domingo, 8 de março de 2015

A mudança que queremos ver no mundo...

Tivemos recentemente cá em casa um mini-drama, em que o meu filho me disse que não estava feliz.
Nunca, até á data, tinham desta forma soado os sinais de alarme a seu respeito...
Estou convencida que, consciente ou inconscientemente, ele tinha noção da bomba que iria ser a sua afirmação, dado que estou sempre com conversas sobre a felicidade.

Cá em casa, todos temos de ser felizes, incluindo a cadela, os gatos e a cobra... lol... é o nosso lema, o nosso credo, a nossa missão, a nossa razão de ser... abraçar a felicidade e distribui-la à nossa volta.
Se a de algum dos membros da família estiver por alguma razão vacilante, todos contribuímos para que regresse ao bom caminho.

Depois de pensar um bocadinho sobre o assunto e o discutir com a cara metade, chegámos à conclusão de que não havia na realidade razão para preocupações.
Uma pessoa que canta no duche, está sempre a dizer piadas e leva a vida com energia e boa disposição, não é uma pessoa infeliz.
Sabendo muito bem a mãe que tem, utilizou no entanto a palavrinha mágica, que sabia ir mexer comigo, para me alertar para uma situação que não lhe agradava.

Apesar de tudo o que para aqui debito e da minha "filosofia de vida" baseada na felicidade, eu não sou uma pessoa fácil, tenho perfeita consciência disso.
Tento repetida e persistentemente por em pratica tudo o que apregoo, perdoo-me quando falho, penso que para a próxima farei melhor e não desisto.
Isto não impede que tenha um feitio desgraçado, que volta não volta foge das catacumbas onde o tento manter prisioneiro, que nem dragão da Daenerys, criando um tornado à minha volta, que leva tudo à frente.
Todos temos características que não nos ajudam nada na vida, esta é uma das minhas, o que não implica que encolha os ombros e diga "eu sou assim".

Neste caso, a suposta infelicidade do meu rebento, tinha a ver com a forma leonina como tenho andado em cima dele, nos últimos tempos, relativamente à escola.
Nos primeiros anos do liceu eu era excelente aluna. Tenho dois dedos de testa, tive bons professores, a coisa corria muito bem. Até que foi preciso começar a estudar a sério, a empinar, a gerir e organizar o estudo e trabalhos das várias disciplinas.
Era tarde demais, não tinha o habito, não sabia como, não me senti capaz... e desisti por isso de abraçar uma que outra profissão que, estou hoje em dia convencida, me poderia ter assentado que nem uma luva.

Raios me partam se vou deixar que aconteça o mesmo ao meu filho!
Não lhe peço nunca mais do que aquilo que sei que pode dar, só o seu máximo em tudo.
Não espero que ganhe o corta mato da escola ou que venha a falar fluentemente francês (snif) pois são capacidades ou apetências que não tem.
Não há no entanto absolutamente nenhuma razão para que alguém que gosta de matemática, que tem facilidade em domina-la e que tem (pelo menos neste ponto do campeonato) intenções de seguir uma via em que esta é fundamental, tenha negativa nessa cadeira, por exemplo.

Dito isto, há formas e formas de fazer as coisas e calhando virar ogre não é de facto das melhores... ;)
A palavrinha mágica, a declaração de infelicidade foi, no fundo, uma forma de gritar "estás a fazer tudo mal, minha... por aí não vamos lá. A única coisa que estás de facto a conseguir è stressar-me pa caraças... "
Ele lá sabe, nem que seja intuitivamente, que ás vezes as pessoas precisam de levar um estaladão na cara para abrir os olhos.

Parar para pensar, por as coisas em questão, em perspectiva, dar a mão à palmatória, compreender que já é mais do que tempo de arrepiar caminho e optar por outro menos tortuoso, é pontualmente fundamental na vida.
Passei os últimos doze anos a validar os berros que damos aos putos, por ser o que a maior parte de nós faz. Olhamos para o lado, pensamos "não sou a única, é ok..."
Mas não é... não é porque os outros agem mal, que devemos fazer o mesmo.
E não é porque sempre agimos de determinada maneira que temos de continuar fazê-lo, se chegarmos à conclusão que está errada.

"Sê a diferença que queres ver no mundo"...
Pessoalmente não quero de todo um mundo de filme neo-realista italiano, em que tudo berra, tudo grita.
As mensagens passam muito melhor pacificamente, num ambiente em que as pessoas não se sintam agredidas.

Apesar de tudo isto, sou uma mãe especialmente fixe em muitas outras coisas e dei-me conta, na longa conversa que tivemos, que ele me conseguia apontar umas quantas de que não gostava nada mas era incapaz de me dizer uma em que achasse que eu era boa, apesar de reconhecer que existiam várias.

Já se perguntava a Julia Roberts, no Pretty Woman "porquê que as coisas más a nosso respeito são sempre tão mais fáceis de acreditar!?"
Da mesma forma, mais facilmente recordamos os erros dos outros, aquilo em que nos magoaram, nos agrediram, nos lesaram, do que as coisas que fizeram connosco ou por nós, que tenham gerado sentimentos positivos.

