sexta-feira, 22 de julho de 2016

Say cheese…



Estou cada vez mais viciada no Pinterest, onde me inscrevi há séculos, mas do qual só à relativamente pouco tempo compreendi realmente a utilidade.
Criei recentemente um board terapêutico de sorrisos.

«Terapêutico» parece-vos uma definição inadequada?!
Desenganem-se, é isso mesmo que ele é.
A vida para estes lados tem andado barra pesada. Há dias em que sinto dificuldade em consciencializar que acima das nuvens o céu está azul e o sol brilha.
Nesses dias, vou ao meu boardzinho, passeio-me um pouco por aquelas centenas de sorrisos, de novos e velhos, pretos e brancos, ricos e pobres, e sinto-me imediatamente outra.

Os sorrisos são contagiosos, é raro que não sejam retribuídos. E rir, sorrir, vá-se lá saber porquê, faz bem à alma.
Quem não se sentiu já absolutamente recauchutado depois de uma boa risota?!
A capacidade de nos rirmos das situações, dos outros, de nós próprios, alivia tensões, aligeira o peso da maioria das coisas.
Por alguma razão se inventaram as anedotas. Já diziam as Selecções do Readers Digest que «rir é o melhor remédio». O sentido de humor é uma característica extremamente saudável e, a meu ver, desejável.

Já todos devemos ter utilizado a expressão “só tu é que me fazias rir hoje”; exceptuando os eventuais casos em que seja utilizada com sarcasmo, trata-se geralmente quase que de um agradecimento.
Todos gostamos de rir, de sorrir, quem no-lo provoque está de certa forma a fazer-nos um mimo, a transmitir boas vibrações, sensações agradáveis.

No mundo cão em que vivemos, estas são cada vez mais raras e consequentemente preciosas. Somos diariamente bombardeados, em todas as frentes, com más notícias, tristes, deprimentes. O bicho homem está a conseguir lixar-se a si próprio e ao nosso lindo planeta azul de todas as formas e feitios. Raios, como somos estúpidos.

Assim, embora compreenda e subscreva a importância da partilha das nossas reclamações, da nossa revolta, da nossa indignação, do nosso apoio, relativamente a causas várias… acima de tudo parece-me fundamental partilharmos e provocarmos sorrisos. :)
Um sorriso faz milagres, consegue as vezes que nos sintamos felizes durante horas. É importante passar este vírus, empenharmo-nos na sua propagação. As pessoas “agem melhor” quando se sentem bem.

Distribuamo-los pelas pessoas que vamos encontrando durante o dia, ofereçamo-los regularmente àqueles com quem partilhamos a vida, provoquemo-los nas redes sociais… Façamos deles o nosso estandarte, a nossa causa, o nosso objectivo. Espalhemos o bom humor em vez de sentimentos negativos, que só nos fazem sentir, tanto a nós próprios como aos outros, ainda pior.

Para além disso, como dizia a Marilyn, é a melhor maquilhagem que podemos usar. ;)











COM MÚSICA

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Eu nem sequer gosto de futebol…





Não consigo entender a importância que assume o futebol na vida de algumas pessoas, confesso, o fanatismo clubista mexe-me um bocadinho com os nervos.
Não gosto de futebol mas AMO o meu país, o meu povo, de corpo e alma, do fundo do coração, com todos os seus defeitos e qualidades!!!
Como tal, não perco um jogo da nossa selecção. ;)

Este Euro despertou o melhor e o pior que há em mim…
Comecei por lhe assistir de uma forma cool, sentadinha no sofá a fazer tricô, levantando os olhos quando começava a haver agitação à minha volta.
A postura dégueulasse dos franceses em relação a nós, durante todo o campeonato, arrancou-me ao meu torpor e pôs-me a torcer fervorosamente, não só para ganharmos, como sobretudo para eles perderem. Desejei que nos encontrássemos na final, para lhes enfiarmos a arrogância num sítio que eu cá sei, de preferência sem vaselina.

