quarta-feira, 28 de agosto de 2013

El condor pasa...

Irina Werning - Back to the Future

Nascer, crescer, envelhecer, morrer… é a sequência natural de qualquer vida.
Estou de acordo com o Woody Allen, que esta seria provavelmente mais simpática vivida ao contrário, envelhecer é sem dúvida chato.
Then again, como dizia The Body, “considerem a alternativa”…

Temos, ou pelo menos eu tinha, a ideia de que tudo isto se passa progressiva e linearmente.
Desde que o meu filho nasceu que tenho vindo a constatar que é uma noção completamente errada, tudo se passa na realidade aos pulos, tanto física como intelectualmente.
Roupa que lhes serviu durante meses fica, de um dia para o outro, uma mão-travessa mais curta. Os gugu dadás parece que passam de repente a frases compostas. Não se nota qualquer progresso durante uma série de tempo e, subitamente, temos de lidar com uma realidade completamente diferente.
Aos poucos vamo-nos apercebendo de que isto se passa relativamente a tudo, eventualmente a um ritmo diferente, mas com o mesmo tipo de degraus.

Ao longo deste último ano, talvez por ter entrado na pré-menopausa, talvez por causa dos muitos quilos de “já não fumo” que penosamente arrasto por aí, ou simplesmente porque o tempo passou sem me avisar, levei nitidamente aquilo a que os franceses chamam “un coup de vieux”… já ando a sentir-me cansadota e um bocado como o condor, com dor aqui, com dor ali…

Um dia destes, na rádio, mencionaram uma “senhora de meia idade”… era mais nova do que eu. lol
A esperança média de vida em Portugal ronda hoje em dia os oitenta anos, para as mulheres. Para os homens cerca de meia dúzia deles a menos, deve ser por causa do que lhes infernizamos o juízo… hehe
Ora oitenta a dividir por dois dando quarenta, se a matemática não me falha que fiz a conta de cabeça, já ultrapassei mesmo a tal meia idade, indo alegremente a caminho da terceira, e não estou a falar da ilha. ;)

Dei no entanto por mim, este verão, vejam lá vocês o disparate, deliciada na observação do fenómeno idade.
Tive a sorte, a  vontade, a capacidade, de aqui chegar rodeada de amigos de longa data, alguns dos quais conheci quando eram ainda jovens adolescentes, da idade do meu filho. 
Este ano, na praia, dei-me conta de que fazíamos já parte dos mais velhos.
Comecei a observar-nos mais atentamente e senti-me enternecida pelas carecas, as brancas, as rugas e as barriguinhas. No nosso grupo já não há boazonas nem garanhões, já só resta gente, que vale o que vale pelo que é, e não pelo que faz ou aparenta.

Já não tenho “pedalada” para muita coisa, ao mais pequeno excesso parece que levei uma tareia e levo infinitamente mais tempo a recuperar, é certo. O corpinho está-se a ir, em mais do que um sentido, lenta mas seguramente.
Perante esta evidência posso revoltar-me ou aceita-la como parte inevitável do percurso e adaptar a vida à nova realidade.

Há tempos, numa comparação de mães, alguém dizia: “não, a minha não se sente velha nem cansada, mas também não faz nada que não sinta que seja adequado á sua idade.”
Sábia senhora…
O erro é pedirmos aos nossos corpos e cérebros que se comportem e reajam como se tivessem não sei quantos anos a menos. Compararmo-nos e querermos ter a mesma vida que a malta mais nova. Recusarmo-nos a aceitar que, da mesma forma que no início “ainda não” podíamos/conseguíamos fazer determinadas coisas, para o fim “já não” vamos podendo fazer outras.
 Isto não quer dizer que não continuemos a ter acesso a mil e uma fontes de alegria e prazer, não são melhores nem piores, como dizia a minha professora de história da arte, são diferentes.

