terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Borboletas e calhaus

COM MÚSICA




Cada um de nós tem a sua sensibilidade, a vários níveis.
Tenho-me no entanto dado conta que, tanto física como emocionalmente, quase que dava para encaixar a generalidade dos seres humanos (e não só) nas categorias de borboleta ou calhau.

Eu, por exemplo, sou definitivamente um calhau… lol

Fisicamente, não suporto que me aflorem… aquelas festinhas ao de leve nas costas ou um beijo de raspão, fazem-me amarinhar pelas paredes acima, tipo choque eléctrico e fico (em sentido próprio) cheia de comichões.
Comigo, se é para tocar, é para tocar á séria, com força e determinação. E não estou só a referir-me àquilo em que as mentes porcas já estão a pensar… ;)
Tenho um tio que no lugar das mãozinhas tem tenazes, sem noção da força que tem… quando estamos juntos até tremo de o ir cumprimentar pois já sei que vou ficar com o braço a latejar, de tal forma mo costuma apertar. Prefiro no entanto mil vezes isso àquelas pessoas que dão apertos de mão como se se estivessem a derreter, por exemplo…

A certa altura vieram cá para casa duas gatas, duas irmãs da mesma ninhada. Desde o dia em que chegaram ficou muito claro que eram totalmente diferentes.
Uma era calhau, como eu, gostava que lhe arranhasse literalmente o lombo, punha-se de costas ao meu colo para que lhe massajasse a barriga, roçava os cantos da boca com força nas minhas mãos.
A outra, mal se lhe podia tocar. Apesar de afectuosa, odiava que se lhe pegasse ao colo, os carinhos tinham de ser feitos ao de leve, de mão aberta, no sentido do pelo, senão ia-se logo embora.
Com as pessoas passa-se o mesmo.

Emocionalmente sou igualzinha, se é para mexer é “à homem”… lol
Já aqui mencionei mais do que uma vez, julgo eu, que quando o meu pai morreu foi o melhor amigo dele que mo anunciou. Ligou-me e, sem papas na língua, disse-me: “o teu velho apagou-se.” A alguns soará provavelmente brutal, insensível, esta forma de apresentar a questão. Para mim valeu ouro. Ninguém quer ouvir uma coisa destas, seja lá de que forma for, mas tinha sido para mim muito mais penoso com floreados.

O que foi aliás o caso com o meu irmão, que nos costuma fazer pet-sitting nas férias e tem sempre o galo de acontecer alguma coisa.
Estávamos nós a passar a ponte para seguir para Porto Covo quando me ligou:
- Olhaaa, não tenho boas notícias…
- Então?!
- Foi a Kitty…
- Então, o que aconteceu?
- Não está bem…
- Conta.
- Cheguei a casa e estava à porta…
- Mas está ferida?
- Sim.
- Mas está viva?!
- Não
&;%$###%##!!!!!
Já se passaram largos anos e ainda hoje gozamos com o assunto… Só me fez pensar na anedota do subiu ao telhado… 

Cada um tende a tratar os outros da forma como gosta que o tratem…
No entanto, quer pertençamos a um tipo ou ao outro, com todos os graus de cinzento possíveis, há que ter a noção de que nem todos somos iguais.
Só assim poderemos adaptar a nossa atitude à sensibilidade alheia. 
Vai sem dizer que esta postura tem de funcionar nos dois sentidos.

Todos teremos, mais ou menos conscientemente, uma linha para além da qual, em cada um dos extremos, não achamos as coisas “normais”. Nesses casos ás vezes não há grande coisa a fazer, grande adaptação possível.
Diz-se que todos os homens têm um lado feminino e vice-versa. Neste caso todos os calhaus têm o seu lado borboleta e todas as borboletas um lado calhau, é o limite até onde estamos dispostos a ir.

Eu, por exemplo, não consigo ver  atractivos no sadomasoquismo e não considero qualquer hipótese de compromisso nesse sentido. Por outro lado, não tenho grande tolerância para malta “não me toques que me desafinas” a quem não se pode dizer nada que não magoe ou ofenda.

Assim, as relações humanas passam por compreendermos o que podemos/devemos, dizer/fazer, como, a quem.
Curiosamente, ou talvez não, observo que as pessoas com o mesmo tipo de sensibilidade tendem a entender-se muito melhor.




PS: Este vai dedicado aos meus amigos que, agora por ocasião dos meus anos, provaram conseguir aturar com muito amor e paciência a minha calhausice… ;)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Para os mais novos…

COM MÚSICA




Contrariamente ás expectativas, fui-me dando conta aos poucos de que não eram só cotas como eu que por cá passavam de vez em quando… esta sopa tem um que outro “cliente” (lol) francamente mais novo, muitooo mais novo…
É bom de saber.
Obrigada a eles por me darem a honra de me ler. ;)

É um clássico aquela sensação que a malta mais velha tem de não ser ouvida pelos mais novos… Gostaríamos de lhes poder transmitir a nossa experiência, para que pudessem atalhar caminho para a felicidade.
Infelizmente não há atalhos na vida, temos de passar pessoalmente pelas coisas para conseguirmos tirar as nossas próprias conclusões.

