sexta-feira, 15 de março de 2013

Querido CV



(Auto-retrato... lol)


Faz hoje nove anos (!!!) que o meu pai nos deixou…
Desde então tenho sido muito mais feliz.
Ahhh, mas suponho que não tenha nada a ver uma coisa com a outra?! - perguntar-me-ão vocês, num misto de espanto e choque.
Tem, tem! ;)

Então?! Que raio de afirmação é essa?!
Odiava o meu pai? Tínhamos uma relação péssima? Estou bem melhor sem ele?
Nada disso, antes pelo contrário, tive o “melhor pai do mundo”.
Dificilmente consigo imaginar uma relação que pudesse ter sido mais forte, com mais amor, companheirismo, cumplicidade. Sempre adorei o meu pai.
Estava longe de ser perfeito mas era, sem qualquer sombra de dúvida, um excelente ser humano.
Talvez justamente por tudo isto a sua morte me tenha permitido aprender tanto.

Através dela descobri que a mais profunda dor, não só não mata, como acaba eventualmente por passar. Nos primeiros tempos é-nos difícil acreditar nisto, ficamos de tal forma destroçados, que não conseguimos sequer vislumbrar uma hipótese de alívio. Sentimo-nos condenados a continuar a viver com um coração que não pára de sangrar.
No entanto, um dia, damo-nos conta que na realidade já não dói, que já só resta uma imensa saudade e que até é possível viver bem com ela.

Por outro lado, essa mesma dor que nos corrói, permite-nos relativizar tudo e dar valor ao que realmente importa. Uma vez passada, basta que não larguemos mão dessa noção para que passemos a realmente apreciar o que de bom temos na vida. Se, quando nos sentirmos a descarrilar, a permitir que questões acessórias nos perturbem por aí além, nos relembrarmos disso, todas as dificuldades do caminho nos pesarão menos.

Grande parte da minha vida, julgo que da de todos nós, se rege por aquilo em que acredito, que não preciso de forma alguma de ver provado.
Quando me confrontei com aquele corpo inerte, tive a certeza absoluta de que não passava de um invólucro, que ele já não estava lá.
Não tendo qualquer tipo de crença religiosa, não tenho nenhuma teoria sobre para onde possa ter ido, só sei que aquilo que ali estava não era garantidamente o meu pai.
Por outro lado, apesar de já não poder comunicar com ele, continuo a senti-lo como se estivesse ao meu lado, acredito portanto que continue a existir algures.

Só sonhei com ele uma única vez desde que se foi, sonhei que me telefonava. Eu perguntava-lhe se afinal não tinha morrido e ele respondia que sim, mas que tinha decidido ligar só para me dizer que estava tudo bem.
Todos os dias passo por ele, pela fotografia que tenho no meu quarto, de onde sorri para mim e me “diz” que a morte não tem importância nenhuma.

Se me faz falta? Se a sua ausência me custa? Se preferia tê-lo comigo?
Sem sombra de dúvida.
No entanto, através da sua partida, interiorizei o ciclo da vida e aceitei, do fundo do meu ser, o fim da mesma tal como a conhecemos.
Tomando, por outro lado, real consciência da sua efemeridade, passei a gozar cada segundo que por cá andamos e a dar realmente valor ao tempo que partilhamos com os outros. 
Ao  aceitar a morte ganhei uma imensa paz e serenidade e passei garantidamente a apreciar muito mais a vida.


COM MÚSICA

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Les uns et les autres…

COM MÚSICA



A palavra “amigo” é frequentemente utilizada de forma demasiado abrangente.
É natural… ás vezes não sabemos o que chamar ás pessoas… não é fácil arranjar palavras que definam certo tipo de relações.
Eu, por exemplo, mais do que uma vez me referi à minha cara metade como “o meu marido".
Que lhe ei de eu chamar?! O pai do meu filho, o meu companheiro, o gajo com quem partilho a cama? Nada parece ás vezes apropriado e também não há razão para preciosismos.
Da mesma forma, que havemos nós de chamar a certas pessoas com quem lidamos numa base regular, com quem partilhamos parte da nossa vida social?!
Não são família, não são colegas… vamos apresenta-los como?
 “Já conheces a Asdrubalina? É uma conhecida minha…” Foleirote, não?

Ser-se verdadeiramente Amigo, com A grande, é uma coisa muito restrita, rara e preciosa. Qualquer desconhecido pode no entanto, potencialmente, vir a ser um Amigo.
As pessoas conhecem-se através de outras pessoas, amigos, namorados, família, relações de trabalho.
Muitos daqueles com quem nos cruzamos na vida não passarão nunca de “conhecidos”. Volta não volta, no entanto, sentimos algum tipo de empatia por alguém, o que nos leva a querer aprofundar a relação. Às tantas damo-nos conta que já nos damos sem intermédio de quem nos apresentou, que já temos um relacionamento autónomo e independente.

