sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
domingo, 11 de janeiro de 2015
Merci Charlie
Tendo passado as primeiras décadas da minha vida num meio essencialmente francófono, mantenho até hoje uma forte ligação com os velhos franco-belgas através da música, por um lado, e da BD por outro.Ainda há poucos dias nos estivemos a rir com minha velha camisa de noite com desenhos do Wolinsky... Qual não foi o choque quando soube que era uma das vítimas do ataque em Paris.Talvez por isto tenha dedicado mais tempo do que o que seria para mim natural a ler o que vai "saindo" sobre o assunto. Matéria não falta, está por todo o lado, parece que toda a gente tem alguma coisa a dizer.Também eu tenho evidentemente a minha opinião mas que não interessa agora para nada, pois não foi ela que me inspirou este post. Li várias criticas ao facto de se estar a dar bastante mais importância a esta tragédia do que a outras que aconteceram pela mesma altura, algumas delas com muitíssimas mais vítimas.É no entanto efectivamente do Charlie que todos mais falam. Falam chefes de estado e representantes de organizações várias, falam jornalistas e bloggers, fanáticos religiosos e hackers, católicos, judeus e muçulmanos, falam vocês e falo eu...Subscrevo que a vida de um cartoonista famoso não valha mais do que a do empregado da redacção, da mesma forma que a da menina de cinco anos, atirada da ponte pelo seu próprio pai, não vale mais do que a de qualquer uma das vitimas dos ataques na Nigéria... Tenho lido discursos bem elaborados e claros e outros em que metem completamente os pés pelas mãos. Tenho lido opiniões inteligentes e sensatas e outras completamente imbecis. Tenho lido artigos de jornais e comentários no Facebook.Não acho que as notícias sobre o Charlie eclipsem nenhuma das outras, antes pelo contrario, talvez lhes dêem mais peso ainda. Todas elas nos fazem gritantemente ver como tudo está podre, como tanta coisa tem realmente de mudar se quisermos manter a humanidade.Começo no entanto a achar que o importante não é tanto que todos sejamos (ou sigamos) Charlie ou que alguns sejam Charlie e outros não ou se somos Charlies ou Ahmeds... não, o que me parece realmente importante é haver tanta, mas tanta, gente a pensar, a perguntar-se genuinamente qual é a sua opinião, a sua postura relativamente ao assunto. Sinto que este ataque abanou muita gente, acordou muita gente. Que foi uma espécie de gota de água relativamente a uma situação mundial, um estado das coisas, que não é aceitável, que não é mais comportável. Posso estar enganada (espero que não) mas tenho a sensação que o mundo, de alguma forma, mudou, depois do ataque ao Charlie Hebdo...
COM MÚSICA
domingo, 4 de janeiro de 2015
Just don't let the music die...
Ontem estive a ver o filme do meu casamento, com os filhotes de dois amigos que se conheceram nesse dia. Ficaram entusiasmados com a ideia de conhecer uns pais 22 anos mais novos e ainda sem qualquer laço entre eles...
Não tenho por hábito rever filmes. Alguns nem sequer os vejo, acreditem ou não. Tenho cerca de uma dúzia de cassetes com filmagens dos primeiros anos do meu filho e algumas delas nunca sequer as liguei à televisão.
Há, no entanto, regularmente alguém que pega num dos nos álbuns que tenho espalhados pela casa e revemos imagens do passado. De vez em quando, por alguma razão, remexo nas fotos que tenho no computador e perco-me em visões de outros tempos, de outras vidas, de outras caras.
Todos estamos habituados a ver fotografias antigas, nossas e dos outros... Todos conhecemos a sensação de nos confrontarmos com um "céus, como o tempo passou"...
Nada tem no entanto o impacto da imagem animada e sonorizada...
Em termos de filmes comerciais, sou daquelas espectadoras que se entregam totalmente àquilo a que estão a assistir. Há quem dê atenção ao detalhe, à música, à fotografia, aos erros de racord... eu vivo o que estou a ver, entro no filme e sinto o que estão a sentir.
Talvez seja por isso que, instintivamente, não procuro visionamentos de outros tempos. Acredito que a vida é hoje, aqui e agora, o passado serve-me para ir moldando o futuro. Não me interessa lá voltar...
Ontem revi muita gente. Alguns não via há muito tempo pois já não andam por cá, foi bom voltar a passar uns momentos na sua companhia. Outros, tais como os amigos que referi, eram pessoas, em variadíssimos aspectos, muito diferentes das que são agora. E eu... bem, não sei bem quem era... revivi aqueles momentos como se lá estivesse outra vez, mas não me consigo rever naquela pele. A realidade é que nenhuma das pessoas que aparecem naquele filme ainda existe.
Muita água correu desde então... Todos aqueles jovens já são hoje em dias pais. Nós, os mais crescidinhos, só não estamos em vias de ser avós porque cada vez se tem filhos mais tarde, temos no entanto a idade dos "velhos" da altura. Tenho agora a idade que tinha a minha mãe quando me casei.
Olhando para eles compreendemos que, expectavelmente, nos anos a vir, já não vai haver muito mais mudanças significativas. A maior parte dos grandes marcos da vida já ficaram para trás, para nós. Uniões e separações, filhos, mudanças de casa, de emprego, de objectivos, são coisas essencialmente da juventude. Não quer dizer que não venha a acontecer, uma que outra, a cada um de nós, mas não mais viveremos o turbilhão das primeiras décadas.