Propus-lhe assim que tomasse nota num livrinho, de tudo o que eu fizesse nos próximos temos, que o chateasse ou lhe agradasse, e que o discutíssemos regularmente, para em conjunto analisarmos a esperada evolução da metamorfose da minha pessoa, de Gollum  para Smigel... lol

Qual não é o meu espanto quando, ao  fazê-lo ao fim de uns tempos,  verificamos que só lá tem coisas agradáveis escritas...

Ele há dias bons... :)))

COM MÚSICA











quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Mountain View, California



O contacto com pessoas de todos os tipos, com ideias, crenças, vivências, realidades, diversas é, na minha opinião, extremamente positivo para o nosso desenvolvimento pessoal.
Parece-me fundamental a noção de que todos somos diferentes, não sendo por isso obrigatoriamente melhores nem piores uns do que os outros. É por outro lado pela comparação que vamos compreendendo o que somos e o que queremos ser.

Não sei no entanto se será da velhice (lol) mas a realidade é que cada vez mais procuro rodear-me de pessoas parecidas comigo. Por parecidas entenda-se com a mesma postura perante a vida, a mesma visão, o mesmo tipo de ideais, de princípios, de atitudes.
Acredito que seja uma coisa natural a partir de certa altura. A noção do tempo a esvair-se-nos por entre os dedos transforma-o no nosso bem mais valioso. O relacionamento com gente muito diferente de nós pode eventualmente ser interessante, em pequenas doses, mas torna-se à la longue cansativo e frequentemente pouco gratificante.

Todos tendemos a medir os outros pela nossa bitola, se estas forem muito diferentes, se não estivermos no mesmo comprimento de onda, estaremos em permanente risco de atritos, conflitos, mal entendidos. Teremos de constantemente nos explicarmos, justificarmos, desculparmos, correndo mesmo assim o risco de não sermos compreendidos. 
Quando se encara e leva a vida de forma semelhante, quando se “fala a mesma língua”, tudo se torna muito mais fácil, mais simples, mais leve, mais agradável. O entendimento mútuo é o que faz de uma relação um valor seguro.
Nada disto impede que surjam os naturais problemas dos relacionamentos humanos, simplesmente faz com que se resolvam com muito mais facilidade, mais naturalidade e sobretudo sem deixar sequelas.

A tão controversa internet é uma excelente ferramenta de triagem.
Se estivermos minimamente atentos ao que por lá (cá) lemos, nas redes sociais, nos blogs, nos fórums, etc… teremos frequentemente uma noção mais exacta da verdadeira natureza dos outros do que se os encontrarmos cara a cara.
Presencialmente tende-se a fazer uma certa cerimónia, a ajustar-se a quem se tem pela frente. Curiosa e paradoxalmente, as pessoas parecem sentir-se mais à vontade para agir como lhes dita a alma no vasto mundo cibernético, em que nem sequer têm noção de quem os estará a “ouvir” do outro lado.
A realidade é que esta magnifica ferramenta de comunicação dos tempos modernos, com as suas vantagens e desvantagens, como tudo na vida, nos permite, com uma enorme naturalidade, ir separando o trigo do joio.

Dei o título a este post por piada e porque vinha a propósito.
A partir de certa altura, começaram a aparecer-me nas ferramentas de análise de tráfego (Analytics, Sitemeter e afins), várias visitas prolongadas, com origem em Mountain View, California.
Foi fácil dar por elas porque este blog não tem muitos visitantes e menos ainda que efectivamente leiam o que escrevo, a maior parte deve cá cair por engano e vai-se logo embora.  Chamou-me portanto obviamente a atenção alguém, ainda por cima de outro país, que aparentemente o andou a ler de ponta a ponta.
Yeah… Big brother is watching you… lol
Mountain View, a menos que tenhas perdido uma aposta ou coisa do género, cujo castigo seja ler a minha sopa, deves ser cá dos meus… quando cá vieres dá-me um toque, bora beber um café. ;)

Da mesma forma, estou profundamente convencida que anda por aí um bom amigo em potência. Somos amiguinhos no Facebook porque sim, porque ambos lá temos bastantes, alguns dos quais em comum. Porque em tempos trocámos umas palavras, já nem me lembro se por escrito se ao telefone, sobre a divulgação da associação que gere na rede do LF.
Há seis anos que me aparece regularmente no feed o que posta e tudo ou quase tudo mexe comigo, de uma forma ou de outra. Gosto não só do que diz mas também de como o diz. Gosto do que transmite, do que transparece da sua personalidade, do que adivinho ser a sua mente.
Recentemente, dei-me conta que me andava a pinar (salve seja!!!) no Pinterest. Fui cuscar os boards dele e muitos deles poderiam perfeitamente ser meus… os das miúdas giras e boas dispenso. ;)
Raios me partam se não nos vamos conhecer ao vivo e a cores um dia destes… just you wait, 'enry'iggins… lol

Os exemplos acima são de malta que não conheço pessoalmente, mas até com os outros isto “funciona”… graças ao que se vai passando online, tenho vindo a interessar-me e a consequentemente  aprofundar relações com pessoas que, me dou conta agora, mal conhecia, .