Pus-me no entanto a pensar que por alguma razão estes meninos cá vêm. Não sendo este um blog de piadinhas ou de tecnologia, de moda ou de seja lá o que for que está neste momento IN no seio da juventud, só pode ser porque até gramam de pensar um bocadinho de vez em quando.
Então tomem lá, para irem reflectindo sobre o assunto… ;)

Não levem á letra a frase do cabeçalho… esqueçam, não se safam sem a tralha que vos obrigam a engolir na escola e afins. Sem matéria prima, a mente não se consegue desenvolver, não desprezem a tal aprendizagem dos factos.
Mas… sem a mínima sombra de dúvida que, mais importante que qualquer outra coisa, é treinarem as vossas mentes para pensar.

Já me perguntaram mais do que uma vez, em tom de crítica e desafio, claro está, como é que eu podia ter tanta certeza de estar certa.
Ora bem, não tenho… não há certezas de coisa nenhuma, começa logo por aí.
Balde de água fria, eu sei… sorry, sei que estão numa idade em que sabem tudo, são detentores da verdade absoluta… mas esqueçam, não há certezas na vida, não deve haver, não é producente que haja…
Assim, abram sempre o vosso espírito, a vossa mente, para a possibilidade de poderem estar errados e aceitem que vos lo provem. 

E o que é certo ou errado, perguntam vocês…
Depende.

Em termos de caminhos, de escolhas, de opções de vida, é uma coisa que na minha opinião não existe. Não há caminhos certos, nem errados, há o caminho de cada um. Podemos viver de variadíssimas formas e nenhuma é mais válida do que outra, desde que gere felicidade e não faça mal a ninguém.

O que nos leva ao outro tipo de certo e errado…
Todos aceitamos que matar, roubar, violar, etc… é errado, certo?! (ou errado?! lol)
Mas estes são comportamentos extremos, com a possibilidade dos quais não nos deparamos geralmente no nosso dia a dia.
Acontece que há muitoooo mais comportamentos, alguns mais insignificantes, menos óbvios, que também podem estar certos ou errados e fazem parte da nossa vida de todos os dias.

E quanto a estes, ninguém vos vai dar um livro de instruções, lamento.
Os chamados educadores podem dar-vos bases de referência (alguns nem isso fazem) mas vão ter de se desembrulhar sozinhos. Vão ter de chegar às vossas próprias conclusões, através da vossa experiência pessoal e, lá está, da vossa capacidade de pensar.

Há quem pape o que lhe enfiam pela goela abaixo. Quem se conforme com o que lhe vendem ao longo da vida como estando correcto.
Não vão nessa conversa, por favor, a cabeça é para ser usada, não é para usar chapéu.
Não papem o que vos quiserem impingir sem o porem em questão se vos cheirar a esturro.

Lembrem-se que até as próprias sociedades estão sempre a evoluir e a questionar coisas que eram no passado dados adquiridos. Já foi OK, escravizar outros seres humanos. Já foi OK, as mulheres não poderem votar. Já foram OK muitas coisas que hoje em dia nem nos passaria pela cabeça fazer ou apoiar.

Sejam verdadeiros com vocês próprios e com os outros.
Ajam coerentemente, segundo as vossas próprias convicções, mantendo a porta aberta para outras ideias.
Mas não desistam para agradar, não desistam para evitar conflitos, não abram mão daquilo em que realmente acreditam por nada deste mundo… a não ser, evidentemente, que tenham efectivamente mudado de opinião.
A isso chama-se evoluir e não ceder.

Construam um futuro melhor, mais genuíno, mais verdadeiro, mais justo, mais estruturado para a vossa geração, que o mundo neste momento, mês riques filhes, está uma bela trampa em termos humanos.

Vá, força e coragem, malta!!! ;)




PS: Dedico este post ao “jovem adulto” ( gramasteis do "jovem adulto", J.?! ) que mo inspirou, ao ter transformado noutra coisa a suástica que tinha desenhado nos jeans, por me provar que os gajos afinal ás vezes até nos ouvem e tudo. ;)
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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Xô, bajaaa!

COM MÚSICA




("Xô, bajaaa!" era o que o meu filho nos ouvia dizer aos gatos e passou assim a adoptar quando o chateavam…)

Há algum tempo acusaram-me de ser intolerante, o que muito me inquietou na altura…
Para mim, a intolerância, a intolerância do dicionário, é uma coisa muito negativa e que eu não queria de forma alguma ser.
Descobri no entanto que sou intolerante sim… mas mais no sentido alimentar da coisa… sou intolerante à má onda!!!