Acredito assim que, apesar de passar a correr sem que compreendamos onde foi parar o tempo, o último troço das nossas vidas, sem grandes estímulos externos, possa não parecer muito empolgante.
Os actores principais dos grandes filmes começam a pertencer às gerações abaixo. Deixa de ser tanto "eu isto", "nós aquilo", para ser mais "o meu filho isto", "a minha sobrinha aquilo".
A certa altura temos de nos compenetrar que já somos "clássicos" (lol), que o que nos espera daqui para a frente são sobretudo papeis secundários.
Esta é uma ideia que põe muita gente fora de si, que deprime ou revolta, consoante os feitios. Que a faz desistir de continuar sempre a tentar evoluir e melhorar. Que a impele a tentar levar um estilo de vida que já não é nitidamente para "a sua idade". Que agarra de tal forma alguns ao passado que se tornam seres de aparência alienígena.
A viagem, cá mais para o fim, é mais calma, menos tumultuosa, mas nem por isso menos fascinante.
Os desafios vêm cada vez menos de fora e mais de dentro. Se tudo tiver corrido bem, teremos reunido matéria-prima da qual retirar agora muito sumo. Passámos anos a "fazer" uma vida, é agora altura de a vivermos.
Pois os mais novos olham para nós como se estivéssemos a ficar fora de prazo, como nós olhávamos para os nossos pais e tios…
Mal sabem eles, jovens tontos, que ainda agora estamos a começar, que a grande aventura, o maior dos desafios, é mesmo envelhecer em beleza, em paz, serenidade e sensatez...
De nós depende não deixar morrer a música...
COM MÚSICA
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
Hey Ho Let Go
As emoções que nos provocam pessoas
e “coisas”, quer sejam elas positivas ou negativas, afectam-nos sempre. Os
sentimentos regulam a nossa vida, a forma como nos “sentimos”, lá está, como a palavra o indica.
Sentimentos como o amor, a
amizade, a compaixão, fazem-nos sentir bem, como o ódio, o ciúme, a inveja,
fazem-nos sentir mal.
Ou seja, os sentimentos têm poder
sobre nós, sobre as nossas vidas. Influenciam o nosso estado de espírito,
puxam-nos para cima ou para baixo consoante as circunstâncias, impelem-nos
inclusivamente a tomar esta ou aquela atitude.
Resumindo, só não
nos toca o que nos é indiferente.
A vida encarrega-se constantemente
de por e tirar coisas do nosso caminho.
As boas, as que nos são
agradáveis, temos sempre receio de as perder. As más, as que de alguma forma
nos fazem sofrer, queremos mais è vê-las pelas costas.
Aquilo de que não nos damos
geralmente conta, é que somos muitas vezes nós próprios que as retemos, que lhes
damos o poder de nos afectar.
Alimentar sentimentos relativamente
a determinada situação liga-nos a ela, faz com que continue a ter presença
emocional. Amar alguém que não quer saber de nós, odiar, desprezar, guardar
rancor, são tudo sentimentos e como tal mexem connosco. A ideia, em prol do bem
estar e da paz de espírito, é deixa-los ir, não nos agarrarmos a eles.
Ahhh, pois, e tal e coiso, muito
mais fácil de dizer do que de fazer, dirão os do costume.
Ora alguém disse que era canja?! Se
fosse uma coisa evidente nem valeria a pena dissertar sobre o assunto…
A realidade é que é possível
controlar sim, tal como na história
do Velho Índio e dos dois lobos, nós é que escolhemos o que alimentamos. E se
não houver cães não é preciso alimentar nenhum, a questão não se põe, é uma não-questão, um não problema.
Isto é válido relativamente a
tudo, só a emoção nos prende, a indiferença é absolutamente libertadora.
Não, não estou a sugerir que descartemos
toda e qualquer emoção transformando-nos em flat-liners, nem pouco mais ou
menos, somente aquelas que não servem absolutamente para nada, que não cumprem
qualquer propósito a não ser fazer-nos sofrer.
Quando eu era miúda tinha pânico
de osgas, detestava-as, achava-as nojentas (e ainda acho um bocado, confesso), tinha imenso medo de ter algum "encontro" e tornava-me totalmente irracional na sua presença.
Uma noite, há muitos anos, os
meus amigos sabendo desta fobia, fecharam-me num quarto com uma. A desgraçada
estava na parede, lá bem perto do tecto, quietinha, sem fazer mal a ninguém,
enquanto eu berrava insultos, guinchava e dava murros e pontapés na porta
implorando que a abrissem para eu sair.
Nesse dia dei-me conta do ridículo
que era nutrir “sentimentos” por um bicho sem qualquer importância na minha vida, com o qual o mais que podia acontecer era ter de partilhar pontualmente uma divisão. As osgas
passaram a ser-me completamente indiferentes,
As relações humanas, familiares,
amorosas, amigáveis, não funcionam sem emoções mas pode haver emoção sem haver
relação. Mantemos laços emocionais com pessoas com quem já não temos qualquer
relacionamento, tentamos, por alguma razão, manter o
passado no presente, o que não é nada
saudável.