É nesta fase que os adjectivos se costumam frequentemente baralhar, não só na sua verbalização mas também nas nossas cabeças.
Há pessoas que, não tendo ainda direito ao título de amigo, fazem parte das nossas vidas, em termos presenciais, em termos de regularidade e até de intimidade relacional.
Se assim não fosse, nenhum de nós chegaria a ter amigos, pois a amizade não é como a pescada, que antes de o ser já o era… lol

Nas "amizades", tal como no amor, há que distinguir as que são “póquéquié” das que são para casar. Ás vezes, cegos pela atracção, pela novidade, baralhamos um bocado as coisas, mas geralmente tudo acaba por entrar nos eixos, mais tarde ou mais cedo.

A realidade é que há testes para a amizade, há sempre testes.
São eles que nos irão permitir separar o trigo do joio.
A parte chata é que não são exames, testes americanos de cruz, não temos controle sobre o como e quando, caem-nos em cima quando menos esperamos.
Ás vezes poderíamos poupar muito tempo e dissabores se inventassem um método de análise, tipo faça xixi para este frasquinho… e depois dava um resultado positivo ou negativo. Mas não…

Passar bons momentos com alguém… espectáculos, jantaradas, fins de semana, férias e jogatinas… nunca serviu de teste para nada. Infelizmente são necessários momentos menos agradáveis para podermos realmente perceber do que a casa gasta.
Há muitas formas de percebermos se existe uma verdadeira amizade. Pela forma como se resolvem os problemas e/ou atritos que vão inevitavelmente surgindo entre seres humanos. Pelas acções mútuas de apoio e/ou ajuda. Pelas demonstrações, mais ou menos abertas, mais ou menos directas, de carinho e afecto. Pelo respeito e consideração pelo outro. Enfim…
E às vezes, ao fim de um tempo, que pode ser mais ou menos longo, mais ou menos intenso, chegamos à conclusão de que aquela pessoa não passará nunca de uma “conhecida”.
Se um dia nos faltarem, deixarem de fazer parte das nossas vidas é-nos um bocado indiferente, pela pouca importância que têm para nós.

Mas depois há os outros, aqueles que fazem com que compensem todas as esfoladelas do caminho, as provas vivas de que vale a pena investir de corpo e alma em todas as potenciais amizades porque estas, sendo autênticas, valem ouro, são das coisas mais preciosas que podemos ter na vida.
Estes, temo-los, erradamente, muitas vezes por garantidos. Também eles nos podem faltar, em todos os sentidos da palavra. Seja por terem partido para pastagens mais verdes ou simplesmente por terem deixado de viver a vida à nossa maneira, de partilhar os nossos princípios, os nossos valores, os nossos interesses.
As pessoas evoluem, são moldadas pela vida, pelo que fazem e querem dela, e nem sempre os caminhos são paralelos.

As pessoas mudam às vezes de tal forma que já não as reconhecemos. Tentamos procurar dentro do novo ser o que costumávamos conhecer e já não encontramos lá nada. Em termos emocionais, é assim como os zombies do “The walking dead”, aquele de quem gostamos já não existe, já não está lá, por muito que queiramos revê-lo.
Por outro lado, começam a chumbar a todos os testes da amizade. Sim, porque estes são para sempre, ninguém tem direito a diploma, é um curso prá vida, aprender e provar que se assimilou, e cada amizade é uma faculdade.

Este fenómeno, pelo qual já todos possivelmente passámos, se calhar até mais do que uma vez, é das coisas mais dilacerantes que já me aconteceram na vida. Aceito-o com a “serenidade de aceitar o que não posso mudar”, de compreender que há coisas que são para ser como são e não há nada a fazer, mas não consigo deixar de sentir uma enorme dor e saudade.
Este último fim de semana, em modo “Amigos de Alex”, reavivou uma ferida que deixou um sabor amargo doce, mas provou também mais uma vez o valor do calor das verdadeiras amizades.

Para todos os meus amigos, passados, presentes e futuros...























quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

E se um desconhecido lhe oferecer flores…


COM MÚSICA



Li recentemente o livro do Salvador Mendes de Almeida, Ser feliz Assim.
Dizer que este homem não teve (tem) uma vida fácil será no mínimo um understatement.
No entanto olhem para ele, para a sua atitude perante a vida, a sua postura, os seus feitos, o seu sorriso…
E mencionar este último fez-me pensar noutro grande homem, de sorriso encantador, que muitos devem também já conhecer, Nick Vujicic.
Se eles, com todas as suas dificuldades e limitações, podem ser felizes, porque não o conseguiríamos nós?!

A mim, pessoalmente, as suas histórias inspiram-me de forma inacreditável. Quando descubro um destes seres de energia positiva superior, investigo-o até à medula. Leio/vejo/oiço tudo o que têm para nos dizer, para nos transmitir, devoro as suas palavras, delicio-me com o brilho dos seus olhares. Vão-se acumulando as suas experiências no meu subconsciente, para ressurgirem quando menos espero, para me dar força para alguma coisa que me está a custar.