As alergias são uma coisa diferente…
Sou alérgica por exemplo a gente cretina, provoca-me reacções imediatas e viscerais. Sou alérgica a variadíssimos comportamentos aos quais reajo imediatamente, por vezes de forma violenta, talvez até violentamente demais, confesso.
Eu e o meu mau feitio

As intolerâncias são “[...]desenvolvidas por um organismo saturado pelo consumo frequente e excessivo de determinados alimentos [...]”, que é como quem diz, vão-nos envenenando devagarinho sem sequer darmos por ela.
Assim, tal como algumas pessoas cortam determinados alimentos da sua dieta, por chegarem à conclusão que lhes fazem mal, eu tenho cortado pessoas.

Ai que radical e coiso e tal e que ainda acabas sozinha e não sei que mais…
Pois que não me parece que acabe.
A questão aqui tem mais uma vez a ver com o tempo… com o tempo útil de cada um de nós… com a gestão de qualidade desse tempo.
Ora expliquem-me lá, se este já escasseia, se já me vejo aflita para lá encaixar tudo o que quero e gosto de fazer, para estar com as pessoas que me são queridas, com quem quero partilha-lo, por que raio é que haveria de o fazer com malta que só me deixa mal disposta, hein?!

Claro que antes de chegar à conclusão de que esta postura era, para mim, absolutamente ok, pensei muito sobre o assunto e analisei os casos de solidão que conheço, percorrendo mentalmente o percurso humano que fizeram.
E sabem a que conclusão cheguei?!
Que a maior parte dessas pessoas talvez seja efectivamente intolerante, sim, mas no primeiro sentido que mencionei. Cada vez foram tendo menos pachorra para mais coisas. Não têm skills sociais, indo reduzindo aos poucos o seu leque de relações.
Eu não faço nada disso, não me isolo, simplesmente discrimino... lol
Continuo a adorar conhecer gente, introduzi-la na minha vida, acarinhar aqueles que me tratam bem, com quem me sinto bem.

Dir-me-ão que nem tudo são rosas, senhor
Pois com certeza que não.
Com quem mantemos por perto, temos pegas, temos zangas, amuos, mal entendidos.
Algumas das pessoas que me rodeiam têm características que muito me irritam ou vão contra os meus princípios, assim como será certamente o caso em sentido contrário.
A questão, como sempre, é o equilíbrio…

Os confrontos, os problemas, não me assustam, não me afastam…
A forma como se lida com eles já o poderá fazer.
Há  pessoas que parecem só viver bem em conflito, arranjando questões e casos. Alguns esperam tudo dos outros mas não estão nem aí para dar. Há malta que quando lhes damos a mão para tentar puxa-la para cima fazem rabo pesado e puxam-nos para baixo.
Enfim, podia estar aqui a noite toda a tentar descrever aquilo que pessoalmente considero má onda mas não me parece valer a pena, todos compreenderão certamente o conceito.
Basicamente são pessoas com quem os relacionamentos trazem muita dor de cabeça e terrivelmente pouco, quando nenhum, prazer.

Com esses, neste momento, não me interessa se são família ou amigos,  não alimento qualquer tipo de relacionamento voluntário.
Atenção, também não assumo posturas de “é ele/a ou eu”, não acho correcto colocar os outros nesse tipo de situação. Cada um atura o que bem entender.
Como sou uma pessoa educada, cumprimento-os, serei até capaz de manter uma eventual conversa trivial.
Mas não contem comigo para fazer qualquer tipo de esforço, antes pelo contrário, no sentido de manter um convívio minimamente regular.

Acredito, cada vez mais, do fundo do meu ser, que o fel de certos indivíduos é venenoso e nos pode fazer muito mal. A felicidade dá muito trabalhinho, não é coisa fácil de gerir, não é preciso arranjarmos sarna para nos coçarmos.

Assim, neste momento, já só invisto mesmo naqueles a quem de vez em quando me apetece dizer “gosto mesmo de ti, que bem que me sinto contigo”. ;)









terça-feira, 22 de janeiro de 2013

As moscas do tempo gostam de uma seta

COM MÚSICA





 “Time flies like an arrow”, na versão original. ;)

O tempo não se consegue parar, não se consegue amealhar, não se consegue multiplicar… é um bem escasso e valioso, que convém gerir com o máximo cuidado.