A empatia transmite-se bem via http… e a antipatia também.


COM MÚSICA

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Cheques sem cobertura

WTF?!

As palavras, tal como os cheques, têm de ter provisão.
Depois de lhe dar um valente enxerto de porrada o marido agarra-se à mulher, pedindo desculpa, dizendo que a ama, que não tornará a fazer… pelo menos até à próxima. Mmmm... pois.

Deparo-me recorrentemente, no Facebook e no Pinterest , com a frase que coloquei em cabeçalho deste post. Deixa-me sempre a reflectir  sobre como certas pessoas encaram a vida e as relações com os outros de uma forma, para mim, totalmente absurda.

“Pedir desculpa nem sempre quer dizer que estejamos errados e a outra pessoa certa. Quer dizer que valorizamos mais a nossa amizade do que o nosso ego.”

Hein? Desculpe?!
Estarei a ver mal as coisas ou os pedidos de desculpa são esperados quando, de alguma forma, lesamos ou magoamos alguém?!
Estar certo ou errado? Como assim, certo e errado?!

Na minha opinião, quem divulga a frase acima, valoriza garantidamente mais o seu ego do que qualquer outra coisa.
Considera que desculpar-se é dar o braço a torcer, humilhar-se, atirar a toalha ao chão, como se de um combate se tratasse… pronto, leva lá a bicicleta.
Pede desculpas não por sentir genuinamente que deve mas por achar que tem que, para por uma pedra sobre o assunto, para o mandar para trás das costas. Como se assim pudesse apagar o sucedido, fazer “reset” e seguir em frente como se nada fosse. Julga que ao fazê-lo toda a dor desaparece, como por milagre.

Um pedido de desculpas que não seja sentido, que não venha do fundo do coração, não só não serve absolutamente para nada, como nem sequer deveria, quanto a mim, ser feito.
Até podemos achar que tínhamos a tal “razão”, podemos inclusivamente continuar a defendê-la, as desculpas que pedimos podem ser por não termos tido outra opção senão magoar. Mas ou lamentamos realmente, se não os nossos actos, pelo menos as suas consequências, ou mais vale estar calado, pois pedir desculpa nestes casos só piora a situação.

Só devemos “pagar” aquilo que consideramos que devemos mas se passarmos um cheque a descoberto estamos a ser desonestos.
“Fogo, desculpa lá, pronto…”
“Já passou tanto tempo e ainda não desculpaste isso…”?!
Pagar com uma nota falsa só reforça o dano e o tempo não apaga estas “dívidas”, neste caso a situação não prescreve, o não pagamento mantém as feridas abertas ad aeternum.

Pedir desculpa, mesmo quando sinceramente, não é uma fórmula mágica que resolva tudo de um momento para o outro. Pedirmos desculpa não apaga o que aconteceu, não o torna ok aos olhos do outro. Simplesmente permite que comece a sarar e, com tempo, deixe de doer. É o que lhe abre o coração para a aceitação das nossas fraquezas, o que lhe permite ter consciência do facto que todos somos humanos e como tal todos erramos. É o que inspira a confiança de que tudo faremos para que não se repita.

Neste post coloquei uma imagem com uma frase com a qual não concordo de forma alguma e uma música que diz o contrário daquilo que penso... nunca é tarde demais para se pedir desculpa pois fazê-lo, cedo ou tarde, não implica de forma alguma que as coisas voltem ao que eram.
Pedir desculpa é um acto independente, pedir genuinamente desculpa é um acto libertador, para quem pede e para quem recebe o pedido. Pedir desculpa é afirmar a nossa humanidade e empatia para com outro ser humano.


Muitos não têm infelizmente noção do poder que têm as palavras, as que dizemos e as que calamos.


COM MÚSICA

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Meio Século





No Sábado passado fiz cinquenta anos!
Qual é a diferença entre fazer 49, 50 ou 51, perguntar-me-ão vocês… teoricamente muito pouca, evidentemente. No entanto, talvez por vivermos num mundo “decimal”, a realidade é que a passagem de uma década para outra mexe sempre connosco. Tipicamente nestas alturas fazemos pontos da situação, analisamos o que foi, imaginamos e planeamos o que pode vir a ser.

Quando estamos à espera de bebé, parece que de repente vemos grávidas por todo o lado. Reparamos muito mais nas crianças que nos rodeiam. Pomo-nos a galar os carrinhos que passam por nós. Tornamo-nos muito mais atentas às conversas sobre o tema.
Se pensamos comprar determinado carro, reparamos de repente que há montes deles em circulação. Se alguém que conhecemos tem um igual, observamos todos os detalhes com muito mais atenção, fazemos perguntas, lemos avaliações, fazemos comparações.

Quando caminhamos para velhos, é igual.
Parece que subitamente o mundo está cheio deles e passamos a vê-los com outros olhos. Interessamo-nos por questões que dantes considerávamos não nos dizer respeito. Artigos sobre temas relacionados, pelos quais anteriormente passávamos como cão por vinha vindimada, despertam-nos agora curiosidade. A análise da forma como os outros enfrentam a idade torna-se um exercício interessante.