Para vos dar um exemplo de uma forma curiosa destas coisas me ajudarem:
Não há nada a fazer, vou alegremente a caminho do meio século, já experimentei um pouco de tudo, do mergulho á escalada, do motocross à vela, do ski aos patins em linha, da yoga ao paraquedismo, não é portanto por falta de tentar, e não há nenhum tipo de exercício físico que me proporcione verdadeiro prazer…
( ...isso não conta, you perverts!!! )
A realidade é que, para mim, o desporto favorito é espojar-me no sofá e duvido que alguma vez isso vá mudar. Cada um é como cada qual, prefiro exercitar as células cinzentas, prontes…
Infelizmente, estas últimas obrigam-me a “mexer o rabo” porque é importante para a saúde e consequentemente para a nossa felicidade. 
Como gostaria de ter vivido numa época em que os seres humanos ainda não tinham consciência deste facto [suspiro].
Recomecei portanto recentemente, depois de um intervalo de uns anos, a fazer ginástica. E como estou também a precisar de me livrar de oito quilos de “já não fumo”, fui para uma ginástica da pesada (a turma deve ter uma idade média de 65 anos… a maioria já deve ter direito a redução no preço). Ok, falando sério, custa-me para caramba…
Li então o livro do Salvador. E, desde então, deixei de me atribuir o direito de me queixar por poder mexer-me como mexo e ter o privilégio de me conseguir exercitar sem precisar de ajuda externa. Acabou, sou um homenzinho agora, fico ali de bofes de fora mas agora já sem lamentações.
É uma coisa pequenina?! 
Pois é… mas a vida é feita de mais coisas pequeninas do que grandes, e grão a grão enche a galinha o papo.

Dito isto, os dois homens que mencionei, para além de uma força e alegria de viver extraordinárias, têm em comum a vontade, ousaria quase dizer necessidade, de usar a sua experiência pessoal para ajudar os outros. E muitos outros haverá por aí, felizmente, a fazer o mesmo trabalho, cada um(a) com a sua história de vida, com as suas questões pessoais, partilhando a sua força de viver com os que dela precisam.
Fazem missão da sua vida melhorar a de perfeitos desconhecidos.
Perante as suas histórias podemos concluir que com o mal dos outros posso eu bem ou aceitar as flores que nos oferecem.

E aceita-las, conseguir aprecia-las, quer dizer compreender e aceitar com serenidade que sozinhos não vamos a lado nenhum, que temos de nos amparar mutuamente, quer física quer emocionalmente, para conseguirmos ser felizes. 
O Nick Vujicic (raios que este homem tem um apelido impronunciável!!! Irra) tem um texto muito giro sobre esta ideia. Nós, os comuns dos mortais, que enfrentamos o dia a dia sem dificuldades de maior, olhamos para estes “monstros sagrados” como nossa inspiração. A realidade é que também eles têm os seus exemplos inspiradores, todos temos, perto ou longe.

Isto é um círculo vicioso, o que “custa” é começar a olhar para os outros com olhos de ver. Separar o trigo do joio e perceber quais é que se nos apresentam como efectivamente felizes, realizados, seja qual fôr a sua condição. A partir daí começamos a sorver a sua experiência para nos ajudar com a nossa. E se esta nos chegar oferecida com todo o prazer, amor e carinho, mais eficaz será ainda.

Se todos partilharmos esta atitude, então meus amigos, the sky is the limit, não há nada que o ser humano não consiga. ;)






terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Borboletas e calhaus

COM MÚSICA




Cada um de nós tem a sua sensibilidade, a vários níveis.
Tenho-me no entanto dado conta que, tanto física como emocionalmente, quase que dava para encaixar a generalidade dos seres humanos (e não só) nas categorias de borboleta ou calhau.

Eu, por exemplo, sou definitivamente um calhau… lol

Fisicamente, não suporto que me aflorem… aquelas festinhas ao de leve nas costas ou um beijo de raspão, fazem-me amarinhar pelas paredes acima, tipo choque eléctrico e fico (em sentido próprio) cheia de comichões.
Comigo, se é para tocar, é para tocar á séria, com força e determinação. E não estou só a referir-me àquilo em que as mentes porcas já estão a pensar… ;)
Tenho um tio que no lugar das mãozinhas tem tenazes, sem noção da força que tem… quando estamos juntos até tremo de o ir cumprimentar pois já sei que vou ficar com o braço a latejar, de tal forma mo costuma apertar. Prefiro no entanto mil vezes isso àquelas pessoas que dão apertos de mão como se se estivessem a derreter, por exemplo…

A certa altura vieram cá para casa duas gatas, duas irmãs da mesma ninhada. Desde o dia em que chegaram ficou muito claro que eram totalmente diferentes.
Uma era calhau, como eu, gostava que lhe arranhasse literalmente o lombo, punha-se de costas ao meu colo para que lhe massajasse a barriga, roçava os cantos da boca com força nas minhas mãos.
A outra, mal se lhe podia tocar. Apesar de afectuosa, odiava que se lhe pegasse ao colo, os carinhos tinham de ser feitos ao de leve, de mão aberta, no sentido do pelo, senão ia-se logo embora.
Com as pessoas passa-se o mesmo.