Ouvimos com cada vez mais frequência a afirmação “não tenho tempo”… a realidade é que o dia sempre teve 24h e a semana 7 dias, nós é que cada vez mais tentamos meter o Rossio na Rua da Betesga. Ás vezes, ao ouvir os planos de alguém  para o dia ou para a semana, pergunto-me se não terão mesmo a noção de que, ainda que tudo corresse sobre rodinhas, sem imprevistos nem atrasos, seria impossível encaixar tudo naquela porção de tempo. 
Dei-me assim conta que, curiosamente, muita gente não tem realmente consciência de que se fizer A não poderá fazer B e de que é na pratica uma escolha totalmente sua. O tempo não sendo elástico há portanto que, como em tantas outras coisas na vida, de fazer opções.

Podemos e devemos gerir o nosso tempo exactamente como o fazemos com o nosso dinheiro, por exemplo.  Parte dele teremos normalmente de “gastar” em obrigações, tarefas, responsabilidades e compromissos que vamos assumindo. Do que sobrar, muito ou pouco, poderemos dispor.
Só que, se em relação ao dinheiro as pessoas têm geralmente a consciência de que é finito, de que se o gastarem num lado não terão para gastar noutro, etc… relativamente ao tempo alguns parecem julgar que é um saco sem fundo e admirar-se depois por afinal não conseguirem fazer tudo o que queriam.

“Gosto imenso de ler mas não tenho tempo” costumava eu dizer… no entanto, depois de ver a primeira época da série, entusiasmei-me com a Guerra dos Tronos e li tudo de enfiada (cerca de quatro mil e tal páginas) em poucos meses.
Como?! Vi menos filmes e series, passei menos tempo na net, joguei menos, sei lá eu…
Já noutra escala, “nem para os meus filhos tenho tempo”, ouvi eu recentemente… Como é que alguém pode achar que não tem tempo para os filhos é uma coisa que me ultrapassa, mas se calhar sou eu, que sou uma mãe galinha. Facto é que, se o tempo que lhes poderiam efectivamente dedicar for aplicado noutra coisa qualquer, não sobra efectivamente para eles.
É tudo uma questão de prioridades.

Consciente ou inconscientemente, acabamos por arranjar tempo para aquilo a que damos realmente valor e o resto é conversa. Claro que também se pode dar o caso de sermos péssimos gestores e não termos noção do que é realmente importante para nós na vida… ;)
Assim, muitíssimo mais do que nos damos conta, aquilo em que utilizamos o nosso tempo acaba não só por nos definir como por ditar o rumo da nossa existência.

O problema é que, vá-se lá saber porquê, não temos normalmente esta visão sobre o assunto. Não temos a noção de que estamos de facto a fazer escolhas de vida, a definir caminhos.
E às vezes acordamos um dia e damo-nos conta de que, sem saber como nem porquê, perdemos coisas que realizamos fazerem-nos realmente falta.
Na maior parte das vezes essas “coisas” são na realidade pessoas, relações.

Tal como o dinheiro o tempo também pode ser desperdiçado, a questão é o que isto quer dizer para cada um de nós…
Assim, tal como relativamente a tantas outras coisas, chegamos a outra questão importante; a partilha. Podemos partilhar o nosso tempo com terceiros, gasta-lo directa ou indirectamente com os outros ou usa-lo para nosso exclusivo proveito.

Actualmente muitas pessoas dedicam alguns minutos (quando não são horas) do seu dia a passear pelo facebook mas não perdem uns segundos para responder a uma mensagem. São extremamente insistentes e persistentes quando querem alguma coisa dos outros mas não têm tempo para responder se forem estes a tentar contacta-los. Há quem tenha tempo para ver a telenovela mas não para ler uma história ao filho à hora de dormir. Quem vá regularmente ao cabeleireiro mas não arranje disponibilidade para ir visitar a avó ao lar. Enfim...


“Diz-me o que fazes com o teu tempo, dir-te-ei quem és”  - Seria também um bom ditado.
E se não tivermos tempo a perder com as relações humanas, se não o investirmos nelas, se não o passarmos com, disponibilizarmos para, de alguma forma, aqueles que são importantes para nós, um dia poderemos não o receber de volta.

What goes around, comes around




quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Meia dúzia...

COM MÚSICA






E lá passou mais um anito... faz hoje seis que nasceu este blog.
Este último não foi tão produtivo como os anteriores, devo estar a ficar velha e cansada... ou já não tenho grande coisa para dizer... lol
Porque continuo a escrever?!
Porque vocês me continuam a ler... ;)
Obrigada!
Bjs
C


sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Happy New Year

COM MÚSICA



Não tenho por hábito fazer resoluções de Ano Novo, gosto sim, não que faça nem mais nem menos sentido, de fazer o balanço do anterior.
Comecei2012 cheia de força, coragem e determinação ou não fosse ele o meu ano, o ano do Dragão… lol
Ainda bem, porque precisei de tudo isso e muito mais. ;)