Se não nos agarrarmos às emoções,
se não ficarmos a remoer as questões, se deixarmos a coisa fluir, se nos
deixarmos de mesquinhices e trivialidades, frequentemente nos daremos conta que
determinada pessoa já não tem lugar na nossa vida, que tudo o que lhe diga
respeito nos passou a ser perfeitamente indiferente.
Apesar disto poder parecer insensível
é no entanto uma excelente bitola, uma forma de separar o trigo do joio, pois
há também aqueles que, passe o tempo que passar, seja qual for a
distância que nos separa ou a razão do afastamento, não conseguimos “esquecer”, não conseguimos ganhar distância emocional. Esses são os que realmente importam.
Alimentar sentimentos,
só os que nos fazem sentir cheios por dentro, nunca os que nos corroem as
entranhas. Esses é deixa-los ir, larga-los e usufruir do fabuloso poder libertador da
indiferença.
COM MÚSICA
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
A luz ao fundo do túnel
Todos passamos por fases na vida
em que não conseguimos ver a luz ao fundo do túnel.
Por isto entenda-se visualizar
solução para os problemas, antever como é que as situações se vão resolver,
interiorizar que o sofrimento por que estamos a passar não passa disso mesmo, de
uma fase má, que vai passar.
Isto aplica-se a tudo, desde
questões sentimentais, como de saúde, financeiras ou qualquer outra coisa.
Há momentos em que a noção da
realidade que nos rodeia tende a fazer-nos esquecer que por cima das nuvens o
céu está azul e o sol brilha. Há alturas em que a vida assusta, por não
conseguirmos ver saída para as situações. Há situações em que as estatísticas e
as probabilidades estão nitidamente contra nós.
Aquilo que estou sempre a
apregoar, que devemos dar valor àquilo que temos, em vez de almejarmos o que
não temos, pode virar-se contra nós. Quando realmente vivemos a vida com esta
postura, aquilo a que damos realmente valor, aquilo de que gostamos, gostamos imensamente,
apreciarmo-lo de tal forma que a ideia de o perder é aterrorizadora.
Nestas alturas, para além do calor
humano, do apoio e carinho dos que nos rodeiam, aquilo que mais nos pode ajudar,
pessoalmente não tenho qualquer dúvida disto, é a FÉ.
Qualquer fé, não interessa… tem é de se acreditar, acreditar em
alguma coisa.
Pessoalmente não sigo nenhuma
religião, nenhuma doutrina, acredito no entanto, do fundo da minha alma, que se
formos boas pessoas a vida é boa para nós.
Acredito que não seja possível amadurecer,
irmo-nos tornando pessoas cada vez melhores, se não passarmos por situações
difíceis, pois são elas que nos fazem crescer.
Acredito que as perdas, qualquer
tipo de perda, daquelas que realmente doem, são tão inevitáveis como a própria
morte e que temos de aprender a viver com essa consciência e aceitá-la pacífica
e serenamente.
Acredito que a auto-compaixão só
serve para nos deitar abaixo, para vermos o copo meio cheio, que se é para ter
pena, que seja de quem está pior do que nós.
Acredito que nos momentos
difíceis, não devemos olhar só para o nosso umbigo, que temos de interiorizar
que se estamos a sofrer os outros também o podem estar, muitos estarão
certamente pois os tempos não andam fáceis.
Acredito que não é lá porque se
portam mal connosco que devemos retribuir. Que as más acções não são validadas
por serem consequência de uma má acção sofrida anteriormente. Que assim o
círculo vicioso nunca mais acaba.
Acredito que nos ajuda mais
ajudar os outros com os seus próprios problemas, do que exigir compaixão e
bater com a cabeça nas paredes. Que nos momentos em que sentimos que pouco ou
nada podemos fazer por nós próprios, estender a mão a alguém nos faz sentir que
não estamos de braços cruzados, que continuamos a fazer pela vida, mesmo que
seja pela vida “em geral”.
Acredito que tudo aquilo que
fazemos, de bom ou de mau, que nem boomerang, acaba por voltar a nós. Não obrigatoriamente
pela mesma via, através das mesmas pessoas, mas garantidamente na mesma moeda.
Acredito que só com integridade,
transparência, honestidade, franqueza e sobretudo muito amor, podemos realmente
mudar o mundo. Que todos os males da humanidade se devem ao carácter egoísta e
mesquinho da, infelizmente, maior parte dos homens.
Esta FÉ, é a única luz ao fundo
do túnel em que realmente confio, é a força que que me permite afirmar, de
lágrimas nos olhos e pesar no coração, que sou uma pessoa profundamente feliz.
COM MÚSICA
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
A diabólica menopausa.
Nos últimos tempos dei por mim a
ter crises de angústia absolutamente terríveis, ao ponto de acabarem por
despertar a minha Úrsula Adormecida.
Não as conseguia atribuir a nada
de concreto. Se vos dissesse que tudo está fantástico para estes lados, estaria
a mentir. A verdade, no entanto, é que já esteve bem pior. Não, a minha vida
actual não parecia de forma alguma justificar este descontrolo.
Assim, tendo perfeita consciência
do poder da mente sobre o corpo e vice-versa, antes que a coisa descambasse,
tentei perceber o que se poderia estar a passar.
Não foi muito difícil, bastou
parar para pensar um bocadinho, aperceber-me de todos os outros sintomas; a filha
do demo estava de volta!