Uns partem na flor da idade, outros arrastam-se por cá até à decrepitude. Nenhum de nós sabe o que irá determinar o seu último suspiro. Podemos só esperar não pesar a ninguém, não sofrer nem fazer sofrer demasiado.
No entanto, minha gente, enquanto as maleitas não forem males, enquanto formos donos e senhores dos nossos corpos, das nossas mentes e das nossas vidas, tiremos proveito do que a experiência dos anos nos trouxe e apreciemos o que é, em vez de carpir sobre o que foi…


COM MÚSICA




domingo, 11 de agosto de 2013

Amar a vida



Que me perdoem aqueles que me estão a ler e que neste momento, por alguma razão, estão em sofrimento.
Que me perdoem os que estão doentes ou têm alguém próximo que esteja, os que perderam um ente querido, por morte ou separação. Que me perdoem os que ficaram sem emprego, os que estão em extrema dificuldade financeira, os que tiveram de abandonar o seu pais e as suas pessoas para lutar pela vida. Que me perdoem aqueles que acham que como o país, o mundo, a espécie humana, estão em crise profunda, temos a obrigação de nos sentir infelizes.
Eu sou feliz e neste momento sinto-me muito bem! :)

Acabei de regressar de férias e volto de barriga cheia.
Passei nos últimos tempos por períodos muito difíceis, muito complicados e é espectável que volte a passar, num futuro mais ou menos próximo. Algumas das pedras do caminho consigo já antever daqui, outras me surpreenderão.
Amar a vida é no entanto exactamente como amar alguém, não podemos esperar que nos esteja sempre a sorrir.

As agruras espreitam a cada esquina, pelo que sou apologista do “enquanto o pau vai e vem, folgam as costas”.
Acabei de chegar, recauchutada por orgias de sol e amizade, em companhia dos meus mais que tudo. Tenho a pele dourada a expelir calor e os músculos agradavelmente doridos dos passeios na praia. Volto para o meu pequeno paraíso privado, onde tenho o barulho da água a correr e o cheiro a flores como pano de fundo enquanto vos escrevo. Trouxemos recuerdos das férias,  pequenos pedaços da alma das falésias, que vieram ainda mais embelezar o lar que tanto apreciamos.
Começamos agora a combinar os próximos encontros e “brincadeiras” (mentes porcas abstenham-se de pensar), com a família e amigos que também, já ou ainda, por cá vagueiam. A vida, por ser verão, está neste momento a meio gás. O apoio e companhia ao filhote, que se impõem nestas alturas, fazem com que passe uma série de coisas para prioridade dois.
Sinto-me neste momento completamente apaixonada pela vida.

Quase que hesitei no entanto em escrever este post.
Ás vezes sinto uma espécie de “vergonha”, actualmente não é nada bem visto dizermos que nos sentimos bem, é como se entrássemos em pelota num baile de gala, fica tudo a olhar escandalizado.
“As coisas” estão mal, nós também temos de estar. Há outros a sofrer, nós também temos de nos agarrar, de unhas e dentes, a tudo aquilo que possa de alguma forma interferir com a nossa felicidade, para garantir que empatisamos.

Acredito, do fundo da minha alma, que seja necessário um equilíbrio para que o mundo possa continuar. Com toda a merda que anda por aí, se não houver muita energia positiva, acredito que estejamos perante um futuro muito triste, muito sem graça.
Assim, no aqui e agora, que amanhã é um novo dia, acredito em apreciar todos os sorrisos, todas as carícias, todos os abraços que a vida nos queira dar.
Que tristezas não pagam dívidas e a vida é demasiado curta... ;)


Este vai dedicado aos amigos de Porto Covo, que me enchem a vida de sol… ;)

COM MUSICA

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Pertencer



Todos, volta não volta, sentimos que não pertencemos a determinado lugar ou situação…
Eu, por exemplo, vivi cerca de dois anos em França, em Chamonix, lugar de sonho para esquiadores e montanhistas, tendo a nítida noção que, por muitos anos que lá ficasse, nunca me iria conseguir sentir realmente bem.
Mas não tem só a ver com sítios, por exemplo, durante o meu período de Coimbra, fui a uma que outra imposição de insígnias e de cada vez me senti completamente deslocada por entre títulos e doutores.

Há quem tenha espírito nómada, quem vagueie livremente pela vida, sem gostar de criar raízes, ligações fortes a pessoas ou lugares.
Eu gosto muito de “pertencer”, aquece-me o coração, gosto da sensação de conforto e aconchego que advêm de nos sentirmos “em casa”.

Tudo isto é também obviamente válido relativamente às pessoas com quem partilhamos a vida.
O meu “lançador de santolas” gosta muito de afirmar que não alinha em “grupos” (não é esse tipo de grupos…lol) statement que faz com alguma regularidade, fazendo-me pensar no Pinóquio.
A realidade é que a ele (neste caso o nosso grupo de amigos) pertence e se entrega de corpo e alma e o resto é conversa.