A França fez parte da minha vida desde muito cedo. Vivi lá, fiz os meus estudos no Charles Lepierre, estive “casada” com um francês…
Sei a marselhesa de ponta a ponta (o que não é nitidamente o caso dos jogadores deles…), que considero um dos hinos mais bonitos do mundo e não consigo deixar de me emocionar de cada vez que a oiço cantada no bar do Casablanca. Os meus cantores preferidos são franceses (ou pelo menos francófonos); o Georges Brassens, o Jacques Brel, o Serge Gainsbourg, entre outros. A minha BD favorita é a franco-belga. Adoro os seus queijos, as suas saladas, a sua culinária em geral. Paris é uma cidade magnífica de que gosto muito.
Enfim, era perfeitamente menina para também ficar contente com uma vitória deles; “que ganhe o melhor”…

Demonstraram no entanto de tal arrogância, imodéstia, ordinarice, má fé, mau perder, que não sei sequer como é possível alguém estar do seu lado.
Já tinham um autocarro todo preparadinho para a vitória?! Ohhhh, que penaaa… lá vai ele com o tubinho de escape entre as rodas, tadinho...

Nós por cá festejamos, felizes e unidos.
Foi um jogo bonito, emocionante, até para quem não gosta de futebol.
Cometemos uma que outra infracção e tivemos alguns golpes de sorte?! Pois naturalmente que sim, apontem-me um jogo sem eles.
Ganhámos no entanto sem jogo sujo (contrariamente ao de alguns), sem o nosso menino de ouro e sabemos fazê-lo com humanidade e elegância.



Ganda galo, hein, ó francius?! :)



Obrigada «irredutiveis gauleses» (hahaha) por unirem desta forma a nossa nação valente, uma victória contra a Alemanha não teria garantidamente o mesmo sabor!!!



COM MUSICA

segunda-feira, 4 de julho de 2016

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Homem não chora

Homem não chora…
Mentira!
Apesar de muitos animais terem formas várias de exprimir as suas emoções, ao que apurei, o bicho homem é o único que efectivamente chora.
Se bem que há quem defenda que elefantes, cães e primatas também têm capacidade de o fazer…

A nossa sociedade não é no entanto grande apreciadora do choro, que encara geralmente como um embaraçoso sinal de fraqueza, que desde a infância tenta reprimir.
Do carinhoso “sê corajoso meu querido, não chores” ao mais violento chavão “um homem não chora, pá!”, tenta-se incutir nas crianças a ideia que devem tentar evitar chorar, noção essa que nos vai acompanhando ao longo da vida.

Choramos pelas mais variadas razões.
A dor, física ou psicológica, será talvez a mais comum. No entanto, muitas outras emoções nos podem fazer chorar; a aflição, a tensão, a revolta, a frustração, a vergonha e até mesmo algumas positivas como a sensação de alívio, por exemplo.

Tanta gente fica genuinamente perturbada com o choro alheio, que há quem disso se aproveite, usando-o para tentar levar a água ao seu moinho.
É um estratagema comum das crianças e um clássico muito usado por algumas fêmeas manhosas. 

É sabido que o choro é uma ferramenta de comunicação, um sinal de aflição que transmite uma necessidade de apoio, de ajuda.
É no entanto também uma valiosíssima válvula de escape, na minha opinião de má fama e terrivelmente subvalorizada.

Quantas vezes não nos sentimos francamente melhor depois de uma boa crise de choro?! Como se as lágrimas e os soluços expelissem cá para fora algo que nos estava a sufocar…
Aliás, parece que estudos sugerem que chorar limpa realmente químicos negativos do nosso sistema.
Para além disso parece que nos clarifica a visão. Depois de nos acalmarmos, ganhamos frequentemente nova perspectiva sobre as questões, como se a tensão nos estivesse a turvar o pensamento.

Por outro lado, chorar à frente de terceiros não é vergonha nenhuma.
É frequentemente o que despoleta desabafos que retínhamos dentro de nós, nos permite largar lastro e às vezes até conseguir a ajuda que, no nosso estado “controlado”, não queríamos pedir.
Quanto mais não seja, gera empatia, estimula o contacto físico, a oferta daquele ombro, quantas vezes mais do que suficiente para nos sentirmos logo melhor.

Ninguém consegue ser forte o tempo todo, todos temos momentos de fraqueza, de desalento.
Às vezes são pontuais mas outras vezes são fases. Há travessias do deserto muito longas, muito cansativas, muito duras.
Por muito optimistas que sejamos, por muito que mantenhamos, no geral, um espírito positivo, não é espectável que nos sintamos sempre bem, é normal vacilarmos de vez em quando.