A menopausa não vem logo para ficar. Não, começa a rondar discretamente, afasta-se, volta subitamente,
dá umas dentadinhas, torna a soltar… parece um gato a brincar com a presa.
Há cerca de um ano estive no
fundo do poço, há muito tempo que não me sentia tão mal. Enfim, como dizia o
outro, estive à beira do abismo mas dei um passo em frente… ;)
Estou hoje em dia profundamente
convencida que foi a cadela que me pôs naquele estado e determinadíssima a não
a deixar repetir a proeza.
Entrei na pré-menopausa há
sensivelmente ano e meio e logo comecei a investigar o assunto, pois gosto
sempre de saber com o que contar.
Cada uma de nós tem direito às
suas maleitas, embora haja algumas mais comuns, que nos afligem com maior ou
menor intensidade. Descobri no entanto que há uma série de sintomas potencialmente associados
que nunca me passaria pela cabeça relacionar.
Se não controlarmos a coisa de
alguma maneira, sentimo-nos literalmente a enlouquecer.
Pelo que consegui averiguar,
parece ser hoje bastante consensual que as compensações hormonais sejam de
evitar, devido ao risco de cancro. Pessoalmente não estou minimamente inclinada
para assumir esse risco.
Os pais e/ou a escola
preparam-nos para as primeiras fases da nossa vida, ninguém o faz para as
últimas, temos portanto de aprender sozinhos ou deixar-nos ir com a maré.
Pessoalmente prefiro sempre tomar os assuntos em
mãos.
Uma coisa que reparei foi que,
não havendo propriamente um tabu, há pelo menos um certo pudor em falar sobre o
tema. Confesso que me faz alguma confusão, dado que a troca de informações e de
experiências sempre ajuda a que consigamos compreender o que se passa.
Não sei se terão visto um filme
canadiano, de 86, chamado “O declínio do império
americano”?!
Trata, grosso modo, de um grupo
de amigos que, ao longo de um fim-de-semana, vai discutindo abertamente a sua sexualidade.
Na altura gostei imenso do filme que me marcou bastante. Teria então cerca de
vinte e poucos anos e lembro-me de ter citado, mais do que uma vez, em
concordância claro está, a seguinte afirmação de um dos personagens masculinos:
[...] A única certeza que nos resta é a capacidade de agir dos nossos
corpos. Se gosto, tenho ponta. Se não tenho, não gosto. Esta é a única maneira
de testar. Como as mulheres que nos dizem "Amo-te como no primeiro
dia" e que estão secas como lixa, quando dantes ficavam completamente
molhadas só com um beijo no pescoço. [...]
Pois, a falta de informação é no
que dá… leiam lá a listinha de sintomas, vá.
Outra coisa, é a convicção de que
a menopausa é um assunto nosso, das mulheres…
Meus amigos, se vivem connosco
aguentem-se, também é problema vosso, sim, exactamente da mesma forma que são
problema nosso todas as vossas indisposições e doenças, estamos juntos neste
barco, não sacudam a água do capote.
A maioria dos homens fica às
portas da morte à mínima constipação mas espera que enfrentemos as nossas maleitas
como se fossemos tanques de combate…
Pois esta merda não é pêra doce
meninos e não é coisa para durar dois dias, é bom que se façam à ideia. Sem a
vossa compreensão, a vossa ajuda, o vosso apoio, não vai ser nada fácil de
ultrapassar e se correr mal vai sobrar para todos, garanto-vos.
Já ouvi falar de menopausas que decorrem
“sem espinhas”, tal como de partos feitos com uma perna às costas (não sei se
em sentido próprio…lol), são no entanto excepções.
São coisas por que temos de
passar, façamo-lo portanto da melhor forma possível, começando por usar o
cérebro, não faz sentido transforma-las em bichos
de sete cabeças.
Há sintomas físicos e sintomas
psicológicos mas estão de tal forma interligados que mais parecem uma
pescadinha de rabo na boca.
Se, logo para começar, encararmos
a menopausa como o princípio do fim, se começarmos a achar que, por causa dela,
estamos velhas, é meio caminho andado para termos o caldo entornado no que diz
respeito à parte psicológica.
Para além disso, convém evitar os
macaquinhos no sótão pois, sendo o cérebro o maior órgão sexual feminino, estes
vão garantidamente acabar por dar cabo dessa parte da nossa vida, o que
convenhamos era uma pena. ;)
Na minha opinião a primeira coisa
a fazer é encarar o facto que estamos a passar por um mau bocado e termos isso
em consideração no nosso dia a dia.
Se é verdade que a ela associamos
imediatamente alguns sintomas, como sejam os malfadados “calores”, outros há
que são menos óbvios. Convém assim que saibamos o que esperar desta travessia
do deserto, termos a noção que não vamos ter só os dois ou três incómodos de
que sempre ouvimos falar mas potencialmente muitíssimos mais. Estarmos
preparadas para lidar com cada um deles da forma mais eficiente.
Tudo aquilo por que passamos deita
abaixo, não mata mas moí terrivelmente. Temos assim de poupar forças para o
conseguir suportar, não armar em super-mulheres, pedir apoio, aceitar ajuda,
exigir a compreensão de quem nos rodeia.