O ano que passou pôs à prova, em vários sentidos e de forma implacável, muito daquilo que por aqui vou apregoando.
A vida tem uma forma curiosa de nos apanhar nas curvas e a minha agarrou-me pelo colarinho, encostou-me à parede, aproximou o nariz e, olho no olho, perguntou desafiadoramente “Quem é que gosta muito de dizer coisas, quem é?! Agora quero ver como é que te desembrulhas, vá…”

Dei assim de caras com desafios inéditos na minha vida e que estava longe de ter de enfrentar neste ponto do campeonato, situações que geraram titânicas lutas entre a emoção e a razão.
Desembrulhei algumas questões, o tempo e o recuo julgarão a limpeza do serviço, relativamente a outras o mais difícil poderá ainda estar para vir...
Olhar para trás, para o que já foi ultrapassado, provoca-me no entanto a sensação reconfortante de estar a seguir um bom caminho, enfrentar o touro pelos cornos continua a parecer-me uma boa escolha.

No calor do(s) momento(s) senti-me completamente perdida, insegura, amedrontada... quando os nossos alicerces abanam parece que, pelo menos durante uns tempos, deixamos de saber onde poisar os pés.
Acreditando no entanto que nós é que comandamos a vida, optei pela coerência e tomei-a outra vez em mãos.

Ser verdadeiros, com os outros claro mas sobretudo e acima de tudo com nós próprios, parece-me cada vez mais importante para que o consigamos fazer. Acho francamente muito difícil que os "marrecos" deste mundo consigam ser realmente felizes... A felicidade dá um trabalho do caraças, como é que o podemos fazer se não conseguirmos perceber o que precisa de ser trabalhado?!

Por outro lado, quando as coisas ficam pretas, o medo da dor, tanto da nossa como da que poderemos eventualmente causar a terceiros, é um sentimento perfeitamente natural. Se não o conseguirmos controlar leva-nos no entanto frequentemente a acobardarmo-nos. Tapamos o sol com a peneira, adiamos decisões, adoptamos posturas que podem sem dúvida minimizar o sofrimento presente mas seriamente comprometer o resultado futuro.
Muitas vezes, a atitude que mais jogará a nosso favor não é de todo a que nos apetece ter no momento.

Se em vez de carpirmos sobre as adversidades as encararmos como desafios a ultrapassar, se considerarmos que  tudo serve algum propósito, que tudo acontece por alguma razão  embora possamos não estar a ver qual, conseguiremos enfrentar a vida com muito mais coragem e serenidade.

Costuma dizer-se que “o que não nos mata torna-nos mais fortes”…
Dantes interpretava a frase como se de um “enrijecimento” se tratasse,  tal como as cicatrizes ás vezes endurecem a pele tornando-a mais difícil de penetrar.
Hoje em dia encaro-a de forma totalmente diferente. Acho de facto que, se “sobrevivermos” a situações complicadas,  digo isto no sentido de as ultrapassarmos de forma que consideremos satisfatória, que nos faça sentir que demos conta do recado, ganharemos uma experiência que nos poderá ser extremamente útil no futuro.

Resumindo, em 2012 enfrentei questões difíceis, dolorosas, complicadas… chorei muito, passei muitos dias afundada em profunda tristeza, mas nem por um segundo deixei de sentir que sou uma pessoa realmente feliz.
Isto provocou em mim uma sensação de victória e dá-me força para enfrentar o que der e vier em 2013.

Bom ano a todos!!! ;)

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Encruzilhadas

COM MÚSICA



Todos os dias fazemos escolhas, optamos por isto ou por aquilo… referem-se normalmente a pequenas coisas, o que vestir, o que fazer para o jantar, que caminho seguir para evitar o trânsito.
Volta não volta, no entanto, somos confrontados com decisões que poderão mudar radicalmente o curso da nossa vida.
São momentos tão cruciais como terríveis.

A dura tarefa é facilitada quando a decisão depende maioritariamente do raciocínio lógico, bastando assim uma análise cuidada da situação para se poder chegar a conclusões.
A coisa muda completamente de figura quando estão envolvidas emoções.
Nesses casos, encontrar o tal equilíbrio entre a razão e a emoção, fundamental para que possamos efectivamente ser felizes, não só se transforma numa tarefa titânica como gera normalmente muitíssimo sofrimento.

Nessas alturas desejamos que existissem bolas de cristal, que nos pudessem dar uma ante-visão dos resultados e consequências de cada uma das opções. Gostaríamos de poder de alguma forma tirar uma prova dos nove, de ter acesso a algum método de decisão infalível. 
Infelizmente, a não ser que ponhamos o nosso futuro nas mãos de cartomantes e videntes, nada disso será possível.