Alturas há, inclusivamente, em que tudo nos põe de lagriminha ao canto do olho. Parece que tudo o que nos acontece, tudo o que nos fazem, nos dizem, bate com mais força.
Há mil razões pelas quais isto pode acontecer, desde alterações hormonais (na gravidez ou na menopausa, por exemplo) a problemas de saúde, cansaço, períodos da vida mais conturbados, etc…
Isto não é no entanto um sinal de fraqueza mas de fragilidade. É um sinal de alerta, mas não obrigatoriamente de alarme, que nos diz que estamos a passar por um período mais sensível e como tal nos devemos proteger, não nos expor desnecessariamente.

Há que desdramatizar os picos negativos dos electrocardiogramas, eles fazem parte da vida, tanto como os altos.
Há que interiorizar e aceitar que, quer queiremos quer não, temos de passar por eles.
Há que continuar a ser felizes por detrás das lágrimas, mesmo que no momento não consigamos sentir o calor dessa felicidade. Todos sabemos que por cima das nuvens o céu está azul e o sol brilha.

O que não é saudável, é perigoso mesmo, é abandonarmo-nos a estados de espírito negativos, acomodarmo-nos neles, por risco de cairmos em depressão ou de entrarmos em desespero, estados dos quais o retorno é muitíssimo difícil.
Há que saber não só aceitar os downs como parte integrante da vida como também reagir-lhes, tal como o cavaleiro que cai do cavalo deve voltar o mais rapidamente possível para a sela.





A capacidade de chorar pode aliás salvar-nos a vida… quem não se lembra do fabuloso Breakdown do Alfred Hitchcock?! ;)



COM MÚSICA

quinta-feira, 9 de junho de 2016

De cavalo para burro



Não vivemos tempos nada fáceis, raios os partam…

Pessoalmente não me lembro de nenhum período em que tanta gente, de todas as camadas sociais, tivesse de fazer downgrade ao seu estilo de vida.
Passar de cavalo para burro, como se costuma dizer, é terrivelmente penoso.

Há tempos falavam-me de alguém que, coitadinho, tinha descido de tal forma na vida, que hoje em dia já só tinha X€ por mês para viver.
Afluíram-me imediatamente à cabeça palavras começadas por F… bips de censura e ###s... pois com essa “miséria” nós cá em casa aguentávamo-nos mais de seis meses!!!

No entanto, depois de recuperada do meu ataquezinho de inveja polvilhado de self-pitty, conhecendo a pessoa em questão e aquilo a que estava habituada, dei-me conta que deve de facto ser lixado.
De onde partimos, neste caso, não altera em nada a situação, é o sentimento de perda que custa. A morte de um filho tanto dói a quem tenha dez, como a quem tenha um…

O que nos agrada, nos atrai, e não temos; encanta-nos, faz-nos sonhar, motiva-nos até. Aquilo que apreciamos e sem o qual ficamos; dói.
Estou absolutamente convencida que seja muito mais duro perder a visão do que nascer cego, perder um grande amor do que nunca o ter vivido, viver debaixo da ponte quando já se teve uma casa… o termo de comparação é que dá cabo de nós.

Dito isto, a vida são dois dias, pelo que é bom que os aproveitemos (ambos…lol) da melhor forma possível. Para além disso, não há dúvida que estas situações são excelentes oportunidades de crescimento interior.
Não sendo de forma alguma fáceis, não precisam também, a menos de casos extremos, de se transformar em dramas. O sofrimento não vai melhorar a nossa situação, antes pelo contrário, há portanto que tentar atenua-lo na medida do que nos for possível.
Para além disso, realidade é que se consegue viver, e bem, com muito menos do que aquilo que julgamos.

O truque começa por nos habituarmos a olhar tendencialmente para baixo e não para cima. Se é verdade que há quem tenha muito mais do que nós, há também quem tenha francamente menos e é preciso ter essa noção para conseguirmos pôr as coisas em perspectiva.
Matutar sobre o que nos faz falta, provoca sentimentos de frustração, de revolta, azeda-nos a alma. Dar valor às coisas boas que  temos, gera uma sensação de reconfortante gratidão.
Se para além disso interiorizarmos que há coisas muito mais graves do que as questões materiais, que há quem se debata com problemas de saúde, quem tenha de lidar com a morte de entes queridos, etc… ver o copo meio cheio tornar-se-há mais fácil ainda.