Se estivermos derreadas, a porta
estará aberta para todos os males psicológicos. Mesmo tendo todos os cuidados
eles estão sempre à espreita, as #”$%&## das hormonas encarregam-se de os
invocar. O melhor é não lhes darmos muita importância, não alimentarmos a
coisa.
Dito isto, não há fórmulas
mágicas, cada uma terá de encontrar a melhor forma de viver com os seus
sintomas. Há pequenos truques que podem ajudar, o artigo para o qual pus o link
é dos melhores que encontrei na net e dá-nos dicas para cada “aflição”.
Para além disso é uma fase em que
precisamos de muitas muletas… pois então usemo-las.
Temos falta de memória?! É para
isso que servem agendas e lembretes… A porcaria da angústia não nos larga o
osso?! Xanax pá carola… Tá seco?! Passáí o KY Jelly…
E sobretudo não esquecer que nisto,
como aliás em tudo na vida, o nosso melhor amigo é sempre o sentido de humor…
;)
COM MÚSICA
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
Abre a pestana, as drogas não te lixam só a ti!!!
Nos últimos tempos o tema tem sido uma constante à minha volta e, assombrada pelas histórias de terror de amigos e conhecidos, como qualquer mãe, cruzo os dedos para que tal flagelo nunca me venha bater à porta.
Decidi assim, mais uma vez, escrever um post dirigido aos mais novos, pois se conseguir abrir a pestana a um que seja, já terá valido a pena.
Se não nos dermos ao trabalho de reflectir sobre o assunto, todos tendemos a pensar que o que fazemos a nós próprios é cá connosco e ninguém tem nada a ver com isso.
Não podia ser mais falso!!!
Pensem em alguém de quem realmente gostem, muito, do fundo do coração, uma daquelas pessoas por quem fariam qualquer coisa, sem a qual vos custaria terrivelmente viver… digam o nome dessa pessoa para dentro, fechem os olhos e imaginem-na, pensem nas coisas que apreciam nela, lembrem-se dos bons momentos que passaram juntos…
Agora imaginem que, por alguma razão, desistia de viver, se suicidava.
Como é que acham que isso vos faria sentir?!
Traídos, abandonados, desconsiderados, desprezados… uma coisa é certa, bem não seria com toda a certeza.
Contrariamente ao que julgamos, não somos donos de nós próprios, não podemos, ou não devemos, fazer o que nos dá na real gana, sem consideração pelos outros.
Só pode pôr e dispor da sua vida, sem pensar em mais ninguém, quem não tenha desenvolvido laços afectivos. Quem os tem fica a eles vinculado e tem a obrigação moral de os respeitar.
Só quem nunca tenha visto o terror da perda nos olhos de quem ama pode duvidar disto.
Tal como relativamente a qualquer outro tema, as opiniões divergem no que diz respeito ao consumo de substâncias potencialmente viciantes. A fronteira do aceitável, do que é ou não preocupante, varia de indivíduo para indivíduo.
Uma coisa é no entanto certa, a adolescência é uma fase perigosíssima no sentido em que todos somos muitíssimo influenciáveis e simultaneamente sujeitos a enormes picos emocionais.
Logo, consumir seja o que for, é mesmo estar a brincar com o fogo.
Todos conhecemos os “moedinhas” das zonas de estacionamento e sabemos a razão porque a maioria lá foi parar. Todos sabemos ao que se atribui grande parte da criminalidade. Mesmo quem tenha a sorte de não ter casos próximos de si, já assistiu à horrível degradação de uma que outra celebridade devido às drogas, à morte de tantas delas.
Não acredito que ninguém experimente alguma coisa convicto de que é o que lhe vai acontecer, se for o caso, só tem o que merece.
Não, todos julgam que é só mais uma experiência, que largam quando quiserem. Perguntem a qualquer fumador...
Não tenho conhecimento das estatísticas e não gosto de afirmar o que não sei, suspeito no entanto seriamente que sejam mais os que, de alguma forma, se ficam pelo caminho, do que aqueles que conseguem recuperar uma vida “normal”.
Costuma dizer-se que cada um se deita na cama que faz. Infelizmente, nestes casos, toda a família lá vai parar, não há como escapar.
As drogas não dão só cabo da vossa vida, dão cabo de tudo o que estiver à vossa volta, sem dó nem piedade.
Dão cabo de pais e irmãos, de tios e avós, de qualquer um que tenha o azar de estar próximo e gostar de vocês. O amor deles será a sua perdição.
As drogas dão cabo das contas bancárias, das carreiras, da vida social, dos casamentos, da saúde física e mental… dos outros. Daqueles de quem vocês afirmam gostar. Daqueles que não têm culpa nenhuma da merda em que vocês se meteram…
E o pior é que vocês próprios dariam provavelmente tudo para não o ter feito, para nunca terem entrado nesse mundo…
Então, meus amigos, têm bom remédio, NÃO ENTREM!!!
Se estão à porta, dêm meia volta, JÁ.
Se têm um pé lá dentro, olhem bem, mas mesmo bem, para os olhos de quem vos ama e vão lá buscar força para fugir a sete pés.
Se ficarem, se forem em frente… assumam a enorme maldade que lhes estão a fazer!
O caminho da felicidade não passa nunca pelo alheamento da realidade, drugs don’t work, a vida é uma pega de caras, sejam homens, não ratos…
COM MÚSICA
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
Não sou tua amiga, sou tua mãe...