Gosto de ter um grupo de amigos, as amizades individuais também são obviamente importantes, mas gosto mesmo de sentir que pertenço a uma matilha.
Os amigos sendo “a família que escolhemos” gosto de ter “aquele” grupo de pessoas com quem vou partilhando tudo ao longo da vida.

Estes grupos vão mudando ao longo do tempo nos indivíduos que os compõem, entrando  uns, saindo outros, voltando alguns, ao sabor dos caminhos que a vida nos apresenta.
Há no entanto normalmente um núcleo duro que se vai mantendo ao longo do tempo, dando estrutura àquele ninho, mantendo-o coeso.

Gosto de continuar a ter ao meu lado aquele careca que conheci de cabeleira afro. De lhe ter conhecido praticamente todas as namoradas,  de poder comentá-las com quem também as conheceu, por exemplo o outro senhor de cabelo ralo que também por cá ainda anda.  
Gosto de ter estado presente quando entraram para a faculdade, quando tiraram a carta, quando se apaixonaram, casaram, tiveram filhos.
Gosto de ter estado lá para os apoiar nos seus momentos mais difíceis e que tivessem estado comigo nos meus. Gosto que tenhamos partilhado ou celebrado juntos todo o tipo de alegrias.
Gosto de rever as mesmas caras nas fotografias, dos casamentos, dos baptizados, dos aniversários, a perder cabelo e ganhar barriga, a acumular rugas e cabelos brancos, mas que para nós, de certa forma, parecem não ter mudado.

Gosto do revirar de olhos geral quando alguém conta pela milésima vez uma história que já todos conhecem. Ou, pelo contrário, quando começamos a completar as histórias uns dos outros, transformando a conversa numa orgia de recordações. Gosto que uns se lembrem de uns detalhes e outros de outros, compondo assim a narrativa. Gosto do facto de nos lembrarmos das mesmas situações, dos mesmos eventos, das mesmas pessoas, quando olhamos para trás.

Gosto que todos conheçam o historial uns dos outros, permitindo assim um relacionamento sem grandes surpresas, em que já se conta com os pontos fracos e fortes de cada um, as suas idiossincrasias, os seus gostos, os seus hábitos.
Gosto que já tenhamos chegado á conclusão daquilo que gostamos de fazer uns com os outros, no nosso caso essencialmente jogar até à exaustão… lol

Gosto que os nossos filhos tenham nascido e crescido juntos.
Gosto de olhar para uma viga de quase dois metros, encartado e com barba, e pensar que ainda ontem estava a mandar bolas para cima do nosso tabuleiro de jogo.
Gosto de ver o meu filho a observar as meninas do grupo já com alguma malícia no olhar.
Gosto de pensar que com a idade de alguns deles, já alguns dos pais se conheciam e acho graça a compara-los.

Gosto de ter um número de pessoas que incluo automaticamente em qualquer convite para “eventos” de grupo, sem ter de pensar, sem ter de escolher, aquele que consta, em qualquer telefone, da lista de speed-dial.
Gosto da noção de que alguns dos “satélites” irão seguir o seu caminho como membros integrantes do grupo, deixando ás tantas de ser a namorada do amigo, o amigo do namorado, o amigo da amiga para passar a ser ele próprio.

Sim, assumo completamente, sofro de um complexo de “Amigos de Alex”…
Mas alguém que já tenha experimentado pertencer a uma destas famílias por opção pode afirmar que não é bom?!
Há quem se importe de se sentir integrado num grupo onde as pessoas se conhecem e aceitam tal qual são?
Quem não dê valor a uma continuidade ao longo dos anos, das décadas, das várias fases da vida?
Quem não aprecie o facto de ter a seu lado um punhado de gente unida, que se preocupa e apoia mutuamente, criando uma rede de segurança emocional?

Sim, há lobos solitários… mas o bicho homem foi na sua maioria feito para viver em matilha, para “pertencer”, ninguém me convence do contrário. ;)





COM MUSICA
The Rembrandts - I'll Be There For You

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terça-feira, 2 de julho de 2013

Partir em paz.



Ao fim de cerca de um ano de luta, mais uma jovem perdeu a guerra contra o cancro…
É das tais notícias que não gostamos de receber.
Não a conhecia pessoalmente, só aos irmãos mais velhos, que quem me informou disse estarem destroçados, outra coisa não sendo de esperar.

Dirigi-me ao velório, como a tantos outros antes, com um grande aperto no coração, sobretudo tratando-se de uma família tão próxima do mesmo.
Preparei-me para enfrentar um ambiente pesado, angustiante.