Opostamente ao nosso desejo e para mal dos nossos pecados, aquilo com que temos de lidar é com pontos de interrogação, dúvidas, incertezas, dilemas. Sentimo-nos em terreno pantanoso, a tentar andar por cima de areias movediças, com uma sensação de “loose, loose, situation”… para onde quer que olhemos só conseguimos visualizar a perda, aquilo de que iremos abdicar se optarmos pelo outro caminho.

Não há soluções fáceis, não há receitas milagrosas, não há truques que ajudem a ultrapassar as situações saltando levemente de nenúfar em nenúfar… estes momentos são sempre barra pesada e não há nada a fazer quanto a isso. A única coisa que poderemos tentar é não perder a cabeça, por forma a minimizar eventuais estragos.

A indecisão dilacera, e a dor às vezes é tão grande, parece-nos tão insuportável, que só queremos desesperadamente que passe, precipitando assim impetuosamente as decisões. Comparando com o lado físico, dói-nos tanto o dente, que só queremos tomar um analgésico, estando-nos nesse momento nas tintas para se este nos pode provocar uma úlcera no estômago.
A realidade é que o melhor conselheiro é geralmente o tempo.
Se tomarmos decisões simplesmente para tentar fugir ao sofrimento, à angústia, à ansiedade, que as situações não definidas provocam, o mais provável é que passemos algum tempo a andar para trás e para a frente.
Só conseguiremos viver em paz com o caminho escolhido quando se tiver dado um clic e os clics não obedecem a prazos.

Por outro lado, havendo emoção à mistura, esta tentará sempre falar mais alto. Quando o coração se põe a bater com força parece que o barulho nos impede de pensar.
Nessas alturas só conseguimos considerar o aqui e agora, não querendo sequer pensar na hipótese de nos poder sair o tiro pela culatra.

Há quem viva bem assim, navegando ao sabor das emoções. 
Acontece no entanto frequentemente que o que hoje nos parece tão bom se transforme amanhã num belo pesadelo. Os indícios normalmente até estão lá desde o início e tudo, nós é que preferimos não os ver. É impressionante como escolhemos calar as dicas da intuição quando estas não nos agradam.

Por outro lado, a partir de certa altura, damo-nos conta de que a nossa vida não é só nossa, parte dela pertence aos que partilham o nosso caminho. As nossas decisões, sejam elas quais forem, irão assim ter um impacto directo nas suas vidas.
O mundo é um grande emaranhado de relações inter-pessoais.
Viver em função dos outros, sejam eles quem forem, é na minha opinião um erro.
Não os ter em consideração, também.
Como tal, impõe-se uma noção de responsabilidade e o recurso a toda a sensatez que consigamos encontrar dentro de nós.  

Se formos completamente verdadeiros, com nós próprios e com os outros, por muito que isso nos possa custar, as coisas serão na realidade mais fáceis. Estas questões já são suficientemente difíceis de destrinçar, de encarar, sem que tenhamos de acrescentar factores externos que as venham complicar mais ainda. Se chamarmos os bois pelos nomes, se pegarmos o touro pelos cornos, se não taparmos o sol com a peneira, chegaremos muito mais facilmente a conclusões.

Costuma-se dizer que só nos arrependemos daquilo que não fazemos…  subscrevo… só me parece no entanto válido para as decisões tomadas com base na cobardia, no medo de enfrentar um futuro desconhecido que, por alguma razão, na altura nos assusta.
De resto, certezas nunca as teremos, e há que viver com as consequências das nossas escolhas. 
Se as tivermos feito em consciência, dando ouvidos tanto à razão como ao coração, abraçaremos em paz o caminho que escolhemos e conseguiremos olhar com serenidade e sem arrependimento ou azedume para o que não seguimos.


terça-feira, 6 de novembro de 2012

Vai-se andando…

COM MÚSICA





- Como estás?!
- Vai-se andando…
Um clássico.

“Vai-se andando”, é assim uma espécie de “nem bem, nem mal, antes pelo contrário”… é o cinzento neutro, a sopa sem sal, o chá morno…
Faz-me sempre pensar no deserto… andando… sem rumo, sem destino, sem objectivo… até encontrar um oásis, um camelo, a morte por desidratação.
Esta resposta transmite um espírito derrotista, conformado, apático, dificilmente a ouvirão da boca de um “lutador”.

Como todos sabemos, a vida é como os interruptores, umas vezes para cima, outras vezes para baixo. Tentem lá mantê-los numa posição intermédia para verem… lol
Assim, consoante o momento em que a pergunta for feita, estaremos bem ou mal, em diversos graus de intensidade.
Se pensarmos na dor física, por exemplo, ou a temos ou não temos. Esta pode ser mais forte ou mais fraca, mas dificilmente alguém responderá que está “mais ou menos” a sofrer.

“Algumas pessoas julgam que ser forte é nunca sentir dor. Na realidade, os mais fortes são aqueles que a sentem, compreendem e aceitam.”