Educar
[...] Oferecer a alguém
o necessário
para que consiga desenvolver plenamente a sua personalidade. Propagar ou transmitir conhecimento (instrução) a; oferecer
ensino (educação)
a; instruir..[...]
De cada vez que vou a uma reunião de pais, pergunto-me
qual será o futuro da humanidade nas mãos das crianças de hoje.
Partindo do princípio que as escolas não
mencionam as coisas só porque sim mas porque chegaram à conclusão que não são
óbvias para toda a gente, bradam aos céus alguns dos conselhos que se ouvem.
Os filhos não vêm com manual de instruções,
cada caso é um caso e não tenho qualquer dúvida que vários caminhos levem a
Roma. Convém é que exista, para que não reine a lei
da selva, pois as crianças não se auto-educam.
Não sou sumidade na matéria, só uma mãe que
retira genuíno gozo do papel e se aplica na tarefa. Haverá quem não
concorde comigo, quem abrace outras teorias e práticas, o que compreendo e
respeito.
Na minha opinião, há duas coisas fundamentais
para o sucesso de uma educação; amor infinito e um pulso de ferro.
Não há formulas mágicas nem truques
infalíveis e por muito que se possa estudar sobre o assunto, para educar temos
de usar o bom senso e tocar de ouvido.
Se funcionarmos por experimentação e formos
rectificando os erros, a coisa deverá correr mais ou menos bem.
Convém no
entanto que tenhamos noção que, muitas vezes, educar custa-nos bastante mais a nós do que a eles e que, façamos o que fizermos, iremos inevitavelmente
falhar algures, não há pais perfeitos.
Nada me convence que as crianças não se
começam a educar desde o dia em que nascem e faz-me alguma confusão o precioso tempo
que perdem os pais que acham que só o podem fazer a partir de determinada
idade.
A partir do momento em que começa a haver
reciprocidade na comunicação verbal, então, passamos a ter mais uma preciosa ferramenta
ao nosso serviço.
Uma das coisas que considero importante
para que se gere uma sensação de estabilidade, são os horários e as rotinas. As
crianças precisam de comer com calma e sem stress, de estudar, de tempo para a brincadeira,
das suas horas de sono, etc. Se tudo isto não for devidamente organizado,
facilmente as coisas descambam e não acho que as crianças digiram bem o
caos.
Outra, são as regras. As sociedades em que
vivemos, sejam elas quais forem, estão sempre repletas de regras. É bom que os
miúdos percebam desde cedo o que isso quer dizer e aprendam a cumpri-las, a respeita-las,
ou até mesmo eventualmente a quebra-las, desde que com a noção de que o estão a
fazer.
Só assim se conseguirão integrar.
Haverá alguém melhor do que nós, que temos
por eles um amor incondicional, com quem testarem tudo isto?!
Acredito numa educação cuidadosa e firme
mas não austera e rígida.
Pessoalmente sou uma mãe brincalhona e
informal e considero a cumplicidade e o companheirismo muito importantes e
valiosos. Não tolero no entanto qualquer tipo de abusos, sendo bastante implacável
relativamente a respostas tortas, insultos ou faltas de respeito. Quanto a este
último, não só pelos mais velhos mas por qualquer ser vivo.
Se formos déspotas e prepotentes, só
estaremos a mandar, não a educar. Se formos manipuláveis e permissivos,
perderemos a autoridade necessária para o fazer. Como em tudo o resto, no meio
é que está a virtude.
Não sou assim apologista de porque sins e porque nãos.
Na minha opinião, as nossas decisões podem ser
contestadas e postas em causa, sim, desde que civilizadamente e não através de
birra.
Caso seja possível devem-lhes ser explicadas e, no caso de
contra-argumentarem convincentemente, revistas e eventualmente alteradas. Não
tenhamos a presunção de achar que estamos sempre certos.
Da mesma forma, somos humanos, falhamos,
metemos a pata na poça, somos injustos, etc… nesses casos não há nada como
pedir desculpa, sinceras e humildes desculpas.
Não acredito em tabus e, as crianças tendo uma
enorme curiosidade natural, acho óptimo que se sintam à vontade para nos
perguntarem tudo que quiserem e que lhes respondamos sem embaraço ou
preconceito.
Nem sempre é fácil adaptar as respostas à
sua idade e às vezes nem sequer conseguimos arranjar uma que possam efectivamente
compreender. Não vejo qualquer inconveniente em explicar-lhes isso mesmo, que
são novas demais, que voltaremos eventualmente a falar sobre o assunto mais
tarde.
Da mesma forma, acontece nós próprios não
as sabermos, em cujo caso reconhecê-lo me parece a melhor solução, ninguém é
suposto saber tudo. Todos conhecemos pessoas que, quando não sabem, inventam.
Se for alguém em quem confiamos, acreditaremos, assumiremos o embuste como
conhecimento. Caso o tema nos interesse e esteja ao alcance da nossa
própria compreensão, é até uma excelente oportunidade para aprendermos e de
seguida o transmitirmos.
Quando são bebés temos de fazer
absolutamente tudo por eles. Conforme vão crescendo, à medida das suas
capacidades e respeitando o seu tempo de ser criança, acho que lhes devemos ir
exigindo cada vez mais independência e colaboração.