Emocionalmente sou igualzinha, se é para mexer é “à homem”… lol
Já aqui mencionei mais do que uma vez, julgo eu, que quando o meu pai morreu foi o melhor amigo dele que mo anunciou. Ligou-me e, sem papas na língua, disse-me: “o teu velho apagou-se.” A alguns soará provavelmente brutal, insensível, esta forma de apresentar a questão. Para mim valeu ouro. Ninguém quer ouvir uma coisa destas, seja lá de que forma for, mas tinha sido para mim muito mais penoso com floreados.

O que foi aliás o caso com o meu irmão, que nos costuma fazer pet-sitting nas férias e tem sempre o galo de acontecer alguma coisa.
Estávamos nós a passar a ponte para seguir para Porto Covo quando me ligou:
- Olhaaa, não tenho boas notícias…
- Então?!
- Foi a Kitty…
- Então, o que aconteceu?
- Não está bem…
- Conta.
- Cheguei a casa e estava à porta…
- Mas está ferida?
- Sim.
- Mas está viva?!
- Não
&;%$###%##!!!!!
Já se passaram largos anos e ainda hoje gozamos com o assunto… Só me fez pensar na anedota do subiu ao telhado… 

Cada um tende a tratar os outros da forma como gosta que o tratem…
No entanto, quer pertençamos a um tipo ou ao outro, com todos os graus de cinzento possíveis, há que ter a noção de que nem todos somos iguais.
Só assim poderemos adaptar a nossa atitude à sensibilidade alheia. 
Vai sem dizer que esta postura tem de funcionar nos dois sentidos.

Todos teremos, mais ou menos conscientemente, uma linha para além da qual, em cada um dos extremos, não achamos as coisas “normais”. Nesses casos ás vezes não há grande coisa a fazer, grande adaptação possível.
Diz-se que todos os homens têm um lado feminino e vice-versa. Neste caso todos os calhaus têm o seu lado borboleta e todas as borboletas um lado calhau, é o limite até onde estamos dispostos a ir.

Eu, por exemplo, não consigo ver  atractivos no sadomasoquismo e não considero qualquer hipótese de compromisso nesse sentido. Por outro lado, não tenho grande tolerância para malta “não me toques que me desafinas” a quem não se pode dizer nada que não magoe ou ofenda.

Assim, as relações humanas passam por compreendermos o que podemos/devemos, dizer/fazer, como, a quem.
Curiosamente, ou talvez não, observo que as pessoas com o mesmo tipo de sensibilidade tendem a entender-se muito melhor.




PS: Este vai dedicado aos meus amigos que, agora por ocasião dos meus anos, provaram conseguir aturar com muito amor e paciência a minha calhausice… ;)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Para os mais novos…

COM MÚSICA




Contrariamente ás expectativas, fui-me dando conta aos poucos de que não eram só cotas como eu que por cá passavam de vez em quando… esta sopa tem um que outro “cliente” (lol) francamente mais novo, muitooo mais novo…
É bom de saber.
Obrigada a eles por me darem a honra de me ler. ;)

É um clássico aquela sensação que a malta mais velha tem de não ser ouvida pelos mais novos… Gostaríamos de lhes poder transmitir a nossa experiência, para que pudessem atalhar caminho para a felicidade.
Infelizmente não há atalhos na vida, temos de passar pessoalmente pelas coisas para conseguirmos tirar as nossas próprias conclusões.

Pus-me no entanto a pensar que por alguma razão estes meninos cá vêm. Não sendo este um blog de piadinhas ou de tecnologia, de moda ou de seja lá o que for que está neste momento IN no seio da juventud, só pode ser porque até gramam de pensar um bocadinho de vez em quando.
Então tomem lá, para irem reflectindo sobre o assunto… ;)

Não levem á letra a frase do cabeçalho… esqueçam, não se safam sem a tralha que vos obrigam a engolir na escola e afins. Sem matéria prima, a mente não se consegue desenvolver, não desprezem a tal aprendizagem dos factos.
Mas… sem a mínima sombra de dúvida que, mais importante que qualquer outra coisa, é treinarem as vossas mentes para pensar.

Já me perguntaram mais do que uma vez, em tom de crítica e desafio, claro está, como é que eu podia ter tanta certeza de estar certa.
Ora bem, não tenho… não há certezas de coisa nenhuma, começa logo por aí.
Balde de água fria, eu sei… sorry, sei que estão numa idade em que sabem tudo, são detentores da verdade absoluta… mas esqueçam, não há certezas na vida, não deve haver, não é producente que haja…
Assim, abram sempre o vosso espírito, a vossa mente, para a possibilidade de poderem estar errados e aceitem que vos lo provem. 

E o que é certo ou errado, perguntam vocês…
Depende.

Em termos de caminhos, de escolhas, de opções de vida, é uma coisa que na minha opinião não existe. Não há caminhos certos, nem errados, há o caminho de cada um. Podemos viver de variadíssimas formas e nenhuma é mais válida do que outra, desde que gere felicidade e não faça mal a ninguém.