Cinquenta anos é ser-se “velho”?!
Claro que não, de forma alguma, só mesmo aos olhos dos putos. lol
Pelo que consegui averiguar, actualmente a esperança de vida das mulheres, em Portugal, é de cerca de 82 anos. Isto quer dizer que aos cinquenta ainda têm potencialmente pela frente quase outros tantos. Se forem da laia do Manuel de Oliveira poderão mesmo duplica-los e ainda continuar por aí fora alegremente… ;) Sendo que a ciência e a medicina evoluíram de tal forma que tudo isto se passa com cada vez mais qualidade de vida.

Agora, novos já não somos, não… isso, só os muito mais velhos é que afirmam. lol
É mais ou menos por esta altura que a máquina começa a dar sinais de desgaste. Corpo e mente começam a baixar a performance, a perder a fiabilidade. De repente precisávamos de braços mais compridos, temos mais cerâmica na boca do que marfim e se nos sentarmos no chão mais de dez minutos é preciso chamar uma grua. Não vivemos sem agendas e lembretes. A máquina fotográfica deixa de ser amiguinha. O tema da morte passa a ser assunto de reflexão.

Há quem se deprima muito com tudo isto, quem tente desesperadamente remar contra a maré, agarrar-se com unhas e dentes a uma aparência e um estilo de vida que já não são nitidamente os seus.
O sentimento de perda é uma coisa complicada.
Encarar a idade como tal parece-me no entanto muito redutor, é ver o copo meio vazio.
Sempre acreditei que quando se fecha uma porta se abre uma janela. Como dizia a minha professora de história da arte, quando mudávamos de período, “não é melhor, nem pior… é diferente”.
A maior parte das pessoas só aprecia o que gostaria de ter ou eventualmente perdeu, não dá realmente valor àquilo que tem. Compara-se constantemente com os outros, mas sobretudo com os que, na sua opinião, estão melhor, em melhor forma, mais bonitos, mais elegantes, mais saudáveis, mais novos. Vê-se através dos olhos alheios, dá uma importância disparatada ao que os outros pensam…

Assim é de facto complicado não stressar com a idade.
Por um lado, cada vez mais aqueles que nos rodeiam irão ser mais novos que nós. Haverá cada vez mais gente a achar que estamos velhos e por velhos entenda-se muito pior do que estamos na realidade. lol
Por outro, se nos agarrarmos ao que ficou para trás, dificilmente conseguiremos realmente curtir o que temos pela frente. Se nos considerarmos no início do fim, para muitos de nós, irá ser um fim terrivelmente longo, uma verdadeira chatice. ;)

O convívio com gente de várias idades, géneros, opiniões, etc, é, na minha opinião, do mais salutar que há. Abre horizontes, fornece matéria para reflexão, mantém-nos actualizados e ligados à realidade.
O convívio regular com malta da nossa faixa etária é, na minha opinião, fundamental. É o que faz com que não sintamos tanto o peso da idade, darmo-nos conta que é realmente o curso natural da vida, que é quase igual para todos e sobretudo que ainda temos imenso para dar e receber.

O nosso grupinho do Tarot já perfaz uma idade somada próxima dos trezentos anos… hehe… as nossas quintas-feiras são uma galhofa, estamos todos sensivelmente no mesmo estado e não nos coibimos de gozar com o assunto. Não há melhor remédio do que o sentido de humor e não nos levarmos demasiado a sério. Estamos no entanto todos no mesmo barco e compreendemos bem como os outros se sentem, pelo que estão a passar, o que é muito reconfortante.
Não consigo sequer imaginar como se possam sentir os velhos jarretas e as barbies enrrugadas, pela “night” fora, a tentar “enturmar” com putos que quase poderiam ser seus netos.

Acreditem se quiserem mas não trocava os meus cinquenta anos pelos vinte de ninguém. :)


