímos por quatro míseros assentos (apertados), um porta-luvas traseiro e indicador de velocidade.
Mas, digo eu, mais vale burro a trotar do que cavalo morto. ;)

Sobretudo, é impressionante (apesar de estupidamente material) a lufada de ar fresco que veio trazer ás nossas vidas… A ilusão de prosperidade que proporciona. A sensação de que as coisas afinal não estão assim tão mal. Já sem falar da confiança no veiculo que nos irá transportar.

Não comprava um carro novo há 25 anos!
Já não me lembrava do cheirinho, dos tapetes imaculados, da carroçaria a brilhar… quando o fui buscar estava tapado com um feltro para não lhe porem dedadas… lol
O nosso filhote tinha imensa vergonha do nosso antigo “amolgado”. Sobretudo quando o estacionava na escola ao lado de outro igualzinho mas que não está colado com cuspo…
Hoje, quando o fui deitar, disse-me: “que bom, amanhã vou para a escola”. Quando estranhei a afirmação, explicou: “… no carro novo.”

Hoje é Natal cá em casa! :)))














sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Figuras Publicas

COM MÚSICA



A internet tem vindo progressivamente a transformar os seus utilizadores em “figuras públicas”.
Se não acreditam, Googlem o vosso nome e pasmem-se com os resultados. Scaryyy!!!

Antes de escrever este post fiz esse exercício e deparei-me, entre outras coisas, com um comprovativo de transferência do Barclays, para pagamento de um dos jantares do Liceu Francês…
Tudo ali escarrapachadinho, ordenante, nib, destinatário, valor, comissões (que fiquei a saber que o senhor não paga, tenho de me mudar para aquele banco), referência, data, etc…

Se dantes nos podíamos dar ao luxo de ser “cidadãos anónimos” agora, desde que frequentemos o ciberespaço, isso acabou.

Há muitos, muitos anos (mas já não era eu uma criança) escrevi um livro que se chama “Um baralho de cartas”. É uma história contada através de cartas enviadas a várias pessoas. A ideia por detrás do mesmo sendo que aquilo que contamos a cada um, assim como a forma como o fazemos, as expressões que utilizamos, etc, variam de indivíduo para indivíduo, de relação para relação.
Teoricamente é esta a base das relações humanas, a diplomacia, o respeito e consideração pelo outro, pelas suas ideias, pela sua postura perante a vida, sendo fundamentais para que haja entendimento e harmonia.

Com certas pessoas fazemos cerimónia, com outras refreamo-nos de partilhar algumas coisas, com alguns sentimos confiança para assumir todas as nossas idiossincrasias…
Esta gestão, aliada a um mínimo de bom senso, costumava ser fácil… Hoje em dia está-se a transformar uma tarefa titânica…
Na internet tudo fica registado, tudo fica visível, tudo fica acessível a qualquer um, tornando extremamente difícil a compartimentação daquilo que partilhamos com os outros.

A generalidade das pessoas julgo que ainda não se tenha realmente apercebido deste facto. Muitas pessoas partilham online detalhes das suas vidas privadas, sem noção de que não estão a escrever “para os amiguinhos”. Mesmo quando estão conscientes desse facto, muitos não pensam em todo o tipo de gente que os pode ler, ver, etc…
Assim, ás vezes sem sequer pensar duas vezes no assunto, dizem ou partilham coisas que podem de alguma forma mete-las em sarilhos.
Ao vivo, frente a frente, provavelmente não o fariam… não mostrariam certas fotos a determinadas pessoas, não fariam certo tipo de comentários, não contariam certas coisas, não utilizariam certo tipo de linguagem. Na net, esquecem-se, soltam-se e por vezes arrependem-se.

Quem navega na internet tem de se comportar como as “verdadeiras” figuras públicas. Tem de se resguardar, de se proteger, de evitar expor-se. Para além disso tem de estar disposto a assumir tudo o que faz, tudo o que diz, tudo o que divulga, perante seja quem for. Não é nada fácil.

Tomando o exemplo deste blog (ou de outro qualquer), não faço ideia de quem o irá ler. Pode ser a minha mãe, uma tia, a minha empregada, os meus vizinhos, um cliente, a professora do meu filho. Tenho portanto o máximo cuidado com o que digo.
Não quer dizer por isso que não possa meter a pata na poça de vez em quando, mas estou extremamente consciente de qualquer individuo, com todo o tipo de ideias, susceptibilidades, crenças, credos, etc, é um potencial leitor. Tento assim fazer o meu melhor por não agredir, não ofender, não chocar… uso e abuso da autocensura, releio várias vezes o que escrevo e sobretudo não tenho de forma alguma o à-vontade que teria no recato da minha vida íntima e privada.

Outra coisa que tento fazer é não expor a vida de terceiros.
E é aqui que a porca torce o rabo…
Se é verdade que, com um pouco de presença de espírito e noção das coisas nos conseguimos proteger da exposição pública, quem é que nos vai proteger dos outros?!

A foto que podem ver em cabeçalho foi publicada esta semana no facebook por uma amiga minha.  Não tem mal nenhum, pelo menos aos meus olhos, e acho até, tal como a pessoa que a postou, que está bem gira. É de um grupo de amigos esparramados num sofá, num casório… nada demais.
Acontece que não tenho qualquer dúvida de que certas pessoas a fossem achar “escandalosa”… pernas nuas, mãos nas ditas cujas, tudo a molho… é o debocheeeeeeee!

Acho portanto muito importante que tenhamos também muito cuidado com o que mostramos, divulgamos ou dizemos, dos outros… Que tenhamos a noção de que não sabemos de todo quem o irá ver/ler, incluindo o próprio. Que poderemos, sem querer, por não termos sequer pensado nisso, de alguma forma lesa-los.

A internet é fantástica mas é um local muito perigoso… ;)