O que nos leva ao outro tipo de certo e errado…
Todos aceitamos que matar, roubar, violar, etc… é errado, certo?! (ou errado?! lol)
Mas estes são comportamentos extremos, com a possibilidade dos quais não nos deparamos geralmente no nosso dia a dia.
Acontece que há muitoooo mais comportamentos, alguns mais insignificantes, menos óbvios, que também podem estar certos ou errados e fazem parte da nossa vida de todos os dias.

E quanto a estes, ninguém vos vai dar um livro de instruções, lamento.
Os chamados educadores podem dar-vos bases de referência (alguns nem isso fazem) mas vão ter de se desembrulhar sozinhos. Vão ter de chegar às vossas próprias conclusões, através da vossa experiência pessoal e, lá está, da vossa capacidade de pensar.

Há quem pape o que lhe enfiam pela goela abaixo. Quem se conforme com o que lhe vendem ao longo da vida como estando correcto.
Não vão nessa conversa, por favor, a cabeça é para ser usada, não é para usar chapéu.
Não papem o que vos quiserem impingir sem o porem em questão se vos cheirar a esturro.

Lembrem-se que até as próprias sociedades estão sempre a evoluir e a questionar coisas que eram no passado dados adquiridos. Já foi OK, escravizar outros seres humanos. Já foi OK, as mulheres não poderem votar. Já foram OK muitas coisas que hoje em dia nem nos passaria pela cabeça fazer ou apoiar.

Sejam verdadeiros com vocês próprios e com os outros.
Ajam coerentemente, segundo as vossas próprias convicções, mantendo a porta aberta para outras ideias.
Mas não desistam para agradar, não desistam para evitar conflitos, não abram mão daquilo em que realmente acreditam por nada deste mundo… a não ser, evidentemente, que tenham efectivamente mudado de opinião.
A isso chama-se evoluir e não ceder.

Construam um futuro melhor, mais genuíno, mais verdadeiro, mais justo, mais estruturado para a vossa geração, que o mundo neste momento, mês riques filhes, está uma bela trampa em termos humanos.

Vá, força e coragem, malta!!! ;)




PS: Dedico este post ao “jovem adulto” ( gramasteis do "jovem adulto", J.?! ) que mo inspirou, ao ter transformado noutra coisa a suástica que tinha desenhado nos jeans, por me provar que os gajos afinal ás vezes até nos ouvem e tudo. ;)
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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Xô, bajaaa!

COM MÚSICA




("Xô, bajaaa!" era o que o meu filho nos ouvia dizer aos gatos e passou assim a adoptar quando o chateavam…)

Há algum tempo acusaram-me de ser intolerante, o que muito me inquietou na altura…
Para mim, a intolerância, a intolerância do dicionário, é uma coisa muito negativa e que eu não queria de forma alguma ser.
Descobri no entanto que sou intolerante sim… mas mais no sentido alimentar da coisa… sou intolerante à má onda!!!

As alergias são uma coisa diferente…
Sou alérgica por exemplo a gente cretina, provoca-me reacções imediatas e viscerais. Sou alérgica a variadíssimos comportamentos aos quais reajo imediatamente, por vezes de forma violenta, talvez até violentamente demais, confesso.
Eu e o meu mau feitio

As intolerâncias são “[...]desenvolvidas por um organismo saturado pelo consumo frequente e excessivo de determinados alimentos [...]”, que é como quem diz, vão-nos envenenando devagarinho sem sequer darmos por ela.
Assim, tal como algumas pessoas cortam determinados alimentos da sua dieta, por chegarem à conclusão que lhes fazem mal, eu tenho cortado pessoas.

Ai que radical e coiso e tal e que ainda acabas sozinha e não sei que mais…
Pois que não me parece que acabe.
A questão aqui tem mais uma vez a ver com o tempo… com o tempo útil de cada um de nós… com a gestão de qualidade desse tempo.
Ora expliquem-me lá, se este já escasseia, se já me vejo aflita para lá encaixar tudo o que quero e gosto de fazer, para estar com as pessoas que me são queridas, com quem quero partilha-lo, por que raio é que haveria de o fazer com malta que só me deixa mal disposta, hein?!

Claro que antes de chegar à conclusão de que esta postura era, para mim, absolutamente ok, pensei muito sobre o assunto e analisei os casos de solidão que conheço, percorrendo mentalmente o percurso humano que fizeram.
E sabem a que conclusão cheguei?!
Que a maior parte dessas pessoas talvez seja efectivamente intolerante, sim, mas no primeiro sentido que mencionei. Cada vez foram tendo menos pachorra para mais coisas. Não têm skills sociais, indo reduzindo aos poucos o seu leque de relações.
Eu não faço nada disso, não me isolo, simplesmente discrimino... lol
Continuo a adorar conhecer gente, introduzi-la na minha vida, acarinhar aqueles que me tratam bem, com quem me sinto bem.