COM MÚSICA

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

domingo, 11 de janeiro de 2015

Merci Charlie





Tendo passado as primeiras décadas da minha vida num meio essencialmente francófono, mantenho até hoje uma forte ligação com os velhos franco-belgas através da música, por um lado, e da BD por outro.
Ainda há poucos dias nos estivemos a rir com minha velha camisa de noite com desenhos do Wolinsky... Qual não foi o choque quando soube que era uma das vítimas do ataque em Paris.
Talvez por isto tenha dedicado mais tempo do que o que seria para mim natural a ler o que vai "saindo" sobre o assunto. Matéria não falta, está por todo o lado, parece que toda a gente tem alguma coisa a dizer.
Também eu tenho evidentemente a minha opinião mas que não interessa agora para nada, pois não foi ela que me inspirou este post. Li várias criticas ao facto de se estar a dar bastante mais importância a esta tragédia do que a outras que aconteceram pela mesma altura, algumas delas com muitíssimas mais vítimas.
É no entanto efectivamente do Charlie que todos mais falam. Falam chefes de estado e representantes de organizações várias, falam jornalistas e bloggers, fanáticos religiosos e hackers, católicos, judeus e muçulmanos, falam vocês e falo eu...
Subscrevo que a vida de um cartoonista famoso não valha mais do que a do empregado da redacção, da mesma forma que a da menina de cinco anos, atirada da ponte pelo seu próprio pai, não vale mais do que a de qualquer uma das vitimas dos ataques na Nigéria... Tenho lido discursos bem elaborados e claros e outros em que metem completamente os pés pelas mãos. Tenho lido opiniões inteligentes e sensatas e outras completamente imbecis. Tenho lido artigos de jornais e comentários no Facebook.
Não acho que as notícias sobre o Charlie eclipsem nenhuma das outras, antes pelo contrario, talvez lhes dêem mais peso ainda. Todas elas nos fazem gritantemente ver como tudo está podre, como tanta coisa tem realmente de mudar se quisermos manter a humanidade.
Começo no entanto a achar que o importante não é tanto que todos sejamos (ou sigamos) Charlie ou que alguns sejam Charlie e outros não ou se somos Charlies ou Ahmeds... não, o que me parece realmente importante é haver tanta, mas tanta, gente a pensar, a perguntar-se genuinamente qual é a sua opinião, a sua postura relativamente ao assunto. Sinto que este ataque abanou muita gente, acordou muita gente. Que foi uma espécie de gota de água relativamente a uma situação mundial, um estado das coisas, que não é aceitável, que não é mais comportável. Posso estar enganada (espero que não) mas tenho a sensação que o mundo, de alguma forma, mudou, depois do ataque ao Charlie Hebdo...

COM MÚSICA

domingo, 4 de janeiro de 2015

Just don't let the music die...



Ontem estive a ver o filme do meu casamento, com os filhotes de dois amigos que se conheceram nesse dia. Ficaram entusiasmados com a ideia de conhecer uns pais 22 anos mais novos e ainda sem qualquer laço entre eles...

Não tenho por hábito rever filmes. Alguns nem sequer os vejo, acreditem ou não. Tenho cerca de uma dúzia de cassetes com filmagens dos primeiros anos do meu filho e algumas delas nunca sequer as liguei à televisão.
Há, no entanto, regularmente alguém que pega num dos nos álbuns que tenho espalhados pela casa e revemos imagens do passado. De vez em quando, por alguma razão, remexo nas fotos que tenho no computador e perco-me em visões de outros tempos, de outras vidas, de outras caras.
Todos estamos habituados a ver fotografias antigas, nossas e dos outros... Todos conhecemos a sensação de nos confrontarmos com um "céus, como o tempo passou"...
Nada tem no entanto o impacto da imagem animada e sonorizada...

Em termos de filmes comerciais, sou daquelas espectadoras que se entregam totalmente àquilo a que estão a assistir. Há quem dê atenção ao detalhe, à música, à fotografia, aos erros de racord... eu vivo o que estou a ver, entro no filme e sinto o que estão a sentir.
Talvez seja por isso que, instintivamente, não procuro visionamentos de outros tempos. Acredito que a vida é hoje, aqui e agora, o passado serve-me para ir moldando o futuro. Não me interessa lá voltar...

Ontem revi muita gente. Alguns não via há muito tempo pois já não andam por cá, foi bom voltar a passar uns momentos na sua companhia. Outros, tais como os amigos que referi, eram pessoas, em variadíssimos aspectos, muito diferentes das que são agora. E eu... bem, não sei bem quem era... revivi aqueles momentos como se lá estivesse outra vez, mas não me consigo rever naquela pele. A realidade é que nenhuma das pessoas que aparecem naquele filme ainda existe.

Muita água correu desde então...  Todos aqueles jovens já são hoje em dias pais. Nós, os mais crescidinhos, só não estamos em vias de ser avós porque cada vez se tem filhos mais tarde, temos no entanto a idade dos "velhos" da altura. Tenho agora a idade que tinha a minha mãe quando me casei.

Olhando para eles compreendemos que, expectavelmente, nos anos a vir, já não vai haver muito mais mudanças significativas. A maior parte dos grandes marcos da vida já ficaram para trás, para nós. Uniões e separações, filhos, mudanças de casa, de emprego, de objectivos, são coisas essencialmente da juventude. Não quer dizer que não venha a acontecer, uma que outra, a cada um de nós, mas não mais viveremos o turbilhão das primeiras décadas.

Acredito assim que, apesar de passar a correr sem que compreendamos onde foi parar o tempo, o último troço das nossas vidas, sem grandes estímulos externos, possa não parecer muito empolgante.
Os actores principais dos grandes filmes começam a pertencer às gerações abaixo. Deixa de ser tanto "eu isto", "nós aquilo", para ser mais "o meu filho isto", "a minha sobrinha aquilo".
A certa altura temos de nos compenetrar que já somos "clássicos" (lol), que o que nos espera daqui para a frente são sobretudo papeis secundários.

Esta é uma ideia que põe muita gente fora de si, que deprime ou revolta, consoante os feitios. Que a faz desistir de continuar sempre a tentar evoluir e melhorar. Que a impele a tentar levar um estilo de vida que já não é nitidamente para "a sua idade". Que agarra de tal forma alguns ao passado que se tornam seres de aparência alienígena.