O sofrimento, tal como o prazer, faz parte da vida, assumi-lo não é fraqueza, não é vergonha.
Não é necessário que desbobinemos toda a nossa vida a qualquer pessoa que pergunte, a alguns basta transmitir de alguma forma a noção de que possamos não estar nos nossos melhores dias.
A maior parte das pessoas, perante esta revelação de fragilidade, mesmo que não possa ou queira fazer nada por nós, terá pelo menos algum cuidado para não piorar a situação o que, convenhamos, é bastante providencial nessas alturas.

Este assumir dos nossos sentimentos, dos nossos estados de espírito, o chamar os bois pelo nome, tem ainda outra grande vantagem.
Não é fácil “mostrar a barriga”, assumir uma posição de vulnerabilidade… é portanto bom que nos sintamos efectivamente assim se o formos transmitir a terceiros.

Ora a realidade é que, mesmo no meio de uma fase difícil, se nos dermos ao trabalho de lhes prestar atenção, passamos por momentos em que a dor ou a aflição abrandam e nos deixam respirar.
Esses são definitivamente momentos bons, chamemo-los assim, não assumamos uma postura calimérica.
O mais engraçado é que, este tipo de atitude, acaba por efectivamente nos ajudar a dar valor ao que de bom a vida nos vai dando, desdramatizando as questões e reduzindo drasticamente os momentos em que nos sentimos realmente no fundo do poço.


terça-feira, 9 de outubro de 2012

O que tem de ser, tem de ser e o que tem de ser, tem muita força

COM MÚSICA



A vida não é um mar de rosas
Nem sei quantos posts terei eu começado com esta frase mas parece-me sempre bem insistir, talvez para aqueles que continuam a achar que, se não é, deveria ser.

Volta não volta, somos confrontados com situações que doem, que doem pra caramba…
Fazem parte, vêm com o pacote, não há como evita-las, resistance is futile.
Da forma como lhes dermos a volta, dependerão a duração e intensidade do sofrimento.
Seja qual for a questão, há sempre decisões a tomar e uma postura a adoptar.

Esta última tende, no primeiro impacto, a ser de “coitadinhos” cheios de autocomiseração.
Depois do choque inicial parece-me no entanto mais do que natural carpirmos as nossas mágoas, sendo inclusivamente, na minha opinião, extremamente saudável que o façamos.
Aquela ideia de “homem não chora” (aplicada neste caso figurativamente e relativamente a ambos os sexos) parece-me completamente idiota se considerarmos o alívio que pode proporcionar.

Ainda me estou a ver, há tanto tempo que quase parece noutra vida, frente a frente com o homem com quem vivia, literalmente a chorar baba e ranho.
“Mas és tu que te queres separar…” dizia-me ele com ar perplexo.
“Pois sou, eu sei… mas isso não quer dizer que não me custe!”
O facto de estarmos convencidos de que tomámos a decisão certa, em pouco ou nada muitas vezes atenua a dor nos primeiros tempos.

Para quem está de fora e, azar dos azares, seja apanhado no enredo nesta fase, menosprezar essa dor será garantidamente a pior maneira de ajudar. É como, quando caímos e nos aleijamos, tentarem levantar-nos logo. As pessoas precisam de um tempinho para recuperar, para conseguir reagir, não é espectável que levem uma porrada valente e sigam caminho como se nada fosse.
Carinho, compreensão e empatia são assim os primeiros socorros aconselhados.

Se esta primeira reacção é perfeitamente natural é também, por outro lado, absolutamente indispensável que não desliguemos o cérebro e que nos comecemos, o mais rapidamente possível, a fazer à ideia.
Fazer-se à ideia como o avião se “faz à pista”, para poder fazer uma boa aterragem.

Tipicamente, as primeiras coisas que nos vêm ao espírito em momentos críticos são as “más”, as dificuldades, cabe-nos a nós encontrar as boas, que TODAS as situações têm.
Perguntaram à Elle Macpherson: “Como encara a ideia de envelhecer?” Pergunta muito pertinente, a meu ver… como enfrentará efectivamente “The body” a questão das rugas e das peles flácidas? A sua resposta foi surpreendente: “Acho fantástico… já pensou na alternativa?!” Always look at the bright side of life, já diziam os Monthy Python.

Uma das minhas amigas de infância morreu há pouco tempo de cancro. Apesar de altamente recomendada pelos médicos, recusou-se terminantemente a fazer uma mastectomia.  Ainda por cá andaria se a tivesse feito? Quem sabe… O que se sabe efectivamente é que a sua postura perante a doença foi negativa do princípio ao fim, nunca tendo efectivamente ultrapassado aquela fase inicial de que falava à pouco.