Dir-me-ão que nem tudo são rosas, senhor
Pois com certeza que não.
Com quem mantemos por perto, temos pegas, temos zangas, amuos, mal entendidos.
Algumas das pessoas que me rodeiam têm características que muito me irritam ou vão contra os meus princípios, assim como será certamente o caso em sentido contrário.
A questão, como sempre, é o equilíbrio…

Os confrontos, os problemas, não me assustam, não me afastam…
A forma como se lida com eles já o poderá fazer.
Há  pessoas que parecem só viver bem em conflito, arranjando questões e casos. Alguns esperam tudo dos outros mas não estão nem aí para dar. Há malta que quando lhes damos a mão para tentar puxa-la para cima fazem rabo pesado e puxam-nos para baixo.
Enfim, podia estar aqui a noite toda a tentar descrever aquilo que pessoalmente considero má onda mas não me parece valer a pena, todos compreenderão certamente o conceito.
Basicamente são pessoas com quem os relacionamentos trazem muita dor de cabeça e terrivelmente pouco, quando nenhum, prazer.

Com esses, neste momento, não me interessa se são família ou amigos,  não alimento qualquer tipo de relacionamento voluntário.
Atenção, também não assumo posturas de “é ele/a ou eu”, não acho correcto colocar os outros nesse tipo de situação. Cada um atura o que bem entender.
Como sou uma pessoa educada, cumprimento-os, serei até capaz de manter uma eventual conversa trivial.
Mas não contem comigo para fazer qualquer tipo de esforço, antes pelo contrário, no sentido de manter um convívio minimamente regular.

Acredito, cada vez mais, do fundo do meu ser, que o fel de certos indivíduos é venenoso e nos pode fazer muito mal. A felicidade dá muito trabalhinho, não é coisa fácil de gerir, não é preciso arranjarmos sarna para nos coçarmos.

Assim, neste momento, já só invisto mesmo naqueles a quem de vez em quando me apetece dizer “gosto mesmo de ti, que bem que me sinto contigo”. ;)









terça-feira, 22 de janeiro de 2013

As moscas do tempo gostam de uma seta

COM MÚSICA





 “Time flies like an arrow”, na versão original. ;)

O tempo não se consegue parar, não se consegue amealhar, não se consegue multiplicar… é um bem escasso e valioso, que convém gerir com o máximo cuidado.

Ouvimos com cada vez mais frequência a afirmação “não tenho tempo”… a realidade é que o dia sempre teve 24h e a semana 7 dias, nós é que cada vez mais tentamos meter o Rossio na Rua da Betesga. Ás vezes, ao ouvir os planos de alguém  para o dia ou para a semana, pergunto-me se não terão mesmo a noção de que, ainda que tudo corresse sobre rodinhas, sem imprevistos nem atrasos, seria impossível encaixar tudo naquela porção de tempo. 
Dei-me assim conta que, curiosamente, muita gente não tem realmente consciência de que se fizer A não poderá fazer B e de que é na pratica uma escolha totalmente sua. O tempo não sendo elástico há portanto que, como em tantas outras coisas na vida, de fazer opções.

Podemos e devemos gerir o nosso tempo exactamente como o fazemos com o nosso dinheiro, por exemplo.  Parte dele teremos normalmente de “gastar” em obrigações, tarefas, responsabilidades e compromissos que vamos assumindo. Do que sobrar, muito ou pouco, poderemos dispor.
Só que, se em relação ao dinheiro as pessoas têm geralmente a consciência de que é finito, de que se o gastarem num lado não terão para gastar noutro, etc… relativamente ao tempo alguns parecem julgar que é um saco sem fundo e admirar-se depois por afinal não conseguirem fazer tudo o que queriam.

“Gosto imenso de ler mas não tenho tempo” costumava eu dizer… no entanto, depois de ver a primeira época da série, entusiasmei-me com a Guerra dos Tronos e li tudo de enfiada (cerca de quatro mil e tal páginas) em poucos meses.
Como?! Vi menos filmes e series, passei menos tempo na net, joguei menos, sei lá eu…
Já noutra escala, “nem para os meus filhos tenho tempo”, ouvi eu recentemente… Como é que alguém pode achar que não tem tempo para os filhos é uma coisa que me ultrapassa, mas se calhar sou eu, que sou uma mãe galinha. Facto é que, se o tempo que lhes poderiam efectivamente dedicar for aplicado noutra coisa qualquer, não sobra efectivamente para eles.
É tudo uma questão de prioridades.

Consciente ou inconscientemente, acabamos por arranjar tempo para aquilo a que damos realmente valor e o resto é conversa. Claro que também se pode dar o caso de sermos péssimos gestores e não termos noção do que é realmente importante para nós na vida… ;)
Assim, muitíssimo mais do que nos damos conta, aquilo em que utilizamos o nosso tempo acaba não só por nos definir como por ditar o rumo da nossa existência.

O problema é que, vá-se lá saber porquê, não temos normalmente esta visão sobre o assunto. Não temos a noção de que estamos de facto a fazer escolhas de vida, a definir caminhos.
E às vezes acordamos um dia e damo-nos conta de que, sem saber como nem porquê, perdemos coisas que realizamos fazerem-nos realmente falta.
Na maior parte das vezes essas “coisas” são na realidade pessoas, relações.

Tal como o dinheiro o tempo também pode ser desperdiçado, a questão é o que isto quer dizer para cada um de nós…
Assim, tal como relativamente a tantas outras coisas, chegamos a outra questão importante; a partilha. Podemos partilhar o nosso tempo com terceiros, gasta-lo directa ou indirectamente com os outros ou usa-lo para nosso exclusivo proveito.