A viagem, cá mais para o fim, é mais calma, menos tumultuosa, mas nem por isso menos fascinante.
Os desafios vêm cada vez menos de fora e mais de dentro. Se tudo tiver corrido bem, teremos reunido matéria-prima da qual retirar agora muito sumo. Passámos anos a "fazer" uma vida, é agora altura de a vivermos.

Pois os mais novos olham para nós como se estivéssemos a ficar fora de prazo, como nós olhávamos para os nossos pais e tios…
Mal sabem eles, jovens tontos, que ainda agora estamos a começar, que a grande aventura, o maior dos desafios, é mesmo envelhecer em beleza, em paz, serenidade e sensatez...

De nós depende não deixar morrer a música...





COM MÚSICA

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Hey Ho Let Go


As emoções que nos provocam pessoas e “coisas”, quer sejam elas positivas ou negativas, afectam-nos sempre. Os sentimentos regulam a nossa vida, a forma como nos “sentimos”,  lá está, como a palavra o indica.
Sentimentos como o amor, a amizade, a compaixão, fazem-nos sentir bem, como o ódio, o ciúme, a inveja, fazem-nos sentir mal.
Ou seja, os sentimentos têm poder sobre nós, sobre as nossas vidas. Influenciam o nosso estado de espírito, puxam-nos para cima ou para baixo consoante as circunstâncias, impelem-nos inclusivamente a tomar esta ou aquela atitude.
Resumindo, só não nos toca o que nos é indiferente.

A vida encarrega-se constantemente de por e tirar coisas do nosso caminho.
As boas, as que nos são agradáveis, temos sempre receio de as perder. As más, as que de alguma forma nos fazem sofrer, queremos mais è vê-las pelas costas.
Aquilo de que não nos damos geralmente conta, é que somos muitas vezes nós próprios que as retemos, que lhes damos o poder de nos afectar.

Alimentar sentimentos relativamente a determinada situação liga-nos a ela, faz com que continue a ter presença emocional. Amar alguém que não quer saber de nós, odiar, desprezar, guardar rancor, são tudo sentimentos e como tal mexem connosco. A ideia, em prol do bem estar e da paz de espírito, é deixa-los ir, não nos agarrarmos a eles.

Ahhh, pois, e tal e coiso, muito mais fácil de dizer do que de fazer, dirão os do costume.
Ora alguém disse que era canja?! Se fosse uma coisa evidente nem valeria a pena dissertar sobre o assunto…
A realidade é que é possível controlar  sim, tal como na história do Velho Índio e dos dois lobos, nós é que escolhemos o que alimentamos. E se não houver cães não é preciso alimentar nenhum, a questão não se põe, é uma não-questão, um não problema.
Isto é válido relativamente a tudo, só a emoção nos prende, a indiferença é absolutamente libertadora.

Não, não estou a sugerir que descartemos toda e qualquer emoção transformando-nos em flat-liners, nem pouco mais ou menos, somente aquelas que não servem absolutamente para nada, que não cumprem qualquer propósito a não ser fazer-nos sofrer.

Quando eu era miúda tinha pânico de osgas, detestava-as, achava-as nojentas (e ainda acho um bocado, confesso), tinha imenso medo de ter algum "encontro" e tornava-me totalmente irracional na sua presença.
Uma noite, há muitos anos, os meus amigos sabendo desta fobia, fecharam-me num quarto com uma. A desgraçada estava na parede, lá bem perto do tecto, quietinha, sem fazer mal a ninguém, enquanto eu berrava insultos, guinchava e dava murros e pontapés na porta implorando que a abrissem para eu sair.
Nesse dia dei-me conta do ridículo que era nutrir “sentimentos” por um bicho sem qualquer importância na minha vida, com o qual o mais que podia acontecer era ter de partilhar pontualmente uma divisão. As osgas passaram a ser-me completamente indiferentes,

As relações humanas, familiares, amorosas, amigáveis, não funcionam sem emoções mas pode haver emoção sem haver relação. Mantemos laços emocionais com pessoas com quem já não temos qualquer relacionamento, tentamos, por alguma razão, manter o passado no presente, o que não é nada saudável.

Se não nos agarrarmos às emoções, se não ficarmos a remoer as questões, se deixarmos a coisa fluir, se nos deixarmos de mesquinhices e trivialidades, frequentemente nos daremos conta que determinada pessoa já não tem lugar na nossa vida, que tudo o que lhe diga respeito nos passou a ser perfeitamente indiferente.

Apesar disto poder parecer insensível é no entanto uma excelente bitola, uma forma de separar o trigo do joio, pois há também aqueles que, passe o tempo que passar, seja qual for a distância que nos separa ou a razão do afastamento, não conseguimos “esquecer”, não conseguimos ganhar distância emocional. Esses são os que realmente importam.

Alimentar sentimentos, só os que nos fazem sentir cheios por dentro, nunca os que nos corroem as entranhas. Esses é deixa-los ir, larga-los e usufruir do fabuloso poder libertador da indiferença.






