sexta-feira, 22 de abril de 2011

Nós, macaquinhos

COM MÚSICA



Quando penso nos progressos da medicina, da ciência, da tecnologia, fico absolutamente abismada… É impressionante o caminho que a humanidade fez até aos nossos dias, o cérebro humano é sem dúvida uma máquina brilhante, prodigiosa. Tivemos, mais do que qualquer outra espécie, graças á nossa inteligência, uma evolução deslumbrante.

Outra coisa que não deixa nunca de me admirar é a gigantesca falta de inteligência emocional demonstrada por grande parte dos seres humanos. Esta reflecte-se a todos os níveis, desde o individuo, aos governos, passando por empresas e organizações. Basicamente, já vamos à lua mas continuamos, em muitos casos, a comportar-nos como verdadeiros trogloditas.

A fome de poder, a ganância, a inveja, o ciúme, os sentimentos de posse, o egoísmo, a necessidade de status, o consumismo, a busca de popularidade, etc, parecem reger mais as atitudes do bicho homem do que o bom senso, o autocontrolo, a persistência, o zelo,  a compaixão, a empatia…

O resultado, na minha opinião, é termos um mundo muito pior do que o poderia ser se, para além do QI, desenvolvêssemos na mesma medida o QE.
Preocupamo-nos em estimular nas crianças a inteligência pura e dura, o raciocínio, a aprendizagem, mas transmitimos-lhes simultaneamente, pelo exemplo, conceitos de vida que de inteligentes muitas vezes nada têm.

Aceitamos como válidos comportamentos dignos dos homens das cavernas, dos tempos em que, mais do que viver, sobrevivíamos. Permitimo-nos agir por impulso, sem medir as consequências dos nossos actos. Não temos em conta os nossos melhores interesses, ou os dos outros, no médio/longo prazo. Não pomos as coisas em perspectiva, cedendo muitas vezes aos nossos instintos animais, desadequados aos tempos e à sociedade em que vivemos.

Segundo Daniel Goleman:
“Em termos de concepção biológica do circuito neuronal de emoções básico, aquilo com que nascemos é o que resultou melhor para as últimas 50 000 gerações humanas, e não para as últimas 500, e certamente não para as últimas cinco. As forças lentas e deliberadas da evolução que moldaram as nossas emoções fizeram o seu trabalho ao longo de um milhão de anos; os últimos 10 000 - apesar de terem assistido à rápida ascensão da civilização humana e à explosão da população de cinco milhões para cinco biliões - quase não deixaram marca nas nossas matrizes biológicas para a vida emocional.
Para o melhor ou para o pior, a nossa avaliação de cada encontro pessoal e as nossas respostas a estes encontros não são determinadas apenas pelos nossos juízos racionais ou a nossa história pessoal, mas também pelo nosso passado ancestral. [...] Em resumo, muito frequentemente confrontamos dilemas pós-modernos com um repertório emocional feito à medida das exigências do Pleistoceno.”

Tudo bem… mas estando conscientes desta questão será que não conseguimos mudar isto?!
Será que não está nas nossas mãos alterar a ordem das coisas?
Acredito genuinamente que, se todos fizéssemos um esforço consciente, se controlássemos o macaco que há em nós, se transmitíssemos a ideia aos nossos filhos, os educássemos nesse sentido, a humanidade saísse certamente a ganhar.
Temos inteligência suficiente para explorar o espaço mas não para nos comportarmos como seres civilizados e viver em harmonia com o próximo no nosso próprio planeta?! Não acredito…

1 comentário:

  1. O cérebro do chimpas faz me lembrar alguém!

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