É bom que se vão habituando lenta e
suavemente a que a vida não é um mar de rosas e que nos sai do pelo. Sair tudo
do nosso quando já podem participar com a sua quota-parte não me parece, nem
justo, nem formativo.
Acho muito importante que estejamos
disponíveis, para os ajudar sempre que possível. Ás vezes era sem dúvida mais
fácil fazermos nós as coisas por eles, dava-nos menos trabalho, mexia-nos menos
com os nervos. No entanto, quem precisa de aprender, de praticar, não somos nós, não
devemos assim dar-lhes o peixe mas ensina-los a pescar.
Transmitir-lhes a noção de que, apesar de
serem a coisa mais importante da nossa vida, não são a única, também me parece
essencial. O ser humano è naturalmente egoísta e, se o deixarmos, tende a
ver-se como o centro do universo. Convém cortar esse mal pela raiz desde cedo.
Sacrifícios sim senhor, mas os que fazem sentido, os que cumprem algum
propósito para além do “querer” da criancinha.
O que nos leva à questão das “liberdades
individuais” de que tanto se fala hoje em dia. Sempre ouvi dizer que a nossa
liberdade acaba onde começa a dos outros. Seres humanos em fase de formação,
que ainda vêem a vida a preto e branco devem, na minha opinião, ter as escolhas
reguladas pelo bom senso paternal. Quando forem adultos e independentes, logo
poderão fazer o que bem entenderem, até lá, no que me diz respeito, estarão sempre em “liberdade
condicional”. lol
Em tudo o que fazem acho que lhes devemos sempre
exigir o máximo, não que sejam os melhores mas que dêem o seu melhor. Pouco ou
nada se faz sem esforço, sem empenho, sem força de vontade. Na minha opinião todos
devemos ser tão bons, em tudo o que fazemos, quanto aquilo que conseguimos ser,
nem mais, nem menos.
Acho perfeitamente possível passar-lhes
noções que nós próprios só descobrimos tarde na vida e tanto jeito nos teria
dado interiorizar precocemente. Não são necessárias palestras, não fazem
sentido grandes dissertações, eles compreendem bem melhor os exemplos práticos,
as demonstrações com base em exemplos concretos do dia a dia.
Finalmente, como não podia deixar de ser,
dar o exemplo é essencial. Haja coerência, se não praticarmos o que apregoamos,
como iremos convence-los que lhes possa trazer algum benefício na vida?!
COM MÚSICA
sábado, 4 de outubro de 2014
Sapos
Pessoalmente sou acérrima defensora da sinceridade, frontalidade, transparência. Acho a vida muito mais fácil quando percebemos exactamente o que temos à frente, com o que estamos a lidar, sem necessidade de interpretação ou, nalguns casos, de capacidades divinatórias mesmo.
Sou no entanto também grande apologista da utilização do cérebro e consequente controlo dos impulsos.
Todos passamos pontualmente por situações em que nos sentimos compelidos a "espingardar" quando na realidade, por uma razão ou por outra, o melhor que temos a fazer é mesmo meter a viola no saco e ficar caladinhos. Passo a exemplificar...
Trato dos pedidos de informação e reservas de uma casa de férias da família, que tem vindo a ser pontualmente arrendada para ajudar a suportar os custos.
Frequentemente as pessoas pedem "favores", que se abram excepções às regras, que se facilite isto ou aquilo. Vai do clássico pedido de desconto, à flexibilidade nos horários de entrada e saída ou à autorização para levarem o cãozinho.
De cada vez, oiço os seu argumentos, tento pôr-me no seu lugar, compreender as suas razões e, sempre que possível e dentro dos limites do razoável, acedo aos seus pedidos.
Já mais do que uma vez, devido a algum problema ou imprevisto, teria sido agradável ter a mesma simpatia do outro lado. Aquilo com que me tenho deparado nessas alturas é no entanto bem diferente. A compreensão e as cedências parecem ser vias de sentido único.
Sobretudo relativamente àqueles para quem tive alguma atenção especial, esta postura provoca-me um enorme sentimento de revolta.
Sobretudo relativamente àqueles para quem tive alguma atenção especial, esta postura provoca-me um enorme sentimento de revolta.
De que me adiantaria no entanto puxar a brasa à nossa sardinha?! A empatia, ou se sente ou não se sente e a triste realidade è que a maioria das pessoas só tem em consideração o seu próprio umbigo.
Outro exemplo, fiz uma vez um trabalho para um amigo, digamos que de feitio um pouco intempestivo...
Desde o início que não foram propriamente fáceis o diálogo e a comunicação mas houve uma reunião que ultrapassou todos os limites do razoável. A virulência e agressividade foram escalando de tal forma que, de cada vez que precisava de falar, tinha antes de contar até dez, para garantir que não dizia nada de que me fosse arrepender mais tarde.
Quando se foi embora, chorei de raiva e de seguida mudei de registo e obriguei-me a pensar noutra coisa. Era isso ou partir a loiça toda da nossa relação, o que não estava disposta a fazer, pois na minha forma de estar na vida não se trata ninguém daquela forma.
Desde o início que não foram propriamente fáceis o diálogo e a comunicação mas houve uma reunião que ultrapassou todos os limites do razoável. A virulência e agressividade foram escalando de tal forma que, de cada vez que precisava de falar, tinha antes de contar até dez, para garantir que não dizia nada de que me fosse arrepender mais tarde.