Surpreendentemente não foi com o que me deparei.
Havia muita dor, muita tristeza, sim, mas acima de tudo senti no ar uma coisa de que não estava  de todo à espera: paz.
Estamos a falar de uma mulher com menos de quarenta anos, casada, com dois filhos pequenos, ao que tudo indica realizada e feliz. Estamos a falar, referindo-me só a quem conheço, de dois irmãos mais velhos, protectores e amigos da mana caçulinha.
Dramático é um adjectivo que me vem imediatamente à cabeça.

Ao falar com eles percebi o que se tinha passado e voltei para casa com um imenso sentimento de admiração por aquela família .
Aparentemente ela mostrou-se corajosa e lutadora durante todo o percurso. Enfrentou as provações com optimismo e força, esperando pelo melhor e preparando-se para o pior. Foi-se sem aparente mágoa ou revolta.
Ao fazê-lo, ao demonstrar que aceitava serenamente o seu destino, transmitia o mesmo sentimento a quem estava à sua volta. Ajudando-os assim, ainda em vida, a encetar o caminho que os levará a superar a sua perda.

Parece-me no entanto aqui bastante evidente a questão “ovo ou galinha”…
Ninguém, julgo eu, consegue atingir esta paz de espírito se não tiver uma estrutura de ferro à sua volta. A doença debilita e a ideia do que possa vir a acontecer só pode assustar, não são propriamente fontes de força e segurança. Sem apoio, tanto físico em termos de infra-estrutura e logística, como psicológico e emocional, tenho as minhas dúvidas que alguém se aguente.

Tive assim uma lição de vida, uma demonstração do poder do amor e bom senso conjugados.
Aqueles dois irmãos não me pareceram destroçados, não. Pareceram-me serenos e com força para enfrentar a vida que os espera sem ela. Pareceram-me felizes de a ter visto partir assim, em vez de gesticular e bater com os pés. Senti neles, em ambos, a sensação de terem feito tudo o que esteve ao seu alcance para lhe minimizar o sofrimento e ajudar a enfrentar a situação em todos os passos do caminho.
Senti sobretudo, relativamente a todas estas pessoas, que tinham pacificamente aceite a morte como parte integrante da vida.

Desejo-lhes que logo que possível a dor abrande o seu jugo para poderem mais levemente continuar os seus caminhos.


Carpe Diem

COM MÚSICA
Eric Clapton - Tears in Heaven

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quinta-feira, 27 de junho de 2013

Um pedacinho de paraíso.



Apesar de o nosso pai já ter morrido há muitos anos, só agora distribuímos a herança.
Palavra que desperta o nosso imaginário infantil, fazendo-nos pensar em Ferraris, mansões, diamantes e Picassos.
A maior parte delas não são no entanto tão exuberantes… ;)
Por muito que não tenha sido propriamente um euromilhões, a minha permitiu-me no entanto fazer uma coisa que não fazia há muitos anos: respirar.

Comecei por reabilitar uma casa a dar já nítidos sinais de decadência, concertando ou substituindo tudo o que estava a “rebentar pelas costuras”, num que outro caso em sentido próprio.
Decidimos fazer uma viagem para lavar a alma pois há anos que não saíamos deste nosso jardim à beira mar plantado.
O que sobrou, ditava a prudência que o pusesse de lado para poder continuar a dormir com alguma tranquilidade.

Acontece que estamos a falar da matéria que o meu pai nos deixou aqui na terra… esbanja-la toda em coisas tão efémeras e no fundo insignificantes, confesso que me estava a fazer alguma confusão.
Decidi então criar algo de mais duradoiro, de mais sólido, algo que de certa forma o trouxesse mim quando me lembrasse que era graças a ele que o tinha.

Quando saímos de casa por algum tempo costumamos deixar fechados os estores, mergulhando-a em escuridão. Deixamos as plantas numa “marquise” que é praticamente o único sítio que fica com luz.
No verão passado tínhamos mais do que é habitual e quando as lá fui depositar fiquei maravilhada com o ambiente naquele mar de verde.
Nesse momento, que nem Andie MacDowell no Green Card, decidi que um dia haveria de ter uma estufa, nem que para isso tivesse de me casar com um francês narigudo…
A herança permitiu-me assim escapar a esse terrível destino. ;)

Entre a ideia e a sua concretização surgiram evidentemente muitas dúvidas. Não é propriamente como se o dinheiro não nos fizesse falta. Não é no entanto também como se nos fosse salvar o coiro.
Soubera eu o que estava a gerar que não teria tido um único segundo de hesitação, o nosso Jardim de Inverno tendo aumentado em mil por cento a minha qualidade de vida.