COM MÚSICA

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

A luz ao fundo do túnel



Todos passamos por fases na vida em que não conseguimos ver a luz ao fundo do túnel.
Por isto entenda-se visualizar solução para os problemas, antever como é que as situações se vão resolver, interiorizar que o sofrimento por que estamos a passar não passa disso mesmo, de uma fase má, que vai passar.
Isto aplica-se a tudo, desde questões sentimentais, como de saúde, financeiras ou qualquer outra coisa.

Há momentos em que a noção da realidade que nos rodeia tende a fazer-nos esquecer que por cima das nuvens o céu está azul e o sol brilha. Há alturas em que a vida assusta, por não conseguirmos ver saída para as situações. Há situações em que as estatísticas e as probabilidades estão nitidamente contra nós.

Aquilo que estou sempre a apregoar, que devemos dar valor àquilo que temos, em vez de almejarmos o que não temos, pode virar-se contra nós. Quando realmente vivemos a vida com esta postura, aquilo a que damos realmente valor, aquilo de que gostamos, gostamos imensamente, apreciarmo-lo de tal forma que a ideia de o perder é aterrorizadora.

Nestas alturas, para além do calor humano, do apoio e carinho dos que nos rodeiam, aquilo que mais nos pode ajudar, pessoalmente não tenho qualquer dúvida disto, é a FÉ.
Qualquer fé, não interessa… tem é de se acreditar, acreditar em alguma coisa.
Pessoalmente não sigo nenhuma religião, nenhuma doutrina, acredito no entanto, do fundo da minha alma, que se formos boas pessoas a vida é boa para nós.

Acredito que não seja possível amadurecer, irmo-nos tornando pessoas cada vez melhores, se não passarmos por situações difíceis, pois são elas que nos fazem crescer.
Acredito que as perdas, qualquer tipo de perda, daquelas que realmente doem, são tão inevitáveis como a própria morte e que temos de aprender a viver com essa consciência e aceitá-la pacífica e serenamente.
Acredito que a auto-compaixão só serve para nos deitar abaixo, para vermos o copo meio cheio, que se é para ter pena, que seja de quem está pior do que nós.
Acredito que nos momentos difíceis, não devemos olhar só para o nosso umbigo, que temos de interiorizar que se estamos a sofrer os outros também o podem estar, muitos estarão certamente pois os tempos não andam fáceis.
Acredito que não é lá porque se portam mal connosco que devemos retribuir. Que as más acções não são validadas por serem consequência de uma má acção sofrida anteriormente. Que assim o círculo vicioso nunca mais acaba.
Acredito que nos ajuda mais ajudar os outros com os seus próprios problemas, do que exigir compaixão e bater com a cabeça nas paredes. Que nos momentos em que sentimos que pouco ou nada podemos fazer por nós próprios, estender a mão a alguém nos faz sentir que não estamos de braços cruzados, que continuamos a fazer pela vida, mesmo que seja pela vida “em geral”.
Acredito que tudo aquilo que fazemos, de bom ou de mau, que nem boomerang, acaba por voltar a nós. Não obrigatoriamente pela mesma via, através das mesmas pessoas, mas garantidamente na mesma moeda.
Acredito que só com integridade, transparência, honestidade, franqueza e sobretudo muito amor, podemos realmente mudar o mundo. Que todos os males da humanidade se devem ao carácter egoísta e mesquinho da, infelizmente, maior parte dos homens.


Esta FÉ, é a única luz ao fundo do túnel em que realmente confio, é a força que que me permite afirmar, de lágrimas nos olhos e pesar no coração, que sou uma pessoa profundamente feliz.




COM MÚSICA

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

A diabólica menopausa.


Nos últimos tempos dei por mim a ter crises de angústia absolutamente terríveis, ao ponto de acabarem por despertar a minha Úrsula Adormecida.
Não as conseguia atribuir a nada de concreto. Se vos dissesse que tudo está fantástico para estes lados, estaria a mentir. A verdade, no entanto, é que já esteve bem pior. Não, a minha vida actual não parecia de forma alguma justificar este descontrolo.
Assim, tendo perfeita consciência do poder da mente sobre o corpo e vice-versa, antes que a coisa descambasse, tentei perceber o que se poderia estar a passar.

Não foi muito difícil, bastou parar para pensar um bocadinho, aperceber-me de todos os outros sintomas; a filha do demo estava de volta!
A menopausa não vem logo para ficar. Não, começa a rondar discretamente, afasta-se, volta subitamente, dá umas dentadinhas, torna a soltar… parece um gato a brincar com a presa.

Há cerca de um ano estive no fundo do poço, há muito tempo que não me sentia tão mal. Enfim, como dizia o outro, estive à beira do abismo mas dei um passo em frente… ;)
Estou hoje em dia profundamente convencida que foi a cadela que me pôs naquele estado e determinadíssima a não a deixar repetir a proeza.

Entrei na pré-menopausa há sensivelmente ano e meio e logo comecei a investigar o assunto, pois gosto sempre de saber com o que contar.
Cada uma de nós tem direito às suas maleitas, embora haja algumas mais comuns, que nos afligem com maior ou menor intensidade. Descobri no entanto que há uma série de sintomas potencialmente associados que nunca me passaria pela cabeça relacionar.