Actualmente muitas pessoas dedicam alguns minutos (quando não são horas) do seu dia a passear pelo facebook mas não perdem uns segundos para responder a uma mensagem. São extremamente insistentes e persistentes quando querem alguma coisa dos outros mas não têm tempo para responder se forem estes a tentar contacta-los. Há quem tenha tempo para ver a telenovela mas não para ler uma história ao filho à hora de dormir. Quem vá regularmente ao cabeleireiro mas não arranje disponibilidade para ir visitar a avó ao lar. Enfim...


“Diz-me o que fazes com o teu tempo, dir-te-ei quem és”  - Seria também um bom ditado.
E se não tivermos tempo a perder com as relações humanas, se não o investirmos nelas, se não o passarmos com, disponibilizarmos para, de alguma forma, aqueles que são importantes para nós, um dia poderemos não o receber de volta.

What goes around, comes around




quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Meia dúzia...

COM MÚSICA






E lá passou mais um anito... faz hoje seis que nasceu este blog.
Este último não foi tão produtivo como os anteriores, devo estar a ficar velha e cansada... ou já não tenho grande coisa para dizer... lol
Porque continuo a escrever?!
Porque vocês me continuam a ler... ;)
Obrigada!
Bjs
C


sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Happy New Year

COM MÚSICA



Não tenho por hábito fazer resoluções de Ano Novo, gosto sim, não que faça nem mais nem menos sentido, de fazer o balanço do anterior.
Comecei2012 cheia de força, coragem e determinação ou não fosse ele o meu ano, o ano do Dragão… lol
Ainda bem, porque precisei de tudo isso e muito mais. ;)

O ano que passou pôs à prova, em vários sentidos e de forma implacável, muito daquilo que por aqui vou apregoando.
A vida tem uma forma curiosa de nos apanhar nas curvas e a minha agarrou-me pelo colarinho, encostou-me à parede, aproximou o nariz e, olho no olho, perguntou desafiadoramente “Quem é que gosta muito de dizer coisas, quem é?! Agora quero ver como é que te desembrulhas, vá…”

Dei assim de caras com desafios inéditos na minha vida e que estava longe de ter de enfrentar neste ponto do campeonato, situações que geraram titânicas lutas entre a emoção e a razão.
Desembrulhei algumas questões, o tempo e o recuo julgarão a limpeza do serviço, relativamente a outras o mais difícil poderá ainda estar para vir...
Olhar para trás, para o que já foi ultrapassado, provoca-me no entanto a sensação reconfortante de estar a seguir um bom caminho, enfrentar o touro pelos cornos continua a parecer-me uma boa escolha.

No calor do(s) momento(s) senti-me completamente perdida, insegura, amedrontada... quando os nossos alicerces abanam parece que, pelo menos durante uns tempos, deixamos de saber onde poisar os pés.
Acreditando no entanto que nós é que comandamos a vida, optei pela coerência e tomei-a outra vez em mãos.

Ser verdadeiros, com os outros claro mas sobretudo e acima de tudo com nós próprios, parece-me cada vez mais importante para que o consigamos fazer. Acho francamente muito difícil que os "marrecos" deste mundo consigam ser realmente felizes... A felicidade dá um trabalho do caraças, como é que o podemos fazer se não conseguirmos perceber o que precisa de ser trabalhado?!

Por outro lado, quando as coisas ficam pretas, o medo da dor, tanto da nossa como da que poderemos eventualmente causar a terceiros, é um sentimento perfeitamente natural. Se não o conseguirmos controlar leva-nos no entanto frequentemente a acobardarmo-nos. Tapamos o sol com a peneira, adiamos decisões, adoptamos posturas que podem sem dúvida minimizar o sofrimento presente mas seriamente comprometer o resultado futuro.
Muitas vezes, a atitude que mais jogará a nosso favor não é de todo a que nos apetece ter no momento.

Se em vez de carpirmos sobre as adversidades as encararmos como desafios a ultrapassar, se considerarmos que  tudo serve algum propósito, que tudo acontece por alguma razão  embora possamos não estar a ver qual, conseguiremos enfrentar a vida com muito mais coragem e serenidade.

Costuma dizer-se que “o que não nos mata torna-nos mais fortes”…
Dantes interpretava a frase como se de um “enrijecimento” se tratasse,  tal como as cicatrizes ás vezes endurecem a pele tornando-a mais difícil de penetrar.
Hoje em dia encaro-a de forma totalmente diferente. Acho de facto que, se “sobrevivermos” a situações complicadas,  digo isto no sentido de as ultrapassarmos de forma que consideremos satisfatória, que nos faça sentir que demos conta do recado, ganharemos uma experiência que nos poderá ser extremamente útil no futuro.

Resumindo, em 2012 enfrentei questões difíceis, dolorosas, complicadas… chorei muito, passei muitos dias afundada em profunda tristeza, mas nem por um segundo deixei de sentir que sou uma pessoa realmente feliz.
Isto provocou em mim uma sensação de victória e dá-me força para enfrentar o que der e vier em 2013.