A nossa zona é extremamente ventosa, poucos são os dias que dão para realmente curtir o espaço exterior. Assim, o nosso pequeno jardim acabava por servir mais de papel de parede (ao qual é necessário cortar a relva e apanhar as ervas daninhas, ainda por cima) do que de real espaço de lazer.
Ao fazer uma estrutura em vidro à frente da sala, ficámos com uma antecâmara para o mesmo, passando assim a poder goza-lo sempre que há um raio de sol, verão ou inverno.

Este pequeno espaço paradisíaco é uma verdadeira ode aos sentidos. O ambiente feérico que proporciona a luz filtrada pelo verde das plantas, o cheiro a terra húmida e a jasmim de madrugada, o burburinho da água  no minúsculo lago ou os pássaros a cantar, tudo leva a um estado de paz e profundo bem-estar.

Quer seja durante o dia a ler um livro na rede ou a tricotar na espreguiçadeira, ou de noite, a beber um copo á luz das velas tremelicantes e aromáticas, sinto-me sempre bem. Almoçamos lá, jantamos lá, tomamos lá o pequeno almoço. Sempre que posso refugio-me lá, aproveitando cada minuto, cada segundo, cada intervalo.
Sozinha ou acompanhada, em família ou entre amigos, o ambiente é sempre mágico. Parece que aquele Oasis, como lhe chamaram, transmite boas vibrações.
Cinco minutos lá dentro (ou será que deveria dizer lá fora?!) e fico outra, regenerada, carregada de energia positiva, de serenidade, de paz de espírito.

Férias de sonho, destinos paradisíacos?!
Sim… mas passa tão rápido e sentimo-nos tão de passagem…
Este meu capricho (?!) fez com que o sítio onde me apetece mais estar de férias é mesmo em casa. Este sitio idílico tem o que nenhum resort de luxo em Bora Bora alguma vez terá, tem um pedaço de mim.

Podia ter este dinheirinho no banco para aconchegar os fins de mês?! Podia sim senhores. Era mais feliz se o tivesse lá? Duvido… duvido muito.

Carpe Diem


Obrigada, pai!!! :)

COM MUSICA
Enya - Amarantine

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quarta-feira, 19 de junho de 2013

Ó Leonilde, its love!



Apesar de quem o é saber muito bem o que quer dizer, não é fácil definir a felicidade por palavras.
Para mim passa no entanto obrigatoriamente pelo facto de me sentir amada.
Há quem afirme que não precisa dos outros para nada, eu dependo completamente deles para me conseguir sentir feliz.

Isto não se aplica a ninguém em concreto, preciso simplesmente, como do ar que respiro, de amor na minha vida.
Este divide-se em muitos tipos, de características diferentes e em vários graus.
Os amantes, os amigos, os pais, os filhos, a família, os colegas, o cão, o gato… cada um á sua maneira fornece algo vital para a minha sobrevivência emocional.

Um deles costumava afirmar que eu tinha medo de “ficar sozinha”…
Medo poderemos eventualmente ter do que não se pode controlar, não do que está nas nossas mãos. Acredito, do fundo do coração, que quem realmente se entrega ao amor dificilmente ficará sem ele.

Neste ponto do campeonato a minha própria conversa já me está a soar tão enjoativa,  que estou prestes a aconselhar-me a mim própria a abraçar alguma seita e parar de nausear os desgraçados dos leitores.
A merda é que não conheço outra forma de apresentar a questão senão chamar os bois pelos nomes e o tema da porcaria do post é justamente o amor.
Assim, se precisarem tomem um Vomidrine e aguentem-se, como sugeria o arquitecto, ou opcionalmente desistam e voltem para o Facebook. ;)

Notem que não estou de forma alguma a dizer que gosto de toda a gente e menos ainda que toda a gente goste de mim. A sério, há malta que não me papa (salve seja) nem à lei da bala… e outros (ou ás vezes os mesmos) que pagava para não lhes voltar a pôr a vista em cima.
A vida é mesmo assim, nem os animais gostam todos uns dos outros quanto mais o bicho homem, com a sua infinidade de idiossincrasias.

