quarta-feira, 17 de junho de 2015

A tatuagem


As opiniões divergem enormemente no que respeita a tatuagens.
Há quem as abomine, as considere tremendamente ordinárias, não consiga sequer entender como é que alguém, voluntariamente, se marca assim para a vida. Há quem as adore, as considere uma forma de arte, faça umas atrás das outras até cobrir o corpo com elas. Entre uns e outros,  mais de cinquenta tons de cinza... ;)

Pessoalmente gosto muito e andei anos a considerar fazer uma.
A primeira coisa que tatuei foi a assinatura do meu pai, na nuca. Achei original e gostei da ideia de ser “uma obra assinada”. lol
Demorei tanto tempo a decidir-me que, apesar de ter chegado a falar disso com ele, só a fiz cinco anos depois da sua morte.
Tenho pena, ele teria achado graça…




A escolha do sítio não foi no entanto fantástica, dado que uso geralmente o cabelo relativamente comprido, ficando portanto tapada, e que pessoalmente só a consigo ver ao espelho e ainda assim com dificuldade.
Fiquei portanto, muito rapidamente, com vontade de fazer outra.

Fazem-se tatuagens de todos os géneros e em todos os sítios do corpo.
Há quem opte por desenhos humorísticos (o meu pai costumava dizer, na brincadeira, que se fizesse uma tatuagem seria uma mosca debaixo do dedo grande do pé…lol), quem faça escolhas mais "artísticas" e quem prefira citações ou dizeres… Há quem se tatue para disfarçar cicatrizes, para homenagear alguém ou para se lembrar de algo. Há quem escolha sítios bem visíveis e quem se tatue onde não chega o sol.
Todas as opções relativamente a uma tatuagem são “pessoais e intransmissíveis”…  

Aquilo que geralmente mais confusão faz às pessoas é o seu carácter permanente, nunca ouvi ninguém criticar a colocação de uma tatuagem provisória. E como são no entanto potencialmente perigosas
É uma ideia que não me intimida, tenho várias outras marcas indeléveis, mais conhecidas por cicatrizes, cuja localização e forma não tive sequer a liberdade de escolher e que não me incomodam minimamente.
O “para sempre” é, para além disso, hoje em dia relativo, dado já se apagam tatuagens com bastante sucesso. Se bem que apesar de ser reconfortante a noção de que no limite é possível, fazer uma considerando apaga-la é como casar-se já a pensar no divórcio. ;)

Não encaro no entanto o assunto de ânimo leve, o que não falta por aí é gente arrependida das tatuagens que fez, não me imagino a fazer uma tatuagem de impulso.

Assim, durante seis anos, pensei e repensei os seguintes factores.
Localização
Para mim, uma tatuagem tem de ser “escondível”, tenho de ter a possibilidade de não a mostrar se não quiser. Para além disso, tem de ser num sítio em que não fique horrenda com as inevitáveis transformações do corpo ao longo dos anos.
Estética
Uma tatuagem é para mim um “adereço fixo”, é suposta embelezar harmoniosamente a parte do corpo quem que é colocada, como se de uma peça de bijutaria se tratasse.
Significado
Fartei-me de rir, com um Calimero a […] à abelha Maia, que vi no portfolio da casa de tatuagens onde fiz as minhas. No entanto, por muito que aprecie o sentido de humor, era  incapaz de fazer algo do género, para mim é necessário que tenha um forte significado.

Tive grandes hesitações relativamente ao sítio, passei muito tempo na net à procura de inspiração, fiz esboços e mais esboços  com variadíssimas hipóteses, até que um dia acordei com a certeza do que queria. Desenhei toscamente a coisa, cravei a mana para fazer um desenho decente e marquei para logo que possível.

Eis o seu significado para mim:
Espirais – símbolos aquáticos, representando os ciclos de vida, o crescimento/desenvolvimento/evolução, a mudança permanente. A consciência de que a nossa vontade tem a força das ondas. Um lembrete de que muitas vezes temos de persistir, de insistir, de repetir vezes sem conta até chegarmos ao resultado pretendido. O caminho da consciência exterior para o nosso eu interior, a essência do que somos.
Simbolo do infinito – de novo o ciclo da vida. A ausência de limites, uma infinidade de possibilidades, escolhas e decisões. “What goes around, comes around”, na vida recebemos o que damos. A consciência da nossa pequenez e total falta de importância no “grande cenário”. A noção de que existem “universos paralelos”, de que há pessoas que vivem realidades completamente diferentes da nossa.

Adoro a minha nova tatuagem… :)









COM MÚSICA