Assumir a nossa situação, a meu ver, também ajuda bastante. Não estou a sugerir que ponhamos um anúncio no jornal mas passar por dificuldades, ainda para mais numa altura em que isso é o pão nosso de cada dia para tanta gente, não é vergonha nenhuma.
Parece-me importante sobretudo para que não esperem de nós aquilo que não podemos dar.

Estou a rever o Friends com o meu filhote. Nem a propósito, o episódio de ontem era justamente sobre o tema das dificuldades financeiras.  Três deles ganham bem, enquanto que os outros três contam tostões, não conseguindo acompanhar o estilo de vida dos primeiros, criando-se assim um fosso que divide o grupo.
Inútil será dizer, spoilerrr, que tudo acaba por se resolver.

Nesse sentido, estas alturas até são fixes para separar o trigo do joio; um verdadeiro amigo não se chateia por não conseguirmos acompanha-lo ao restaurante da berra, aparece-nos em casa e traz o jantar… ;)
Meter o orgulho no saco (para não dizer noutro sítio) e aprender a aceitar a ajuda alheia e a apreciar genuinamente os miminhos que nos queiram fazer, ajuda muito a aguentar o barco.
Tudo custa sempre mais quando nos sentimos sozinhos, desamparados. Se nos isolarmos sentiremos muito mais o peso da nossa condição.

Mudam-se os tempos, há que  mudar de vida.
Tentar manter os padrões aos quais estávamos habituados só nos levará ainda mais ao buraco.
Há que encarar o facto que quando não há guito, não há palhaço mas, se nos deixarmos de vergonhas, podemos perfeitamente manter uma vida socialmente activa e gratificante.
Não podemos ir ao restaurante? Jantemos em casa, cada um traz qualquer coisa.
Não dá para ir ao cinema? Combinemos uma noite de jogo.
Não temos dinheiro para oferecer uma prenda decente? Organizemos uma vaquinha.
Há sempre soluções alternativas.

Se vos dissesse que estou satisfeitíssima com a minha condição actual, estaria a mentir, custa-me, custa-me para caramba, sobretudo porque já conheci outro tipo de vida, lá está.
Agora não posso negar que, a necessidade fazendo o engenho, muitas coisas positivas nasceram deste apertar de cinto.

Organizo regularmente aquilo a que chamamos “Chás das trocas”, simpáticos convívios em que cada um trás coisas que já não quer e leva para casa o que lhe apetecer. Fazemo-los temáticos; de roupas e acessórios, de livros, de coisas para a casa. São sempre muito concorridos e animados, com a enorme vantagem de o que sobra ser entregue a causas de solidariedade.

Passei a fazer eu montes de coisas em vez de as comprar; roupas, bijutaria, sacos, malas, almofadas, candeeiros, objectos vários, prendas para os amigos… na maior parte dos casos reutilizando materiais que já tinha em casa ou que me dão. Não imaginam o gozo supremo que me proporcionam estas manualidades.

Desenvolvi jeito e gosto pela jardinagem. Trago pés e rebentos de casa dos amigos, apanho-os na rua, no “lixo” da jardinagem da zona e planto-os em casa. Reproduzo as plantas, seco folhas e flores, aproveito-as para decoração, ofereço-as.

Isto só para dar os exemplos mais flagrantes do lado positivo da coisa.


Não consigo olhar com rancor ou azedume para belos corcéis, sinto-me feliz por eu própria já ter montado uma pileca e dou graças pelo meu burrito, que há quem ande toda a vida a pé. ;)



COM MÚSICA


sexta-feira, 6 de maio de 2016

A epidemia






Nos últimos tempos tenho recebido, umas atrás das outras, notícias de separações de amigos e conhecidos, parece uma epidemia.
A maior parte destas rupturas está a dar-se em aparentemente estáveis relações de longa data, o mais curioso sendo que, em todos os casos que conheço um bocadinho mais intimamente, a razão é a mesma; algum dos membros do casal considera a relação insípida e sente necessidade de emoções mais fortes.