Dito isto, o que fazer então para encarar de forma positiva e saudável, situações difíceis e dolorosas?

O primeiro instinto é tentar fugir da dor. Na maior parte das vezes, não só não o vamos conseguir, como estaremos na realidade com isso a prolonga-la. Se temos de perder um braço, que seja de um golpe rápido e limpo, não o arranquemos devagarinho.
Tapar o sol com a peneira não nos ajuda em nada, enfrentemos o touro pelos cornos.

Como em tudo na vida, sendo que nestes casos mais importante ainda é, encaremos um dia de cada vez. Se olharmos para o todo, para o topo da montanha, desmoralizaremos. Lidemos com as situações conforme se forem apresentando, sem fazer filmes, sem sofrer por antecipação.

Ganhar a noção de que, por muito má que possa ser a situação, podia ser muito pior ainda, também ajuda enormemente. Desdramatizar, relativizar, as situações, é o primeiro passo para as ultrapassar.
Se vez de chorarmos no ombro de quem parece estar em melhor situação, oferecermos o nosso a quem esteja pior, poderá ser uma excelente terapia.

Fazer por dar valor a todo e qualquer pequeno detalhe positivo que a situação nos possa trazer. Ignorar o facto que se temos isto foi porque perdemos aquilo e apreciar e aproveitar plenamente a parte que nos agrada.

Não tentar enfrentar tudo sozinhos, aceitando a ajuda e apoio que nos oferecerem. Compreender que ao longo do percurso iremos ter altos e baixos e que isso é perfeitamente natural. Não encarar momentos pontuais de fraqueza como “recaídas”.

Finalmente, usar sempre a cabeça para raciocinar e o coração para nos guiar.

Como se costuma dizer, o que não nos mata torna-nos mais fortes. ;)




terça-feira, 2 de outubro de 2012

Nenhuma situação é tão má que não a consigamos ainda piorar.

COM MÚSICA


Não vivemos tempos fáceis, não senhores… este mundo está virado do avesso, em mais do que um sentido. Reinam as dificuldades, a angústia, a insegurança, o descontentamento. Estamos, sem a mínima sombra de dúvida, a viver um período muito negro da história da humanidade. Dificilmente alguém conseguirá passar ao lado de uma situação destas despreocupadamente e de ânimo leve, sendo perfeitamente legítima a sensação de extrema gravidade do estado das coisas.

Nos últimos tempos têm-me vindo frequentemente à cabeça filmes pós-apocalípticos.
Valores e princípios parecem diluir-se nos ácidos da crise. É o vale tudo, o sai da frente, o salve-se quem puder. Os momentos de aflição sendo quando melhor se vê de que barro cada um é feito, demonstrando que não passam de bichos falantes, alguns transformam-se agora em animais irracionais e agressivos.
Enfim… o karma certamente se encarregará de equilibrar todas essas situações.

Mas o que certamente não ajuda e, por muito que tente, não consigo mesmo, mesmo, compreender, é a postura geral relativamente ao estado das coisas. Por que raio as pessoas continuam a puxar-se umas às outras para baixo em vez de contribuírem para levantar o moral. Não consigo entender em quê que esta propagação do desespero possa ajudar seja quem for.

Para vos dar um pequeno exemplo concreto; um amigo meu mudou recentemente a foto de perfil do facebook… colocou uma imagem de sobrolho franzido, com cara de caso, que grita “estou muito preocupado e nada optimista”. Esta expressão perturba-me ainda mais do que o facto de há já algum tempo não postar sobre qualquer outro assunto.

Muitos estão neste momento em real sofrimento, num estado emocional debilitado e, em vez de lhes ser transmitida energia positiva, não param de ouvir como as coisas estão más, como vão provavelmente piorar ainda.
Estejam onde estiverem, não conseguem deixar de ouvir estas vozes, de ver estes semblantes carregados, que sufocam qualquer sopro de esperança. Que vez de procurarem os pontos positivos que existem em qualquer situação, as potenciais boas notícias, as pequenas melhorias que possa haver, só falam dos aspectos negativos. Que em vez de citarem exemplos de situações semelhantes que foram ultrapassadas, apresentam cenários dantescos e premonições do que de mau pode ainda estar para vir.

É o que se sente neste momento por todo o lado.
Uns, em vez de tentar levantar o moral geral, não param de agoirar e de por achas na fogueira. Os outros partilham maleitas que nem velhas no posto médico, fazendo concursos de miséria.
Todos parecem esquecer ou desprezar as coisas boas que ainda têm.

Não há vida para além da crise? Nunca vamos sair do buraco? O nosso destino é continuar a ir de mal para pior?
Então e a esperança de um futuro melhor, morreu?!
Que tal começarmos a falar disso também?!
E, se possível, com um sorrisinho na cara... meio sorriso, vá… ;)