Bom ano a todos!!! ;)

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Encruzilhadas

COM MÚSICA



Todos os dias fazemos escolhas, optamos por isto ou por aquilo… referem-se normalmente a pequenas coisas, o que vestir, o que fazer para o jantar, que caminho seguir para evitar o trânsito.
Volta não volta, no entanto, somos confrontados com decisões que poderão mudar radicalmente o curso da nossa vida.
São momentos tão cruciais como terríveis.

A dura tarefa é facilitada quando a decisão depende maioritariamente do raciocínio lógico, bastando assim uma análise cuidada da situação para se poder chegar a conclusões.
A coisa muda completamente de figura quando estão envolvidas emoções.
Nesses casos, encontrar o tal equilíbrio entre a razão e a emoção, fundamental para que possamos efectivamente ser felizes, não só se transforma numa tarefa titânica como gera normalmente muitíssimo sofrimento.

Nessas alturas desejamos que existissem bolas de cristal, que nos pudessem dar uma ante-visão dos resultados e consequências de cada uma das opções. Gostaríamos de poder de alguma forma tirar uma prova dos nove, de ter acesso a algum método de decisão infalível. 
Infelizmente, a não ser que ponhamos o nosso futuro nas mãos de cartomantes e videntes, nada disso será possível.

Opostamente ao nosso desejo e para mal dos nossos pecados, aquilo com que temos de lidar é com pontos de interrogação, dúvidas, incertezas, dilemas. Sentimo-nos em terreno pantanoso, a tentar andar por cima de areias movediças, com uma sensação de “loose, loose, situation”… para onde quer que olhemos só conseguimos visualizar a perda, aquilo de que iremos abdicar se optarmos pelo outro caminho.

Não há soluções fáceis, não há receitas milagrosas, não há truques que ajudem a ultrapassar as situações saltando levemente de nenúfar em nenúfar… estes momentos são sempre barra pesada e não há nada a fazer quanto a isso. A única coisa que poderemos tentar é não perder a cabeça, por forma a minimizar eventuais estragos.

A indecisão dilacera, e a dor às vezes é tão grande, parece-nos tão insuportável, que só queremos desesperadamente que passe, precipitando assim impetuosamente as decisões. Comparando com o lado físico, dói-nos tanto o dente, que só queremos tomar um analgésico, estando-nos nesse momento nas tintas para se este nos pode provocar uma úlcera no estômago.
A realidade é que o melhor conselheiro é geralmente o tempo.
Se tomarmos decisões simplesmente para tentar fugir ao sofrimento, à angústia, à ansiedade, que as situações não definidas provocam, o mais provável é que passemos algum tempo a andar para trás e para a frente.
Só conseguiremos viver em paz com o caminho escolhido quando se tiver dado um clic e os clics não obedecem a prazos.

Por outro lado, havendo emoção à mistura, esta tentará sempre falar mais alto. Quando o coração se põe a bater com força parece que o barulho nos impede de pensar.
Nessas alturas só conseguimos considerar o aqui e agora, não querendo sequer pensar na hipótese de nos poder sair o tiro pela culatra.

Há quem viva bem assim, navegando ao sabor das emoções. 
Acontece no entanto frequentemente que o que hoje nos parece tão bom se transforme amanhã num belo pesadelo. Os indícios normalmente até estão lá desde o início e tudo, nós é que preferimos não os ver. É impressionante como escolhemos calar as dicas da intuição quando estas não nos agradam.

Por outro lado, a partir de certa altura, damo-nos conta de que a nossa vida não é só nossa, parte dela pertence aos que partilham o nosso caminho. As nossas decisões, sejam elas quais forem, irão assim ter um impacto directo nas suas vidas.
O mundo é um grande emaranhado de relações inter-pessoais.
Viver em função dos outros, sejam eles quem forem, é na minha opinião um erro.
Não os ter em consideração, também.
Como tal, impõe-se uma noção de responsabilidade e o recurso a toda a sensatez que consigamos encontrar dentro de nós.  

Se formos completamente verdadeiros, com nós próprios e com os outros, por muito que isso nos possa custar, as coisas serão na realidade mais fáceis. Estas questões já são suficientemente difíceis de destrinçar, de encarar, sem que tenhamos de acrescentar factores externos que as venham complicar mais ainda. Se chamarmos os bois pelos nomes, se pegarmos o touro pelos cornos, se não taparmos o sol com a peneira, chegaremos muito mais facilmente a conclusões.

Costuma-se dizer que só nos arrependemos daquilo que não fazemos…  subscrevo… só me parece no entanto válido para as decisões tomadas com base na cobardia, no medo de enfrentar um futuro desconhecido que, por alguma razão, na altura nos assusta.
De resto, certezas nunca as teremos, e há que viver com as consequências das nossas escolhas. 
Se as tivermos feito em consciência, dando ouvidos tanto à razão como ao coração, abraçaremos em paz o caminho que escolhemos e conseguiremos olhar com serenidade e sem arrependimento ou azedume para o que não seguimos.