Se não controlarmos a coisa de alguma maneira, sentimo-nos literalmente a enlouquecer.
Pelo que consegui averiguar, parece ser hoje bastante consensual que as compensações hormonais sejam de evitar, devido ao risco de cancro. Pessoalmente não estou minimamente inclinada para assumir esse risco.

Os pais e/ou a escola preparam-nos para as primeiras fases da nossa vida, ninguém o faz para as últimas, temos portanto de aprender sozinhos ou deixar-nos ir com a maré.
Pessoalmente prefiro sempre tomar os assuntos em mãos.

Uma coisa que reparei foi que, não havendo propriamente um tabu, há pelo menos um certo pudor em falar sobre o tema. Confesso que me faz alguma confusão, dado que a troca de informações e de experiências sempre ajuda a que consigamos compreender o que se passa.
Não sei se terão visto um filme canadiano, de 86, chamado “O declínio do império americano”?!
Trata, grosso modo, de um grupo de amigos que, ao longo de um fim-de-semana, vai discutindo abertamente a sua sexualidade. Na altura gostei imenso do filme que me marcou bastante. Teria então cerca de vinte e poucos anos e lembro-me de ter citado, mais do que uma vez, em concordância claro está, a seguinte afirmação de um dos personagens masculinos:
[...] A única certeza que nos resta é a capacidade de agir dos nossos corpos. Se gosto, tenho ponta. Se não tenho, não gosto. Esta é a única maneira de testar. Como as mulheres que nos dizem "Amo-te como no primeiro dia" e que estão secas como lixa, quando dantes ficavam completamente molhadas só com um beijo no pescoço. [...]
Pois, a falta de informação é no que dá… leiam lá a listinha de sintomas, vá.

Outra coisa, é a convicção de que a menopausa é um assunto nosso, das mulheres…
Meus amigos, se vivem connosco aguentem-se, também é problema vosso, sim, exactamente da mesma forma que são problema nosso todas as vossas indisposições e doenças, estamos juntos neste barco, não sacudam a água do capote.
A maioria dos homens fica às portas da morte à mínima constipação mas espera que enfrentemos as nossas maleitas como se fossemos tanques de combate…
Pois esta merda não é pêra doce meninos e não é coisa para durar dois dias, é bom que se façam à ideia. Sem a vossa compreensão, a vossa ajuda, o vosso apoio, não vai ser nada fácil de ultrapassar e se correr mal vai sobrar para todos, garanto-vos.

Já ouvi falar de menopausas que decorrem “sem espinhas”, tal como de partos feitos com uma perna às costas (não sei se em sentido próprio…lol), são no entanto excepções.
São coisas por que temos de passar, façamo-lo portanto da melhor forma possível, começando por usar o cérebro, não faz sentido transforma-las em bichos de sete cabeças.

Há sintomas físicos e sintomas psicológicos mas estão de tal forma interligados que mais parecem uma pescadinha de rabo na boca.
Se, logo para começar, encararmos a menopausa como o princípio do fim, se começarmos a achar que, por causa dela, estamos velhas, é meio caminho andado para termos o caldo entornado no que diz respeito à parte psicológica.
Para além disso, convém evitar os macaquinhos no sótão pois, sendo o cérebro o maior órgão sexual feminino, estes vão garantidamente acabar por dar cabo dessa parte da nossa vida, o que convenhamos era uma pena. ;)

Na minha opinião a primeira coisa a fazer é encarar o facto que estamos a passar por um mau bocado e termos isso em consideração no nosso dia a dia.
Se é verdade que a ela associamos imediatamente alguns sintomas, como sejam os malfadados “calores”, outros há que são menos óbvios. Convém assim que saibamos o que esperar desta travessia do deserto, termos a noção que não vamos ter só os dois ou três incómodos de que sempre ouvimos falar mas potencialmente muitíssimos mais. Estarmos preparadas para lidar com cada um deles da forma mais eficiente.

Tudo aquilo por que passamos deita abaixo, não mata mas moí terrivelmente. Temos assim de poupar forças para o conseguir suportar, não armar em super-mulheres, pedir apoio, aceitar ajuda, exigir a compreensão de quem nos rodeia.
Se estivermos derreadas, a porta estará aberta para todos os males psicológicos. Mesmo tendo todos os cuidados eles estão sempre à espreita, as #”$%&## das hormonas encarregam-se de os invocar. O melhor é não lhes darmos muita importância, não alimentarmos a coisa.

Dito isto, não há fórmulas mágicas, cada uma terá de encontrar a melhor forma de viver com os seus sintomas. Há pequenos truques que podem ajudar, o artigo para o qual pus o link é dos melhores que encontrei na net e dá-nos dicas para cada “aflição”.
Para além disso é uma fase em que precisamos de muitas muletas… pois então usemo-las.
Temos falta de memória?! É para isso que servem agendas e lembretes… A porcaria da angústia não nos larga o osso?! Xanax pá carola… Tá seco?! Passáí o KY Jelly…

E sobretudo não esquecer que nisto, como aliás em tudo na vida, o nosso melhor amigo é sempre o sentido de humor… ;)


COM MÚSICA