É no entanto o amor que conseguimos inspirar que valida, na minha opinião, aquilo que somos.
Ser amável é no fundo ser digno de ser amado.
Não acredito que alguém goste de ser odiado ou, pior ainda, de ser indiferente o que implica uma ausência de sentimento a seu respeito.
Pessoalmente gosto de existir, gosto de viver, gosto de provocar reacção, de preferência positiva, e faço por isso.

Há pessoas que até têm bom coração mas por alguma razão não o conseguem pôr a nu. Não conseguem transformar-se em seres merecedores dos corações alheios.
Ohhhh, terão geralmente quem goste deles, os chamados amores incondicionais, da mãe, do filho, de um que outro individuo com quem eventualmente consigam entrar em comunhão.
Mas se não fizerem por isso nunca conhecerão o prazer, a satisfação, de se sentirem amados, no geral, por aquilo que são.

Não há  maior prazer do que sentirmo-nos amados.
Não só nas relações românticas ou de família como em todas as outras.
Sentirmos que somos realmente apreciados pela empregada ou pelo cliente, com quem não mantemos uma relação íntima ou profunda, mas que nos dão a sensação de gostar de nós.
Sentir o carinho de alguns quase estranhos, como é o caso de tantos membros do site do Liceu Francês, cujas vidas de certa forma abracei.
Apreciarmos o calor daqueles com quem, ao longo do tempo, vamos desenvolvendo e aprofundando relações.

Tudo isto, meus amigos, não tem outro nome (tomem lá outro Vomidrine), é AMOR… e não há nada que proporcione maior quentinho cá dentro.

Está nas nossas mãos tanto dá-lo como recebê-lo.
What goes around, comes around. ;)


COM MÚSICA
The Beatles - All You Need is Love

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quarta-feira, 5 de junho de 2013

Kékeu le digo?!





Por muito defensora da “verdade acima de tudo” que seja, também eu evidentemente pratico pontualmente, como julgo que todos nós, aquilo a que os anglo-saxónicos chamam “white lies”.
Estas são geralmente pequenas mentiras piedosas, destinadas a poupar os sentimentos alheios.
Ás vezes nem chegam a ser tecnicamente mentiras mas mais uma ocultação de parte da verdade.

Este tipo de mentiras, ou de “meias verdades” se preferirem, pode inclusivamente provocar uma espécie de efeito placebo em certos casos.
Se uma amiga à dieta nos perguntar toda contente o que achamos da roupa que acabou de comprar, dizer-lhe que parece uma vaca, mesmo que seja o que nos passa pela cabeça, não me parece que vá propriamente estimular a sua auto-estima. Se quisermos realmente apoia-la, será muito mais eficaz ocultar a nossa opinião negativa, dizendo por exemplo que já se começa a notar o esforço. O mais provável é que uma que outra grama a mais já tenha efectivamente desaparecido de qualquer maneira. ;)

Reparo no entanto que as pequenas mentiras, na maior parte das vezes inconsequentes, são incrivelmente naturais para muita gente.
Frequentemente, quando me deparo com alguma situação embaraçosa, delicada, chata, difícil de lidar, alguém sugere “diz que”…
Uma amiga faz anos e escolheu um restaurante demasiado caro para o meu bolso: diz que já tinhas outra coisa marcada.
Esqueci-me de responder a um mail: diz que não o recebeste.
Não me apetece aderir a um programa qualquer: diz que não te estás a sentir bem.
Etc, etc, etc…

Uma mentira raramente vem só, na maior parte das vezes implica outra e mais outra para justificar as anteriores, ás tantas dificilmente se lhes conseguindo manter o rasto. Invariavelmente alguma incoerência acaba por surgir na história denunciando o aldrabão.
Se o aldrabado for um desconhecido poderemos simplesmente passar por desonestos. Se for alguém mais próximo, bem… como se costuma dizer “a confiança é como o papel, uma vez amachucado…”

Contas feitas, na esmagadora maioria das vezes a situação ficaria muito melhor resolvida enfrentando o touro pelos cornos.
Imaginemos, por exemplo, que inventámos uma qualquer desculpa para não comer algo que nos serviram e que não apreciamos. O mais provável é que, cedo ou tarde, a questão se apresente de novo. Não seria muito mais inteligente e proveitoso por logo as coisas em pratos limpos?! (salve seja)

O que tem mais piada é que, embora as pessoas com esse hábito normalmente não se dêem conta disso, as mentiras inventadas não são geralmente nem mais nobres, nem mais validas ou compreensíveis do que a realidade das coisas e, se expostas, não contribuem em nada para a nossa credibilidade e fiabilidade.