Devo confessar que não só me faz pena, como também alguma confusão, ver pessoas que aparentemente se entendiam tão bem seguir cada uma para o seu lado, mas quem somos nós para julgar o próximo. Se há coisa que compreendi e interiorizei é que somos sem dúvida muito diferentes uns dos outros na forma de sentir, de pensar e de agir. Para além disso, da vida alheia, só conhecemos sempre a ponta do iceberg, pelo que cada um sabe de si

Sou a primeira a defender que “quem não está bem, muda-se”, não acredito em ficar juntos por qualquer outra razão que não seja a mutua vontade que assim seja.
No entanto, cada vez mais me vou dando conta que “estar bem” não cai das árvores, requer geralmente esforço e empenho.
Para além disso pergunto-me, nestes casos em que as separações parecem dever-se acima de tudo a um desencanto, ao desgaste pela rotina e pelo tempo, se os que se afastam não irão em perseguição de unicórnios.

Notem que admito que possam existir relações quase perfeitas. Acredito nisso, tal como acredito que haja pessoas simultaneamente bonitas, elegantes, inteligentes e simpáticas. Assim como estou consciente que, quase todas as semanas, alguém ganha o euromilhões.
Convenhamos no entanto que fazer as nossas vidas na esperança que nos calhem a nós será talvez um excesso de optimismo, na dúvida é melhor não contarmos com isso. A esmagadora maioria dos mortais move-se num mundo em que a perfeição, seja lá no que for, está bem longe…
Assim, o outro não irá provavelmente ter algumas características que nos fazem uma falta imensa e outras terá sem as quais viveríamos de bom grado. O que me parece realmente importante é que o balanço seja positivo, não se pode ter tudo.

As relações podem no entanto ser constantemente melhoradas, nós é que a partir de certa altura, preguiçosamente, tendemos a baixar os braços.
No início tudo é maravilhoso, tudo é “perfeito”. Depois começamos a tentar limar arestas, ajustar agulhas, pôr pontos nos iis. Quando as coisas se tornam aceitáveis e entram em velocidade de cruzeiro, normalmente deixamo-las andar.

No entanto, da mesma forma que acredito que, até ao dia da nossa morte, nos devemos tentar corrigir e melhorar, assim encaro também as relações. Muitos deixam de se esforçar quando as coisas já estão razoavelmente bem, para não se chatearem, para não terem trabalho.
Mas há sempre alguma coisa a afinar. Não devemos, a meu ver,  baixar os braços, conformar-nos, contentar-nos com o que já conseguimos. Comecemos com as questões de fundo e sigamos para o detalhe. A perfeição pode ser uma utopia mas há que tentar aproximar-nos dela tanto quanto possível, enquanto nos for possível.
Manter uma relação requer investimento de tempo e energia.

O frisson inicial vai esmorecendo, as emoções fortes vão dando lugar a uma sensação de paz, de segurança, de aconchego. Ao fim de um tempo, as relações amorosas vão se parecendo cada vez mais com relações de amizade. Alimentam-se de respeito mútuo, de confiança, de uma sensação de conforto e descontracção. A paixão vai-se transformando em cumplicidade, companheirismo, intimidade.

Claro que, não só entendo, como inclusivamente sinto atracção pela novidade, pelo prazer e entusiasmo da descoberta. É inebriante a excitação da sedução, o encanto do primeiro beijo, a febre das primeiras aventuras em vale de lençóis. Tudo coisas que ao fim de uns tempos deixamos de sentir.
E quando entramos nessa fase, quantas vezes não chegamos à conclusão que afinal não é tudo tão fantástico como prometia. Depois do sumo espremido, frequentemente nos damos conta que afinal não é tão nutritivo como esperávamos.
E lá recomeçamos tudo de novo…
Diz-se que quem muito quer tudo perde. A perseguição de chutos de adrenalina, arrisca-se assim a levar-nos, at the end of the day, a uma sensação de frustração, de vazio. O óptimo é inimigo do bom.

Qualquer relação tem sempre um período de experiência. Se este tiver sido positivamente ultrapassado, se estivemos muito tempo com alguém, a menos que sejamos masoquistas, por alguma razão foi.
É muito gratificante sentir que construímos algo em conjunto, que temos um passado, uma história em comum.
Li algures uma frase que adorei; não é possível fazer novos “velhos amigos”.
A antiguidade conta, tem peso, tem valor. Vale a pena, a meu ver, empenharmo-nos a fundo nas relações de qualidade, nas pessoas que realmente apreciamos, mesmo que já não nos tragam nada de novo.


COM MÚSICA

segunda-feira, 18 de abril de 2016