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Irina Werning - Back to the Future |
Nascer, crescer, envelhecer, morrer… é a sequência natural de
qualquer vida.
Estou de acordo com o Woody Allen, que esta seria
provavelmente mais simpática vivida ao
contrário, envelhecer é sem dúvida chato.
Temos, ou pelo menos eu tinha, a ideia de que tudo isto se
passa progressiva e linearmente.
Desde que o meu filho nasceu que tenho vindo a constatar que
é uma noção completamente errada, tudo se passa na realidade aos pulos, tanto
física como intelectualmente.
Roupa que lhes serviu durante meses fica, de um dia para o
outro, uma mão-travessa mais curta. Os gugu dadás parece que passam de repente
a frases compostas. Não se nota qualquer progresso durante uma série de tempo
e, subitamente, temos de lidar com uma realidade completamente diferente.
Aos poucos vamo-nos apercebendo de que isto se passa relativamente
a tudo, eventualmente a um ritmo diferente, mas com o mesmo tipo de degraus.
Ao longo deste último ano, talvez por ter entrado na
pré-menopausa, talvez por causa dos muitos quilos de “já não fumo” que penosamente arrasto por aí, ou simplesmente porque
o tempo passou sem me avisar, levei nitidamente aquilo a que os franceses
chamam “un coup de vieux”… já ando a
sentir-me cansadota e um bocado como o condor, com dor aqui, com dor ali…
Um dia destes, na rádio, mencionaram uma “senhora de meia
idade”… era mais nova do que eu. lol
A esperança média de vida em Portugal ronda hoje em dia os
oitenta anos, para as mulheres. Para os homens cerca de meia dúzia deles a
menos, deve ser por causa do que lhes infernizamos o juízo… hehe
Ora oitenta a dividir por dois dando quarenta, se a
matemática não me falha que fiz a conta de cabeça, já ultrapassei mesmo a tal
meia idade, indo alegremente a caminho da terceira, e não estou a falar da ilha.
;)
Dei no entanto por mim, este verão, vejam lá vocês o
disparate, deliciada na observação do fenómeno idade.
Tive a sorte, a
vontade, a capacidade, de aqui chegar rodeada de amigos de longa data, alguns
dos quais conheci quando eram ainda jovens adolescentes, da idade do meu filho.
Este ano, na praia, dei-me conta de que fazíamos já parte dos mais velhos.
Comecei a observar-nos mais atentamente e senti-me
enternecida pelas carecas, as brancas, as rugas e as barriguinhas. No nosso
grupo já não há boazonas nem garanhões, já só resta gente, que vale o que vale
pelo que é, e não pelo que faz ou aparenta.
Já não tenho “pedalada” para muita coisa, ao mais pequeno
excesso parece que levei uma tareia e levo infinitamente mais tempo a
recuperar, é certo. O corpinho está-se a ir, em mais do que um sentido, lenta
mas seguramente.
Perante esta evidência posso revoltar-me ou aceita-la como
parte inevitável do percurso e adaptar a vida à nova realidade.
Há tempos, numa comparação de mães, alguém dizia: “não,
a minha não se sente velha nem cansada, mas também não faz nada que não sinta
que seja adequado á sua idade.”
Sábia senhora…
O erro é pedirmos aos nossos corpos e cérebros que
se comportem e reajam como se tivessem não sei quantos anos a menos. Compararmo-nos
e querermos ter a mesma vida que a malta mais nova. Recusarmo-nos a aceitar que,
da mesma forma que no início “ainda não” podíamos/conseguíamos fazer determinadas
coisas, para o fim “já não” vamos podendo fazer outras.
Isto não quer dizer
que não continuemos a ter acesso a mil e uma fontes de alegria e prazer, não
são melhores nem piores, como dizia a minha professora de história da arte, são
diferentes.
Uns partem na flor da idade, outros arrastam-se
por cá até à decrepitude. Nenhum de nós sabe o que irá determinar o seu último
suspiro. Podemos só esperar não pesar a ninguém, não sofrer nem fazer sofrer
demasiado.
No entanto, minha gente, enquanto as maleitas não forem
males, enquanto formos donos e senhores dos nossos corpos, das nossas mentes e
das nossas vidas, tiremos proveito do que a experiência dos anos nos trouxe e
apreciemos o que é, em vez de carpir sobre o que foi…
COM MÚSICA
Afinal parece que a minha esperança de vida acabou de subir dois anos: http://sicnoticias.sapo.pt/vida/2012/12/27/mau-feitio-aumenta-esperanca-de-vida
ResponderEliminarDois comentários:
ResponderEliminar1) É verdade que em todo o mundo, com meia dúzia de honradas excepções, a esperança de vida dos homens é inferior à das mulheres. Em média mundial 6%, chegando a atingir 18% na Rússia. Como tu reconheces, será por nos "infernizarem o juízo". Da próxima vez que pensares em chagar a tua cara-metade, pensa que podes estar a cometer um homicídio em forma percentual.
2) Na praia era só "carecas, brancas, rugas e barriguinhas"? Fico chateado por não teres reparado em mim.
Duas respostas:
ResponderEliminar1) A história do infernizar o juízo foi uma graçola que o meu lado masculino não resistiu a fazer, porque a realidade é que vocês morrem mais cedo porque não sabem viver sem nós... imagina só, quem é que te cortava a frutinha?!
2) Antes pelo contrário, era sobretudo em ti que estava a pensar... mas depois achei foleiro para os outros e troquei "ralo" por "careca".
;)
Luv U