Posicionarmo-nos como seres humanos falíveis, com fraquezas, peculiaridades, manias, pode não ser evidente. 
Chego no entanto cada vez mais à conclusão de que  rectidão, transparência, e  humildade nos facilitam imensamente a vida e que estas não são compatíveis com aldrabices, sejam elas pequenas ou grandes.



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Fleetwood Mac - Tell Me Lies

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terça-feira, 28 de maio de 2013

Não me quites, pá…



Recentemente, ao navegar à deriva pela net, dei de caras com a clássica notícia do cão que se deixa morrer em cima da campa do dono e, claro está, os típicos comentários de uma série de gente a enaltecer a atitude.
Pessoalmente, sempre me fizeram muita confusão as posturas do tipo “se não te puder ter mato-te /morro”… ser dependente de alguém ao ponto da própria vida deixar de fazer sentido é uma coisa que me ultrapassa completamente.

Mas não precisando de ir tão longe, muitos parecem efectivamente confundir dependência com prova de amor.
Se consigo compreender e aceitar um romantismo exacerbado como movimento artístico este já não faz para mim qualquer sentido na vida real.

Exemplificando, há tempos fomos para fora uns dias e tive de arranjar quem ficasse com a nossa cãzinha.
Isto ainda não tinha acontecido, dado que raramente saímos de casa mais do que algumas  horas e que das poucas vezes em que o fizemos a pudemos sempre levar connosco.
Não sabendo como iria reagir, sendo uma criaturinha tão meiga e agarrada a nós, preveni a tia a quem a deixei relativamente à possibilidade de uma certa “neura”.
No meu regresso e para minha grande satisfação deparei-me com uma realidade bem diferente, basicamente esteve-se bem nas tintas para a minha partida.

E porque fiquei eu contente com isso, perguntar-me-ão vocês…
Ora bem, para começar, não a abandonei, não a deixei num canil duvidoso, como disse deixei-a com uma tia, pessoa da maior confiança, com anos de experiência e grande amor pelos animais. Sabia que iria simultaneamente ser bem tratada, com respeito pelas minhas instruções, e mimada até mais não.
Recebo por outro lado diariamente provas do seu afecto por mim, da sua devoção, da sua lealdade.
Que ganhava alguma de nós com a sua aflição, com a sua tristeza, com o seu desespero?!
Há cães que nestas situações deixam de comer, ficam deitados à porta à espera do regresso do dono, etc… era o que temia que acontecesse.
O facto de ter ficado como se em casa estivesse, encheu-me de alegria e paz de alma pois fiquei a saber que se alguma coisa me acontecer ela conseguirá ser feliz de outra forma.
Isso não me tira bocado, não faz com que goste menos de mim. Quando cheguei fez-me uma enorme “festa” não deixando qualquer dúvida de que estava radiante por me ver e voltar para casa.

Falo em cães mas com as pessoas passa-se o mesmo.
Pessoalmente não quero que ninguém precise de mim para viver. Quero que gostem de mim, que me dêem valor, que me queiram por perto mas que continuem a ser felizes se alguma vez lhes faltar. Quero ser uma escolha e não uma fatalidade.

Não me parece de todo saudável a exaltação do sofrimento, aquele espírito do fado que enobrece a dor, a desgraça, ninguém nasceu para sofrer. A ideia não é carpir as mágoas mas seguir em frente, continuando a fazer pela vida e pela felicidade. A ideia não é estar com alguém porque dela se depende mas porque é isso que queremos fazer.

Na canção que escolhi para este post, que por sinal adoro, a certa altura Brel diz:
Laisse-moi devenir / Deixa-me tornar-me
L´ombre de ton ombre / A sombra da tua sombra
L´ombre de ta main / A sombra da tua mão
L´ombre de ton chien / A sombra do teu cão


Eu cá não quero ser a sombra de ninguém, não gosto de sombras, gosto de luz, de muita luz, de sol, de calor… ;)


COM MÚSICA

sexta-feira, 17 de maio de 2013

No fundo, andam os submarinos…




Já todos ouvimos certamente dizer de alguém que “tem bom fundo”  ou que “ele/ela no fundo é boa pessoa” … vem geralmente antecedido por um “sim, mas…”.
O que isto quer dizer é que, embora a pessoa em questão se comporte geralmente como uma besta, tem na realidade bom âmago, bom coração.