Quando se foi embora, chorei de raiva e de seguida mudei de registo e obriguei-me a pensar noutra coisa. Era isso ou partir a loiça toda da nossa relação, o que não estava disposta a fazer, pois na minha forma de estar na vida não se trata ninguém daquela forma.
Finalmente, há tempos, fui injustamente acusada de ter tido uma atitude que, não só não tive, como antes pelo contrário. Fui por isso apelidada de ingénua, de totó, e ainda hoje sou gozada e achincalhada.
O sentimento de injustiça é, sem dúvida, dos que mais me afectam, pelo que me senti obviamente impelida a repor a verdade dos factos.
Ao preparar a resposta dei-me no entanto conta de que este era mais um sapo que teria de engolir. Para poder "limpar" o meu nome teria de apontar o dedo a terceiros, "gabar-me" de atitudes louváveis que tinha tido e apontar umas "verdades" inconvenientes... e tudo isto com a convicção de que não iam acreditar de qualquer das formas.
Mais valeu estar calada.
Mais valeu estar calada.
Muitas são as situações em que é mesmo a melhor coisa a fazer, calar e engolir em seco.
Temos enraizadas em nós noções de honra, de justiça, de reposição de verdades mas, no fundo, o que realmente interessa é o resultado final das nossas atitudes, das nossas reacções.
Quando penso em tudo isto vêm-me sempre à cabeça os, na minha opinião ridículos, duelos, a quantidade de gente que limpou a honra perdendo a vida, e pergunto-me como é que alguém pode achar que vale a pena.
COM MÚSICA
terça-feira, 23 de setembro de 2014
Ó vizinha, dá-me salsa?!
Um destes dias os nossos convidados para o almoço entraram-nos em casa a perguntar; “Como é que vocês se dão com os vossos vizinhos tal tal? É que estamos a pensar fazer uma queixa…”
Depois de lhes assegurarmos que dávamos muito bem obrigados e sugerirmos que estivessem quietinhos, continuaram a refilar. Que não podia ser, que as pessoas não podiam fazer o que lhes dava na real gana, que eles faziam queixa de tudo, eram odiados por todos os vizinhos mas funcionava muito bem.
Primeiro chocou-me a ideia daqueles dois serem odiados por fosse quem fosse. Não conheço sinceramente melhores pessoas, mais atenciosas, disponíveis, prestáveis, sempre dispostos a estender a mão ao próximo. Pessoalmente não conheço ninguém que não os adore.
Depois pus-me no lugar dos vizinhos deles e, se de facto é a postura que adoptam, compreendi que possa haver quem não tenha propriamente a mesma opinião… lol
A conversa transitou entretanto para outro tema qualquer e não voltámos a discutir o assunto. Fiquei no entanto a remoê-lo durante algum tempo, ao ponto de me inspirar este post…
Vivemos num pequeno caracol com trinta casas, das quais dois terços são praticamente iguais, só diferindo em tamanho. Chamo-lhe caracol porque é o que parece visto de cima, tendo de se sair por onde se entrou, o que faz com que seja uma rua muito calma e recatada praticamente só por cá circulando moradores e respectivos colaboradores e visitas.
Se me perguntarem se aquilo que os irritou a eles não me incomoda a mim, tenho de confessar que sim. Como em qualquer outro sítio onde vivesse, há praticas que me chateiam, coisas que agridem o meu sentido estético, episódios pontuais que não me agradam.
Daí a “fazer queixa” dos mesmos…
Quando as nossas visitas juntaram numa mesma frase a afirmação de que eram odiados à de que corria tudo muito bem, confesso que fiquei baralhada, pois a mim parece-me sintoma de que algo corre infelizmente bastante mal.
Eu pelo menos atribuo uma enorme importância ao ambiente em que vivo, acho fundamental sentirmos harmonia à nossa volta e não animosidade.
Gosto de trocar dois dedos de conversa com os vizinhos quando nos cruzamos na rua, de me sentir à vontade para lhes cravar isto ou aquilo e vice-versa, de lhes poder deixar a chave de nossa casa se for necessário, etc…
A minha irmã é muito amiga dos vizinhos do lado, fazem jantaradas, passam férias juntos, confesso que tenho uma pontinha de inveja, gostava de ter uma coisa do género aqui na zona. lol
A minha irmã é muito amiga dos vizinhos do lado, fazem jantaradas, passam férias juntos, confesso que tenho uma pontinha de inveja, gostava de ter uma coisa do género aqui na zona. lol
Se pensarmos bem, todos temos coisas a apontar, todos de alguma forma temos telhados de vidro (no nosso caso até em sentido próprio…lolololol), duvido que alguém possa afirmar, em consciência, que jamais incomodou o próximo.
Resumindo, acho fundamental esforçarmo-nos por ter para com os outros a paciência e tolerância que gostaríamos e esperamos que tenham para connosco.
Queixas, reservo-as para se surgir alguma questão realmente grave, nos entretantos prefiro uma boa vizinhança… :)
COM MÚSICA
(Sim, sim... mas foi a única música gira
que encontrei sobre vizinhanças, ok? lol)
Pete Seeger - Little Boxes
Powered by mp3soup.net
Subscrever:
Mensagens (Atom)