A questão é que isso não chega, de todo.
Para se ser efectivamente boa pessoa não basta sê-lo “no fundo”, é preciso pô-lo cá para fora, pôr em pratica as boas acções que esse “fundo” nos sugere, agir em conforme, passar da teoria à prática.

Que importa que alguém divulgue boas causas se nelas não participar de alguma forma ele próprio? Que importa que se emocione com histórias comoventes se não se comover com os sentimentos daqueles a quem supostamente quer bem? Que importa que afirme amar do fundo do coração, se não tiver respeito ou consideração pelo ser amado? Que importa que apregoe ideias nobres se não as conseguir seguir?

Ser boa pessoa não se limita à capacidade de sentir, de sofrer, de amar, de se emocionar. Os fdp também têm sentimentos, são até capazes de sentir empatia ou compaixão. Não fazem é nada a esse respeito.
Não se limita também a compreender e transmitir teorias da vida, bons princípios, é preciso agir em conforme. Não chega ter discernimento para atingir o que é moralmente certo ou errado, é preciso escolher a opção correcta e viver em conforme. Não se pode ter uma bitola para os outros e outra para nós próprios.

Ninguém é sempre “bom”, nem sempre “mau”… somos humanos, logo falíveis.
Ninguém consegue ser totalmente coerente, embora seja uma coisa a almejar, é sem dúvida uma utopia.
Mas, os “bons fundos” só servem para baralhar, para confundir, para iludir, para que os outros ajam como se estivessem efectivamente a lidar com “boas pessoas”. No entanto, entre a teoria e a prática, entre as intenções e a concretização, vai um mundo, e sensibilidade não é de todo sinónimo de bondade.

Uma coisa é certa, o que fica no fundo, o que não sobe à superfície, não nos serve de nada.
De boas intenções está o inferno cheio.


COM MÚSICA

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Ensinemo-los a pescar…



Ser mãe (ou pai) é uma responsabilidade tremenda, uma tarefa que não deveria de forma alguma, na minha opinião (lol), ser encarada de ânimo leve.
Criar um filho, prepara-lo para a vida, requer muito mais do que alimenta-lo, mantê-lo saudável e manda-lo para a escola, educa-los é imprescindível.

Educar não é fácil e ser educado também não, é no entanto extremamente importante para que consigamos viver em sociedade, as regras aprendem-se. Infelizmente parece que muitos lhe atribuem cada vez menos importância descartando-se, por razões várias, dessa “obrigação” parental.

Li uma vez algures que, se não nos odiarem um pouco de vez em quando, não estaremos a fazer as coisas como deve de ser e parece-me bem verdade.
Muitos pais tentam ser amiguinhos dos filhos, buddy buddys, mas não é esse o nosso papel e, se for o que desempenhamos, outro faltará na vida deles.

Costuma-se referir às crianças como sendo “anjinhos” mas  a realidade é que, na sua maioria, parecem antes estafermos cruéis e impiedosos que, se lhes for dada rédea solta, se transformarão rapidamente em monstrinhos insuportáveis.

Cabe-nos ensiná-los, desde pequeninos, a gerir e controlar as suas emoções, conhecer limites, enfrentar as contrariedades, lidar com a frustração, assumir responsabilidades, esforçarem-se pelo que desejam, adquirir noções de justiça, etc, etc, etc…

Assim, temos de ser porto seguro, pilares da sua segurança e estabilidade emocional mas também juízes e carrascos quando necessário. Têm de compreender que o amor pode ser incondicional mas os benefícios não o são. Têm de aprender a assumir as consequências dos seus actos e fazer por merecer o que de bom recebem da vida.

Amor é uma coisa, passividade e permissividade são outra, que garantidamente não os ajudam.
Muitas vezes somos tentados a deixar passar certas coisas em prol de um bem estar imediato mas iremos quase sempre paga-lo bem caro mais tarde e o pior é que eles também.

Não há receitas milagrosas, não há livros de instruções, educar não é de forma alguma uma ciência exacta e todos sem excepção cometem erros. Cada caso é um caso e cada criança é única, felizmente muitos caminhos vão dar a Roma… Grave não é meter a pata na poça de vez em quando, grave é ficar de braços cruzados.

Finalmente ter filhos é, sem sombra de dúvida, uma grande aventura.
No entanto, se compreendermos que não é possível ensinar sem dar o exemplo, acaba por ser também uma grande ajuda pessoal, obrigando-nos a rectificar aquilo que não nos agrada em nós próprios. ;) 






COM MÚSICA